16 de ago de 2013

Nasa termina tentativas de recuperar totalmente telescópio Kepler, considera novas missões

Impressão de artista do Telescópio Espacial Kepler.
Crédito: NASA
 
Após meses de análises e testes, a equipa do Telescópio Espacial Kepler terminou as suas tentativas de restaurar o observatório para pleno funcionamento e está agora considerando que novas pesquisas científicas pode realizar na sua condição actual. Duas das quatro rodas de reacção do Kepler, que são usadas para apontar a nave com precisão, falharam. A primeira em Julho de 2012, e a segunda em Maio passado. Os esforços dos engenheiros para restaurar pelo menos uma das rodas têm sido infrutíferos.
 
O Kepler completou a sua missão principal em Novembro de 2012 e começou a sua missão prolongada de quatro anos nessa altura. No entanto, a nave precisa de três rodas em funcionamento para continuar a sua busca por exoplanetas tipo-Terra, planetas fora do nosso Sistema Solar, em órbita de estrelas como o Sol, no que é conhecido como zona habitável -- o intervalo de distâncias de uma estrela onde a temperatura à superfície pode ser adequada para a existência de água no estado líquido. À medida que os cientistas analisam os dados recolhidos anteriormente, a equipa do Kepler está a investigar se o telescópio espacial pode realizar um tipo diferente de programa científico, potencialmente incluindo uma busca exoplanetária, usando as duas restantes boas rodas de reacção e propulsores.
 
"O Kepler fez descobertas extraordinárias na busca de planetas extrasolares, incluindo várias super-Terras na zona habitável," afirma John Grunsfeld, administrador associado do Directorado de Missões Científicas da NASA em Washington, EUA. "Sabendo que o Kepler recolheu com sucesso todos os dados da sua missão principal, estou confiante de que as descobertas mais surpreendentes estão no horizonte."
 
No passado dia 8 de Agosto, os engenheiros realizaram um teste de desempenho a nível de sistema para avaliar as capacidades actuais do Kepler. Determinaram que a roda 2, que falhou o ano passado, não pode mais fornecer a precisão necessária para a recolha de dados científicos. A nave regressou ao seu estado de repouso, que é uma configuração estável onde o Kepler usa os propulsores para controlar a sua direcção com o uso mínimo de combustível.
 
"No começo da nossa missão, ninguém sabia se planetas com o tamanho da Terra eram abundantes na Galáxia. Se fossem raros, talvez estivéssemos sozinhos," afirma William Borucki, investigador principal do Kepler, do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Moffett Field, no estado americano da Califórnia. "Agora, após a conclusão das observações do Kepler, os dados contêm a resposta à questão que inspirou a missão: será que planetas como a Terra, na zona habitável de estrelas como nosso Sol, são comuns ou raros?" Será realizado um estudo de engenharia acerca das modificações necessárias à gestão de operações científicas com o Kepler usando uma combinação das duas restantes rodas de reacção e propulsores para o controlo do observatório.
 
Informada por contribuições da comunidade científica mais ampla, em resposta ao pedido de projectos científicos anunciado a 2 de Agosto, a equipa do Kepler irá realizar um estudo para identificar possíveis oportunidades de ciência para uma missão Kepler a duas rodas. Dependendo do resultado desses estudos, que deverão estar concluídos no final deste ano, a NASA irá avaliar a prioridade científica de uma missão Kepler a duas rodas. Tal avaliação pode incluir a priorização em relação a outras missões da NASA, competindo para financiamento operacional no Conselho de Revisão da NASA no início do próximo ano.
 
A partir dos dados recolhidos na primeira metade da sua missão, o Kepler confirmou 135 exoplanetas e identificou mais de 3500 candidatos. A equipa continua a analisar todos os quatro anos de dados recolhidos, esperando centenas, se não milhares, de novas descobertas incluindo os muito esperados planetas com o tamanho da Terra na zona habitável de estrelas como o Sol. Embora o telescópio não vá operar mais com a sua precisão sem paralelo, os cientistas esperam que as descobertas mais interessantes do Kepler estejam ainda por vir.
Fonte: Astronomia On-Line

NGC 1232: Galáxia Anã é registrada se chocando com uma grande galáxia espiral

Observações feitas com o Observatório de Raios-X Chandra, da NASA têm revelado uma massiva nuvem de gás aquecido a milhões de graus a aproximadamente 60 milhões de anos-luz da Terra. A nuvem de gás quente é provavelmente causada pela colisão entre uma galáxia anã e uma galáxia muito maior, chamada de NGC 1232. Se confirmada, essa descoberta marcaria a primeira vez que esse tipo de colisão teria sido detectada somente em raios-X, e poderia ter implicações para o entendimento sobre como as galáxias crescem por meio de colisões similares. Uma imagem combinando raios-X e dados da luz óptica mostra a cena dessa colisão.
 
O impacto entre a galáxia anã e a galáxia espiral causou uma onda de choque, que gerou gás quente com uma temperatura de aproximadamente 6 milhões de graus. Os dados de raios-X do Chandra, em roxo, mostram o gás quente que tem a aparência de um cometa, gerado pelo movimento da galáxia anã. Os dados ópticos, obtidos pelo Very Large Telescope do ESO revelam a galáxia espiral nas cores azul e branca. Os raios-X apontam fontes que têm sido removidas da imagem com o objetivo de enfatizar a emissão difusa.
 
Perto da cabeça da emissão de raios-X na forma de cometa está uma região contendo algumas estrelas opticamente muito brilhantes e a emissão de raios-X é realçada. O processo de formação de estrelas pode ter sido disparado pela onda de choque, produzindo estrelas massivas e brilhantes. Nesse caso, a emissão de raios-X seria gerada por ventos de estrelas massivas e pelas partes remanescentes de explosões de supernovas à medida que as estrelas massivas se desenvolvem. A massa de toda a nuvem de gás é incerta pois ela não pode ser determinada a partir de imagens bidimensionais se o gás quente está concentrado em uma fina panqueca ou distribuída sobre uma grande e esférica região. Se o gás está numa panqueca, a massa é equivalente a quarenta mil sóis.
 
Se ele está espalhado uniformemente, a massa seria muito maior, aproximadamente três milhões de vezes a massa do Sol. Essa variação está de acordo com os valores para as galáxias anãs no Grupo Local contendo a Via Láctea. O gás quente deveria continuar brilhando em raios-X por dezenas a centenas de milhões de anos, dependendo da geometria da colisão. A colisão por si só deveria durar cerca de 50 milhões de anos. Pesquisar por grandes regiões de gás quente nas galáxias pode ser uma maneira de estimar a frequência das colisões com galáxias anãs e para entender quão importante esses eventos são no crescimento das galáxias.
 
Uma explicação alternativa da emissão de raios-X é que a nuvem de gás quente poderia ter sido produzida pelas supernovas e ventos quentes de grandes números de estrelas massivas, todas localizadas no mesmo lado da galáxia. A falta de evidência das esperadas feições de rádio, infravermelho e óptico argumentam contra essa possibilidade.
 
Um artigo escrito por Gordon Garmire do Instituto Huntingdon para a Astronomia de Raios-X, descreve esses resultados e foi publicado na edição de 10 de Junho de 2013 do The Astrophysical Journal. O Marshall Space Flight Center da NASA em Huntsville, Ala., gerencia o programa Chandra para o Science Mission Directorate da NASA em Washington. O Smithsonian Astrophysical Observatory, controla as operações científicas e de voo do Chandra desde Cambridge, Mass.
Fonte: http://www.cienctec.com.br/

Novo estudo argumenta que VOYAGER 1 ja saiu do sistema solar

De acordo com uma equipe de investigadores da Universidade de Maryland, EUA, a Voyager 1 parece ter finalmente saído do nosso Sistema Solar e entrado no espaço interestelar.
Esta impressão de artista mostra a sonda Voyager 1 contra um fundo de estrelas na vasta escuridão do espaço.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 
Transportando saudações terrestres num fonógrafo banhado a ouro e instrumentos científicos ainda operacionais, a sonda Voyager 1 da NASA é o objecto mais distante feito pelo Homem. E agora, afirmam estes cientistas, começou a primeira exploração da nossa Galáxia para lá da influência do Sol. "É uma visão um tanto ou quanto controversa, mas pensamos que a Voyager finalmente deixou o Sistema Solar, e está realmente no início das suas viagens pela Via Láctea," afirma Marc Swisdak, autor principal de um novo artigo publicado esta semana na revista The Astrophysical Journal Letters. Swisdak e colegas James F. Drake, também da mesma universidade, e Merav Opher da Universidade de Boston, construíram um modelo da orla exterior do Sistema Solar que encaixa nas observações mais recentes, tanto esperadas como inesperadas.
 
O seu modelo indica que a Voyager 1 na realidade entrou no espaço interestelar há pouco mais de um ano, um achado directamente oposto aos recentes artigos publicados pela NASA e outros cientistas que sugerem que a sonda está ainda numa zona de transição vagamente definida entre a esfera de influência do Sol e o resto da Galáxia. Mas porquê a controvérsia? A questão está em saber como é o limite de cruzamento, a 18 mil milhões de quilómetros de distância. A heliosfera é uma região do espaço relativamente bem compreendida, dominada pelo campo magnético e partículas carregadas emanadas pela nossa estrela. É desconhecida a estrutura e localização da zona de transição da heliopausa. De acordo com a sabedoria tradicional, ficaremos a saber se já passámos por esta fronteira misteriosa quando pararmos de ver partículas solares e começarmos a ver partículas galácticas, e também ao detectar uma mudança na direcção predominante do campo magnético local.
 
Os cientistas da NASA divulgaram recentemente que no Verão passado, após oito anos de viagem através da camada mais externa da heliosfera, a Voyager 1 detectou "várias passagens por um limite diferente de tudo o já observado anteriormente." Estes mergulhos sucessivos, e posteriores recuperações, nas contagens de partículas solares, chamou a atenção dos investigadores. Os mergulhos na contagem de partículas solares correspondem a aumentos abruptos no número de electrões e protões. Em cerca de um mês, estes números de partículas solares desapareceram, e apenas permaneceram as contagens de partículas galácticas. No entanto, a Voyager 1 não observou mudanças na direcção do campo magnético.
 
Para explicar esta observação inesperada, muitos cientistas teorizam que a Voyager 1 entrou numa espécie de "zona de esgotamento" do invólucro heliosférico, mas que a sonda está ainda dentro dos limites da heliosfera. Swisdak e colegas, que não fazem parte das equipas científicas da Voyager 1, dizem que há outra explicação. Em trabalhos anteriores, Swisdak e Drake focaram-se na reconexão magnética, ou na quebra e reconfiguração de linhas do campo magnético. É o fenómeno suspeito de se esconder no coração das proeminências solares, nas ejecções de massa coronal e em muitos outros eventos altamente energéticos e dramáticos do Sol. Os investigadores argumentam que a reconexão magnética é fundamental para a compreensão dos dados surpreendentes da NASA.
 
Embora muitas vezes descrita como uma bolha que contém a heliosfera e o seu conteúdo, a heliopausa não é uma superfície que separa perfeitamente o "fora" do de "dentro". De facto, Swisdak, Drake e Opher afirmam que a heliopausa é porosa para certas partículas e que tem uma complexa estrutura magnética em camadas. Aqui, a reconexão magnética produz um conjunto complexo de "ilhas" magnéticas aninhadas, laços independentes que espontaneamente surgem num campo magnético devido a uma instabilidade fundamental. O plasma interestelar pode penetrar na heliosfera ao longo das linhas de campo religadas, e os raios cósmicos galácticos e outras partículas solares misturam-se vigorosamente.
 
Ainda mais interessante é que a queda nas contagens de partículas solares e os picos nas contagens de partículas galácticas podem ocorrer através de "encostas" no campo magnético, que emanam dos locais de reconexão, enquanto a direcção do campo magnético permanece inalterada. Este modelo explica os fenómenos do Verão passado, e Swisdak e colegas sugerem que a Voyager 1 ultrapassou a heliopausa no dia 27 de Julho de 2012.
 
Num comunicado de imprensa da NASA, Ed Stone, cientista do projecto Voyager e professor de física no Instituto de Tecnologia da Califórnia, diz, em parte: "outros modelos vislumbram o campo magnético interestelar envolto em redor da nossa bolha solar e prevêm que a direcção do campo magnético solar é diferente da do campo magnético solar no interior. Nessa interpretação, a Voyager 1 estaria ainda dentro da nossa bolha solar. O modelo de conexão magnética [de Swisdak e colegas] passará a fazer parte da discussão entre cientistas que tentam conciliar o que pode estar a acontecer numa escala mais fina com o que acontece numa escala maior.
 
Trinta e seis anos após os seus lançamentos em 1977, as gémeas Voyager 1 e 2 continuam a explorar onde nada da Terra voou antes. A sua missão principal foi a exploração de Júpiter e Saturno. Depois de uma série de descobertas - tais como vulcões activos na lua de Júpiter, Io, e complexidades nos anéis de Saturno - a missão foi prolongada. A Voyager 2 explorou Urano e Neptuno, e ainda é a única sonda a ter visitado esses planetas exteriores. A missão actual das duas sondas é explorar o limite exterior e para lá do domínio do Sol. Ambas as Voyager são capazes de enviar dados científicos a partir de uma ampla gama de instrumentos, com energia eléctrica e combustível suficiente para se manterem operacionais até 2020. Espera-se que a Voyager 2 entre no espaço interestelar alguns anos após a sua sonda gémea.
Fonte: Astronomia On-Line

A Nova Delphini 2013


Usando um pequeno telescópio para vasculhar os céus no dia 14 de Agosto de 2013, o astrônomo amador japonês Koichi Itagaki descobriu uma “nova” estrela dentro das fronteiras da constelação de Delphinus. Indicada nessa imagem acima capturada no dia 15 de Agosto de 2013 desde Stagecoach, no Colorado, ela agora foi propriamente designada como Nova Delphini 2013. Sagitta, a Seta, aponta o caminho para a localização dessa nova estrela, que atualmente se encontra bem alta no céu noturno (no hemisfério norte), não muito distante da brilhante estrela Altair e do asterismo conhecido pelos observadores do hemisfério norte como o Triângulo de Verão. A nova é reportada como sendo de fácil observação com binóculos, perto do limite de visibilidade a olho nu em céus escuros.
 
De fato, cartas celestes anteriores mostram uma estrela conhecida muito mais apagada (com uma magnitude 17), na posição onde a Nova Delphini foi registrada, indicando que o brilho aparente dessa estrela aumentou repentinamente mais de 25000 vezes. Como uma estrela passa por uma mudança dessas? O espectro da Nova Delphini indica que ela é uma nova clássica, um sistema estelar binário em interação onde uma estrela é uma densa e quente anã branca. O material da estrela companheira, fria e gigante cai em direção à superfície da anã branca, até que o seu tamanho dispara um evento termonuclear. O drástico aumento no brilho e uma concha de expansão de detritos é o resultado – mas as estrelas não são destruídas. Acredita-se que as novas clássicas recorrem quando o fluxo de material na anã branca retorna e produz outra explosão.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...