31 de out de 2014

A primeira missão para Marte deveria ser feita só por mulheres



Quantas astronautas mulheres você já teve a oportunidade de presenciar em grandes feitos da humanidade em expedições espaciais? Com certeza, elas existem, mas em muito menos quantidade do que os homens. E, pasme, até mesmo a agência do governo dos Estados Unidos da América acha que elas se saem muito melhor. No ano de 2013, a NASA anunciou sua nova equipe com oito novos recrutas e, pela primeira vez, o número de mulheres astronautas se igualou à quantidade de homens. Agora, são quatro de cada sexo. Esse foi um grande avanço frente a essa profissão antes dominada quase que exclusivamente pelo sexo masculino.

A história das mulheres no espaço

Esta não é a primeira vez que a NASA teve a oportunidade de enviar um grupo de mulheres para o espaço. Na década de 60, quando os pilotos do programa espacial ainda estavam se preparando, 13 astronautas do sexo feminino passaram pelos mesmos testes físicos e psicológicos que os homens tiveram que passar. Mas antes que qualquer uma delas pudesse se empolgar com a possibilidade de uma viagem espacial, todas as 13 mulheres receberam telegramas da NASA informando-as de que não seria possível deixar a Terra. Elas foram para Washington defender o seu caso, mas, de qualquer forma, foram rejeitadas pela agência.

A diretoria da NASA e os outros astronautas decidiram que isso seria culturalmente problemático. Como relatado no livro “The Mercury 13” de Martha Ackmann, de 2003, o influente astronauta John Gleen disse: “Os homens podem sair, lutar em guerras, voar em aviões e ainda assim voltar e ajudar a projetar e construir espaçonaves. Ele ainda complementou: “O fato de que as mulheres estão nesse campo não é da nossa ordem social. Isso pode ser bem indesejável por todos”. Gleen testemunhou perante o Subcomitê da Câmara de Ciência e Astronáutica. Scott Carpenter fez o mesmo, testemunhando contra as mulheres, mas se arrependeu mais tarde.

E então elas conseguiram

Em 1963, Valentina Tereshkova foi a primeira mulher a ir para o espaço, mas somente 20 anos depois é que uma mulher americana teve a chance de seguir para uma viagem espacial. Em 1983, Sally Ride quebrou essa barreira. E em 1999, a primeira mulher a comandar uma missão espacial foi Eileen Collins. Das 13 mulheres iniciais, a instrutora de voo Wally Funk — que, segundo relatos, quando foi testada, se saiu melhor que muitos homens, inclusive melhor que John Gleen — ainda sonha em fazer um voo espacial. Na época, ela contou sobre a sua decepção em ser descriminada: “Já acabou o tempo em que as mulheres tinham que estar na cozinha”.

Mas se as mulheres não forem tão boas quanto os homens, mas sim melhores do que eles?

Kate Greene contou a sua experiência nos testes para o programa HI-SEAS (Hawaii Space Exploration Analog and Simulation) da NASA. Ela argumenta que o gasto com as mulheres é menor e elas são mais adequadas para as viagens interestelares. A razão dada é que as mulheres comem menos e ocupam menos espaço. Ela detalhou um teste de corrida feito que mostrou que três tripulantes do sexo feminino gastam menos da metade das calorias de três homens. “Estávamos todos exercendo os mesmos minutos de exercícios, cerca de 45 por dia, durante 5 dias consecutivos, mas nossos metabolismos foram calibrados de formas radicalmente diferentes”. “Durante uma semana, um homem metabolicamente ativo consumia cerca de 3.450 calorias por dia, enquanto uma mulher nas mesmas condições precisa de mais ou menos 1.475 calorias por dia. Era raro para nós termos mais de 2 mil calorias diariamente, enquanto para os membros do sexo masculino de nossa tripulação era normal passar dos 3 mil”, ela concluiu.

Analisando todos os fatos

Essa simulação permite que a NASA tenha dados precisos sobre pessoas reais em circunstâncias que poderiam realmente acontecer em uma missão espacial. Greene não apenas fez o seu argumento a partir dessas informações, como também verificou os relatórios enviados para a agência por Alan Drysdale. Ele comparou uma mulher pequena com um homem grande em termos de necessidades energéticas. “Drysdale descobriu que uma mulher pequena usaria menos da metade dos recursos de um homem grande”, Greene disse, cheia de esperança, e espera que logo possamos ter uma mulher assim na equipe. As mulheres pequenas não são mais burras do que as mulheres grandes ou os homens grandes, por isso não há razão para escolherem as pessoas maiores para uma tripulação de voo quando é o poder do cérebro que conta. A única coisa lógica a se fazer é enviar as mulheres pequenas para voar e entrar para as estatísticas”.

Quem sabe um dia

Se as mulheres se saem bem nos testes físicos e psicológicos necessários para um voo espacial — e existem evidências de que elas se saem melhor com as tensões de se trabalhar em um espaço pequeno e com uma equipe limitada — e se elas usam menos recursos, poupam dinheiro e combustível, por que é que não temos mais astronautas do sexo feminino? Porém, não é surpreendente quando se considera pressupostos culturais e estereótipos de longa data colocados sobre as mulheres. Essas coisas têm sido o que realmente estão segurando as astronautas do sexo feminino, especialmente quando se trata de uma exploração espacial. Mas quem sabe um dia, não é mesmo?
Fonte: Mega Curioso

O que o Philae fará durante a descida até o cometa

O que o Philae fará durante a descida até o cometa



Pouso no cometa


Este infográfico resume o trabalho científico que será realizado pelo módulo Philae, que se desprenderá da sonda espacial Rosetta e pousará no cometa 67P. O pouso histórico está previsto para ocorrer às 6h35 da manhã (horário de Brasília) do próximo dia 12 de novembro.

Os horários foram fornecidos no fuso internacional GMT - duas horas a mais em relação a Brasília.[Imagem: ESA]

A descida do robô Philae deverá durar sete horas, e as medições serão realizadas durante todo o percurso, e continuarão imediatamente após tocar no cometa. Devido à distância, o sinal de confirmação da separação do robô deverá chegar à Terra cerca de 28 minutos mais tarde (7h03).

A confirmação da aterragem deverá chegar às 14h00. Se o robô conseguir se firmar corretamente na superfície do cometa, as medições seguirão de forma contínua, com os dados sendo transmitidos para a sonda Rosetta e, de lá, para a Terra.

Fonte: Inovação Tecnológica


15 Anos do observatório de raios-X Chandra da NASA

A cluster of galaxies in the constellation Hydra.

Essa imagem do Observatório de Raios-X Chandra do aglomerado de galáxias Hydra A foi feita no dia 30 de Outubro de 1999, com o instrumento chamado Advanced CCD Imaging Spectrometer (ACIS) em uma observação que durou cerca de seis horas. Hydra A é um aglomerado de galáxias que está localizado a cerca de 840 milhões de anos-luz de distância da Terra. O aglomerado tem esse nome devido à forte fonte de rádio, Hydra A, que se origina de uma galáxia perto do centro do aglomerado. Observações ópticas mostram algumas centenas de galáxias no aglomerado. As observações em raios-X feitas pelo Chandra revelaram uma grande nuvem de gás quente que se estende através do aglomerado. A nuvem de gás tem alguns milhões de anos-luz de diâmetro e tem uma temperatura de cerca de 40 milhões de graus nas partes mais externas caindo para cerca de 35 milhões de graus na região mais interna.

O Observatório de Raios-X Chandra, da NASA foi lançado ao espaço a 15 anos atrás a bordo do Ônibus Espacial Columbia. Desde que foi colocado no espaço em 23 de Julho de 1999 o Chandra tem ajudado a revolucionar o entendimento que temos do universo através da sua visão de raio-X. O Chandra, é um dos atuais “Grandes Observatórios” da NASA, juntamente com o Telescópio Espacial Hubble, e com o Telescópio Espacial Spitzer, e é especialmente desenhado para detectar a emissão de raios-X das regiões quentes e energéticas do universo. Os vídeos abaixo mostram um pouco dessa história. O primeiro vídeo é um curto documentário mostrando as principais descobertas do Chandra nesses 15 anos de atividade, e o segundo vídeo mostra como o Columbia soltou e colocou em órbita esse grande observatório.
Fonte: NASA

Hubble observa "LUZ FANTASMA" de galáxias mortas

O gigantesco enxame galáctico Abell 2744, também chamado de Enxame de Pandora, fica com uma parecença fantasmagórica quando a luz estelar total é artificialmente colorida em azul nesta imagem do Hubble. Crédito: NASA/ESA/IAC/Equipa do HFF, STScI

O Telescópio Hubble da NASA/ESA detectou o brilho ténue e fantasmagórico de estrelas expelidas de galáxias antigas que foram gravitacionalmente rasgadas há vários milhares de milhões de anos atrás. O caos aconteceu a 4 mil milhões de anos-luz de distância, dentro de uma grande colecção de quase 500 galáxias apelidada de "Enxame de Pandora", também conhecido como Abell 2744. As estrelas espalhadas já não estão vinculadas a qualquer uma galáxia, derivam livremente entre galáxias no enxame. Ao observar a luz destas estrelas "órfãs", os astrónomos do Hubble reuniram provas forenses que sugerem que até seis galáxias foram rasgadas em pedaços dentro do enxame ao longo de 6 mil milhões de anos.

Os modelos computacionais da dinâmica gravitacional entre galáxias num enxame sugerem que galáxias tão grandes como a nossa Via Láctea são as prováveis candidatas à origem das estrelas. As galáxias condenadas teriam sido despedaçadas se mergulhadas através do centro de um aglomerado galáctico onde as forças gravitacionais de maré são mais fortes. Os astrónomos há muito que teorizam que a luz destas estrelas espalhadas podia ser detectável após a desagregação destas galáxias. No entanto, o brilho previsto das estrelas no "intra-enxame" é muito ténue e foi, portanto, um desafio para identificar.

"Os dados do Hubble que revelaram a luz fantasmagórica são passos importantes para a compreensão da evolução dos enxames de galáxias," afirma Ignacio Trujillo, do Instituto de Astrofísica das Canárias, em Santa de Cruz de Tenerife, Espanha. "Também é incrivelmente importante porque encontrámos o brilho usando as capacidades únicas do Hubble."

A equipe estima que a luz combinada de aproximadamente 200 milhões de estrelas marginalizadas contribui com aproximadamente 10% do brilho do enxame. "Os resultados estão de acordo com o que foi previsto acontecer dentro de gigantescos aglomerados de galáxias," afirma Mireia Montes, também do mesmo instituto, autora principal do artigo publicado na edição de 1 de Outubro da revista The Astrophysical Journal. Porque estas estrelas extremamente ténues são mais brilhantes nos comprimentos de onda do infravermelho próximo, a equipa enfatizou que este tipo de observação só poderia ser alcançado com a sensibilidade infravermelha do Hubble para radiação extraordinariamente ténue.

As medições do Hubble determinaram que as estrelas "fantasmas" são ricas em elementos mais pesados como o oxigénio, o carbono e o azoto. Isto significa que as estrelas espalhadas devem ser estrelas de segunda ou terceira geração enriquecidas com os elementos fabricados nos corações de estrelas de primeira geração do Universo. As galáxias espirais - como as que se acredita terem sido dilaceradas - podem sustentar a formação de estrelas quimicamente enriquecidas. Com uma massa superior a 4 biliões de sóis, Abell 2744 é um dos alvos do programa Frontier Fields. Este ambicioso esforço de três anos junta o Hubble com outros Grandes Observatórios da NASA para observar enxames galácticos e ajudar os astrónomos a estudar o Universo remoto.

Os enxames de galáxias são tão massivos que a sua gravidade desvia a luz que passa através deles, ampliando, aumentando e distorcendo a luz num fenómeno chamado lente gravitacional. Os astrónomos exploram esta propriedade do espaço e usam os enxames como uma lupa para ampliar as imagens de galáxias ainda mais distantes que de outra forma seriam demasiado fracas para observação. A equipa de Montes usou dados do Hubble para examinar o ambiente do próprio enxame. Existem outros cinco enxames no programa Frontier Fields, e a equipa planeia procurar a misteriosa "luz fantasma" também nesses aglomerados.
Fonte: Astronomia Online - Portugal

30 de out de 2014

Disco de formação planetária é descoberto em sistema estelar binário pelo ALMA

ALMA examina uma “roda dentro doutra roda” de poeira e gás
Com o auxílio do ALMA os astrónomos detectaram, pela primeira vez, uma corrente de gás que flui desde um disco externo massivo até ao interior de um sistema binário de estrelas. Esta configuração, nunca observada até agora, pode ser responsável por manter um segundo disco de formação planetária, mais pequeno, que, de outro modo, teria desaparecido completamente há muito tempo. Metade das estrelas do tipo solar nascem em sistemas binários e, por isso, esta descoberta tem consequências importantes na procura de exoplanetas. Estes resultados são publicados na revista Nature a 30 de outubro de 2014. Um grupo de investigação liderado por Anne Dutrey do Laboratório de Astrofísica de Bordeaux, em França, e CNRS, utilizaram o Atacama LargeMillimeter/submillimeter Array (ALMA) para observar a distribuição de gás e poeira num sistema estelar múltiplo chamado GG Tau-A.

Este objeto tem apenas alguns milhões de anos de idade e situa-se a cerca de 450 anos-luz de distância da Terra na constelação do Touro. Tal como um roda dentro de uma roda, o GG Tau-A contém um disco exterior maior, que circunda todo o sistema, e um disco interior mais pequeno que se situa em torno da estrela central. Este segundo disco tem uma massa equivalente à de Júpiter e a sua presença tem constituído um mistério para os astrónomos, uma vez que este objeto se encontra a perder matéria para a estrela central a uma taxa tal que deveria já ter-se esgotado completamente há muito tempo atrás. Ao observar estas estruturas com o auxílio do ALMA, a equipa descobriu nodos de gás na região que se situa entre os dois discos. As novas observações sugerem que existe material que está a ser transferido do disco exterior para o disco interior, criando um tipo de corda de salvamento entre os dois.

“Embora em simulações de computador já se tivesse previsto matéria a fluir na região entre os dois discos, é a primeira vez que tal fenómeno é efetivamente observado. O facto de termos detectado estes nodos de matéria, indica-nos que o material se desloca entre os dois discos, permitindo que um se alimente do outro,” explica Dutrey. “Estas observações demonstram que o material do disco exterior consegue sustentar o disco interior durante muito tempo, facto este que tem consequências importantes na potencial formação planetária do sistema. Os planetas nascem da matéria que sobra da formação da estrela. Trata-se de um processo lento, o que significa que a presença de um disco que se mantenha durante muito tempo é um pré-requisito para a formação de planetas. Se o processo de “alimentação” do disco interior agora observado pelo ALMA ocorrer noutros sistemas estelares múltiplos, esta descoberta aponta-nos para um vasto número de novas localizações potenciais para encontrar planetas no futuro.

A primeira fase da procura de exoplanetas foi dirigida a estrelas individuais, como o Sol.  Mais recentemente mostrou-se que uma grande fração de planetas gigantes orbitam sistemas binários de estrelas. Agora, os investigadores começaram a investigar a possibilidade de planetas orbitarem estrelas individuais inseridas em sistemas estelares múltiplos. Esta nova descoberta apoia a possível existência de tais planetas, fornecendo aos “caçadores” de exoplanetas novos campos por explorar. Emmanuel Di Folco, co-autor do artigo científico que descreve estes resultados, conclui: “Quase metade das estrelas do tipo solar nasceram em sistemas binários, o que significa que acabámos de descobrir um mecanismo para sustentar a formação planetária que pode ser aplicado a um número significativo de estrelas da Via Láctea. As nossas observações são um enorme passo em frente na verdadeira compreensão da formação planetária.”

Um “Fantasma” na parte oriental da Nebulosa do Véu

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Formas e rostos assustadores são uma marca da época de Halloween. Eles também assombram esta imagem cósmica da parte oriental da Nebulosa do Véu. A Nebulosa do Véu em si é um grande remanescente de supernova, a nuvem de detritos em expansão a partir da explosão mortal de uma estrela massiva. Enquanto o Véu é mais ou menos de forma circular e abrange cerca de 3 graus no céu, na constelação do Cisne (em latim: Cygnus), esta parte oriental abrange apenas meio grau, aproximadamente o tamanho aparente da Lua. Isso significa que tem 12 anos-luz de extensão, à distância estimada da Nebulosa do Véu em cerca de 1.400 anos-luz do planeta Terra. Na composição dos dados de imagem registrados através de filtros de bandas larga e estreita, a emissão dos átomos de hidrogênio no remanescente é mostrado em vermelho, com a forte emissão de átomos de oxigênio em tons de azul e verde. É claro, na parte ocidental do Véu reside outra aparição da temporada, a Vassoura da Bruxa.

O Movimento Retrógrado do Planeta Marte

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Por que o planeta Marte, parece se mover para trás? Na maioria das vezes, o movimento aparente do planeta Marte, no céu da Terra ocorre em uma direção, vagaroso, porém constante na frente do fundo estrelado. A cada dois anos aproximadamente, contudo, a Terra passa Marte, enquanto ela orbita o Sol. Durante a mais recente dessas passagens, que começou no final de 2013, Marte, como sempre, pairava grande e brilhante no céu. Também, durante essa época, Marte parecia se mover para trás, no céu, num fenômeno chamado de movimento retrógrado. Acima, pode-se ver, uma série de imagens empilhadas digitalmente, de modo que todas as estrelas de fundo coincidam. Aqui, Marte parece traçar um loop estreito no céu. No centro do loop, a Terra passou Marte e o movimento retrógrado atingiu seu ponto máximo. O movimento retrógrado também pode ser visto para outros planetas no Sistema Solar.

29 de out de 2014

A vida pode ter surgido muito antes do que nós imaginávamos

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A vida no universo pode ser muito mais antiga do que se pensava, se formando apenas 15 milhões de anos após o Big Bang. Nesse cenário de início do universo, planetas rochosos nasceram das sobras de massivas estrelas primordiais que teriam sido aquecidas pelo calor de uma radiação que permeava todo o espaço, que era muito mais quente na época do que é agora. Um desses mundos antigos poderia ter água líquida em sua superfície independentemente da sua distância de uma estrela e, portanto, pode ter sido habitável para formas primitivas de organismos, assim como a Terra, explica Avi Loeb, que preside o Departamento de Astronomia de Harvard (EUA). Com a descoberta de exoplanetas, os cientistas estão começando a considerar seriamente que a vida-como-nós-conhecemos exista em outros lugares. “O que eu estou dizendo é que ela também pode ser estendida a outros tempos, anteriores ao nosso”, explica Loeb. Loeb afirma que, se comprovada, a sua ideia enfraqueceria a teoria do princípio antrópico. Esta teoria, popular entre muitos cientistas, postula que os valores das principais leis e constantes do universo, como a força eletromagnética, a massa de um nêutron e, talvez a mais importante, a densidade de energia do próprio espaço vazio, conhecida como a constante cosmológica, parecem estar bem afinados para sustentar a vida como a conhecemos. Caso contrário, ela não existiria.
  
Mas, se a vida pudesse se desenvolver em condições tão extremas e estranhas como as do início do universo, então, os cientistas precisam revisitar a ideia de que as condições em nosso próprio universo maduro são exclusivamente adequadas para abrigar a vida. “Há cosmólogos que argumentam que os valores da constante cosmológica que observamos hoje devem ser como são para que pudéssemos existir na superfície de um planeta como a Terra, em torno de uma estrela como o sol, em uma galáxia como a Via Láctea. Mas esse pode não ser o caso. A vida pode ter começado muito mais cedo, quando a constante cosmológica era muitas ordens de magnitude maior do que é hoje, durante um tempo que, de acordo com o princípio antrópico, a vida não poderia sobreviver”, contrapõe Loeb.

“Se for esse o caso, então o universo não foi projetado para nós existirmos nele. Podemos ser os retardatários e não o centro do universo biológico. A vida existia anteriormente. Não há nenhum problema nisso”, acrescenta. O que Loeb percebeu foi que a temperatura da Radiação Cósmica de Fundo em Microondas, uma relíquia radioativa deixada pelo Big Bang que permeia todo o universo, tem variado muito ao longo do tempo. Hoje, ela está perto de zero absoluto; 400 mil anos depois do Big Bang, durante uma era conhecida como “recombinação”, quando átomos de hidrogênio se formaram, ela estava quase tão quente quanto a superfície do sol. Mas, durante uma janela de tempo muito breve, entre 10 e 17 milhões anos após o Big Bang, a temperatura esteve em cerca de 26 graus Celsius, próximo à temperatura ambiente.

Este período também coincide mais ou menos com o que alguns cálculos teóricos sugerem que as primeiras estrelas do universo poderiam ter se formado. Quando essas estrelas antigas – que tinham a massa do nosso sol e uma expectativa de vida muito menor – morreram, elas teriam explodido como supernovas e semeado o espaço ao seu redor com os elementos pesados ​​necessários para a criação de planetas rochosos. Uma vez formados, esses mundos iniciais não precisariam do calor de estrelas para aquecê-los, porque teriam sido envolvidos pelo espaço que foi aquecido pela Radiação Cósmica.
“Assim, a primeira vez que a vida pode ter começado foi cerca de 15 milhões de anos após o Big Bang. A idade atual do universo é cerca de 13,8 bilhões de anos, então estamos falando de uma época em que o universo tinha apenas um décimo de 1% de sua idade atual”, explica Loeb.

Greg Laughlin, astrônomo da Universidade da Califórnia, nos EUA, diz que a teoria de Loeb é muito “fora da caixa”, e que está quase certamente errada – mesmo porque a maioria das hipóteses científicas vêm a ser incorretas. “Eu não apostaria dinheiro que a vida existiu naquele início de tempo”, contrapõe Laughlin, que não esteve envolvido no estudo. No entanto, ideias como a que Loeb propõe são úteis, segundo Laughlin, porque ajudam a chegar no que é considerado possível. “Isso mostra que precisamos considerar os ambientes que são muito diferentes do que temos aqui na Terra. Eu acho que a ideia de que há planetas habitáveis ​​que são exatamente iguais à Terra, orbitando estrelas como o sol, é ingênua. Esses tipos de especulações amplas fazem um trabalho muito bom ao ampliar a discussão de formas que são úteis”, conclui.
Fonte: HypeScience.com

28 de out de 2014

Como evitar a colisão fatal de um asteroide com a Terra

Como evitar a colisão fatal de um asteroide com a Terra

Precisamos Testar

Os cálculos indicam que mais de 10.000 asteroides e cometas, dos mais diversos tamanhos, orbitam em faixas que os colocam em risco de colisão com a Terra. E os cálculos também indicam que basta um objeto de 50 metros de diâmetro para destruir uma cidade inteira, ou até mais, dependendo de onde ele cair. Para tentar prevenir desastres desse tipo, a União Europeia criou um grupo de trabalho, chamado NEOShield, para tentar encontrar formas de desviar ou destruir um asteroide ou cometa que decida transformar a Terra em alvo.

A equipe selecionou e detalhou três técnicas de deflexão:
  • Projétil Cinético - fazer uma nave trombar com o objeto para mudar seu caminho.
  • Trator de gravidade - usar a força gravitacional entre uma espaçonave e o objeto para alterar o seu curso.
  • Desvio por explosão - utilizar uma bomba nuclear para deslocar ou destruir o objeto.

A conclusão da equipe, embora bastante detalhada e descrevendo roteiros de ação, pode ser resumida a: é preciso testar para saber o que é melhor. "Uma missão de teste para demonstrar uma técnica de deflexão em um asteroide que não esteja ameaçando a Terra deve ser seriamente considerada," disse o Dr. Alan Harris, coordenador do projeto. Segundo ele, isto exigirá uma colaboração e uma ação conjunta de todos os países que possuem programas espaciais, sobretudo a NASA e a ESA. Em 2010, uma equipe da NASA já concluíra que não estamos prontos para enfrentar um Impacto Profundo.

Depende do tamanho da ameaça

A equipe indica que as alternativas de deflexão só seriam viáveis para objetos maiores do que 50 metros de diâmetro - daí para baixo seria uma questão de "defesa civil", isto é, é melhor deixar o asteroide vir e contar com a probabilidade de que ele caia no oceano ou em áreas não habitadas - ou acudir os estragos. Os dados preliminares indicam que o projétil cinético seria viável contra asteroides maiores do que 100 e menores do que 1.000 metros de diâmetro, desde que houvesse pelo menos 10 anos de tempo para construção e lançamento da nave. O raio trator gravitacional precisaria de pelo menos 50 anos de antecedência, mas só funcionaria contra objetos com dimensões ao redor dos 100 metros de diâmetro.

Para objetos maiores ou com menos tempo de preparação, a saída seria mesmo alvejar o asteroide com bombas nucleares. Para tranquilizar os mais preocupados, o Dr. Harris lembra que as observações e projeções atuais permitirão saber sobre um possível impacto com décadas de antecedência: "Em um caso desses, os cientistas poderiam começar a trabalhar talvez com 15 anos ou mais de antecedência para preparar uma missão para desviar o objeto. Contudo, quanto mais distante o objeto estiver da Terra quando a ação for tomada, menor será o desvio necessário para tirá-lo da rota de colisão.
Fonte: Inovação Tecnológica

Observatório Chandra identifica impacto de caos cósmico no nascimento estelar

Observações do Chandra dos enxames galácticos de Perseu e de Virgem, que sugerem que a turbulência pode estar a impedir o gás quente de arrefecer, respondendo à questão de longa data do porquê dos grandes enxames galácticos não formarem um grande número de estrelas. Crédito: NASA/CXC/Stanford/I. Zhuravleva et al

De acordo com um novo estudo que usa dados do Observatório de raios-X Chandra da NASA, o mesmo fenómeno que faz com que uma viagem de avião seja acidentada, turbulência, pode ser a solução para um mistério de longa data acerca do nascimento das estrelas, ou da sua ausência. Os enxames de galáxias são os maiores objectos do Universo, mantidos juntos pela gravidade. Estes colossos contêm centenas ou milhares de galáxias individuais que estão imersas em gás com temperaturas de milhões de graus. Este gás quente, que é o maior componente dos enxames galácticos sem contar com a matéria escura invisível, brilha em raios-X que o Chandra consegue detectar.

Ao longo do tempo, o gás nos centros destes enxames arrefece o suficiente para que as estrelas se formem a taxas incríveis. No entanto, não é o que os astrónomos observam em muitos enxames de galáxias. "Nós sabíamos que de alguma forma o gás nos enxames está a ser aquecido para evitar com que arrefeça e forme estrelas. A questão era exactamente como," afirma Irina Zhuravleva da Universidade de Stanford em Palo Alto, no estado americano da Califórnia, que liderou o estudo publicado na última edição online da revista Nature. "Pensamos que encontrámos evidências de que o calor é canalizado a partir de movimentos turbulentos, que nós identificámos de assinaturas registadas em imagens de raios-X."

Estudos anteriores mostram que buracos negros supermassivos, centrados em grandes galáxias no meio de enxames galácticos, bombeiam grandes quantidades de energia ao seu redor em poderosos jactos de partículas energéticas que criam cavidades no gás quente. O Chandra e outros telescópios de raios-X já tinham detectado anteriormente estas cavidades gigantes. A pesquisa mais recente por Zhuravleva e colegas fornecem novas informações sobre o modo como a energia pode ser transferida a partir destas cavidades até ao gás circundante. A interacção destas cavidades com o gás pode estar gerando turbulência, ou movimento caótico, que depois se dispersa para manter o gás quente durante milhares de milhões de anos.

"Quaisquer movimentos de gás a partir da turbulência acabarão por decair, libertando a sua energia para o gás," afirma o co-autor Eugene Churazov,do Instituto Max Planck para Astrofísica, em Munique, Alemanha. "Mas o gás não vai arrefecer se a turbulência for forte o suficiente e se for criada regularmente."

A evidência da turbulência vem de dados do Chandra sobre os dois enormes enxames galácticos de Perseu e Virgem. Ao analisar dados de observação de cada enxame, a equipa foi capaz de medir flutuações na densidade do gás. Esta informação permitiu-lhes estimar a quantidade de turbulência no gás. O nosso trabalho dá-nos uma estimativa de quanta turbulência é gerada nestes enxames," comenta Alexander Schekochihin da Universidade de Oxford no Reino Unido. Pelo que determinámos até agora, existe turbulência suficiente para balançar o arrefecimento do gás.

Estes resultados suportam o modelo "feedback" que envolve buracos negros supermassivos nos centros de aglomerados de galáxias. O gás arrefece e cai na direcção do buraco negro a um ritmo acelerado, fazendo com que o buraco negro aumente o "output" dos seus jactos, o que produz cavidades e impulsiona a turbulência no gás. Esta turbulência eventualmente dissipa-se e aquece o gás.Apesar de uma fusão entre dois enxames galácticos ta mbém produzir turbulência, os investigadores pensam que as erupções de buracos negros supermassivos são a principal fonte desta agitação cósmica nos centros densos de muitos enxames.
Fonte: Astronomia Online - Portugal

24 de out de 2014

Estudo observa Titã brilha ao anoitecer e ao amanhecer

Bem alto na atmosfera de Titã, grandes zonas de dois gases brilham perto do pólo norte, no lado do anoitecer da lua, e perto do pólo sul, no lado do amanhecer. As cores mais brilhantes indicam sinais mais fortes dos dois gases, HNC (esquerda) e HC3N (direita); os tons avermelhados indicam sinais menos pronunciados. Crédito: NRAO/AUI/NSF


Novos mapas da lua de Saturno, Titã, revelam grandes manchas de gases que brilham perto dos pólos norte e sul. Estas regiões estão curiosamente desviadas dos pólos, para Este ou Oeste, quando o amanhecer surge na região a Sul e enquanto a noite cai na região a Norte. O par de manchas foi descoberto por uma equipa internacional de cientistas que investigavam a composição química da atmosfera de Titã. "Esta é uma descoberta inesperada e potencialmente revolucionária," afirma Martin Cordiner, astroquímico que trabalha no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado americano de Maryland, autor principal do estudo. "Estes tipos de variações de leste para oeste nunca foram antes vistos nos gases atmosféricos de Titã. A explicação da sua origem apresenta-nos um novo e fascinante problema."

O mapeamento vem de observações feitas pelo ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), uma rede de antenas de alta precisão no Chile. Nos comprimentos de onda utilizados por essas antenas, as áreas ricas em gás da atmosfera de Titã brilham intensamente. E graças à sensibilidade do ALMA, os investigadores foram capazes de obter mapas espaciais dos químicos na atmosfera de Titã a partir de uma observação "instantânea" que durou menos de 3 minutos. Há muito que a atmosfera de Titã é de interesse, pois actua como uma fábrica química, usando a energia do Sol e do campo magnético de Saturno para produzir uma grande variedade de moléculas orgânicas, ou à base de carbono.

O estudo desta química complexa pode fornecer mais dados sobre as propriedades da atmosfera primitiva da Terra, que pode ter partilhado muitas das características da atmosfera actual de Titã. Neste estudo, os cientistas focaram-se em duas moléculas orgânicas, ácido isocianídrico (HNC) e cianoacetileno (HC3N), que são formadas na atmosfera de Titã. Em altitudes mais baixas, o HC3N aparece concentrado acima dos pólos norte e sul. Estes resultados são consistentes com observações feitas pela sonda Cassini, que encontrou uma zona nublada e altas concentrações de alguns gases sobre qualquer dos pólos que atravessa a estação de Inverno em Titã.

A surpresa surgiu quando os investigadores compararam as concentrações dos gases em diferentes níveis da atmosfera. Nas altitudes mais elevadas, as bolsas de gás pareciam desviar-se dos pólos. Estes locais desviados do pólo são inesperados porque os rápidos ventos na atmosfera média de Titã movem-se na direcção Este-Oeste, formando zonas parecidas às bandas de Júpiter, embora muito menos pronunciadas. No interior de cada zona, os gases atmosféricos deviam, em grande parte, misturar-se completamente. Os investigadores não têm ainda uma explicação óbvia para estas descobertas.

"Parece incrível que estes mecanismos químicos possam estar a operar em escalas de tempo rápidas o suficiente para provocar 'bolsas' reforçadas das moléculas observadas," comenta Conor Nixon, cientista planetário em Goddard e co-autor do estudo, publicado na edição online da revista The Astrophysical Journal Letters. "Seria de esperar que as moléculas fossem rapidamente misturadas em redor do globo pelos ventos de Titã."

De momento, os cientistas estão a considerar uma série de explicações possíveis, incluindo efeitos térmicos, padrões de circulação atmosférica até então desconhecidos, ou a influência do poderoso campo magnético de Saturno, grande o suficiente para englobar Titã. Espera-se que mais observações melhorem a compreensão da atmosfera e dos processos em curso em Titã e em outros objectos do Sistema Solar.
Fonte: Astronomia Online - Portugal



23 de out de 2014

Físicos revelam indícios de matéria escura


Uma análise realizada com 12 anos de dados telescópicos encontrou um sinal que alguns físicos acreditam poder ser a primeira detecção de matéria escura. Astrônomos encontraram variações no fluxo de raios-X observados pela Agência Espacial Europeia que se adequam ao que seria esperado se áxions – partículas hipotéticas de matéria escura – estivessem interagindo com o campo magnético da Terra.

Análises mais detalhadas são necessárias para confirmar se o Sol de fato está projetando partículas de matéria escura.

A matéria escura é o nome dado à substância que se acredita compor cerca de 85% de toda a matéria do Universo. Ela é ‘escura’ porque sua presença pode ser inferida pelo arrasto gravitacional que exerce sobre as estrelas do Universo, mas nenhuma tentativa de detectá-la de maneira convincente funcionou até agora. Se confirmada, a identificação dos áxions seria uma descoberta colossal. O líder do estudo, o astrônomo George Fraser da University of Leicester, no Reino Unido, morreu apenas dois dias depois de enviar o artigo para publicação com seus colegas. O estudo foi “seu trabalho mais impressionante antes do fim”, escreveu Andy Lawrence, astrônomo do Instituto de Astronomia em Edimburgo, no Reino Unido, em seu blog e-Astronomer.

Mas ainda que o artigo tenha sido aceito pelo periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e publicado em 20 de outubro, os demais autores ainda não estão estourando champagne. “Nós encontramos um resultado incomum que não conseguimos explicar por nenhum método convencional, e essa teoria do áxion de fato explica tudo”, declara o coautor Andy Red, astrônomo de Leicester. “Mas isso é apenas uma hipótese, e a maioria das hipóteses não passa disso”, adiciona ele. Áxions foram originalmente propostos para explicar uma anomalia em uma área diferente da física – a teoria da força nuclear forte, uma das quatro forças da natureza. Essas partículas sem carga, e muito leves, seriam criadas no núcleo solar e quase não interagiriam com a matéria comum, o que lhes permitiria passar por milhares de quilômetros de plasma solar e escapar para o espaço sideral.

Mas os áxions poderiam interagir com campos magnéticos, como o que cerca a Terra, e se transformar em fótons de raios-X. Esses fótons são as partículas que os pesquisadores declaram talvez ter visto. A equipe descobriu que, conforme a sonda europeia Multi Mirror Mission (XMM-Newton, ou “Missão de Espelhos Múltiplos), passava pelo forte campo magnético do lado  da Terra iluminado pelo Sol, ela encontrou um sinal levemente mais intenso de raios-X do que quando estava no lado sombreado da Terra. Descontando fontes conhecidas de raios-X, a radiação de fundo deveria ser a mesmo onde quer que a sonda estivesse, explica Read.

Em seu artigo de 67 páginas, os pesquisadores fizeram o possível para descartar fenômenos mais corriqueiros – a interação entre o vento solar e o campo magnético da Terra, por exemplo – como origem do excesso antes de invocar áxions como explicação, pondera Read. Um aspecto incomum dessa análise é que ela mostra a XMM-Newton captando fótons de raios-X, mesmo sem estar olhando diretamente para o Sol. (Geralmente, espera-se que os fótons continuem se movendo na mesma direção dos áxions que os originaram). Mas os autores declaram que os áxions poderiam estar espalhados e que por isso foram captados pelo telescópio. Os autores também mostram que indícios de um sinal semelhante pode ser encontrado em dados produzidos pelo Observatório Chandra de Raios-X, ainda que uma corroboração formal exija mais dados e anos de análises.

Nem todos estão convencidos pela interpretação dos áxions. O astrônomo Peter Coles da University of Sussex, no Reino Unido, chamou as evidências de “circunstanciais” em seu blog, In the Dark. “É tentador mas, se alguém me pedir para apostar, receio que provavelmente escolheria física de plasma local em vez de algo mais fundamental”, escreveu ele. Igor Garcia Irastorza, que trabalha no Telescópio Solar de Áxions (CAST), com sede no laboratório de física CERN perto de Genebra, na Suíça, concorda que o sinal é intrigante. Mas o tipo de áxion que se encaixaria nesse sinal também se chocaria com outras observações astrofísicas, adverte ele. Além disso, as propriedades das partículas teriam que ser diferentes das que foram propostas durante décadas.

A confirmação das descobertas de Leicester vai exigir análises de outros experimentos de áxions que funcionam de maneira completamente diferente de telescópios, adiciona Konstantin Zioutas, que dirige o experimento CAST. Mike Watson, astrônomo também da University of Leicester, mas que não se envolveu no estudo, declara que Fraser era um “cientista excepcional” e o mentor do trabalho. “A interpretação é bastante tentadora, e no lado humano todos nós gostaríamos que estivesse correta, já que seria um grande tributo ao George. Mas não é assim que se faz ciência”.
FONTE: SCIENTIFIC AMERICAN - BRASIL

O cometa de Marte!


cometa de marte


Crédito: NASA/JPL-Caltech/Cornell Univ/Unmanned Space Flight


E aqui estão as primeiras imagens do "raspão" que o cometa Siding Springs deu no planeta Marte ontem, dia 19! As primeiras imagens de um cometa obtidas de outro planeta! As duas imagens foram obtidas pelo jipe Opportunity. A maior delas é uma imagem obtida diretamente do banco de imagens do jipe, sem nenhum tratamento. Vários desses pontinhos brancos são raios cósmicos que atingiram o detector durante a foto, mas também são pixels defeituosos. A imagem da direita foi tratada pelo pessoal do site unmannedspaceflight e o ruído foi quase todo removido. Nas duas imagens o cometa aparece como uma bola difusa, quase como uma nebulosa.

Não há evidência de cauda, como muitos supunham que iria acontecer. Isso talvez pela baixa atividade do núcleo, já mencionada pelos astrônomos amadores que estão monitorando o cometa há meses. Por enquanto, somente nessas imagens podemos ver o cometa. O jipe Curiosity enviou alguns panoramas, mas o cometa não está evidente, as imagens foram obtidas com o lusco-fusco do entardecer e como pode ser notado, o brilho do cometa não é dos maiores. As imagens obtidas pelos satélites em órbita devem demorar ainda para chegar. Isso por que os dados obtidos pelas naves são envidadas a Terra apenas de tempos em tempos. Eles são acumulados para quando houver uma configuração orbital que favoreça a transmissão e só então são descarregados. O que se sabe delas é que todas estão funcionando normalmente, nenhuma delas foi danificada pela poeira da ejetada do cometa.
Fonte: Cássio Barbosa - OBSERVATÓRIO

22 de out de 2014

Encontradas duas famílias de cometas em torno de estrela próxima

Maior censo de sempre de exocometas em torno de Beta Pictoris
O instrumento HARPS em operação no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, foi utilizado no censo mais completo feito até à data de cometas em torno de outra estrela. Uma equipa de astrónomos franceses estudou quase 500 cometas individuais que orbitam a estrela Beta Pictoris e descobriram que estes objetos pertencem a duas famílias distintas de exocometas: exocometas velhos que fizeram já várias passagens próximo da estrela e exocometas mais jovens que se formaram provavelmente da recente destruição de um ou mais objetos maiores. Os novos resultados serão publicados na revista Nature a 23 de outubro de 2014.

A Beta Pictoris é uma estrela jovem situada a cerca de 63 anos-luz de distância do Sol. Tem apenas 20 milhões de anos de idade e encontra-se rodeada por um disco de material enorme - um sistema planetário jovem muito ativo onde o gás e a poeira são produzidos tanto pela evaporação de cometas como pela colisão de asteróides. Flavien Kiefer (IAP/CNRS/UPMC), autor principal do novo estudo explica: ”A Beta Pictorias é um alvo muito interessante! Observações detalhadas dos seus exocometas fornecem pistas que nos ajudam a compreender que processos ocorrem neste tipo de sistemas planetários jovens. Durante quase 30 anos os astrónomos observaram variações subtis na radiação emitida pela Beta Pictoris, que se pensava serem causadas pela passagem de cometas em frente da própria estrela.

Os cometas são corpos pequenos - com alguns quilómetros de tamanho - ricos em gelos que se evaporam quando o corpo se aproxima da estrela, produzindo enormes caudas de gás e poeira, que podem absorver alguma da radiação que passa através delas. A fraca luz emitida pelos exocometas é ofuscada pela radiação da estrela brilhante e por isso não se conseguem obter imagens diretas destes objetos a partir da Terra. Para estudar os exocometas da Beta Pictoris, a equipa analisou mais de 1000 observações obtidas entre 2003 e 2011 com o instrumento HARPS, montado no telescópio de 3,6 metros do ESO, no Observatório de La Silla, no Chile. Os investigadores seleccionaram uma amostra de 493 exocometas diferentes. Alguns exocometas foram observadas por diversas vezes e durante algumas horas.

Uma análise detalhada permitiu obter medições da velocidade e tamanho das nuvens de gás. Foram também deduzidas algumas das propriedades orbitais de cada um dos cometas, como a forma e orientação da órbita e a distância à estrela. Este tipo de análise efetuada em várias centenas de exocometas pertencentes a um único sistema exoplanetário é única. O trabalho revelou a presença de dois tipos distintos de famílias de exocometas: uma família de exocometas cujas órbitas são controladas por um planeta de grande massa  e outra família, provavelmente originada pela destruição recente de um ou mais objetos maiores. Diferentes famílias de cometas existem igualmente no Sistema Solar.

Os exocometas da primeira família apresentam uma variedade de órbitas e mostram atividade relativamente fraca com baixas taxas de produção de gás e poeira, o que sugere que estes cometas gastaram já o seu conteúdo em gelo durante múltiplas passagens perto da Beta Pictoris. Os exocometas da segunda família encontram-se muito mais ativos e deslocam-se em órbitas quase idênticas,  o que sugere que os membros desta família têm todos a mesma origem: provavelmente a destruição de um objeto maior cujos fragmentos se encontram numa órbita rasante da estrela Beta Pictoris. Flavien Kiefer conclui: “Esta é a primeira vez que um estudo estatístico determina a física e órbitas de um grande número de exocometas. Este trabalho dá-nos um olhar fantástico sobre os mecanismos que estavam presentes no Sistema Solar logo após a sua formação, há cerca de 4,5 mil milhões de anos atrás.”
Fonte: ESO

21 de out de 2014

É possível comprovar a aceleração do Universo?

É possível comprovar a aceleração do Universo?

A observação direta da aceleração do Universo pode ser obtida medindo variações de velocidade em nuvens de hidrogênio intergalácticas.magem: APS/Alan Stonebraker/Wikimedia Commons/Diceman Stephen West]

HIPÓTESES NÃO COMPROVADAS

Depois dos questionamentos lançados sobre a inflação pós-Big Bang, agora é a vez de os astrofísicos tentarem se livrar dos incômodos ligados à aceleração cósmica. O principal suporte observacional para a teoria da aceleração do Universo vem de dados coletados de supernovas. Em 1998, astrônomos detectaram que algumas supernovas emitem uma luz fraca demais - portanto, estão mais distantes de nós do que seria esperado. Isso implica que o Universo está se acelerando, e não desacelerando, como as interações gravitacionais normais levavam a prever. No entanto, esta conclusão pressupõe tanto a validade da relatividade geral de Einstein, quanto uma hipótese não comprovada - a de que o Universo seria homogêneo - a fim de derivar equações que relacionam a distância à velocidade e à luminosidade. Três pesquisadores chineses afirmam agora que é possível escapar dessas indefinições usando radiotelescópios, que podem fornecer uma "observação mais direta" da aceleração do Universo medindo variações de velocidade em nuvens de hidrogênio intergalácticas. Eles propõem algumas modificações na coleta de dados desses radiotelescópios, que seriam necessárias para alcançar uma medição da aceleração suficientemente precisa.

MEDIÇÃO DIRETA DA ACELERAÇÃO DO UNIVERSO

Hao-Ran Yu e seus colegas da Universidade Normal de Pequim e da Universidade de Toronto (Canadá), afirmam que é possível fazer uma medição direta da aceleração - se ela estiver mesmo ocorrendo - observando nuvens de hidrogênio muito densas. Essas nuvens, situadas entre as galáxias, são detectadas porque absorvem emissões de rádio vindas de quasares situados por detrás delas em relação à Terra. A velocidade dessas nuvens pode ser então medida pela observação do desvio para o vermelho do hidrogênio em um comprimento de onda muito preciso, de 21 centímetros. Como a linha de absorção de 21 centímetros é muito estreita em comparação com as linhas de emissão das galáxias, torna-se possível observar mudanças de velocidade muito pequenas.

Os pesquisadores lembram que rastreios já programados pelos radiotelescópios vão medir a velocidade de centenas de milhares de nuvens de hidrogênio. Se esses rastreios receberem as adaptações propostas pelo trio, bem como tiverem um aumento na frequência observacional de cada nuvem, dizem os físicos chineses, então eles poderão detectar acelerações cosmicamente relevantes - de cerca de um milímetro por segundo por ano - em observações realizadas ao longo de uma década. Se tudo isto for feito, e se a esperada aceleração for realmente detectada, então mais um dos fundamentos da cosmologia moderna poderá passar da incômoda classe de hipótese para a categoria dos fenômenos diretamente observados.
Fonte: Inovação Tecnológica

Fatos que você deveria saber sobre a energia escura

1. É usada para explicar porque o universo está se expandindo;
2. Mas, na verdade o nosso universo não vai apenas continuar se expandindo. Ele também está acelerando nessa expansão;
3. Uma vez que nosso universo está ficando maior e mais pesado, a atração gravitacional deve desacelerar a expansão e o Universo voltará a ser um ponto super-mega-ultra denso e poderá explodir de novo, criando um novo Big Bang;
4. Se o processo de expansão do Universo não parar, daqui bilhões de anos só restará frio e escuridão;

5. Então, nós usamos essa energia escura. E dizem que essa energia está em todo o espaço;
6. A energia escura deve compor mais de 68% de tudo que existe no Universo;
7. As curvas da rotação da galáxia, o teorema virial e a análise das anisotropias da radiação cósmica de fundo em micro-ondas são coisas que mostram que a energia escura tem que existir, só precisamos achar um jeito de encontrá-la;
8. Acredita-se que também existe algo chamado matéria escura, que compõe 22% de todo o Universo.
Fonte: Grupo Astronômico Carl Sagan

Descobertas as primeiras rochas que formaram a Terra

Blocos de pedra em Samoa são da época da origem do sistema solar
Descobertos os primeiros "tijolos" que deram origem ao planeta Terra. Segundo publicação da revista Nature, um estudo liderado pelo geoquímico Matthew Jackson descobriu blocos de pedras que estavam presos no manto terrestre e que remontam à época da formação do sistema solar. As pedras foram encontradas nas Ilhas Samoa, na Polinésia, local de constante pesquisa para descobrir a origem da Terra. De acordo com o estudo, esses primeiros tijolos são fósseis do novíssimo sistema solar e nasceram da agregação de pó da nebulosa onde se originou o Sol.

Em um tipo de espiral espacial, esses blocos rochosos foram encontrados e assentados para dar forma ao nosso planeta e aos outros planetas rochosos da nossa família planetária. Na lava de alguns vulcões, é possível individualizar as formas desses tijolos, que agora estão sepultados na profundidade do manto terrestre. Por isso, a região das Ilhas Samoa é tão importante, pois a maior parte dos vulcões está no local de encontro de duas placas tectônicas enquanto em Samoa eles estão dentro da placas. Ali, eles constituem uma zona de flexão da crosta terrestre e a sua formação é ligada à presença do manto da Terra por correntes ascendentes quentes (plumas mânticas). Por elas, o magma atinge grandes profundidades.

Para revelar a composição química das plumas mânticas, que alimentam os vulcões de Samoa, os pesquisadores precisaram fazer "uma viagem ao centro da Terra" através da análise das concentrações e proporções dos isótopos (átomos de um mesmo elemento químico com o mesmo número atômico, mas com pesos diferentes) de chumbo e hélio contidos na lava. Com estas informações, foi possível traçar as "assinaturas" do material que deu origem ao nosso planeta. Segundo Jackson, a maior parte da pluma de Samoa é composta por esse material.
Fonte: TERRA

Exoplanetas em WASP-94 A e B: Júpiteres quentes primos em um sistema binário



Um Júpiter quente orbitando sua estrela mãe (Ilustração: ESA/C Carreau)


O consórcio WASP (Wide Angle Search for Planets) apresentou uma descoberta interessante: dois exoplanetas da classe Júpiter, cada um orbitando sua estrela mãe em um sistema estelar binário. Ambos os exoplanetas são “Júpiteres quentes”, uma categoria de corpos bastante suscetíveis de serem descobertos tanto através do método de trânsito com também pela técnica de velocidade radial. O consórcio WASP utiliza dois observatórios robóticos, um em La Palma (Ilhas Canarias) e o outro na África do Sul. O programa WASP tem um consistente acervo de descobertas, tendo encontrado mais de 100 exoplanetas desde 2006. Os exoplanetas encontrados orbitando as estrelas WASP-94A e WASP-94B, como todos os candidatos do WASP, foram confirmados pela técnica de velocidade radial através da colaboração com o Observatório de Genebra. Ambas as estrelas do sistema binário WASP 94 residem a 600 anos luz na direção da constelação do Microscópio (Microscopium). Neste caso especifico, o time do WASP-Sul (África do Sul) observou obscurecimentos na luz emanada pela estrela WASP-94A, uma marca da possível presença de um Júpiter-quente. A descoberta do segundo exoplaneta em WASP-94B ocorreu logo após quando a equipe de Genebra trabalhava na confirmação o primeiro exoplaneta. Marion Neveu-VanMalle (Genebra), autora líder do artigo científico exclamou:


Nós observamos a outra estrela [do par binário] por acidente e então encontramos um exoplaneta por lá, também!

Essa descoberta é importante por causa do nosso sistema vizinho mais próximo, o par binário Alfa Centauri A e B, onde têm sido largamente caçados possíveis exoplanetas na zona de habitação, orbitando cada uma dessas estrelas, as quais ficam relativamente próximas entre si. No entanto, WASP-94A e WASP-94B representam um cenário diferente, pois a separação entre estas estrelas é da ordem de 2.700 UAs (unidades astronômicas, a distância entre a Terra e o Sol).

O artigo explora três outros sistemas binários com pares de exoplanetas:
  1. HD20782/HD20781 é parecido com WASP 94 em termos de distância entre suas estrelas pares. HD20782 hospeda um exoplaneta tipo Júpiter e HD20781 contém dois exoplanetas similares a Netuno.
  1. Kepler-132 é um Sistema interessante que abriga 3 super-terras, com uma separação angular pequena demais para que saibamos qual das duas estrelas estes exoplanetas estão orbitando. Cientistas estimam que os dois exoplanetas de menor períodos não podem orbitar a mesma estrela.
  2. Finalmente o Sistema XO-2, também um binário com grande separação entre suas estrelas, hospeda um Júpiter quente enquanto a outra estrela abriga dois gigantes gasosos, um tipo Júpiter e outro com a massa de Saturno.
Podemos aprender coisas interessantes sobre a formação de Júpiteres quentes ao analisar WASP-94. Exoplanetas deste tipo deveriam se formar bem longe da sua estrela mãe para permitir que os gelos se agreguem na zona de neve. Depois de algum tempo estes exoplanetas são forçados, talvez por interações com outra estrela ou exoplaneta a se aproximar da estrela mãe. O artigo descreve:

A descoberta de dois Júpiteres quentes, um em volta de cada estrela, sugere que o mesmo processo de formação se deu e as condições favoráveis similares provocaram a migração destes exoplanetas.  
As interações entre duas estrelas em um par binário são problemáticas dada a grande distância entre elas, mas tal pode ajudar-nos a testar nossas teorias:
Mesmo que neste estágio ainda não possamos provar nada, há teorias dinâmicas recentes relevantes para este sistema. Moeckel & Veras (2012) descreveram interações nas quais um planeta orbitando um componente de um par binário pode ‘pular’ de uma estrela para outra. Se ambos os planetas gigantes se formaram em volta da mesma estrela, a interação planeta x planeta poderia ter ocorrido. Tal poderia ter empurrado um dos planetas para próximo de sua estrela e ejetado o segundo. Assim, o segundo planeta pode ter sido capturado pela estrela companheira. Como ainda não sabemos a excentricidade do Sistema estelar, podemos considerar o mecanismo descrito por Li et al. (2014), no qual um Sistema coplanar pode acarretar em excentricidades muito altas para o planeta.

Nós também podemos considerar o Sistema WASP-94 valioso em outros campos de estudo. Como a maioria dos planetas detectados pelo programa WASP, estes dois exoplanetas orbitam duas estrelas (WASP-94A e WASP-94B ) que são relativamente brilhantes. Em contraste, a maioria das estrelas de Kepler são tênues. O artigo da Keele University “Keele astronomers find ‘cousin’ planets around twin stars” cita a sugestão de  Coel Hellier  sobre a possibilidade de estudos atmosféricos através da espectroscopia, onde a atmosfera do exoplaneta em trânsito pode ser analisada enquanto se move para dentro e para fora do disco estelar durante o trânsito em frente a estrela hospedeira. O artigo assinado por Neveu-VanMalle et al., intitulado “WASP-94 A and B planets: hot-Jupiter cousins in a twin-star system” foi publicado em Astronomy & Astrophysics.
Fonte: Eternos Aprendizes - http://eternosaprendizes.com/

Hubble encontra galáxia extremamente distante através de lente gravitacional

Espiando através de uma lupa cósmica gigante, o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA detectou uma galáxia pequena e ténue - uma das galáxias mais distantes já observadas. O pequeno objecto está a uma distância estimada em mais de 13 mil milhões de anos-luz. Esta galáxia fornece um olhar sobre os anos mais jovens do Universo e pode ser apenas a ponta do iceberg.

O gigantesco enxame galáctico Abell 2744 é tão maciço que a sua poderosa gravidade curva a luz de galáxias ainda mais distantes, tornando estes objectos de outra forma invisíveis maiores e mais brilhantes. Crédito: NASA, J. Lotz, STScI

"Esta galáxia é um exemplo do que se suspeita ser uma população abundante e subjacente de objectos extremamente pequenos e ténues que existiam cerca de 500 milhões de anos após o Big Bang, o início do Universo," explica o líder do estudo Adi Zitrin do Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena, no estado americano da Califórnia. "A descoberta diz-nos que galáxias ténues como esta existem, e que devemos continuar à sua procura e à procura de objectos ainda mais fracos, a fim de podermos entender como as galáxias e o Universo têm evoluído ao longo do tempo. A galáxia foi detectada pelo programa Frontier Fields, um esforço ambicioso de três anos que junta o Hubble a outros grandes observatórios - o Telescópio Espacial Spitzer e o Observatório de Raios-X Chandra - para examinar o universo primordial ao estudar grandes aglomerados de galáxias. Estes enxames são tão maciços que a sua gravidade curva a luz que passa por eles, ampliando, iluminando e distorcendo objectos de fundo num fenómeno chamado lente gravitacional.

Estas lentes poderosas permitem com que os astrónomos encontrem muitas estruturas ténues e distantes que de outra forma seriam demasiado fracas para observar. A descoberta foi feita usando o poder de lente do gigantesco enxame galáctico Abell 2744, apelidado de Enxame de Pandora, que produziu três imagens ampliadas da mesma galáxia ténue. Cada imagem ampliada torna a galáxia 10 vezes maior e mais brilhante do que seria sem as qualidades de ampliação do enxame. A galáxia mede uns meros 850 anos-luz de diâmetro - 500 vezes mais pequena que a nossa Via Láctea - e tem uma massa estimada correspondente a apenas 40 milhões de sóis. A nossa Galáxia, em comparação, tem uma massa estelar de várias centenas de milhares de milhões de sóis.

E a galáxia forma aproximadamente uma estrela a cada três anos, ao passo que a Via Láctea forma aproximadamente uma estrela por ano. No entanto, tendo em conta o seu tamanho pequeno e baixa massa, Zitrin realça que a galáxia minúscula na verdade está evoluindo rapidamente e formando estrelas de modo eficiente. Os astrónomos acreditam que galáxias como esta são, provavelmente, pequenos aglomerados de matéria que começou a formar estrelas e a brilhar, mas ainda sem uma forma definida. É possível que o Hubble esteja apenas a detectar um aglomerado brilhante devido ao efeito de lente. Isto explicaria porque é que o objecto é mais pequeno que as galáxias típicas dessa época.

A equipa de Zitrin avistou a galáxia gravitacionalmente multiplicada em imagens do enxame obtidas no infravermelho próximo e no visível, capturadas pelas câmaras WFC3 (Wide Field Camera 3) e ACS (Advanced Camera for Surveys) do Hubble. Mas eles precisavam de medir quão longe estava da Terra. Normalmente, os astrónomos conseguem determinar a distância de um objecto através da sua luz "esticada" à medida que o Universo se expande lentamente. Os astrónomos conseguem medir este efeito com precisão através de espectroscopia, que caracteriza a luz de um objecto. Mas esta galáxia e outros objectos ampliados pelo efeito de lente gravitacional, encontrados neste período jovem do Universo, estão demasiado distantes e são demasiado ténues para a espectroscopia, por isso os astrónomos usam a cor de um objecto para estimar a sua distância.

A expansão do Universo torna o objecto mais avermelhado de forma previsível - que os cientistas podem medir. A equipa de Zitri aplicou a técnica de análise de cor e aproveitou as múltiplas imagens produzidas pela lente gravitacional para confirmar independentemente a estimativa de distância do grupo. Os astrónomos mediram a separação angular entre as três imagens ampliadas da galáxia nas fotos do Hubble. Quanto maior a separação angular devido ao efeito de lente, mais distante está o objecto da Terra. Para testar este conceito, os astrónomos compararam as três imagens ampliadas com as posições de outros objectos de fundo mais próximos e também multiplicados no enxame de Pandora. A distância angular entre as imagens ampliadas de galáxias mais próximas era menor.

"Estas medições sugerem que, dada a grande separação angular entre as três imagens da nossa galáxia de fundo, o objecto deve estar muito longe," explica Zitrin. "Também coincide com a estimativa de distância que calculámos, com base na técnica de análise de cor. Temos uma confiança de 95% na distância deste objecto remoto, com um 'redshift' de 10, uma medida da expansão do espaço desde o Big Bang. A lente tira qualquer dúvida de que este possa ser um objecto próximo altamente avermelhado, que se mascara como um objecto muito mais distante."

Os astrónomos debatem há muito tempo se essas galáxias iniciais podem ter fornecido radiação suficiente para aquecer o hidrogénio que arrefeceu logo após o Big Bang. Pensa-se que este processo, chamado reionização, ocorreu 200 milhões até mil milhões de anos após o nascimento do Universo. A reionização tornou o Universo transparente à luz, permitindo com que os astrónomos observassem muito atrás no tempo sem encontrarem uma "névoa" de hidrogénio frio. Os resultados da equipa foram publicados na edição online de Setembro da revista The Astrophysical Journal Letters.
Fonte: Astronomia Online - Portugal


20 de out de 2014

Lua de Saturno parecida com a “Estrela da Morte” pode ter oceano subterrâneo

Mimas, a lua de Saturno
Mimas, a lua de Saturno que se parece com a Estrela da Morte de Star Wars, pode conter água subterrânea, segundo cientistas. O satélite apresenta uma espécie de tremor, semelhante a um movimento de oscilação, o que vem intrigando os cientistas. Esse tremor é duas vezes o esperado para uma lua de estrutura sólida, segundo a Nasa, a Agência Espacial dos EUA. Mimas está sendo estudado por um grupo de pesquisadores norte-americanos, franceses e belgas. O primeiro estudo saiu na revista Science e foi baseado em dados da sonda Cassini.

Mimas tem cerca de 400 km de diâmetro e é quatro vezes menor que a nossa Lua. Depois de examinar diversos pontos da superfície, os cientistas identificaram tremores em seus polos. Essas oscilações fazem a lua “balançar”, o que é bem incomum em astros desse tupo. A principal razão para esses movimentos estranhos de Mimas é que ela tenha um oceano gigantesco localizado em seu subsolo. Outra possibilidade é que a lua tenha um formato de bola de rugby, o que reforça a hipótese de que ela tenha sido formada dentro dos anéis de Saturno.
Fonte: Ciência e Astronomia

Nova galáxia poderia ajudar a explicar a origem da primeira luz do universo




nova galáxia
Algumas centenas de milhões de anos após o Big Bang, durante o período chamado de Época de Reionização, o gás existente no universo deixou de ser quase completamente neutro e passou a ser quase completamente ionizado. Os cientistas acreditam que esse evento está intimamente ligado a muitas questões fundamentais da cosmologia e da estrutura de formação e evolução do mundo.


Nova galáxia e primeira luz

Para lançar luz sobre a física complexa do processo de reionização, a astrônoma Dra. Sanchayeeta Borthakur da Universidade Johns Hopkins (EUA) e seus colegas decidiram buscar no céu uma galáxia de formação estelar densa que emitisse enormes quantidades de radiação UV. Eles encontraram essa galáxia observando os raios UV que escapavam de sua cobertura de nuvens de poeira e hidrogênio neutro.  A regiões de formação estelar em galáxias são cobertas com gases frios de modo que a radiação não pode sair. Se pudermos descobrir como a radiação fica fora da galáxia, podemos aprender que mecanismos ionizaram o universo”, explicou a Dra. Borthakur, principal autora do artigo publicado na revista Science.

Usando observações feitas com o telescópio espacial Hubble da NASA, os cientistas encontraram o objeto exato que procuravam: a galáxia SDSS J092159.38 + 450.912,3. Localizada na constelação de Ursa Maior, a cerca de 2,9 bilhões de anos-luz da Terra, essa galáxia emite até 21% de sua radiação ionizante para o universo. A título de comparação, galáxias normais emitem apenas 1% da radiação UV no meio intergaláctico circundante. O objeto recém-encontrado pertence a uma classe especial de galáxias onde vários bilhões de massas solares de estrelas são produzidas em uma região central extremamente compacta, com um raio de 300 anos-luz.  Resta aguardar que respostas o estudo da SDSS J092159.38 + 450.912,3 pode trazer sobre tal época do início do universo.
Fonte: [SciNews]
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