19 de set de 2014

MAVEN chega a Marte este fim de semana

Impressão de artista que descreve o processo de inserção orbital da sonda MAVEN da NASA. Crédito: NASA/GSFC

A sonda MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile Evolution) da NASA tem chegada prevista a Marte para o dia 21 de Setembro, depois de completar uma viagem interplanetária de 711 milhões de quilómetros ao longo de 10 meses. "A sonda e os instrumentos a bordo estão, até agora, de boa saúde," afirma David Mitchell, gestor do projecto MAVEN no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado americano de Maryland. "A equipa, o sistema de voo e todos os recursos terrestres estão preparados para a inserção na órbita de Marte."

A manobra de inserção orbital começará com um breve disparo de seis pequenos propulsores para estabilizar sonda. Os motores vão estar activos durante 33 minutos para desacelerar a nave, permitindo com que seja puxada para uma órbita elíptica com um período de 35 horas. Após a entrada em órbita, a MAVEN começará uma fase de comissionamento de seis semanas que inclui manobrar a nave até à sua órbita final e testar os seus instrumentos e comandos de ciência de mapeamento. A partir daí, a MAVEN começará a sua missão principal de um ano terrestre para fazer medições da composição, estrutura e fuga de gases na atmosfera superior de Marte e a sua interacção com o Sol e o vento solar.

"A missão científica da MAVEN vai tentar descobrir para onde é que a água, que estava presente no passado de Marte, foi, e para onde é o dióxido de carbono foi," afirma Bruce Jakosky, investigador principal da MAVEN e do Laboratório para Física Atmosférica e Espacial da Universidade do Colorado, em Boulder, EUA. "Estas são perguntas importantes para a compreensão da história de Marte, do seu clima e do seu potencial para suportar pelo menos vida microbiana."

A MAVEN foi lançada no dia 18 de Novembro de 2013, a partir de Cabo Canaveral, no estado americano da Flórida, e transporta três conjuntos de instrumentos científicos. É a primeira sonda dedicada ao estudo da atmosfera superior de Marte. A combinação de medições detalhadas desta missão, em pontos específicos da atmosfera de Marte, com imagens globais fornece uma ferramenta poderosa para a compreensão das propriedades da atmosfera superior do Planeta Vermelho. Seguindo as pisadas da MAVEN, a primeira sonda interplanetária da Índia, a Mangalyaan ou MOM (Mars Orbiter Mission), chegará a Marte poucos dias depois.
Fonte: Astronomia Online - Potugal

Hubble ajuda a encontrar a menor galáxia conhecida com um buraco negro supermassivo

hs-2014-41-a-xlarge_web

Impressão de artista do buraco negro de M60-UCD1. Crédito: NASA, ESA, STScI-PRC14-41a

Astrónomos usando o Telescópio Hubble da NASA e observatórios terrestres descobriram um objecto improvável num local improvável - um buraco negro monstruoso escondido dentro de uma das galáxias mais pequenas já descobertas. O buraco negro tem cinco vezes a massa do buraco negro no centro da nossa Via Láctea. Está situado dentro de uma das galáxias mais densas conhecidas - a galáxia anã M60-UCD1 que alberga 140 milhões de estrelas e com um diâmetro de aproximadamente 300 anos-luz, apenas 1/500 do diâmetro da nossa Galáxia. Se vivêssemos dentro desta galáxia anã, o céu nocturno era deslumbrante e seriam visíveis a olho nu, pelo menos, um milhão de estrelas.

O nosso céu nocturno, visto a partir da superfície da Terra [a olho nu], mostra cerca de 4000 estrelas. A descoberta implica que existem muitas outras galáxias compactas no Universo que contêm buracos negros supermassivos. A observação também sugere que as galáxias anãs podem ser na realidade os restos despojados de galáxias maiores que foram dilaceradas durante colisões com outras galáxias, em vez de pequenas ilhas de estrelas nascidas em isolamento. Nós não conhecemos qualquer outra forma que um buraco negro assim tão grande possa existir dentro de um objecto assim tão pequeno," afirma Anil Seth, da Universidade do Utah, EUA e autor principal do estudo internacional sobre a galáxia anã publicado na revista Nature.
Imagem de M60. A secção ampliada mostra a galáxia anã M60-UCD1 (também chamada NGC 4649). Crédito: NASA, ESA, Colaboração Hubble Heritage (STScI/AURA)-ESA/Hubble

A equipe científica de Seth usou o Telescópio Espacial Hubble, o telescópio de 8 metros Gemini Norte e o telescópio infravermelho em Mauna Kea, Hawaii para observar M60-UCD1 e medir a massa do buraco negro. As imagens nítidas do Hubble fornecem informações sobre o diâmetro da galáxia e densidade estelar. O Gemini mede os movimentos estelares à medida que são afectados pela força de atracção do buraco negro. Estes dados são usados para calcular a massa do buraco negro. Os buracos negros são objectos ultracompactos, gravitacionalmente colapsados, que têm uma força gravitacional tão forte que nem a luz lhes consegue escapar. Pensa-se que os buracos negros supermassivos - aqueles com a massa de pelo menos um milhão de estrelas como o nosso Sol - estejam no centro de muitas galáxias.

O buraco negro no centro da nossa Via Láctea tem a massa de quatro milhões de sóis. Mesmo com esta massa, corresponde a menos de 0,01% da massa total da Via Láctea. Em comparação, o buraco negro supermassivo no centro de M60-UCD1, que tem uma massa equivalente a 21 milhões de sóis, corresponde a uns incríveis 15% da massa total da pequena galáxia. "Isto é bastante surpreendente, tendo em conta que a Via Láctea é 500 vezes maior e mais de 1000 vezes mais massiva que a galáxia anã M60-UCD1," comenta Seth. Uma explicação é que M60-UCD1 já foi uma grande galáxia que continha 10 mil milhões de estrelas, mas que passou muito perto do centro de uma galáxia ainda maior, M60, e que no processo todas as estrelas e matéria escura na parte externa da galáxia foram arrancadas e tornaram-se parte de M60.

A equipe acredita que M60-UCD1 pode, eventualmente, vir a fundir-se totalmente com M60, que tem o seu próprio buraco negro supermassivo com uma massa colossal de 4,5 mil milhões de massas solares, ou mais de 1000 vezes mais massivo que o buraco negro da nossa Via Láctea. Quando isso acontecer, os buracos negros das duas galáxias irão provavelmente fundir-se. Ambas as galáxias estão a 50 milhões de anos-luz de distância.

O ALMA observa origem violenta de galáxias de disco

Novas observações explicam porque é que as galáxias do tipo da Via Láctea são tão comuns no Universo
Durante décadas os cientistas acreditaram que da fusão de galáxias resultavam geralmente galáxias elípticas. Agora, e pela primeira vez, os pesquisadores, com o auxílio do ALMA e um conjunto de outros rádio telescópios, descobriram evidências diretas de que as galáxias em fusão podem também dar origem a galáxias de disco e que este fenômeno é até bastante comum. Este resultado surpreendente pode explicar porque é que existem tantas galáxias espirais como a Via Láctea no Universo. Uma equipe de pesquisa internacional liderada por Junko Ueda, pós-doutorando da Sociedade Japonesa  para a Divulgação da Ciência, fez observações surpreendentes que mostram que a maioria das colisões galácticas no Universo próximo – entre 40 e 600 milhões de anos-luz de distância da Terra – dão origem às chamadas galáxias de disco.

As galáxias de disco – que incluem as galáxias espirais como a Via Láctea e as galáxias lenticulares – definem-se como possuindo regiões de gás e poeira em forma de panqueca e são bastante diferentes da categoria das galáxias elípticas. É largamente aceito, há algum tempo, que as galáxias de disco em fusão dão eventualmente origem a uma galáxia de forma elíptica. Durante estas interações violentas as galáxias não ganham apenas massa quando fusionam ou se canibalizam uma à outra, mas também modificam a sua forma ao longo do tempo cósmico e por isso mudam de tipo.

Simulações de computador dos anos 1970 prediziam que a fusão entre duas galáxias de disco comparáveis entre si resultaria numa galáxia elíptica. As simulações apontam assim para que atualmente a maioria das galáxias sejam elípticas, o que contradiz as observações que mostram que mais de 70 % das galáxias são de fato galáxias de disco. No entanto, algumas simulações mais recentes sugeriram que as colisões poderiam também dar origem a galáxias de disco. De modo a identificar de maneira observacional as formas finais das galáxias depois da fusão, o grupo de cientistas estudou a distribuição de gás em 37 galáxias que se encontram nos estádios finais de fusão. Foi utilizado o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) e vários outros rádio telescópios para observar a emissão do monóxido de carbono (CO), um indicador de gás molecular.

O trabalho da equipe é o maior estudo do gás molecular em galáxias feito até hoje e proporciona uma perspectiva única de como a Via Láctea se pode ter formado. O estudo revelou que quase todas as fusões mostram regiões de gás molecular em forma de panqueca e são por isso galáxias de disco em formação. Ueda explica: “Pela primeira vez temos evidências observacionais de que a fusão de galáxias resulta em galáxias de disco e não em galáxias elípticas. Este é um grande e inesperado passo em frente na compreensão do mistério do nascimento de galáxias de disco.

Há, no entanto, ainda muito por descobrir. Daisuke Iono, do NAOJ e da Graduate University for Advanced Studies, co-autor do artigo científico que descreve este trabalho, acrescenta: “No seguimento deste trabalho temos agora que nos focar na formação de estrelas nestas galáxias de disco, necessitando também de olhar para o Universo mais distante. Sabemos que a maioria das galáxias no Universo mais longínquo possui discos. No entanto, não sabemos se as fusões de galáxias são também responsáveis por isso, ou se estes objetos se formaram de gás frio que vai gradualmente caindo na galáxia. Talvez tenhamos descoberto um mecanismo geral que se aplica ao longo de toda a história do Universo”.

Luas Potencialmente Habitáveis

See Explanation.  Clicking on the picture will download
 the highest resolution version available.

Créditos da imagem: Pesquisa e compilação – René Heller (McMaster Univ.) et al.; Imagens – NASA/JPL/Space Science Institute. Copyright: Ted Stryk.

Para os astrobiólogos, essas podem ser as quatro luas mais tentadoras do nosso Sistema Solar. Mostradas na mesma escala, sua exploração por meio de sondas interplanetárias tem lançado a ideia de que luas, e não apenas planetas, poderiam ter ambientes que suportariam a vida. A missão Galileo a Júpiter, descobriu o oceano global de água líquida na subsuperfície de Europa e indicações de oceanos no interiorde Ganimedes. Em Saturno, a sonda Cassini detectou fontes em erupção de gelo de água na lua Encélado, indicando uma subsuperfície mais quente até mesmo nessa pequena lua, enquanto encontrou lagos na superfície de hidrocarbonetos frígidos abaixo da densa atmosfera da lua Titã. Agora, olhando além do Sistema Solar, uma nova pesquisa (mostrada abaixo), sugere que luas em exoplanetas, ou as exoluas, como estão sendo chamadas, superam o número de planetas na zona habitável estelar. Isso faria com que as luas fossem o tipo de mundo habitável mais comum no universo.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...