15 de jan de 2015

Vênus e Mercúrio em conjução


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Os planetas internos Vênus e Mercúrio nunca podem vagar para longe do Sol, no céu da Terra. Essa semana você provavelmente os verá bem perto do horizonte oeste logo depois do pôr-do-Sol, uma conjunção planetária dos brilhantes corpos celestes ao crepúsculo. O par é registrado nessa bela imagem acima capturada no dia 13 de Janeiro de 2015 desde as ruínas do Castelo de Szarvasko na parte noroeste da Hungria. Acima da silhueta proeminente da paisagem que mostra uma colina vulcânica, Vênus aparece mais brilhante e separado de Mercúrio por uma distância um pouco maior do que duas Luas Cheias. Na sexta-feira, dia 16 de Janeiro de 2015, e para quem gosta de acordar de madrugada  poderá ver uma bela conjunção entre Saturno e a Lua perto do horizonte sudeste.

O aglomerado estelar que foi "descoberto" três vezes

O aglomerado estelar que foi descoberto três vezes



Aglomerado estelar perdido

Esta imagem obtida pelo telescópio do ESO no Chile mostra que o aglomerado estelar Messier 47 é dominado por estrelas azuis e brilhantes, mas contém também algumas estrelas gigantes vermelhas contrastantes. O aglomerado estelar Messier 47 situa-se a aproximadamente 1.600 anos-luz de distância da Terra, na constelação da Popa (a ré do navio mitológico Argo). Ele foi observado pela primeira vez por volta de 1664 pelo astrônomo italiano Giovanni Battista Hodierna e "redescoberto" mais tarde por Charles Messier que, aparentemente, não tinha conhecimento da observação feita anteriormente por Hodierna.

Mas Messier anotou as coordenadas de forma errada, o que fez com que o aglomerado fosse dado como desaparecido. Ele precisou assim ser novamente redescoberto, tendo sido atribuída a ele outra designação de catálogo - NGC 2422. Embora seja brilhante e fácil de observar, o Messier 47 é um dos aglomerados abertos com menor população - são visíveis apenas cerca de 50 estrelas neste aglomerado, distribuídas em uma região com uma dimensão de 12 anos-luz, muito pouco em comparação com objetos similares, que podem conter milhares de estrelas.

Cores das estrelas

As cores azuis-esbranquiçadas brilhantes destas estrelas são indicativas da sua temperatura, com estrelas mais quentes apresentando a cor azul e as mais frias a vermelha. Esta relação entre cor, brilho e temperatura pode ser visualizada através da curva de Planck. No entanto, um estudo mais detalhado das cores das estrelas usando espectroscopia dá muita informação aos astrônomos - incluindo a sua velocidade de rotação e composição química.As estrelas vermelhas brilhantes vistas na imagem são gigantes vermelhas que se encontram numa fase mais avançada das suas curtas vidas do que as estrelas azuis menos massivas.

O tempo de vida de uma estrela depende essencialmente da sua massa. As estrelas massivas, contendo muitas vezes a massa do Sol, têm vidas curtas, medidas em milhões de anos. Por outro lado, as estrelas muito menos massivas podem continuar a brilhar durante muitos bilhões de anos. Em um aglomerado, as estrelas têm todas cerca da mesma idade e possuem a mesma composição química inicial. Por isso, as estrelas massivas brilhantes evoluem mais depressa, tornam-se gigantes vermelhas e terminam as suas vidas, deixando as menos massivas e mais frias vivendo ainda por muitos e longos anos.
Fonte: Inovação Tecnológica


13 de jan de 2015

Cientistas determinam posição de Saturno com excelente precisão

Os investigadores determinaram a posição do centro de massa do sistema saturniano com uma precisão de poucos quilómetros. Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute

Cientistas emparelharam a sonda Cassini da NASA com o radiotelescópio VLBA (Very Long Baseline Array) para determinar a posição de Saturno e da sua família de luas até uma precisão de 4 km. A medição é cerca de 50 vezes mais precisa do que aquelas fornecidas por telescópios óticos terrestres. Este feito melhora o conhecimento da órbita de Saturno e beneficia a navegação de sondas espaciais e a pesquisa física básica. A equipa de investigadores usou o VLBA - um conjunto gigante de radiotelescópios espalhados desde o Hawaii até às Ilhas Virgens - para localizar a posição da Cassini à medida que orbitou Saturno durante a última década ao receber o sinal do transmissor de rádio da sonda.

Combinaram esses dados com informação acerca da órbita da Cassini obtida pela rede DSN (Deep Space Network) da NASA. As observações combinadas permitiram com que os cientistas fizessem a determinação mais precisa, até agora, da posição do centro de massa, ou baricentro, de Saturno e das suas várias luas. A equipa de estudo inclui investigadores do JPL (Jet Propulsion Laboratory) da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia, e do NRAO (National Radio Astronomy Observatory) em Socorro, Novo México, EUA. Os cientistas apresentaram o seu trabalho numa reunião da Sociedade Astronómica Americana em Seattle.

A nova medição foi possível graças a dois fatores: a presença a longo prazo da Cassini no sistema de Saturno e a capacidade do VLBA em discernir detalhes extremamente pequenos. O resultado é uma tabela muito melhorada das posições previstas de objetos no sistema saturniano, conhecida também como efeméride. As efemérides são das ferramentas mais básicas da astronomia. Este trabalho é um grande passo em direção a juntar o nosso conhecimento das órbitas dos planetas exteriores do nosso Sistema Solar com as dos planetas interiores," afirma Dayton Jones do JPL, que liderou o estudo.

Impressão de artista de Saturno e das suas luas, a partir de cima do seu pólo. Crédito: B. Kent, A. Angelich, NRAO/AUI/NSF

A informação posicional aprimorada vai ajudar a melhorar a navegação precisa de naves interplanetárias e ajudar a refinar as medições das massas de objetos do Sistema Solar. Vai também melhorar as previsões de quando Saturno ou os seus anéis passam em frente de estrelas de fundo - eventos que oferecem uma variedade de oportunidades de pesquisa para os astrónomos. As medições da posição da Cassini pelo VLBA até ajudaram cientistas que queriam fazer testes cada vez mais rigorosos da teoria da relatividade geral de Einstein, observando pequenas mudanças nas posições aparentes de buracos negros ativos, ou quasares, à medida que Saturno parece passar à sua frente no céu.

A equipa de navegação da Cassini, encarregue de desenhar a viagem da sonda em torno de Saturno, começou a usar as novas informações posicionais, fornecidas por este estudo em curso, em 2013. As novas efemérides permitiram-lhes desenhar manobras melhores para a sonda, levando a uma maior conservação de combustível. Anteriormente, os navegadores faziam as suas próprias estimativas das posições de Saturno e dos seus satélites usando dados recolhidos através do sinal de rádio da Cassini durante as suas comunicações com a Terra. Os novos cálculos, reforçados pelos dados do VLBA, são cerca de 20 vezes mais precisos.

Jones e colegas planeiam continuar as observações conjuntas do VLBA e da Cassini até ao fim da missão saturniana em 2017. A equipa planeia usar técnicas similares para observar o movimento da sonda Juno da NASA quando alcançar Júpiter em meados de 2016. Esperam também melhorar o conhecimento orbital desse planeta gigante.
Fonte: Astronomia Online - Portugal

12 de jan de 2015

Hubble descobre que o Núcleo da Via Láctea gera ventos de até 3 milhões de km/h

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Na época quando os ancestrais humanos tinham recentemente começado a andar de forma ereta, o coração da Via Láctea passava por uma erupção titânica, fazendo com que gases e outros materiais fossem expelidos a uma velocidade de 2 milhões de milhas por hora. Agora, no mínimo 2 milhões de anos depois, os astrônomos estão testemunhando a consequência dessa explosão: nuvens de gás formando torres de cerca de 30000 anos-luz acima e abaixo do plano da nossa galáxia. A enorme estrutura foi descoberta a cinco anos atrás como um brilho de raio-gamma no céu na direção do centro galáctico. As feições em forma de balão, têm, desde então sido observadas tanto em raio-X, como em ondas de rádio. Mas os astrônomos precisaram do Telescópio Espacial Hubble da NASA para medir pela primeira vez a velocidade e a composição dos misteriosos lobos. Eles agora estão a calcular a massa do material que está sendo soprado para fora da nossa galáxia, e que poderia levar a determinar a causa da explosão, que tem alguns possíveis cenários. Os astrônomos propuseram duas origens para os lobos bicolores: um frenético nascimento de estrelas no centro da Via Láctea ou a erupção de buraco negro supermassivo. Embora os astrônomos têm visto ventos gasosos, compostos de jatos de partículas carregadas, emanando do núcleo de outras galáxias, eles têm agora a chance única de ver o que está acontecendo em detalhe na nossa própria galáxia. Quando você olha no centro das outras galáxias, os fluxos parecem muito menores, pois as galáxias estão bem distantes”, disse Andrew Fox do Space Telescope Science Institute em Baltimore, Maryland, principal pesquisador que conduziu esse estudo. “Mas as nuvens de fluxo que nós estamos vendo estão a somente 25000 anos-luz de distância na nossa própria galáxia. Nós estamos assistindo tudo, da primeira fileira. Nós podemos estudar os detalhes dessas estruturas. Nós podemos olhar quão grande as bolhas são e podemos medir quanto do céu elas estão cobrindo”.

Os resultados obtidos por Fox serão publicados no The Astrophysical Journal e foi apresentado no encontro da American Astronomical Society entre os dias 5 e 9 de Janeiro de 2015, em Seatle.
Os gigantescos lobos, chamados de Bolhas de Fermi, inicialmente foram registrados pelo Telescópio Espacial de Raios-Gamma Fermi, da NASA. A detecção de raios-gamma de alta energia, sugeria que um evento violento no núcleo da galáxia lançou agressivamente gás energizado no espaço. Para fornecer mias informações sobre os fluxos, Fox usou o instrumento, chamado de Cosmic Origins Spectrograph, ou COS, para pesquisar a luz ultravioleta de um quasar distante que localiza-se além da base da bolha norte. Impressa na luz à medida que ela viajava através do lobo está a informação sobre a velocidade, a composição, e a temperatura do gás em expansão dentro da bolha, um tipo de informação que só o COS consegue fornecer.

A equipe de Fox foi capaz de medir que o gás perto do lado da bolha está se movendo em direção a Terra e o gás no lado distante está viajando para longe da Terra. O espectro feito pelo COS mostra que o gás está passando pelo centro galáctico a uma velocidade absurda de cerca de 3 milhões de quilômetros por hora. Isso é exatamente a assinatura que nós sabemos que poderíamos conseguir se esse fosse um fluxo bipolar”, explicou Rongmon Bordoloi do Space Telescope Science Institute, um coautor do trabalho. “Essa é a linha de visada mais próxima que temos do centro da galáxia onde nós podemos ver a bolha sendo soprada para fora e energizada. As observações feitas com o COS também mediram, pela primeira vez, a composição do material que está sendo varrido na nuvem gasosa. O COS detectou, silica, carbono, e alumínio, indicando que o gás é enriquecido em elementos pesados produzidos dentro das estrelas e representa o remanescente fossil da formação da estrela.

O COS mediu a temperatura do gás em aproximadamente 17500 graus Fahrenheit, que é muito mais fria do que a maior parte dos fluxos de gás super aquecidos que temos por aí, que têm temperaturas de cerca de 18 milhões de graus Fahrenheit. “Nós estamos vendo um gás mais frio, talvez um gás interestelar no disco da nossa galáxia, sendo varrido por um fluxo quente”, explicou Fox. Esse é o primeiro resultado numa pesquisa de mais de 20 quasares distantes cuja luz passa através do gás dentro ou logo fora das Bolhas de Fermi – como uma agulha furando um balão. Uma análise da amostra completa nos fornecerá a quantidade de massa que está sendo ejetada. Os astrônomos podem então comparar a massa do fluxo com as velocidades em vários locais nas bolhas para determinar a quantidade de energia necessária para gerar tal explosão e possivelmente revelar a origem do evento explosivo.

Uma possível causa para os fluxos é uma frenética formação de estrelas perto do centro galáctico que produz supernovas, que sopram o gás. Outro cenário é uma estrela ou um grupo de estrelas que está caindo no buraco negro supermassivo do centro da Via Láctea. Quando isso acontece, o gás super aquecido pelo buraco negro explode profundamente no espaço. Devido ao fato das bolhas terem um período de vida curto, se comparado com a idade da nossa galáxia, ele sugere que isso pode ser um fenômeno que está se repetindo na história da Via Láctea. Independente do que gerou isso, provavelmente ocorre de forma episódica, talvez somente quando o buraco negro possui uma concentração de material.

“Parece que os fluxos sofrem de soluço”, disse Fox. “Podem existir repetidas ejeções de material que foram sopradas, e nós estamos registrando somente a última. Estudando a luz desses outros quasares, no nosso programa, nós seremos capazes de detectar os fósseis dos fluxos anteriores. Ventos galácticos são comuns nas galáxias de formação de estrelas, como a M82, que está gerando estrelas de maneira furiosa em seu núcleo. “Parece existir um link entre a quantidade de formação de estrelas e se os fluxos acontecem ou não”, disse Fox. “Embora de maneira geral atualmente a Via Láctea produza de forma moderada uma ou duas estrelas em um ano, existe uma grande concentração de regiões de formação de estrelas, perto do centro da galáxia”.

Um amanhecer cataclísmico


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Será que esse amanhecer trará outra nova? Esse tipo de dilema pode ser ponderado um dia por futuros seres humanos vivendo num planeta orbitando um sistema estelar binário variável cataclismático. Variáveis cataclismáticas envolvem o gás caindo de uma grande estrela num disco de crescimento ao redor de uma estrela massiva mas compacta anã branca. Eventos cataclismáticos explosivos como uma anã nova podem ocorrer quando uma aglomeração de gás no interior do disco de crescimento aquece e passa de uma determinada temperatura. Nesse ponto, a aglomeração cairá mais rapidamente na anã branca e pousará criando um brilhante flash. Essas novas de anãs não destruirão a estrela e podem ocorrer irregularmente na escala de tempo, de poucos dias até dezenas de anos. Embora uma nova seja muito menos energética do que uma supernova, se novas ocorrerem de forma recorrente e não são violentas o suficiente para expelir mais gás do que o gás que cai em sua direção, a massa acumulará na anã branca até que ela passe do chamado limite de Chandrasekhar. Nesse ponto, uma pequena caverna, como a mostrada no desenho acima, pode fornecer pouca proteção já que a estrela anã branca como um todo explodirá numa tremenda supernova.

A Terra poderá ser atingida por explosão estelar?

A morte explosiva de Eta Carinae provavelmente não afetará nosso planeta
Quando pensamos sobre ameaças “existenciais”, eventos com o potencial de destruir a vida de todos os seres da Terra, a maioria das possibilidades está em nosso próprio planeta – mudanças climáticas, pandemias globais e guerra atômica. Lançando um olhar paranoico para os céus, normalmente pensamos em impactos de asteroides ou talvez algum disparo perigosamente massivo de nosso Sol. Mas se você acreditar em tudo que lê nas fronteiras da Internet, pode achar que a ameaça celestial mais aterrorizante não é apenas extraterrestre, mas também extrassolar. A cerca de 7.500 anos-luz de distância, na constelação de Carina, uma estrela chamada de Eta Carinae, pelo menos cem vezes mais massiva que nosso Sol, está se aproximando do ponto em que explodirá como supernova. De maneira simples, a Eta Carinae é um supermassivo barril de pólvora estelar com o pavio quase no fim. De fato, ela já pode ter chegado ao fim, e a luz que carrega as notícias de sua morte cataclísmica poderia estar vindo em nossa direção agora mesmo. Existem dois conjuntos gerais de opiniões sobre o que aconteceria após a chegada desse funeral luminoso, seja amanhã ou daqui a dezenas de milhares de anos.

A primeira opinião, defendida por vários alarmistas online (que não vou citar) sustenta que haveria uma extinção global em massa. Essa ideia se baseia em temores de que a supernova de Eta Carinae possa liberar enorme quantidade de raios gama (ERG), uma das explosões mais potentes do Universo. Quando uma estrela muito massiva morre em uma supernova, seu núcleo colapsa sobre si mesmo, normalmente formando um resquício estelar, uma estrela de nêutrons ou um buraco negro.

Se o núcleo estiver girando em alta velocidade, o resquício estelar girará ainda mais rápido, acumulando um disco de material ao seu redor girando quase à velocidade da luz. Por meio de processos que ainda não compreendemos completamente, esse disco giratório super-aquecido e magnetizado forma um par de jatos, como feixes de um farol marítimo, que são lançados de seus polos a velocidades relativísticas. A emissão altamente concentrada, extremamente energética desses jatos é o que vemos como uma ERG. Com o passar dos anos, ERGs foram propostas como uma das razões para nossa aparente solidão no Universo – mais cedo ou mais tarde, afirma a teoria, todos os planetas habitados serão atingidos por uma ERG, o que praticamente aniquilaria qualquer biosfera.

Alguns pesquisadores especulam que uma dessas explosões pode já ter atingido a Terra, no final do período Ordoviciano há quase 450 milhões de anos. Seja qual for esse evento do passado, estima-se que ele tenha conseguido exterminar mais de 80% de todas as espécies vivas daquela época. Pode ser que muito mais ERGs tenham atingido nosso planeta no início de sua vida, limitando o surgimento da biosfera terrestre até que sua prevalência cósmica tenha caído abaixo de um limiar crítico. De acordo com uma plausível hipótese de acontecer o pior, um impacto direto provocado por uma ERG extremamente potente gerada por Eta Carinae poderia devastar nosso planeta de uma maneira semelhante a uma guerra termonuclear total, mas muito pior.

 Durante vários segundos calcinantes, o hemisfério planetário mais distante da estrela seria banhado em intensa radiação de alta frequência. Os céus ficariam cheios de uma luz muito mais brilhante que a do Sol, brilhante o suficiente para iniciar enormes incêndios em metade do globo. Essa energética explosão de luz iniciaria chuvas atmosféricas de partículas subatômicas radioativas altamente penetrantes chamadas de múons, que desceriam dos céus para envenenar a vida na superfície e em partes do subterrâneo e dos oceanos.

Nem mesmo o lado mais distante do planeta em relação a Eta Carinae seria poupado, já que a intensa energia da ERG destruiria toda a camada de ozônio enquanto enviaria super tempestades destruidoras pelo planeta. Depois disso, céus negros, cheios de fuligem, lançariam torrentes de chuva ácida, que limpariam tudo apenas para banhar a superfície com a perigosa radiação ultravioleta. Literalmente em um segundo, a Terra se transformaria em um necrotério, e a biosfera estilhaçada precisaria de milhões de anos para se recuperar.

A segunda opinião, sustentada pela maioria dos astrofísicos, é que Eta Carinae sequer produzirá uma ERG – e, se o fizer, ela não atingirá a Terra. E mesmo em um cenário onde nosso planeta realmente se encontre na mira de uma ERG oriunda de Eta Carinae, se a explosão tivesse intensidade média, sua luz estaria muito atenuada depois de cruzar 7.500 anos-luz para prejudicar seriamente a biosfera. Nesse cenário, o fim de Eta Carinae se manifestaria com relativa modéstia: o brilho da estrela se aproximaria da luminosidade da lua cheia antes de desaparecer gradualmente no céu.

Para compreender como essa profunda divergência de opiniões precisamos saber mais sobre Eta Carinae. Desde que foi catalogada por Edmond Halley, em 1677, o brilho da estrela já apresentou enormes flutuações, atingindo seu pico em 1843 para se tornar a segunda estrela mais brilhante no céu durante quase duas décadas. Atualmente, astrônomos consideram esse evento como sendo um “impostor de supernova” – em vez de explodir, a estrela talvez tenha ejetado 10% de sua massa total na forma de duas imensas nuvens de gás e poeira, que atualmente são conhecidas como Nebulosa do Homúnculo. Resquícios brilhantes de eventos ainda mais antigos de quase-morte ainda cercam a estrela. Se vista hoje através de um grande telescópio, Eta Carinae fica um pouco parecida com um amendoim sendo assado no fogo.

Eta Carinae brilha com tanta intensidade que está erodindo a si mesma, gerando uma pressão radioativa extena tão intensa que quase neutraliza a atração gravitacional o que permite o lento desprendimento de suas camadas mais externas em poderosos ventos estelares. Nas profundezas da estrela, abaixo de uma espessa camada de hidrogênio, reações de fusão estão “queimando” vários combustíveis nucleares em camadas semelhantes àquelas encontradas no interior de uma cebola. As explosões e pulsações anteriores de Eta Carinae provavelmente estão ligadas a instabilidades entre suas camadas interiores, criadas quando ela esgotou um combustível nuclear e começou a queimar outro.

Alex Filippenko, astrofísico da University of California, Berkeley, explica que a massiva cobertura de hidrogênio e os fortes ventos estelares de Eta Carinae reduzem a probabilidade de a estrela produzir uma ERG. “Uma espessa camada de hidrogênio torna difícil que um jato relativístico escape da estrela”, explica Filippenko. “Mas se a Eta Carinae não explodir dentro de um longo tempo, ela teria chance de se livrar da camada externa, e provavelmente se transformaria em uma ERG”. Mas ele também adiciona que, uma vez que a camada tenha desaparecido, a força dos ventos estelares provavelmente aumentaria, dissipando grande parte do momento angular que seria necessário para produzir uma ERG quando o núcleo de Eta Carinae colapsasse. “Tudo isso torna uma ERG menos provável, mas não impossível”, observa Filippenko. “E mesmo que ela consiga se livrar de sua camada de hidrogênio antes de explodir e não se transforme em uma ERG, Eta Carinae provavelmente não está apontando para cá no momento”.

Os lóbulos gêmeos da Nebulosa do Homúnculo estão afastados de nós em um ângulo de aproximadamente 40 graus, e Filippenko explica que uma ERG emergindo do eixo polar de uma estrela em colapso teria uma dispersão de apenas 10 graus ou menos. Assim, se a Nebulosa do Homúnculo estiver alinhada com o eixo polar de Eta Carinae, uma ERG vinda de lá se desviaria de nosso sistema solar por uma grande margem. Infelizmente, existe um grande complicador nisso tudo: em 2005, astrônomos descobriram que Eta Carinae é um sistema binário. Sua companheira é relativamente pequena, com “apenas” 30 vezes a massa de nosso Sol, e fica em uma órbita de aproximadamente cinco anos ao redor da estrela que tem 100 massas solares.

Se a órbita da pequena companheira não estiver alinhada com o eixo rotacional da estrela mais massiva, então a Nebulosa do Homúnculo pode não estar alinhada com os polos da estrela massiva. E é possível que as interações gravitacionais entre as duas estrelas, ou com outra estrela que estivesse de passagem, pudessem alterar a orientação do eixo da estrela mais massiva, sendo capazes de virá-la em nossa direção. Finalmente, a presença da estrela companheira também poderia alterar a evolução da estrela mais massiva, lançando mais incerteza no tempo e na mecânica de qualquer possível supernova.

Quando somadas, todas essas variáveis são, em grande parte, o motivo de Eta Carinae ser um problema mais intrigante atualmente segundo Stan Woosley, astrofísico da University of California, Santa Cruz, que se especializa em modelar a evolução e morte de estrelas. “Ninguém sabe o que está acontecendo lá fora... Ela poderia morrer amanhã ou daqui a muito tempo”.

Parte do que acontecerá a seguir depende do atual combustível nuclear dominante no interior de Eta Carinae. Se ela estiver fundindo elementos como oxigênio ou carbono dentro, ou nas proximidades, de seu núcleo, ela pode ter apenas alguns anos de vida, no máximo séculos, e poderia ejetar sua cobertura externa de hidrogênio em breve. Se, em vez disso, seu núcleo estiver fundindo hélio, a estrela ainda poderia brilhar durante centenas de milhares de anos. Por outro lado, a fusão de hélio poderia fazer com que Eta Carinae inchasse como um balão e se tornasse uma estrela supergigante. Nesse caso, sua companheira estelar poderia ser engolida e destruir sua camada externa de hidrogênio, acelerando a morte explosiva da supergigante.

Depois que a estrela morrer, explica Woosley, seu núcleo provavelmente colapsará para formar um buraco negro, ainda que com uma rotação muito lenta para formar um disco relativístico e uma ERG. Sem a criação desse disco, a morte da Eta Carinae poderia ser “bem pouco espetacular”, fracassando até mesmo em produzir uma supernova, já que os resquícios da estrela simplesmente escapariam para trás do horizonte de eventos do buraco negro.

“Às vezes eu me pergunto se Eta Carinae já se foi”, conclui Woosley. “Mas as pessoas me dizem que ainda conseguem vê-la”.
Fonte: Scientific Americam - Brasil

9 de jan de 2015

Ándrómeda em HD

Esta imagem de parte da Galáxia de Andrómeda (M31), é a maior e mais detalhada imagem já capturada da nossa vizinha galáctica. Crédito: NASA, ESA, J. Calcanton, B. F. Williams, L.C. Johnson (Universidade de Washington), equipa PHAT e R. Gendler

O Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA capturou a maior e mais nítida imagem já feita da Galáxia de Andrómeda - também conhecida como M31. É a maior imagem já produzida pelo Hubble e mostra mais de 100 milhões de estrelas e milhares de enxames estelares embebidos numa secção do disco em forma de panqueca da galáxia que se estende por mais de 40.000 anos-luz. Esta vista arrebatadora mostra um-terço da nossa vizinha galáctica, a Galáxia de Andrómeda, com uma qualidade impressionante. A imagem panorâmica tem 1,5 mil milhões de pixéis - ou seja, precisaríamos de mais de 700 televisões Full HD para exibir a imagem inteira (a imagem, no seu tamanho normal, tem 69.536 x 22.230 pixéis; ela própria é uma versão cortada da imagem original com 3,9 mil milhões de pixéis que cobre quase 60.000 anos-luz).

Ela traça a galáxia desde o seu bojo galáctico central à esquerda, onde as estrelas estão agrupadas densamente, ao longo de correntes de estrelas e poeira, para arredores mais escassos do seu disco exterior à direita. Os grandes grupos de estrelas azuis da galáxia indicam as posições de enxames estelares e regiões de formação estelar nos braços espirais, enquanto as silhuetas escuras das regiões sombrias mostram estruturas complexas de poeira. Subjacente à galáxia inteira, está uma distribuição harmoniosa de estrelas vermelhas mais frias que rastreiam a evolução de Andrómeda ao longo de milhares de milhões de anos.
Imagem detalhada do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA que mostra uma pequena secção da Galáxia de Andrómeda, M31, e assinala algumas das muitas características reveladas no seu interior. Estão legendadas alguns objetos, incluindo correntes de poeira, enxames estelares, estrelas da Via Láctea e regiões de formação estelar.  Crédito: NASA, ESA/Hubble e Z. Levay (STScI/AURA)  Crédito do mosaico PHAT: NASA, ESA, J. Calcanton, B. F. Williams, L.C. Johnson (Universidade de Washington), equipa PHAT e R. Gendler

A Galáxia de Andrómeda é uma grande galáxia espiral - o tipo de galáxia que é lar da maioria das estrelas no Universo - e esta imagem detalhada, que captura mais de 100 milhões de estrelas, representa um novo ponto de referência para estudos de precisão deste tipo de galáxias. A clareza destas observações vai ajudar os astrónomos a interpretar a luz de muitas galáxias que têm uma estrutura semelhante mas que se situam muito mais longe. Tendo em conta que a Galáxia de Andrómeda está a apenas 2,5 milhões de anos-luz da Terra, é um alvo muito maior no céu do que as galáxias que o Hubble rotineiramente fotografa e que se encontram a milhares de milhões de anos-luz. De facto, o seu diâmetro total no céu noturno é seis vezes maior que a Lua Cheia. Para capturar a grande parte da galáxia vista aqui - mais de 40.000 anos-luz - o Hubble capturou 411 imagens e foram agrupadas num mosaico.

Este panorama é o produto do programa PHAT (Panchromatic Hubble Andromeda Treasury). Foram capturadas imagens da galáxia no ultravioleta próximo, no visível e no infravermelho próximo, usando a câmara ACS (Advanced Camera for Surveys) a bordo do Hubble. A imagem mostra a galáxia em cores visíveis e naturais, fotografada através de filtros vermelhos e azuis. A imagem é demasiado grande para ser facilmente exibida na resolução máxima e é melhor apreciada usando a ferramenta de zoom, cujo link está disponível na legenda da imagem. A imagem foi apresentada na segunda-feira passada durante a 225.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana em Seattle, no estado americano de Washington.
Fonte: Astronomia OnLine - Portugal

8 de jan de 2015

Planetas errantes são maioria e podem ter vida


planetas errantes


A Via Láctea, nossa querida galáxia, contém algo em torno de 200 a 400 bilhões de estrelas. E os astrônomos estão descobrindo agora que um grande número delas são como o nosso sol: tem planetas orbitando em torno delas. Durante décadas, foi consenso entre os estudiosos de astronomia que estes seriam planetas alienígenas – planetas que voam em torno de uma estrela mãe.

Mas isso mudou

Pesquisas recentes sugerem que planetas voando livres ao redor do espaço interestelar, sem estar ligados a quaisquer estrelas, superam o número de estrelas em nossa galáxia em uma escala de 100.000 para 1. Mesmo se todas as estrelas da Via Láctea tiverem muitos planetas orbitando em torno delas, como acontece em nosso sistema solar, ainda haveria 12.500 planetas livres para cada planeta em uma órbita.

“Planetas errantes”

Os cientistas têm descoberto cada vez mais planetas extrassolares, ou seja, aqueles planetas que moram fora do nosso sistema solar. Para você ter uma ideia, já há 974 planetas que conhecemos até agora, orbitando ao redor de 744 estrelas. Entre esses muitos planetas extrassolares, estão alguns errantes. Um planeta errante é definido como um corpo com massa planetária que não orbita ao redor de uma estrela. Existem apenas quatro candidatos específicos para esse título que nós conhecemos, mas os cientistas foram capazes de deduzir que deve haver muitos mais perdidos na imensidão no universo.

Cadê eles?


Planetas errantes são difíceis de se observar porque os nossos métodos atuais de detecção de planetas extrassolares se apoiam nos efeitos que os planetas têm sobre sua estrela-mãe. Funciona mais ou menos assim: quando um determinado planeta passa pela órbita de uma estrela, ele provoca uma atração gravitacional que pode ser observada com um telescópio. Então se um planeta não tem uma estrela-mãe… Bom, ficamos meio cegos. A não ser pelo fato de que planetas errantes produzem uma pequena quantidade de radiação infravermelha, o que nos permitiu detectar os poucos que conhecemos até agora. Os cientistas costumavam pensar que todos os planetas errantes eram formados durante uma típica criação de um sistema solar, e na sequência eram ejetados para o espaço, orbitando no centro da galáxia, como se fossem estrelas.

Isso explicaria, por exemplo, os bilhões de planetas que estão lá fora. Mas as observações recentes sugerem que planetas errantes poderiam ser formados independentemente de uma estrela. Estrelas se formam a partir de enormes nuvens de poeira, mas se um pequeno aglomerado de poeira se quebra, ele irá formar o que os cientistas chamam de “globulete”. Esses globuletes ainda são muito grandes, apesar do nome. Eles são 50 vezes mais largos que a distância entre Netuno e o sol, mas ainda assim não são suficientemente grandes para produzir uma estrela. Em vez disso, a poeira vai condensar e formar um planeta, destinado a vagar sozinho através da galáxia. Voilá! Temos um planeta errante.

Poderia haver vida em um planeta errante?
Possivelmente.

De acordo com astrobiologistas, esses planetas podem ter oceanos subterrâneos a uma temperatura adequada para dar suporte à vida. Tal como na Terra, a vida poderia evoluir em volta de fontes hidrotermais, em um ecossistema que não exige a luz solar. Existe também a possibilidade de que um planeta errante passar muito mais perto da Terra do que os planetas em torno de outra estrela. Assim, um planeta errante poderia ser a nossa primeira visita extrassolar.
Fonte: Hypescience.com

Idade das estrelas é calculada pela sua rotação

Idade das estrelas é calculada pela sua rotação

Duração do dia estelar indica idade da estrela com grande precisão. [Imagem: Michael Bachofner/Harvard-Smithsonian CfA]

Idade das estrelas


Astrônomos conseguiram demonstrar que é possível calcular de forma precisa a idade de uma estrela pela velocidade com que ela gira. Estabelecer a idade das estrelas é uma questão central na astronomia - assim como datar os fósseis é crucial para o estudo da evolução. As estrelas desaceleram com o tempo, mas até recentemente havia poucos dados para permitir cálculos exatos. Pela primeira vez, uma equipe de pesquisadores mediu a velocidade de rotação de estrelas que têm mais de um bilhão de anos - e os resultados corresponderam às idades que eles haviam previsto.

A descoberta resolve um desafio de longa data, permitindo que astrônomos estimem a idade de uma estrela com uma margem de erro de 10%. Este método aplica-se a "estrelas frias" - sóis de tamanho semelhante ao nosso ou menores. Elas são as estrelas mais comuns na nossa galáxia e vivem muito tempo. "Elas agem como postes de luz, iluminando até mesmo as partes mais antigas da nossa galáxia", diz o pesquisador Soren Meibom, do Centro Smithsonian de Astrofísica da Universidade de Harvard. Estrelas frias também são o astro central para a grande maioria dos planetas semelhantes à Terra descobertos até agora.

Girocronologia

A maioria das propriedades de uma estrela como o nosso sol - tamanho, massa, luminosidade e temperatura - mantêm-se as mesmas durante a maior parte de sua vida, o que torna muito complicado descobrir a idade de uma estrela. A ideia de fazer isto medindo a rotação da estrela foi proposta pela primeira vez na década de 1970 e foi apelidada de "girocronologia".  Uma estrela fria gira muito rápido quando é jovem, mas ela fica cada vez mais lenta quando envelhece", disse Meibom. Mas é difícil ver uma estrela girando.

Astrônomos usam manchas de sol, deslocando-se pela superfície, já que elas só reduzem seu brilho em menos de 1%.  Estrelas velhas são particularmente problemáticas porque elas têm menos manchas e estas são menores, mais difíceis de serem acompanhadas. A equipe de Meibom usou imagens do telescópio espacial Kepler, medindo as velocidades de rotação de 30 estrelas de um grupo específico de 2,5 bilhões de anos. Este grupo, conhecido como NGC 6819, preenche o que Meibom chama de uma "lacuna de quatro bilhões de anos" em nosso conhecimento da rotação estelar.


Rotação e idade


Antes da missão Kepler, só tínhamos dados de estrelas muito frias em grupos muito jovens, todos com menos de 0,6 bilhão de anos e girando bastante rapidamente (cerca de uma vez por semana). Em 2011, a equipe de Meibom usou imagens do Kepler para estudar um grupo de estrelas diferente, o NGC 6811, de um bilhão de anos. Suas estrelas frias giram cerca de uma vez a cada 10 dias. Mas, além dessas, a única estrela sobre a qual se sabia tanto a velocidade de rotação quanto a idade era nosso próprio sol - 4,6 bilhões de anos, com um período de rotação de 26 dias.

"A construção do relógio de estrelas frias estava em compasso de espera", disse Meibom. Agora, o relógio parece estar funcionando. As estrelas parecidas com o Sol no grupo recém-estudado se encaixam perfeitamente e satisfatoriamente nesta lacuna, girando aproximadamente a cada 18 dias. Esta é uma grande melhoria em relação a outros métodos para estimar a idade das estrelas, onde a margem de erro pode chegar a 100%.
Fonte: Inovação Tecnológica

Mais oito planetas na zona habitável!

Concepção artística de um planeta habitável fora do Sistema Solar
Usando dados do telescópio espacial Kepler, da Nasa, astrônomos americanos anunciaram a descoberta de nada menos que oito novos planetas de pequeno porte localizados na chamada zona habitável de suas estrelas. Trata-se da região do espaço onde a incidência de radiação seria favorável à preservação de água em estado líquido na superfície. Essa é a posição que a Terra ocupa em nosso Sistema Solar, o que faz supor que pelo menos alguns desses novos planetas possam ser de fato amigáveis à vida. O anúncio acaba de ser feito durante a reunião da Sociedade Astronômica Americana (AAS) e adensa a coleção de planetas descobertos pelo Kepler potencialmente similares à Terra. O resultado também marca um outro recorde para o satélite, que com as novas adições já ultrapassa a marca dos mil planetas encontrados. Não custa lembrar que o telescópio espacial fez essas descobertas todas apontado fixamente durante quatro anos para um cantinho do céu que equivale a míseros 0,25% do total da abóbada celeste, entre as constelações Cisne e Lira. 

(Em uma nova fase desde o ano passado, por conta de um defeito em seus giroscópios, o Kepler foi rebatizado K2 e agora investiga diferentes regiões do céu ao longo das constelações do zodíaco. Aguarde, portanto, outras descobertas empolgantes para o futuro.) Dos oito novos planetas, um deles, batizado Kepler-438b, tem tamanho apenas 12% maior que o da Terra. Em termos de porte, ele é tão parecido com o nosso mundo quanto o Kepler-186f, que, talvez você se lembre, inaugurou uma nova era na busca por exoplanetas no ano passado. Ele foi o primeiro planeta com dimensões similares às da Terra (seu diâmetro era apenas 11% maior) descoberto na zona habitável de outra estrela que não fosse o Sol.

A estrela-mãe do Kepler-438b é uma anã vermelha, astro menor e menos brilhante que o nosso Sol localizado a 470 anos-luz daqui. O planeta em questão completa uma volta em torno dela a cada 35 dias, e a radiação estelar que chega a ele é 40% maior do que a que banha a Terra. (Para efeito de comparação, Vênus, que virou um inferno escaldante por sua proximidade com o Sol, recebe o dobro da radiação incidente sobre nosso planeta.) Nesse sentido, o planeta mais interessante da nova leva é o Kepler-442b, a 1.100 anos-luz de distância. Ele tem um diâmetro cerca de 30% maior que o da Terra, de forma que já entra numa classificação diferente, como uma “superterra”. Ainda assim, um estudo apresentado ontem na reunião da AAS por Courtney Dressing, astrônoma do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica, mostra que planetas até 50% maiores que a Terra tendem a ter uma composição de ferro e silicatos. Ou seja, são mundos rochosos, como o nosso, apesar do tamanho avantajado.

E o Kepler-442b em particular recebe de sua estrela-mãe, uma anã laranja um pouco menor do que o Sol, cerca de dois terços da radiação que a Terra ganha do Sol. Segundo os cálculos dos astrônomos liderados por Guillermo Torres, do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica, e por Douglas Caldwell, do Instituto SETI, com esse nível de radiação, ele tem 97% de chance de de fato estar na zona habitável de sua estrela. Só para comparar, o festejado Kepler-186f, do ano passado, recebe um terço da radiação solar que incide na Terra.

CANDIDATOS

Hoje os pesquisadores do satélite Kepler também apresentaram uma atualização dos resultados gerais obtidos pelo telescópio durante seus quatro anos de operação. Garimpando os dados, eles encontraram mais 554 candidatos a planeta, que vêm a se somar aos 4.183 candidatos da parcial anterior. É uma medida importante do tamanho do sucesso da missão, apesar de sua interrupção abrupta pela falha com os giroscópios. Estima-se que cerca de 90% dos “candidatos” sejam planetas de fato, mas para verificar isso os cientistas precisam usar técnicas de análise que confirmem a descoberta.

O Kepler detecta planetas ao observar pequenas reduções no brilho das estrelas conforme um mundo orbitando ao seu redor passa à frente dela, com relação ao satélite. Medindo o tamanho da redução de brilho, o tempo de duração e a periodicidade, é possível estimar o tamanho e a órbita do planeta. Mas diversos fenômenos, como manchas estelares ou a presença de outra estrela próximo, podem gerar falsos positivos. Daí a necessidade de uma segunda análise caso a caso após a primeira peneirada dos “candidatos”.

No caso dos oito novos planetas na zona habitável, a equipe de Torres e Caldwell usou um programa de computador chamado Blender, que introduz diversos falsos positivos nos dados e procede com uma análise estatística sobre as detecções. Com isso, conseguiram determinar com confiança superior a 99% de que são realmente para valer.
Fonte: Salvador Nogueira - Mensageiro Sideral

Para onde foram todas as estrelas?


Para onde foram todas as estrelas?


Buraco no espaço

Nesta intrigante imagem parecem faltar muitas estrelas. No entanto, o vazio negro não é na realidade um buraco, mas sim uma região do espaço cheia de gás e poeira, uma nuvem escura chamada LDN 483 (Lynds Dark Nebula, ou Nebulosa Escura de Lynds). A LDN 483 contém material poeirento em quantidade suficiente para bloquear por completo a radiação visível emitida pelas estrelas que se encontram no campo de fundo - ela situa-se a cerca de 700 anos-luz de distância, na constelação da Serpente. A natureza sem estrelas da LDN 483, e de outras nuvens do mesmo estilo, poderia sugerir que estes são locais onde as estrelas não nascem nem crescem mas, de fato, dá-se exatamente o oposto: as nebulosas escuras oferecem um meio extremamente fértil a uma eventual formação estelar.
Ou seja, ela é diferente do buraco no espaço descoberto pelo telescópio Herschel há alguns anos.



Útero de estrelas

Os astrônomos que estudam a formação estelar na LDN 483 descobriram algumas das estrelas bebês mais jovens já vistas "enterradas" no interior oculto da nebulosa - é como se fossem estrelas em gestação, ainda dentro do "útero", mas já completas. Nesta primeira fase do desenvolvimento estelar, a protoestrela é apenas uma bola de gás e poeira que se contrai sob a força da gravidade no interior da nuvem molecular que a envolve. A protoestrela está ainda muito fria - cerca de -250º Celsius - brilhando apenas nos comprimentos de onda longos do submilímetro. No entanto, tanto a temperatura como a pressão começam a aumentar no núcleo da jovem estrela. Este período mais inicial da formação estelar dura apenas alguns milhares de anos, um tempo bastante curto em termos astronômicos, tendo em conta que as estrelas vivem tipicamente durante milhões ou bilhões de anos.

Nas fases seguintes, ao longo de vários milhões de anos, a protoestrela irá tornar-se cada vez mais quente e densa. A sua emissão aumentará em termos de energia, passando gradualmente da radiação fria do infravermelho longínquo, ao infravermelho próximo e finalmente à radiação visível. A protoestrela muito tênue ter-se-á então transformado em uma estrela completamente luminosa, e começará a lançar luzes no meio da nebulosa escura. À medida que mais e mais estrelas forem emergindo das profundezas escuras da LDN 483, a nebulosa escura dispersar-se-á, perdendo a sua opacidade. As estrelas no campo de fundo que se encontram atualmente escondidas aparecerão - mas apenas após milhões de anos, e nessa altura serão ofuscadas pelas jovens estrelas brilhantes que acabaram de nascer na nuvem. Essa história pode ser aferida em aglomerados estelares mais maduros, como o Messier 7.
Fonte: Inovação Tecnológica

25 Anos do Hubble – Uma Revisita aos Pilares da Criação

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Para celebrar 25 anos de exploração do universo, de 1990 a 2015, desde a baixa órbita da Terra, as câmeras do Telescópio Espacial Hubble foram usadas para revisitarem sua imagem mais ic6onica. O resultado é essa visão mais nítida e ampla da região denominada de Pilares da Criação, e que foi imageada pela primeira vez pelo Hubble em 1995. As estrelas estão se formando nas profundezas dentro das estruturas em forma de torres. As colunas de gás frio e poeira com anos-luz de comprimento estão a cerca de 6500 anos-luz de distância da Terra na M16, a Nebulosa da Águia, localizada na direção da constelação da Serpens. Esculpidos e erodidos pela luz ultravioleta energética e pelos poderosos ventos do aglomerado de estrelas jovens e massivas da M16, os pilares cósmicos estão destinados a serem destruídos. Mas o ambiente turbulento de formação de estrelas dentro da M16 cujos detalhes espetaculares são capturados nessa imagem do Hubble feita na luz visível, é provavelmente, muito similar ao ambiente onde o nosso Sol se formou. Abaixo, uma comparação entre as duas imagens feitas com quase 20 anos de intervalo.

6 de jan de 2015

Cientistas se reúnem para debater novas evidências sobre a matéria escura

matéria escura

A matéria escura é um assunto que ainda vai gerar muito debate entre os cientistas. Sabe-se que a existência dela é real, apesar de os astrônomos ainda não saberem com absoluta certeza de que ela é formada. No entanto, é sabido que ela existe pela sua interação com a matéria luminosa (as galáxias e todos os seus componentes) e pela força gravitacional que ela exerce. Recentemente, alguns astrônomos observaram que ela pode consistir em grandes pedaços de matéria que podem ser de quaisquer tamanhos, desde a dimensão de uma maçã até a de um asteroide.

Em outra observação de 2013, os astrônomos recalcularam a massa da matéria escura e a velocidade com a qual o sistema solar orbita em torno de si mesmo, chegando a resultados mais aproximados. Eles constataram que o valor da massa desse tipo de matéria em todo o universo é até 20% maior do que se pensava. Em um novo debate, um grupo de cientistas renomados internacionalmente se reuniu em uma pequena cidade italiana para discutir sobre uma imagem que pode mudar para sempre a forma como os astrofísicos estudam a matéria escura, segundo o que foi publicado no artigo de Jeff Stone, do International Business Times.

Os temas do debate

Essa reunião dos cientistas foi a Planck de 2014, que aconteceu no início de dezembro do ano passado, e gira em torno de uma imagem que reproduz o que o universo parecia quando tinha 380 mil anos de idade — um momento em que a temperatura de grande parte do espaço exterior era mais quente que o Sol. De acordo com o que foi divulgado no International Business Times, dados da imagem capturada pelo satélite Planck, da Agência Espacial Europeia, provocaram um novo debate sobre o que exatamente forma a matéria escura. Enquanto ainda está compreendida em apenas um nível muito básico, ela é amplamente definida como matéria do espaço que cria uma força gravitacional em todo o universo, conforme citamos anteriormente.

Sobre o satélite Planck, ele foi lançado em maio de 2009 no espaço. Com a mais alta precisão, até o momento, ele mede os restos da radiação que preencheu o universo logo após o Big Bang. As imagens coletadas por ele foram apresentadas aos astrofísicos na reunião Planck 2014 em Ferrara, na Itália, com um vislumbre do passado usando receptores de rádio para capturar os restos de radiação de micro-ondas que sobraram da gigantesca explosão do Big Bang. O estudo dessa radiação é atualmente um campo de pesquisa muito ativo em cosmologia, pois fornece fortes restrições nos modelos atuais.

Os resultados do satélite Planck, até o momento, indicam que a 13,8 bilhões de anos o universo é composto de 4,9% de matéria atômica, 26,6 % da matéria escura não atômica e 68,5% da amplamente definida, porém ainda menos compreendida, energia escura. Segundo o International Business Times, os achados da Planck 2014 não confirmam o que forma a matéria escura, mas sim o que não a forma.
 Fontes: Mega Curioso

Sonda MESSENGER pronta para última tournée de Mercúrio

A primeira sonda a orbitar Mercúrio está quase sem combustível. Depois de quase quatro anos em órbita e de descobrir água gelada, compostos orgânicos e o núcleo de ferro do planeta, a MESSENGER da NASA vai fazer um último impulso propulsor no dia 21 de Janeiro. Os engenheiros esperam que a queima de 120 segundos dê à nave espacial uma subida de 80 quilómetros e que a mantenha aí até Março. Mas antes disso, à medida que a MESSENGER passa num ponto mais próximo do planeta, vai aquecer tanto que a solda que segura alguns instrumentos pode derreter.

O para-sol da MESSENGER foi desenhado para resistir a temperaturas de 350º C. O problema, diz o engenheiro da missão Dan O'Shaughnessy, é que o planeta irradia calor de volta aos instrumentos que se escondem por trás da sombra. A solda derrete quando as regiões à sombra aquecem até 185º C, o que acontecerá quando a altitude da MESSENGER descer abaixo dos 26 km. "Quando desenhámos o veículo sabíamos, claro, a temperatura de fusão [da solda], mas não antecipávamos operar durante tanto tempo e a estas baixas altitudes," comenta O'Shaughnessy.

Durante esse tempo, a nave vai obter uma vista sem precedentes da superfície craterada de Mercúrio, capturando dados sobre o seu campo gravítico, conteúdos das crateras e composição da superfície.A gravidade irregular do planeta faz com que o local da eventual queda da MESSENGER seja difícil de determinar. Mas provavelmente vai colidir com a superfície no lado escuro, onde ficará fora de vista até 2024, quando a missão BepiColombo da ESA chegar ao planeta.

O'Shaughnessy diz que a equipa ponderou pedir a ajuda de uma sonda solar, como a SDO (Solar Dynamics Observatory) ou a SOHO (Solar and Heliospheric Observatory), para ouvir a assinatura de rádio do momento da morte da MESSENGER. Para marcar o final da missão, a equipa da MESSENGER está a levar a cabo um concurso público para dar o nome a cinco crateras de Mercúrio, com base em qualquer artista, compositor ou escritor famoso há mais de 50 anos e falecido há mais de três. Pode participar no concurso até dia 15 de Janeiro.
Fonte: Astronomia OnLine - Portugal

A estrela que está em rota de colisão com a Terra

Two white dwarf stars orbiting each other every 5 minutes.

Há uma chance de 90% de uma estrela se aproximar da Terra no próximo meio milhão de anos. Conhecida como Hipparcos 85.605 (HIP 85605), ela está atualmente a 16 anos-luz de distância de nós, e poderia chegar tão perto quanto 0,13 anos-luz de distância. Coryn Bailer-Jones, do Instituto Max Planck de Astronomia (Alemanha), modelou os movimentos passados e futuros de 50.000 estrelas usando dados do satélite Hipparcos da Agência Espacial Europeia, que analisou o céu na década de 1990. Ele encontrou 14 estrelas a 3,26 anos-luz (que é um parsec) de nós. Quatro passarão a 1,6 anos-luz (0,5 parsec) do sol no futuro.  Destas quatro, o encontro mais próximo parece ser o de HIP 85605, que é uma estrela K (uma anã laranja) ou uma estrela M (uma anã vermelha), que fica na constelação de Hércules.

A estrela tem uma probabilidade de 90% de ficar entre 0,13 e 0,65 anos-luz (0,04 a 0,20 parsec) de nós, entre 240 mil a 470 mil anos a partir de agora. O próximo mais próximo seria Gliese 710 (GL 710), uma estrela anã K7 a cerca de 63 anos-luz de distância de nós, na constelação de Ofiúco. Ela tem 90% de chances de ficar de 0,32 a 1,44 anos-luz (0,10 a 0,44 parsec) de nós em cerca de 1,3 milhões de anos. Enquanto HIP 85605 e GL 710 não representam um perigo de colisão direta com a Terra, suas forças gravitacionais poderiam “empurrar” cometas para fora da Nuvem de Oort em direção a nosso sistema solar exterior.

“Acho que podemos prever com segurança que as órbitas de cometas serão de fato interrompidas pelos encontros mais próximos”, disse Bailer-Jones. E será que alguma dessas estrelas vai trazer consigo exoplanetas para perto da Terra? Provavelmente, mas eles não vão ficar perto o suficiente para que possamos visitá-los. De acordo com Bailer-Jones, eles teriam velocidade rápida conforme passassem pelo sol, o que tornaria chegar a esses planetas tão difícil quanto viajar para sistemas de estrelas mais distantes.

Por fim, os dados desse estudo vêm de simulações com alguns “dados questionáveis”, de modo que as estimativas podem estar um pouco erradas. “A pesquisa é limitada a estrelas para as quais temos distâncias e velocidades precisas; isso, por sua vez, nos limita a estrelas atualmente dentro de algumas dezenas de anos-luz do sol”, explica Bailer-Jones.
Fonte:HypeScience.com

Uma pele de raposa, um unicórnio e uma árvore de natal



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O que essas coisas têm em comum: um cone, a pele de uma raposa, e uma árvore de natal? Resposta, todos eles ocorrem na constelação do Unicórnio (Monoceros). Registrada como uma região de formação de estrelas e catalogada como NGC 2264, o complexo de gás e poeira cósmica, está localizado a cerca de 2700 anos-luz de distância e mistura a emissão avermelhada das nebulosas, excitadas pela luz energética das estrelas recém nascidas com nuvens escura de poeira interestelar. Onde, outrora nuvens de poeira escuras localizadas próximas de estrelas quentes e jovens, também refletem a luz dessas estrelas, formando uma nebulosa de reflexão azul. A imagem acima, se espalha, por uma região com diâmetro aproximadamente igual ao da Lua Cheia, cobrindo cerca de 30 anos-luz na distância estimada da NGC 2264. Os personagens cósmicos presentes nessa imagem incluem a Nebulosa da Pele da Raposa, que localiza-se na parte inferior direita da imagem, a estrela variável e brilhante S Mon pode ser visível logo acima da Pele da Raposa, e a Nebulosa do Cone aparece na parte esquerda da imagem. Devido à distribuição das estrelas do NGC 2264, ele também é conhecido como Aglomerado Estelar da Árvore de Natal. A forma triangular de árvore, traçada pelas estrelas aparece aqui com o seu ápice na Nebulosa do Cone na parte esquerda, com sua base mais larga perto da S Mon na parte direita da imagem.

Misterioso objeto aparece perto do Buraco Negro da Via Láctea

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Um misterioso objeto no centro da galáxia tem intrigado a mente dos astrônomos, e um novo pedaço da informação veio a tona para tentar resolver esse que é um dos maiores mistérios da astronomia atual. Numa outra reviravolta na saga de proporções astronômicas, os pesquisadores dizem agora que uma nuvem de gás, chamada de G1 realizou uma órbita bem próxima do buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea a 13 anos atrás. O objeto poderia ser uma de uma série de nuvens de gás, a segunda das quais pode em breve se tornar um lanche para o buraco negro. O objeto G1, pode ser visto em conjuntos de dados observacionais de 2004. Um objeto conhecido como G2 tem estado nos noticiários por mais de um ano, desde que os astrônomos do Instituto Max Planck para Física Extraterrestre na Alemanha, hipotetizaram que esse objeto era uma nuvem de gás.

Se isso for verdade, o objeto deve ter perdido parte de seu material para o buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea, conhecido como Sagittarius A*, ou Sgr A*. Esse gigantesco buraco negro, não se alimenta com frequência, assim o evento, poderia ser uma rara chance para os astrônomos observarem um buraco negro se alimentando de material a sua volta. Enquanto que os cientistas no Max Planck defendem que o G2 é uma nuvem de gás, um grupo de pesquisadores na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, liderado pela astrofísica Andrea Ghez, argumenta que o G2 é rovavelmente uma estrela circundada por uma camada de poeira e gás. No meio de 2014, o G2 fez sua maior aproximação do buraco negro, e não se rompeu. Ghez e seu grupo argumentaram que isso foi um golpe definitivo para a teoria da nuvem de gás – com a clara evidência de que o G2, é sim, um objeto sólido.


Mas os pesquisadores do Max Planck Institute contra-atacaram com uma explicação para como o G2 poderia ter passado intacto a essa aproximação, mesmo sendo uma nuvem de gás. Sua teoria incorpora a ideia de que o G2 foi uma vez, parte de uma nuvem de gás maior que subsequentemente se partiu em nuvens menores e que todos os pedaços seguem uma mesma trajetória, como pérolas numa corrente. Esse tipo de fenômeno já foi observado no universo antes. Se outras nuvens de gás puderem ser identificadas seguindo a mesma trajetória da G2, isso, indicaria fortemente que o objeto G2 é uma nuvem de gás e não uma estrela.

No estudo mais recente, o grupo do Max Planck fornece um modelo computacional que recria a trajetória do objeto G1. De acordo com essa pesquisa, o G1 segue uma trajetória aproximadamente idêntica ao G2. O modelo parte de algumas premissas sobre o movimento do G1 – por exemplo, que ele desacelera perto da aproximação máxima do buraco negro. “O bom ajuste do modelo com os dados nos dão a ideia, bem plausível, de que o G1 e o G2 são parte de uma mesma corrente de gás,” diz Stefan Gillenssen, co-autor da pesquisa.

2 de jan de 2015

Esqueça a ficção científica: isso é o que você enxergaria ao viajar NA VELOCIDADE DA LUZ

velocidade da luz

O alongamento das estrelas conforme uma nave espacial chega à velocidade da luz é uma das imagens mais icônicas do cinema de ficção científica. Mas, conforme revelou um grupo de estudantes de física da Universidade de Leicester, na Inglaterra, essa situação seria bem diferente na vida real.
Em vez das faixas de luz, e assumindo que uma nave pudesse viajar quase à velocidade da luz, a tripulação iria ver uma esfera gigante e difusa à distância. E isso é só o começo. Para seu estudo, os alunos partiram do princípio de que a Millennium Falcon (sim, esta foi a expressão utilizada no estudo) está viajando a 99,99995% da velocidade da luz (valor “c”), saindo da Terra em direção ao sol (a uma distância de 1 UA).

Obviamente, em consonância com as leis estabelecidas por Albert Einstein, e ao contrário de algumas interpretações de sci-fi de viagens espaciais mais rápidas do que a luz, os alunos não poderiam assumir um valor maior do que c. A equipe que consistia de Riley Connors, Katie Dexter, Joshua Argyle e Cameron Scoular descobriu que, enquanto a tripulação se aproxima da velocidade da luz, veria um disco central de luz brilhante, que é a radiação cósmica de fundo que sobrou do Big Bang. Eles não veriam nenhum sinal de estrelas à distância ou nos arredores, por causa de um efeito Doppler cosmológico – o mesmo efeito que faz com que uma sirene do carro de polícia ou apito de trem mude de tom enquanto passa por um observador.

Neste caso, em vez de um carro de polícia ou trem passado, um efeito Doppler de desvio para o azul (blueshift, em inglês) seria criado pela radiação eletromagnética – incluindo a luz visível – que está se movendo rapidamente em direção à tripulação. Este efeito, dizem os pesquisadores, encurtaria o comprimento de onda da radiação eletromagnética. Do ponto de vista de Han, Lucas e Leia, o comprimento de onda da luz das estrelas vizinhas iria diminuir e deslocar-se para fora do espectro visível na gama de raios-X – tornando, assim, estas estrelas invisíveis ao olho humano.

Consequentemente, a tripulação da Millennium Falcon se limitaria a ver uma esfera central de luz conforme a radiação cósmica de fundo é deslocada para o espectro visível (causada pelo Big Bang, ela é distribuída uniformemente por todo o universo). Curiosamente, os alunos também perceberam que, ao viajar a uma velocidade tão intensa, a nave estaria sujeita a uma pressão incrível exercida por raios-X.

O efeito empurraria o veículo, fazendo com que desacelerasse. Os pesquisadores compararam o efeito da alta pressão exercida contra submersíveis no oceano profundo. Para lidar com isso, uma nave espacial teria de armazenar quantidades extras de energia para compensar essa pressão adicional. Além disso, a tripulação seria aconselhada a usar óculos de proteção para, de alguma forma, tentar evitar os perigos da radiação de raio-X. O estudo foi publicado no “Journal of Physics Special Topics”, da Universidade de Leicester, este ano. A publicação normalmente apresenta trabalhos curtos originais escritos por estudantes no último ano de seus quatro de Mestrado em Física, no qual são encorajados a serem imaginativos com os tópicos que abordam.
Fonte: http://hypescience.com
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Sonda Dawn começa aproximação ao planeta anão Ceres


Impressão de artista que mostra a sonda Dawn da NASA a chegar ao planeta anão Ceres. Crédito: NASA/JPL-Caltech

A sonda Dawn da NASA entrou na fase de aproximação durante a qual continuará a dirigir-se para Ceres, um planeta anão nunca antes visitado por uma nave interplanetária. A Dawn foi lançada em 2007 e está programada para entrar em órbita de Ceres em março de 2015. A Dawn emergiu recentemente de conjunção solar, quando a sonda está no lado oposto do Sol, limitando a comunicação com antenas na Terra. Agora que a Dawn pode novamente comunicar de forma confiável com a Terra, os controladores da missão programaram as manobras necessárias para a próxima fase do encontro, a que chamaram de fase de aproximação a Ceres. A Dawn está atualmente a 640.000 quilómetros de Ceres, viajando a mais ou menos 725 km/h.

A chegada da Dawn a Ceres marcará a primeira vez que uma sonda orbita dois alvos do Sistema Solar. Anteriormente, visitou o protoplaneta Vesta durante 14 meses, entre 2011 e 2012, capturando imagens detalhadas e dados sobre esse corpo. Ceres é quase um completo mistério para nós," afirma Christopher Russell, investigador principal da missão Dawn, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, EUA. "Ceres, ao contrário de Vesta, não tem relação com meteoritos para ajudar a revelar os seus segredos. Tudo o que podemos prever com confiança é que nos vai surpreender."

Pensa-se que os dois corpos planetários são diferentes em alguns aspetos importantes. Ceres pode ter-se formado mais tarde que Vesta e com um interior mais frio. As evidências atuais sugerem que Vesta manteve apenas uma pequena quantidade de água porque formou-se antes, quando o material radioativo era mais abundante, o que teria produzido mais calor. Ceres, em contraste, tem um espesso manto de gelo e pode até ter um oceano sob a sua crosta gelada. Ceres, com um diâmetro médio de 950 km, é também o maior corpo na cintura de asteroides, entre Marte e Júpiter. Em comparação, Vesta tem um diâmetro médio de 525 km e é o segundo maior corpo da cintura principal.

A nave espacial usa propulsão a iões para atravessar o espaço de modo muito mais eficiente do que a propulsão química. Num motor de propulsão iónica, uma carga elétrica é aplicada ao gás xénon, e grelhas de metal carregado aceleram as partículas de xénon para fora do propulsor. Estas partículas empurram o propulsor para trás quando saem, criando uma força de reação que impulsiona a nave espacial. A Dawn completou cinco anos de impulso acumulado, muito mais do que qualquer outra nave espacial.

"Orbitar Vesta e Ceres seria verdadeiramente impossível com propulsão convencional. Graças à propulsão iónica, estamos prestes a fazer história como a primeira sonda a orbitar dois mundos alienígenas inexplorados," afirma Marc Rayman, engenheiro-chefe e diretor da missão Dawn, no JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia.Os próximos meses prometem melhorar continuamente as vistas de Ceres, antes da chegada da Dawn. No final de janeiro, as imagens e outros dados da sonda serão os melhores já obtidos do planeta anão.
Fonte: Astronomia Online - Portugal

Telescópio revela mistérios do Sol em raios X


Telescópio revela mistérios do Sol em raios X





Raio X do Sol

O telescópio de raios X Nustar foi projetado para observar galáxias distantes e buracos negros. Mas os astrônomos ficaram impressionados com os resultados quando resolveram usar o Nustar para fotografar o Sol - agora eles acreditam que o Nustar pode ajudá-los a resolver uma série de questões relativas à física solar. Colocado em órbita em 2012 pela NASA, o telescópio Nustar consegue observar regiões distantes do universo ao captar raios X de alta energia - recentemente, por exemplo, ele foi usado para medir a velocidade de rotação de buracos negros. O Nustar nos dará uma visão única do Sol - desde suas partes mais profundas até as altas camadas de sua atmosfera," justificou David Smith, pesquisador especializado em física solar da Universidade da Califórnia. Segundo ele, isso será possível porque, nos raios X de alta energia que o Nustar consegue captar, o Sol não brilha tanto como em outros comprimentos de onda. É isso que impede outros telescópios de raio X, como o Chandra, façam boas imagens do astro.

Nanoemissões solares

Entre os mistérios que os pesquisadores esperam poder solucionar com ajuda do Nustar está a existência - ou não - das nanoemissões solares. Alguns especialistas acreditam que são essas emissões muito pequenas explicariam por que a atmosfera solar é muito mais quente do que a superfície da estrela. Inicialmente, a missão do Nustar estava prevista para terminar em 2014, mas ela foi estendida em dois anos. Além de observar o Sol, os pesquisadores esperam usar esse tempo extra para continuar estudando os buracos negros e as supernovas - corpos celestes que resultam da explosão de estrelas.
Fonte: Inovação Tecnológica
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