14 de nov de 2013

Estudo sugere que buracos negros podem emitir jatos de átomos

Descoberta mostra que buracos negros, além de destrutivos, são criadores. Dados foram publicados nesta semana na revista científica 'Nature'.
Imagem feita por telescópio da agência espacial americana mostra buraco negro (Foto: Nasa/ESA)
 
Os buracos negros emitem potentes jatos de matéria em alta velocidade, o que inclui átomos pesados, revelou um estudo publicado esta quarta-feira (13) na revista científica britânica "Nature". Há décadas os astrônomos ficam intrigados com estreitos feixes de matéria expelidos dos buracos negros, o fenômeno mais poderoso do universo. Sabe-se que os jatos contêm elétrons, que são partículas com carga negativa. Mas o enigma é que os jatos não têm todos carga negativa, o que sugere que deve haver "algo" com carga positiva ali para equilibrar as coisas.
 
 Este "algo" pode ser átomos de ferro e níquel, segundo astrônomos que utilizaram o telescópio espacial europeu XMM-Newton e o rádio-telescópio Compact Array, no leste da Austrália. Linhas de átomos foram vistas em emissões exaladas por um pequeno buraco negro denominado 4U1630-47 com dois terços da velocidade da luz. A fonte dos jatos parece ser um disco de acréscimo, um cinturão de gás quente que gira em torno da entrada do buraco. A descoberta é importante porque os buracos negros, além de destrutivos, são criadores também.  Eles reciclam a matéria e a energia do espaço e os jatos ajudam a dar forma quando e onde uma galáxia forma estrelas.
 
Os jatos de buracos negros supermaciços ajudam a determinar o destino de uma galáxia", anunciou em um comunicado Tasso Tzioumis, da Organização Australiana para a Pesquisa Industrial e Científica da Comunidade Britânica (CSIRO, na sigla em inglês). "Então, queremos entender melhor o impacto que os jatos têm em seu ambiente", continuou. Um átomo de ferro é cerca de 100 mil vezes mais maciço do que um elétron, o que significa que carrega muito mais energia do que uma partícula mais leve viajando na mesma velocidade. As colisões com a matéria no espaço interestelar poderiam gerar raios-gama e elétrons, sugeriram os autores.
Fonte: G1

Telescópio espacial mostra colisão das galáxias Antennae

Segundo a Nasa, é a imagem mais nítida desta colisão de galáxias. Regiões de nascimentos de estrelas têm dezenas de milhares delas,
O par de galáxias Antennae está em coalisão há centenas de milhões de anos (Foto: AFP PHOTO / EUROPEAN SOUTHERN OBSERVATORY / F. COMBES)
 
Foi divulgada nesta quinta-feira (14) imagem das galáxias Antennae feita pelo telescópio espacial Hubble. Segundo a Agência Espacial Americana (Nasa), trata-se da imagem mais nítida desta colisão de galáxias. As duas galáxias espirais começaram a interagir há centenas de milhões de anos e durante a colisão serão formadas bilhões de estrelas. As regiões de nascimentos de estrelas, com dezenas de milhares delas, são os pontos mais brilhantes da imagem. Elas são chamadas de aglomerados de superestrelas. De acordo com a Nasa, os dois núcleo das galáxias originais consistem em estrelas antigas atravessadas por filamentos de poeira, que aparecem em marrom na imagem.
 
As regiões azuis são regiões de formação de estrela, rodeadas por gás hidrogênio que aparece em rosa pink. A nova imagem permite que astronautas distingam melhor entre as estrelas e aglomerados de superestrelas criadas em coalisões de duas galáxias em espiral. Astrônomos acreditam que apenas 10% dos aglomerados recém-formados da Antennae vá sobreviver pelos próximos 10 milhões de anos. A grande maioria deverá de dispersar e as estrelas individuais devem se tornar parte do fundo suave da galáxia. Os aglomerados mais massivos que sobreviverem devem formar aglomerados globulares regulares, similares aos que estão em nossa galáxia.
Fonte: G1

Cassini fornece nova visão de Saturno com a Terra, Marte e Vênus

Em 19 de julho de 2013 em um evento celebrado em todo o mundo, sonda Cassini da NASA caiu na sombra de Saturno e se virou para a imagem do planeta, sete de suas luas, seus anéis internos - e, no fundo, o nosso planeta, a Terra. Crédito da imagem: NASA / JPL-Caltech / SSI

A NASA lançou essa semana, uma imagem em cor natural de Saturno visto do espaço, a primeira imagem onde Saturno, suas luas e anéis, e a Terra, Vênus e Marte são vistos todos em único quadro. O novo mosaico panorâmico do grandioso sistema de Saturno foi feito pela sonda Cassini da NASA, e mostra uma visão do planeta como ele seria visto pelos olhos humanos, e foi revelada ao público no Newseum em Washington, na última terça-feira, dia 12 de Novembro de 2013. A equipe de imageamento da Cassini processou 141 imagens de grande angular para criar a visão panorâmica. A imagem varre 651591 quilômetros através de Saturno, e seu sistema interno de anéis, incluindo todos os anéis de Saturno até o Anel E, que é o segundo anel mais externo do planeta.
 
Só para se ter uma ideia, a distância entre a Terra e a Lua caberia confortavelmente dentro do raio do Anel E. Nessa imagem magnífica, a sonda Cassini nos revelou um universo de maravilhas”, disse Carolyn Porco, líder da equipe de imageamento da Cassini no Space Science Institute em Boulder, no Colorado. “E ela foi feita no dia em que as pessoas no planeta Terra, em uníssono, sorriram para Saturno para celebrar a presença viva no pálido ponto azul. O mosaico é parte da campanha da sonda Cassini, chamada de “Wave at Saturn”, onde no dia 19 de Julho de 2013, as pessoas na Terra pela primeira vez souberam de ante-mão que uma sonda iria fazer uma imagem de uma distância planetária. A NASA convidou o público para celebrar encontrando Saturno no céu, acenar para o planeta dos anéis e compartilhar as imagens pela internet.
 
Uma versão anotada do mosaico do Sistema de Saturno mostra alguns pontos interessantes. A Terra é o ponto brilhante azul na parte inferior direita de Saturno. Vênus é o ponto brilhante na parte superior esquerda do planeta. Marte também aparece, como um ponto vermelho apagado, acima e a esquerda de Vênus. Sete luas de Saturno podem ser observadas nessa imagem, Encélado está no lado esquerdo da imagem. Dando um zoom na imagem, é possível revelar a pluma congelada sendo emanada do polo sul de Encélado, pluma essa que pulveriza partículas de gelo e que é responsável por gerar o Anel E.
 
O Anel E, brilha como um halo ao redor de Saturno e de seus anéis mais internos. Pelo fato de ser muito tênue, ele é melhor visto com uma fonte luz atrás, quando as minúsculas partículas são destacadas com a luz graças ao fenômeno da difração. Os cientistas que estudam os anéis de Saturno procuram por padrões ópticos como esses. Eles usam computadores para realçar de forma significativa o contraste das imagens e mudam o balanço de cores, por exemplo, para ver evidências de materiais traçando a órbita de pequenas luas como Anthe e Methone, que foram observadas pela primeira vez por meio dessa técnica.
 
“Esse mosaico fornece uma grande quantidade de dados de alta qualidade nos anéis difusos de Saturno, revelando todos os tipos de estruturas intrigantes que nós sempre estamos tentando entender”, disse Matt Hedman, um cientista participante da Cassini na Universidade de Idaho, em Moscow. “O Anel E em particular, mostra padrões que provavelmente refletem perturbações de diversas fontes como a luz do Sol e a gravidade de Encélado”.
 
A Cassini não tenta fazer muitas imagens da Terra, pois, o Sol está muito perto do nosso planeta e uma imagem direta poderia danificar os sensores da sonda (como acontece com o olho humano olhando diretamente para o Sol). Os membros da Cassini procuraram por uma oportunidade quando o Sol ficaria atrás de Saturno do ponto de vista da sonda. Uma boa oportunidade aconteceu em 19 de Julho de 2013, quando a sonda Cassini foi capaz de capturar uma imagem da Terra e de sua lua, e essa bela imagem do sistema de Saturno iluminado por trás. Com uma longa e intrigante dança ao redor do sistema de Saturno, a Cassini tem como objetivo estudar o planeta da maior quantidade de ângulos possíveis”, disse Linda Spilker, cientista de projeto da Cassini baseada no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena, na Califórnia.
 
“Além de nos mostrar imagens belas do Planeta dos Anéis, os dados como esses também melhoram o nosso entendimento da história dos anéis apagados ao redor de Saturno e a maneira como discos ao redor dos planetas se formam – pistas sobre como o nosso Sistema Solar se formou ao redor do Sol”. Lançada em 1997, a sonda Cassini tem explorado o sistema de Saturno por mais de nove anos. A NASA planeja continuar a missão até 2017, com a obtenção de muito mais imagens de Saturno, seus anéis e luas bem como com a obtenção de muitos outros dados científicos.
 
A missão Cassini-Huygens é um projeto cooperativo da NASA, da Agência Espacial Europeia e da Agência Espacial Italiana. O JPL, uma divisão do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena, gerencia a missão para o Science Mission Directorate da NASA em Washington. O JPL desenhou, desenvolveu e montou o módulo orbital Cassini e suas duas câmeras de bordo. A equipe de imageamento da Cassini fica baseada no Space Science Institute em Boulder, no Colorado.

Para ver o conjunto completo e original de imagens, visite: http://www.jpl.nasa.gov/spaceimages/details.php?id=PIA17172 .
 
Uma nova versão da colagem de fotos feitas pelo público com o Sistema de Saturno de fundo, está disponível em: http://www.jpl.nasa.gov/spaceimages/details.php?id=PIA17679 .
 
Mais informações sobre a Cassini estão disponíveis em: http://www.nasa.gov/cassini e http://saturn.jpl.nasa.gov .
Fonte: NASA

Procura por supertelescópio é intensa e só 10% das pesquisas são aceitas

Com nove antenas, o Alma já era considerado o melhor telescópio no registro de ondas milimétricas e submilimétricas. Quando estiver pronto, ele terá 66 antenas em funcionamento Foto: Matheus Pessel / Terra

A 5 mil metros de altitude, o telescópio Alma é único no mundo. O segundo experimento científico mais caro na superfície do planeta (custou US$ 1,4 bilhão, atrás apenas do LHC) tem a maior capacidade em registrar o espectro eletromagnético de ondas milimétricas e submilimétricas – como nunca foi possível antes. Esse poder levou a uma animação dos astrônomos que querem trabalhar nessa área e superlotou a caixa de correio do telescópio: de cada 10 experimentos propostos ao telescópio, somente um pode ser aceito. Para os outros, não há tempo disponível.
 
"O Alma é, desde que teve a antena número nove operacional, o melhor telescópio em milimétrico e submilimétrico do mundo. O mais poderoso. Tem uma área coletora de fótons maior do que qualquer telescópio que existe. Segundo, por causa do lugar onde está. O Alma está em um lugar onde a atmosfera é super transparente para esse comprimento de onda. Não há nenhuma interferência porque não há vapor de água. Agora estamos observando com 32 antenas", diz ao Terra Gianni Marconi, astrônomo do Alma. Quando estiver completo, o observatório terá 66 antenas operacionais.
 
"Há um fator de 'overbooking'. Como todo projeto de astronomia, no início a pressão é altíssima, porque todos querem fazer o primeiro descobrimento. Quando se começa a observar com uma máquina assim, no primeiro ano se tem o melhor que se pode descobrir, porque são coisas que nunca foram investigadas antes", diz Marconi. Começamos com cerca de 1 mil, 1,1 mil propostas da comunidade internacional. Foram escolhidas 10% dessas propostas", afirma Pierre Cox, diretor do Alma.
 
Um grande projeto colaborativo

Nos dias atuais, para um projeto desse tamanho, é necessário uma grande colaboração internacional. No caso do Alma, as partes são divididas quase igualmente, tendo como maior participante o Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), com cerca de 37%. As demais partes estão com América do Norte (com Estados e Canadá) e Leste Asiático (Japão e Taiwan). Se você considerar a colaboração entre América do Norte e Europa, é o primeiro caso de um grande projeto em que as contribuições eram iguais, metade a metade. Até que o Leste Asiático entrou. Então é um projeto realmente global", diz Cox. 


Para funcionarem corretamente, as antenas do Alma precisam ter uma sincronia de 1 milionésimo de milionésimo de segundo. Além disso, a distância entre cada antena e o computador que reúne os dados precisa ser conhecida com a precisão de equivalente ao diâmetro de um fio de cabelo humano. O equipamento ainda precisa reduzir as perturbações sofridas pelas ondas eletromagnéticas antes destas tocarem cada antena. Para fazer tudo isso, o Alma tem o melhor supercomputador não militar do planeta, o correlator Foto: Matheus Pessel / Terra

 
Para Marconi, a união entre países é necessária para projetos desse tamanho. Isso não significa que a ciência tem menos dinheiro do que no passado, mas que os projetos são mais ambiciosos hoje em dia. "Esse projeto não era possível fazer no passado por questões tecnológicas. Agora, para fazer esse tipo de projeto, que custa muito mais do que se podia fazer antes, é necessário encontrar recurso. E isso só é possível com um grupo de países." "Se você olhar o resultado, a construção foi feita no tempo previsto. Eu acho que é um resultado realmente espetacular. Se você pensar em projetos dessa magnitude – o Alma custou US$ 1,4 bilhão –, eu acredito que será a maneira que seguiremos no futuro, com a colaboração", diz Cox
 
Desafios

A construção do Alma não foi nada simples. Transportar antenas gigantes de três continentes para o deserto mais árido do planeta e colocá-las a 5 mil metros de altitude – o que o transforma no telescópio mais alto do planeta – exigiu um grande esforço dos membros do projeto. "Antes de mais nada, encontrar um lugar. Isso foi um desafio importante. Tomou muitos anos percorrer o mundo para encontrar um lugar onde colocar esse telescópio", diz Marconi. O astrônomo lembra que foi – e ainda é – perigoso trabalhar a uma grande altitude, onde a quantidade de oxigênio é metade do que há no nível do mar.

Ainda mais quando se lida com maquinaria pesada. Trabalhar a essa altitude é difícil para a natureza humana. É difícil concentrar-se. Há muito risco. É muito fácil cometer erros. E os erros, a essa altitude, podem ser fatais", diz Marconi. "Eu visitei este lugar há muito tempo, antes de o Alma ser construído. Tudo teve que ser trazido para cá. Tudo teve que ser construído. Eu acredito que seja o mais complexo telescópio já feito. Tudo foi construído no Japão, na Europa, na América do Norte e então foi combinado aqui. É realmente marcante", diz Cox.
Fonte: Terra 

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