10 de out de 2014

Cientistas podem ter avistado um planeta em formação em ação pela primeira vez na história

Enormes discos de gás e poeira ao redor de várias estrelas jovens. Alguns contêm lacunas circulares – provavelmente o resultado da formação de planetas, que esculpiram cavidades ao longo de suas trajetórias orbitais.
planeta em formacao
O fenômeno descrito acima parece fascinante, porém os astrônomos conhecem apenas alguns exemplos dele, incluindo o disco arquetípico que circunda Beta Pictoris. Esse disco representa a fase de transição entre o disco original e o sistema planetário jovem. Porém, os cientistas nunca tinham visto um planeta em formação. Até agora. Duas equipes de pesquisa independentes acreditam terem observado esta raridade em torno da estrela HD 169142. Esta jovem estrela tem um disco que se estende por até 250 unidades astronômicas (UA), o que equivale a cerca de seis vezes mais do que a distância média do sol a Plutão. Esta estrutura já sugeria que o disco estava sendo modificado por dois planetas ou objetos sub-estelares, mas, além disso, os dados de rádio revelam a existência de um amontoado de material dentro da abertura externa, localizado a aproximadamente à distância da órbita de Netuno, o que aponta para a existência de um planeta se formando”, explica Mayra Osorio, pesquisadora do Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC) e principal autora de um dos artigos, em um comunicado à imprensa.

Maddalena Reggiani e seus colegas, do Instituto de Astronomia de Zurique, em seguida, tentaram procurar fontes de infravermelho nas lacunas utilizando o Very Large Telescope. Eles encontraram um sinal luminoso na abertura interna, o que provavelmente corresponde a um planeta em formação ou uma jovem estrela anã marrom, um objeto que não é grande o suficiente para iniciar uma fusão nuclear. A equipe não conseguiu confirmar a presença de um objeto na segunda abertura, provavelmente devido a limitações técnicas. Qualquer objeto com uma massa inferior a 18 vezes a massa de Júpiter permanecerá escondido nos dados. Observações futuras irão trazer mais esclarecimentos a respeito deste sistema exótico, possivelmente permitindo que os astrônomos entendam melhor como os planetas se formam em torno de jovens estrelas. Ambos os artigos foram publicados na revista “Astrophysical Journal Letters”.
Fonte: HypeScience.com

Um cometa a caminho de Marte

Concepção artística do cometa Siding Spring a caminho de Marte. Vai errar por pouco.
Concepção artística do cometa Siding Spring a caminho de Marte. Vai errar por pouco.

Em dez dias, um cometa passará de raspão por Marte. Não deve colidir, mas vai zunir a apenas 132 mil quilômetros de distância da superfície do planeta vermelho. É cerca de um terço da distância entre a Terra e a Lua. Fosse esse encontro por essas bandas, eu estaria apavorado. Mas o bom é que não é, e de quebra temos uma flotilha de espaçonaves em Marte para registrar tudo. A Nasa apresenta hoje à tarde ao público seus planos científicos para a ocasião, que incluem um esforço inusitado. Os jipes Opportunity e Curiosity vão fazer hora extra e trabalhar à noite. Trata-se de uma grande e fortuita oportunidade para estudar um objeto singular.

Afinal de contas, o cometa Siding Spring, descoberto no ano passado, não é como seus colegas já visitados por outras espaçonaves. Enquanto cometas como o Halley e o 67P/Churyumov-Gerasimenko (que está sendo visitado pela sonda europeia Rosetta neste exato momento) têm órbitas relativamente modestas, implicando passagens frequentes pelas redondezas do Sol, o Siding Spring é um daqueles cometas que vêm de uma misteriosa região nos confins do Sistema Solar, a chamada nuvem de Oort. Ele viaja numa rota hiperbólica, o que significa dizer que fará agora sua primeira passagem pelo interior do Sistema Solar e, se sobreviver à aproximação máxima do Sol, provavelmente jamais retornará à nossa vizinhança.

Em suma, enquanto todos os cometas que conhecemos de perto já estavam “gastos” pela ação do Sol, o Siding Spring deve estar praticamente como veio ao mundo — um pedaço de gelo e rocha de 4,6 bilhões de anos, remanescente do processo que formou os planetas. É uma chance de ouro. “Nós nunca vimos um desses cometas de perto. Nunca. Não sabemos o que esperar”, diz Karl Battams, especialista em cometas da Nasa. O estudo desses objetos têm duas conexões interessantes. Eles oferecem lampejos sobre a origem dos sistemas planetários e, por terem grandes quantidades de moléculas orgânicas, também são vistos como possíveis semeadores de compostos precursores da vida em mundos como o nosso.

A SORTE FAVORECE OS EXPLORADORES
De vez em quando a natureza resolve dar uma mãozinha à humanidade em sua incansável busca pelos segredos do Universo. Sobretudo quando o assunto é cometas. Em 1994, vimos o estrago que uma colisão pode causar, quando o cometa Shoemaker-Levy 9 trombou com Júpiter. Por sorte, tínhamos a sonda Galileo chegando por lá no mesmo momento, o que favoreceu as observações. Desta vez, uma pancada é improvável. O que veremos será a interação da atmosfera do cometa (gerada pela evaporação de compostos voláteis, como água, conforme o astro avança em direção ao Sol) com a atmosfera do planeta vermelho. E, de novo, por sorte temos duas sondas especializadas no estudo do ar marciano que acabaram de lá chegar: a americana Maven e a indiana MOM.

Todas as precauções estão sendo tomadas para que as espaçonaves corram poucos riscos de danos durante o encontro. E há razão para preocupação: estima-se que, no espaço de poucos dias, elas sofram com impactos de pequenos detritos do cometa que equivalem a cerca de cinco anos de incidência média de meteoritos. A prioridade, naturalmente, é a segurança das missões. Mas todas as sondas em operação devem fazer observações. Isso inclui as americanas Mars Odyssey e Mars Reconnaissance Orbiter, além da europeia Mars Express e as duas recém-chegadas. E até mesmo os jipes robóticos Opportunity e Curiosity vão entrar na dança, tentando tirar fotos do cometa e colhendo dados de sua composição.

O duro é que astronomia na superfície de Marte é como na Terra: a não ser que o objeto de estudo seja o Sol, as observações devem ser feitas à noite. Para os robozinhos, isso consiste em uma desafio especial, pois os equipamentos precisam trabalhar a temperaturas muito baixas, inferiores a -70 graus Celsius. Normalmente, eles “dormem” durante a noite, para conservar a energia de suas baterias. Mas vale a pena abrir uma exceção para uma ocasião como essa.
Fonte: Salvador Nogueira - Mensageiro Sideral
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