17 de nov de 2014

Júpiter tem uma colossal queimadura solar

grande mancha jupiter


Ao combinar observações da sonda Cassini da NASA com experimentos de laboratório, astrônomos afirmam que a Grande Mancha Vermelha de Júpiter é basicamente uma queimadura solar. Essa cor avermelhada seria um produto de substâncias químicas simples sendo quebradas pela luz solar na atmosfera superior do planeta. Tão amplo quanto duas Terras, o famoso local é uma característica antiga e semelhante a um ciclone, localizada na atmosfera de Júpiter. Três camadas de nuvens principais ocupam altitudes específicas nos céus de Júpiter: da mais alta para a mais baixa, são elas: de amônia, de hidrossulfeto de amônio e de água. Uma das principais teorias para cores marcantes do local argumenta que os produtos químicos avermelhados estão vindo de debaixo de todas essas nuvens. De acordo com essa teoria, a Grande Mancha Vermelha seria um rubor, ao invés de uma queimadura solar. Contudo, uma equipe liderada por Kevin Baines, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, estava decidida a determinar se a cor da mancha poderia derivar da quebra do hidrossulfeto de amônio (a camada de nuvens do meio) induzida pelo sol, mas eles rapidamente descobriram que, em vez de uma cor vermelha, os produtos de sua experiência de laboratório tinha um tom verde vibrante.

Então, a equipe decidiu explodir amônia (a camada de nuvens superior) e gases acetilenos – hidrocarbonetos comuns nas altitudes elevadas de Júpiter – com luz ultravioleta. Isso simula os efeitos do sol em alturas extremas de nuvens na Grande Mancha Vermelha. O resultado foi um material avermelhado, que a equipe, em seguida, comparou com as observações do Espectômetro de Mapeamente Visível e de Infravermelho (VIMS) da Cassini durante seu voo de dezembro 2000 sobre Júpiter. As propriedades de dispersão da luz de sua mistura vermelha encontrada no laboratório se encaixavam muito bem com um modelo do local no qual o material de cor vermelha se limita aos alcances superiores.

“Nossos modelos sugerem que a maior parte da Grande Mancha Vermelha é de uma cor bastante sem graça, abaixo da camada de nuvem superior de material avermelhado”, disse Baines em um comunicado à imprensa. “Sob a ‘queimadura’ avermelhada as nuvens são provavelmente esbranquiçadas ou acinzentadas. Considerar que o agente de coloração está confinado ao topo das nuvens contradiz a teoria prevalecente, que diz que a cor vermelha se deve à ressurgência de químicos formados profundamente abaixo das camadas de nuvens visíveis. Se o material vermelho estivesse vindo de baixo, ele deveria estar presente em outras altitudes, explicam os cientistas, o que tornaria a mancha ainda mais vermelha.

Segundo a equipe, altitude explica porque o vermelho intenso só é visto no local (e talvez em alguns outros pontos menores). “A Grande Mancha Vermelha é extremamente alta”, conta Baines. “Ela atinge altitudes muito maiores do que nuvens em outros lugares de Júpiter”. A grande altitude do local permite (e aumenta) a vermelhidão. Seus ventos transportam partículas de gelo de amônia para o alto da atmosfera, onde elas estão expostas a muito mais luz ultravioleta do sol e a natureza de vórtice do local evita que as partículas escapem das nuvens superiores. Os laranjas e marrons são graças a nuvens altas e finas, através das quais nós conseguimos ver as profundezas da atmosfera onde existem substâncias mais coloridas.
Fonte: HypeScience.com
 [I Fucking Love Science]

Sonda Philae conclui missão primária em cometa pouco antes de ficar sem bateria

A sonda robótica Philae completou sua missão primária quase 57 horas após pouso no cometa 67/P Churyumov-Gerasimenko
Diferentes imagens flagradas pelo sistema de câmeras da Philae divulgadas pela European Space Agency ESA (13/11)

Na noite de sexta-feira (14), o equipamento enviou à Agência Especial Europeia (ESA, da sigla em inglês) mais um pacote de informações sobre a superfície do cometa. Na sequência, já quase sem bateria, a sonda entrou em modo de espera, desligando automaticamente instrumentos e sistemas de bordo. Recebemos tudo. Correu exatamente como planejávamos”, disse neste sábado (15) um dos cientistas que participam da missão, Jean Pierre Bibring. Ele esclareceu que a equipe chegou a tentar reposicionar os instrumentos da sonda de forma a otimizar a incidência da luz solar sobre os painéis solares que garantem o abastecimento energético da Philae.

Ao pousar no cometa, a sonda tinha energia suficiente para funcionar por cerca de dois dias e meio. Como está na maior parte do tempo à sombra, a incidência de luz sobre os painéis é insuficiente para carregar a bateria, movida à luz solar. Estamos convencidos de que somos capazes de manter Philae trabalhando, desde que seus painéis solares se aproximem o suficiente do sol", acrescentou Bibring. Os últimos dados transmitidos pela sonda antes de perder contato com a Terra incluem os resultados de testes químicos de uma amostra da superfície do 67/P Churyumov-Gerasimenko, de gelo cósmico e poeira rica em carbono.

O cometa, cujo núcleo mede em torno de 4 quilômetros, encontra-se a cerca de 510 milhões de quilômetros da Terra, viajando pelo espaço a uma velocidade de aproximadamente 18 quilômetros por segundo. Como a baixa gravidade praticamente anula o peso da sonda, qualquer oscilação é suficiente para que a Philae se desprenda e se perca no espaço. Para aproveitar da melhor forma a energia previamente armazenada e tentar evitar ter que movimentar a sonda, os cientistas priorizaram completar as etapas mais simples (fotos, medições de densidade, temperatura e estrutura interna do cometa e análise das moléculas de gás na superfície) antes de dar início à perfuração do solo para análise de sua composição química.

O primeiro relatório sobre os dados colhidos durante missão a será apresentado durante o próximo encontro da União Americana da Geofísica, agendada para ocorrer em São Francisco (EUA), no próximo mês. "A informação recolhida pela Philae vai provocar uma reviravolta na ciência dos cometas", adiantou o cientista Matt Taylor, membro da equipe. A sonda Rosetta, que lançou o robô Philae em agosto, ainda vai acompanhar toda a viagem do cometa ao redor do sol pelo próximo ano, regressando em dezembro de 2015. A missão foi planejada há mais de 20 anos para estudar as origens do sistema solar, há estimados 4,6 milhões de anos. As conclusões contribuirão para que os cientistas investiguem também as origens da Terra.
Fonte: Ultimosegundo.ig.com.br

A Formação de estrelas acabou para galáxias jovens e compactas

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Pesquisadores usando o Telescópio Espacial Hubble da NASA e o Observatório de Raios-X Chandra descobriram galáxias compactas, jovens e massivas cujas as festas de geração de estrelas estão acabando mais cedo. A explosão de formação de estrelas tem consumido a maior parte do combustível gasoso  restante necessário para criar futuras gerações de estrelas. Agora a festa acabou para essas galáxias, e elas estão na trajetória de possivelmente se tornarem as chamadas galáxias vermelhas e mortas, compostas somente de estrelas antigas. Os astrônomos debateram por décadas como as galáxias massivas rapidamente se desenvolveram de máquinas ativas de formação de estrelas até cemitérios famintos por estrelas. Observações prévias dessas galáxias revelaram gêiseres de gás sendo expelidos no espaço a uma velocidade superior a 2 milhões de milhas por hora.

Os astrônomos suspeitavam que um poderoso e monstruoso buraco negro pudesse existir no centro das galáxias, fazendo com que os fluxos gasosos fossem atirados e que desligasse o nascimento de estrelas a partir do combustível remanescente. Agora, uma análise de 12 galáxias em fusão no fim do frenesi de formação de estrelas está mostrando que as estrelas estão desligando a luz na festa de formação de estrelas. Isso aconteceu quando o universo tinha metade da sua idade atual de cerca de 13.7 bilhões de anos.

“Antes do nosso estudo, a crença comum era que as estrelas não podiam gerar fluxos de alta velocidade em galáxias, e sim, somente os buracos negros supermassivos podiam gerar esse tipo de fenômeno”, explica Paul Sell da Universidade Texas Tech em Lubbock, principal autor do artigo científico que descreve os resultados do estudo. “Através das nossas análises nós descobrimos que se você tem uma explosão de estrelas compacta suficiente, que o Hubble mostrou, é o caso dessas galáxias, você pode, na verdade produzir fluxos com essas altas velocidades, que nós observamos de estrelas sozinhas sem a necessidade de evocar o buraco negro”.

Christy Tremonti, membro da equipe, da Universidade de Wisconsin-Madison, identificou primeiro as galáxias a partir do Sloan Digital Sky Survey, como objetos pós-explosões estelares emitindo jatos gasosos de alta velocidade. As visões nítidas, feitas na luz visível pela Wide Field Camera 3 do Hubble, mostram que os fluxos estão nascendo das galáxias mais compactas encontradas. Essas galáxias contém uma massa parecida com a Via Láctea, mas empacotadas numa área muito menor. As menores galáxias têm cerca de 650 anos-luz de diâmetro. Nessas pequenas regiões do espaço, essas galáxias estão se formando algumas centenas de sóis por ano. Em comparação, a Via Láctea, gera cerca de um Sol por ano. Isso faz com que a festa barulhenta de formação de estrelas acabe rapidamente em dez milhões de anos.

Uma razão para o desligamento estelar é que o gás está se aquecendo rapidamente, tornando-se muito quente para se contrair sob a gravidade para formar novas estrelas. Outra possibilidade é que o frenesi de formação de estrelas consumiu a maior parte do gás usado na formação de novas estrelas por meio de poderosos ventos estelares. “A grande surpresa do Hubble foi a realização que as estrelas recém formadas nasceram muito perto umas das outras”, disse Aleks Diamond-Stanic, um membro da equipe, da Universidade de Wisconsin-Madison, que primeiro sugeriu a possibilidade dos fluxos guiados pela explosão de estrelas dessas galáxias, num artigo científico de 2012.

 “As condições físicas extremas nos centros dessas galáxias explicam como elas podem expelir gases a milhões de milhas por hora”. Para identificar o mecanismo que gera os fluxos de alta velocidade, Sell e sua equipe usou o Observatório de Raios-X Chandra e outros telescópios para determinar se os buracos negros supermassivos das galáxias (pesando bilhões de Sóis) eram as fontes de energia que os guiavam. Após analisar todas as observações, a equipe concluiu que os buracos negros não eram a fonte desses fluxos. Ao invés disso, foram os ventos estelares poderosos das estrelas mais massivas e de vida curta no final de suas vidas, combinada com as mortes explosivas de supernovas. Com base nas análises dos dados do Hubble e do Chandra, os membros da equipe sugerem que a festa começou quando duas galáxias ricas em gases colidiram gerando uma torrente de gás frio no centro compacto das galáxias em fusão.

 A grande quantidade de gás comprimido num pequeno espaço iniciou o nascimento de numerosas estrelas. A energia gerada com a formação dessas estrelas, então explodiu todo o gás restante, evitando futuras formações de estrelas. Se você parar o fluxo de gás frio para formar estrelas, é isso”, explicou Sell, que conduziu a pesquisa enquanto era estudante de graduação na Universidade de Wisconsin-Madison. “As estrelas pararam de formar, e as galáxias rapidamente evoluíram e podem eventualmente se tornarem uma galáxia elíptica vermelha e morta. Essas explosões estelares extremas são bem raras, contudo, elas não podem crescer e formarem galáxias elípticas gigantes típicas vistas em nossa vizinhança galáctica próxima. Elas são mais compactas”.
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