26 de ago de 2014

Astrônomos descobrem evidências de estrelas mais antigas do Universo, que podem ter sido centenas de vezes maiores que o Sol

Astrônomos descobriram a primeira evidência de grandes estrelas, que podem ter sido uma das mais antigas do Universo.  Com massa centenas de vezes maiores que a do Sol, elas existiram por pouco tempo e nenhuma deles existe mais. No entanto, já foi encontrado vestígios de uma delas, e a descoberta potencialmente inovadora poderia render informações fascinantes sobre o início de tudo, do próprio Universo.  A descoberta foi feita usando uma técnica chamada arqueologia estelar, pelo Dr. Wako Aoki e seus colegas do Observatório Astronômico Nacional do Japão, em Tóquio. Eles utilizaram o Telescópio Subaru, em Mauna Kea, no Havaí, de acordo com um relatório divulgado na revista Nature.

Esta técnica envolveu a análise da composição química de uma estrela de segunda geração para encontrar provas de uma primeira geração de estrelas que levaram à sua formação. Ao analisar os resultados, Dr. Aoki diz ter descoberto que o grupo de estrelas provavelmente foi formado a partir dos restos de uma geração passada.  Pensa-se que estrelas de primeira geração foram as primeiras a fundir hidrogênio e hélio em elementos mais pesados, que viriam a se tornar outros objetos, como planetas e outras estrelas. Elas são tão antigas que teriam precedido a maioria das galáxias do Universo, mas, devido à sua massa enorme, possuíam vida curta, com apenas alguns milhões de anos.

Os cientistas acreditam que o Universo começou no Big Bang, 13,8
bilhões de anos atrás, mas 800 milhões de anos mais tarde, quase todas as estrelas da primeira geração já tinha explodido, transformando-se em supernovas. Essas supernovas teriam originado planetas e galáxias, dando origem aos primeiros elementos pesados.  Agora, com a assinatura química de uma delas, será possível descobrir mais a respeito.  A evidência para esta estrela foi encontrada nos restos de uma estrela de segunda geração, chamada SDSS J0018-0939. Observações de sua composição química sugerem que foram formadas a partir de uma nuvem de gás, semeada com material da explosão de uma estrela massiva única, ou seja, uma estrela de primeira geração.

Naoki Yoshida, um astrofísico da
Universidade de Tóquio que não estava envolvido no estudo, disse: "Esta é uma descoberta muito aguardada. Parece que Aoki finalmente encontrou uma relíquia que mostra a evidência de que realmente houve uma estrela tão monstruosa em um passado distante. Estrelas de segunda geração são pequenas estrelas de baixa massa que possuem, aproximadamente, cerca de 13 bilhões de anos. Seus minúsculos níveis de elementos mais pesados sugerem que elas se uniram a partir de restos de estrelas muito maiores, de primeira geração.

No entanto, a sua existência foi inferida através do surgimento de elementos pesados após o Big Bang. Alguns elementos só poderiam se originar nos núcleos de estrelas, através da fusão de hélio e hidrogênio. Daí foi feita a associação com as de primeira geração. Mas, até agora, os estudos não conseguiram revelar a existência dessas grandes estrelas. Mais estudos serão necessários para confirmar se os resultados estão corretos, mas o Dr. Aoki e sua
equipe estão esperançosos de que este poderia ser um precursor para descobertas semelhantes, talvez com a ajuda do telescópio espacial James Webb, da Nasa, depois que ele for lançado, em 2018.
Fonte: Jornal Ciência

New Horizons passa órbita de Netuno a caminho de encontro histórico com Plutão

A sonda New Horizons da NASA, a caminho de Plutão, atravessou a órbita de Netuno. Esta é a sua última grande travessia rumo a tornar-se no primeiro objecto feito pelo Homem a ter um encontro com o distante Plutão no dia 14 de Julho de 2015. A sofisticada nave espacial com o tamanho de um piano [de cauda], lançada em Janeiro de 2006, alcançou a órbita de Neptuno - quase 4,43 mil milhões de quilómetros da Terra - num tempo recorde de oito anos e oito meses.
A sonda New Horizons, a caminho de Plutão, capturou esta imagem do planeta gigante Neptuno e da sua maior lua, Tritão, no passado dia 10 de Julho, a uma distância de aproximadamente 3,96 mil milhões de quilómetros - mais de 26 vezes a distância entre a Terra e o Sol.  Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins

Este marco da New Horizons coincide precisamente com o 25.º aniversário do encontro histórico da sonda Voyager 2 com Neptuno no dia 25 de Agosto de 1989. "É uma coincidência cósmica que liga um dos exploradores icónicos do Sistema Solar exterior do passado, com o próximo explorador do Sistema Solar exterior," afirma Jim Green, director da Divisão de Ciência Planetária da NASA, na sede da agência em Washington, EUA. "Há exactamente 25 anos atrás, a Voyager 2 deu-nos o primeiro olhar sobre um planeta inexplorado. Agora será a vez da New Horizons revelar o inexplorado Plutão e suas luas em detalhes impressionantes, durante o próximo Verão, a caminho dos vastos confins do Sistema Solar".

A New Horizons está agora a cerca de 4 mil milhões de quilómetros de Neptuno - quase 27 vezes a distância entre a Terra e o nosso Sol - e atravessou a órbita do planeta gigante às 03:04 desta Terça-feira (hora de Portugal). Embora a sonda esteja muito mais longe do planeta do que a Voyager 2 estava aquando da sua passagem rasante, a câmara telescópica da New Horizons foi capaz de obter várias imagens, de longa distância, da "aproximação" de Neptuno no passado dia 10 de Julho. As sondas Voyager 1 e 2 exploraram toda a zona centro do Sistema Solar onde os planetas gigantes orbitam," afirma Alan Stern, investigador principal da New Horizons, no Instituto de Pesquisa do Sudoeste em Boulder, no estado americano do Colorado.

 "Agora apoiamo-nos nos ombros largos das Voyager para explorar o ainda mais distante e misterioso sistema de Plutão. Vários membros seniores da equipa científica da New Horizons eram membros jovens da equipa científica da Voyager em 1989. Muitos lembram-se de como as imagens da aproximação de Neptuno e da sua lua, Tritão, pela Voyager 2, alimentaram a antecipação de descobertas por vir. Eles compartilham um sentimento similar e crescente, à medida que a New Horizons começa a sua aproximação a Plutão.

"A sensação há 25 anos atrás, era que isto tudo era emocionante, porque íamos ver Neptuno e Tritão de perto pela primeira vez," afirma Ralph McNutt do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, Maryland, EUA, que lidera a investigação de partículas energéticas da New Horizons e fez parte da equipa de análise de plasma da Voyager. "O mesmo está a acontecer para a New Horizons. Mesmo durante este Verão, quando estamos ainda a um ano da chegada e as nossas câmaras só conseguem avistar Plutão e as suas maiores luas como pequenos pontos, sabemos que temos algo incrível pela frente."

A visita da Voyager ao sistema neptuniano revelou características nunca antes vistas no planeta propriamente dito, como a Grande Mancha Escura, uma tempestade semelhante, mas não de tão longa duração, à Grande Mancha Vermelha de Júpiter. A Voyager também capturou, pela primeira vez, imagens nítidas do sistema de anéis do planeta, demasiado ténues para serem claramente vistos da Terra. "Houveram surpresas em Neptuno e muito surpresas em Tritão," afirma Ed Stone, cientista do projecto Voyager no Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena. "Tenho a certeza de que as surpresas vão continuar em Plutão."

Muitos investigadores consideram que o "flyby" por Neptuno em 1989 - o último encontro planetário da Voyager - é uma espécie de previsão do que está por vir no próximo ano. Os cientistas sugerem que Tritão, com a sua superfície gelada, pólos brilhantes, terreno variado e criovulcões, é um objecto parecido com Plutão que Neptuno puxou para órbita. Os cientistas recentemente restauraram imagens obtidas pela Voyager de Tritão e construíram o melhor mapa global desta lua estranha - aguçando ainda mais o apetite desta passagem rasante por Plutão.

Há muito especulação sobre se Plutão é parecido com Tritão, e quais as suas maiores parecenças," afirma NcNutt. "É a coisa mais interessante dos primeiros encontros como este - não sabemos exactamente o que esperar, mas sabemos, das décadas de experiência na exploração de novos planetas, que vamos ficar muito surpreendidos. Semelhante às observações históricas da Voyager 1 e 2, a New Horizons está também a caminho de descobertas potenciais na Cintura de Kuiper, uma região em forma de disco com objectos gelados para lá da órbita de Neptuno, e de outros reinos inexplorados do Sistema Solar exterior e além.

As sondas Voyager 1 e 2 foram lançadas com 16 dias de diferença em 1977 e a Voyager 2 visitou Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno. A Voyager 1 é agora o objecto mais distante feito pelo Homem, a cerca de 19 mil milhões de quilómetros do Sol. Em 2012, tornou-se no primeiro objecto feito pelo Homem a aventurar-se no espaço interestelar. A Voyager 2, a sonda espacial há mais tempo em operação contínua, está a cerca de 15 mil milhões de quilómetros do nosso Sol.
Fonte: Astronomia OnLine - Porugal


A 25 anos a Voyager 2 capturava imagens de Netuno

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A sonda Voyager 2 da NASA deu a humanidade o primeiro vislumbre de Netuno e de sua lua Tritão no verão (inverno no hemisfério sul) de 1989. Essa imagem de Netuno foi produzida das últimas imagens completas do planeta feitas através dos filtros laranja e verde da câmera de ângulo restrito da sonda Voyager 2. As imagens foram feitas no dia 20 de Agosto de 1989, a uma distância de 4.4 milhões de milhas do planeta, 4 dias e 20 horas antes do maior encontro entre a sonda e o planeta ocorrido no dia 25 de Agosto de 1989. A imagem acima mostra a Grande Mancha Escura e as suas companheiras mais brilhantes, no limbo oeste as feições brilhantes que representam o movimento rápido do planeta, e que foram apelidadas de Scooter e a Pequena Mancha Escura, podem ser vistas. Essas nuvens persistiram por todo o tempo em que as câmeras da Voyager as imageava.

Ao norte delas, uma faixa de nuvem brilhante similar à feição polar sul pode ser vista. No verão de 2015 (inverno no hemisfério sul), outra missão da NASA enviada até a zona mais distante do Sistema Solar, a New Horizons, fará o primeiro estudo detalhado de Plutão. Embora, seja uma rápida passagem, o encontro da New Horizons com Plutão em 14 de Julho de 2015, não será uma reprise do encontro da Voyager, mas pode ser considerado um reboot ou um revival, com uma sonda mais tecnologicamente avançada, e o mais importante, um novo conjunto de personagens. Esses personagens são Plutão e a sua família de cinco luas conhecidas, todas elas serão observadas em detalhe pela primeira vez daqui a aproximadamente 1 ano.
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