7 de mar de 2014

Choque de cometas explica nodo de gás em torno de estrela jovem

Impressão artística de Beta Pictoris.ESO
Astrônomos anunciaram a descoberta de um caroço inesperado de monóxido de carbono gasoso no disco de poeira que circunda a estrela Beta Pictoris. A descoberta, feita com observações obtidas pelo Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) situado no norte do Chile, é surpreendente uma vez que se espera que tal gás seja rapidamente destruído pela radiação estelar. Algo, provavelmente colisões frequentes entre objetos pequenos e gelados, como cometas, faz com que o gás esteja sendo constantemente criado. A Beta Pictoris, uma estrela próxima facilmente observável a olho nu no céu austral, já é tida como sendo o arquétipo dos sistemas planetários jovens. Sabe-se que abriga um planeta que orbita a estrela a uma distância de 1,2 bilhões de quilômetros e foi uma das primeiras estrelas que se descobriu rodeada por um enorme disco de poeira.

 Há muitas estrelas que se encontram envolvidas por nuvens de poeira em movimento, os chamados detritos de poeira. Trata-se dos restos de uma colisão em cascata de rochas em torno da estrela, um pouco como a destruição colisional da estação espacial que aparece no filme Gravity (mas a uma escala muito maior). As novas observações do ALMA mostram que o disco está permeado de gás de monóxido de carbono. Paradoxalmente, a presença deste gás, tão prejudicial aos humanos na Terra, poderá indicar que o sistema planetário Beta Pictoris se tornará eventualmente passível de abrigar vida.

O bombardeamento de cometas que os seus planetas sofrem atualmente está muito provavelmente fornecendo-lhes água indispensável à vida. Os cometas contêm gelos de monóxido de carbono, dióxido de carbono, amônia e metano, no entanto a sua componente majoritária é uma mistura de poeira e gelo de água. No entanto, o monóxido de carbono é rápida e facilmente destruído pela radiação estelar, que dura apenas cerca de 100 anos no local onde se encontra no disco de Beta Pictoris. Observá-lo num disco com 20 milhões de anos de idade é realmente uma surpresa. A pergunta é então: de onde é que este gás vem e porque é que ainda lá se encontra? 
 
“A não ser que estejamos observando Beta Pictoris num momento muito particular, o monóxido de carbono deve estar sendo continuamente criado” diz Bill Dent, um astrônomo do ESO trabalhando no Escritório do ALMA em Santiago, Chile, e autor principal do artigo científico. “A fonte mais abundante de monóxido de carbono num sistema estelar jovem é a colisão de objetos gelados, desde cometas a objetos maiores do tamanho de planetas”.  Mas a taxa de destruição tem que ser muito elevada: “Para que haja a quantidade de monóxido de carbono que estamos observando, a taxa de colisões tem de ser verdadeiramente espantosa; uma colisão de um cometa grande a cada cinco minutos”, diz Aki Roberge, astrônomo no Goddard Research Center da NASA, em Greenbelt, EUA e co-autor do artigo. “E para termos este número de colisões, terá que haver uma enorme concentração de cometas”. 
  
O ALMA mostrou ainda outra surpresa, já que as observações revelaram não apenas o monóxido de carbono mas permitiram também mapear a sua localização no disco, devido à capacidade única do ALMA em medir simultaneamente posições e velocidades: o gás concentra-se num único caroço compacto. Esta concentração situa-se a 13 bilhões de quilômetros de distância da estrela, o que corresponde a cerca de três vezes a distância de Netuno ao Sol. A razão por que o gás se concentra neste pequeno caroço tão longe da estrela permanece um mistério. 
  
“Este caroço de gás é uma importante pista sobre o que se passa nas regiões mais externas deste sistema planetário jovem”, diz Mark Wyatt, astrônomo da Universidade de Cambridge, RU, e co-autor do artigo. Mark explica que existem dois processos pelos quais este caroço se pode ter formado: “Ou a atração gravitacional de um planeta ainda não detectado, com massa semelhante à de Saturno, concentra as colisões cometárias nesta pequena região, ou o que estamos vendo são os resquícios de uma colisão catastrófica entre dois planetas gelados com massas semelhantes à de Marte”. 
  
Ambas estas hipóteses dão aos astrônomos razões para esperar descobrir vários outros planetas em torno de Beta Pictoris. “Este monóxido de carbono é apenas o início, podem haver outras moléculas pré-orgânicas mais complexas libertadas por estes corpos gelados”, acrescenta Roberge. Estão previstas mais observações com o ALMA, que ainda não alcançou sua capacidade máxima, para se continuar estudando este intrigante sistema planetário e consequentemente ajudar-nos a compreender quais as condições que existiam durante a formação do nosso Sistema Solar.
Os novos resultados foram publicados na revista Science.
Fonte: ESO

Mais quatro mundos habitáveis

Concepção artística de um dos planetas recém-descobertos, em torno de uma estrela anã vermelha
Concepção artística de um dos planetas recém-descobertos, em torno de uma estrela anã vermelha

Um grupo internacional de pesquisadores, fuçando dados de arquivo de busca por planetas fora do Sistema Solar ao redor das menores e mais comuns estrelas do Universo, encontrou oito novos candidatos, dos quais possivelmente quatro são mundos habitáveis. Todos entram na categoria das “superterras” — planetas maiores que o nosso, mas mais modestos que Netuno, o menor dos gigantes gasosos em nosso Sistema Solar. O mais próximo está a apenas 17 anos-luz de distância, uma ninharia em termos cósmicos. (Um ano-luz é a distância que a luz atravessa em um ano, cerca de 9,5 trilhões de quilômetros.)

Ele orbita a estrela Gliese 682 e tem uma massa mínima 4,4 vezes a terrestre — o que faria dele um planeta com 1,5 vez o diâmetro do nosso planeta, se tivesse a mesma composição. Ele completa uma volta em torno de seu sol a cada 17 dias terrestres. O sistema mais interessante dentre os recém-descobertos, contudo, pertence à estrela Gliese 180, a 38 anos-luz de distância. Lá, dois planetas diferentes se encontram na chamada “zona habitável” — a região do sistema planetário em que um planeta do tipo terrestre seria capaz de preservar água em estado líquido na superfície. Trata-se da condição mais essencial para a vida como a conhecemos. O mais interno deles dá uma volta em torno de seu sol a cada 17 dias, e o mais afastado completa um ano em 24 dias.

Finalmente, o quarto mundo habitável descoberto pela equipe liderada por Mikko Tuomi, da Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido, gira em torno de Gliese 422 e completa uma translação em 26 dias. Não é o caso de estranhar que todos esses mundos, apesar de receber radiação mais ou menos equivalente à que a Terra ganha do Sol, completem seus giros anuais tão mais depressa que nosso mundo, que executa uma volta a cada 365 dias. O Sol é uma estrela amarela, bem maior que as anãs vermelhas a que o estudo diz respeito. Quanto menor a estrela, mais perto dela fica a zona habitável.

O estudo, feito com dados colhidos pelos instrumentos HARPS e UVES, ambos do ESO (Observatório Europeu do Sul), no Chile, foi publicado no periódico “Monthly Notices of the Royal Astronomical Society”. Para descobrir os oito novos planetas e confirmar a existência de outros dois já apontados por outro grupo, a equipe analisou dados de 41 estrelas anãs vermelhas. Uma análise estatística sugere que planetas de baixa massa — muitos deles possivelmente réplicas da Terra — são extremamente comuns ao redor desses astros.

Os resultados sugerem que cada uma dessas estrelas deve ter pelo menos um planeta de baixa massa, e possivelmente muitos mais. A notícia é sobretudo animadora porque as anãs vermelhas representam 76% de todas as estrelas da Via Láctea. Deve haver Terra para tudo quanto é lado na nossa vizinhança. E as atmosferas desses mundos poderão em breve ser estudadas pelo Telescópio Espacial James Webb, que a Nasa quer lançar em 2018 para suceder o Hubble. Talvez daí venham os primeiros sinais de vida extraterrestre. A busca está esquentando.
Fonte: Mensageiro Sideral

Buraco negro distante está girando a 150 mil km/s

Buraco negro distante está girando a 150 mil km/s

Astrônomos usaram o Observatório de Raios-X Chandra, da NASA, e o XMM-Newton, da Agência Espacial Europeia (ESA), para estudar um buraco negro supermassivo localizado a 6 bilhões de anos-luz da Terra que está girando muito rapidamente. Esta primeira medição direta da rotação de um buraco negro tão distante é um avanço importante para a compreensão de como os buracos negros crescem ao longo do tempo. Os buracos negros são definidos por apenas duas características simples: massa e rotação. Embora os astrônomos tenham sido capazes de medir as massas dos buracos negros de forma muito eficaz, determinar sua velocidade de rotação é algo muito mais difícil.

Na última década, os astrônomos têm buscado formas de estimar a rotação de buracos negros em distâncias superiores a vários bilhões de anos-luz, ou seja, vemos a região em torno de buracos negros como ela era há bilhões de anos. No entanto, a determinação das rotações destes buracos negros remotos envolve vários passos que dependem uns dos outros. A equipe de Rubens Reis, da Universidade de Michigan, conseguiu finalmente determinar de modo preciso a rotação do buraco negro que produz um quasar extremamente brilhante conhecido como RX J1131-1231 (RX J1131 para abreviar). Por causa do alinhamento fortuito, a distorção do espaço-tempo pelo campo gravitacional de uma galáxia elíptica gigante localizada entre o quasar e a Terra atua como uma lente gravitacional que amplia a luz do quasar.

A lente gravitacional, prevista por Einstein, oferece uma rara oportunidade de estudar a região mais interna de quasares distantes, agindo como um telescópio natural e ampliando a luz dessas fontes. “Devido a esta lente gravitacional, fomos capazes de obter informações muito detalhadas sobre o espectro de raios-X de RX J1131″, disse o co-autor Mark Reynolds, também de Michigan. “Por sua vez, isso nos permitiu obter um valor muito preciso para o quão rápido o buraco negro está girando.” Os resultados revelarem que o buraco negro está girando aproximadamente na metade da velocidade da luz, ou seja, 150 mil quilômetros por segundo.

Nasa anuncia missão para lua de Júpiter que pode ter vida

Agência espacial anunciou plano de US$ 15 milhões para enviar missão não tripulada para Europa, a ser lançada após 2020.
Cientistas especulam se Europa, que é apenas uma das luas de Júpiter, pode ter vida (Foto: AP Photo/NASA )
Cientistas especulam se Europa, que é apenas uma das luas de Júpiter, pode ter vida (Foto: AP Photo/NASA )

A agência espacial americana, Nasa, anunciou planos de enviar uma missão não tripulada a Europa, a lua de Júpiter coberta de água e apontada por cientistas como um local onde pode haver vida. A Nasa já separou US$ 15 milhões em sua proposta de orçamento para 2015 para iniciar o projeto. O lançamento da missão deve ocorrer, porém, só após 2020. O administrador da agência, Charles Bolden, fez o anúncio da missão. A pedido do governo americano, a Nasa apresentou o orçamento para o ano fiscal de 2015 já prevendo este projeto. Bolden destacou que no ano que vem a Nasa continuará a desenvolver "missões científicas que irão longe em nosso sistema solar, revelarão aspectos desconhecidos de nosso universo e fornecerão conhecimentos importantes sobre nosso planeta". Estão incluídas verbas para missões para Marte e a formulação (de um projeto) para uma missão para a lua de Júpiter, Europa", acrescentou.


Sem detalhes

 Não foram divulgados mais detalhes a respeito da missão para Europa, mas a chefe do setor financeiro da Nasa, Elizabeth Robinson, confirmou na terça-feira que a missão só será iniciada na próxima década.
Segundo Robinson, o ambiente com muita radiação que predomina em volta de Júpiter e a distância da Terra serão os grandes desafios para este projeto. A Nasa vai analisar várias ideias para uma missão a Europa e, por isso, a agência ainda não sabe o tamanho ou o custo exato do projeto, disse Robinson. Para a chefe do setor financeiro da agência, um dos grandes objetivos será a busca de vida na água líquida que está logo abaixo da superfície coberta de gelo da lua de Júpiter.

Quando a Nasa enviou a sonda Galileu para Júpiter, em 1989, foram necessários seis anos para que a sonda chegasse ao quinto planeta do Sistema Solar. Outras sondas da Nasa já passaram perto de Europa, especialmente a Galileu, mas nenhuma se concentrou especificamente na lua, que é uma das dezenas que orbitam Júpiter. Ciensitas acreditam que Europa é um ambiente promissor para a vida. Em 2013, foram descobertos jatos de água sendo expelidos através do gelo que cobre a lua.
Fonte: G1




Telescópio Hubble observa misteriosa destruição de asteroide

Asteroide P/2013 R3
 sequência de imagens registrada pelo telescópio espacial Hubble mostra o avanço da fragmentação do asteroide P/2013 R3. Crédito: HuubleSite, Apolo11.com.

Um evento extremamente raro foi registrado recentemente pelo telescópio espacial Hubble. Durante algum tempo o instrumento acompanhou uma asteroide na orbita do Sol, mas para surpresa dos observadores a rocha estava se partindo em mais de 10 pedaços.  Batizado de P/2013 R3, o asteroide foi primeiro observado em 15 de setembro de 2013, por telescópios terrestres dos observatórios Catalina e PanStarrs. Alguns dias depois, em 1 de outubro, astrônomos do observatório Keck, no Havaí, descobriram que a rocha era na verdade uma formação de três objetos sólidos inseridos dentro de uma nuvem de poeira do tamanho da Terra.

A raridade do evento chamou a atenção de diversos pesquisadores e fez o astrônomo David Jewitt, ligado à Universidade da Califórnia, solicitar à administração do Telescópio Hubble imagens de alta resolução do asteroide. As primeiras imagens mostraram que P/2013 R3 não era um conjunto composto de apenas 3 fragmentos, mas uma frota de mais de 10 objetos com caudas de poeira similares as dos cometas. Os números também revelaram que os quatro maiores objetos tinham cerca de 400 metros de diâmetro e se afastavam entre si a aproximadamente 2 km por hora. De acordo com Jewitt, o asteroide começou a se romper há cerca de um ano, mas novas peças continuam a ser reveladas, como mostram as imagens mais recentes do Hubble, registradas em janeiro de 2014.

Causas prováveis

Não se sabe exatamente o que causou a destruição do asteroide, mas a hipótese de colisão com outro objeto está praticamente descartada, uma vez que a dinâmica observada não é própria desse tipo de evento. Impactos arremessam detritos em velocidade muito mais elevada enquanto o distanciamento entre os fragmentos também é mais acelerado. Uma hipótese bastante provável é que o asteroide está se desintegrando devido a um sutil efeito da luz solar conhecido como Efeito de Yarkovsky, que faz com que a taxa de rotação do objeto aumente gradualmente. Eventualmente, suas partes componentes podem sucumbir à força centrífuga até que sejam separadas em fragmentos. 

Essa possibilidade de fragmentação tem sido discutida pelos cientistas há muitos anos, mas até hoje nunca foi observada forma confiável. Se for isso que ocorreu, P/2013 R3 deveria ter uma fratura leve em seu interior, criada como resultado de numerosas colisões não destrutivas com outros asteroides. Acredita-se que a maioria dos pequenos asteroides é severamente danificada desta forma e é provável que P/2013 R3 seja um subproduto de uma colisão ocorrida em algum momento nos últimos bilhões de anos. Estima-se que os detritos remanescentes de P/2013 R3 pesem cerca de 200 mil toneladas. A maioria desses futuros meteoroides deverá mergulhar no sol, mas uma pequena fração poderá um dia se aproximar da Terra e queimar na atmosfera na forma de uma chuva de meteoros. Fonte: Apolo11.com - http://www.apolo11.com/

Uma visão da zona habitável do Sistema Solar

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O brilhante planeta Vênus e a região central da Via Láctea nasceram nas primeiras horas da manhã do dia 1 de Março de 2014 nessa paisagem celeste e marítima mostrada acima. A imagem foi regiatrada desde a praia em Sea Isle City em Nova jersey, EUA, planeta Terra. Logicamente a Terra localiza-se e tem sua órbita bem dentro da chamada zona habitável do Sistema Solar, essa região privilegiada, não tão perto e nem tão distante do sol, onde a temperatura da superfície pode suportar a presença da água em estado líquido. Si, ilar em tamanho com a Terra, Vênus, por sua vez, localiza-se pouco além da borda interna da zona habitável. A reflexão na água da luz emitida por nosso inóspito planeta irmão é vista junto com o calmo e frio oceano e com um banco de nuvens.

A poeira estelar da NGC 1333

NGC 1333
A NGC 133 é vista na luz visível como uma nebulosa de reflexão, dominada por tonalidades azuladas características da luz estelar refletida pela poeira. Localizada a “apenas” 1000 anos-luz de distância da Terra, na direção da constelação de Perseus, ela se posiciona na borda de uma grande nuvem molecular de formação de estrelas. Essa imagem com detalhes impressionantes se espalha por aproximadamente duas luas cheias no céu ou por cerca de 15 anos-luz, considerando a distância estimada da NGC 1333. Essa imagem mostra detalhes da região empoeirada juntamente com pistas da emissão vermelha contrastante dos objetos Herbig-Haro, jatos e ondas de choque de gás brilhante emanando de estrelas formadas recentemente. De fato, a NGC 133 contém centenas de estrelas com menos de um milhão de anos de vida, a maior parte delas ocultas dos telescópios ópticos pelas poeira estelar que permeia a região. O ambiente caótico pode ser similar àquele onde o Sol se formou a 4.5 bilhões de anos atrás.
Fonte: http://apod.nasa.gov
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