Pesquisa no INPE pode revelar “estrelas estranhas”

A possibilidade de existirem estrelas “estranhas” no Universo está em estudo no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP). Com propriedades físicas diferentes daquelas compostas pela matéria “normal”, essas estrelas em condição de alta densidade teriam aproximadamente um terço dos seus quarks convertidos num tipo especial, que vem sendo chamado de “quark estranho”.  Estudo do INPE sobre as condições para identificar a existência de estrelas estranhas foi destaque na revista científica eletrônica Space.com, especializada em ciências espaciais, exploração espacial e tecnologias derivadas do acesso ao espaço.

Na matéria "Ripples in Space-Time Could Reveal Strange stars", são destacados os principais resultados obtidos pelo doutorando Pedro Moraes, da Pós-graduação em Astrofísica do INPE. O estudo, orientado pelo pesquisador Oswaldo D. Miranda, foi recentemente publicado no periódico especializado "Monthly Notices of the Royal Astronomical Society Letters". Nos sistemas binários com pelo menos uma estrela estranha, são produzidas assinaturas em ondas gravitacionais diferentes daquelas que seriam obtidas para duas estrelas normais”, explica Oswaldo D. Miranda. “Ondas gravitacionais são perturbações no tecido do espaço-tempo, sendo, nesse caso, produzidas quando as estrelas entram em processo de coalescência - ou seja, vão se aproximando até que ocorra a fusão das duas estrelas”.

Miranda destaca que não houve detecção de ondas gravitacionais durante dois surtos de explosão gama (GRB - Gamma Ray Bursts) analisados pelo experimento LIGO (Laser Interferometer Gravitational Wave Observatory), dos Estados Unidos. A "não detecção" durante esses fenômenos poderia ser explicada caso uma das estrelas fosse estranha. “A motivação para essas ideias vem também da física de partículas. Nos últimos anos, a ciência tem buscado identificar em quais condições a matéria normal poderia ser convertida em matéria estranha. Essa matéria teria mais estabilidade, especialmente em objetos que estão em condições físicas extremas como as chamadas estrelas de nêutrons. E o laboratório natural para testar essas ideias e conceitos é o espaço”, conclui o pesquisador do INPE.
Fonte: INPE

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