20 de mar de 2014

Pesquisa: Terra foi atingida por impacto duplo de asteroides

Análise de crateras gigantes vizinhas na Suécia indicam que elas foram formadas por asteroide e a 'lua' deste
Imagem ilustrada do European Southern Observatory Foto: ESO
Nós todos já vimos filmes em que asteróides se movem rapidamente em direção à Terra, ameaçando sua civilização. Mas o que é menos conhecido é que às vezes essas rochas espaciais ameaçadoras se movimentam em pares. Pesquisadores delinearam algumas das melhores evidências até hoje de um impacto duplo, em que um asteroide e sua lua aparentemente atingiram a Terra um atrás do outro.

Usando minúsculos fósseis de plâncton, eles estabeleceram que crateras vizinhas na Suécia são da mesma idade - 458 milhões de anos de idade. No entanto, outros cientistas alertaram que crateras aparentemente contemporâneas poderiam ter sido formada com semanas, meses ou mesmo anos de intervalo. Detalhes do trabalho foram apresentados na 45ª Conferência de Ciência Lunar e Planetária em Woodlands, no Texas, e os resultados devem ser divulgados na publicação científica Meteoritics and Planetary Science Journal.

Lockne e Malingen

 Segundo Jens Ormo, pesquisador do Centro de Astrobiologia de Madri, na Espanha, um punhado de possíveis impactos duplos na Terra já são conhecidos, mas há divergências sobre a precisão das datas atribuídas a estas crateras. "Crateras de impacto duplo devem ser da mesma idade, caso contrário, poderiam ser apenas duas crateras localizadas uma ao lado da outra", Ormo e seus colegas estudaram duas crateras chamadas Lockne e Malingen, que se encontram cerca de 16 quilômetros de distância uma da outra no norte da Suécia. Medindo cerca de 7,5 km de largura, Lockne é a maior das duas estruturas. Malingen, localizada mais ao sudoeste, é cerca de 10 vezes menor.

Acredita-se que os asteroides binários são formados quando um asteroide formado por um grande grupo de rochas começa a girar tão rápido sob a influência da luz solar que uma pedra solta é jogada para fora do seu eixo e forma uma pequena lua. Observações feitas com telescópio sugerem que cerca de 15% dos asteroides próximos da Terra são binários, mas é provável que a porcentagem de crateras formadas por impacto na Terra seja menor. Apenas uma fração dos binários que atingem a Terra terá a separação necessária entre o asteroide e sua lua para produzir crateras separadas (aqueles que estão muito próximos a suas luas formarão estruturas sobrepostas).

Os cálculos sugerem que cerca de 3% de crateras formadas por impacto na Terra devem ser duplas - um número que está de acordo com o número já identificado pelos pesquisadores. As características geológicas pouco comuns tanto de Lockne como de Malingen são conhecidas desde a primeira metade do século 20. Mas foi apenas nos anos 1990 que Lockne foi reconhecida como uma cratera formada por um impacto.

Nos últimos anos, Ormo perfurou cerca de 145 metros na cratera Malingen, passando pelo sedimento que a preenche, por pedra britada, conhecida como brechas, e atingindo a pedra intacta no fundo. Análises das brechas revelaram a presença de uma forma do mineral quartzo, que é criado sob pressões intensas e está associado com o impacto de asteróides.  Esta área era coberta por um mar raso no momento do impacto que formou Lockne, então sedimentos marinhos teriam preenchido imediatamente qualquer cratera formada por impacto no local.

A equipe de Ormo estabelecida para datar a estrutura Malingen usou minúsculos animais marinhos fossilizados chamados chitinozoas, que são encontrados em rochas sedimentares no local. Eles usaram um método conhecido como biostratigrafia, que permite que geólogos atribuam idades relativas a rochas com base nos tipos de criaturas fósseis encontradas dentro delas. Os resultados revelaram que a estrutura Malingen era da mesma idade que Lockne - cerca de 458 milhões anos de idade. Isto parece confirmar que a área foi atingida por um impacto duplo de asteroides durante o período Ordoviciano, da era Paleozoica.

Evidências convincentes

 Gareth Collins, que estuda crateras formadas por impacto no Imperial College de Londres, e não estava envolvido na pesquisa, disse à BBC: "Com falta de testemunha dos impactos, é impossível provar que duas crateras próximas foram formadas simultaneamente. Mas a evidência neste caso é muito convincente. Sua proximidade no espaço e estimativas consistentes de idade tornam bastante provável um impacto binário." As simulações sugerem que o asteróide que criou a cratera de Lockne tinha cerca de 600 m de diâmetro, enquanto o que esculpiu Malingen tinha cerca de 250m. Estas medições são um pouco maiores do que pode ser sugerido pelas suas crateras por causa dos mecanismos de impactos em ambientes marinhos.

Ormo acrescentou que a distância entre Malingen e Lockne está de acordo com a teoria de que elas teriam sido criadas por um binário. Como mencionado, se duas rochas espaciais estão muito próximas, suas crateras se sobrepõem. Mas para se qualificar como uma dupla, as crateras não podem estar muito longe, porque elas vão exceder a distância máxima em que um asteróide e sua lua podem ficar vinculados por forças gravitacionais. "O asteroide formador de Lockne era grande o suficiente para gerar uma abertura na atmosfera acima do local de impacto", disse Ormo. Isso pode fazer com que o material do asteroide se espalhe ao redor do globo, como aconteceu durante o enorme impacto que formou a cratera de Chicxulub, que muitos acreditam ter matado os dinossauros, há 66 milhões de anos.

O evento ordoviciano não foi potente o suficiente para que o material fosse espalhado, já que teria sido muito diluído na atmosfera. Mas o impacto pode ter tido efeitos locais, como por exemplo, ter vaporizado instantaneamente qualquer criatura do mar que estivesse nadando nas proximidades. Outros crateras que podem ter sido formadas por um impacto duplo incluem Clearwater Ocidental e Oriental em Quebec, Canadá; Kamensk e Gusev no sul da Rússia, e Ries e Stenheim no sul da Alemanha.
Fonte: Terra

10 fatos estranhos sobre o planeta Vénus

10 fatos estranhos sobre Vénus
Vénus, o segundo planeta a partir do sol, é uma raridade de muitas maneiras diferentes. O planeta rochoso, que é um dos nossos vizinhos mais próximos no sistema solar, tem uma série de peculiares características que o tornam bizarro. Conheça aqui 10 fatos estranhos e bizarros acerca do planeta Vénus, desde os seus vulcões até às suas fases, passando pela pressão e temperaturas extremas.

 
10. Vulcões de Vénus 

Há mais vulcões em Vénus do que em qualquer outro planeta do sistema solar. Os astrónomos sabem da existência de mais de 1.600 vulcões na sua superfície, mas há provavelmente muitos mais que são pequenos demais para serem vistos. Os cientistas acreditam que a maioria destes são latentes, apesar de um punhado ainda poder estar ativo.

9. Os dias duram anos 

Um dia em Vénus dura 243 dias terrestres (que é o tempo que leva Vénus a fazer uma rotação), enquanto um ano em Vénus (o seu período de rotação em torno do sol) é mais curto, com apenas 224,7 dias terrestres.

8. Gémeo da Terra 

De todos os planetas do sistema solar, Vénus é o mais próximo de ser um gémeo da Terra. Os dois corpos são quase do mesmo tamanho e a composição de Vénus é basicamente a mesma que a da Terra. A órbita de Vênus é também a mais próximo da Terra. Ambos os mundos têm superfícies relativamente jovens, e ambos têm atmosferas grossas com nuvens (no entanto, as nuvens de Vénus são feitas principalmente de ácido sulfúrico venenoso).

7. Vénus é escaldante 

Porque a maior parte de sua atmosfera é composta por dióxido de carbono, um efeito de estufa extremo está a aquecer a superfície de Vénus. Lá, as temperaturas podem chegar a uns escaldantes 470 graus Celsius. 

6. Extrema pressão 

A pressão do ar sobre a superfície de Vénus é extrema - aproximadamente 90 vezes mais elevada do que a pressão ao nível do mar na Terra. Por outras palavras, a pressão em Vénus é quase o mesmo que a pressão da água na Terra a uma profundidade de 1 km sob o oceano.

5. Vemos Vénus cruzar o Sol 

Vénus é um planeta raro já que podemos vê-lo atravessar a frente do sol. Só Vénus e Mercúrio fazem isso do ponto de vista da Terra. No entanto, os trânsitos de Vénus ocorrem raramente - desde a invenção do telescópio tal acontecimento só ocorreu 7 vezes.

4. Planeta mais brilhante

Apesar de Vénus não ser, nem de perto, o maior planeta do sistema solar, a sua proximidade à Terra faz com que seja o mais brilhante dos planetas no céu. Ele também se qualifica como o segundo objeto mais brilhante no céu noturno, depois da lua. 

3. Mistérios ancestrais 

Vénus tem sido alvo de observação há milénios. Os antigos babilónios rastrearam as suas andanças pelo céu em registos que datam de 1600 AC. O matemático grego Pitágoras foi o primeiro a descobrir que as estrelas mais brilhantes no céu da manhã e da noite eram o mesmo objeto, Vénus. 

2. Ventos assustadores

Ventos movem-se através Vénus a velocidades super-rápidas que podem chegar a 724 kph na sua camada de nuvens intermédia. Estes ventos venusianos são mais velozes que o tornado mais rápido da Terra.

1. Vénus tem fases 

Como Vénus orbita o sol dentro da órbita da Terra, o planeta parece ter fases como a lua. Quando Vénus está no lado oposto do sol, está em fase cheia, enquanto que quando se situa entre a terra e o sol está na fase nova. A primeira pessoa a testemunhar estas fases foi o astrónomo italiano Galileo Galilei, em 1610.
Fonte: Ciência Online
 [Space]

Supertelescópio espacial pode ser feito com espelho controlado por laser

Supertelescópio espacial pode ser feito com espelho controlado por laser

O espelho é constituído por nanopartículas reflexivas que são mantidas em formação por raios laser. [Imagem: NASA/ESA/E. Sabbi (STScI)/T.M. Grzegroczyk et al.]

Espelho formado por laser

Se você quiser fazer os olhos de um astrônomo brilharem, fale com ele sobre um telescópio espacial gigantesco - do tamanho de um campo de futebol, por exemplo. Mas ele logo vai lhe dizer que isso não pode se tornar realidade com a tecnologia atual porque um equipamento desses pesaria milhares de toneladas, o que inviabiliza sua colocação no espaço. Agora você já tem com o que retrucar: pode ser possível construir um telescópio gigantesco no espaço que não pesaria mais do que alguns gramas.

A ideia não é nova: em 1979, o astrônomo Antoine Labeyrie propôs o uso de lasers para aprisionar e manter juntas minúsculas partículas, formando no espaço uma superfície reflexiva, o espelho de um telescópio. Os cálculos indicam que um telescópio com um espelho de 35 metros de diâmetro construído com essa tecnologia pesaria meros 100 gramas - o espelho do telescópio Hubble tem apenas 2,4 metros de diâmetro, mas pesa 828 quilogramas. Desde a proposta de Labeyrie, o campo da manipulação óptica de partículas se desenvolveu muito: as pinças ópticas hoje são usadas para mover a matéria com luz, levitar partículas e até para construir raios tratores.

O que Tomasz Grzegorczyk e seus colegas do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça fizeram agora foi demonstrar que o conceito funciona na prática. Eles usaram lasers para organizar e manter unidas 150 gotas de 3 micrômetros de diâmetro cada uma, criando um espelho plano em uma superfície líquida dentro de um recipiente de vidro. Para mostrar que a superfície era mesmo reflexiva, os pesquisadores usaram-na para refletir a imagem do algarismo oito.

Além da leveza, outra grande vantagem desse espelho fotônico para telescópios é que ele nunca se quebraria, já que tende a consertar a si mesmo: "A tendência natural das partículas é voltar ao seu estado de equilíbrio e reformar a membrana," explicou Grzegorczyk. Contudo, muito ainda deverá ser feito antes que um telescópio ultraleve possa ir ao espaço: o maior desafio é que, para ser realmente grande e valer a pena, o espelho deverá ser formado por milhões de nanopartículas, que deverão ser estabilizadas no espaço, e não em meio líquido. E, para isso, será necessário construir um super-laser - nenhum que os pesquisadores sabem existir atualmente seria suficiente.
Fonte: Inovação Tecnológica

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