31 de jul de 2015

Há um planeta rochoso apenas a 21 anos-luz de distância

Concepção artística do HD
Concepção artística do HD 219134b
Usando o telescópio espacial Spitzer da NASA, astrônomos confirmaram a descoberta do planeta rochoso mais próximo do nosso sistema solar. Apelidado de HD 219134b, este exoplaneta, que orbita muito perto da sua estrela para sustentar a vida, está a meros 21 anos-luz de distância. Enquanto o planeta em si não pode ser visto diretamente, mesmo por telescópios, a estrela a qual orbita é visível a olho nu em céus escuros na constelação de Cassiopéia, próximo a Estrela do Norte.

Localização do HD 219134b
Localização do HD 219134b

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HD 219134b é o exoplaneta mais próximo da Terra a ser detectado transitando, ou passando em frente, sua estrela. Portanto, é perfeito para uma extensa pesquisa. A maioria dos planetas conhecidos estão a centenas de anos-luz de distância. Este é praticamente um vizinho”, disse o astrônomo e coautor do estudo Lars A. Buchhave, do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica em Cambridge, Massachusetts, nos EUA. Para referência, o planeta mais próximo conhecido é GJ674b, a 14,8 anos-luz de distância, mas a sua composição é desconhecida.

É rocha!
HD 219134b foi avistado pela primeira vez pelo instrumento HARPS-North, do Telescópio Nacional Galileu nas Ilhas Canárias, através de um método chamado de técnica da velocidade radial, em que a massa de um planeta e sua órbita podem ser medidas através da força do “puxão gravitacional” que exerce sobre sua estrela hospedeira. Foi determinado que o planeta tinha uma massa 4,5 vezes maior que a da Terra, e uma órbita rápida de três dias em torno de sua estrela. O Spitzer acompanhou a descoberta. Medições de infravermelho do telescópio revelaram o tamanho do planeta, cerca de 1,6 vezes o da Terra. Combinando o tamanho e a massa, os cientistas concluíram que HD 219134b tem uma densidade de seis gramas por centímetro cúbico, confirmando que é um planeta rochoso.

Concepção artística do planeta passando em frente à sua estrela
Concepção artística do planeta passando em frente à sua estrela

Agora que os astrônomos sabem que HD 219134b transita sua estrela, vão fazer de tudo para observá-lo a partir do solo e do espaço. O objetivo é conseguir informações químicas sobre o novo mundo, a partir da luz da estrela escurecendo quando o planeta passa à sua frente. Se o planeta tiver uma atmosfera, produtos químicos que podem imprimir padrões no brilho da estrela devem ser observados. Outras observações com o HARPS-North também revelaram mais três planetas no mesmo sistema estelar, mais longe do que HD 219134b. Dois são relativamente pequenos e não estão muito distantes da estrela-mãe. A principal autora do estudo, Ati Motalebi, do Observatório de Genebra, na Suíça, disse que acredita que o planeta é o alvo ideal para o Telescópio Espacial James Webb, da NASA, que entrará em atividade em 2018. “Webb e os outros grandes observatórios terrestres futuros poderão apontar para ele e examiná-lo em detalhes”, disse ela.
Fonte: Hypescience.com
 [NASA]

ALMA observa pela primeira vez formação de galáxias no Universo primordial


Esta imagem mostra uma combinação de dados do ALMA e do Very Large Telescope. O objeto central é uma galáxia muito distante chamada BDF 3299, que está sendo observada quando o Universo tinha menos de 800 milhões de anos de idade. A nuvem brilhante vermelha logo à esquerda e abaixo da galáxia é a detecção feita pelo ALMA de uma vasta nuvem de material que se encontra a “construir” a galáxia muito jovem.Crédito:ESO/R. Maiolino

Com o auxílio do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) foram detectadas as nuvens de gás de formação estelar mais distantes observadas até hoje em galáxias normais no Universo primordial. As novas observações permitem aos astrônomos começar a ver como é que as primeiras galáxias se foram construindo e como é que limparam o nevoeiro cósmico durante a era da reionização. Esta é a primeira vez que tais galáxias são observadas com melhor detalhe do que simples manchas tênues.  Quando as primeiras galáxias se começaram a formar algumas centenas de milhões de anos depois do Big Bang, o Universo estava cheio de um nevoeiro de hidrogênio gasoso.

Mas à medida que mais e mais fontes brilhantes —  tanto estrelas como quasares alimentados por enormes buracos negros — começaram a brilhar, este nevoeiro foi desaparecendo tornando o Universo transparente à radiação ultravioleta.  Os astrônomos chamam a este período a época da reionização, no entanto pouco se sabe acerca destas primeiras galáxias e, até agora, apenas se tinham observado como manchas tênues. Estas novas observações obtidas com o poder do ALMA estão a mudar esta realidade. Uma equipe de astrônomos liderada por Roberto Maiolino (Cavendish Laboratory e Kavli Institute for Cosmology, University of Cambridge, Reino Unido) apontou o ALMA a galáxias que se sabia estarem a ser observadas a cerca de apenas 800 milhões de anos depois do Big Bang.

Os astrônomos não estavam à procura da radiação emitida pelas estrelas, mas sim do fraco brilho do carbono ionizado emitido pelas nuvens de gás a partir das quais se formam as estrelas. A equipa pretendia estudar a interação entre uma geração de estrelas jovem e os frios nós de gás que se estavam a formar nestas primeiras galáxias. A equipe também não estava à procura de objetos raros extremamente brilhantes — tais como quasares e galáxias com elevada taxa de formação estelar — que tinham sido observados anteriormente. Em vez disso, o trabalho concentrou-se em galáxias muito mais comuns, galáxias que reionizaram o Universo e se transformaram na maior parte das galáxias que vemos hoje à nossa volta.

Vindo de uma das galáxias — chamada BDF2399 — o ALMA captou um sinal fraco mas claro de carbono brilhante. No entanto, este brilho não vinha do centro da galáxia, mas sim de um dos lados. A co-autora Andrea Ferrara (Scuola Normale Superiore, Pisa, Itália) explica a importância desta nova descoberta:Trata-se da detecção mais distante deste tipo de emissão de uma galáxia “normal”, observada a menos de um bilhão de anos depois do Big Bang, o que nos dá a oportunidade de observar a formação das primeiras galáxias. Estamos a ver pela primeira vez galáxias primordiais não como pequenos pontos, mas como objetos com estrutura interna!”
Os astrônomos pensam que a localização deslocada do centro desta emissão deve-se ao fato das nuvens centrais estarem a ser desfeitas pelo meio inóspito criado pelas estrelas recém formadas — tanto pela sua radiação intensa como pelos efeitos de explosões de supernova — enquanto o carbono está a traçar gás frio recente que está a ser acretado do meio intergalático. Ao combinar as novas observações ALMA com simulações de computador foi possível compreender em detalhe processos chave que estão a ocorrer no seio das primeiras galáxias. Os efeitos da radiação emitida pelas estrelas, o sobreviver de nuvens moleculares, o fato da radiação ionizante se escapar e a estrutura complexa do meio interestelar podem agora ser calculados e comparados às observações. A BDF2399 é muito possivelmente um exemplo típico das galáxias responsáveis pela reionização.

Durante muitos anos tentamos compreender o meio interestelar e a formação das fontes de reionização. Conseguir finalmente testar previsões e hipóteses em dados reais do ALMA é algo extremamente excitante e que nos abre um novo conjunto de questões. Este tipo de observação clarificará muitos dos difíceis problemas que temos tido com a formação das primeiras estrelas e galáxias no Universo,” acrescenta Andrea Ferrara.  Roberto Maiolino conclui:
Este estudo teria sido simplesmente impossível sem o ALMA, uma vez que nenhum outro instrumento consegue atingir a sensibilidade e resolução espacial necessárias.

Embora esta seja uma das observações mais profundas do ALMA realizada até agora, estamos ainda longe de atingir todas as capacidades deste telescópio. No futuro o ALMA fará imagens da estrutura fina das galáxias primordiais, mostrando em detalhe a formação das primeiras galáxias.
Fonte: ESO

Astrónomos descobre poderosa aurora pra lá do sistema solar

Impressão de artista de uma aurora por cima da região polar de uma anã castanha.  Crédito: Chuck Carter e Gregg Hallinan, Caltech

Astrónomos descobriram a primeira aurora jamais vista num objeto para lá do nosso Sistema Solar. A aurora - semelhante às auroras boreais da Terra - é 10.000 vezes mais poderosa do que qualquer outra já vista. Encontraram a aurora não num planeta, mas numa estrela de baixa massa no limite entre estrelas e anãs castanhas. Os cientistas dizem que a descoberta revela uma grande diferença entre a atividade magnética de estrelas mais massivas e de anãs castanhas e planetas. Toda a atividade magnética que vemos neste objeto pode ser explicada por auroras poderosas," afirma Gregg Hallinan, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech).

"Isto indica que a atividade auroral substitui a atividade coronal tipo-Sol em anãs castanhas e objetos mais pequenos," acrescenta. Os astrónomos observaram o objeto, chamado LSR J1835+3259, usando o VLA (Very Large Array) Karl G. Jansky no rádio, juntamente com o Telescópio Hale de 5 metros em Palomar e com o Telescópio Keck de 10 metros no Hawaii em comprimentos de onda visíveis. A combinação das observações óticas e rádio mostraram que o objeto, a 18 anos-luz da Terra, tem características diferentes de todas as já vistas em estrelas mais maciças.

As anãs castanhas, por vezes chamadas "estrelas falhadas", são objetos mais massivos que planetas, mas demasiado pequenos para despoletar as reações termonucleares nos seus núcleos. Os astrónomos dizem que as suas observações de LSR J1835+3259 indicam que as estrelas mais frias e as anãs castanhas têm atmosferas exteriores que suportam atividade auroral, em vez do tipo de atividade magnética visto em estrelas mais massivas e quentes. A descoberta também tem implicações para o estudo de exoplanetas. A aurora que os cientistas observaram em LSR J1835+3259 parece ser alimentada por um processo pouco conhecido mas semelhante àquele observado nos maiores planetas do Sistema Solar.

Este processo é diferente do que provoca as auroras da Terra - o campo magnético que interage com o vento solar. "O que vemos neste objeto parece ser o mesmo fenómeno que vemos, por exemplo, em Júpiter, mas milhares de vezes mais poderoso," comenta Hallinan. "Isto sugere que poderá ser possível detetar este tipo de atividade em exoplanetas, muitos dos quais são significativamente mais massivos que Júpiter," acrescenta. Hallinan trabalhou com uma equipa internacional de investigadores dos EUA, Reino Unido, Irlanda, Alemanha, Rússia e Bulgária. Os cientistas publicaram as suas descobertas na edição de 30 de julho da revista Nature.
Fonte: Astronomia Online

Rara lua azul ocorre hoje

lua azul

Eventos astronômicos raros são sempre muito legais, mas, antes que você me chegue ao fim desse texto me amaldiçoando mentalmente, quero deixar claro que a lua azul de hoje será espetacular pela sua singularidade, mas não será azul. 31 de julho é um dia especial porque, hoje, teremos a segunda lua cheia do mês. Essa será a primeira ocorrência do tipo nas Américas desde agosto de 2012. Cada mês tem apenas uma lua cheia, mas como o ciclo lunar e o ano civil não estão perfeitamente sincronizados, cerca de três em três anos, acabamos com duas luas cheias no mesmo mês.


Mas e o “azul”?
Isso por si só é bem legal por ser raro, mas, infelizmente, o satélite da Terra provavelmente não parecerá azul. Digo infelizmente porque isso seria incrível, mas felizmente porque uma lua azul poderia significar uma catástrofe. Normalmente, a lua só assume uma tonalidade azulada por causa de fumaça ou partículas de poeira na atmosfera, como durante uma erupção vulcânica cataclísmica. Um exemplo disso aconteceu em 1883, quando o vulcão indonésio Krakatoa expeliu tanta cinza para a atmosfera que a lua tomou uma coloração diferente por anos (!). Após a explosão enorme, que os cientistas acreditam ter rivalizado com uma bomba nuclear de 100 megatons, os detritos vulcânicos causaram um pôr-do-sol vermelho vibrante e uma lua azulada que durou bastante tempo.


De novo, só em 2018
O tom azul escuro de um céu noturno é outra coisa que pode afetar a coloração com que percebemos a lua. Mas como essas são coisas que não acontecem todos os dias, o termo “lua azul” foi cunhado para significar algo raro. A lua azul mais recente que tivemos foi em Edimburgo, na Escócia, em setembro de 1950. O astrônomo Robert Wilson, do Observatório Real, concluiu que a lua adquiriu esse tom porque a luz do satélite viajou por nuvens carregadas de partículas de fumaça e cinzas da queima de fogos florestais em Alberta, no Canadá. Essas partículas atravessaram o Oceano Atlântico e pairaram sobre a Escócia durante o evento lunar, criando um espetáculo raro. Uma lua “azul” não será vista novamente até janeiro de 2018, então aproveite para dar uma admirada no céu hoje!
Fonte: CNN

27 de jul de 2015

Vento de pulsar é tão forte que faz um buraco no disco de sua estrela companheira

pulsar buraco disco estelar

Um pulsar em movimento rápido parece ter feito um buraco no disco de gás em torno da sua estrela companheira, lançando um fragmento desse disco a uma velocidade de cerca de 6,43 milhões de quilômetros por hora. O Observatório de Raios-X Chandra, da NASA, está seguindo este objeto cósmico, que parece estar ganhando agilidade enquanto se move.


O arranjo bizarro da dupla
O sistema PSR B1259-63 / LS 2883 (ou apenas B1259) contém dois elementos: uma estrela com cerca de 30 vezes a massa do sol e um pulsar, uma estrela de nêutrons ultradensa que é resultado da explosão de supernova de uma estrela ainda mais massiva. O pulsar emite pulsos regulares à medida que gira 20 vezes por segundo, e se move em uma órbita altamente elíptica em torno da sua estrela companheira. A combinação da sua rotação rápida e campo magnético intenso gerou um forte vento de partículas de alta energia, que está se afastando do pulsar perto da velocidade da luz.

Sua enorme estrela companheira, enquanto isso, gira em volta de um disco de gás. À medida que o pulsar faz sua maior aproximação a cada 41 meses, ele passa por este disco. Estes dois objetos estão em um arranjo cósmico incomum e deram-nos a oportunidade de testemunhar algo especial”, disse George Pavlov da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos EUA, principal autor do estudo. “À medida que o pulsar moveu-se através do disco, parece que ‘socou’ um monte de material para fora”.


Vida curta ao disco?
Mesmo que o aglomerado seja bastante grande, abrangendo uma centena de vezes o tamanho do nosso sistema solar, também é muito fino. O material tem massa equivalente a toda a água nos oceanos da Terra. “Depois que o material estelar foi nocauteado, o vento do pulsar parece ter acelerado, quase como se tivesse um foguete anexado”, disse o coautor da pesquisa Oleg Kargaltsev, da Universidade George Washington, nos EUA. Os astrônomos observaram B1259, que está localizado a cerca de 7.500 anos-luz da Terra, três vezes usando o Chandra entre dezembro de 2011 e fevereiro de 2014.

As observações mostram o material do disco se afastando de B1259 a uma velocidade média de cerca de 7% a da velocidade da luz. Os dados também indicam que o aglomerado foi acelerado a 15% da velocidade da luz entre a segunda e a terceira observações. Isso só mostra o quão poderoso o vento que sopra de um pulsar pode ser”, disse outro coautor do estudo, Jeremy Hare, também da Universidade George Washington. “É tão forte que poderia estripar o disco inteiro em torno da sua estrela companheira ao longo do tempo”.
Fonte: Hypescience.com

Estrela super-rápida que quase foi expelida da galáxia atrapalha busca por estrelas antigas


estrela veloz super-rápida


Um novo estudo do Instituto Leibniz de Astrofísica de Potsdam (Alemanha) mediu a velocidade de uma amostra de 100 estrelas RR Lyrae, que os cientistas pensavam que residiam no bojo galáctico, o grupo central de estrelas da Via Láctea. A equipe ficou surpresa quando descobriu que uma destas estrelas tem uma velocidade espacial de cerca de 500 km/s, mais de cinco vezes a velocidade prevista das estrelas normais no bojo.


A estrela intrusa

Como as RR Lyrae pulsam e produzem aproximadamente a mesma luminosidade, os cientistas, liderados por Andrea Kunder, puderam usar física básica para medir a distância exata da estrela estranha e reconstruir sua órbita ao longo dos últimos bilhões de anos. Os resultados foram impressionantes: ela é na verdade uma intrusa no bojo, vinda do halo (a “periferia”) da galáxia.  “Esta estrela com o nome de MACHO 176.18833.411 tem a maior velocidade de qualquer estrela RR Lyrae no bojo galáctico conhecida até agora, e está viajando a 482 km/s, logo abaixo da velocidade de escape da galáxia”, disse Kunder. Estrelas de tal alta velocidade são raras no bojo. Os pesquisadores descobriram que este exemplar intruso, embora situado agora dentro dessa região, na verdade não se limita a ela, e sim se move em uma órbita elíptica como outras estrelas do halo da Via Láctea.


Do bojo ou do halo?

A região central de estrelas chamada de “bojo galáctico” se assemelha aproximadamente a um amendoim, com um comprimento de 10.000 anos-luz, e é composta de estrelas velhas, poeira e gás. Nos últimos anos, os astrônomos passaram a suspeitar que o local abriga as estrelas mais antigas da galáxia. Uma busca por tais objetos está em pleno andamento. Andrea Kunder e sua equipe, no entanto, demonstraram que algumas estrelas velhas no bojo da Via Láctea não podem ser membros verdadeiros da região, o que complica a pesquisa. Intrusas do halo galáctico passam pelo bojo e podem ser confundidas com as estrelas dali. A descoberta recente da bizarra estrela veloz quase certamente não é única. RR Lyrae são estrelas variáveis que podem ser usadas como velas padrão para medir distâncias galácticas. A primeira que mostrou o padrão característico de uma RR Lyrae foi encontrada na constelação de Lyra, dando o nome para toda a população. Até agora, cerca de 38.000 dessas estrelas foram identificadas a partir de levantamentos fotométricos.
Fonte: Phys

Sonda detecta possível atmosfera sobre pontos brilhantes de Ceres

Pontos brilhante em Ceres

Ao que tudo indica, aqueles estranhos pontos brilhantes observados nas crateras do planeta anão Ceres não são feições estáticas, mas a fonte de uma possível atmosfera criada pela sublimação de algum material ainda não identificado. Desde que a onda Dawn chegou a Ceres, em fevereiro de 2015, uma série de perguntas passou a rondar a cabeça dos cientistas planetários e do público - leigo ou não - interessado nos mistérios do Sistema Solar. Entre os inúmeros questionamentos, talvez o mais popular seja sobre os intrigantes pontos brilhantes encontrados no fundo de algumas crateras. Até agora ninguém sabe ao certo do que se tratam, mas o mistério pode estar chegando ao fim.

De acordo com o principal investigador da missão, Christopher Russell, ligado à Universidade da Califórnia, os famosos pontos brilhantes da cratera "Occator" parecem estar sublimando material no espaço, criando uma espécie de atmosfera localizada dentro das paredes do buraco, de 92 quilômetros de diâmetro. "Se você olhar em um ângulo bem específico verá o que parece ser neblina, que vai e volta de modo bem regular", disse Russell. Segundo o cientista, isso reflete uma possível sublimação que estaria gerando a atmosfera no interior da cratera, mas que não vai além do seu limite.  Esta nova informação parece reforçar ainda mais o argumento dos pesquisadores que argumentam que os pontos brilhantes de Ceres são compostos de gelo, em vez de algum tipo de sal.

Além da possível sublimação (passagem instantânea do estado sólido para o gasoso), os dados da nave Dawn revelaram que Ceres tem 962 km de diâmetro, 12 km a menos do que se pensava o que torna Ceres 4% mais denso. Baseados na densidade de Ceres, os cientistas sabem que o planeta anão contém grande quantidade de água, a maioria sob a forma de gelo. No entanto, alguns pesquisadores acreditam que a água líquida pode existir em lugares abaixo da superfície. "É possível que os sistemas de água associados com Ceres possam abrigar algum tipo de vida, por isso é importante passar algum tempo sondando sua superfície e estudar quais as implicações astrobiológicos", disse Russel.

Especial Antimatéria: Antimatéria no espaço e nas naves espaciais

Especial Antimatéria: Antimatéria no espaço e na naves espaciais


Uma equipe de físicos brasileiros participa do projeto AMS, também conhecido como "LHC do espaço".[Imagem: NASA]

9. Antimatéria que deveria ter-nos impedidos de existir pode estar à espreita no espaço

Uma das maneiras pelas quais os físicos estão tentando resolver o problema da assimetria matéria-antimatéria é procurando pela antimatéria deixada pelo Big Bang. O Espectrômetro Magnético Alfa - ou AMS - é um detector de partículas montado na Estação Espacial Internacional que está procurando por estas partículas. O AMS contém campos magnéticos que curvam a trajetória das partículas cósmicas para separar a matéria da antimatéria. Seus detectores avaliam e identificam as partículas à medida que elas o atravessam. As colisões de raios cósmicos produzem pósitrons e antiprótons o tempo todo, mas a probabilidade de criar um átomo de anti-hélio é extremamente baixa por causa da enorme quantidade de energia necessária para isso. Isto significa que, se o AMS conseguir observar mesmo que um único núcleo de anti-hélio, isto seria um forte indício da existência de uma grande quantidade de antimatéria em algum lugar no Universo. O AMS continua fazendo seu trabalho, 24 horas por dias, 7 dias por semana.

10. Como impulsionar naves espaciais com antimatéria

Apenas um punhado de antimatéria pode produzir uma quantidade enorme de energia, tornando-se um combustível ideal para naves espaciais interestelares. A criação de motores para naves espaciais alimentados por antimatéria é teoricamente possível; a principal limitação está em produzir antimatéria suficiente para fazer isso acontecer. Atualmente, não existe tecnologia disponível para produzir ou coletar antimatéria no volume necessário para alimentar uma espaçonave. Como você viu em outra reportagem desta série, toda a antimatéria produzida pelo homem até hoje não daria para aquecer uma xícara de chá. No entanto, um pequeno número de pesquisadores tem realizado estudos de simulação de propulsão e de armazenamento de antimatéria, incluindo Ronan Keane e Wei-Ming Zhang (Universidade Estadual de Kent) e Marc Weber (Universidade do Estado de Washington). Um dia, se pudermos descobrir uma maneira de criar ou coletar grandes quantidades de antimatéria, estes estudos poderão ajudar a tornar realidade as viagens interestelares propelidas por antimatéria, deixando para a história os foguetes químicos e livrando-se da necessidade de estar próximos às estrelas para alimentar painéis solares.
Fonte: Inovação Tecnologica

24 de jul de 2015

Astrônomo amador descobre estrela raríssima

sistema estrelar raro

Com a ajuda de astrônomos amadores, uma equipe internacional de pesquisadores acabou de descobrir um sistema estelar binário único. Este é o primeiro sistema conhecido onde uma estrela eclipsa completamente a outra, o que faz com que seja um tipo de sistema de duas estrelas conhecido como uma variável cataclísmica, onde uma estrela anã branca superdensa está roubando gás da sua estrela companheira, em um processo de canibalização estrelar. O sistema também poderia ser um importante laboratório para estudar explosões de supernovas ultrabrilhantes, que são um instrumento vital para medir a expansão do universo.


Quem e onde
O sistema, chamado Gaia14aae, está localizado a cerca de 730 anos-luz de distância na constelação de Draco. Ele foi descoberto pelo satélite Gaia da Agência Espacial Europeia em agosto de 2014, quando, de repente, tornou-se cinco vezes mais brilhante ao longo de um único dia. O grupo de astrônomos liderados pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra, analisou as informações e determinou que a súbita explosão aconteceu devido ao fato de que a anã branca – que é tão densa que uma colher de chá de seu material pesaria tanto quanto um elefante – estava devorando sua maior companheira. Observações complementares do sistema, feitas pelo Centro de Astrofísica Backyard (CAB), uma colaboração de astrônomos amadores e profissionais, descobriram que o sistema é um binário raro, onde uma estrela passa diretamente em frente da outra, bloqueando-a completamente quando vista da Terra.

As duas estrelas estão firmemente se orbitando. Portanto, um eclipse total ocorre aproximadamente a cada 50 minutos. De acordo com o Dr. Heather Campbell, do Instituto de Astronomia de Cambridge, que liderou a observação de Gaia14aae, é muito raro ver um sistema binário alinhado desta maneira. O mais curioso deste posicionamento é que, por causa dele, podemos medir o sistema com grande precisão e descobrir do que ele é feito e como evoluiu.


Fonte de conhecimento
Usando a espectroscopia do telescópio Herschel William, que fica nas Ilhas Canárias, Campbell e seus colegas descobriram que Gaia14aae contém grandes quantidades de hélio, mas nenhuma de hidrogênio, o que é altamente incomum pois o hidrogênio é o elemento mais comum no universo. A falta de hidrogênio, então, lhes permitiu classificar Gaia14aae como um tipo muito raro de sistema conhecido como AM Canum Venaticorum, um tipo de sistema variável onde ambas as estrelas perderam todo o seu hidrogênio. Este é o primeiro sistema AM Canum Venaticorum conhecido onde uma estrela eclipsa totalmente a outra.
Fonte: [phys]

Novo planeta atiça a imaginação dos cientistas. E agora?

Kepler 452b
Concepção artística mostra como pode ser a aparência do exoplaneta Kepler 452b. Créditos: NASA, Universidade de Porto Rico, Apolo11.com.
A descoberta de mais um planeta similar à Terra elevou para 31 o número de exoplanetas potencialmente habitáveis, mas a distância descomunal até esses mundos não permite qualquer conclusão definitiva. Por enquanto. A Nasa anunciou quinta-feira uma das notícias mais esperadas pela comunidade científica e revelou que a 1400 anos-luz de distância existe um sistema solar muito parecido com o nosso, com um planeta quase similar à Terra orbitando uma estrela igual ao Sol. A agência revelou ainda que além da descoberta, outros onze objetos poderão fazer parte deste seleto grupo, o que elevará para 42 o número de corpos extrassolares que têm ou tiveram possibilidade de serem potencialmente habitados.

O novo planeta, batizado de Kepler 452-b se encontra na região visual da constelação do Cisne e de acordo com estudos feitos a partir de dados coletados pelo telescópio espacial Kepler, orbita uma estrela do tipo G - igual ao nosso Sol, embora mais velha - apenas 5% mais distante que do que a Terra orbita o Sol. Kepler 452-b é 60% maior que a Terra e sua massa e composição ainda não foram definidas, mas sabe-se que planetas similares a ele são provavelmente rochosos. O novo planeta leva 385 dias para orbitar a estrela-mãe, período de translação muito parecido com o da Terra. 

Com todas essas similaridades, mas principalmente devido ao planeta se encontrar dentro da zona habitável da estrela - região onde a provável temperatura permite a existência de água líquida - o novo sistema já pode ser considerado um quase irmão gêmeo do nosso, enquanto Kepler 452-b seria uma espécie de primo-irmão. Antes de Kepler 452-b, o objeto extrassolar mais parecido com a Terra era Kepler 186f, 10% menor que a Terra e localizado a "apenas" 500 anos-luz de distância. No entanto, sua estrela mãe é muito mais fria que o nosso Sol e seu período de rotação é de apenas 130 dias. Neste caso, Kepler 186f seria um primo de segundo grau da Terra.
Catalogo de exoplanetas
Mosaico feito em julho de 2015 apresenta os planetas extrassolares conhecidos e que se encontram dentro da zona habitável de suas estrelas. Créditos: NASA, Universidade de Porto Rico, Apolo11.com.

E Agora?A descoberta do novo exoplaneta é um marco na busca por planetas similares à Terra e confirma a importância do telescópio espacial Kepler neste tipo de pesquisa. Sozinho, entre outros feitos, o telescópio já catalogou 1235 candidatos a planeta e 170 possíveis sistemas multiplanetários, com dois ou mais candidatos orbitando a mesma estrela. Embora os avanços sejam realmente significativos e nosso conhecimento sobre possíveis mundos habitados tenha se expandido muito nos últimos anos, as distâncias envolvidas não permitem - até o momento - uma exploração direta desses mundos, sendo que a única forma de pesquisa-los é através da luz emitida por suas estrelas.

No entanto, a contagem e classificação desses exoplanetas são o passo primordial para seus estudos, pois uma vez que se saiba onde procurar, mais fácil será sonda-los através de radiotelescópios, talvez a única forma científica que temos atualmente para detectar sinais exteriores que possam revelar algum padrão inteligente. Juntos, a prospecção de novos mundos e análise de possíveis sinais de rádio emitidos por eles, talvez sejam a chave para a detecção de formas de vida extraterrestre inteligente e não será surpresa alguma se um anúncio desse tipo acontecer nos próximos anos.
Fonte: APOLO11.COM - http://www.apolo11.com/

23 de jul de 2015

Azulado, cometa Panstarrs pode ser visto de todo o Brasil

Cometa C/2014 Q1 Panstarrs


Depois de maravilhar os habitantes do hemisfério norte, o cometa C/2014 Q1 Panstarrs já pode ser visto no hemisfério sul durante os próximos dias. E Venus e Júpiter ajudam a localiza-lo. Se você olhar no quadrante Oeste-Noroeste (WNE) logo após o pôr do Sol, os primeiros objetos que chamarão a sua atenção serão, sem sombra de dúvidas, os planetas Vênus e Júpiter, além da estrela Regulus, da constelação de Leão, bem pertinho deles. Ultimamente, esses três elementos formam um belo cenário após o ocaso e certamente você já os viu salpicando o firmamento. Entretanto, além desses dois planetas e de Regulus, um quarto objeto também está presente na mesma região.

Trata-se do cometa C/2014 Q1 Panstarrs, que está dando um verdadeiro show no céu do hemisfério Sul. O cometa foi descoberto pelo consórcio Pan-STARRS em 16 de agosto de 2014, com auxílio de um telescópio de 1800 milímetros situado sobre o monte Haleakala, no Hawaii.  Panstarrs é um cometa não periódico, com um período orbital superior a 33400 anos e em 6 de julho atingiu a menor distância do Sol, passando a apenas 44 milhões de km da superfície da estrela. Atualmente, o brilho de Panstarrs está estimado em 6.0 magnitudes, o que faz dele um objeto facilmente visível através de binóculos de boa qualidade. Através de instrumentos, Panstarrs parece uma pequena bolinha difusa, ligeiramente azulada.

Carta de localizacao do  cometa C/2014 Q1 Panstarrs
Como achar e ver

Atualmente, C/2014 Q1 Panstarrs se encontra na constelação do Sextante, na borda da constelação de Leão e pode ser visto logo após o pôr do Sol, à esquerda da formação Vênus-Júpiter-Régulus. À medida que os dias passam o cometa ganha altitude, mas também perde o brilho, por isso recomendamos tentar observar o cometa até no máximo o final de semana.
O ideal para ver o cometa é uma pequena luneta, telescópio ou binóculos, todos de boa qualidade. Instrumentos baratos ou de brinquedo não são recomendados. Panstarrs não pode ser visto a olho nu. A carta celeste mostrada acima pode ajudar na localização dos objetos, mas recomendamos o uso de um software planetário. O mais indicado é o Stellarium, que pode ser baixado gratuitamente.
Bons céus!
Fonte: Apolo11.com - http://www.apolo11.com/

ALMA observa pela primeira vez formação de galáxias no Universo primordial


ALMA observa formação de galáxias no Universo primordial.Crédito:ESO/R. Maiolino

Com o auxílio do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) foram detectadas as nuvens de gás de formação estelar mais distantes observadas até hoje em galáxias normais no Universo primordial. As novas observações permitem aos astrônomos começar a ver como é que as primeiras galáxias se foram construindo e como é que limparam o nevoeiro cósmico durante a era da reionização. Esta é a primeira vez que tais galáxias são observadas com melhor detalhe do que simples manchas tênues. Quando as primeiras galáxias se começaram a formar algumas centenas de milhões de anos depois do Big Bang, o Universo estava cheio de um nevoeiro de hidrogênio gasoso.

Mas à medida que mais e mais fontes brilhantes —  tanto estrelas como quasares alimentados por enormes buracos negros — começaram a brilhar, este nevoeiro foi desaparecendo tornando o Universo transparente à radiação ultravioleta. Os astrônomos chamam a este período a época da reionização, no entanto pouco se sabe acerca destas primeiras galáxias e, até agora, apenas se tinham observado como manchas tênues. Estas novas observações obtidas com o poder do ALMA estão a mudar esta realidade.

Uma equipe de astrônomos liderada por Roberto Maiolino (
Cavendish Laboratory e Kavli Institute for Cosmology, University of Cambridge, Reino Unido) apontou o ALMA a galáxias que se sabia estarem a ser observadas a cerca de apenas 800 milhões de anos depois do Big Bang. Os astrônomos não estavam à procura da radiação emitida pelas estrelas, mas sim do fraco brilho do carbono ionizado emitido pelas nuvens de gás a partir das quais se formam as estrelas. A equipa pretendia estudar a interação entre uma geração de estrelas jovem e os frios nós de gás que se estavam a formar nestas primeiras galáxias.

A equipe também não estava à procura de objetos raros extremamente brilhantes — tais como quasares e galáxias com elevada taxa de formação estelar — que tinham sido observados anteriormente. Em vez disso, o trabalho concentrou-se em galáxias muito mais comuns, galáxias que reionizaram o Universo e se transformaram na maior parte das galáxias que vemos hoje à nossa volta. Vindo de uma das galáxias — chamada BDF2399 — o ALMA captou um sinal fraco mas claro de carbono brilhante. No entanto, este brilho não vinha do centro da galáxia, mas sim de um dos lados.

A co-autora Andrea Ferrara (Scuola Normale Superiore, Pisa, Itália) explica a importância desta nova descoberta: Trata-se da detecção mais distante deste tipo de emissão de uma galáxia “normal”, observada a menos de um bilhão de anos depois do Big Bang, o que nos dá a oportunidade de observar a formação das primeiras galáxias. Estamos a ver pela primeira vez galáxias primordiais não como pequenos pontos, mas como objetos com estrutura interna!”

Os astrônomos pensam que a localização deslocada do centro desta emissão deve-se ao fato das nuvens centrais estarem a ser desfeitas pelo meio inóspito criado pelas estrelas recém formadas — tanto pela sua radiação intensa como pelos efeitos de explosões de supernova — enquanto o carbono está a traçar gás frio recente que está a ser acretado do meio intergalático. Ao combinar as novas observações ALMA com simulações de computador foi possível compreender em detalhe processos chave que estão a ocorrer no seio das primeiras galáxias. Os efeitos da radiação emitida pelas estrelas, o sobreviver de nuvens moleculares, o fato da radiação ionizante se escapar e a estrutura complexa do meio interestelar podem agora ser calculados e comparados às observações.

A BDF2399 é muito possivelmente um exemplo típico das galáxias responsáveis pela reionização. Durante muitos anos tentamos compreender o meio interestelar e a formação das fontes de reionização. Conseguir finalmente testar previsões e hipóteses em dados reais do ALMA é algo extremamente excitante e que nos abre um novo conjunto de questões. Este tipo de observação clarificará muitos dos difíceis problemas que temos tido com a formação das primeiras estrelas e galáxias no Universo,” acrescenta Andrea Ferrara.

Roberto Maiolino conclui: Este estudo teria sido simplesmente impossível sem o ALMA, uma vez que nenhum outro instrumento consegue atingir a sensibilidade e resolução espacial necessárias. Embora esta seja uma das observações mais profundas do ALMA realizada até agora, estamos ainda longe de atingir todas as capacidades deste telescópio. No futuro o ALMA fará imagens da estrutura fina das galáxias primordiais, mostrando em detalhe a formação das primeiras galáxias.
Fonte:ESO

21 de jul de 2015

Especial Antimatéria: Medicina e autoaniquilamento

Especial Antimatéria: Medicina e autoaniquilamento

O metro cúbico mais frio do Universo é um dos experimentos que está estudando os neutrinos para tentar desvendar a antimatéria. [Imagem: Cuore/Laboratório Nacional Gran Sasso]


7. Os neutrinos podem ser suas próprias antipartículas

Uma partícula de matéria e sua equivalente de antimatéria têm cargas opostas, o que torna fácil distinguir uma da outra. Mas os neutrinos, partículas quase sem massa, que raramente interagem com a matéria, não têm carga. Os físicos acreditam que eles podem ser partículas de Majorana, uma classe hipotética de partículas que são suas próprias antipartículas. Projetos como o Majorana Demonstrator e EXO-200 foram projetados para determinar se os neutrinos são mesmo partículas de Majorana. Para isso eles tentam detectar um comportamento chamado decaimento beta duplo sem neutrinos. Alguns núcleos radioativos decaem simultaneamente, liberando dois elétrons e dois neutrinos.

Se os neutrinos forem suas próprias antipartículas, eles devem se aniquilar logo após o duplo decaimento, restando apenas elétrons. É isso que esses experimentos procuram demonstrar. Encontrar os neutrinos de Majorana poderia ajudar a explicar a assimetria matéria-antimatéria pós Big-Bang. Os físicos pensam que os neutrinos de Majorana podem ser leves ou pesados. Os leves existem ainda hoje, e os pesados teriam existido apenas logo após o Big Bang. Esses neutrinos de Majorana pesados teriam decaído de forma assimétrica, levando ao minúsculo excesso de matéria que permitiu que nosso Universo viesse a existir.

8. A antimatéria é usada na medicina

A Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET) usa anti-elétrons (ou pósitrons) para produzir imagens de alta resolução do corpo humano. Isótopos radioativos emissores de pósitrons (como os encontrados nas bananas) são ligados a substâncias químicas, tais como a glucose, que são usadas naturalmente pelo organismo. Esses compostos são injetados na corrente sanguínea, onde são naturalmente degradados, liberando pósitrons que encontram os elétrons no corpo e se aniquilam. As aniquilações produzem raios gama que são detectados e usados para construir a imagem médica.

Pesquisadores do CERN estão estudando o uso da antimatéria também em terapias contra o câncer. Os médicos já descobriram que podem alvejar tumores com feixes de partículas que liberam sua energia com segurança somente depois de passar através do tecido saudável. Usar antiprótons adiciona uma explosão extra de energia. A técnica mostrou ser eficaz em células de cobaias, mas ainda não foram realizados estudos em células humanas.
Fonte: Inovação Tecnologica

Plutão: Dúvidas, perguntas e respostas sobre a New Horizons

Full disk de Plutao
Nesta cena, chamada informalmente Tombaugh Regio, vemos uma série de planícies geladas com mais de 100 milhões de anos desde sua formação. De acordo com os cientistas, a região ainda está em desenvolvimento devido ao processo geológico ativo. Esta imagem foi captada pelo instrumento LORRI, quando estava a 77 mil km de altitude.




Desde que a nave New Horizons chegou a Plutão, diversas dúvidas surgiram sobre a missão, principalmente o questionamento do por que a nave não ter pousado no planeta-anão ou porque as fotos não são coloridas.


Porque não pousou?
Um dos principais questionamentos em relação à missão New Horizons (NZ) tem a ver com o fato de a nave ter demorado mais de nove anos para chegar a Plutão e não ter pousado ou entrado em sua orbita, o que permitiria a coleta constante de dados e aprofundamento dos estudos. Na realidade, a NH não pousou em Plutão porque isso não fazia parte da missão. Desde o início, o objetivo era se aproximar do planeta anão e ali coletar dados científicos capazes de ajudar a entender um pouco mais sobre aquele mundo. Para isso a nave levou sete instrumentos desenvolvidos especificamente para essa finalidade, entre eles uma câmera monocromática, uma câmera pancromática e principalmente analisadores de espectro e detectores diversos.

Com esses instrumentos, todos os dados científicos que foram previamente solicitados por diversas instituições, entre eles a análise da atmosfera, topografia, interação com o vento solar, etc., foram coletados satisfatoriamente e deverão ser enviados lentamente nos próximos dias. Em outras palavras, os instrumentos a bordo da sonda não foram colocados lá por acaso. Suas necessidades e características foram amplamente estudadas e só foram desenvolvidos com esse propósito.


Muito Energia
Por outro lado, mesmo que a NASA resolvesse pousar em Plutão, isso não seria possível. A NH viaja a 49 mil km/h, cerca de 1.1 milhão de km por dia e se a NASA quisesse entrar na orbita de Plutão seria necessário frear a nave com uma energia muito grande. Isso exigiria tanto combustível que seria impossível lança-la da Terra, uma vez que o peso total ultrapassaria a capacidade do veículo ATLAS 5, que a arremessou ao espaço. De acordo com a NASA, a energia necessária para frear a NH a 49 mil km/h demandaria um segundo foguete ATLAS 5, igual o que levou a nave à Plutão. Ou seja, precisaria lançar outro ATLAS 5 no topo do ATLAS 5, algo totalmente inviável.

Fotos em Preto e Branco
Outro questionamento bastante interessante se refere às imagens enviadas pela sonda, em preto e branco e com resolução de 1 megapixel. Muitos afirmam que qualquer Smartphone moderno tem câmeras coloridas muito melhores. Na realidade, isso é verdade em parte. Embora os smartphones tenham câmeras de 10 megapixels e produzem excelentes selfies para serem postadas nas redes sociais, elas não serviriam hoje em dia para irem a uma missão no espaço profundo.  Os atuais chips dos smartphones são pequenos, feitos para lentes minúsculas e, sobretudo não tem as características e eficiência necessárias para coletar os dados que os pesquisadores solicitaram. Seria necessário projetar um novo CCD para ir a plutão, bem diferente dos usados nos smartphones.

Além disso, o uso de chips monocromáticos permite coletar até quatro vezes mais detalhes que os chips coloridos, o que por si só já justifica o seu uso. Com regra geral, toda a câmera monocromática é superior em sensibilidade e resolução à similar colorida. Com relação à suposta baixa resolução da câmera, de apenas 1 megapixel, é bom lembrar que de nada adiantaria mandar construir um chip maior. Não é o fato de a nave ter sido lançada em 2006 que limitou a tecnologia e sim as características ópticas do telescópio de 200 milímetros acoplado ao chip. Devido a algumas leis da óptica e da amostragem de sinais eletrônicos (teorema de Niquist), mesmo que o instrumento LORRI levasse uma câmera de 100 megapixels, não produziria imagens mais detalhadas do que as que foram coletadas, embora o tamanho da foto aumentasse consideravelmente.

Essas leis e regras naturais é que impedem de tirar proveito de um CCD maior, que seria inútil. No entanto, apesar de as fotos serem preto e branco, isso não significa que essas imagens não podem ser colorizadas. Essa característica pode ser adicionada posteriormente com o uso de dados da outra câmera pancromática a bordo da nave - o instrumento RALPH.  Prova dessa possibilidade é a coloração avermelhada de Plutão, obtida mesclando-se os dados desses dois instrumentos, como podemos ver na imagem no topo do artigo.

Resumindo
Embora lançada em 2006, a nave New Horizons é ainda hoje um equipamento muito moderno e top de linha. Não é algo obsoleto e se fosse construída hoje em dia pelo mesmo preço, teria praticamente as mesmas características, com poucas capacidades melhoradas com exceção do poder de processamento, ampliado graças aos chips mais modernos. Nem mesmo a transferência de dados seria melhor. Hoje em dia a New Horizons transmite na velocidade de 56 kbs e uma nave similar, construída hoje em dia não transmitiria em velocidades maiores desde Plutão.
Fonte> APOLO11.COM

20 de jul de 2015

7 descobertas impressionantes sobre Plutão


Na última terça-feira a sonda New Horizons passou a 766 mil quilômetros de Plutão, o mais próximo que uma sonda da NASA já esteve do planeta. Com a aproximação foi possível observar melhor a superfície do planeta e aprender mais coisas sobre ele. Confira algumas das principais descobertas sobre Plutão obtidas com a ajuda do equipamento, que usa o processador do primeiro PlayStation:


1. Plutão tem montanhas de geloA imagem mais nítida já capturada do planeta permitiu que os cientistas observassem que há diversas montanhas de gelo com altura de mais de 3 quilômetros. A foto mostrou também uma mancha mais clara em formato de coração. Os pesquisadores da NASA acreditam que as montanhas são feitas de gelo de água, com base na composição do restante do sistema solar. A superfície de Plutão também é extremamente gelada, medindo por volta de -387 graus Fahrenheit (cerca de -232ºC). É essa temperatura que permite a formação de superfícies de gelo tão altas.

2. O planeta não se parece em nada com qualquer outra coisa no sistema solar
Plutão é único. Os cientistas que trabalham com a New Horizons não conseguiram comparar as características de aparência geral e superfície do planeta com nada encontrado no sistema solar. Antes, a ideia era de que que ele se parecesse com a lua Triton de Netuno, mas a aproximação acomprovou que a comparação não é correta. Triton não tem esse tipo de terreno acidentado", afirmou um dos responsáveis pela missão. "Ela tem uma grande quantidade de materiais estranhos, mas não se parece em nada com isso. Há algo muito diferente sobre geologia plutoniana".

3. É maior do que se acreditava
Dados da nave espacial mostram que Plutão é maior do que o estimado, se classificando como o maior objeto conhecido no Cinturão de Kuiper - cinturão de asteroides maciços que circunda o sistema solar. Uma medição a partir da New Horizons mostra que o planeta mede aproximadamente 1473 milhas (cerca de 2.370 km) de diâmetro.

4. Plutão tem poucas crateras
Antes de chegar a Plutão, muitos pesquisadores esperavam encontrar um mundo repleto de crateras. No entanto, a superfície é muito mais suave - e, portanto, mais jovem - do que o previsto. A estimativa é de que as montanhas de gelo do planeta tenham apenas 100 milhões de anos, algo considerado pouco diante dos 4,5 bilhões de anos do sistema solar. É possível que o planeta anão abrigue um oceano subterrâneo ou até mesmo vulcões de gelo, o que poderia ajudar a suavizar a superfície. No entanto, os pesquisadores afirmam que ainda não há informações suficientes para determinar isso.

5. Pode nevar em Plutão
Os cientistas sabiam há algum tempo que Plutão tem uma atmosfera rica em nitrogênio, mas descobriram que pode realmente nevar nitrogênio na superfície do planeta anão. O diretor de ciências planetárias da NASA Jim Green explicou que a formação em forma de coração é provavelmente feita de nitrogênio, metano, monóxido de carbono ou algum outro tipo de neve que cai na superfície.

6. Ele (provavelmente) não tem outras luas
Os responsáveis pela missão esperavam encontrar pelo menos mais uma lua orbitando Plutão, mas a sonda não encontrou nenhum indício de outras além das cinco já catalogadas: Caronte, Nix, Hidra, Cérbero e Estinge.

7. A maior lua de Plutão ainda pode ser geologicamente ativa
Caronte, a maior lua do planeta, parece ser jovem. Imagens de alta resolução do satélite mostram uma superfície suave, o que indica que ele pode ter sido geologicamente ativo há pouco tempo. Nas fotos é possível ainda observar uma grande depressão que mede entre 6 e 9 quilômetros
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Fonte: Olhar Digital

Especial Antimatéria: Desaceleradores e quedas para cima

Especial Antimatéria: Desaceleradores e quedas para cima

Este é um desacelerador de partículas para estudar a antimatéria, chamado ELENA, sigla em inglês para anel de antiprótons de extra-baixa energia.[Imagem: Mikkel D. Lund/Wikipédia]


5. Antimatéria pode cair para cima

Partículas de matéria e antimatéria têm a mesma massa, mas diferem em propriedades como carga elétrica e rotação. O Modelo Padrão da física prevê que a gravidade deve ter o mesmo efeito sobre a matéria e a antimatéria. No entanto, isto ainda está para ser comprovado, ou seja, ainda não se sabe exatamente se a antimatéria cai para cima ou para baixo - a rigor, também não se sabe exatamente se a antimatéria pesa mais ou menos do que a matéria. Ocorre que observar o efeito da gravidade sobre a antimatéria não é tão fácil quanto olhar uma maçã caindo da macieira.

Os experimentos precisam manter a antimatéria em uma armadilha ou retardá-la, resfriando-a a temperaturas um pouco acima do zero absoluto. E, como a gravidade é a mais fraca das forças fundamentais, os físicos precisam usar partículas neutras de antimatéria nesses experimentos para evitar interferências pela mais poderosa força elétrica. Até o momento, nenhum experimento conseguiu dar a palavra final nessa situação.

6. Antimatéria é estudada em desaceleradores de antipartículas

Você já ouviu falar dos aceleradores de partículas, mas sabia que também existem desaceleradores de partículas? O CERN possui uma máquina chamada Desacelerador de Antiprótons, um anel de armazenamento que pode capturar e diminuir a velocidade de antiprótons para estudar suas propriedades e comportamento. Nos aceleradores de partículas circulares, como o LHC, as partículas recebem um "empurrão" de energia cada vez que completam uma volta. Os desaceleradores trabalham no sentido inverso; em vez de um impulso de energia, a cada volta as partículas recebem um "resfriamento" para diminuir suas velocidades. O CERN está construindo um novo desacelerador, chamado ELENA - Extra Low Energy Antiproton Ring - anel de antiprótons de extra baixa energia, que deverá facilitar o aprisionamento dos antiprótons entre 10 e 100 vezes. Com mais antimatéria aprisionada, será mais fácil estudá-la.
Fonte: Inovação Tecnológica

16 de jul de 2015

Cientista que 'matou' Plutão diz não se arrepender



O professor Mike Brown diz não se incomodar em ser chamado de "assassino de Plutão" se isso contribui para a compreensão do Sistema Solar
© Copyright British Broadcasting Corporation 2015 O professor Mike Brown diz não se incomodar em ser chamado de "assassino de Plutão" se isso contribui para a compreensão do Sistema Solar

As imagens e descobertas da sonda da Nasa New Horizons vêm reforçando os apelos para que Plutão volte a integrar o clube de planetas – do qual foi expulso sem cerimônias em 2006. No entanto, o professor Mike Brown, da universidade Caltech (Califórnia), conhecido como "o homem que matou Plutão", disse à BBC que os que pedem que o planeta volte ao clube parem de viver no passado.
 
"As pessoas que a gente mais ouve pedindo a reinstalação do planeta são aquelas envolvidas na missão (New Horizons). Entendo que seja emocionalmente difícil para eles", disse. "Eles querem que Plutão seja um planeta porque querem voar para lá. Mas seria bem melhor se aceitassem a realidade de que ele não é um planeta e ficassem empolgados com o fato de que estão indo para um novo tipo de objeto no Sistema Solar."

Golpe de misericórdia

Os pedidos para que Plutão fosse rebaixado começaram após outro objeto no Cinturão de Kuiper ter sido descoberto em 1992. Alguns argumentavam que Plutão era simplesmente o primeiro corpo celeste encontrado nesta pouco explorada área do Sistema Solar.
NASA: Imagens de Plutão enviadas pela New Horizons estão revelando detalhes sobre a topografia do planeta anão
© Copyright British Broadcasting Corporation 2015 Imagens de Plutão enviadas pela New Horizons estão revelando detalhes sobre a topografia do planeta anão
 
No entanto, o golpe de misericórdia foi dado pelo professor Brown, com sua descoberta do planeta anão Eris, em janeiro de 2005. Era como Plutão, mas como uma massa maior. Essa foi uma das descobertas que fez com que a União Astronômica Internacional (UAI) criasse uma comissão para reavaliar a definição de planetas. Assim, em 2006, a UAI teve que decidir se admitia Eris, e outros pequenos mundos como Ceres, ou se expulsava Plutão. Era preciso escolher um ou outro – manter o status quo não era possível. Brown argumenta que a se a UAI tivesse decidido manter Plutão como um planeta e admitisse Eris, a organização eventualmente teria de considerar a candidatura de centenas, talvez milhares, de outros aspirantes a planetas. "Não há outra maneira de categorizar os Sistema Solar além de descrevê-lo como tendo oito objetos dominantes, que são os planetas que conhecemos. Não há nenhuma vantagem em se manter Plutão e em classificá-lo como um dos planetas maiores, porque ele simplesmente não é."

Então como o professor Brown reagiu quando soube que Plutão havia sido rebaixado? Foi um momento de alegria ou ele foi tomado pela culpa? Ele compara o episódio a um assassinato a sangue frio, um ato de misericórdia que era necessário para o bem da ciência. "Para mim, estava claro já fazia alguns anos que Plutão estava classificado de maneira errada. Então, fiquei bem feliz com a ideia (da demoção de Plutão) de que agora poderíamos voltar e corrigir esses erros", disse.

Sem arrependimentos

Mas o rebaixamento de Plutão continua polêmico. Muitos cientistas afirmam que ele deve permanecer como planeta, argumentando que ele parece um planeta, se comporta como tal e vem sendo considerado um há três quartos de século. Isso, no entanto, não muda a opinião do professor Brown. "Não, nenhum arrependimento. Mas fico triste com os acontecimentos desta década desde a demoção de Plutão. Gostaria que as pessoas tivessem aceitado o novo status de Plutão como uma parte interessante do Cinturão de Kuiper, em vez de ficar discutindo se é um planeta ou não", disse.

Integrantes da missão da Nasa e convidados comemoram em Maryland, nos Estados Unidos


© Copyright British Broadcasting Corporation 2015 Integrantes da missão da Nasa e convidados comemoram em Maryland, nos Estados Unidos

Se há alguns anos Mike Brown reagia com certa ironia ao ser cumprimentado como "o homem que matou Plutão", hoje em dia ele parece gostar do apelido. Chegou até a usá-lo seu site e em seu livro "How I killed Pluto and why it had it coming" (Como eu matei Plutão e por que ele mereceu, em tradução livre). Ele me disse que o título era pra ser uma brincadeira inteligente, mas que ninguém entendeu na época. "Eu pensei que achariam engraçado falar em matar Plutão, porque ele era o deus do mundo inferior (dos mortos, na mitologia grega), mas ninguém entendeu", disse Brown. "Era algo forte, para chamar atenção. E isso é importante em termos de educação. Quero que as pessoas entendam o que o Sistema Solar é exatamente. E, se ficar me chamando de "assassino de Plutão" ajudar nisso, aceito o apelido de bom grado."

Mensagens raivosas

O professor conta que ainda recebe mensagens raivosas no Twitter sobre Plutão – na grande maioria, de pessoas que aprenderam na escola que ele era um planeta.
NASA: Para o cientista, seria mais interessante estudar um novo tipo de objeto do que um planeta excêntrico nos confins do Sistema Solar
© Copyright British Broadcasting Corporation 2015 Para o cientista, seria mais interessante estudar um novo tipo de objeto do que um planeta excêntrico nos confins do Sistema Solar

Mas ele conta que as crianças que cresceram sabendo que Plutão não é um planeta aceitam a ideia sem problemas. Por isso, ele acredita que a polêmica vai morrer. "Acreditava-se que o Sol e a Lua eram planetas também, mas isso foi superado há muito tempo. Acho bem mais interessante termos um novo tipo de objeto para estudar do que um planeta excêntrico no fim do Sistema Solar." "Espero que depois da New Horizons essa discussão chegue ao fim e que a gente possa começar a falar sobre Plutão e sobre o que aprendemos sobre o restante do Cinturão de Kuiper."
Fonte:MSN.COM

Especial Antimatéria: Desaceleradores e quedas para cima



Especial Antimatéria: Tanques e armadilhas de antimatéria

Esta é uma "garrafa de antimatéria", um recipiente com um campo magnético de oito polos gerado por ímãs supercondutores. [Imagem: ALPHA/Nature Physics/Chukman So/Wurtele Research Group]

3. Quanta antimatéria o homem já produziu?

A aniquilação de matéria e antimatéria tem potencial para liberar uma enorme quantidade de energia - daí a inspiração para o motor de dobra da nave Enterprise, de Jornada nas Estrelas. Um grama de antimatéria poderia produzir uma explosão da mesma magnitude daquela causada por uma bomba nuclear. No entanto, até agora se produziu apenas uma minúscula quantidade de antimatéria, insuficiente para encher o tanque mesmo das menores naves experimentais - e, por decorrência, insuficientes para alimentar as sandices dos não tão bem-intencionados. Todos os antiprótons criados no acelerador de partículas Tevatron (EUA), por exemplo, somam apenas 15 nanogramas.

Os produzidos no CERN, onde fica o LHC, somam cerca de 1 nanograma. No acelerador DESY (Alemanha), cerca de 2 nanogramas de pósitrons foram produzidos até hoje. Assim, se toda a antimatéria já fabricada artificialmente fosse aniquilada ao mesmo tempo, a energia produzida não seria suficiente sequer para ferver uma xícara de chá. O problema reside na eficiência e no custo da produção e armazenamento da antimatéria. Produzir um grama de antimatéria exigiria aproximadamente 25 milhões de bilhões de quilowatts-hora de energia, algo que custaria mais de um milhão de bilhões de dólares.

4. Tanques e armadilhas de antimatéria

Para estudar a antimatéria, você precisa impedir que ela se aniquile com a matéria. Assim, é necessário construir tanques de armazenamento de antimatéria. Mas os físicos preferem chamar esses recipientes de "armadilhas". Partículas de antimatéria carregadas, como os pósitrons e os antiprótons, podem ser mantidos em dispositivos chamados armadilhas Penning. Elas são comparáveis a pequenos aceleradores. No seu interior, as partículas de antimatéria giram em espiral conforme campos magnéticos e elétricos evitam que elas colidam com as paredes da armadilha. Mas as armadilhas de Penning não funcionam para partículas neutras, tais como o anti-hidrogênio. Como elas não têm carga, estas partículas não podem ser confinadas por campos elétricos.

Em vez disso, as antipartículas neutras são mantidas em armadilhas Ioffe, que funcionam criando uma região do espaço onde o campo magnético fica maior em todas as direções. A partícula fica presa na área com o campo magnético mais fraco, mais ou menos como uma bolinha de gude girando no fundo de uma bacia. O campo magnético da Terra também pode funcionar como uma espécie de armadilha de antimatéria. Antiprótons têm sido detectados em zonas ao redor da Terra chamadas cinturões de radiação de Van Allen. Na verdade, hoje os físicos já consideram que exista um anel de antimatéria ao redor da Terra.
Fonte: Inovação Tecnológica

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