16 de dez de 2014

Existe um universo paralelo que está movendo para trás no tempo?

O tempo, como nós o entendemos, move-se do passado para o futuro de forma irreversível. Agora, um trio internacional de físicos teóricos está sugerindo que há mais do que um futuro. Dois universos paralelos foram produzidos pelo Big Bang: o nosso, que se move para frente no tempo, e outro, em que o tempo se move para trás.
tempo big bang
Nos anos 1920, o astrônomo britânico Arthur Eddington cunhou o termo “flecha do tempo”, que descreve uma direção do tempo assimétrica e de sentido único. Muitos físicos hoje aceitam que o tempo se move na direção do aumento da entropia – ou desordem, acaso, e até mesmo caos – em um esforço para colocar um equilíbrio entre todas as coisas. De acordo com esta seta termodinâmica do tempo, as coisas vão gradativamente desmoronando. Se for esse o caso, então o nosso universo deve ter começado em um estado inicial de baixa entropia e altamente ordenado.

Mas por que houve esse raro momento de baixa entropia em nosso passado? Uma ideia centenária desenvolvida pelo físico austríaco Ludwig Boltzmann é que o nosso universo visível é uma flutuação estatística temporária, de baixa entropia, que afeta apenas uma pequena parte de um sistema de equilíbrio muito maior. Julian Barbour, da Universidade de Oxford, Tim Koslowski, da Universidade de New Brunswick, e Flavio Mercati, do Instituto Perimeter de Física Teórica estão introduzindo uma nova flecha do tempo, baseada não na termodinâmica, mas na gravidade. “O tempo é um mistério. Basicamente, todas as leis conhecidas da física são exatamente iguais independentemente da direção que o tempo vá”, aponta Barbour.

Para chegar a essa “flecha gravitacional de tempo”, eles usaram uma simulação de computador de 1.000 partículas interagindo sob a influência da gravidade newtoniana. Eles descobriram que cada configuração de partículas evolui para um estado de baixa complexidade, como um enxame de abelhas caótico que se instala em uma estrutura mais ordenada análoga à flutuação de baixa entropia de Boltzmann. A partir daí, as partículas se expandem para fora em duas setas distintas, simétricas e opostas de tempo. Se você olhar para um modelo simples com um enxame de abelhas no meio [do Big Bang], mas indo nas duas direções, então você diria que há duas setas de tempo, apontando em direções opostas do enxame de abelhas”, explica Barbour.

“Esta situação de dois futuros exibiria um único passado caótico para os dois sentidos, o que significa que haveria essencialmente dois universos, um de cada lado deste estado central”, explica o cientista. “Ambos os lados poderiam sustentar observadores que perceberiam o tempo indo em direções opostas. Quaisquer seres inteligentes do outro lado definiriam suas flechas do tempo como se afastando desse estado central. Eles pensariam que agora nós vivemos em seu passado mais profundo”.
Fonte: Iflscience

Por que não encontramos vida fora da Terra ainda? Explosão de raios gama pode ser resposta


raios gama

As mortais explosões de raios gama poderiam ajudar a explicar o chamado Paradoxo de Fermi, a aparente contradição entre a alta chance de vida extraterrestre e a falta de provas de que ela realmente exista – teoria popularmente chamada de “O Grande Silêncio”.

O que são explosões de raios gama

Explosões de raios gama são breves, porém intensas, explosões de radiação eletromagnética de alta frequência. Essas explosões emitem tanta energia como o sol durante todo o seu tempo de vida, o que corresponde a 10 bilhões de anos. Sentiu a potência? Os cientistas acreditam que essas explosões podem ser causadas por estrelas gigantes explodindo, as chamadas hipernovas, ou por colisões entre pares de estrelas mortas conhecidas como estrelas de nêutrons.

As explosões de raios gama ameaçam ou ameaçaram a Terra?

Se uma explosão de raios gama aconteceu em algum momento dentro da Via Láctea, isso poderia ter causado estragos extraordinários caso a energia liberada fosse apontada diretamente para a Terra, mesmo que tivesse ocorrido há milhares de anos-luz de distância. Embora os raios gama não penetrem na atmosfera da Terra, eles são fortes o suficiente para queimar o chão. Isso significa que eles iriam danificar quimicamente a atmosfera, destruindo a camada de ozônio que protege o planeta dos raios ultravioletas prejudiciais – e isso poderia provocar extinções em massa. Também é possível que as explosões de raios gama possam vomitar raios cósmicos, que são partículas de alta energia que podem criar uma experiência semelhante a uma explosão nuclear para aqueles que estiverem na face da Terra que estiver de frente para a explosão, causando doenças horríveis de radiação. Os pesquisadores investigaram quão provável seria que uma explosão como esta pudesse ter causado danos ao nosso planeta em algum momento do passado.

Antes de continuar nesse raciocínio, é importante a gente saber um coisa: explosões de raios gama são tradicionalmente divididas em dois grupos: longas e curtas. O critério para essa divisão é o tempo de duração, que pode ser mais ou menos de 2 segundos. Rajadas longas de raios gama são associadas com a morte de estrelas massivas, enquanto rajadas curtas são provavelmente causadas pelas fusões de estrelas de nêutrons. Na maioria dos casos, rajadas longas de raios gama acontecem em galáxias muito diferentes da Via Láctea, como, por exemplo, galáxias anãs pobres em qualquer elemento mais pesado que o hidrogênio e o hélio. Sendo assim, quaisquer explosões longas de raios gama na Via Láctea provavelmente serão confinadas em regiões da galáxia que tem baixa concentração de qualquer elemento mais pesado que o hidrogênio e hélio, disseram os pesquisadores.

E isso significa que…

Para os cientistas, a chance de que uma explosão longa de raios gama tenha provocado extinções em massa na Terra é de 50% nos últimos 500 milhões anos, 60% no último 1 bilhão ano, e mais de 90% nos últimos 5 bilhões de anos. Para efeito de comparação, o sistema solar tem cerca de 4,6 bilhões de anos.

Explosões curtas x explosões longas


Explosões curtas de raios gama acontecem cerca de cinco vezes mais do que as longas. No entanto, uma vez que essas rajadas curtas são mais fracas, os pesquisadores descobriram que tinham efeitos fatais insignificantes na Terra. Eles também calcularam que explosões de raios gama de galáxias fora da Via Láctea provavelmente não representam uma ameaça para a Terra. UFA! Estes resultados sugerem que uma explosão de raios gama nas proximidades pode ter causado uma das cinco maiores extinções em massa na Terra, como a extinção do Ordoviciano que ocorreu 440 milhões de anos atrás. A extinção Ordoviciano foi o primeiro dos chamados Cinco Grandes Eventos de Extinção, e é considerada por muitos como a segunda maior de todos os tempos.

Até onde vai o perigo?

Os cientistas investigaram também o perigo que explosões de raios gama poderiam representar para a vida (se é que ela existe) em outros lugares na Via Láctea. A concentração de estrelas é mais densa em direção ao centro da galáxia, o que significa que mundos lá enfrentam um risco maior de explosões de raios gama. Desta maneira, planetas que ficam em uma região de cerca de 6.500 anos-luz ao redor do núcleo da Via Láctea, onde moram 25% das estrelas da galáxia, tem uma chance de 95% de um raio gama letal ter explodido por lá nos últimos bilhões de anos. Os pesquisadores sugerem que a vida, como é conhecida na Terra, poderia sobreviver com certeza só na periferia da Via Láctea, há mais de 32.600 anos-luz do núcleo galáctico.

Os pesquisadores analisaram também o perigo que explosões de raios gama podem representar para o universo como um todo. Eles sugerem que, devido a rajadas de raios gama, a vida como é conhecida na terra pode se desenvolver de forma segura em apenas 10% de galáxias. Eles também sugerem que esse tipo de vida só poderia ter se desenvolvido nos últimos 5 bilhões de anos. Antes disso, as galáxias seriam menores em tamanho, e explosões de raios gama teriam acontecido perto o suficiente para causar extinções em massa em todos os planetas que potencialmente poderiam abrigar alguma forma de vida.

A resposta para o Grande Silêncio

Esta poderia ser uma explicação, ou pelo menos um caminho, para solucionar o chamado Paradoxo de Fermi ou o “Grande Silêncio”, disse o autor do estudo Tsvi Piran, físico da Universidade Hebraica de Jerusalém. Por que não encontramos civilizações avançadas até agora? A Via Láctea é muito mais antiga do que o nosso sistema solar e havia tempo e espaço suficiente para formação de sistemas planetários com condições semelhantes às da Terra, com características propícias ao desenvolvimento da vida em outro lugar na galáxia. Então, por que não?

A resposta para isso pode ser justamente que explosões de raios gama têm atingido muitos planetas que poderiam abrigar vida. A crítica mais grave dessas estimativas, também segundo Piran, é que a gente tem mania de pensar na vida como a conhecemos, quando sempre existe a possibilidade de haver outras formas de vida, inclusive uma que seja resistente à radiação. A pulga atrás da orelha continua.
Fonte:  Hypescience.com



Mesmo em cores, cometa 67P é cinza


Mesmo em cores, cometa 67P é cinza


Pode acreditar: esta foto é colorida. O problema é que o cometa é realmente mais escuro que carvão, e a foto precisou ser clareada para mostrar os relevos do 67P.[Imagem: ESA/Rosetta/OSIRIS]



Cometa negro

A primeira fotografia a cores tirada pela sonda espacial Rosetta mostra que o cometa 67P é ainda mais escuro e monocromático do que o esperado. Apesar de ser cuidadosamente montada a partir de três imagens tiradas com filtros vermelhos, verdes e azuis, a foto efetivamente parece ser em preto e branco. Ela foi feita pela câmera Osiris, que está a bordo da sonda em órbita do cometa e que, no mês passado, fez história ao lançar o robô Philae na superfície do 67P. A equipe do imageador Osiris reafirmou que o cometa 67P é "tão negro como carvão" e surpreendentemente uniforme. Nós gostamos de nos referir à Osiris como os olhos da Rosetta," disse o Dr. Holger Sierks, do Instituto Max Planck para Investigação do Sistema Solar, que lidera o consórcio que construiu e opera a câmera.

Na verdade, a câmera é bem diferente dos olhos humanos, e uma imagem colorida precisa ser produzida pela combinação de três fotografias separadas, uma com cada filtro. Isto não é uma tarefa fácil. A Rosetta está em movimento constante e o cometa está girando, o que exige levar em conta várias alterações no ângulo das tomadas individuais. O resultado parece não justificar o esforço, já que a imagem se parece notavelmente com uma fotografia preto e branco, quase igual às imagens anteriores monocromáticas.

Em busca do gelo do cometa

"Como se vê, o 67P parece cinzento-escuro, na realidade quase tão negro como o carvão," disse o Dr. Sierks. A imagem foi tratada em computador para ser clareada o suficiente para mostrar as características do cometa - é por isso que ele aparece como cinza mais claro, mas longe do que poderia se chamar colorido. Isto é mais uma pedra no sapato dos cientistas, que acreditavam que cometas eram "bolas de gelo sujo" - qualquer saliência de gelo deveria aparecer azulada na imagem. Segundo a equipe, o gelo do cometa presumivelmente está escondido debaixo de sua superfície empoeirada, coberta de pedregulhos.
Fonte: Inovação Tecnológica

A deslumbrante Nebulosa Estrela Flamejante


Onde há fumaça, há fogo – já diz o ditado. Mas não no caso da AE Aurigae, conhecida como Estrela Flamejante, que parece estar em chamas. O material ao redor da estrela, que se assemelha a fumaça, é formado principalmente de hidrogênio interestelar, e contém filamentos escuros de grãos ricos em poeira de carbono. A Aurigae está inserida em uma nebulosa difusa que também é chamada de Estrela Flamejante, ou IC 405. Entretanto, a estrela não nasceu dentro da nebulosa. Pesquisadores acreditam que ela vem na verdade da Nebulosa de Órion.

A brilhante Estrela Flamejante é tão quente que tem tom azulado, e emite tanta energia com sua luz que desloca elétrons para fora dos átomos do gás circundante. Quando um átomo recupera um elétron, a luz é emitida, criando a nebulosa de emissão. A Nebulosa Estrela Flamejante está a cerca de 1.500 anos-luz de distância, e se estende por aproximadamente 5 anos-luz. Se você quer avistar a nebulosa e a estrela Aurigae, aponte seu telescópio na direção da constelação do Cocheiro (Auriga).
Fonte: Hypescience.com

O Universo como obra de arte – O campo magnético ao longo do plano galáctico

The_magnetic_field_along_the_Galactic_plane

Embora as tonalidades em pastel e a fina textura dessa imagem possam lembrar as pinceladas de um artista em sua tela, elas são de fato uma visualização dos dados obtidos pelo satélite Planck da ESA. A imagem acima apresenta a interação entre a poeira interestelar na Via Láctea e a estrutura do campo magnético da nossa galáxia. Entre os anos de 2009 e 2013, o Planck escaneou o céu para detectar a mais antiga luz da história do universo – a radiação de micro-ondas cósmica de fundo. Ele também detectou significante emissão em primeiro plano de material difuso na nossa galáxias, que, embora seja um ruído para os estudos cosmológicos, é extremamente importante para estudar o nascimento das estrelas e outros fenômenos na Via Láctea.

Entre as fontes de primeiro plano no comprimento de onda pesquisado pelo Planck, está a poeira cósmica, uma menor, mas crucial do meio interestelar que permeia a galáxia. Juntamente com o gás, esse é a matéria prima para a formação de novas estrelas. As nuvens de gás e poeira interestelar são também segmentadas pelo campo magnético da galáxia, e os grãos de poeira tendem a alinhar seus eixos maiores em ângulos retos com a direção do campo. Como resultado, a luz emitida pelos grãos de poeira é parcialmente polarizada – ela vibra numa direção preferencial – e, assim sendo, poderia ser registrada pelos detectores do Planck sensíveis à polarização.

Os cientistas na colaboração do Planck estão usando a emissão polarizada da poeira interestelar para reconstruir o campo magnético da galáxia e estudar o seu papel na geração da estrutura da Via Láctea, levando à formação de estrelas. Na imagem acima, a escala de cor representa a intensidade total da emissão de poeira, revelando a estrutura das nuvens interestelares na Via Láctea. A textura é baseada nas medidas da direção da luz polarizada emitida pela poeira, que por sua vez, indica a orientação do campo magnético.

Essa imagem mostra o intrigante link entre o campo magnético e a estrutura do meio interestelar ao longo do plano da Via Láctea. Em particular, o arranjo do campo magnético é mais ordenado ao longo do plano galáctico, onde ele segue a estrutura espiral da Via Láctea. Pequenas nuvens são vistas apenas acima e abaixo desse plano, onde a estrutura do campo magnético se torna menos regular.
A partir dessa e de outras observações, os cientistas que trabalham com o Planck descobriram que as nuvens interestelares filamentares são preferencialmente alinhadas com a direção do campo magnético ambiental, destacando assim o forte papel do magnetismo na evolução da galáxia. A emissão da poeira é calculada a partir de uma combinação das observações feitas com o Planck em 353, 545 e 857 GHz, enquanto que a direção do campo é baseada no dado de polarização medido pelo Planck em 353 GHz.
Fonte: Cienctec

Objeto do tamanho de Plutão levantam poeira em torno de estrela adolescente parecida com o sol

Astrónomos usando o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) podem ter detectado as marcas empoeiradas de uma família inteira de objectos do tamanho de Plutão em torno de uma versão adolescente do nosso próprio Sol.
Impressão de artista do disco de detritos em torno de HD 107146. Este sistema estelar adolescente mostra sinais de que nos seus confins, enxames de objectos com o tamanho de Plutão empurram objectos vizinhos mais pequenos, fazendo com que estes colidam e "levantem" poeira considerável. Crédito: A. Angelich (NRAO/AUI/NSF)

Observando em detalhe o disco protoplanetário que cerca a estrela conhecida como HD 107146, os astrónomos detectaram um aumento inesperado na concentração de grãos milimétricos de poeira nos confins do disco. Este aumento surpreendente, que começa notavelmente longe - cerca de 13 mil milhões de quilómetros - da estrela-mãe, pode ser o resultado de planetesimais com o tamanho de Plutão que agitam a região, fazendo com que objectos menores colidam e se fragmentem. A poeira nos discos de detritos geralmente vem de material deixado para trás pela formação de planetas. Cedo na vida do disco, esta poeira é continuamente reabastecida por colisões de corpos maiores, como cometas e asteróides. Em sistemas estelares maduros com planetas totalmente formados, existe, em comparação, muito pouco poeira.

 Entre estas duas idades - quando um sistema estelar se encontra na adolescência - certos modelos prevêem que a concentração de poeira será muito mais densa nas regiões mais distantes do disco. Isto é precisamente o que o ALMA encontrou. A poeira em HD 107146 revela uma característica muito interessante - fica mais espessa nos confins mais distantes do disco da estrela," afirma Luca Ricci, astrónomo do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica em Cambridge, no estado americano de Massachusetts, e autor principal de um artigo aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal. Na altura das observações, Ricci trabalhava no Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena, EUA.

"O aspecto surpreendente é que isto é o oposto do que vemos em discos primordiais mais jovens, onde a poeira é mais densa perto da estrela. É possível termos apanhado este disco de detritos em particular num estágio onde planetesimais do tamanho de Plutão estão a formar-se no disco exterior enquanto outros corpos do mesmo tamanho já se formaram mais perto da estrela," afirma Ricci.

De acordo com os modelos de computador actuais, a observação de que a densidade da poeira é superior nas regiões exteriores do disco só pode ser explicada pela presença de corpos recentemente formados do tamanho de Plutão. A sua gravidade perturbaria os planetesimais mais pequenos, provocando colisões mais frequentes que geram a poeira que o ALMA observou.

Os novos dados do ALMA também sugerem uma outra característica intrigante nos confins do disco: um possível "mergulho" ou depressão na poeira com aproximadamente 1,2 mil milhões de quilómetros de largura, começando aproximadamente 2,5 vezes a distância do Sol a Neptuno da estrela central. Embora apenas sugerida nestas observações preliminares, esta depressão pode ser uma lacuna no disco, o que poderá ser indicativo de um planeta com a massa da Terra que "varre" a área de detritos. Esta característica terá importantes implicações para os possíveis habitantes planetários parecidos com a Terra no disco e poderá sugerir que planetas deste tamanho se formam numa gama inteiramente diferente de órbitas já observadas anteriormente.

A estrela HD 107146 é de particular interesse para os astrónomos porque é, em muitos aspectos, uma versão mais jovem do nosso próprio Sol. Também representa um período de transição entre o início da vida de um sistema estelar e os estágios finais e mais maduros, onde os planetas já se formaram e começaram as suas viagens de milhares de milhões de anos em torno da sua estrela-mãe. Este sistema dá-nos a oportunidade de estudar um período intrigante de uma estrela jovem parecida com o Sol," afirma Stuartt Corder, co-autor do artigo e vice-director do ALMA.

"Estamos possivelmente a olhar para trás no tempo, quando o Sol tinha aproximadamente 2% da sua idade actual. A estrela HD 107146 está localizada a cerca de 90 anos-luz da Terra na direcção da constelação de Cabeleira de Berenice. Tem mais ou menos 100 milhões de anos. Observações subsequentes com as novas capacidades de alta-resolução do ALMA vão lançar mais luz sobre a dinâmica e estrutura deste objecto intrigante.
Fonte: Astronomia On-Line - Portugal

Roseta alimenta debate sobre origem dos oceanos da Terra

A medição do rácio deutério/hidrogénio pela Rosetta no vapor de água em redor do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. O gráfico mostra os diferentes valores do rácio, observados em vários corpos do Sistema Solar. Os pontos de dados estão agrupados por cor para planetas e luas (azul), meteoritos condritos da cintura de asteróides (cinzento), cometas originários da nuvem de Oort (roxo) e cometas da família de Júpiter (rosa). O ponto de dados do cometa 67P/C-G, medido pela Rosetta, está a amarelo. O símbolo diamante representa dados obtidos "in situ", os círculos representam dados obtidos por métodos astronómicos. A parte inferior do gráfico mostra o valor do rácio deutério/hidrogénio medido no hidrogénio molecular na atmosfera dos gigantes gasosos (Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno) e uma estimativa do valor típico no hidrogénio molecular da nebulosa protosolar, a partir da qual todos os objectos do Sistema Solar se formaram. O rácio para os oceanos da Terra é 1,56x10^-4 (linha horizontal no gráfico). O valor para o cometa da Rosetta é 5,3x10^-4, mais de três vezes superior. Crédito: sonda: ESA/ATG medialab; cometa: ESA/Rosetta/NavCam; dados: Altwegg et al. 2014 e referências presentes

A sonda Rosetta da ESA descobriu que o vapor de água do seu alvo cometário é significativamente diferente daquele presente cá na Terra. A descoberta alimenta o debate sobre a origem dos oceanos do nosso planeta. As medições foram feitas no mês que se seguiu à chegada da sonda ao cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, no dia 6 de Agosto. É um dos primeiros resultados e dos mais esperados da missão, porque a origem da água da Terra ainda é uma questão em aberto. Uma das principais hipóteses sobre a formação da Terra é que estava tão quente quando se formou há 4,6 mil milhões de anos atrás, que o teor original de água deve ter evaporado para o espaço. Mas, hoje, dois-terços da superfície está coberta por água. Então, de onde veio?

Neste cenário, deve ter sido entregue após o nosso planeta ter arrefecido, provavelmente por colisões de cometas e asteróides. A contribuição relativa de cada classe de objecto para o abastecimento de água do nosso planeta é, no entanto, ainda debatida. A chave para determinar de onde a água veio está no seu "sabor", neste caso a proporção de deutério - uma forma de hidrogénio com um neutrão adicional - em relação ao hidrogénio normal. Esta proporção é um indicador importante da formação e evolução inicial do Sistema Solar, e as simulações teóricas mostram que deve mudar com a distância ao Sol e com o tempo nos primeiros milhões de anos.

Um dos objectivos principais é comparar o valor de diferentes tipos de objectos com aquele medido nos oceanos da Terra, a fim de quantificar a influência de cada das classes na água da Terra. Os cometas em particular são ferramentas únicas para estudar o início do Sistema Solar: eles contêm material deixado para trás após a formação do disco protoplanetário a partir do qual os planetas nasceram, devendo por isso reflectir a composição primordial dos seus locais de origem. Mas graças à dinâmica do Sistema Solar jovem, este não é um processo simples. Os cometas de longo período, que são oriundos da distante nuvem de Oort, formaram-se originalmente na região de Úrano-Neptuno, suficientemente longe do Sol para a água gelada sobreviver.

Mais tarde, foram espalhados para os distantes confins do Sistema Solar como resultado de interacções gravitacionais com os gigantes gasosos à medida que estes se estabeleciam nas suas órbitas. Por outro lado, pensa-se que os cometas da família de Júpiter, como o cometa da Roseta, formaram-se mais longe, na Cintura de Kuiper para lá de Neptuno. Ocasionalmente estes corpos são perturbados e enviados para o Sistema Solar interior, onde as suas órbitas tornam-se controladas pela influência gravitacional de Júpiter. De facto, o cometa da Rosetta viaja agora em torno do Sol entre as órbitas da Terra e de Marte, no seu ponto mais próximo, e um pouco além da de Júpiter no seu ponto orbital mais distante, com um período de aproximadamente 6,5 anos.

Ilustração que mostra os dois reservatórios principais de cometas no Sistema Solar: a Cintura de Kuiper, a uma distância de 30-50 UA (UA: unidade astronómica, a distância entre a Terra e o Sol) do Sol, e a Nuvem de Oort, que poderá estar a 50.000-100.000 UA do Sol. Pensa-se que o Cometa Halley seja originário da Nuvem de Oort, enquanto o 67P/C-G, o foco da missão Rosetta, é originário da Cintura de Kuiper. Está agora numa órbita com a duração de 6,5 anos em redor do Sol, entre as órbitas da Terra e Marte no periélio e mesmo para lá de Júpiter no afélio. Crédito: ESA


As medições anteriores do rácio de deutério/hidrogénio noutros cometas mostraram uma gama vasta de valores. Dos 11 cometas cujas medições foram levadas a cabo, apenas o Cometa 103P/Hartley 2, da família de Júpiter (em observações feitas pela missão Herschel da ESA em 2011), coincide com a composição da água da Terra. Por outro lado, certos meteoritos, vindos originalmente de asteróides da cintura principal, também correspondem à composição da água da Terra. Assim sendo, apesar do facto dos asteróides terem um teor de água em geral muito menor, um grande número de impactos pode ainda ter resultado nos oceanos da Terra.

É contra este pano de fundo que as investigações da Rosetta são importantes. curiosamente, a relação entre o deutério e o hidrogénio, medida pelo instrumento ROSINA (Rosetta Orbiter Spectrometer for Ion and Neutral Analysis) da Rosetta, é mais de três vezes superior à dos oceanos da Terra e do seu companheiro da família de Júpiter, o Cometa Hartley 2. De facto, é ainda maior do que a de qualquer outro cometa da nuvem de Oort [já medida]. Esta descoberta surpreendente pode indicar uma origem diversa para os cometas da família de Júpiter - formaram-se talvez numa maior gama de distâncias no jovem Sistema Solar," afirma Kathrin Altwegg, investigadora principal para o ROSINA e autora principal do artigo que relata os resultados, publicado esta semana na revista Science.

"A nossa descoberta também exclui a ideia de que os cometas da família de Júpiter contêm apenas água parecida à dos oceanos da Terra, e dá mais peso aos modelos que colocam mais ênfase nos asteróides como o principal mecanismo de entrega para os oceanos da Terra. Nós sabíamos que a análise 'in situ' da Rosetta traria surpresas para o grande quadro da ciência do Sistema Solar, e esta notável observação certamente acrescenta combustível no debate acerca da origem da água da Terra," afirma Matt Taylor, cientista do projecto Rosetta da ESA.

"À medida que a Rosetta continua a seguir o cometa na sua órbita em redor do Sol ao longo do próximo ano, estaremos mantendo uma vigilância apertada sobre como evoluiu e se comporta, o que nos dará uma visão única sobre o mundo misterioso dos cometas e sobre a sua contribuição para o nosso conhecimento da evolução do Sistema Solar."
Fonte: Astromomia On-line - Portugal

Conheça mais um dos mistérios de Marte que intriga astrônomos

cookie biscoito marte

O mais novo mistério de Marte é uma estrutura circular, com 2 km de diâmetro, posicionada em uma enorme planície de lava, lisinha como um campo de neve. Ela se parece um pouco com um biscoito – não muito, é verdade, mas a semelhança está lá para quem tiver pareidolia suficiente. A região de derramamento de lava, parecida com os “mares” da lua, tem o nome de Athabasca, e é onde estão os fluxos de lava mais recentes de Marte. Baseado nisso, os astrônomos estão apostando suas fichas em um fenômeno de origem vulcânica. Olhando mais de perto, a estrutura parece que foi empurrada de baixo por cima, talvez por um fluxo de lava que se introduziu abaixo de uma camada de rochas.

Parte do material parece estar faltando, o que poderia ser explicado se no meio da rocha houvesse um pouco de gelo. Esta não é a única anomalia deste tipo na região, o que aumenta o mistério. A esperança dos astrônomos e cientistas é que novas imagens de alta definição forneçam novas pistas para explicar como estas estruturas surgiram, e por que apenas nesta região. Elas serão feitas pelo HiRISE, um dos seis instrumentos a bordo do Mars Reconnaissance Orbiter, um satélite da NASA que orbita Marte medindo a elevação e registrando composição do solo.
Fonte: Hypescience.com
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