11 de nov de 2014

ADEUS "J", OLÁ AGILKIA

O local onde o módulo Philae da Rosetta tem aterragem prevista no Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, no próximo dia 12 de Novembro, agora tem um nome: Agilkia. O local de pouso, conhecido anteriormente como "Local J", tem o nome da Ilha de Agilkia, uma ilha no Rio Nilo no sul do Egipto. Muitos edifícios egípcios antigos, incluindo o famoso Templo de Isis, foram transferidos para Agilkia desde a ilha de Philae, quando esta última foi inundada durante a construção das barragens Aswan no século passado. O nome foi seleccionado por um júri composto por membros do Comité de Navegação do Lander Philae como parte de um concurso público que decorreu entre os dias 16 e 22 de Outubro pela ESA e pelas agências espaciais alemã, francesa e italiana.

Agilkia foi uma das escolhas mais populares - foi proposta por mais de 150 participantes. O comité seleccionou Alexandre Brouste da França como o grande vencedor. Como prémio, o sr. Brouste será convidado a visitar o Centro de Controle de Operações Espaciais da ESA em Darmstadt, Alemanha, para acompanhar a aterragem ao vivo. Embora talvez não tão complicada como navegar a Rosetta e o Philae em direcção ao cometa, a tarefa de escolher um nome não foi simples. Foram recebidas em apenas uma semana mais de 8000 inscrições de 135 países, demonstrando grande criatividade e diversidade cultural. "A decisão foi muito difícil," afirma o prof. Felix Huber do Centro Aeroespacial DLR alemão, presidente do Comité de Navegação.

"Recebemos muitas sugestões boas para o nome do Local J e ficámos encantados com uma resposta tão entusiástica de todo o mundo. Queremos agradecer a todos os participantes que partilharam as suas grandes ideias connosco. Os participantes propuseram nomes numa variedade de línguas, tanto antigas como modernas. Havia também algumas siglas interessantes, sequências curiosas de dígitos e palavras onomatopeicas.

As entradas abrangeram uma gama enorme de temas, desde conceitos abstractos até nomes de lugares na Terra. Tal como o nome vencedor, muitas sugestões ecoaram as origens egípcias da Rosetta e Philae, nomeadas em reconhecimento dos marcos de descodificação hieroglífica, o sistema de escrita sagrada do antigo Egipto. Muitos nomes marcaram a história da exploração do nosso planeta, pois aquelas viagens para o desconhecido são os antepassados naturais da Rosetta e do Philae. Também foram propostos nomes mitológicos de todo o mundo, incluindo deuses e deusas da água, fertilidade, vida e criação, relacionados intimamente com os temas fundamentais investigados pela missão.

Outros nomes foram inspirados pela história antiga e pela pré-história, enquanto outros recordam marcos na história da ciência, particularmente a história da nossa compreensão dos cometas. O progresso da Era Espacial foi também homenageado por muitas entradas. Havia muitas referências à ficção científica, celebrando as obras de Júlio Verne, Arthur C. Clarke e Douglas Adams, entre outros. Também foram propostos personagens imaginários de filmes, séries de televisão, de obras literárias e musicais. Alguns até se referiram aos astronautas virtuais do Kerbal Space Program, um popular videojogo de exploração espacial.

Várias entradas reconheceram a missão Rosetta como um esforço alcançado através da cooperação de muitos países europeus, enquanto outras assinalavam as suas inovadoras conquistas técnicas e científicas. E, claro, não houve escassez de entradas mais humorísticas, muitas referindo-se à semelhança do núcleo do cometa com um pato de borracha, uma batata ou até mesmo ao cão dos desenhos animados, Snoopy. Mas a escolha final é Agilkia, que é como o local de aterragem será designado doravante pela ESA e pelos parceiros da missão.

"E não podia ser um nome mais apropriado," comenta Fred Jansen, gerente da missão Rosetta da ESA. "A mudança dos templos da Ilha de Philae para a Ilha de Agilkia foi um esforço técnico ambicioso realizado nas décadas de 1960 e 1970 para preservar um registo arqueológico da nossa história. "Daqui a poucos dias, o Philae será libertado da sonda até Agilkia. No dia 12 de Novembro, vamos tentar uma aterragem num cometa, um empreendimento ainda mais ambicioso para desvendar os segredos das nossas origens mais remotas."
Fonte: Astronomia Online - Portugal

O MUSE revela a verdadeira história por trás de uma colisão galáctica


O instrumento MUSE montado no Very Large Telescope (VLT) do ESO deu aos astrônomos a melhor imagem até hoje de uma colisão cósmica espetacular. As observações revelam, pela primeira vez, o movimento do gás à medida que é arrancado da galáxia ESO 137-001, quando esta entra a alta velocidade num enorme aglomerado de galáxias. Os resultados contêm a chave para a solução de um mistério de longa data - porque é que a formação estelar se interrompe em aglomerados de galáxias. Nesta imagem as cores mostram os movimentos dos filamentos de gás - o vermelho assinala o material que se afasta de nós relativamente à galáxia e o azul mostra o que se aproxima. Note que nas regiões superior esquerda e a inferior direita da imagem foram inseridas imagens deste objeto obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble.Crédito:ESO/M. Fumagalli

O novo instrumento MUSE montado no Very Large Telescope (VLT) do ESO deu aos astrônomos a melhor imagem até hoje de uma colisão cósmica espetacular. As novas observações revelam, pela primeira vez, o movimento do gás à medida que é arrancado da galáxia ESO 137-001, quando esta entra a alta velocidade num enorme aglomerado de galáxias. Os resultados contêm a chave para a solução de um mistério de longa data - porque é que a formação estelar se interrompe em aglomerado de galáxias. Uma equipe de pesquisadores liderada por Michele Fumagalli do Grupo de Astronomia Extragaláctica e do Instituto de Cosmologia Computacional, da Universidade de Durham, esteve entre as primeiras a utilizar o instrumento do ESO Multi Unit Spectroscopic Explorer (MUSE), montado no VLT.

 Ao observar ESO 137-001 - uma galáxia espiral situada a 200 milhões de anos-luz de distância, na constelação do Triângulo Austral - a equipe conseguiu obter a melhor imagem já feita do que acontece exatamente com a galáxia à medida que esta se precipita a alta velocidade no Aglomerado de Norma. O MUSE dá aos astrônomos não apenas uma imagem, mas também um espectro - ou faixa de cores - para cada pixel do campo. Com este instrumento os pesquisadores coletam cerca de 90 000 espectros de cada vez que observam um objeto, e deste modo obtêm um mapa extremamente detalhado quer do movimento quer doutras propriedades dos objetos observados. ESO 137-001 está ficando sem o seu material primário devido a um processo chamado pressão de arraste, processo este que ocorre quando um objeto se move a alta velocidade num meio líquido ou gasoso.

Trata-se de um fenômeno semelhante ao efeito do ar a soprar para trás o pelo de um cão quando o animal põe a cabeça fora da janela de um carro em movimento. Neste caso, o gás faz parte da vasta nuvem de gás tênue muito quente que envolve o aglomerado de galáxias, no qual ESO 137-001 está “caindo” com uma velocidade de vários milhões de quilômetros por hora. A galáxia está ficando sem a maior parte do seu gás - o combustível necessário para dar origem às próximas gerações de estrelas jovens azuis. ESO 137-001 encontra-se no meio deste processo e está precisamente passando de uma galáxia azul rica em gás a uma galáxia vermelha pobre em gás. Os cientistas pensam que o processo agora observado irá ajudar a resolver um enigma científico de longa data.

Uma das principais tarefas da astronomia moderna é descobrir como e por que é que as galáxias nos aglomerados evoluem de azuis para vermelhas num período de tempo muito curto”, diz Fumagalli. “Conseguir observar uma galáxia quando ela está nesta fase de transformação permite-nos investigar como é que isto acontece”.

Observar este espetáculo galáctico não é, no entanto, nada fácil. O Aglomerado de Norma situa-se próximo do plano da nossa galáxia, a
Via Láctea, e por isso está escondido por trás de enormes quantidades de poeira e gás galáticos. Com a ajuda do MUSE, montado num dos Telescópios Principais de 8 metros do VLT, no Observatório do Paranal, no Chile, os cientistas puderam não apenas detectar o gás na galáxia e em torno dela, mas também viram como é que este gás se desloca. O novo instrumento é tão eficiente que uma única hora de observação permitiu obter uma imagem de alta resolução da galáxia e também a distribuição e movimento do seu gás.

As observações mostram que a periferia de ESO 137-001 já não contém gás, o que se deve ao fato do gás existente no aglomerado - com um temperatura de milhões de graus - empurrar o gás mais frio para fora de ESO 137-001 à medida que esta avança em direção ao centro de aglomerado. O efeito acontece primeiro nos braços espirais, onde as estrelas e a matéria estão distribuídas de forma mais dispersa do que no centro e onde a gravidade tem um efeito relativamente fraco sobre o gás. No centro da galáxia, no entanto, a força gravitacional é suficientemente forte para aguentar mais tempo este puxão cósmico e por isso ainda se observa gás nesta região.

Eventualmente, todo o gás da galáxia será varrido ficando em longas faixas brilhantes por trás de ESO 137-001 - restos que mostram o efeito dramático deste fenômeno. O gás que é arrancado à galáxia mistura-se com o gás quente do aglomerado formando magníficas caudas que se estendem por mais de 200 000 anos-luz. A equipe observou cuidadosamente estas correntes de gás, no intuito de compreender melhor a turbulência criada pela interação. De forma surpreendente, as novas observações MUSE desta pluma de gás mostram que o gás continua a girar do mesmo modo que a galáxia, mesmo depois de ter sido arrancado à galáxia e ter sido varrido para o espaço. Adicionalmente, os pesquisadores conseguiram determinar que a rotação das estrelas em ESO 137-001 permanece inalterada, o que nos dá evidências adicionais de que é o gás do aglomerado, e não a gravidade, o responsável por “despir” a galáxia.

Matteo Fossati (Universitäts-Sternwarte München e Max-Planck-Institut für extraterrestrische Physik, Garching, Alemanha) e co-autor do artigo científico que descreve estes resultados conclui: Com os detalhes revelados pelo MUSE conseguimos compreender melhor os processos físicos que estão em jogo nestas colisões. Pudemos observar os movimentos da galáxia e do gás com todo o detalhe - algo que não seria possível sem este novo instrumento único que é o MUSE. Estas observações, e outras no futuro, nos ajudarão a compreender melhor o processo de evolução das galáxias”.
Fonte: ESO

Metade das estrelas pode estar fora das galáxias

Estrelas fora das galáxias

Este gráfico ilustra como a equipe mediu um brilho difuso de infravermelho preenchendo de luz os espaços entre as galáxias. Em primeiro lugar, imagens do céu foram coletadas em vários voos de foguetes - uma pequena parte da imagem é mostrada à esquerda. O próximo passo foi remover todas as estrelas e galáxias conhecidas. Os dados restantes revelam padrões de grande escala de luz com aglomerados que são maiores do que as próprias galáxias (centro). Suavizando os dados, é possível ver os padrões de grande escala (à direita).[Imagem: NASA/JPL-Caltech]

LUZ DE FUNDO EXTRAGALÁCTICA

Astrônomos acreditam ter encontrado indícios de que metade das estrelas do Universo não faz parte de galáxias, vagando isoladas pelo enorme espaço intergaláctico. Há muito se debate a origem da "Luz de Fundo Extragaláctica" (LFE) - as galáxias conhecidas não emitem luz suficiente para explicar todo o brilho que é captado quando observamos o céu - essa radiação fica na faixa infravermelha do espectro.

Há cerca de 10 anos, uma equipe usou dados do telescópio espacial Spitzer para concluir que esse brilho de fundo tinha sido emitido pelas galáxias primordiais, há muito tempo destruídas ou fundidas para formar a atual população de galáxias conhecidas.

ESTRELAS SEM GALÁXIAS

Agora, usando telescópios especiais a bordo de dois foguetes de sondagem da NASA, Michael Zemcov e seus colegas verificaram que a luz de fundo extragaláctica é azul demais para poder ser atribuída às galáxias muito antigas - nesse caso, o desvio para o vermelho deveria ser muito maior. Segundo eles, a melhor explicação para os novos dados é que esse brilho se origina de estrelas que foram arrancadas de suas galáxias originais por colisões e fusões, e agora flutuam soltas pelo espaço intergaláctico.

Essas estrelas não são diretamente observáveis porque estrelas são muito pequenas em comparação com as galáxias que povoam o céu. Apesar disso, "a luz total produzida por essas estrelas desgarradas é mais ou menos igual à luz de fundo que obtemos contando as galáxias individualmente," disse o professor Jamie Bock, membro da equipe.

Em outras palavras, se você calcular a luz produzida individualmente por todas as galáxias conhecidas, a soma será menor do que a luz de fundo extragaláctica. Com base nessa intensidade do brilho captado, a equipe conclui que há tantas estrelas desgarradas quanto estrelas reunidas em galáxias. A ideia não é totalmente estranha, uma vez que já se conhecem vários planetas sem estrelas, vagando soltos pelas galáxias, assim como estrelas hipervelozes ejetadas da Via Láctea. E isto sem levar em conta o processo de fusões e choques entre galáxias, que podem deixar muitas estrelas órfãs.

REDEFINIÇÃO DE GALÁXIA

As descobertas redefinem o que os cientistas imaginam ser galáxias. Galáxias podem não ter um conjunto delimitado de estrelas, mas em vez disso se espalharem por grandes distâncias, formando um vasto mar interconectado de estrelas," disse a NASA em comunicado. O experimento CIBER (Cosmic Infrared Background Experiment) consistiu em lançar telescópios com enorme campo de visão - várias vezes a área coberta pela Lua cheia - para observar diferentes partes do céu em diferentes momentos, o que permitiu eliminar a influência da luz zodiacal, o reflexo do brilho do Sol sobre partículas de poeira espalhadas pelo Sistema Solar.

Como o processamento dos dados foi extremamente delicado e trabalhoso, envolvendo identificar e remover outras fontes, como as geradas pelo próprio instrumento, pelo Sistema Solar, pelas estrelas, pela Via Láctea e por todas as demais galáxias, vários astrônomos não envolvidos no estudo receberam os resultados com cautela, talvez escaldados pelos casos recentes dos neutrinos superluminais e pela detecção de ondas gravitacionais.

Mas muitos concordam que há um problema com os dados observacionais - as galáxias conhecidas não geram a quantidade de radiação detectada - e a equipe forneceu uma explicação possível. "Embora tenhamos projetado nosso experimento para procurar pela emissão das primeiras estrelas e galáxias, essa explicação não se encaixa muito bem nos nossos dados. A melhor interpretação é que estamos vendo a luz de estrelas fora das galáxias, mas nos mesmos halos de matéria escura. As estrelas foram arrancadas das suas galáxias-mãe por interações gravitacionais - que sabemos acontecer a partir de imagens de galáxias interagindo - e arremessadas a grandes distâncias," defende Zemcov.
Fonte: Inovação Tecnológica

Cometa alterou química da atmosfera de Marte

Mars Valles Marineris EDIT.jpg
Um cometa surgido do espaço profundo passou muito próximo de Marte, no mês passado, provocando uma inesperada chuva de meteoritos que modificou brevemente a química da atmosfera do Planeta Vermelho, revelou a Nasa nesta sexta-feira. O cometa Siding Spring chegou de uma região distante do Sistema Solar conhecida como Nuvem de Oort e sua passagem próxima a Marte, no dia 19 de outubro, a uma velocidade de 56 Km por segundo, foi acompanhada de muito perto pelas sondas que orbitam o planeta ou exploram seu solo. Acreditamos que este tipo de acontecimento ocorre uma vez a cada milhões de anos", disse Jim Green, diretor da Divisão de Ciências Planetárias da Nasa. Quando passou a 140.000 Km de Marte, o cometa desprendeu milhares de quilômetros de poeira, muito mais do que previa a agência espacial americana.

"A poeira do cometa caiu na atmosfera superior, criando uma enorme e densa camada ionosférica que literalmente mudou a química da atmosfera superior", disse Green aos jornalistas. Esta camada adicional de íons, sobre uma camada carregada eletricamente em torno do planeta, foi temporária, destacou a Nasa. A agência espacial destacou que foi a primeira vez que cientistas conseguiram recolher fragmentos de uma chuva de meteoritos capaz de produzir mudanças significativas na atmosfera. A chuva de meteoritos provavelmente demorou uma hora ou mais, segundo dados obtidos pela Mars Atmosphere and Volatile Evolution Mission (MAVEN).

Seus instrumentos científicos também detectaram oito tipos distintos de íons metálicos, incluindo sódio, magnésio e ferro. Nem mesmo as chuvas de meteoritos mais intensas que caíram na Terra já produziram uma reação tão forte como esta". Se tivessem humanos em Marte, eles veriam um brilho amarelo no céu, disse Nick Schneider, que dirige os instrumentos do espectrômetro ultravioleta da MAVEN a partir da Universidade do Colorado, em Boulder. "Teria sido um grande espetáculo para o olho humano. Provavelmente seriam milhares de estrelas cadentes por hora". As sondas MAVEN - Mars Reconnaissance Orbiter, da NASA, e Mars Express, da Agência Espacial Europeia - foram reposicionadas no extremo oposto de Marte para sua proteção durante a passagem do cometa.

 Está bastante óbvio que (sem o reposicionamento) as sondas não teriam sobrevivido, tendo-se em conta a tremenda resposta da atmosfera de Marte à passagem do cometa", destacou Green. A sonda da Nasa Opportunity, um veículo que percorre a superfície do solo marciano, capturou uma imagem do cometa, e os cientistas analisam dados obtidos pela sonda Curiosity, que chegou à Marte em 2012. O cometa viajou mais de um milhão de anos para passar por Marte e só voltará ao Planeta Vermelho em outro milhão de anos, após completar sua volta em torno do Sol.
Fonte: TERRA

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...