19 de ago de 2013

Como sabemos que o núcleo da Terra é feito de ferro?

O núcleo da Terra e sua composição podem ser estudados através de ondas sísmicas que viajam através das camadas da estrutura planetária a uma velocidade que depende das propriedades do material que essas ondas percorrem. A melhor conclusão para o que compõe a parte interior do núcleo é ferro. O ferro é de longe o metal mais abundante no universo. Muitos meteoritos têm quantidades significativas da substância em seu estado nativo, e ele é considerado o primeiro metal a se formar no universo, no interior das estrelas. O interior do nosso planeta poderia ser feito de uma mistura de outros metais magnéticos, mas existem várias razões para presumir que o núcleo é feito predominantemente de ferro.
 
Os cientistas acreditam que uma grande parte da Terra primitiva foi formada por acreção planetária via colisões e uniões de asteroides, que são ricos em ferro. Além disso, é tão quente no interior da Terra que a composição metálica torna-se líquida. Diferentes elementos apresentam diferentes densidades e assim, num meio fluído, separam-se os elementos em função da sua densidade: os pesados ​​para o fundo e os leves para o topo. O interior da Terra tem sido quente por tanto tempo que este processo de separação por densidade já deve ter atingido o equilíbrio – daí vem a ideia de que o núcleo externo da Terra é predominantemente composto por um elemento.
 
Algumas das provas mais convincentes para a composição do núcleo ser ferro vem do que sabemos sobre gravidade e ondas de energia. Sabemos o tamanho da Terra e sua força gravitacional, portanto, pode-se inferir sua densidade. Da densidade da Terra, podemos estimar quais os elementos que a compõem, e um núcleo de ferro é o melhor modelo para estimar sua massa. A partir de ondas de energia, os geólogos usam sismógrafos para medir movimentos interiores (por exemplo, terremotos) da Terra, e essas ondas de energia formam ondas de compressão e cisalhamento (ou tangencial, ou tensão cortante). Dos sismógrafos em todo o mundo, podemos ver que as ondas de cisalhamento desaparecem quando atingem a profundidade do núcleo externo da Terra.
 
Isso nos diz que o núcleo externo é composto de material líquido. Isso ocorre porque os líquidos não podem ser cortados – só se movem para fora do caminho. As ondas de compressão, por outro lado, na verdade, desaceleram. Isto é porque o líquido é muito menos compressível do que o material acima, feito de rocha parcialmente fundida. A partir do entendimento de como ondas de energia viajam através dos materiais, pode-se estimar a que velocidade as ondas de compressão se movem através de diferentes materiais. Acontece que a velocidade com que as ondas de compressão se movem através do núcleo externo é realmente perto da velocidade que seria no ferro líquido.
 
Quando as ondas de energia chegam ao núcleo interior, podemos ver que as ondas de compressão e de cisalhamento parecem acelerar acentuadamente. Pelo mesmo princípio que compreendemos a velocidade como que essas ondas viajam através de materiais, podemos ver que estas velocidades são muito próximas as conhecidas para a composição de ferro sólido. Isto não exclui totalmente a existência de diferentes elementos no núcleo. Pode haver outros vestígios de outros elementos. No entanto, a partir do que sabemos, temos razão em inferir que nosso núcleo é feito predominantemente de ferro.
Fonte: Hypescience.com

Explodir o Sol com uma bomba nuclear? Dupla de pesquisadores tem a receita

Estudo mostra que o envio de uma bomba nuclear suficientemente forte para o interior do Sol pode dar início a uma reação em cadeia capaz de varrer o Sistema Solar. Pesquisadores da área, no entanto, são céticos quanto à ideia
Segundo a pesquisa, os seres humanos seriam capazes de induzir uma explosão no interior do Sol, que poderia levar à destruição da Terra. Para os pesquisadores da área, a ideia é mais próxima da ficção científica do que da astrofísica (NASA / AFP)
 
Que tal explodir o Sol? Uma dupla de pesquisadores pensou nisso, e se atreveu a publicar um estudo detalhando a técnica, que consumiria todo o Sistema Solar — incluindo a Terra e a vida em sua superfície — em uma imensa bola de fogo. Para isso, a dupla formada por Alexander Bolonkin e Joseph Friedlander imaginou o lançamento de uma bomba nuclear capaz de percorrer toda a distância que separa a Terra do Sol, resistir ao calor e à radiação local e chegar ao coração do astro. Ali, uma explosão atômica daria início a uma reação em cadeia, levando a estrela a gastar todo o seu combustível em instantes e explodir em uma espécie de supernova artificial. A ideia parece fruto da mais pura ficção científica e, segundo outros cientistas, é simplesmente disso que se trata: pura especulação.
 
Os dois pesquisadores que escreveram o artigo não são conhecidos por estudar o funcionamento do Sol, das estrelas ou das bombas nucleares. Ao contrário, Alexander Bolonkin possui um doutorado em engenharia aeronáutica, com especialização em ciências da computação e matemática, enquanto Joseph Friedlander é um empresário com conhecimentos de computação. A pesquisa foi publicada na revista Computational Water, Energy, and Environmental Engineering, um periódico chinês que é conhecido por não seguir os mais rigorosos processos de revisão. Às vezes encontra-se algo interessante por ali, mas na maioria das vezes o joio supera o trigo.
 
Ainda assim, a pesquisa chamou atenção quando foi publicada, principalmente por causa da ideia que é esboçada: os seres humanos seriam capazes de provocar uma explosão definitiva e arrasadora no Sol. "A humanidade tem temores, alguns mais e outros menos justificados, sobre a queda de asteroides, o aquecimento global e extinções. Todos esses cenários, no entanto, podem deixar alguns sobreviventes — mas ninguém pensa que a aniquilação completa do Sistema Solar não deixaria uma única pessoa viva", escrevem os pesquisadores, conscientes do impacto de sua ideia.
 
Desequilíbrio estelar Sabe-se que 75% da massa do Sol é composta por átomos de hidrogênio. Sob a imensa gravidade e o calor no centro do astro, essas partículas se fundem, criando átomos de hélio e liberando uma enorme quantidade de energia (a reação é semelhante à que acontece no lançamento das bombas de hidrogênio, milhares de vezes mais poderosas que a bomba lançada sobre Hiroshima). É esse processo que fornece todo calor e luz liberados pelo Sol e que permite que haja vida na Terra. Acontece que, segundo o estudo, a taxa de fusão dos átomos de hidrogênio é maior conforme aumenta a densidade e a temperatura da estrela. Assim, a queima do combustível estelar segue uma espécie de equilíbrio: quando o núcleo do Sol se aquece demais, ele também se expande, diminuindo a taxa de fusão do hidrogênio.
 
 A menor taxa de fusão provoca uma diminuição da temperatura e um aumento da densidade, levando, novamente, uma aceleração nas fusões. A ideia dos pesquisadores é que esse equilíbrio estelar pode ser perturbado. Eles propõem que a explosão de uma bomba nuclear no interior do Sol poderia criar uma região de temperatura e densidade muito altas, capaz de dar início a uma cadeia de reações nucleares autossustentáveis, que se espalhariam pelo inteiror e superfície solar. O aquecimento resultante poderia fazer a temperatura da estrela atingir mais de um bilhão de graus Celsius, o que levaria à sua explosão completa.
 
Os pesquisadores da área, no entanto, não levaram a ameaça imaginada pelos pesquisadores muito a sério. Segundo José-Dias do Nascimento, professor de astrofísica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e pesquisador visitante na Universidade Harvard — ele, sim, especialista na física solar —, os números que os pesquisadores apresentam para dar suporte à sua ideia parecem um tanto exagerados. A ideia de uma reação em cadeia capaz de explodir o Sol ainda precisa ser confirmada, e a energia necessária para dar início a um processo desses é muito maior do que a que os seres humanos são capazes de produzir. "A pesquisa me parece pseudociência", diz José-Dias.
 
Ditadores malucosA justificativa dada pela dupla para a pesquisa foi a de alertar quanto ao perigo de alguma mente diabólica ou de um ditador com os recursos necessários poder colocar em prática a implausível ideia. Em 2007, o diretor Danny Boyle (vencedor do Oscar pelo filme Quem quer ser um milionário?), retratou algo semelhante no filme Sunshine, mas com o objetivo contrário. Em um futuro no qual o problema é uma glaciação global causada pela baixa atividade solar, a única esperança da humanidade é lançar uma gigantesca bomba nuclear no sol, para "reativá-lo". O filme foi mal nas bilheterias.
 
CONHEÇA A PESQUISA

Título original:
Explosion of Sun

Onde foi divulgada: periódico Computational Water, Energy, and Environmental Engineering
Quem fez: Alexander Bolonkin, Joseph Friedlander
Resultado: Os pesquisadores imaginaram um método capaz de induzir uma reação nuclear em cadeia no interior do Sol. Se o calor produzido fosse suficiente, poderia levar à explosão do astro.
 
Opinião do especialista
 
José-Dias do Nascimento - Professor de astrofísica do departamento de física teórica e experimental da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e pesquisador visitante na Universidade Harvard, nos Estados Unidos

“O estudo foi publicado em uma revista que não é de astrofísica e nem de física nuclear. Nenhum dos pesquisadores envolvidos é dessas áreas e nem pertencem a instituições que estudam esses assuntos. Além disso, os números apresentados no estudo são exagerados. Teoricamente, nós sabemos que é possível explodir o Sol, mas a quantidade de energia necessária é muito maior do que a que podemos produzir aqui na Terra. A pesquisa me parece pseudociência.”
Fonte: Veja

8 descobertas fantásticas feitas pelo telescópio Kepler

Uma das missões mais bem sucedidas da NASA, sonda Kepler foi aposentada como caçadora de exoplanetas. Confira aqui algumas de suas marcantes descobertas
Caçador de exoplanetas
A NASA oficializou  que cessará as tentativas de reparação de Kepler, aposentando-o como caçador de exoplanetas. Mas a sonda já não era mais a mesma desde maio deste ano quando perdeu o controle de dois de seus quatro volantes de inércia que funcionavam como giroscópios. Esta falha tornou impossível a estabilização do telescópio, um dos componentes essenciais de sua missão. Agora, a agência espacial americana irá avaliar que outras tarefas a sonda poderá realizar em seu atual estado. Lançada ao espaço em 2009, a sonda conduziu com excelência a sua missão de tentar encontrar planetas similares a Terra. Ao longo de sua carreira, Kepler detectou 132 novos corpos celestes fora do nosso sistema solar. Veja nesta galeria algumas de suas mais marcantes descobertas.
 
Kepler-10b  
Descoberto em 2011, o Kepler-10b foi o primeiro planeta rochoso encontrado pelo telescópio. Seu tamanho é 1,4 vezes maior que a Terra e é o menor corpo celeste já encontrado fora do nosso sistema solar. Sua órbita é em torno da estrela Kepler 10, localizado a uma distância de 564 anos-luz da Terra.
 
Kepler-16b  
O Kepler-16b foi encontrado nos idos de 2011 e, para a surpresa dos cientistas e fãs da ficção científica, é muito parecido com o planeta imaginário Tatooine, que aparece na saga “Guerra nas Estrelas”. É o primeiro planeta de que se tem notícia a orbitar duas estrelas.
 
Kepler-22b
No final do seu primeiro ano em órbita, o telescópio Kepler realizou uma das suas mais importantes descobertas. O planeta Kepler-22b é o primeiro encontrado pela sonda a contar com a chamada “zona habitável”, isto é, com condições favoráveis ao surgimento de vida.
 
Kepler-20
Outro achado importantíssimo da sonda Kepler é o sistema Kepler-20. Formado por uma estrela e outros cinco planetas, o sistema é o primeiro encontrado pelo telescópio a contar com corpos de tamanhos similares ao da Terra orbitando uma estrela que não é o Sol.
 
Kepler-36c e 36b
Graças aos dados compilados pelo telescópio Kepler, uma equipe de cientistas da Universidade de Harvard encontrou dois curiosos planetas, os chamados Kepler-36c e Kepler 36-b. A dupla conta com as órbitas mais próximas já vistas no espaço, cerca de 20 vezes mais próximos que outros corpos do nosso sistema. Ambos estão localizados a uma distância de 1.200 anos-luz da Terra.
 
Kepler-47  
Se em 2011 o Kepler encontrou um planeta que orbitava duas estrelas (Kepler-16b), no ano seguinte a sonda realizou uma descoberta tão intrigante quanto: vários planetas orbitando duas estrelas. E um dos corpos, explicou a NASA, conta ainda conta com a tal “zona habitável”, a região que oferece condições favoráveis ao surgimento de vida.
 
Kepler-62  
Uma das últimas descobertas do Kepler aconteceu já em 2013, o sistema Kepler-62, que é formado por uma estrela e cinco planetas. A estrela não tem semelhanças com o Sol, é menor, mais fria e mais antiga que a nossa estrela. O destaque entre os planetas fica por conta do Kepler-62f, 40% maior que a Terra e é o melhor exoplaneta de zona habitável já encontrado.
 
Kepler-69  
Outra descoberta feita pelo Kepler na mesma época do sistema K-62 é o sistema da estrela Kepler-69, similar ao Sol e que fica localizada a 2.700 anos-luz da Terra. É composto por dois planetas, o Kepler-69c e o 69b.
Fonte: Exame.abril

O que se encontra abaixo da superfície de Marte

Existe muito mais coisas em Marte do que nossos olhos podem ver. 
Uma fatia por terras altas do sul de Marte  
 
Usando o radar na sonda Mars Express, nós podemos ver alguns quilômetros abaixo da superfície e ver o que está localizado ali. O radar criou imagens da subsuperfície de Marte, emitindo ondas de rádio de baixa frequência em direção ao planeta, que são refletidas de qualquer superfície que elas encontram pela frente. Enquanto a maior parte das ondas são refletidas pela superfície do planeta, uma parte das ondas conseguem viajar mais fundo e refletir nas interfaces entre as camadas de diferentes materiais, como as interfaces entre rocha, água e gelo.
 
A intensidade e o tempo do eco de radar chegar de volta na sonda Mars Express são indicativos das profundidades dos diferentes tipos de interfaces subterrâneas. Essa imagem de radar é um slice com 5580 km de comprimento através das terras altas do hemisfério sul de Marte, criada pouco depois que o instrumento Mars Advanced Radar for Subsurface and Ionopheric Sounding tornou-se operacional em 2005. O lado direito é dominado pela vasta Bacia Hellas. Ela mergulha 7 km abaixo da superfície e tem aproximadamente 2300 km de largura, fazendo dela uma das maiores bacias de impacto de todo o Sistema Solar.
 
O pico brilhante logo a esquerda do centro é a região polar sul de Marte. Aí é onde o radar realmente funciona, abaixo da calota de dióxido de carbono congelado, e gelo de água ele revela múltiplas camadas de gelo e poeira. Conhecida como Camada de Depósitos Polares Sul essa feição se estende por aproximadamente 4 km abaixo da superfície. Acredita-se que as camadas se soerguem a partir de variações na deposição do gelo e da poeira, à medida que Marte experimenta ciclos de mudanças climáticas.
 
Graças ao radar, os cientistas têm estimado que a quantidade de água aprisionada em camadas congeladas na região polar sul é equivalente a uma camada de água líquida de aproximadamente 11 metros cobrindo todo o planeta. Embora equipamentos como o radar da Mars Express tragam imagens espetaculares de Marte, nada como a beleza visual. Abaixo uma imagem sensacional que mostra justamente a calota polar sul de Marte.
Fonte: ESA

Juno da NASA está a meio caminho de Júpiter

A sonda Juno da NASA encontra-se na metade do caminho até Júpiter. A sonda que estudará o sistema Joviano alcançou esse marco no dia 12 de Agosto de 2013 às 09:25 hora de Brasília.
A imagem gerada por computador mostra nave espacial Juno da NASA. Crédito da imagem: NASA / JPL-Caltech
 
“O odômetro da Juno acabou de marcar 9.464 unidades astronômicas”, disse o principal pesquisador da Juno Scott Bolton, do Southwest Research Institute em San Antonio. “A equipe está olhando para frente, se preparando para o dia em que nós entraremos na órbita ao redor do planeta mais massivo do nosso Sistema Solar”. Para esse desafio de unidades astronômicas, uma unidade astronômica, ou AU, do inglês, é uma unidade de medida usada pelos engenheiros espaciais e cientistas quando discutem as incríveis distâncias envolvidas na exploração do Sistema Solar. Uma AU é baseada na distância entre a Terra e o Sol, ou seja, 149597870.7 quilômetros. As 9.464 AU que a Juno já viajou é o equivalente a 1415794248 quilômetros.
 
A Juno estava a 55.46 milhões de quilômetros da Terra quando a marca foi atingida. A próxima marca importante na viagem de aproximadamente cinco anos até Júpiter acontecerá em Outubro, quando a sonda passará pela Terra para alcançar uma velocidade extra. “Em 9 de Outubro de 2013, a Juno estará a 559 quilômetros da Terra”, disse o gerente de projeto da missão Rick Nybakken do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena, na Califórnia. “A passagem pela Terra dará a Juno um aumento na velocidade de aproximadamente 7.3 km/s. A partir daí, a próxima parada será Júpiter”.
 
A sonda Juno está programada para chegar em Júpiter em 4 de Julho de 2016 às 11:29, hora de Brasília. A Juno foi lançada em 5 de Agosto de 2011. Uma vez na órbita de Júpiter, a sonda circulará o planeta 33 vezes, de um polo ao outro, e utilizará sua coleção de oito instrumentos científicos para pesquisar o que existe abaixo da cobertura de nuvens que obscurece o planeta gasoso gigante. A equipe de ciência da Juno aprenderá sobre a origem, a estrutura, a atmosfera e a magnetosfera de Júpiter, buscará pelas evidências de potencial núcleo sólido para o planeta.
 
O nome Juno vem da mitologia Grega e Romana. O Deus Júpiter desenhou um véu de nuvens ao redor de si mesmo para esconder sua esposa a Deusa Juno, que foi capaz de espiar através das nuvens e revelar a verdadeira natureza de Júpiter. O Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena na Califórnia, gerencia a missão Juno para o seu principal pesquisador Scott Bolton, do Southwest Research Institute em San Antonio. A missão da Juno é parte do New Frontiers Program gerenciado no Marshall Space Flight Center da NASA em Huntsville, Ala. O Lockheed Martin Space Systems em Denver, construiu a sonda. O JPL é uma divisão do Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena.
Fonte: NASA

Há 136 anos, descobríamos que Marte tem duas luas

A lua Fobos foi descoberta por Asaph Hall Foto: Nasa / Divulgação
 
Certa vez, Johannes Kepler, um dos mais importantes nomes da astronomia, propôs que Marte teria duas luas. O motivo: se a Terra tem um satélite natural, e Júpiter tem quatro (conhecidos na época), então Marte, cuja órbita fica no meio do caminho, deve ter dois. Hoje sabemos que o número de satélites de Júpiter chega às dezenas, mas, por incrível que pareça, Kepler acertou em cheio: Marte tem exatas duas luas. E elas foram descobertas há 136 anos.
 
Na comunidade científica, a maioria acreditava que Marte não tinha satélites naturais. Asaph Hall, duvidando disso, usou um telescópio do Observatório Naval de Washington. Primeiro, ele encontrou a menor delas: Deimos. Alguns dias depois, em 17 de agosto de 1877, observou pela primeira vez Fobos. O satélite mais próximo era mais brilhante e dava uma volta no planeta em apenas oito horas - mais rápido que a rotação de Marte. Para se ter ideia, a nossa Lua leva um mês. Esta, Hall chamou de Fobos e a outra, Deimos (na mitologia, filhos do deus romano Marte).
 
Fobos tem menos de 1% do diâmetro da Lua da Terra. Contudo, como está muito mais perto do planeta, vista da superfície, ela parece ter cerca da metade do tamanho do nosso satélite natural. Além de pequenas, o comportamento das luas é considerado estranho. No Século 20, descobrimos que Fobos está em queda, até se chocar contra Marte. Em 1971, a sonda Mariner 9 mostro que ambas têm formato de batata. Em 1977, cientistas observaram que a superfície de Fobos era similar às das pedras do Cinturão de Asteroides - e essa deve ser a origem desses satélites naturais, que foram "capturados" pela gravidade do planeta vermelho.
 
Apesar de todas as descobertas sobre os satélites naturais de Marte, eles ainda têm diversos mistérios. Não sabemos, por exemplo, qual é sua composição nem como eles foram capturados pelo planeta. Cientistas discutem há anos possíveis missões robóticas, alguns até acreditam que eles podem ter a explicação para a evolução dos pequenos corpos. E são apenas duas das cerca de 170 luas do Sistema Solar - que podem guardar muitos outros segredos.
Fonte: Terra

Magnetar misterioso possui uma das mais fortes campos magnéticos no Universo

Campo magnético do magnetar SGR 0418
 
Cientistas usando o Telescópio Espacial XMM-Newton da ESA descobriram que uma curiosa estrela morta tem escondido um dos mais fortes campos magnéticos de todo o universo, apesar das sugestões anteriores terem indicado um campo magnético incomumente baixo. O objeto conhecido como SGR 0418+5729 (ou SGR 0418) é uma magnetar, um tipo particular de estrela de nêutrons. Uma estrela de nêutrons é o núcleo morto de uma estrela que já foi massiva e que colapsou sobre si mesma depois de queimar todo o combustível e explodir num dramático evento de supernova. Elas são objetos extremamente densos, tendo uma massa maior que a do Sol em uma esfera de somente 20 km de diâmetro, ou seja do tamanho de uma cidade.

Uma pequena proporção das estrelas de nêutrons se formam e vivem brevemente como magnetars, denominadas assim devido aos intensos campos magnéticos, bilhões a trilhões de vezes maior do que aqueles gerados em máquinas de infravermelho nos hospitais, por exemplo. Esses campos fazem com que a magnetar entre em erupção esporadicamente com explosões de radiação de alta energia. A SGR 0418, localiza-se na nossa galáxia, a aproximadamente 6500 anos-luz de distância da Terra. Ela foi detectada pela primeira vez em 2009 pelos telescópios espaciais Fermi da NASA e Koronas-Photon da Roscosmos, quando repentinamente se iluminou em raios-X e raios-gamma leves. Ela foi estudada subsequentemente por uma frota de observatórios, incluindo o XMM-Newton da ESA.

“Até bem recentemente, todas as indicações eram que essa magnetar tinha um dos campos magnéticos superficiais mais fracos que se conhece, em 6 x 1012 Gauss, algo em torno de 100 vezes mais baixo do que as magnetars típicas”, disse Andrea Tiengo do Instituto Universitario di Studi Superiori, em Pavia, na Itália e principal autor de um artigo publicado na Nature. Entender esses resultados foi um desafio. Contudo, nós suspeitamos que a SGR 0418 tinha de fato um campo magnético mais forte, fora do alcance das nossas técnicas analíticas tradicionais”.

As magnetars giram mais lentamente do que as estrelas de nêutrons, mas ainda assim completam uma rotação em poucos segundos. A maneira normal de determinar o campo magnético de uma magnetar é medir a taxa com a qual a rotação declina. Três anos de observação da SGR 0418 tem levado os astrônomos a inferirem um campo magnético fraco. A nova técnica desenvolvida pelo Dr. Tiengo e seus colaboradores envolve a pesquisa da variação do espectro de raios-X da magnetar em intervalos extremamente curtos de tempo enquanto ela está em rotação. Esse método permite que os astrônomos possam analisar o campo magnético em muito mais detalhe e tem revelado que a SGR 0418 é na verdade uma monstruosa magnetar.

“Para explicar nossas observações, essa magnetar precisa ter um campo magnético super forte e contorcido que alcança 1015 Gauss através de pequenas regiões em sua superfície, se espalhando por somente algumas centenas de metros”, disse Tiengo. “Na média, o campo pode parecer fraco, como os resultados anteriores sugeriam. Mas nós somos agora capazes de pesquisar por subestruturas na superfície e ver que o campo é muito forte localmente”. Uma analogia simples pode ser feita com campos magnéticos localizados ancorados nas manchas solares, onde uma mudança na configuração pode repentinamente levar ao seu colapso e à produção de uma flare, no caso da SGR 0418, uma explosão de raios-X.
 
Os dados espectrais fornecidos pelo XMM-Newton, combinados com uma nova maneira de analisar os dados, permitiu que pudéssemos finalmente fazer as primeiras medidas detalhadas do campo magnético de uma magnetar, confirmando que ela possui um dos maiores valores já medidos no universo”, adiciona Norbert Schartel, Cientista de Projeto do XMM-Newton da NASA. Nós agora temos uma nova ferramenta para pesquisar os campos magnéticos de outras magnetars, o que nos ajudará a restringir cada vez mais os modelos desses objetos tão exóticos”.

Estrelas fogem de um acidente cósmico

Imagens astronômicas as vezes nos apresentam truques de perspectiva. Bem no centro dessa imagem, duas galáxias espirais parecem estar sofrendo uma colisão espetacular, com uma série de estrelas que parecem fugir do local de acidente num tumulto caótico. Contudo isso é apenas um truque de perspectiva. É verdade que duas galáxias espirais estão se colidindo, mas elas estão a milhões de anos-luz de distância, muito mais distante da nuvem de estrelas azuis e vermelhas que aparecem perto da fusão das espirais.
 
Esse conjunto de estrelas na verdade é uma galáxia anã irregular denominada de ESO 489-056. A galáxia anã, está na verdade muito mais distante do que as estrelas mais brilhantes que aparecem em primeiro plano na imagem, e que estão muito mais perto de nós, na própria Via Láctea.
 
A ESO 489-056 está localizada a 16 milhões de anos-luz da Terra na constelação de Canis Major (O Cão Maior), no nosso universo local. Ela é composta de alguns bilhões de estrelas azuis e vermelhas – um número pequeno se comparado com galáxias como a Via Láctea que estima-se contenha entre 200 e 400 bilhões de estrelas, ou a Galáxia de Andrômeda que deve conter algo em torno de um trilhão de estrelas. Uma versão dessa imagem entrou na competição de processamento de imagens conhecida como Hubble’s Hidden Treasures, pelo competidor Luca Limatola.
Fonte: http://www.spacetelescope.org
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