10 de jun de 2013

Ascensão e queda de uma supernova

Uma sequência de vídeo bastante incomum mostra o repentino brilho intenso e depois o lento apagão de uma explosão de supernova na galáxia NGC 1365. A supernova, à qual se deu o nome de SN 2012fr, foi descoberta pelo astrônomo francês Alain Klotz em 27 de outubro de 2012. As imagens obtidas pelo pequeno telescópio robótico TAROT, instalado no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, foram compiladas de modo a criar este filme único. As supernovas são o resultado das mortes explosivas e cataclísmicas de certos tipos de estrelas. São tão brilhantes que conseguem ofuscar durante muitas semanas a sua galáxia hospedeira, antes de apagarem lentamente e desaparecerem de vista.

A supernova SN 2012fr foi descoberta por Alain Klotz na tarde de 27 de outubro de 2012. Este astrônomo estava medindo o brilho de uma estrela variável tênue numa imagem obtida pelo
TAROT (acrônimo do francês para Télescope à Action Rapide pour les Objets Transitoires), um telescópio robótico instalado no Observatório de La Silla do ESO, quando reparou num objeto novo que não se encontrava numa imagem capturada três dias antes. Depois de várias verificações, feitas por astrônomos de todo o mundo com o auxílio de diferentes telescópios, o objeto brilhante foi identificado como sendo uma supernova do tipo Ia.

Algumas estrelas vivem com uma companheira, ambas orbitando um centro de gravidade comum. Em alguns casos uma delas pode ser uma anã branca muito velha, que rouba matéria de sua vizinha. Quando isto acontece, chega um determinad ponto em que a anã branca já retirou tanta matéria da companheira que se torna instável e explode. A este fenômeno chamamos supernova do tipo Ia.

Este tipo de supernovas tornou-se importante, já que estes objetos nos fornecem uma maneira muito precisa de medir distâncias a galáxias muito longínquas no Universo primordial. Além do grupo local de galáxias, era necessário encontrar objetos muito brilhantes com propriedades esperadas e que pudessem servir como marcos no mapeamento da história da expansão do Universo. As supernovas do tipo Ia são ideais, já que o seu brilho atinge um máximo e depois decresce mais ou menos sempre do mesmo modo para todas as explosões. Medições de distâncias a supernovas do tipo Ia levaram à descoberta da expansão acelerada do Universo, trabalho que mereceu o
Prêmio Nobel da Física em 2011.

A galáxia que abriga esta supernova é NGC 1365, uma elegante galáxia espiral barrada, localizada a
60 milhões de anos-luz de distância, na direção da constelação da Fornalha. Com um diâmetro de cerca de 200 000 anos-luz, esta galáxia destaca-se bem das outras galáxias do aglomerado da Fornalha. Uma enorme barra atravessa a galáxia, contendo o núcleo em seu centro. A supernova pode ser facilmente observada acima do núcleo, no centro da imagem.

Os astrônomos descobriram mais de 200 novas supernovas em 2012, sendo que a SN 2012fr se encontra entre as mais brilhantes. A supernova foi observada pela primeira vez quando ainda estava muito tênue, em 27 de outubro de 2012, e atingiu o seu pico máximo de luminosidade em 11 de novembro de 2012. Nessa altura podia ser facilmente observada como uma estrela tênue através de um telescópio amador de tamanho médio. O vídeo foi compilado a partir de uma série de imagens da galáxia obtidas ao longo de um período de três meses, desde a sua descoberta em outubro até meados de janeiro de 2013.

O
TAROT é um telescópio óptico robótico de 25 centímetros, capaz de se deslocar muito depressa e começar a observar em um segundo. Foi instalado em La Silla em 2006, com o intuito de detectar explosões de raios gama. As imagens que revelaram a SN 2012fr foram capturadas através de filtros azuis, verdes e vermelhos.
Fonte: ESO

Estrelas lançam jatos de poeira na Via Láctea

Estrelas recém-nascidas expelem jatos de poeira-NASA/Spitzer

Novas observações de áreas mais distantes e desabitadas da Via Láctea, feitas pelo telescópio espacial Spitzer da NASA, mostram dezenas de estrelas recém-nascidas lançando jatos de seus "casulos" de poeira. O estudo da Universidade de Wisconsin foi apresentado na última quarta-feira durante reunião da Sociedade Americana de Astronomia, em Indianápolis. As imagens foram captadas por raios infravermelhos em azul e verde do Spitzer, e combinadas com informações em vermelho do telescópio WISE, também da NASA, que preencheu lacunas nas áreas que o Spitzer não cobriu. Uma das fotos revela a região próxima à constelação do Cão Maior, com mais de 30 astros jovens ejetando material.
 
Até agora, já foram identificadas 163 regiões que contêm jatos expelidos por estrelas, algumas agrupadas e outras isoladas. Os registros fazem parte do projeto Glimpse 360 (Galactic Legacy Infrared Mid-Plane Survey Extraordinaire), que está mapeando a topografia do céu da nossa galáxia. Ainda este ano, devem ser divulgados os resultados, que incluem uma visão completa em 360°. Até agora, o projeto já mapeou 130° do céu ao redor do centro da galáxia. A Via Láctea é uma coleção de estrelas espiral e predominantemente plana, como um disco de vinil, mas com uma ligeira dobra, que também será mapeada.
 
Nosso Sistema Solar está localizado a cerca de dois terços de seu centro em direção às extremidades, no chamado Esporão de Órion, um desdobramento do braço de Perseus, um dos principais braços da galáxia. Segundo a astrônoma Barbara Whitney, da Universidade de Wisconsin, os cientistas estão descobrindo todos os tipos de formação de novas estrelas em áreas menos conhecidas das bordas exteriores da Via Láctea. No Glimpse 360, os astrônomos também têm contado com a ajuda do público leigo, que vasculha as imagens obtidas em busca de bolhas cósmicas que indiquem a presença de estrelas quentes e de grande massa. Essas pessoas participam do projeto Via Láctea, que funciona em esquema colaborativo e voluntário.
Fonte: NASA

Deixando o Sistema Solar, Voyager segue em busca do meio interestelar

Nasa declarou que o limite do Sistema Solar ainda não foi cruzado
Ilustração mostra a sonda Voyager 1, da Nasa, explorando uma nova região no Sistema Solar chamada "rodovia magnética" Foto: NASA / Reuters
 
O primeiro objeto terráqueo a deixar o Sistema Solar. A candidata é a Voyager 1, sonda de exploração espacial lançada há 35 anos pela Nasa. A possibilidade de que ela já houvesse chegado ao espaço interestelar foi aventada em estudo publicado em março, na revista Geophysical Research Letters. Mas grande parte da comunidade científica, inclusive a agência espacial americana, acredita que a viajante ainda não tenha atravessado a fronteira. Segundo estimativas, o marco poderá ser comemorado em menos de uma década.
 
Com base no relatório, cuja autoria principal recai sobre o astrônomo Bill Webber, professor da Universidade Estadual do Novo México, a União Americana de Geofísica chegou a anunciar o feito como definitivo, para logo se corrigir e descrever a posição da Voyager como uma nova região do espaço. A agitação na comunidade científica foi imediata, e a Nasa apressou-se em declarar que o limite do Sistema Solar ainda não havia sido cruzado. Desde então, viu-se aumentada a expectativa dessa confirmação e do que a Voyager encontrará no desconhecido.
 
Transição
Para o doutor em Astrofísica Alexandre Zabot, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), não há um ponto que marque o fim do Sistema Solar. Ele fala em uma área de transição, passando de uma região onde o Sol é a maior influência para uma região onde as outras estrelas exercem esse papel. “Atualmente, as Voyagers estão nessa região de transição”, diz, referindo-se às sondas 1 e 2 - que distam 3 bilhões de quilômetros entre si. A Voyager 1 está a 18,4 bilhões de quilômetros da Terra. Apesar de ter sido enviada ao espaço duas semanas depois da Voyager 2, realizou trajetória elíptica que a colocou em vantagem na missão interestelar e, por isso, recebeu o número 1.
 
Zabot acredita que há consenso na classe científica quanto ao não ingresso da sonda no espaço interestelar. A dúvida, explica o astrofísico, reside no desconhecimento quanto ao tamanho da região de transição. Enquanto o fim não for alcançado, restará a dúvida se as Voyagers estão mais perto da parte de fora do Sistema Solar ou da parte de dentro. Sabemos que, quando este momento chegar, o campo magnético não será mais o do Sol, e as principais partículas também não serão mais oriundas dele, mas esse é um momento que ainda não chegou”, afirma.
 
As estimativas do tempo restante para o meio interestelar são imprecisas. Zabot entende que, com base em modelos e observações astronômicas, é possível aguardar que a passagem por essa região ocorra nos próximos anos, em menos de uma década. Em dezembro, Edward Stone, cientista do projeto Voyager, declarou que a aposta da Nasa é de alguns meses a dois anos.

Surpresas
Após as espaçonaves deixarem a região dominada pelo Sol, será possível analisar os dados obtidos e declarar, oficialmente, em que faixa de distâncias acaba o Sistema Solar. Essa será apenas mais uma das conquistas proporcionadas pela Voyager, entre aquelas que ainda são aguardadas com certa curiosidade. Zabot acredita que o meio interestelar seja muito mais calmo do que o ambiente do Sistema Solar, devido a menor quantidade de partículas encontradas e a sua velocidade. Outro ponto aguardado refere-se ao campo magnético, o qual, não sendo mais governado pelo Sol, pode ser mais irregular.  Podemos ter surpresas, mas não se sabe quais serão. Seria interessante que as tivéssemos, pois poderíamos aprender muito a partir delas”, afirma o astrofísico, lembrando que a Ciência respira surpresas.
 
Vento solar
O principal indicativo considerado para declarar completa a transição das sondas à zona interestelar está no chamado vento solar, que são as partículas emitidas pelo astro (prótons e elétrons, principalmente). A Voyager 1 detectou uma queda abrupta de velocidade do vento solar, ou seja, um declínio da intensidade de partículas energéticas vindas do Sol. O fato aponta para uma aproximação da sonda do meio interestelar. Conforme Zabot, todas as estrelas emitem essas partículas a partir de suas atmosferas, atingindo os planetas. No caso da Terra, podem danificar satélites ou afetar a saúde de astronautas em órbita se não estiverem bem protegidos. “As auroras boreais e austrais também são causadas por elas”, exemplifica.
 
Missão cumprida
A Voyager 1 foi lançada ao espaço em 5 de setembro de 1977, com a missão de visitar e estudar Júpiter e Saturno, os dois maiores planetas do Sistema Solar. Juntas, as sondas 1 e 2 revelaram detalhes dos anéis de Saturno, descobriram os anéis de Júpiter e passaram ainda por Urano, Netuno e 48 luas. A missão para a qual foi criada concluiu-se em 1980, mas a Voyager 1 segue enviando informações importantes, embora a comunicação com a Terra esteja cada vez mais lenta - os dados transmitidos à Nasa demoram mais de 16 horas para serem detectados. Para Alexandre Zabot, surpreende a capacidade dos equipamentos a bordo continuarem funcionando, inclusive as antenas que permitem a comunicação com a Terra. “Guardadas as devidas proporções, a tecnologia a bordo das espaçonaves Voyager é muito avançada e robusta, mesmo tendo sido feita há quase quatro décadas”, conclui.
Fonte: Terra
 

China envia pela segunda vez uma mulher ao espaço

Wang Yaping disse que iria dar aulas online para estudantes chineses
Wang Yaping é major do Exército Popular de Libertação (EPL) e membro do Partido Comunista Chinês (PCC) Foto: Reuters 

A China enviará na terça-feira, pela segunda vez, uma mulher ao espaço para sua missão espacial mais longa, um novo passo em direção ao objetivo de uma estação espacial chinesa até 2020, indicaram as autoridades do programa espacial. A decolagem do foguete Longa Marcha com módulo Shenzhou-10 está prevista para terça-feira às 9h38 GMT (6h38 no horário de Brasília), anunciou Wu Ping, porta-voz do programa espacial tripulado da China. A tripulação ficará em órbita por 15 dias, e contará com uma mulher, Wang Yaping, a segunda enviada por Pequim ao espaço. Em outra coletiva de imprensa, na qual apareceu ao lado de seus dois companheiros de missão, a astronauta disse que iria dar aulas online para estudantes chineses.
 
Aos 33 anos, Wang é major do Exército Popular de Libertação (EPL) e membro do Partido Comunista Chinês (PCC), informou a agência oficial de notícias Nova China. O comandante do voo, Nie Haisheng, general de 48 anos do EPL, que esteve a bordo do voo Shenzhou-6, assegurou à imprensa que Shenzhou-10 "fará uma missão gloriosa". O terceiro astronauta, Zhang Xiaoguang, é um coronel de 47 anos. O módulo deve atracar no laboratório Tiangong-1, uma operação essencial para a conclusão de uma estação espacial completa, capaz de acolher astronautas durante períodos prolongados. A China desenvolve um ambicioso programa espacial, que prevê enviar um homem para a Lua e uma estação espacial até 2020. O país enviou o primeiro homem ao espaço em 2003, mas seus recursos continuam a ser inferiores aos dos Estados Unidos.
Fonte: Terra

A Grande Nuvem de Magalhães em Ultravioleta

Crédito da imagem: UV: NASA, Swift, S. Immler (Goddard) & M. Siegel (Penn State); Optical: Axel Mellinger (CMU)
Onde estão as estrelas mais quentes nas galáxias mais próximas de nós? Para ajudar a encontrar essa resposta, o satélite Swift da NASA compilou um mosaico composto de múltiplas imagens da galáxia vizinha da Grande Nuvem de Magalhães, LMC, em inglês na luz ultravioleta. A imagem acima mostra onde recentemente estrelas se formaram na LMC, já que as estrelas jovens mais massivas brilham de forma intensa na cor azul e em ultravioleta. Em contraste, na imagem abaixo, pode-se ver uma visão mais familiar da LMC feita em luz visível e que destaca melhor as estrelas mais velhas. No canto superior esquerdo está uma das maiores regiões de formação de estrelas conhecida em todo o Grupo Local de Galáxias, a Nebulosa da Tarântula. A Grande Nuvem de Magalhães e a sua companheira menor, a Pequena Nuvem de Magalhães são galáxias facilmente visíveis a olho nu para os entusiastas do céu que tenham uma visão do céu do hemisfério sul. Uma inspeção detalhada na imagem acima está permitindo se ter uma melhor imagem compreensiva galáctica de como a formação das estrelas acontece.
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