14 de mai de 2014

Exoplanetas começam a ser fotografados diretamente

A melhor foto de um exoplaneta, e um exoplaneta muito estranho

Leva aproximadamente 80.000 anos terrestres para que o GU Psc b complete uma órbita em torno de sua estrela. [Imagem: Universite de Montreal]

Ano de 80.000 anos
Você já deve ter-se acostumado a ouvir sobre a descoberta de exoplanetas e ver suas "visões artísticas", quadros idealizados produzidos digitalmente. Agora você vai começar a vê-los em imagens reais. Um gigante gasoso é a mais recente adição à pequena lista de exoplanetas descobertos através de imagens diretas. Ele está localizado ao redor da GU Psc, uma estrela com uma massa três vezes menor que a do Sol, situada na constelação de Peixes. Mas esta não é a maior surpresa desta observação. O exoplaneta, chamado GU Psc b, está muito distante da sua estrela - cerca de 2.000 vezes a distância entre a Terra e o Sol -, um autêntico recorde. A essa distância, leva  aproximadamente 80.000 anos terrestres para que o GU Psc b complete uma órbita em torno de sua estrela.

Os pesquisadores aproveitaram essa distância astronômica entre o planeta e sua estrela para conseguir fotografá-lo diretamente. Ao comparar imagens obtidas em diferentes comprimentos de onda, eles foram capazes de confirmar a existência do planeta. Os planetas são muito mais brilhantes quando vistos em infravermelho, em vez de luz visível, porque a temperatura da sua superfície é mais baixa em comparação com outras estrelas. Isso nos permitiu identificar o GU Psc b," disse Marie-Eve Naud, da Universidade de Montreal, no Canadá.

Caçador de exoplanetas
Neste segundo caso, a novidade não é exatamente o exoplaneta, mas a qualidade da imagem. Esta é a melhor foto que já se obteve de um exoplaneta. E é apenas a primeira de uma série. A imagem foi captada pelo Gemini Planet Imager (imageador de planetas Gemini, em tradução livre), um aparelho construído especificamente para isso. Instalado no telescópio Gemini Sul, no Chile, o aparelho está em fase de testes, observando exoplanetas já conhecidos, antes de começar a procurar por planetas extrassolares desconhecidos. "Mesmo estas primeiras imagens são melhores quase por um fator de 10 em relação à geração anterior de instrumentos. Em um minuto estávamos vendo planetas que levavam uma hora para serem detectados," disse Bruce Macintosh, líder da equipe que construiu o instrumento.

O astro da foto é o Beta Pictoris b, o primeiro exoplaneta a ter o seu dia medido com precisão. Essa foi mais uma demonstração do poder do novo aparelho, já que, com um dia durando apenas 8 horas, o exoplaneta está muito próximo da estrela - mesmo assim o equipamento foi capaz de captá-lo. Ainda neste ano, os astrônomos esperam usar o Gemini Planet Imager para bisbilhotar em volta de 600 estrelas jovens em busca de planetas gigantes. Embora a câmera tenha sido projetada para procurar planetas distantes, ela também pode observar objetos no nosso Sistema Solar. As imagens de teste da lua Europa, de Júpiter, por exemplo, estão permitindo mapear mudanças na composição da superfície do satélite.
Fonte: Inovação Tecnológica

Habitados por quem?



Entenda por que os cientistas dizem que alguns planetas estão em “zona habitável”
aconteceu algumas vezes: os meios de comunicação anunciam a descoberta de um planeta em uma “zona habitável” do espaço, e muita gente começa a imaginar se chegou a hora de encontrar extraterrestres vivendo nesses mundos distantes. Mas, para os astrônomos, estar em “zona habitável” não é garantia de haver vida em certo planeta – vamos entender melhor o que significa esse conceito? Como você sabe, de uma maneira geral, os planetas giram ao redor de uma estrela, assim como a Terra gira em torno do Sol. Zona habitável é a área ao redor de uma estrela onde as temperaturas são propícias à existência de água em estado líquido na superfície de um planeta. Essa é uma condição indispensável para a existência e a manutenção da vida como a conhecemos. Se o planeta estiver muito além desta zona, provavelmente será muito frio e a água, se existir, estará congelada. Se, por outro lado, o planeta estiver muito próximo da estrela, provavelmente será muito quente e também não apresentará água nas condições adequadas.

Mas há também outras características importantes para que um planeta seja considerado em zona habitável. Uma delas é a presença de certas moléculas na atmosfera, como gás carbônico, metano e vapor d´água. Elas têm a propriedade de fazer a atmosfera absorver certa quantidade da energia emitida pela estrela, e refletir outra parte. Dependendo de sua quantidade, podemos ter um mundo com belos oceanos ou repleto de erupções vulcânicas. A quantidade de emissão de partículas e radiação pela estrela do sistema também é importante. O Sol, por exemplo, continuamente emite partículas e radiação, que em grande parte são barradas pelo campo magnético e pela atmosfera terrestres.

Mas as estrelas mais jovens e menores do que o Sol emitem ainda mais partículas e radiação, fazendo com que os planetas próximos não sejam bons locais para se viver. Também devem ser levados em consideração fatores como a proporção de áreas continentais e oceânicas, os processos de decomposição das rochas, a presença de carbono e a inclinação do eixo de rotação do planeta. Mesmo que um planeta seja considerado em zona habitável, isso não significa que haja vida por lá – muito menos vida extraterrestre como nos filmes de ficção científica. Mas também é difícil provar que esses planetas não são habitados por suas próprias criaturas, curiosas e diferentes das que conhecemos. Se há vida ou não em cada um desses mundos, só o tempo e muitas pesquisas conseguirão dizer…
Fonte: Ciência Hoje
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