2 de set de 2013

Pesquisa PESSTO do ESO registra supernova na Messier 74

A pesquisa PESSTO do ESO capturou esta imagem da Messier 74, uma magnífica galáxia em espiral com braços bem definidos. No entanto, o verdadeiro interesse da imagem situa-se numa nova e brilhante adição à galáxia, que apareceu no final de julho de 2013: uma supernova do Tipo II chamada SN2013ej, que podemos ver como a estrela mais brilhante no canto inferior esquerdo. Este tipo de supernova ocorre quando o núcleo de uma estrela de grande massa colapsa devido à sua própria gravidade, no final da sua vida. Este colapso resulta numa explosão enorme que ejeta matéria para o espaço. A detonação resultante pode ser mais brilhante que toda a galáxia que a alberga, estando visível durante semanas ou até meses.
 
A pesquisa PESSTO (sigla em inglês para Public ESO Spectroscopic Survey for Transient Objects) foi concebida para estudar objetos que aparecem brevemente no céu noturno, tais como supernovas. A pesquisa é realizada com o auxílio de uma quantidade de instrumentos montados no NTT (New Technology Telescope), situado no Observatório de La Silla do ESO, no Chile. Esta nova fotografia da SN2013ej foi obtida com o NTT no decorrer desta pesquisa.
 
A SN2013ej é a terceira supernova a ser observada na Messier 74 nesse novo milênio, sendo as outras duas a SN2002ap e a SN2003gd. Essa supernova foi assinalada pela primeira vez a 25 de julho de 2013 pela equipa do telescópio KAIT na Califórnia, e a primeira imagem de pré-recuperação foi tirada pela astrônoma amadora Christina Feliciano, que usou a Câmara Espacial SLOOH de acesso público para observar a região nos dias e horas que precederam a explosão. A Messier 74, na constelação dos Peixes, é um dos objetos de Messier mais difíceis de observar para os astrônomos amadores, devido ao seu tênue brilho de superfície, no entanto a SN2013ej deve ainda poder ser vista por astrônomos amadores atentos durante as próximas semanas, visível como uma estrela tênue que começa a se apagar.
Fonte: http://www.eso.org

Detectada agua na superfície da Lua que indica uma origem profunda

Uma pesquisa lunar financiada pela NASA tem encontrado evidências de que a água pode estar presa em grãos minerais na superfície da Lua e que ela vem de uma fonte desconhecida e profunda abaixo da superfície do nosso satélite. Usando dados do instrumento Moon Mineralogy Mapper (M3) da NASA a bordo da sonda da Organização de Pesquisa Espacial Indiana, Chandrayaan-1, os cientistas remotamente detectaram água magmática, ou água que se originou do interior profundo da Lua, na superfície do satélite. As descobertas foram publicadas na edição de 25 de Agosto de 2013 da revista Nature Geoscience, e representa a primeira detecção dessa forma de água a partir da órbita lunar. Estudos anteriores tinham mostrado a existência da água magmática em amostras lunares que vieram para a Terra durante o programa Apollo da NASA.
 
O instrumento M3 imageou a cratera de impacto lunar Bullialdus, que se localiza perto do equador lunar. Os cientista estavam interessados em estudar essa área pois eles poderiam quantificar da melhor forma possível a quantidade de água dentro das rochas devido à localização da cratera e ao tipo de rocha que ela possui. O pico central da cratera é feito de um tipo de rocha que se forma nas profundezas da crosta lunar e no manto quando o magma é trapeado na subsuperfície. “Essa rocha, que normalmente reside nas profundezas da subsuperfície, foi escavada das profundezas lunares pelo impacto que formou a cratera Bullialdus”, disse Rachel Klima, uma geóloga planetária no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, em Laurel, Md.
 
“Comparado com a região ao redor, nós descobrimos que a porção central dessa cratera contém uma quantidade significante de hidroxila – uma molécula consistindo de um átomo de oxigênio e um átomo de hidrogênio – que é a evidência que as rochas nessa cratera contêm água que se originou das profundezas da superfície lunar”, disse Klima.
 
Em 2009, o instrumento M3 forneceu o primeiro mapa mineralógico da superfície lunar e descobriu moléculas de água nas regiões polares da Lua. Acredita-se que essa água seja uma fina camada formada pelo vento solar que atingiu a superfície da Lua. A cratera Bullialdus está numa região com um ambiente não favorável para o vento solar para produzir quantidades significantes de água na superfície.  Missões da NASA como a Lunar Prospector e a Lunar Crater Observation e instrumentos de sensoriamento como o M3 têm obtidos dados cruciais que fundamentalmente mudaram o nosso entendimento sobre se a água existe na superfície da Lua”, disse S. Pete Worden, diretor de centro do Ames Research Center da NASA em Moffett Filed, na Califórnia. “Similarmente, nós esperamos que as próximas missões da NASA como a Lunar Atmosphere and Dust Environment Explorer, ou LADEE, possam mudar o nosso entendimento sobre o céu lunar”.
 
A detecção da água interna da órbita significa que os cientistas possam começar a testar algumas das descobertas dos estudos amostrais num contexto mais amplo, incluindo regiões que são distantes dos locais onde as naves da missão Apollo pousaram. Por muitos anos, os pesquisadores acreditavam que as rochas da Lua eram secas e que a água detectada nas amostras da Apollo foram contaminações provenientes da Terra.
 
“Agora, que nós detectamos a água que provavelmente se originou no interior da Lua, nós podemos começar a comparar essa água com outras características da superfície lunar”, disse Klima. “Essa água magmática interna também fornece pistas sobre os processos vulcânicos na Lua e sobre sua composição interna, que ajuda a endereçar questões sobre como a Lua se formou, e como os processos magmáticos se alteraram à medida que a Lua se resfriou”.
 
O instrumento Moon Mineralogy Mapper foi selecionado como uma Mission of Opportunity pelo NASA Discovery Program. O Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, em Pasadena, na Califórnia, desenhou e construiu o Moon Mineralogy Mapper e é o lar do seu gerente de projeto, Mary White. O JPL gerencia o programa para o Science Mission Directorate da NASA em Washington. Carle Pieters da Universidade Brown, em Providence, foi o principal pesquisador. Joshua Cahill e David Lawrence do APL e Justin Hagerty do Astrogeology Science Center do U.S. Geological Survey em Flagstaff, Arizona, são coautores do artigo. A sonda Chandrayaan-1 foi construída, lançada e é operada pela Organização de Pesquisa Espacial Indiana.
Fonte: NASA

Buraco negro da Via Láctea rejeita matéria

© Chandra (região do buraco negro Sagittarius A*)
 
Astrônomos usando o Observatório de Raios-X Chandra, da NASA deram um grande passou para explicar por que o material ao redor do buraco negro gigante no centro da Via Láctea é extraordinariamente fraco em raios-X. Essa descoberta tem implicações importantes para o entendimento dos buracos negros. Novas imagens do Chandra feitas do Sagittarius A* (Sgr A*), que está localizado a aproximadamente 26000 anos-luz de distância da Terra, indicam que menos de 1% do gás inicialmente dentro do poder gravitacional do Sgr A* atingiu o ponto sem volta, também chamado de horizonte de eventos. Ao invés disso, boa parte do gás é ejetado antes de chegar perto do horizonte de eventos e tem assim a chance de brilhar, levando a emissão de frágeis raios-X.
 
Esses novos achados são os resultados de uma das mais longas campanhas de observação já realizadas pelo Chandra. A sonda coletou cinco semanas de dados do Sgr A* em 2012. Os pesquisadores usaram esse período de observação para capturar imagens detalhadas e sensíveis aos raios-X e a assinatura de energia do gás super aquecido que gira ao redor do Sgr A*, que tem uma massa aproximadamente 4 milhões de vezes maior que o Sol.
 
Nós achamos que a maior parte das grandes galáxias possuem buracos negros supermassivos em seu centro, mas elas estão muito longe para serem estudadas em detalhes e para sabermos como a matéria chega perto do buraco negro”, disse Q. Daniel Wang da Universidade de Massachussetts em Amherst, que liderou o estudo publicado na revista Science. “O Sgr A* é dos poucos buracos negros próximos o suficiente para que possamos testemunhar esse processo”. Os pesquisadores descobriram que os dados do Chandra do Sgr A* não suportam os modelos teóricos onde os raios-X são emitidos de uma concentração de estrelas de baixa massa ao redor do buraco negro. Ao invés disso, os dados de raios-X mostram o gás perto do buraco negro provavelmente originado de ventos produzidos pela distribuição em forma de disco das jovens estrelas massivas.
 
“Essa nova imagem do Chandra é uma das mais legais que eu já vi”, disse o coautor Sera Markoff, da Universidade de Amsterdan na Holanda. “Nós estamos vendo o Sgr A* capturar gás quente ejetado pelas estrelas próximas, e afunila-lo em direção ao horizonte de eventos”. Para mergulhar no horizonte de eventos, o material capturado pelo buraco negro precisa perder calor e momento. A ejeção de matéria permite que isso ocorra.
 
“A maior parte do gás precisa ser expelido para fora, assim, uma pequena quantidade alcança o buraco negro”, disse o coautor Feng Yuan, do Observatório Astronômico de Shangai, na China. “Ao contrário do que algumas pessoas pensam, os buracos negros na verdade não devoram tudo que é puxado em sua direção. O Sgr A* está aparentemente encontrando boa parte do seu alimento difícil de engolir”.
 
O gás disponível para o Sgr A* é muito difuso e super quente, assim é difícil para o buraco negro capturar esse gás e o engolir. Os buracos negros que energizam quasares e produzem enormes quantidades de radiação possuem um reservatório de gás mais frio e mais denso do que o do Sgr A*. O horizonte de eventos do Sgr A* gera uma sombra contra a matéria brilhante ao redor do buraco negro. Essa pesquisa poderia ganhar esforços usando rádio telescópios para observar e entender a sombra. Isso também seria útil para entender o efeito de estrelas orbitando e de nuvens de gás na matéria que flui em direção e para fora do buraco negro.
 
O Marshall Space Flight Center da NASA, em Huntsville, Ala., gerencia o programa Chandra para o Science Mission Directorate da NASA em Washington. O Smithsonian Astrophysical Observatory controla as operações científicas e de voo do Chandra, desde Cambridge, Mass.
Fonte: NASA

Abraçando Orion

Essa nova visão da nuvem de formação de estrela Orion A, feita pelo Observatório Espacial Herschel da ESA mostra a região turbulenta do espaço que abraça a famosa Nebulosa de Orion. A nebulosa localiza-se a aproximadamente 1500 anos-luz de distância da Terra, dentro da Espada de Orion – abaixo das três principais estrelas que formam o cinturão na constelação de Orion. Nessa visão, a nebulosa corresponde à região mais brilhante no centro da imagem, onde ela iluminada pelo grupo de estrelas Trapezium sem seu coração.
 
A cena está repleta com a turbulenta formação de estrelas, a forte radiação ultravioleta de estrelas massivas recém-nascidas explodindo de seus casulos nublados cavando formas etéreas no gás e na poeira ao redor. Filamentos nascem como labaredas de algumas das regiões mais intensas de formação de estrelas, enquanto que os pilares de material mais denso sustentam o fogo por mais tempo. Grandes braços de gás e poeira se estendem da Nebulosa de Orion para formar um anel, enquanto uma coluna de material mais frio atravessa a cena para um halo de material de formação de estrelas nublado acima.
 
Embebido dentro dos filamentos amarelos e vermelhos está um punhado de fontes pontuais: essas fontes são protoestrelas, as sementes de novas estrelas que em breve entrarão em ignição e começarão a inundar as regiões ao redor com uma radiação intensa. As regiões escuras na parte superior da imagem e na parte inferior a direita podem ser vazios, mas na verdade contêm pistas de emissões mais apagadas que não foram enfatizadas nessa imagem.
 
As ilhas vermelhas de emissão na parte inferior direita são também um truque sutil do processamento da imagem para que se possa conectar a nuvem principal com uma emissão muito mais fraca. Os olhos brilhantes nas duas nuvens mais distantes indicam que a ponta de cada pilar já colapsou e está formando estrelas.
Fonte: http://www.esa.int
 
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