1 de out de 2013

Filamentos da Supernova da Vela

Crédito de imagem e direitos autorais: Angus Lau, Y Van, SS Tong (Observatório Âmbito Jade)

A explosão já acabou, mas a sua consequência continua. A aproximadamente onze mil anos atrás, uma estrela na constelação da Vela pôde ser vista explodindo, criando um estranho ponto de luz brevemente visível pelos humanos que viviam no planeta no começo da história da humanidade. As camadas externas da estrela se chocaram com o meio interestelar, gerando uma onda de choque que ainda é visível atualmente. A onda de choque em expansão aproximadamente esférica é visível em raios-X. A imagem acima captura alguns desses gigantescos choques e de seus filamentos na luz visível. À medida que o gás voa para longe da estrela detonada, ele decai, reage com o meio interestelar, produzindo luz em muitas cores diferentes e faixas de energia. Permanecendo no centro da Remanescente de Supernova da Vela, está um pulsar, uma estrela tão densa quanto a matéria nuclear que gira completamente ao redor de si mesma mais de dez vez em um único segundo.
Fonte: http://apod.nasa.gov/apod/ap131001.html

A sonda Cassini da NASA descobre ingrediente de plástico doméstico no espaço

A sonda Cassini da NASA detectou propeno, um produto químico usado para se fazer vasilhas onde se guardam comida, para choques de carros e outros produtos na lua Titã, de Saturno. Essa é a primeira detecção definitiva de um ingrediente plástico em qualquer lua ou planeta que não seja a Terra. Uma pequena quantidade de propeno foi identificada na atmosfera inferior de Titã, pelo instrumento chamado de Composite Infrared Spectrometer, ou CIRS, da sonda Cassini. Esse instrumento mede a luz infravermelha, ou a radiação do calor, emitida de Saturno e de suas luas quase que dá mesma maneira que as nossas mãos sentem o calor do fogo.
 
Propeno, é a primeira molécula descoberta em Titã usando o CIRS. Isolando o mesmo sinal em várias altitudes, dentro da atmosfera inferior, os pesquisadores identificaram o elemento químico com um alto grau de confiança. Os detalhes dessa descoberta foram publicados num artigo da edição de 30 de Setembro de 2013 do Astrophysical Journal Letters.
 
“Esse elemento químico está ao nosso redor em tudo na vida, ele é combinado em longas cadeias para formar um plástico chamado de polipropileno”, disse Conor Nixon, um cientista planetário no Goddard Space Flight Center da NASA em Greenbelt, Md., e principal autor do artigo. “Esse plástico você encontra, por exemplo, numa doceria com o código de reciclagem 5 na base – esse é o polipropileno. O CIRS pode identificar um gás particular brilhando nas camadas inferiores da atmosfera a partir da sua assinatura térmica única. O desafio é isolar essa assinatura dos sinais de todos os outros gases ao redor.
 
A detecção de um elemento preenche um misterioso vazio existente nas observações em Titã que datam desde que a sonda Voyager 1 fez seu primeiro sobrevoo pela lua em 1980. A Voyager identificou muitos dos gases na atmosfera marrom e nublada de Titã como sendo hidrocarbonetos, os elementos químicos que primariamente constituem o petróleo e outros combustíveis fósseis na Terra. Em Titã, os hidrocarbonetos se formam depois que a luz do Sol quebra parte do metano, o segundo gás em maior quantidade na atmosfera. Os novos fragmentos podem se unir e formar cadeias de dois, três, ou mais carbonos. A família de elementos químicos com dois carbonos inclui o gás inflamável etano. O propano, um combustível comum, pertence a família com três carbonos.
 
Anteriormente, a Voyager encontrou propano, o membro mais pesado da família com três carbonos, e propeno, um dos membros mais leves. Mas um dos elementos químicos intermediários, como o propeleno, estava perdido. Mesmo com os pesquisadores continuando a descobrir mais e mais elementos químicos na atmosfera de Titã, usando instrumentos baseados no espaço e na Terra, o propeleno ainda permanecia elusivo. Ele foi finalmente descoberto como um resultado de análises mais detalhadas feitas dos dados do CIRS.
 
“Essas medidas foram muito difíceis de serem feitas pois a assinatura fraca do propeleno é disfarçada por outros elementos relacionados com sinais mais fortes”, disse Michael Flasar, cientista do Goddard e principal pesquisador do instrumento CIRS. “Esse sucesso aumenta nossa confiança de que nós encontraremos ainda mais elementos químicos escondidos na atmosfera de Titã. O espectrômetro de massa da Cassini, um aparelho que olha a composição da atmosfera de Titã, já tinha antes dado pistas de que o propeleno poderia estar presente na atmosfera superior. Contudo, uma identificação positiva não tinha sido feito ainda.
 
“Eu sempre fico feliz quando os cientistas descobrem moléculas que nunca tinham sido observadas antes na atmosfera”, disse Scott Edgington, cientista de projeto da Cassini no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena, na Califórnia. “Essa nova peça do quebra-cabeça fornecerá um teste adicional de como nós entendemos bem o verdadeiro zoológico químico que é a atmosfera de Titã”. A missão Cassini-Huygens é um projeto cooperativo da NASA, da Agência Espacial Europeia e da Agência Espacial Italiana. O JPL, uma divisão do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena, gerencia a missão para o Science Mission Directorate da NASA em Washington. A equipe do CIRS fica baseada no Goddard.

Telescópios espaciais encontran nuvens em mundos exóticos

Kepler-7b (esquerda), que tem 1,5 vezes o raio de Júpiter (direita), é o primeiro exoplaneta a ter as suas nuvens mapeadas. O mapa de nuvens foi produzido graças a dados obtidos pelos telescópios espaciais Kepler e Spitzer da NASA.Crédito: NASA/JPL-Caltech/MIT
 
Astrónomos usando dados obtidos pelos telescópios espaciais Kepler e Spitzer criaram o primeiro mapa de nuvens de um planeta fora do nosso Sistema Solar, um mundo escaldante tipo-Júpiter conhecido como Kepler-7b. O planeta é marcado por nuvens altas no céu a Oeste e céus limpos a Este. Estudos anteriores pelo Spitzer resultaram em mapas de temperatura de planetas em órbita de outras estrelas, mas este é o primeiro olhar para as estruturas de nuvens num mundo distante.
 
Ao observar este planeta com o Spitzer e com o Kepler durante mais de três anos, fomos capazes de produzir um 'mapa' com resolução muito baixa deste planeta gigante gasoso," afirma Brice-Olivier Demory do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em Cambridge, EUA. Demory é o autor principal de um artigo aceite para publicação na revista Astrophysical Journal Letters. "Nós não esperaríamos ver oceanos e continentes neste tipo de mundo, mas detectámos uma assinatura clara e reflectiva que interpretamos como nuvens."
 
O Kepler já descobriu mais de 150 exoplanetas, planetas para lá do nosso Sistema Solar, e Kepler-7b foi um dos primeiros. As problemáticas rodas de reacção do telescópio impedem-no de caçar mais planetas, mas os astrónomos continuam a estudar os dados recolhidos durante quase quatro anos. As observações das "fases" tipo-lua em Kepler-7b, no visível, levaram ao primeiro mapa do planeta que mostrava uma mancha brilhante no seu hemisfério ocidental. Mas estes dados não eram suficientes por si próprios para decifrar se a mancha vinha de nuvens ou de calor. O Telescópio Espacial Spitzer desempenhou um papel crucial na resposta a esta pergunta.
 
Tal como o Kepler, o Spitzer consegue fixar o seu olhar num sistema estelar à medida que o planeta orbita em torno da estrela, reunindo pistas sobre a atmosfera do planeta. A capacidade do Spitzer em detectar luz infravermelha significa que foi capaz de medir a temperatura de Kepler-7b, estimando que esteja entre 1100 e 1300 Kelvin. Isto é relativamente frio para um planeta que orbita tão perto da sua estrela -- até 0,06 unidades astronómicas (uma unidade astronómica é a distância entre a Terra e o Sol) -- e, de acordo com os astrónomos, demasiado fria para ser a fonte de luz observada pelo Kepler.
 
Em vez disso, determinaram que a luz da estrela está a ser reflectida pelo planeta desde o topo das nuvens localizadas no lado ocidental. Kepler-7b reflecte muito mais luz do que os planetas mais gigantes que encontramos, característica que atribuímos às nuvens na atmosfera superior," afirma Thomas Barclay, cientista do Kepler no Centro de P6esquisa Ames da NASA em Moffett Field, Califórnia. "Ao contrário daqueles na Terra, os padrões de nuvens do planeta não parecem mudar muito ao longo do tempo - tem um clima notavelmente estável."
 
Os resultados são um passo inicial em direcção a usar técnicas semelhantes para estudar as atmosferas de planetas mais parecidos com a Terra em composição e tamanho. Com o Spitzer e Kepler juntos, temos uma ferramenta multi-comprimento para conseguir boas observações de planetas a biliões de quilómetros de distância," afirma Paul Hertz, director da Divisão de Astrofísica da NASA em Washington. "Estamos agora num ponto da ciência exoplanetária em que nos movemos para além de apenas detectar exoplanetas, entrando no emocionante campo de os tentar compreender."
 
O Kepler identificou planetas ao observar quedas na luz estelar que ocorrem quando um planeta transita, ou passa em frente da sua estrela, bloqueando a luz. Esta técnica e outras observações de Kepler-7b revelaram anteriormente que é um dos planetas menos densos conhecidos: se pudesse ser colocado numa banheira com água, flutuaria. Também se descobriu que o planeta completa uma volta em torno da sua estrela-mãe em menos de cinco dias.
Fonte: Astronomia On-Line
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