18 de jul de 2013

Neve num sistema planetário bebé

Impressão artística das linhas de neve em torno da TW Hydrae.© ESO

Uma equipe internacional de astrónomos conseguiu obter pela primeira vez a imagem de uma linha de neve num sistema planetário recém nascido distante. A linha de neve, situada no disco que rodeia a estrela TW Hydrae, do tipo solar, promete ensinar-nos mais sobre a formação de planetas e cometas, incluindo os factores que determinam a sua composição e, consequentemente, sobre a história do nosso Sistema Solar. Os resultados são publicados hoje na revista Science Express. Os astrónomos usaram o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) para obterem a primeira imagem da linha de neve num sistema planetário recém nascido. Na Terra, as linhas de neve formam-se a altitudes elevadas, onde as temperaturas baixas transformam a humidade do ar em neve. Esta linha é claramente visível numa montanha, no local onde o pico coberto de neve termina e a face rochosa descoberta começa.

As linhas de neve em torno das estrelas jovens formam-se de maneira semelhante, nas regiões distantes e frias dos discos de poeira, a partir dos quais se formam os sistemas planetários. Partindo da estrela em direção ao exterior, a
água (H2O), é a primeira a congelar, formando a primeira linha de neve. Mais longe da estrela, à medida que as temperaturas descem, as moléculas mais exóticas podem gelar e transformar-se em neve, tais como o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e o monóxido de carbono (CO). Estes diferentes tipos de neve dão aos grãos de poeira uma camada exterior pegajosa e desempenham um papel importante, ajudando os grãos a ultrapassarem a sua tendência natural para se quebrarem por meio de colisões, e permitindo-lhes tornarem-se os blocos constituintes cruciais de planetas e cometas. A neve também aumenta a quantidade de matéria sólida disponível, podendo fazer acelerar drasticamente o processo de formação planetária.

Cada uma destas diferentes linhas de neve - água, dióxido de carbono, metano e monóxido de carbono - podem estar ligadas à formação de tipos particulares de planetas. Em torno de uma estrela do tipo solar, num sistema planetário como o nosso, a linha de neve da água corresponderia à distância entre as órbitas de Marte e Júpiter, e a linha de neve do monóxido de carbono corresponderia à órbita de Neptuno. A linha de neve descoberta pelo ALMA é o primeiro indício que temos da linha de neve do monóxido de carbono em torno da TW Hydrae, uma estrela jovem situada a 175 anos-luz de distância da Terra. Os astrónomos pensam que este sistema planetário em formação partilha muitas das características do nosso Sistema Solar, quando este tinha apenas alguns milhões de anos de idade.

“O ALMA deu-nos a primeira imagem real de uma linha de neve em torno de uma estrela jovem, o que é tremendamente excitante, já que podemos aprender muito sobre o período inicial da história do nosso Sistema Solar,” disse Chunhua “Charlie” Qi (Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, Cambridge, EUA), um dos autores principais do artigo científico que descreve este trabalho. “Conseguimos observar detalhes escondidos anteriormente, sobre as regiões geladas de outro sistema planetário semelhante ao nosso. A presença da linha de neve do monóxido de carbono pode ter igualmente consequências mais importantes do que apenas a formação de planetas. O gelo de monóxido de carbono é necessário à formação de metanol, que é um dos blocos constituintes das moléculas orgânicas mais complexas essenciais à vida. Se os cometas levarem estas moléculas a planetas recém formados, do tipo da Terra, estes planetas poderão ficar equipados com os ingredientes necessários à vida.

Até hoje, nunca se tinham obtido imagens directas de linhas de neve, já que estas linhas se formam sempre no plano central relativamente estreito do disco protoplanetário e por isso, tanto a sua localização precisa como a sua extensão nunca tinham sido determinadas. Acima e abaixo da região estreita onde as linhas de neve existem, a radiação da estrela impede a formação de gelo. A concentração de gás e poeira no plano central é indispensável para insular a área da radiação estelar, de modo a que o monóxido de carbono e outros gases possam arrefecer e congelar nesta zona.

A equipa de astrónomos conseguiu espreitar para o interior deste disco, onde a neve se formou, utilizando um truque. Em vez de procurarem a neve - que não pode ser observada directamente - procuraram uma molécula chamada
diazenylium (N2H+), a qual brilha intensamente na região do milímetro do espectro electromagnético e é, por isso, um alvo perfeito para um telescópio como o ALMA. Esta molécula frágil é facilmente destruída na presença de monóxido de carbono gasoso, logo só aparecerá em quantidades susceptíveis de serem detectadas em regiões onde o monóxido de carbono se transformou em neve, não podendo portanto destruir a molécula. Ou seja, duma maneira geral, a chave para encontrar a neve de monóxido de carbono consiste em encontrar diazenylium.

A sensibilidade e resolução únicas do ALMA permitiram aos astrónomos detectar a presença e traçar a distribuição de diazenylium, e com isso encontrar uma fronteira claramente definida a cerca de 30 unidades astronómicas da estrela (30 vezes a distância entre a Terra e o Sol), o que dá, efectivamente, uma imagem negativa da neve de monóxido de carbono existente no disco que rodeia a TW Hydrae, a qual pode, por sua vez, ser utilizada para detectar a linha de neve do monóxido de carbono, precisamente onde a teoria prevê que deva estar - na zona interior do anel de diazenylium.

“Nestas observações usámos apenas 26 das antenas ALMA, que serão um total de 66. Indicações de linhas de neve em torno de outras estrelas começam já a aparecer noutras observações ALMA, e estamos convencidos que futuras observações que usarão a rede total revelarão muitas mais e fornecerão mais e mais avançadas pistas sobre a formação e evolução de planetas. Aguardemos estes resultados, “ conclui Michiel Hogerheijde do Observatório de Leiden, Holanda.
Fonte: ESO

Cosmologista defende que Universo não está se expandindo

O grande trunfo da nova proposta é eliminar a necessidade de um "nascimento do tempo", que passa a se estender infinitamente para o passado. [Imagem: NASA/WMAP]

Para a cosmologia moderna, o Universo está em expansão acelerada, com as galáxias afastando-se uma das outras. Christof Wetterich, um físico da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, não concorda com isso. Por isso ele está propondo uma interpretação diferente: não é o Universo que está se expandindo, é a massa de tudo que está aumentando. Embora a proposta ainda não tenha sido aceita para publicação em nenhuma revista científica, ela está recebendo atenção suficiente para merecer um longo comentário pela revista Nature. Especialistas na área ouvidos pela revista chamaram a proposta de Wetterich de "fascinante", afirmando que ela merece ser analisada com cuidado. Não é por acaso. A nova proposta ajuda a resolver um dos maiores problemas da cosmologia moderna, a singularidade existente no momento do Big Bang, algo sobre o que os cientistas não têm nenhuma ideia.
 
Desvio para o vermelho
O principal indício observacional da expansão do Universo - descoberta por Georges Lemaitre nos anos 1920 - é o chamado desvio para o vermelho. Uma vez que o Universo está em expansão, o comprimento de onda da radiação dos objetos aumenta à medida que atravessa o espaço. Quanto mais longe viajar a radiação, maior será o comprimento de onda. Como o vermelho é o maior comprimento de onda que os nossos olhos podem ver, este processo é literalmente um desvio do comprimento de onda em direção à ponta vermelha do espectro - daí o nome desvio para o vermelho.
 
Os astrônomos verificaram que as galáxias mais distantes têm desvios para o vermelho maiores do que as galáxias mais próximas - e concluíram que o Universo deve estar se expandindo. O que Wetterich argumenta é que a radiação característica emitida pelos átomos - logo, a luz deles que chega até nós - também é controlada pelas partículas elementares que formam esses átomos, particularmente os elétrons.
 
Assim, se a massa de um átomo aumentar, os fótons que ele emite terão mais energia. Como energias mais altas correspondem a frequências mais altas, as frequências de absorção e emissão desses átomos vão tender para o lado azul do espectro eletromagnético. Inversamente, se as partículas estão se tornando mais leves, as frequências terão um desvio para o outro lado do espectro, para o vermelho.
 
Outro fundamento da cosmologia moderna é a velocidade finita da luz, o que leva à conclusão de que, quando olhamos para galáxias mais distantes, estamos olhando para o passado, vendo esses corpos celestes como eles eram quando emitiram a luz, que levou um tempo para chegar até nós. Se existir um processo constante de aumento da massa de tudo no Universo, isso significa que as galáxias mais distantes terão um desvio para o vermelho em comparação com as frequências emitidas pelos átomos hoje, e a magnitude desse desvio para o vermelho será proporcional à distância de cada uma delas. Assim, o desvio para o vermelho, propõe o físico, faz as galáxias parecerem estar se afastando, quando na verdade elas não estão.
 
Interpretações do Big Bang
Isto muda muita coisa na interpretação do Big Bang, eliminando sobretudo as partes mais "incômodas" da teoria. Antes do período de rápida expansão do Universo, conhecido como inflação, o Big Bang deixa de conter uma singularidade - uma densidade infinita onde toda a física colapsa - e passa a se esticar rumo ao passado em uma escala de tempo infinita. Assim, não apenas o Universo atual pode ser estático, como ele pode até mesmo estar se contraindo. O grande problema com a proposta de Wetterich é que não há como testá-la experimentalmente porque a massa só pode ser medida em relação a alguma coisa - um cilindro de platina chamado quilograma por exemplo.
 
Assim, se absolutamente tudo estiver aumentando de massa, incluindo o próprio cilindro de platina usado como referência do quilograma, não há como detectar essa mudança. O físico não se impressiona com o argumento, afirmando que a eliminação da singularidade no Big Bang já é vantagem suficiente. Para ele, sua interpretação será útil para permitir que os cientistas pensem em modelos cosmológicos diferentes, da mesma forma que os físicos usam diferentes interpretações da mecânica quântica apenas mantendo a consistência matemática entre elas.
Fonte: Inovação Tecnológica

Colisão de estrelas cria o equivalente a 10 Luas em ouro

Concepção artística mostra a colisão das estrelas de nêutrons Foto: Dana Berry, SkyWorks Digital, Inc. / Divulgação

Cientistas registraram uma explosão de raios gama após a colisão de duas estrelas de nêutrons. O resultado do evento cataclísmico foi a produção de diversos elementos - foi ejetado o equivalente a 100 vezes a massa do Sol em material. Entre essa gigantesca quantidade de matéria, muito ouro - os cientistas estimam que 10 vezes a massa da Lua. O estudo foi divulgado na revista Astrophysical Journal Letters nesta quarta-feira. Ao contrário de elementos mais comuns, como carbono ou ferro, o ouro não é criado dentro das estrelas. Para isso, são necessários eventos mais extremos. No caso registrado, duas estrelas de nêutrons - o núcleo que sobrou de duas estrelas que explodiram como supernova - colidiram, o que levou a uma explosão de raios gama.
 
Diversos elementos foram produzidos, entre eles o metal raro. Nós estimamos que a quantidade de ouro produzida e ejetada durante a colisão das duas estrelas de nêutrons foi equivalente a 10 massas lunares", diz o autor principal do artigo, Edo Berger, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian (EUA). A explosão ocorreu a 3,9 bilhões de anos-luz da Terra - uma das mais próximas já registradas - e foi vista pelo satélite Swift, da Nasa, em 3 de junho. Ela durou menos de dois décimos de segundo. Parafraseando Carl Sagan, somos todos produtos das estrelas, e nossas joias são produtos de colisões de estrelas", diz Berger.
Fonte: Terra

Os Mistérios do Sistema Solar

O Sistema Solar é constituído pelo conjunto de 8 corpos celestes, cinco planetas anões, vários satélites naturais e inúmeros outros corpos menores, como asteroides e cometas que orbitam o Sol, e que, portanto, estão sob sua influência gravitacional Os planetas, satélites e asteroides de nosso sistema solar tiveram uma origem em comum: uma nuvem de detritos que orbitava uma estrela recém-nascida. Ao longo do tempo, cada planeta foi adquirindo características únicas, seja por colisões com outros astros, seja pela evolução natural. Hoje, sabemos muitas coisas a respeito da nossa vizinhança planetária, mas alguns mundos ainda guardam seus mistérios. Confira quais são os principais:

MERCÚRIO
Mercúrio é um mundo muito difícil de ser estudado, devido a sua proximidade com o Sol escaldante e incrivelmente brilhante. Assim, mistérios não faltam. Por exemplo, Mercúrio tem um núcleo gigante – talvez porque suas camadas exteriores mais leves foram levadas por colisões planetárias há muito tempo, mas os cientistas não têm certeza. Ele também tem um campo magnético e uma atmosfera, ambos de origem desconhecida. A maior dúvida sobre Mercúrio é a respeito de sua órbita muito alongada, chegando a ser oval – fator que no futuro pode fazer com que o pequeno planeta se colida com Vênus ou até mesmo com o Sol.
 
VÊNUS
Vênus, em relação à todos os 8 planetas do sistema solar, possui uma rotação única. Todos, exceto ele, realizam o movimento de rotação no sentido contrário ao dos ponteiros de um relógio – um movimento esperado, já que teoricamente todos os astros do sistema solar tiveram uma origem em comum. É o planeta do contra – o único do sistema solar que gira ao contrário, de modo que o Sol nasce no oeste e se põe no leste. Diversas hipóteses foram levantadas para explicar essa anomalia, que podem estar relacionadas.
 
Uma delas afirma que o planeta tenha nascido como todos os outros, mas efeitos de maré causados pela sua atmosfera ultra-densa teria amortecido seu movimento de rotação ao longo dos bilhões de anos. Outra hipótese sugere que a rotação de Vênus teria se invertido após uma série de grandes impactos quando ele ainda era ainda muito jovem. No entanto, não existe nenhuma evidência, como uma grande cratera, que apoie essa teoria, ou até mesmo uma lua. Alguns estudos sugerem que Vênus tinha uma em seus primórdios, lua que teria sido criada após um grande impacto.
 
Cerca de 10 milhões de anos depois, outro grande impacto teria revertido a rotação do planeta, causando a queda da lua sobre a crosta de Vênus, acontecendo uma fusão. Cientistas ainda não sabem como um planeta como a Terra se tornou gradualmente em um mundo quente envolto por um grosso cobertor de gases tóxicos. Há redemoinhos no planeta que giram 60 vezes mais rápido do que sua atmosfera, mas o maior mistério de Vênus reside em sua rotação. Outra questão em aberto é possibilidade de Vênus abrigar vida em suas nuvens. Há cerca de 48 quilômetros de altitude, a pressão atmosférica e temperatura é igual a média da Terra, o que leva os pesquisadores a questionarem sobre a existência de formas simples de vida em nuvens que se situam nessa altura.
 
MARTE
Sua superfície, hoje árida, seca e fria, um dia já foi quente, úmida e cheia de água – possivelmente até repleta de vida. Como o Planeta Vermelho mudou tão drasticamente? Enquanto cientistas tentam responder a essa pergunta, a cada dia surgem novas evidências de que Marte pode abrigar vida – em sua forma mais simples, sobretudo em seu subsolo.
 
Novas fotos de uma enorme cratera em Marte sugerem que a água pode se esconder em fendas sob a superfície do planeta, dando a entender que a vida pode ter existido lá no passado, e possivelmente ainda existe. Como Marte possui somente 1/3 da gravidade da Terra, e sua crosta é menos densa e mais porosa do que a de nosso planeta, o que significa que mais água pode ter escorrido para regiões subterrâneas. Onde quer que exista água líquida na Terra, há vida; e os microrganismos em Marte podem ser sustentados por fontes de energia e reações químicas semelhantes as que sustentam formas simples de vida no subsolo terráqueo.

Outro mistério a respeito de nosso vizinho é o fato de que seus hemisférios são bem diferentes um do outro. Planícies lisas, jovens, e com poucas crateras, dominam a metade superior do planeta, enquanto antigas montanhas, vales e inúmeras crateras preencham o hemisfério sul. Como as duas pequenas e irregulares luas de Marte surgiram? Cientistas acreditam que a gravidade do planeta capturou asteroides, no entanto, a órbita circular em torno do planeta nega tal evidência.
 
JÚPITER
O maior planeta do sistema solar também guarda muitos mistérios. Qual fonte de energia impulsiona uma atmosfera tão densa e violenta? Tempestades maiores que o planeta Terra, como a Grande Mancha Vermelha, surgem e desaparecem sem deixar explicações. Listras inteiras também parecem desaparecer misteriosamente. A diferença na coloração do planeta nunca foi explicada satisfatoriamente. Júpiter é classificado como um gigante gasoso – ou seja, uma grande bola de hidrogênio e gás hélio.
 
No entanto, o planeta possui mais carbono, nitrogênio e enxofre do que o Sol, e pesquisadores acreditam que a água pode ter ajudado o planeta a ganhar esses elementos (conforme a água congela, ela capta materiais dispersos, e Júpiter poderia ter engolido muitos desses pedaços). Contudo, a substância nunca foi encontrada na atmosfera do planeta. A composição do núcleo de Júpiter também é incerta. A teoria mais aceita é de que ele seja formado por rocha superaquecida sob alta pressão.
 
Europa, uma boa aposta para vida extraterrestre
 
A lua de Júpiter que definitivamente está na lista para um dia conseguir sua própria missão é Europa. Este objeto gelado e branco com listras marrons em sua superfície se destaca como um dos melhores candidatos para hospedar vida extraterrestre em nosso sistema solar. Sob uma crosta de gelo de 3 a talvez 32 quilômetros de espessura, Europa provavelmente abriga um oceano de água salgada. Segundo modelos de astronomia, este oceano poderia ter o dobro do volume de todos os da Terra. A questão é: esse oceano poderia permitir o desenvolvimento de vida de alguma forma? A ideia não é tão absurda. A flexão da maré de Júpiter poderia manter o interior da Europa quente. Esta energia poderia, por sua vez, suportar vida microbiana, análoga à encontrada em torno de fontes hidrotermais nos oceanos da Terra. Raios cósmicos do espaço que atingem o gelo da crosta da lua poderiam até liberar oxigênio para criar maiores formas de vida, como peixes.
 
SATURNO
Depois da Terra, Saturno provavelmente é o planeta mais reconhecível do nosso sistema solar, graças ao seu sistema de anéis únicos e resplandecentes. Durante 4 séculos, astrônomos têm contemplado o belo sistema de anéis desse gigante gasoso, mas suas características peculiares nunca foram muito bem compreendidas. Os cientistas ainda não têm a certeza de quando os anéis foram formados e quanto tempo eles podem durar. As duas teorias mais aceitas são que os anéis surgiram a partir da destruição de uma lua do planeta, causada pela gravidade de Saturno ou em uma colisão com outro corpo, ou então os anéis surgiram a partir de restos antigos da formação de Saturno. Outro mistério envolve as tempestades gigantes e correntes de jato em sua superfície, bem como a dinâmica de sua rotação, sendo a origem da fonte de energia para estas tempestades ainda desconhecidas.
 
O enigmático hexágono de Saturno
 
No início da década de 80, a sonda Voyage avistou nuvens de formato hexagonal acima do pólo norte de Saturno, e a nave Cassini tem seguido esse fenômeno meteorológico nos últimos anos. O formato estranho chama a atenção, e seu tamanho também: o hexágono poderia suportar quatro planetas Terra dentro dele. Pesquisadores simularam hexágonos e outras formas poligonais com um turbilhonamento de líquido dentro de um tanque em velocidades variáveis, sugerindo que o hexágono de Saturno pode ser uma esquisitice da mecânica dos fluidos de corpos em rotação. No entanto, a longevidade e estabilidade desta corrente de jato de Saturno vão deixar os cientistas coçando suas cabeças nos próximos anos. Outro fato curioso foi apontado por pesquisas recentes o qual descobriram que o campo magnético de Saturno produz sinais de rádio, mas eles não ficam em sintonia com a rotação do planeta
 
Vida em Titã?
 
A maior lua de Saturno possui características semelhantes a da Terra primitiva, com uma atmosfera densa e rica em nitrogênio e quantidades significativas de vários hidrocarbonetos, além de ter intensa atividade geológica. Titã também é o único lugar no Sistema Solar além da Terra em que se tem comprovadamente substâncias no estado líquido em grande quantidade na sua superfície, o que alimenta a possibilidade de haver algum tipo de vida nesse satélite. Em Titã existe um ‘ciclo de metano’ semelhante ao ciclo da água aqui na Terra, onde o metano em estado gasoso na atmosfera cai em forma de chuva na superfície formado rios e lagos com alguns metros de profundidade.
 
URANO
Esse gigante de gelo irradia muito pouco calor para o espaço, o que é um mistério. Talvez o desaparecimento do calor interno do planeta tenha acontecido por causa de uma colisão no passado distante com um corpo do tamanho da Terra, que também pode ter causado uma anomalia na rotação do planeta, que gira de lado (98º), ou seja, os polos norte e sul do planeta estão localizados em sua região equatorial. Treze anéis de Urano e duas dúzias de luas têm uma rotação de lado também, orbitando o planeta como círculos em nossa perspectiva, o que dá credibilidade a essa teoria.
 
Uma de suas luas, Miranda, se destaca por possuir uma das superfícies mais rugosas e irregulares do que qualquer outro corpo astronômico conhecido. Ela apresenta uma geologia totalmente incomum, com enormes montanhas e penhascos de mais de 20 quilômetros de profundidade – os maiores do sistema solar. Uma teoria sustenta que a lua foi quebrada várias vezes e depois se reuniu novamente, criando suas características irregulares e manchas.
 


NETUNO
Astrônomos acreditavam que o irmão mais próximo de Urano fosse um mundo pouco exótico, mas um sobrevoo da Voyager 2 em 1989 revelou o contrário. Sua atmosfera é muito turbulenta, com tempestades fortíssimas - incluindo a Grande Mancha Escura, que tinha quase o tamanho da Terra - e ventos que atingem mais de 2 mil quilômetros por hora (os mais rápidos do Sistema Solar). Essa intensa atividade só pode ser explicada pelo forte calor interno do planeta, mas como o planeta mais distante do Sol pode abrigar tanto calor?
 
Campo magnético descentralizado
 
Quando a Voyager 2 detectou um campo magnético singular em Urano, os astrônomos acreditaram que isso tinha acontecido porque um corpo teria colidido com o planeta, embaralhando sua produção de campo magnético. No entanto, quando a Voyager 2 mediu o campo magnético de Netuno, eles perceberam que ela também se originava longe do coração do planeta, e não se alinhava com a rotação planetária, como outros campos magnéticos conhecidos fazem. A melhor teoria proposta é a de que o campo magnético não é gerado no núcleo de Netuno, como é na Terra, Júpiter e outros planetas. Em vez disso, o campo emana de uma camada eletricamente condutora entre o núcleo e a superfície.
 
PLUTÃO
Plutão está tão longe da Terra que é difícil conseguir qualquer tipo de informação precisa sobre o planeta anão (ele tem 2,352 mil quilômetros de diâmetro – menos de 20% do tamanho do nosso planeta). Mas ele finalmente será menos misterioso dentro de alguns anos, já que a sonda New Horizons da NASA deve fazer um voo rasante sobre o planeta em julho de 2015. O planeta é um dos lugares mais frios no sistema solar, principalmente por estar tão longe do sol. As temperaturas da superfície oscilam em torno de -225° C. E mesmo sendo menor do que a lua da Terra, o planeta anão conseguiu segurar uma fina atmosfera –composta principalmente de monóxido de nitrogênio, metano e carbono.
 
Plutão demora 248 anos para dar uma volta ao redor do Sol, porém tem uma órbita extremamente elíptica, que não está no mesmo plano das órbitas dos oito planetas oficias. Em média, o planeta anão dá a volta em volto do sol a uma distância de 5,87 bilhões de quilômetros, completando um circuito em 248 anos. O estranho caminho vai fazer com que, em alguns anos, a órbita de Plutão se sobreponha a de Netuno. Isso traz Plutão mais perto da Terra do que Netuno, o oitavo planeta do sistema solar. Os pesquisadores acreditam que a peculiar órbita de Plutão tenha sido formada pelo próprio gigante Netuno, durante os primórdios do Sistema Solar. Os corpos estavam tão próximos que a presença do objeto maior (Netuno) perturbou drasticamente a órbita do menor, tornando-a elíptica.
 
O longínquo cinturão de Kuiper
Os corpos ali encontrados são comumente chamados de KBOs, e geralmente são minúsculos mundos de gelo e rocha que orbitam o Sol a incríveis distâncias (além da órbita de Netuno, há 50 UA do Sol) , mas ainda assim membros do sistema solar. Desde 1992, mais de 1.300 KBO’s foram encontrados. Somente alguns desses objetos possuem um diâmetro superior à 1.000 km. O Cinturão de Kuiper é lar de vários planetas anões, como Plutão, Éris, Makemake, Haumea, Ixion, Varuna e Quaor.
 
Acredita-se que há bilhões de anos atrás haviam muito mais corpos, porém as inúmeras colisões que prosseguiram podem ter expulsando a maioria dos KBO’s. A razão dessas colisões é que suas órbitas são frequentemente alteradas pela maior força gravitacional de Netuno. Há ainda evidências que muitos deles já foram expulsos do sistema solar.Ainda não há uma definição para a formação do Cinturão de Kuiper, mas acredita-se os KBO’s são remanescentes de uma nebulosa protossolar que formou os planetas do Sistema Solar.
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