29 de jul de 2014

Órbita de galáxias contradiz modelo cosmológico

Órbita de galáxias contradiz modelo cosmológico

Discos orbitais
Uma análise de cerca de 380 grandes galáxias mostrou que as pequenas galáxias satélites que as rodeiam organizam-se em discos girando ao redor das galáxias líderes. Isto contradiz o modelo cosmológico atual, que afirma que as galáxias satélites deveriam seguir órbitas aleatórias. O Universo possui um número incalculável de galáxias - "bilhões delas", por assim dizer. Algumas são imensas, como a nossa Via Láctea, contendo centenas de bilhões de estrelas.

Assim como as estrelas se organizam em discos galácticos, as pequenas galáxias orbitam em planos ao redor das galáxias maiores. [Imagem: NASA/ACS]

Mas a maioria das galáxias que podemos observar são "galáxias anãs", muito menores do que a Via Láctea, e contendo alguns poucos bilhões de estrelas. Seguindo a Modelo Cosmológico Padrão, as galáxias-anãs deveriam se mover em todas as direções. Mas não é isso que os dados mostram.

Seguindo o líder
Os astrônomos já haviam percebido que as pequenas galáxias que circundam a Via Láctea e nossa vizinha Andrômeda não seguem padrões aleatórios. Mas, como isso contradiz a teoria mais aceita, os cientistas assumiram que a Via Láctea e Andrômeda eram uma exceção à regra. Contudo, com a observação de 380 grandes galáxias, agora não está dando mais para fugir do problema. Este é um grande problema que contradiz nosso modelo cosmológico padrão. Ele desafia nossa compreensão de como o Universo funciona, incluindo a natureza da matéria escura," explicou o professor Geraint Lewis, da Universidade de Sidney, na Austrália. "Para todo lado que olhamos, vemos esse movimento estranhamente coordenado das galáxias anãs. Disto podemos extrapolar que esses planos circulares são universais, vistos em cerca de 50 por cento das galáxias," completou o pesquisador.

Errando no varejo
Pelo modelo padrão, a formação das galáxias anãs está conectada aos filamentos de matéria escura que se acredita permear todo o Universo. Mas então seria necessário explicar por que esses grandes enxames de galáxias anãs circulam ao redor das suas galáxias principais em discos que são muito mais finos do que os filamentos que lhes teriam dado origem. Segundo os pesquisadores, a descoberta pode significar que todas as simulações cósmicas - e as teorias que lhes dão embasamento - precisam ser completamente revistas. Para eles, tudo parece indicar que o modelo padrão fornece uma representação adequada das observações em escalas maiores, "mas não estamos enxergando algo fundamental em escalas menores".
Fonte: Inovação Tecnológica

10 tipos extremos de estrelas



Estrelas não são sempre amarelas e com cinco pontas. Na verdade, existem muitos tipos, com diferentes características e funções na astronomia – inclusive, uns bem estranhos e extremos, como esses:

10. As mais velhas

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 Quanto tempo pode viver uma estrela? Primeiro, vamos definir o tempo de vida de uma estrela como o tempo em que ela é capaz de fazer fusão nuclear, já que mesmo depois de “morta”, o “cadáver” de uma estrela (seu remanescente) pode ficar ativo por muito tempo. Levando em conta a fusão nuclear, quanto menos massiva uma estrela é, mais tempo tende a viver. As estrelas com massa menor são as anãs vermelhas. Elas têm cerca de 7,5 a 50% a massa do sol. Qualquer coisa menos massiva não seria capaz de fazer fusão nuclear, então não seria uma estrela. Os modelos atuais estimam que as menores anãs vermelhas poderiam fazer fusão por até 10 trilhões de anos. Uma estrela como o nosso sol faz fusão por cerca de 10 bilhões de anos, o que é 1.000 vezes menos. Depois de fundir a maioria de seu hidrogênio, uma anã vermelha deve tornar-se uma anã azul e, conforme usa o restinho de seu hidrogênio, deve parar com a fusão e se tornar uma anã branca.

9. As mais antigas

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 As estrelas mais antigas que existem são as formadas logo após o Big Bang (cerca de 13,8 bilhões de anos atrás). Os astrônomos estimam a idade de estrelas observando sua luz estelar. Ela mostra quanto de cada elemento (por exemplo, hidrogênio, hélio, lítio) a estrela tem. As mais antigas tendem a ter principalmente hidrogênio e hélio, com muito pouca massa dedicada a elementos mais pesados. A estrela mais antiga de que temos conhecimento é a SMSS J031300.36-670839,3. Sua descoberta foi publicada em fevereiro de 2014. Estima-se que ela tenha 13,6 bilhões de anos, mas não é uma das “estrelas originais”. Nenhuma dessas foi encontrada, mas podemos estar perto. As anãs vermelhas podem viver trilhões de anos, então são boas candidatas.

8. As mais fracas

estrelas 8 Quanto mais longe uma estrela está, mais fraca sua luz parece. Eliminando o fator distância e medindo somente sua luminosidade, ou a quantidade total de energia emitida como fótons (partículas de luz), e nos limitando apenas às estrelas que ainda estão fazendo fusão, então as anãs vermelhas são as que têm a menor luminosidade entre todas. A estrela com luz mais fraca conhecida atualmente é a anã vermelha 2MASS J0523-1403. Menos luminosa do que ela somente as anãs marrons, que não são estrelas. Ainda mais escuros são os remanescentes de estrelas: anãs brancas, estrelas de nêutrons e buracos negros. Estrelas anãs brancas são um pouco luminosas, mas esfriam ao longo do tempo. Com tempo suficiente, se tornam pedaços frios de carbono que emitem quase nenhuma luz e tornam-se “anãs negras”. É preciso muito tempo para anãs brancas esfriarem, de forma que não existem anãs negras ainda. Por outro lado, astrofísicos não sabem o que acontece com a matéria em estrelas de nêutrons conforme elas esfriam. Ao observar supernovas em outras galáxias, eles podem estimar que centenas de milhões de estrelas de nêutrons devem ter se formado na nossa galáxia, mas só veem uma fração disso. O resto deve ter esfriado tanto que agora são essencialmente invisíveis. A teoria também diz que podem existir buracos negros profundos do espaço intergaláctico com nada os orbitando, ou seja, solitários, que emitiriam um pouquinho de radiação de Hawking, mas seriam os remanescentes de estrela menos luminosos existentes.

7. As mais luminosas

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 As estrelas mais luminosas também tendem a ser as mais maciças, bem como a ser estrelas Wolf-Rayet, o que significa que são quentes e despejam um monte de massa em seus fortes ventos estelares. As estrelas mais luminosas também não duram muito tempo: vivem rápido e morrem jovem. A estrela que atualmente detém o título de mais luminosa (e maciça) é a R136a1. Sua descoberta foi anunciada em 2010. É uma Wolf-Rayet com uma luminosidade em torno de 8,7 milhões de vezes a do nosso sol e uma massa de cerca de 265 vezes a do sol. Como está derramando massa, já teve uma massa tão elevada quanto 320 sóis. R136a1 é na verdade parte de um conjunto denso de estrelas chamado R136. De acordo com Paul Crowther, um dos seus descobridores, “planetas levam mais tempo para se formar do que estas estrelas para viver e morrer”. Mesmo que se elas tivessem planetas, seu céu à noite seria quase tão brilhante quanto durante o dia.

6. As maiores

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 Apesar de sua enorme massa, R136a1 não é a maior estrela (em tamanho) que existe. Há muitas outras maiores, todas estrelas vermelhas supergigantes. Essas estrelas passam a maior parte de sua vida muito menores, até que ficam sem hidrogênio para fundir, começam a fundir hélio, ficam muito mais quentes e expandem. Nosso sol acabará ficando com pouco hidrogênio e deve expandir-se, mas se tornará apenas um gigante vermelho. Para tornar-se uma supergigante vermelha, uma estrela deve ser pelo menos 10 vezes mais massiva do que o nosso sol. A fase de supergigante vermelha é breve, durando apenas alguns milhares de um bilhão de anos (o que é breve para os padrões de estrelas). As maiores supergigantes vermelhas conhecidas são Antares A e Betelgeuse, mas elas são relativamente pequenas em comparação com o tamanho que essas estrelas podem alcançar. Nomear a maior supergigante vermelha é uma missão muito difícil, porque seus tamanhos exatos são complexos de estimar com exatidão. As maiores podem ser até 1.500 vezes maiores (ou ainda mais do que isso) do que o nosso sol.

5. As com explosões mais luminosas

/block/WORK/ROSETTAGRB/.IMAGESRC/OLIVEPIT/H_OLIVEPIT00236.tif Os fótons de maior energia são chamados de raios gama. Eles podem ser produzidos em explosões de bombas nucleares, por isso, no passado, os Estados Unidos lançaram satélites especiais, os satélites Vela, para procurar os raios gama produzidos por testes de bombas nucleares soviéticas. Em julho de 1967, esses satélites detectaram uma explosão de raios gama (ERG) que não parecia ter sido produzida por uma bomba. Muitas outras explosões foram detectadas depois disso. Elas tendem a ser curtas, com duração de apenas alguns milissegundos até vários minutos, e incrivelmente brilhantes – muito mais luminosas do que as estrelas mais luminosas, ainda que brevemente. A fonte dessas explosões não está na Terra. O que, então, produz as ERGs? Existem várias teorias. Hoje, a maioria crê que elas se originam em estrelas de grande massa (supernovas ou hipernovas) a caminho de se tornar estrelas de nêutrons ou buracos negros. Algumas ERGs podem vir de magnetares, uma espécie de estrela de nêutrons com um campo magnético extremamente forte. Outras podem ser resultado de duas estrelas de nêutrons se fundindo em uma só, ou de uma estrela de nêutrons sendo sugada por um buraco negro.

4. As mais loucas ex-estrelas

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Buracos negros não são estrelas: são restos de estrelas. Ainda assim, é divertido compará-los com estrelas, porque tais comparações destacam quão malucos eles são. Um buraco negro é o que se forma quando a gravidade de uma estrela é forte o suficiente para superar todas as outras forças, fazendo-a entrar em colapso sobre si mesma. Com uma massa diferente de zero, mas volume zero, buracos negros teoricamente têm densidade infinita, mas dizemos isso só porque não temos uma boa teoria para explicar o que está realmente acontecendo ali. Também, buracos negros podem ser extremamente maciços. Os encontrados nos centros de algumas galáxias podem ter dezenas de bilhões de massas solares. Além do mais, a matéria que orbita em torno de buracos negros supermassivos pode ser muito luminosa, às vezes mais luminosa do que todas as estrelas de uma galáxia. Podem até mesmo existir poderosos jatos de matéria emanando perto de um buraco negro, que se deslocam quase à velocidade da luz. Em resumo: louco!

3. As mais rápidas

estrelas 3 Em 2005, Warren Brown e outros astrônomos do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica (EUA) anunciaram a descoberta de uma estrela se movendo tão rápido que deixaria a Via Láctea para nunca mais voltar. Seu nome oficial é SDSS J090745.0 024.507. Outras estrelas muito rápidas foram descobertas desde então. Elas são conhecidas como estrelas hipervelozes, ou estrelas de hipervelocidade. Em maio de 2014, 20 foram encontradas. A maioria parecia estar vindo do centro da galáxia. Uma hipótese é que os pares de estrelas (sistemas binários) passaram perto do buraco negro no centro da galáxia e, em seguida, uma delas foi capturada pelo buraco e a outra ejetada em alta velocidade. Também precisamos levar em conta distância para medir a velocidade de estrelas. Em geral, quanto mais longe uma estrela está de nossa galáxia, mais rápido parece estar se afastando de nós. Isso é devido à expansão do universo, não ao movimento da estrela através do espaço.

2. As mais variáveis

estrelas 2 Muitas estrelas oscilam bastante em brilho aparente. Elas são conhecidas como estrelas variáveis. A lista de estrelas variáveis conhecidas possui mais de 45.000 somente na nossa galáxia, a Via Láctea. Segundo o professor de astrofísica Coel Hellier, a mais variável dessas estrelas é a variável cataclísmica (VC), que são estrelas binárias. O seu brilho pode aumentar por um fator de 100 em menos de um dia e, em seguida, diminuir só para voltar a aumentar, e assim por diante. Hoje, temos uma melhor compreensão do que está acontecendo com as VCs: elas são pares de estrelas em que uma é “normal” e a outra uma anã branca. Matéria cai da estrela normal para um disco de acreção em órbita da anã branca. Uma vez que a massa do disco fica suficientemente elevada, a fusão começa, causando o aumento observado no brilho. Isso não dura muito: a fusão desaparece e todo o processo começa novamente. Existem algumas variações desta dinâmica. Por exemplo, às vezes, a anã branca é destruída.

1. As mais bizarras

estrelas 1 Alguns tipos de estrelas são muito incomuns. Elas não são as maiores ou as mais brilhantes, mas sim as mais estranhas. Objetos Thorne-Zytkow são um exemplo. Nomeados em homenagem aos físicos Kip Thorne e Anna Zytkow, os primeiros a sugerir que eles poderiam existir, Thorne-Zytkow é uma estrela de nêutrons que espirala no núcleo de uma gigante ou supergigante vermelha. Louco, né? Uma dessas estrelas foi recentemente encontrada. Em outro caso bizarro, às vezes, duas grandes estrelas amarelas podem orbitar tão próximas uma da outra que a matéria “cai” entre elas, fazendo com que o par se pareça um amendoim cósmico gigante. Apenas dois desses sistemas são conhecidos. Também existe a Estrela de Przybylski, que tem uma luz diferente de qualquer outra estrela. Os astrônomos podem medir a intensidade de cada comprimento de onda de luz como forma de descobrir do que a estrela é feita. Esse é um processo geralmente simples, mas os cientistas ainda estão tentando entender o espectro da estrela de Przybylski.
Fonte: HypeScience.com
[Listverse]

Mapeando a matéria escura a 4,5 bilhões de anos-luz de distância

O enxame galáctico MCS J0416.1–2403, um dos seis alvos do programa Fontier Fields do Hubble. O azul nesta imagem é o mapa de massa criado usando novas observações do Hubble combinadas com o poder de ampliação de um processo conhecido como lente gravitacional. Em vermelho, está o gás quente detectado pelo Observatório de raios-X Chandra da NASA e mostra a localização do gás no enxame. A matéria vista em azul está separada das áreas vermelhas detectadas pelo Chandra e consiste do que é conhecido como matéria escura, que pode apenas ser detectada directamente pelo efeito de lente gravitacional.  Crédito: ESA/Hubble, NASA, Frontier Fields do Hubble; reconhecimento: Mathilde Jauzac (Universidade de Durham, Reino Unido) e Jean-Paul Kneib (École Polytechnique Fédérale de Lausanne, Suíça)

Com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, uma equipe internacional de astrónomos mapeou, com uma precisão sem precedentes, a massa dentro de um enxame de galáxias. Criado usando observações do programa Frontier Fields do Hubble, o mapa mostra a quantidade e distribuição de massa dentro de MCS J0416.1-2403, um enorme aglomerado de galáxias com cerca de 160 biliões de vezes a massa do Sol. O detalhe neste "mapa da massa" foi possível graças à profundidade sem igual dos dados recolhidos pelo Hubble e a um fenómeno cósmico conhecido como lente gravitacional forte. A equipa, liderada pela Dra. Mathilde Jauzac da Universidade de Durham no Reino Unido e pela Unidade de Pesquisa em Astrofísica e Cosmologia da África do Sul, publicou os seus resultados na revista Monthly Notices da Sociedade Astronómica Real.

A medição da quantidade e distribuição da massa dentro de objectos distantes no Universo pode ser muito difícil. Um truque usado regularmente pelos astrónomos é explorar os conteúdos de grandes enxames de galáxias estudando os efeitos gravitacionais que têm sobre a luz de objectos ainda mais distantes. Este é um dos objectivos principais do Frontier Fields do Hubble, um ambicioso programa de observação que analisa seis enxames galácticos diferentes - incluindo MCS J0416.1-2403. Cerca de três-quartos de toda a matéria no Universo é a chamada "matéria escura", que não pode ser vista directamente, uma vez que não emite nem reflecte luz e pode passar por outra matéria sem fricção (sem colisões). Ela interage apenas pela força da gravidade e a sua presença tem que ser deduzida a partir dos seus efeitos gravitacionais.

Um destes efeitos foi previsto pela teoria geral da relatividade de Einstein e observa grandes aglomerados de massa no Universo que curvam e distorcem o espaço-tempo em seu redor. Agindo como lentes, parecem ampliar e dobrar a luz que viaja através deles a partir de objectos mais distantes. Esta é uma das poucas técnicas que os astrónomos podem usar para estudar a matéria escura. Apesar das suas grandes massas, o efeito dos enxames galácticos nos seus arredores é geralmente mínimo. Na maioria, provocam o que se chama de lente fraca, fazendo com que fontes mais distantes pareçam apenas ligeiramente mais elípticas ou manchadas no céu. No entanto, quando o enxame é suficientemente grande e denso e o alinhamento entre o enxame e o objecto distante é ideal, os efeitos podem ser mais dramáticos.

As imagens das galáxias normais podem ser transformadas em anéis e grandes arcos de luz, aparecendo até várias vezes na mesma imagem. Este efeito é conhecido como lente gravitacional forte e é este fenómeno, visto em torno dos seis enxames galácticos do programa Frontier Fields, que tem sido usado para mapear a distribuição de massa de MCS J0416.1-2403, utilizando os novos dados do Hubble. "A profundidade dos dados permite-nos ver objectos muito ténues e identificar, mais do que nunca, galáxias fortemente atingidas pelo fenómeno de lente gravitacional," explica a Dra. Jauzac, autora principal do novo artigo.
Esta imagem do Telescópio Espacial Hubble mostra o enxame galáctico MCS J0416.1-2403. É um de seis enxames estudados no programa Frontier Fields, um programa para analisar a distribuição de massa nestes enxames gigantescos, combinados com o fenómeno de lente gravitacional. Uma equipa de investigadores usou quase 200 imagens de galáxias distantes, cuja luz foi distorcida e ampliada por este grande enxame, para medir a sua massa total. Na imagem, estão a vermelho as galáxias atingidas pelo efeito de lente gravitacional usadas no estudo.  Crédito: ESA/Hubble, NASA, Frontier Fields do Hubble; reconhecimento: Mathilde Jauzac (Universidade de Durham, Reino Unido) e Jean-Paul Kneib (École Polytechnique Fédérale de Lausanne, Suíça)

"Apesar das lentes fortes ampliarem as galáxias de fundo, elas estão ainda muito distantes e são muito fracas. A profundidade destes dados significa que podemos identificar galáxias de fundo incrivelmente distantes. Conhecemos agora mais de quatro vezes mais exemplos de galáxias fortemente atingidas pelo fenómeno de lente gravitacional no enxame. Utilizando o instrumento ACS (Advanced Camera for Surveys) do Hubble, os astrónomos identificaram 51 novas galáxias multiplicadas em todo o enxame, quadruplicando o número determinado em estudos anteriores e elevando o número de galáxias atingidas pelo fenómeno de lente gravitacional até 68. Tendo em conta que estas galáxias são vistas várias vezes, isto equivale a quase 200 imagens individuais fortemente atingidas por lentes gravitacionais. Este efeito permitiu a Jauzac e à sua equipa calcularem a distribuição de matéria visível e escura no enxame e a produzirem um mapa da sua massa.

"Há mais de vinte anos que sabemos como construir um mapa de um enxame usando lentes gravitacionais, mas precisámos de tempo para possuírmos telescópios que possam fazer observações suficientemente profundas e nítidas, e para os nossos modelos se tornarem suficientemente sofisticados para mapearmos, com tantos detalhes, um sistema tão complicado como MCS J0416.1-2403," comenta Jean-Paul Kneib, membro da equipe. Ao estudar 57 das galáxias mais confiáveis e claramente distorcidas, os astrónomos modelaram a massa da matéria normal e escura dentro de MCS J0416.1-2403. "O nosso mapa tem o dobro da qualidade dos modelos anteriores deste enxame!" acrescenta Jauzac.

Determinou-se que a massa total do enxame MCS J0416.1-2403 - com um diâmetro modelado de mais de 650.000 anos-luz - equivale a 160 biliões de vezes a massa do Sol. Com uma incerteza de 0,5%, esta medição é a mais precisa alguma vez produzida para um enxame galáctico. Ao identificar precisamente onde a massa reside dentro de grupos como este, os astrónomos também estão a medir a curvatura do espaço-tempo com alta precisão. As observações e técnicas de lentes gravitacionais do Frontier Fields abriram uma maneira de caracterizar estes objectos com muita precisão - neste caso, um enxame tão distante que a sua luz levou 4,5 mil milhões de anos até cá chegar," acrescenta Jean-Paul Kneib.

"Mas não vamos parar por aqui. Para termos uma imagem completa da massa precisamos também de incluir medições de lentes fracas. Embora apenas forneça uma estimativa aproximada da massa do núcleo interior do enxame, as lentes fracas dão-nos informações valiosas acerca da massa que rodeia o núcleo do enxame. A equipe vai continuar a estudar o enxame com imagens ultra-profundas do Hubble e informações detalhadas de lentes fortes e fracas, com o objectivo de mapear as regiões exteriores do enxame bem como do seu núcleo interior, e assim será capaz de detectar subestruturas nos arredores do enxame.

Vão também usar medições em raios-X de gás quente pelo Chandra e "redshifts" espectroscópicos feitos a partir de observatórios terrestres para mapear o conteúdo do enxame, avaliando a respectiva contribuição da matéria escura, do gás e das estrelas. A combinação destas fontes de dados vai aumentar ainda mais os detalhes deste mapa de distribuição de massa, mostrando-o em 3D e incluindo as velocidades relativas das suas galáxias. Isto abre o caminho para a compreensão da história e evolução deste aglomerado galáctico.
Fonte: Astronomia On-Line - Portugal

Uma tempestade solar que poderia acabar com a civilização moderna quase nos atingiu em 2012

Handout photo released by Nasa Earth Observatory on June 7, 2011 and taken from Nasa's Solar Dynamics Observatory (SDO) shows th

Como você deve ter percebido, o mundo não acabou em 2012, mas foi por pouco. Segundo a NASA, uma tempestade solar grande o suficiente para “levar a civilização moderna de volta para o século XVIII” passou raspando pela Terra naquele ano. O clima espacial extremo atravessou a órbita do nosso planeta em 23 de julho de 2012 e era o mais poderoso em 150 anos, de acordo com um comunicado publicado no site da agência espacial dos EUA. No entanto, poucos terráqueos tinham ideia do que estava acontecendo na época. “Se a erupção tivesse ocorrido apenas uma semana antes, a Terra teria sido pega na linha de fogo”, aponta Daniel Baker, professor de Física Atmosférica e Espacial da Universidade do Colorado, nos EUA.

Em vez disso, a nuvem de tempestade atingiu a nave espacial STEREO-A, um observatório solar que é “quase idealmente equipado para medir os parâmetros de um evento como esse”, de acordo com a NASA. Os cientistas analisaram a grande quantidade de dados coletados e concluíram que, caso atingisse a Terra, a tempestade teria sido comparável à maior tempestade espacial registrada, que aconteceu em 1859 e ficou conhecida como o evento Carrington. Ela também teria sido duas vezes pior do que a tempestade solar registrada em 1989, que atingiu com força Quebec, no Canadá. “Analisando nossos estudos recentes, estou mais convencido do que nunca de que a Terra e os seus habitantes tiveram uma sorte incrível que essa erupção em 2012 aconteceu quando aconteceu”, comemora Baker.

A Academia Nacional de Ciências dos EUA afirma que o impacto econômico de uma tempestade como a que aconteceu em 1859 poderia custar à economia moderna mais de dois trilhões de dólares e causar danos que levariam anos para ser reparados. Especialistas explicam que as tempestades solares podem causar blecautes generalizados e a desativação de tudo entre o rádio até o GPS, passando pelo abastecimento de água, que geralmente conta com bombas elétricas. Tais tempestades começam com uma explosão na superfície do sol, conhecida como labareda solar, enviando raios-X e radiação UV extremos em direção à Terra à velocidade da luz.

Partículas energéticas como elétrons e prótons vêm em nossa direção horas mais tarde, podendo eletrificar satélites e danificar aparelhos eletrônicos. Em seguida, aparecem as ejeções de massa coronal, nuvens de bilhões de toneladas de plasma magnetizado que levam um dia ou mais para atravessar o espaço entre o sol e a Terra. Elas são muitas vezes desviadas pelos escudos magnéticos da Terra, mas um golpe direto poderia ser devastador.

Há uma chance de 12% de uma “super” tempestade solar, do tamanho do evento Carrington, atingir a Terra nos próximos 10 anos, segundo o físico Pete Riley, que publicou um artigo na revista Space Weather no início deste ano sobre o tema. Sua pesquisa foi baseada em uma análise de registros de tempestades solares nos últimos 50 anos. “Inicialmente, fiquei bastante surpreso que as chances eram tão altas, mas as estatísticas parecem estar corretas”, indica Riley.
Fonte: HypeScience.com

A Nebulosa Cabeça de Cavalo de azul para Infravermelho

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Uma das nebulosas mais fáceis de se identificar no céu, a Nebulosa da Cabeça de Cavalo em Orion, é parte de uma grande e escura nuvem molecular. Também conhecida como Barnard 33, a sua forma incomum foi descoberta pela primeira vez numa chapa fotográfica dos anos 1800. O brilho avermelhado se origina do gás hidrogênio predominante por trás da nebulosa, que é ionizado pela estrela Sigma Orionis. A escuridão da Cabeça de Cavalo é causada pela poeira espessa, embora a parte mais inferior do pescoço da Cabeça do Cavalo gera uma sombra para a esquerda. Correntes de gás deixando a nebulosa são afuniladas por um forte campo magnético. Pontos brilhantes na base da Cabeça do Cavalo são estrelas jovens ainda em seu processo de formação. A luz leva cerca de 1500 anos para sair da Nebulosa da Cabeça do Cavalo e nos atingir aqui na Terra. A imagem acima é uma combinação digital de imagens feitas em nas luzes azul, verde, vermelho e hidrogênio-alfa a partir da Argentina e uma imagem feita na luz infravermelha pelo Telescópio Espacial Hubble.
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