27 de ago de 2013

Estrela pulsante dá luz a exoplaneta

Uma equipe de pesquisadores desenvolveu uma forma de medir as propriedades internas de estrelas – um método que oferece avaliações mais precisas dos planetas em órbita nelas. A pesquisa foi conduzida por uma equipe multinacional de cientistas, incluindo físicos da Universidade de Nova York, da Universidade de Princeton (ambas nos EUA) e do Instituto Max Planck (Alemanha). Os pesquisadores examinaram a HD 52265, uma estrela de cerca de 92 anos-luz de distância e quase 20% mais massa do que o sol. Mais de uma década atrás, os cientistas identificaram um exoplaneta (um planeta fora do nosso sistema solar) na órbita da estrela.
 
A HD 52265, então, serviu como modelo ideal para medir propriedades das estrelas e saber como essas propriedades podem lançar luz sobre sistemas planetários. Anteriormente, os cientistas analisavam as propriedades das estrelas como raio, massa e idade considerando as observações de seu brilho e cor. Muitas vezes, as propriedades dessas estrelas não eram conhecidas com precisão suficiente para caracterizar ainda mais os planetas próximos a elas.
 
No novo estudo, os cientistas adotaram uma abordagem diferente para caracterizar os sistemas planetários em volta de estrelas: sismologia, que identifica as propriedades internas de estrelas medindo suas oscilações de superfície. Alguns compararam essa abordagem com o uso dos sismólogos de oscilações sísmicas para examinar o interior da Terra. Eles foram capazes de fazer várias avaliações de traços da estrela, incluindo a sua massa, raio, idade e – pela primeira vez – a rotação interna. Os pesquisadores usaram o telescópio espacial CoRoT, parte de uma missão espacial liderada pela Agência Espacial Francesa em conjunto com a Agência Espacial Europeia para detectar pequenas variações na intensidade da luz das estrelas.
 
 Assim, confirmaram a validade dos resultados sísmicos, comparando-os com medições independentes de fenômenos relacionados. Estes incluíram o movimento de manchas escuras na superfície da estrela e sua velocidade de rotação espectroscópica. Ao contrário de outros métodos, a técnica de sismologia retorna tanto o período de rotação da estrela quanto a inclinação do eixo de rotação para a linha de visão. Os cientistas puderam, então, usar essas conclusões para tomar uma decisão mais definitiva sobre um exoplaneta em órbita na estrela.
 
Embora ele já havia sido identificado como exoplaneta por outros cientistas, algumas dúvidas foram levantadas sobre esta conclusão, indicando que o planeta poderia ser na verdade uma anã marrom – um objeto muito pequeno para ser uma estrela e muito grande para ser um planeta. Mas, armados com os cálculos precisos que vieram com o estudo da sismologia, os pesquisadores foram capazes de aumentar a segurança da conclusão anterior. Especificamente, devido à inclinação do eixo de rotação da HD 52265 e a massa mínima exoplanetária vizinha, os pesquisadores conseguiram deduzir a verdadeira massa do último – cerca de duas vezes maior que o planeta Júpiter e, por conseguinte, demasiado pequeno para ser uma anã marrom.
Fonte: Hypescience.com
[ScienceDaily]

Spitzer celebra 10 anos no espaço

Uma montagem de imagens obtidas pelo Telescópio Espacial Spitzer ao longo dos anos.Crédito: NASA/JPL-Caltech

Dez anos depois de um foguetão Delta II ter lançado o Telescópio Espacial Spitzer da NASA, iluminando o céu nocturno por cima de Cabo Canaveral, no estado americano da Flórida, o quarto dos Grandes Observatórios da agência espacial continua a fazer brilhar o lado escuro do cosmos com os seus olhos infravermelhos. O telescópio estudou cometas e asteróides, contou estrelas, escrutinou planetas e galáxias, e descobriu "bolas de futebol" de carbono no espaço com o nome de fulerenos. Entrando na sua segunda década de estudo científico a partir de órbita heliocêntrica seguindo a Terra, o Spitzer continua a explorar o cosmos próximo e longínquo.
 
Uma das suas tarefas adicionais é ajudar a NASA a observar candidatos potenciais para uma missão em desenvolvimento com o objectivo de capturar, redireccionar e explorar um asteróide próximo da Terra. "O objectivo de visitar um asteróide até 2025 reúne diversos talentos da NASA num esforço unificado," afirma John Grunsfeld, administrador associado da NASA para ciência em Washington. "O uso do Spitzer para nos ajudar a caracterizar asteróides e alvos potenciais para uma missão avança tanto a ciência como a exploração."
 
Estrelas massivas podem causar estragos nos seus arredores, como visto nesta nova imagem do Telescópio Espacial Spitzer.Crédito: NASA/JPL-Caltech
 
A visão infravermelha do Spitzer deixa ver o lado distante, frio e poeirento do Universo. Mais perto de casa, o telescópio estudou o cometa Tempel 1, que foi atingido pela missão Deep Impact em 2005. O Spitzer mostrou que a composição do Tempel 1 assemelha-se com a de sistemas solares para lá do nosso. O Spitzer também surpreendeu o mundo ao descobrir o maior dos muitos anéis de Saturno. O enorme anel, uma banda fina de gelo e partículas de poeira, é muito fraco no visível, mas os detectores infravermelhos do Spitzer foram capazes de captar o brilho do seu calor. As descobertas mais surpreendentes do Spitzer vieram de fora do nosso Sistema Solar.
 
 O telescópio foi o primeiro a detectar luz de um planeta extrasolar, um feito que não estava no projecto original da missão. Com os estudos correntes desses mundos exóticos, os astrónomos foram capazes de estudar a sua composição, dinâmica e muito mais, revolucionando o estudo das atmosferas exoplanetárias. Outras descobertas e conquistas da missão incluem: a obtenção de um censo completo de estrelas em formação em nuvens próximas; um novo e melhorado mapa da estrutura espiral da Via Láctea e, juntamente com o Hubble, a descoberta de que as galáxias mais distantes conhecidas são mais massivas e maduras do que o esperado.

Estrelas massivas podem causar estragos nos seus arredores, como visto nesta nova imagem do Telescópio Espacial Spitzer.Crédito: NASA/JPL-Caltech
 
"Eu sempre soube que o Spitzer iria funcionar, mas não fazia ideia que seria tão produtivo, emocionante e de duração tão longa como tem sido," afirma Michael Werner, cientista do projecto Spitzer no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, que ajudou a conceber a missão. "As imagens espectaculares que continua a enviar, e a sua ciência de ponta, vão muito além do que poderíamos ter imaginado quando começámos esta jornada há mais de 30 anos atrás. Em Outubro, o Spitzer tentará fazer observações infravermelhas de um pequeno asteróide próximo da Terra com o nome de 2009 DB para melhor determinar o seu tamanho, um estudo que vai ajudar a NASA a melhor compreender candidatos potenciais para a missão de captura e redireccionamento de um asteroide da agência espacial.
 
Este asteróide é um dos muitos candidatos a avaliar. O Spitzer, originalmente chamado SIRTF (Space Infrared Telescope Facility), foi rebaptizado após o seu lançamento em homenagem ao falecido astrónomo Lyman Spitzer. Considerado o pai dos telescópios espaciais, Lymnan Spitzer começou a fazer campanha para colocar telescópios no espaço, longe dos efeitos de desfocagem da atmosfera da Terra, no início da década de 1940. Os seus esforços também levaram ao desenvolvimento e lançamento do Telescópio Espacial Hubble, transportado para órbita pelo vaivém espacial em 1990.

Esta imagem infravermelha do Spitzer mostra a Nebulosa da Hélix, uma jóia cósmica regularmente fotografada por astrónomos amadores pelas suas cores vívidas e estranha semelhança com um olho gigante. Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona
 
Em antecipação ao lançamento do Hubble, a NASA criou o programa Grandes Observatórios para lançar um total de quatro telescópios espaciais desenhados para cobrir uma gama de comprimentos de onda: Hubble, Spitzer, o Observatório de raios-X Chandra e o agora extinto Observatório de raios-gama Compton. A maioria da nossa frota de Grandes Observatórios está ainda no espaço, cada com a sua perspectiva única sobre o cosmos," afirma Paul Hertz, director da Divisão de Astrofísica na sede da NASA em Washington. "A sabedoria de ter telescópios espaciais que cobrem todos os comprimentos de onda foi confirmada pelas descobertas espectaculares feitas por astrónomos de todo o mundo usando o Spitzer e os outros Grandes Observatórios.
 
O Spitzer esgotou o seu líquido refrigerante necessário para arrefecer os instrumentos de maior comprimento de onda em 2009, e entrou na chamada fase de missão quente. Agora, após o seu décimo ano a "descascar" as camadas ocultas do cosmos, a sua jornada continua. "Eu fico muito entusiasmado com as descobertas casuais em áreas que nunca antecipámos," afirma Dave Gallagher, gestor do projecto Spitzer no JPL entre 1999 e 2004, lembrando-o de uma frase de Marcel Proust: "A verdadeira viagem de descoberta não consiste em procurar novas paisagens, mas em ter novos olhos."
Fonte: Astronomia On-Line
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