6 de jun de 2013

Supertelescópio em deserto do Chile descobre 'fábrica' de cometas

Alma identificou fenômeno ao ver 'armadilha' de poeira em volta de estrela. Região fica a 400 anos-luz da Terra, na constelação do Serpentário.
Concepção artística mostra 'armadilha' de poeira no sistema Oph-IRS 48 (Foto: ESO/L. Calçada)
 
Com o auxílio do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), os astrónomos obtiveram uma imagem de uma região em torno de uma estrela jovem, onde partículas de poeira podem crescer juntando-se umas às outras. Esta é a primeira vez que uma tal armadilha de poeira é claramente observada e modelizada, resolvendo assim um mistério de longa data relativo ao modo como as partículas de poeira nos discos crescem até atingirem tamanhos suficientemente grandes, que as levem eventualmente a formarem cometas, planetas e outros corpos rochosos. Os resultados são publicados a 7 de junho de 2013 na revista Science.
 
Os astrónomos sabem hoje em dia que existem inúmeros planetas em torno de outras estrelas, mas ainda não compreendem bem como é que estes corpos se formam, existindo igualmente muitos aspectos na formação de cometas, planetas e outros corpos rochosos que permanecem um mistério. Agora, novas observações que utilizam o potencial do ALMA, começam a responder a uma das maiores perguntas: como é que pequeníssimos grãos de poeira situados no disco em torno de uma estrela jovem crescem mais e mais, até atingirem o tamanho de cascalho ou mesmo pedregulhos com mais de um metro?

Os modelos de computador sugerem que os grãos de poeira crescem quando colidem uns com os outros, aglutinando-se. No entanto, quando estes grãos maiores chocam de novo a alta velocidade, ficam muitas vezes desfeitos em bocados, voltando à casa de partida. Mesmo quando isso não acontece, os modelos mostram que os grãos maiores rapidamente se deslocam para o interior devido à fricção entre a poeira e o gás, caindo assim na estrela progenitora, o que não lhes deixa nenhuma hipótese de crescer mais. Assim, os grãos de poeira precisam de um porto seguro onde as partículas possam continuar a crescer até atingirem um tamanho que lhes permita sobreviver por si mesmas. Tais “armadilhas de poeira” foram já sugeridas, mas até agora não havia prova observacional da sua existência.

Nienke van der Marel, estudante de doutoramento no Observatório de Leiden, Holanda, e autora principal do artigo científico que descreve os resultados, estava a usar o ALMA em conjunto com os seus colaboradores para estudar o disco num sistema chamado Oph-IRS 48. A equipa descobriu que a estrela se encontrava rodeada por um anel de gás com um buraco central, criado muito provavelmente por um planeta invisível ou por uma estrela companheira. Observações anteriores obtidas com o Very Large Telescope do ESO tinham já mostrado que as pequenas partículas de poeira formavam também uma estrutura similar em forma de anel. Mas a nova imagem ALMA, mostrando o local onde as partículas maiores, com tamanhos da ordem do milímetro, se encontravam era muito diferente!

“Ao princípio, a forma da poeira na imagem apanhou-nos completamente desprevenidos,” diz van der Marel. “Em vez do anel que esperávamos ver, encontrámos uma forma muito clara em caju! Tivemos que nos convencer que o que estávamos a ver era bem real, mas o sinal forte e a nitidez das observações ALMA não deixavam margem para dúvidas. Foi aí que nos demos conta do que tínhamos descoberto.” O que tinha sido descoberto era uma região onde os grãos de poeira maiores se encontravam presos e podiam crescer muito mais ao colidir e aglutinar-se uns com os outros. Era uma armadilha de poeira - exactamente o que os teóricos procuravam.

Como van der Marel explica: “Provavelmente estamos a ver um género de fábrica de cometas, já que as condições são propícias aos crescimento das partículas, desde o milímetro até ao tamanho de cometas. Não é provável que a poeira dê origem a planetas a esta distância da estrela. Mas num futuro muito próximo, o ALMA será capaz de observar estas armadilhas de poeira muito mais próximas das estrelas progenitoras, onde os mesmos fenómenos estão a ocorrer. Tais locais seriam efectivamente os berços de planetas recém nascidos.”

Uma armadilha de poeira forma-se quando partículas de poeira grandes se movem em direção a regiões de alta pressão. Os modelos de computador mostram que tais regiões de alta pressão podem ter origem nos movimentos do gás situado na periferia de um buraco de gás - tal como o encontrado neste disco. “A combinação de modelizações com observações do ALMA de alta qualidade tornam este projeto único,” diz Cornellis Dullemond do Instituto de Astrofísica Teórica em Heidelberg, Alemanha, um especialista em modelizações de discos e evolução de poeira, e membro da equipa. “Na altura em que estas observações estavam a ser feitas, estávamos nós precisamente a trabalhar em modelos que prediziam exactamente este tipo de estruturas: uma coincidência muito feliz.”

As observações foram feitas quando o ALMA ainda se encontrava em construção. A equipa usou os receptores da Banda 9 do ALMA - aparelhos feitos na Europa que permitem ao ALMA obter imagens extremamente nítidas.  Estas observações mostram que o ALMA é capaz de nos dar ciência verdadeiramente original, e isto quando ainda operava com menos de metade da rede completa,” diz Ewine van Dishoeck do Observatório de Leiden, uma pessoa que tem contribuído de forma decisiva no projeto ALMA ao longo de mais de 20 anos. “Este incrível salto tanto em sensibilidade como em nitidez de imagem na Banda 9, dá-nos a oportunidade de estudar os aspectos básicos da formação planetária de maneiras que anteriormente não eram simplesmente possíveis.”
Fonte: ESO

A água da Terra e da Lua possuem a mesma origem, diz pesquisa

A água da Terra e da Lua podem ter a mesma origem, provenientes de meteoritos antigos.
A afirmação é de um estudo publicado na revista Science. Os resultados da pesquisa indicam que a água da Lua veio do cinturão de asteroides, e descartam a possibilidade do interior do satélite ser seco. Vital para os seres vivos como conhecemos, a água é encontrada em abundância na Terra, 97% está disponível nos oceanos, enquanto os 3% de água doce é distribuída de várias formas, em rios e lagos, calotas polares, aquíferos e outros reservatórios. Há 4,5 bilhões de anos, dois enormes objetos colidiram no Sistema Solar e resultaram na formação de dois outros corpos: a Terra e a Lua.
 
 Contudo, o intenso calor da colisão evaporou todo o hidrogênio presente na Lua, tornando-o um satélite seco. Porém, recentes pesquisas da Nasa, indicaram a evidência de hidrogênio, o principal “ingrediente” da água, indicando a presença desta molécula tanto na superfície como no interior do satélite. Para saber a origem da água, os cientistas analisaram os cristais que estão em pedras na superfície da Lua, recolhidas em missões pela Apollo 15 e 17, capazes de registrar a história geológica do lugar.
 
Dentro dessas pedras, a água fica retida, permitindo que os pesquisadores descubram a proporção de deutério, um isótopo estável de hidrogênio. Em geral, os objetos formados mais perto do Sol têm menos deutério do que corpos que se formaram mais longe. A pesquisa indicou também que os meteoritos conhecidos como condritos carbonáceos, encontrado no cinturão de asteroides, que ficam entre Marte e Júpiter, são os responsáveis pela origem da água da Lua e de nosso planeta.
 
Com um bom grau de certeza, sabemos que a água chegou à Lua e a Terra através de meteoritos primitivos agora localizados nas partes externas do cinturão de asteroides", disse o principal autor do estudo Alberto Saal, geoquímico da Universidade de Brown.
 
Para o geoquímico, Saal, o estudo tem evidência que a Lua nunca esteve seca: “A explicação mais simples para o que encontramos é que já existia água na Terra na época do impacto gigantesco. Um pouco dessa água teria permanecido ao impacto, e é isso que vemos na Lua”, informou o pesquisador.
 
Uma outra teoria que existia para explicar a origem da água na Lua e na Terra é que ela teria vindo de cometas — que também são conhecidos por carregar deutério e hidrogênio. No entanto, a maioria deles é formada em regiões muito distantes, nos extremos do Sistema Solar. "Eu me pergunto se Saal e seus colegas podem excluir que as amostras que contêm água vêm de cometas investigados", disse Paul Hartogh, pesquisador que contrapõe a visão de Saal ao veículo SPACE.com.
Fonte: Jornal Ciência
 

Projeto CALIFA revelará história das galáxias

"Eu estou tremendamente feliz em ver um sonho realizado." -
Sebastián Sánchez, Instituto de Astrofísica de Andaluzia, Espanha, e Diretor principal do CALIFA

 
Uma equipe internacional de astrônomos, incluindo acadêmicos da Universidade de St Andrews, disponibilizaram mapas de 100 galáxias do Calar Alto Legacy Integral Field Area Survey (pesquisas CALIFA). Estes estudos irão permitir aos cientistas estudar o quão rápido as galáxias estão se movimentando, a idade de suas estrelas e a composição química do seus gases.  Os dados também permitiram impressionantes imagens em 3D de 100 galáxias, que serão criadas pela primeira vez. Esta informação irá produzir uma nova compreensão da estrutura e da história das galáxias no Universo. Será possível, por exemplo, estudar os processos físicos que eram importantes para transformar primitivas galáxias desordenadas de gás em grandes estruturas que temos ao nosso redor hoje, e vai nos ajudar a construir uma imagem de como os elementos químicos necessários para a vida foram criado dentro de galáxias.

O Observatório de Calar Alto é operado em conjunto pelo Instituto Max Planck de Astronomia (MPIA MPG, Heidelberg, Alemanha) e também com o Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC, Granada, Espanha). Este enorme projeto exigiu o esforço combinado de um grande consórcio de astrônomos, incluindo 80 cientistas, e engenheiros de 13 países, distribuídos entre 25 institutos de pesquisa.

A pesquisa que está sendo realizado na Universidade de St Andrews, liderada pelo Dr. Vivienne Wild e financiado pelo Conselho Europeu de Investigação de concessão, está focada no que acontece quando as galáxias se aproximam, e colidem umas com as outras. Dr. Wild, Professor da Escola de Física e Astronomia da Universidade de St Andrews, e membro do conselho da pesquisa CALIFA, disse:
 
 "O conjunto de dados CALIFA será um recurso espetacular para os astrônomos nos próximos anos, ajudando-nos a responder algumas das maiores questões que temos, como por exemplo, por quê Universo existe dessa forma que conhecemos." "Galáxias são produtos finais do Universo, que tem evoluído ao longo dos últimos 13 bilhões de anos". A história evolutiva de galáxias está codificada em suas propriedades observáveis, assim como a evolução humana é codificada em nossos DNA.

CALIFA está usando uma técnica especial chamada espectroscopia de campo integral (IFS) para decodificar essas informações e nos ajudar a aprender sobre como as galáxias, como a nossa Via Láctea, se tornaram gigantes aglomerados de bilhões de estrelas. Essa pesquisa é um projeto internacional em andamento, incluindo pesquisadores da Universidade de St Andrews, que estão utilizando um telescópio no Observatório de Calar Alto, na Espanha para observar as galáxias.

Técnicas tradicionais para observar e qualificar as propriedades das galáxias envolvem imagens, que fornecem informações detalhadas sobre suas formas, e também a espectroscopia, que dá informações detalhadas sobre suas composições químicas.  O recente desenvolvimento da tecnologia IFS permite aos astrônomos combinar estas duas técnicas, para recolher simultaneamente centenas de espectros de muitos pontos das galáxia, graças a ótica avançada.

CALIFA IFS é o primeiro projeto que vai liberar todos os seus dados para o público. Após a conclusão, ele será o maior estudo desse tipo já realizado. Sebastián Sánchez, do Instituto de Astrofísica da Andaluzia, na Espanha, principal Diretor do CALIFA disse: "Eu estou tremendamente feliz em ver um sonho realizado. Quando pensei nele, há cinco anos, o potencial de liberar esses dados maravilhosos parecia distante, mas está acontecendo agora."Desejamos e esperamos que a comunidade científica faça grande uso dessa oportunidade."
Fontes:  http://califa.caha.es/

Mais de 3 mil brasileiros já se inscreveram para colonizar Marte

Brasil é o sexto país em número de inscritos do projeto Mars One. Após diversas fases de seleção, serão 24 escolhidos para viagem ao planeta
O Brasil é o sexto país com maior número de inscritos para o projeto Mars One, que pretende colonizar Marte a partir da próxima década. As condições extremas da viagem, só de ida, não dirimiram as convicções de mais de 3 mil brasileiros que enviaram sua aplicação para o programa até o início de maio. No primeiro mês de inscrições online, o site contabilizou aproximadamente 80 mil inscritos. Na página do programa, encontram-se alguns perfis e vídeos de candidatos. Mas nem todos: "Muitas inscrições ainda aguardam moderação. Algumas pessoas também precisam completar seu perfil ou escolheram não compartilhar sua aplicação publicamente", explica Aashima Dogra, gerente de conteúdo do Mars One.
 
Um dos brasileiros que decidiu compartilhar suas informações é o paulista Bruno Freire, 22 anos, estudante de publicidade e propaganda. "Assim que fiquei sabendo do projeto, me interessei pela proposta", conta. "Desde criança, sempre fui fascinado pelo assunto. Não apenas de pensar que um dia poderia ir a Marte, mas sempre estive inteirado em relação às coisas sobre o universo".
 
Freire integra um grupo de 3.018 brasileiros que se propõe a abandonar a Terra e principiar a colonização de Marte em 2023. Ao todo, após diversas fases de seleção, serão 24 escolhidos. Se a empreitada der certo, eles terão seu nome registrado na história espacial. "Caso não haja tecnologia ainda, eu espero. Para quem já esperou 10 anos, um pouco mais não seria nada", diz Freire.
 
O problema não é chegar a Marte, mas sobreviver por lá. As condições não são animadoras. A gravidade, 40% da experimentada na Terra, é apenas um dos fatores. O ar é mais rarefeito, a temperatura pode chegar a -135°C, e tempestades de poeira são comuns. Pelo menos, segundo dados da sonda Curiosity, os índices de radiação não impediriam a exploração humana no planeta. "A nossa única garantia é de que será o mais seguro possível", reconhece Bas Lansdorp, fundador do Mars One.
 
projeto garante, entretanto, que todas as tecnologias necessárias para manter seres humanos em Marte são viáveis. Só que elas são caras: para bancar os custos, estimados em US$ 6 bilhões, o Mars One planeja um reality show. Na verdade, ele já começou. Na inscrição, os candidatos são incentivados a compartilhar seu perfil no projeto, como ocorre no Big Brother, por exemplo. Depois, será a hora de documentar as fases seguintes do processo seletivo e todo o treinamento, que levará 10 anos e envolverá pessoas de culturas completamente diferentes. A projeção dos organizadores, baseada na audiência dos Jogos Olímpicos de 2012, é de que um reality show dessa dimensão vai gerar os dividendos necessários para a viagem.
 
As inscrições pela internet seguirão até agosto. Quem se interessar pela ideia pode se cadastrar pelo site mars-one.com, pagar uma taxa de US$ 17 (cerca de R$ 34, aproximadamente) e enviar um vídeo explicando por que deveria ser selecionado pelo programa. Como o treinamento será extenso, o candidato não precisa de conhecimentos específicos e nem grande domínio de inglês - apenas idade superior a 18 anos, estabilidade emocional, adaptabilidade a situações adversas e vontade de aprender. O primeiro pouso em Marte está previsto para 2023, com transmissão ao vivo, em alta definição, para todo o planeta - Terra.
Fonte: Terra

Um peso-pesado intergaláctico

Créditos:ESO
Esta imagem profunda mostra o que é conhecido como um superenxame de galáxias - um grupo gigante de enxames de galáxias ligados entre si. Este, conhecido como Abell 901/902, é constituído por três enxames principais diferentes e um número de filamentos de galáxias, típicos de tais super-estruturas. Um dos enxames, Abell 901a, pode ser visto por cima e um pouco à direita da estrela vermelha bastante proeminente que se encontra em primeiro plano, próximo do meio da imagem. Um outro, Abell 901b, está situado à direita de Abell 901a, um pouco mais abaixo. Por fim, o enxame Abell 902 encontra-se diretamente por baixo da estrela vermelha, estendendo-se para baixo na imagem.
 
O superenxame Abell 901/902 situa-se a um pouco mais de dois mil milhões de anos-luz da Terra e contém centenas de galáxias numa região com cerca de 16 milhões de anos-luz de dimensão. Em termos de comparação, o Grupo Local de Galáxias - que contém a nossa Via Láctea, para além de mais outras 50 galáxias - tem uma dimensão de aproximadamente 10 milhões de anos-luz.
 
Esta imagem foi obtida com a câmara Wide Field Imager (WFI), montada no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros, situado no Observatório de La Silla, no Chile. Em 2008, com dados do WFI e do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, os astrónomos mapearam de modo preciso a distribuição de matéria escura no superenxame, mostrando que os enxames e as galáxias individuais que fazem parte da super-estrutura se encontram no seio de enormes nodos de matéria escura.
 
Para chegar a este resultado, os astrónomos observaram como é que a radiação emitida por 60 000 galáxias distantes, situadas por detrás do enxame, era distorcida devido à influência gravitacional da matéria escura existente no enxame, e revelaram deste modo a sua distribuição. Pensa-se que a massa dos quatro nodos de matéria escura do Abell 901/902 seja cerca de 10 biliões de vezes a do Sol. As observações aqui apresentadas fazem parte do rastreio COMBO-17, um rastreio do céu feito com 17 filtros ópticos diferentes montados na câmara WFI. O projeto COMBO-17 encontrou até agora cerca de 25 000 galáxias.
Fonte:ESO
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...