10 de abr de 2014

Câmera de energia escura localiza mais dois planetas-anões

Câmera de energia escura localiza mais dois planetas-anões

A população de corpos celestes do Sistema Solar está crescendo rapidamente graças às descobertas de uma enorme câmera digital projetada para estudar a energia escura. Há poucos dias, astrônomos anunciaram a descoberta de um novo planeta-anão, o 2012 VP113. Ele foi flagrado na parte mais externa do Sistema Solar, em uma região conhecida como a parte interna, ou interior, da Nuvem de Oort. Agora, a mesma equipe está relatando mais dois corpos celestes anões, batizados temporariamente de 2013 FY27 e 2013 FZ27. Os dois estão mais próximos, no cinturão de Kuiper, um agrupamento de objetos celestes relativamente pequenos além da órbita de Netuno, que é também a casa de Plutão e três outros planetas anões conhecidos. O FZ27 está a 50 ua (unidades astronômicas - 1 ua é a distância da Terra ao Sol) de distância do Sol, na borda mais distante do cinturão de Kuiper. O FY27 tem cerca de 1.000 quilômetros de diâmetro e está a cerca de 80 ua do Sol. Se essas medições se confirmarem, ambos seriam grandes o suficiente para terem-se tornado quase redondos sob sua própria gravidade - um dos critérios para classificar um corpo celeste como um planeta-anão.

Olho escuro

Essa população de corpos tão pequenos fica tão longe do Sol que reflete muito pouca luz, o que explica por que só agora eles estão sendo descobertos. E essa enxurrada de descobertas não é uma coincidência. Todos os três objetos foram localizados em imagens da Câmera de Energia Escura (DECam) do Telescópio Blanco, no Chile, que produziu suas primeiras imagens em 2012.  Com seus 570 megapixels, esta câmera foi projetada para coletar a luz tênue de milhões de galáxias muito distantes em busca de pistas sobre a natureza da energia escura, a força misteriosa teorizada para explicar a aceleração da expansão do Universo. A câmara coleta centenas de gigabytes de dados continuamente, que são disponibilizados à comunidade científica. Assim, enquanto os astrônomos da missão se concentram na matéria escura, outros podem peneirar as informações para encontrar corpos distantes do nosso Sistema Solar, invisíveis às câmeras menos potentes usadas até agora.
Fonte: Inovação Tecnológica

Um exoplaneta diferente

Os quase 1.500 planetas extrassolares, ou exoplanetas, não são visíveis diretamente por nossos olhos. Várias técnicas são utilizadas para descobri-los, como o trânsito (uma espécie de eclipse), velocidade radial, etc. Mesmo assim, podemos obter várias características destes objetos, como sua distância à estrela central, seu tamanho e sua massa.  Um exoplaneta, o HD 106906 b, apresenta características que intrigam os cientistas. Ele está muito distante da estrela em torno da qual orbita. Cerca de 650 vezes a distância Terra-Sol. Sua massa é 11 vezes a do maior planeta do Sistema Solar, Júpiter.

Ele foi observado através da radiação infravermelho, pois apresenta uma emissão de calor ainda alta, por ter pouca idade (13 milhões de anos apenas), como resquício de sua formação.  A questão é que ele não possui massa suficiente para ter sido uma estrela – para isso seria necessário ter pelo menos 8 vezes mais do que tem. Nos sistemas duplos de estrelas, em que elas estão girando ao redor de um centro de massa comum, a relação entre as massas não é maior que 10 para 1.

Neste caso, a relação está em 100 para 1, ou seja, a massa da estrela é 100 vezes maior que a do planeta. Outro problema ainda não compreendido é a criação de um planeta gasoso gigante a essa distância. Nenhum modelo explica a sua formação, pois não haveria massa suficiente disponível naquela região. O caminho mais possível é que os dois astros foram formados de nebulosas próximas e, por influência da gravidade, se juntaram. O hoje exoplaneta não conseguiu, por um motivo ainda desconhecido, juntar massa suficiente para começara a fusão nuclear e virar uma estrela.
Fonte: Fundação Planetário
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