11 de jul de 2013

Formato de anéis na superfície solar é ilusão de ótica

Pesquisa mostra que a estrutura dos anéis na coroa do Sol não é como a retratada nas imagens capturadas por telescópios
Os anéis coronais são importantes estruturas para explicar o fluxo de energia no Sol. O formato com que eles aparecem em fotografias, no entanto, é uma ilusão de ótica e pode levar a conclusões erradas sobre a dinâmica solar (NASA/SDO)
 
Por melhores que sejam os telescópios atuais, eles ainda não são capazes de obter imagens precisas do Sol. Instrumentos como o High-resolution Coronal Imager e o Solar Dynamics Observatory, que estão em órbita da Terra, capturam imagens científicas importantes sobre o interior e a superfície da estrela, mas não possuem a resolução necessária para revelar a verdadeira estrutura do astro. Segundo uma pesquisa divulgada pelo Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, o formato dos anéis coronais — as estruturas brilhantes em forma de um U invertido que aparecem em diversas imagens da superfície solar — não é como mostrado nas fotografias mais recentes.
 
O que aparece nessa imagens, na verdade, não passa de uma ilusão de ótica, impedindo os cientistas de compreenderem importantes fenômenos que acontecem no interior do Sol. Os anéis coronais são compostos de plasma e gases solares, trazidos do interior da estrela a partir de movimentações nas linhas de seu campo magnético. Seu estudo pode ajudar a compreender um dos mais persistentes mistérios da astronomia: a alta temperatura da coroa solar. Ela é a camada composta de plasma que circunda o Sol como uma atmosfera, e é visível durante os eclipses. Acontece que, enquanto a superfície do Sol chega a “apenas” 5.500 graus Celsius, a coroa — que é mais externa e está mais distante da fornalha no centro da estrela — pode chegar a dois milhões de graus.
 
Os anéis coronais podem explicar parte dessa transferência de calor entre o interior da estrela e a coroa, mas seu formato de tubo, com a grossura constante do começo ao fim, não permitia aos cientistas construírem modelos coerentes desse fluxo de energia. Segundo os pesquisadores, um formato de funil, mais grosso em sua origem e mais fino no final, explicaria melhor o fenômeno. “Descobrimos que é preciso menos energia para aquecer a coroa se os anéis tiverem essa geometria afunilada”, diz Henry Winter, pesquisador do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian e um dos autores da pesquisa.
 
Bonecas russas
Os pesquisadores construíram modelos de computador que mostravam o funcionamento de um anel coronal em funil, usando conceitos básicos da física. Em seguida, eles analisaram como seus modelos iriam parecer se fossem fotografados pelos instrumentos atualmente usados pelos astrônomos. Como resultado, descobriram que nem mesmo as melhores imagens possuíam a resolução necessária para mostrar a verdadeira estrutura dos anéis.
 
Assim, o que possui uma geometria de funil aparece sempre com o formato de um tubo — mesmo que não o tenha. “Na ciência, sempre comparamos a teoria com a realidade. Mas se nossa visão da realidade estiver incorreta, a teoria também será errada. O que pensávamos estar vendo pode ser apenas o efeito do instrumento”, diz Winter, que apresentou a descoberta durante um encontro da Divisão de Física Solar da Sociedade Astronômica Americana.
 
O trabalho dos pesquisadores mostrou que melhores instrumentos, com maior resolução, ainda são necessários para revelar a verdadeira forma e estrutura do Sol. “Os anéis coronais são como aquelas bonequinhas russas. Nós continuamos estudando o fenômeno, revelando o que há em seu interior, mas ainda não chegamos à menor boneca de todas”, afirma o pesquisador.
Fonte: Veja

Hubble revela pela primeira vez a verdadeira cor de exoplaneta

Temperatura na atmosfera ultrapassa os 1000 ºC; no planeta, chove vidro
Ilustração mostra o planeta orbitando sua estrela, HD 189733. O planeta foi descoberto em 2005 e se encontra muito próximo da estrela: tão próximo que um de seus lados está sempre virado para ela, enquanto o outro permanece eternamente escuro.Foto: NASA, ESA, G. Bacon / Divulgação

Astrônomos determinaram pela primeira vez a verdadeira cor de um planeta na órbita de uma estrela diferente do Sol.  Se visto por olhos humanos, o planeta conhecido como HD 189733b seria de um profundo azul cobalto, parecido com as cores da Terra quando vista do espaço. Esse planeta extrassolar azul é um gigante gasoso que orbita muito próximo de sua estrela. A atmosfera ali é abrasadora, com uma temperatura que ultrapassa os 1.000ºC, e lá ocorre precipitação de partículas de silicato condensado carregadas por ventos de 7.000 km/h.
 
Esse mundo alienígena está localizado à distância de 63 anos-luz da Terra, e é um dos exoplanetas mais próximos de nós que pode ser visto cruzando sua estrela. O HD 189733b tem sido intensivamente estudado pelo Hubble e outros telescópios, possibilitando descobrir que sua atmosfera é muito variável e exótica, com nevoeiros e violentas erupções. Agora, o planeta foi alvo de um estudo que determinou de maneira inédita a cor visível de um exoplaneta.
 
Esse planeta foi bem estudado no passado, mas medir sua cor é algo realmente novo, podemos imaginar de verdade como esse planeta seria se fôssemos capazes de vê-lo diretamente", afirmou Frédéric Pont, da Universidade de Exeter, autor do estudo. A cor azul desse planeta se deve à turbulenta atmosfera que está misturada com partículas de silicato que dispersam luz azul. Para determinar como seria o planeta aos olhos humanos, os astrônomos mediram o albedo, ou seja, quanta luz era refletida da superfície do HD 189733b. A pesquisa será publicada na edição de agosto da revista Astrophysical Journal Letters.
Fonte: NASA/TERRA

Cauda do Sistema Solar é registrada pela 1ª vez por sonda

Imagem mostra como seria a cauda do Sistema Solar Foto: Nasa / Divulgação
 
Uma sonda da Nasa conseguiu registrar pela primeira vez a cauda do Sistema Solar, divulgou a agência espacial americana nesta quarta-feira. Há muito tempo os cientistas acreditavam que o nosso sistema planetário tivesse, assim como cometa, uma cauda. Ela é um prolongamento da heliosfera (a "bolha" das partículas emitidas pelo Sol) causada pelo nosso deslocamento na Via Láctea, a nossa galáxia. Os pesquisadores analisaram dados dos três primeiros anos de registros da sonda Ibex, que mapeou os limites do Sistema Solar, algo que outros equipamentos nunca conseguiram. Eles encontraram uma região com dois lóbulos com partículas em baixa velocidade, outros dois com partículas em alta, sendo que a estrutura é retorcida devido à influência de campos magnéticos fora do nosso sistema.
 
Segundo os cientistas, a figura formada lembra um trevo de quatro folhas e pode ser explicada pelo fato de o Sol enviar as partículas mais rápidas de seus polos e as mais lentas da região equatorial. Quando o Sol ejeta partículas, elas viajam uma enorme distância, muito além dos planetas, até mudar de direção e se juntar ao fluxo criado pelo nosso movimento no material interestelar. Essas partículas acabam na cauda do Sistema Solar e ficam para trás. Assim, ao acharmos essa "heliocauda", como chamam os cientistas, temos uma ideia da direção na qual nosso sistema está se movendo na Via Láctea. A cauda é nossa pegada na galáxia, e é emocionante que estamos começando a entender sua estrutura", diz Eric Christian, cientista da missão. "O próximo passo é incorporar essas observações em nossos modelos e começar o processo de realmente entender a heliosfera."
Fonte: Terra
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