27 de ago de 2015

Uma tempestade solar grave pode atingir a Terra. O que vai acontecer?

tempestade solar

Quando você pensa em tempestade, tem medo do vento e da chuva? Pois o que você realmente deveria temer é o sol. Se uma tempestade solar grave o suficiente atingir a Terra, nossa tecnologia pode ser exterminada. Seria muito difícil se recuperar de tal catástrofe.

Tempestade solar? Reze para não acontecer
Tempestade solar é um termo genérico usado para descrever um monte de coisas que o sol pode lançar sobre a Terra, incluindo raios-X, partículas carregadas e plasma magnetizado. Uma enorme tempestade solar não atinge nosso planeta desde meados do século 19, mas os cientistas climáticos estão muito preocupados com a possibilidade de outra.  Estamos muito mais dependentes da tecnologia nos dias de hoje”, explica Thomas Berger, diretor do Centro de Previsão de Tempo Espacial na Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA.

Nem todo tipo é um problema
Uma tempestade solar normalmente começa com uma labareda solar – uma gigantesca explosão na superfície do sol que envia energia e partículas para o espaço. Explosões pequenas, de classe C, ocorrem o tempo todo e são fracas demais para afetar a Terra. As médias, de classe M, podem produzir pequenas rupturas de rádio. Já explosões de classe X são as maiores, liberando o equivalente a até um bilhão de bombas de hidrogênio em energia. Estas erupções ocorrem muito raramente, mas quando ocorre.  A pior parte dessa brincadeira é que os cientistas não podem prever quando o sol vai entrar em erupção. Só sabemos que as explosões têm a ver com as perturbações no campo magnético da estrela, que oscila ao longo de um ciclo de cerca de 11 anos.

Tudo bem por enquanto
Explosões médias enviam ondas de radiação de alta energia – raios X e luz ultravioleta – em direção à Terra. Estes tipos de radiação são poderosos o suficiente para rasgar elétrons dos átomos. Isso é exatamente o que começam a fazer quando atingem a parte superior da nossa atmosfera, conhecida como ionosfera. Basicamente, o céu fica eletrocutado com um pulso eletromagnético gigante. Apesar de soar terrível, esses eventos não nos afetam muito. A única exceção é o rádio. Os sinais de rádio entre a Terra e os satélites em órbita podem ser bloqueados se a atmosfera ficar muito carregada. Isso pode cortar, por exemplo, a comunicação de aviões voando sobre os polos. Mas essa é uma dificuldade apenas temporária, com duração de dez minutos a horas, no máximo.

Um tempo depois de uma explosão solar dessas iluminar o céu, uma corrente de partículas carregadas – elétrons e prótons – chegam à Terra. Elas bombardeiam a magnetosfera, a proteção em torno da Terra criada por nosso campo magnético. Ocasionalmente, um grande pulso de partículas carregadas atinge satélites em órbita e danifica seus aparelhos eletrônicos. Radiação de partículas é também um risco para a saúde dos seres humanos no espaço. “Nós temos que nos preocupar com partículas energéticas na Estação Espacial Internacional”, disse Joe Gurman, do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA. Isso só se tornará um verdadeiro grande problema, no entanto, se e quando decidirmos colonizar o espaço.

Ejeções de massa coronal
Até agora, nós, reles mortais não astronautas, estávamos bastante seguros. O pessoal no chão da Terra só precisa se preocupar com uma erupção solar se ela for uma ejeção de massa coronal (EMC). Quando o sol se inflama, às vezes atira uma gigantesca nuvem de plasma magnetizada para o espaço. A EMC é a forma mais lenta e perigosa de tempestade solar, levando a partir de 12 horas a vários dias para chegar à Terra. Assim, meteorologistas às vezes têm tempo de prevê-las. A EMC é liberada praticamente em linha reta a partir do sol, e sempre há uma boa chance de que a Terra não acabe em seu caminho. Se ela vier direto para nós, vai primeiro atingir o satélite ACE (Advanced Composition Explorer) da NASA, localizado cerca de 1,6 milhões de quilômetros na frente da Terra. Se isso acontecer, temos de 30 minutos a uma hora antes de uma nuvem de plasma interagir com a magnetosfera de nosso planeta e provocar uma tempestade geomagnética.

Salve-se quem puder
E é aí que o bicho pega, pois começaremos a ver os efeitos sobre a rede elétrica. Isso gera enormes correntes elétricas na atmosfera superior da Terra”, disse Berger. “Dependendo de quão condutor o solo for, grandes correntes podem alimentar toda uma rede”. E isso é uma má notícia.  A força de uma tempestade geomagnética é medida em “tempo de perturbação” ou Dst, que descreve essencialmente quanto uma EMC sacode o campo magnético da Terra. Tempestades comuns, que causam as luzes do norte (auroras boreais), mas de outra forma não têm impacto em nós, estão na faixa dos Dst de -50 nT (nanotesla).

A pior tempestade geomagnética da era espacial, que atingiu Quebec, no Canadá, em março de 1989, registou uma Dst de -600 nT. E mesmo essa tempestade é insignificante em comparação com o evento Carrington, uma tempestade geomagnética que acertou a Terra 156 anos atrás. Na época, o dano não foi tão ruim, mas hoje poderia significar um desastre.

Tempestade monstro
O evento Carrington de setembro de 1859 foi nomeado em homenagem a Richard Carrington, o astrônomo inglês que viu o sol incendiar-se com seus próprios olhos. Nos dias seguintes a observação de Carrington, uma série de EMCs poderosas chegaram aqui, acendendo as luzes do norte até o sul de Cuba. As correntes eletrificaram linhas telegráficas, chocaram técnicos, incendiaram documentos telegráficos e provocaram interrupções de comunicações generalizadas. Estimativas modernas para a força desta tempestade são de Dst -800 nT a -1.750 nT. A sociedade humana é muito mais dependente de eletricidade hoje do que era 156 anos atrás. Agora temos gasodutos, redes de transmissão de energia elétrica e muito mais produtos tecnológicos. Então, o que aconteceria se um evento do porte de Carrington nos atingisse?

Adeus sociedade
Todo o sistema de distribuição de energia poderia colapsar. Se isso acontecer, poderia levar à falta de energia em massa. Poderíamos dar adeus a coisas como luz elétrica, internet, aquecimento, abastecimento de água de controle eletrônico (como ocorre na maioria das cidades modernas, onde sanitários e sistemas de tratamento de esgoto iriam parar de trabalhar), alimentos perecíveis e medicamentos seriam perdidos, tirar dinheiro seria impossível, a tecnologia GPS seria nocauteada etc. Alguns destes efeitos poderiam durar anos, e serem sentidos a nível global. O custo econômico, por consequência, seria enorme.

Um relatório das Academias Nacionais de Ciências, Engenharias e Medicina dos EUA estima que o custo total de um evento Carrington hoje poderia ultrapassar US$ 2 trilhões. É importante ter em mente que não estamos falando uma situação apocalíptica pouco improvável. De fato, em julho de 2012, um enorme EMC atravessou a órbita da Terra e por pouco não nos atingiu. Esse evento, pego pelo satélite STEREO-A da NASA, teria registrado um Dst de -1200 nT, comparável ao evento Carrington.
Fonte: Hypescience.com
 [Gizmodo]

Estudo afirma que a Terra está cada dia mais leve

Terra mais Leve

Mesmo recebendo cerca de 40 mil toneladas de partículas espaciais todos os anos, o planeta Terra não está ficando mais pesado. Ao contrário, está perdendo massa em um ritmo muito mais acelerado, ficando muito mais leve todos os dias. Diariamente, em média 110 toneladas de materiais vindos do espaço penetram a atmosfera da Terra e se juntam à massa que forma o planeta. São asteroides, cometas, meteoros ou partículas vindas de muito longe, que anualmente somam mais de 40 mil toneladas. Além desses detritos espaciais, a Nasa também estima um incremento de 160 toneladas anualmente devido à elevação da temperatura global.

Isso é explicado pelas leis da termodinâmica, pois se adicionarmos energia a um sistema, sua massa também aumenta. Apesar de serem números bastante expressivos, principalmente se considerarmos os bilhões de anos que isso acontece, nosso planeta não ganha peso. Ao contrário, fica mais leve. De acordo com um estudo feito pelo pesquisador Chris Smith, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, embora entrem cerca de 40 mil toneladas todos os anos, nosso planeta perde 95 mil toneladas, mais que o dobro do que entra.

Perdendo Nada
É importante destacar que embora ocorram retiradas sistemáticas de minérios e petróleo do subsolo, esse material não deixa a Terra, pois de alguma forma é transformado em algo que será usado ou consumido aqui mesmo, gerando resíduos que aqui também permanecerão. Em outras palavras, o Homem não tem papel nessa perda de peso.

Perdendo Pouco
Segundo Smith, parte da perda da massa ocorre no centro da Terra, onde há bilhões de anos o núcleo queima combustível nuclear por decaimento radioativo. Assim, quanto menos energia, menos massa (novamente, a lei da termodinâmica em ação). No entanto essa perda é muito pequena, de aproximadamente 16 toneladas ao ano, praticamente nada perto das 40 mil toneladas que entram.

Perdendo Muito
O grosso da perda de peso da Terra ocorre bem acima das nossas cabeças, lá na alta atmosfera. De acordo com o estudo, anualmente escapam da Terra 95 mil toneladas de hidrogênio e 1600 toneladas de hélio, que por serem muito leves não são retidos pela gravidade e se dissipam no espaço. Resumindo, o resultado é uma perda de massa de cerca de 50 mil toneladas todos os anos, principalmente dos gases.

Consequências
Embora a perda de hidrogênio seja extraordinariamente grande - 95 mil toneladas por ano - a quantidade do gás presente na Terra é tão grande que levaria trilhões de anos para o esgotamento. O Hélio é outra história. Ele representa apenas 0,00052% do volume da nossa atmosfera. É obtido principalmente através de um processo chamado de destilação fracionada e devido à sua utilidade está se tornando cada vez mais escasso em nossa atmosfera. Para Robert Richardson, ligado à Universidade de Cornell e ganhador do Premio Nobel de Física "a situação da reserva de hélio atmosférico é tão preocupante que cada balão de festa preenchido com o gás deveria ser acompanhado de uma etiqueta de 100 dólares".      
Fonte: APOLO11.COM     

24 de ago de 2015

O coração tumultuoso da nossa galáxia

As regiões centrais da nossa Galáxia, a Via Láctea, observadas pelo observatório de raios-X XMM-Newton da ESA. A imagem combina dados recolhidos a energia entre 0,5 e 2 keV (vermelho), de 2 a 4,5 keV (verde) e 4,5 e 12 keV (azul). Corresponde a cerca de 2,5º no céu, equivalente a mais ou menos mil ano-luz. Crédito: ESA/XMM-Newton/G. Ponti et al. 2015

Esta nova imagem de poderosos remanescentes de estrelas mortas e da sua ação poderosa sobre o gás circundante, obtida pelo observatório de raios-X XMM-Newton da ESA, revela alguns dos processos mais intensos que ocorrem no centro da nossa Galáxia, a via Láctea. As fontes brilhantes e parecidas a pontos que se destacam ao longo da imagem rastreiam sistemas estelares binários em que uma das estrelas chegou ao fim da sua vida, evoluindo para um objeto compacto e denso - uma estrela de neutrões ou um buraco negro. Por causa das suas altas densidades, estes remanescentes compactos devoram massa da sua estrela companheira, aquecendo o material e fazendo-o brilhar em raios-X.

A região central da nossa Galáxia também contém estrelas jovens e enxames estelares, e alguns destes são visíveis como fontes brancas ou vermelhas espalhadas pela imagem, que abrange cerca de mil anos-luz. A maioria da ação ocorre no centro, onde as nuvens difusas de gás estão sendo esculpidas por ventos poderosos aquecidos por estrelas jovens, bem como por supernovas, a morte explosiva de estrelas gigantes. O buraco negro supermassivo situado no centro da Via Láctea é também responsável por parte desta ação. Conhecido como Sagitário A*, este buraco negro tem uma massa milhões de vezes superior à do Sol e está localizado dentro da fonte difusa e brilhante para a direita do centro da imagem.

Apesar dos buracos negros não emitirem luz, a sua imensa força gravitacional puxa matéria circundante que, no processo, emite luz em vários comprimentos de onda, mais notavelmente em raios-X. Além disso, dois lóbulos de gás quente prolongam-se para cima e para baixo do buraco negro. Os astrónomos acreditam que estes lóbulos são provocados, ou diretamente pelo buraco negro, que engole parte do material que flui na sua direção mas expele a maioria, ou pelo efeito cumulativo de inúmeros ventos estelares e explosões de supernova que ocorrem neste ambiente denso. Esta imagem, que mostra uma visão sem precedentes do núcleo energético da Via Láctea, foi processada num novo estudo graças à compilação de todas as observações desta região levadas a cabo pelo XMM-Newton, somando cerca de mês e meio de exposição no total.

A grande estrutura elíptica para baixo e para a direita de Sagitário A* é uma super-bolha de gás quente, provavelmente inchado pelos remanescentes de várias supernovas no seu centro. Embora esta estrutura já seja conhecida pelos astrónomos, este estudo confirma pela primeira vez que consiste de uma única bolha gigante, em vez da superposição de vários remanescentes individuais ao longo da nossa linha de visão. Outra grande bolsa de gás quente, designada "Bolha de Arco" devido à sua forma de crescente, pode ser vista perto do centro da imagem, para baixo e para a esquerda do buraco negro supermassivo. A bolsa é inflada pelos ventos fortes de estrelas num enxame próximo, bem como por supernovas; o remanescente de uma dessas explosões, uma candidata a nebulosa de vento de pulsar, foi detetada no núcleo da bolha.

O rico conjunto de dados compilados neste levantamento contém observações que abrangem toda a gama de energias de raios-X cobertas pelo XMM-Newton; estas incluem algumas energias correspondentes à luz emitida por elementos pesados como o silício, enxofre e árgon, luz esta produzida principalmente pelas explosões de supernova. Ao combinar estas informações adicionais presentes nos dados, os astrónomos obtiveram outra visão complementar do Centro Galáctico, que revela bem os lóbulos e as bolhas descritas anteriormente.

Em adição, esta imagem alternativa também exibe a emissão, embora muito fraca, de plasma quente nas secções superior e inferior da imagem. Este plasma quente pode ser o efeito macroscópico coletivo de fluxos gerados pela formação estelar ao longo desta zona central inteira. Outra das possíveis explicações para tal emissão liga-a ao passado turbulento do buraco negro supermassivo, agora não tão ativo. Os astrónomos pensam que, no início da história da nossa Galáxia, Sagitário A* reunia e expelia massa a um ritmo muito mais elevado, tal como os buracos negros encontrados no centro de muitas galáxias, e que estas nuvens difusas de plasma quente poderão ser um legado da sua atividade antiga.
Fonte: Astronomia Online


Aglomerado gigante de galáxias, quebra a luz e contorce imagens


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O que são esses estranhos objetos azuis? Muitas das brilhantes imagens azuis são de uma única galáxia de anel incomum que está alinhada atrás de um gigantesco aglomerado de galáxias. Aglomerados de galáxias tipicamente aparecem em amarelo, e junto com a sua matéria escura, agem como uma lente gravitacional. Uma lente gravitacional pode criar algumas imagens das galáxias de fundo, algo análogo ao que acontece, quando observamos muitos pontos de luz, através de um copo de vinho. A forma distinta dessa galáxia de segundo plano, que provavelmente acabou de se formar, tem permitido aos astrônomos deduzirem que ela apresenta imagens separadas nas posições de 4, 10, 11 e 12 horas desde o centro do aglomerado. Uma nebulosidade azulada perto do centro do aglomerado é provavelmente outra imagem da mesma galáxia de segundo plano. Ao todo, uma análise recente postulou que no mínimo 33 imagens de 11 galáxias separadas de segundo plano podem ser discernidas. Essa foto espetacular do aglomerado de galáxias CL0024+1654, foi feita pelo Telescópio Espacial Hubble em Novembro de 2014.

20 de ago de 2015

A NASA Diz: Não há ameaça de asteroide se chocar com a Terra

globe-modis-full

Recentemente, se você acessa qualquer rede social que seja, tem visto uma notícia sendo espalhada de maneira errônea, clamando que a Terra sofrerá um impacto de um asteroide em algum momento entre os dias 15 e 28 de Setembro de 2015, e dizendo que a NASA confirmou que isso irá acontecer. Pois bem, a agência espacial norte-americana, no dia de hoje, 19 de Agosto de 2015, se manifestou e disse (OBVIAMENTE), que NÃO!!! NÃO TEREMOS NENHUM IMPACTO DEVASTADOR DURANTE O MÊS DE SETEMBRO!!! Alguns posts, ainda falam com precisão onde o asteroide cairia, que seria em algum lugar próximo de Porto Rico, causando a destruição total dos EUA, do México e das Américas Central e Sul.

De acordo com a NASA:
“Não existe base científica para esse anúncio – nem mesmo uma evidência – de que um asteroide ou qualquer outro objeto celeste se chocará com a Terra nessas datas”, disse Paul Chodas, gerente do Near-Earth Object da NASA no Laboratório de Propulsão a Jato da agência em Pasadena, na Califórnia. De fato, o Near-Earth Object Observations Program da NASA, disse que não existe nenhum cometa ou asteroide observado que se chocaria com a Terra, em qualquer momento num futuro próximo. Todos os conhecidos Potentially Hazardous Asteroids têm menos de 0.01% de chance de se chocar com a Terra nos próximos 100 anos.

O escritório do Near-Earth Object no JPL é um grupo chave envolvido com a colaboração internacional de astrônomos e cientistas que ficam vigiando o céu com seus telescópios, buscando por asteroides que poderiam se chocar com o nosso planeta e prevendo a trajetória através do espaço desses corpos no futuro. Se existe algo, ou alguma observação mostre algum objeto na nossa direção e em rota de colisão, Chodas e seus colegas saberiam disso com certeza. Se existir algum objeto grande o suficiente para causar esse tipo de destruição em Setembro, nós já teríamos visto algo agora”, disse ele. Outra coisa que Chodas e sua equipe sabem muito bem – essa não é a primeira vez e nem será a última que rumores são espalhados falando que algum objeto se chocará com a Terra.

Isso algumas vezes parece até ser um dos temas favoritos na internet e atualmente nas redes sociais. Em 2011 existiram rumores sobre o chamado cometa Elenin, que nunca ofereceu nenhum perigo de se chocar com a Terra e se partiu em muitos pedaços no espaço. O dia 21 de Dezembro de 2012, quem não lembra, seria o fim do mundo com o impacto de um asteroide gigantesco. E só nesses anos, os asteroides 2004 BL86 e o 2014 YB35 foram tidos como ameaças certas para o nosso planeta, mas suas passagens em Janeiro e Março, respectivamente não causaram nenhum incidente, como a NASA mesmo disse na época.

“Novamente, não existe nenhuma evidência de que um asteroide ou qualquer outro objeto celeste esteja na sua trajetória de impacto com a Terra”, disse Chodas. “De fato, não existe a menor chance de que um desses objetos atinja a Terra no próximo século. A NASA detecta, rastreia e caracteriza os asteroides e cometas que passam a 30 milhões de milhas da Terra, usando tanto telescópios espaciais, como telescópios na nossa superfície. O Near-Earth Object Observations Program, comumente chamado de Spaceguard, descobre esses objetos, caracteriza suas naturezas físicas e prevê suas trajetórias para determinar se alguns deles seriam potencialmente perigosos para o nosso planeta.

Não se tem nenhum impacto ou ameaça até momento, somente a queda de minúsculos meteoroides, asteroides bem pequenos que na sua maioria queimam na atmosfera da Terra. O JPL abriga o escritório do Near-Earth Object para a análise de órbitas para o Near Earth Object Observations Program da NASA do Science Mission Directorate em Washington. O JPL é uma divisão do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena.

Um casal cósmico

A cosmic couple

A imagem acima mostra o espetacular par cósmico da estrela Hen 2-247 – normalmente conhecida como WR 124 – e a nebulosa M1-67 que a circunda. Ambos os objetos, capturados aqui pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA são encontrados na constelação de Sagittarius e localizam-se a 15000 anos-luz de distância. A estrela Hen 2-247 brilha intensamente no centro dessa imagem explosiva e ao redor os aglomerados de gás quente são ejetados para o espaço a mais de 150000 quilômetros por hora. A Hen 2-247 é uma estrela do tipo Wolf-Rayet, denominada em homenagem aos astrônomos Charles Wolf e Georges Rayet. As Wolf-Rayet, são estrelas superquentes caracterizadas por violentas ejeções de massa. A nebulosa M1-67 é estimada como tendo mais de 10000 anos de vida – um bebê em termos astronômicos – mas que gera uma visão magnífica. Uma versão dessa imagem foi lançada em 1998, mas ela foi reprocessada com os últimos algoritmos disponíveis.

19 de ago de 2015

Saiba quantos anos você tem e quando seria seu aniversário em outro planeta


Como você sabe, cada dia aqui na Terra têm duração de — aproximadamente — 24 horas, que corresponde ao tempo que ela leva para completar uma rotação sobre o seu próprio eixo. Como você também sabe, os anos terrestres têm duração de cerca de 365 dias, que é o período que o nosso planeta demora para realizar uma órbita completa ao redor do Sol.


Anos extraterrestres
No entanto, esse intervalo não é o mesmo em todos os planetas do Sistema Solar, conforme você pode conferir em várias matérias aqui do Mega Curioso nas quais falamos a respeito de vários dos nossos vizinhos. Assim, nas nossas matérias revelamos, por exemplo, que cada ano em Júpiter equivale a 12 anos terrestres, que em Urano eles correspondem a 84 anos do nosso planeta e que em Netuno, cada ano equivale a 164,8 anos dos nossos. Agora, com todos esses dados em mente, vai dizer que você não ficou imaginando quantos anos teria se, em vez de ser terráqueo, você fosse saturniano, venusiano ou marciano.

Pois, no lugar de descobrir quanto tempo cada planeta demora até completar uma órbita ao redor Sol e, então, calcular qual seria a sua idade (ou quando será o seu próximo aniversário), existe um site que faz todo o trabalho para você — e em português!  As instruções estão no nosso idioma e, para descobrir qual seria a sua idade em outros planetas, basta informar o mês, dia e ano do seu nascimento (nessa ordem) e clicar sobre o botão “Calcular”. Clique aqui e confira. O site foi desenvolvido pelo pessoal da Universidade de Évora, em Portugal, que se inspirou em uma iniciativa do museu Exploratorium de San Francisco, na Califórnia, que mantém uma página semelhante. E aí, o que você achou de descobrir quantos anos teria se você vivesse em outro planeta?
Fonte: Mega Curioso

Estrelas irmãs


Esta rica tapeçaria de estrelas coloridas foi capturada pela câmera Wide Field Imager (WFI), montada no telescópio MPG/ESO no Observatório de La Silla do ESO. A imagem mostra o aglomerado estelar aberto IC 4651, um grupo de estrelas que se situa na constelação do Altar.Crédito:ESO

Os aglomerados estelares abertos como o que se vê nesta imagem não são apenas perfeitos para tirar bonitas fotografias. A maioria das estrelas forma-se no seu interior e estes aglomerados podem ser usados pelos astrônomos como laboratórios para estudar como é que as estrelas evoluem e morrem. Esta imagem, que foi obtida pelo instrumento Wide Field Imager (WFI) no Observatório de La Silla, mostra o aglomerado IC 4651 e as estrelas que nasceram no seu interior apresentam atualmente uma grande variedade de características. O salpicado de estrelas que podemos ver nesta nova imagem do ESO é o aglomerado estelar aberto IC 4651, situado na Via Láctea na constelação do Altar, a cerca de 3000 anos-luz de distância.

O aglomerado tem cerca de 1,7 bilhões de anos — o que corresponde à meia-idade em termos de aglomerados. IC 4651 foi descoberto por Solon Bailey, pioneiro no estabelecimento de observatórios em locais altos e secos nos Andes. Este objeto foi catalogado em 1896 pelo astrônomo dinamarquês-irlandês John Louis Emil Dreyer. Conhecem-se na Via Láctea mais de mil destes aglomerados abertos, no entanto pensa-se que existam muitos mais. Muitos destes objetos foram já estudados com grande detalhe. Observações de aglomerados estelares como este fizeram avançar o nosso conhecimento sobre a formação e evolução da Via Láctea e das estrelas individuais no seu interior,  e permitem também aos astrônomos testarem modelos de evolução estelar.

As estrelas de IC 4651 formaram-se todas ao mesmo tempo a partir da mesma nuvem de gás.
Estas estrelas irmãs estão ligadas apenas de forma leve pela atração entre si e pelo gás entre elas. À medida que as estrelas do aglomerado interagem com outros aglomerados e com nuvens de gás na galáxia, e à medida que o gás entre as estrelas é utilizado para formar mais estrelas ou é lançado para fora do aglomerado, a estrutura do aglomerado começa a modificar-se. Eventualmente, a massa restante no aglomerado torna-se suficientemente pequena para que as estrelas possam escapar.

Observações recentes de IC 4651 mostraram que o aglomerado contém uma massa de 630 vezes a massa solar e pensa-se que inicialmente teria pelo menos 8300 estrelas, num total de 5300 vezes a massa do Sol.  Como este aglomerado é relativamente velho, uma parte desta massa perdida é devida às estrelas mais massivas do aglomerado já terem atingido o final das suas vidas e terem explodido sob a forma de supernovas. No entanto, a maioria das estrelas que se perderam não morreram, mas apenas se deslocaram. Elas teriam sido arrancadas do aglomerado ao passar por uma nuvem gigante de gás ou após um encontro próximo com um aglomerado vizinho, ou simplesmente afastaram-se.

Uma fração destas estrelas perdidas pode estar ainda gravitacionalmente ligada ao aglomerado,estando à volta dele mas a uma grande distância. As outras estrelas perdidas teriam migrado para longe do aglomerado e juntado-se a outros, ou teriam se instalado em outro local qualquer da Via Láctea. Provavelmente, o Sol já fez parte de um aglomerado como IC 4651 até que, tanto a nossa estrela como as suas irmãs, se separaram e gradualmente se espalharam pela Via Láctea.

Esta imagem foi obtida com o
Wide Field Imager. Esta câmera encontra-se montada permanentemente no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros no Observatório de La Silla. Este instrumento consiste em vários detectores CCD num total de 67 milhões de pixels e pode observar uma área do céu tão grande como a Lua Cheia. Permite fazer observações desde o visível até ao infravermelho próximo, com mais de 40 filtros disponíveis. Para esta imagem apenas foram utilizados três destes filtros.
Fonte: ESO

Metano e água encobrem exoplaneta parecido com Júpiter

Impressão de artista do exoplaneta 51 Eridani b, no infravermelho, que mostra as camadas quentes nas profundezas da atmosfera que brilha através das nuvens. Devido à sua tenra idade, este primo jovem do nosso Júpiter é ainda quente e contém informação acerca da sua formação que ocorreu há 20 milhões de anos. Crédito: Danielle Futselaar & Franck Marchis, Instituto SETI

Indo para além da descoberta e fotografando um jovem Júpiter, astrónomos usando o GPI (Gemini Planet Imager) do Observatório Gemini examinaram um mundo recém-descoberto em detalhes sem precedentes. Descobriram um exoplaneta com cerca de duas vezes a massa de Júpiter, o mais parecido com um planeta do Sistema Solar já observado diretamente em torno de outra estrela. O planeta, conhecido como 51 Eridani b, orbita a sua estrela hospedeira a cerca de 13 vezes a distância Terra-Sol (equivalente a estar entre Saturno e Úrano no nosso Sistema Solar). O sistema está localizado a cerca de 100 anos-luz de distância.

Os dados do Gemini também fornecem aos cientistas a mais forte deteção espectroscópica de metano na atmosfera de um planeta fora do nosso Sistema Solar, acrescentando às suas semelhanças com os planetas gigantes do nosso Sistema Solar. "Muitos dos exoplanetas já observados diretamente têm atmosferas que parecem estrelas muito frias," afirma Bruce Macintosh, da Universidade de Stanford, que liderou a construção do GPI e agora lidera a caça de planetas. "Este parece ser um planeta."

A pesquisa foi publicada na edição de 13 de agosto de 2015 da revista Science. Este excelente resultado é uma demonstração clara das incríveis capacidades espectroscópicas e de imagem do GPI," afirma Chris Davis, da Divisão de Astronomia do NSF (National Science Foundation), que supervisiona o financiamento do Observatório Gemini. "As pesquisas exoplanetárias agora possíveis com o Gemini vão, sem dúvida, levar a uma bastante melhor compreensão do número de gigantes gasosos em órbita de estrelas vizinhas, das características das suas atmosferas e, finalmente, do modo como os planetas gigantes como Júpiter e Saturno são formados."


Imagem da descoberta de 51 Eridani b com o GPI, obtida no infravermelho próximo no dia 18 de dezembro de 2014. A estrela central foi quase totalmente removida por uma máscara de hardware e software a fim de permitir a deteção do exoplaneta, que é um milhão de vezes mais ténue.  Crédito: J. Rameau (UdeM) e C. Marois (NRC Herzberg)

A descoberta faz parte do esforço mais amplo da equipa em encontrar e caracterizar novos planetas chamado GPIES (GPI Exoplanet Survey). O levantamento espera explorar mais de 600 estrelas que podem hospedar sistemas planetários; até agora observaram quase uma centena de estrelas. "Este é exatamente o tipo de sistema que imaginámos descobrir quando projetámos o GPI," afirma James Graham, professor da Universidade de Berkeley e cientista do projeto GPI. O GPI é capaz de dissecar a luz de exoplanetas em detalhes sem precedentes para que possamos agora caracterizar outros mundos como nunca," comenta Christian Marois do NRC (National Research Council) do Canadá. Marois, um dos quase 90 investigadores da equipa, foi pioneiro em muitas das estratégias de observação e técnicas de redução de dados que desempenharam um papel fundamental na deteção e análise do novo planeta. A luz do planeta é muito ténue - um milhão de vezes mais fraca que a luz da estrela - mas o GPI consegue vê-lo claramente.

"O planeta é tão ténue e está localizado tão perto da sua estrela, que é também o primeiro exoplaneta observado diretamente a ser totalmente compatível com os modelos de formação planetária de sistemas parecidos com o Sistema Solar," explica Marois. As observações do Gemini também foram acompanhadas pelo Observatório W. M. Keck em Mauna Kea, Hawaii, a fim de verificar a descoberta. Fredrik Rantakyro, cientista do instrumento GPI, acrescenta: "Desde que era criança, sonhava com planetas em torno de outras estrelas e com as vidas que possivelmente poderiam existir lá. Como astrónomo, é normal trabalhar com telescópios topo de gama mas não é normal o coração bater mais depressa.

É exatamente o que aconteceu com este sonho tornado realidade de descobrir um irmão de Júpiter!  51 Eridani é jovem - tem apenas 20 milhões de anos - e é exatamente isso que tornou possível a deteção do planeta. Quando os planetas coalescem, o material que cai para o planeta liberta energia e aquece-o. Ao longo dos próximos cem milhões de anos irradiam essa energia, principalmente no infravermelho, e arrefecem gradualmente. Além de ser provavelmente o planeta de menor massa já observado diretamente, a sua atmosfera é também muito fria - 430º C. Também possui o mais forte sinal espectroscópico para a presença de metano atmosférico, semelhante ao ambiente de metano pesado que domina as atmosferas dos planetas gigantes do nosso Sistema Solar.

O espectro do planeta também revelou água. O estudo GPIES está atualmente a menos de 20% dos seus 600 alvos previstos para observações durante a campanha de 3 anos. Os alvos foram escolhidos devido à sua juventude e relativa curta distância ao Sistema Solar (até 300 anos-luz). Os resultados deste levantamento serão marcantes, pois estuda um regime de massa e separação exoplanetária nunca antes devidamente investigado. Espera-se que forneça o primeiro censo detalhado e a primeira demografia dos exoplanetas gigantes gasosos, que encontre sistemas multiplanetários e que realize uma caracterização espectral detalhada de muitos novos exoplanetas.
Fonte: Astronomia Online

12 de ago de 2015

Estrelas não têm posição fixa na galáxia

Estrelas migram pela galáxia

Dois pares de estrelas migrantes (marcadas em azul e vermelho) , mostrando como as órbitas das estrelas na Via Láctea parecem se alterar ao longo do tempo. [Imagem: Dana Berry/SkyWorks Digital/SDSS collaboration]


Estrelas migrantes
As galáxias parecem ser mais dinâmicas e mais movimentadas do que se pensava. Há algum tempo vêm sendo identificadas estrelas hipervelozes, estrelas que têm uma velocidade tão elevada que provavelmente escaparão da galáxia. Contudo, apesar de alguns astrônomos defenderem que metade das estrelas pode estar fora das galáxias, esses astros apressados sempre foram vistos como exceções frente à grande maioria dos sistemas estelares, com seus "endereços fixos" dentro das galáxias, como se cada estrela vivesse toda a vida na região da galáxia onde nasceu.

Essa noção agora começa a cair por terra graças ao mapeamento da Via Láctea feito pelo projeto SDSS (Sloan Digital Sky Survey), responsável pela elaboração da maior imagem já feita do Universo, em 3D, e de um mapa da matéria escura. Michael Hayden e seus colegas descobriram que pelo menos 30% das estrelas da Via Láctea são "migrantes" dentro da galáxia, não estando mais hoje onde elas foram formadas. Essa conclusão foi tirada depois de uma análise detalhada da composição química das estrelas e das diversas regiões da galáxia.

Gerações de estrelas
"As estrelas criam elementos mais pesados em seus núcleos e, quando elas morrem, esses elementos mais pesados voltam para o gás a partir da qual a próxima geração de estrelas se formará," explica Hayden. Como resultado desse processo de "enriquecimento químico", cada geração de estrelas tem uma percentagem mais elevada de elementos mais pesados do que a geração anterior. Em algumas regiões da galáxia, a formação de estrelas vem ocorrendo de forma mais vigorosa do que em outras - e, em teoria, regiões de formação estelar mais vigorosa terão dado origem a mais gerações de novos astros. Isto significa que a quantidade média de elementos mais pesados nas estrelas varia entre as diferentes partes da galáxia. Os astrônomos podem, então, determinar em que parte da galáxia uma estrela nasceu traçando a quantidade de elementos pesados naquela estrela, o que é feito analisando o espectro de radiação que ela emite.


Migração estelar
Quando a equipe analisou o padrão de abundância desses elementos, eles constataram que grande parte dos dados recolhidos pelo telescópio do SDSS pode ser explicada por um modelo no qual as estrelas migram radialmente, movendo-se para mais perto ou para mais longe do centro da galáxia com o passar do tempo. Esses movimentos são chamados de "migração estelar", e são provavelmente causados por irregularidades no disco galáctico - eventualmente nos braços espirais da Via Láctea. Indícios de migração estelar já tinham sido observados anteriormente em estrelas nas nossas vizinhanças, mas o novo estudo traz indícios claros de que a migração pode ocorrer em toda a galáxia.
Fonte: Inovação Tecnológica

As surpreendentes regras matemáticas dos anéis de Saturno

saturno aneis

Sabemos há muito tempo que Saturno é cheio de anéis, mas as partículas dentro deles, que se empurram e colidem, eram um mistério. Viajando a uma velocidade vertiginosa, todos os choques e tamanhos dessas partículas pareciam aleatórios e casuais. Agora, uma nova teoria matemática traz ordem ao caos. Um grupo de físicos, matemáticos e astrônomos explicou como a distribuição de tamanho das diferentes partículas, que vão desde centímetros a dez metros, segue uma relação muito simples. A teoria não só esclarece a estabilidade dos anéis de Saturno, como pode revelar mais sobre as idades e condições de outros planetas e asteroides que também possuem anéis.

Ordenado
Saturno é cercado por anéis imensos construídos de pedaços de água congelada, com uma pitada de material rochoso. Os anéis podem atingir uma largura de 300 mil quilômetros, e as partículas podem viajar a milhares de quilômetros por hora. Os pesquisadores descobriram que as partículas dos anéis são soltas e porosas. Quando duas partículas se chocam, se estiverem se movendo lentamente o suficiente, irão se fundir em uma só. Mas, se estiverem se movendo muito rapidamente, vão se destroçar. O novo modelo mostra matematicamente como este comportamento simples está de acordo com a distribuição estranhamente precisa de tamanhos de partículas nos anéis.

Regra de 3
Desde os anos 1980, os pesquisadores observam uma relação estrita nos tamanhos de partículas nos anéis de Saturno, que segue aproximadamente uma “lei do cubo inverso. Por exemplo, uma partícula de duas vezes maior do que a outra será oito vezes menos comum, e uma partícula três vezes maior será 27 vezes menos comum. Os cientistas descobriram que a distribuição das partículas de acordo com seu tamanho também segue de forma semelhante esta regra de 3 (entre 2,75 e 3,5).

Concepção artística das partículas dentro dos anéis de Saturno
Concepção artística das partículas dentro dos anéis de Saturno

Sistema universal
A regra é ainda mais ampla do que os pesquisadores inicialmente pensaram: há apenas dois anos, eles descobriram que os asteroides têm anéis também. Chariklo e Chiron, por exemplo, seguem o modelo de Saturno. Esses asteroides são muito menores do que o planeta, mas seus anéis não só são parecidos como têm distribuições similares de partículas, o que sugere que o modelo é bastante universal. No entanto, ele pode não se aplicar a sistemas com um número excessivo de colisões ou com muito poucas colisões e, portanto, mais investigação observacional seria necessária para ver quais sistemas de anéis são contrários ao modelo.

Como anéis se formam
O modelo também pode ensinar mais aos pesquisadores sobre planetas e asteroides. “Agora sabemos como os anéis devem ser construídos. Suponha que descobrimos novos anéis, de algum planeta. Apenas pela medição da distribuição do tamanho das partículas no anel, podemos dizer se ele é jovem ou se já experimentou algum impacto catastrófico no passado. Se a distribuição segue a forma de cubo inverso, nada aconteceu nos últimos 10 mil anos”, disse Nikolai Brilliantov, matemático da Universidade de Leicester, na Inglaterra, e principal autor do estudo.

Além disso, ao olhar para o tamanho máximo das partículas, os pesquisadores podem ser capazes de aprender mais sobre as substâncias a partir das quais os anéis se formam. Segundo Jeff Cuzzi, cientista interdisciplinar da missão Cassini que não esteve envolvido no estudo, o novo trabalho confirma pesquisas anteriores sobre como os anéis de Saturno se formam, e descreve-o em um sentido matemático mais geral. “A conclusão geral até à data é que as partículas são soltas e não sólidas, e que as distribuições de tamanho que vemos não são primordiais, mas são altamente evoluídas por dinâmicas locais”, disse.

Mais anéis precisam ser estudados
Conforme o processo de medir anéis distantes for repetido em mais planetas e asteroides, a equipe vai ter mais e mais situações para alimentar o modelo. Os anéis de Saturno chegaram a um estado estável, mas outros anéis no universo podem não ser tão bem estabelecidos: Brilliantov diz que o próximo passo é aprofundar como anéis evoluem com o tempo para chegar a um equilíbrio. “Em nosso sistema solar, há uma abundância de anéis que não são explorados”, afirma. “Se tivermos informações suficientes, podemos aplicar uma teoria mais complicada, bonita e abrangente para esses sistemas”.
Fonte: Hypescience.com

Sonda Rosetta registra ejeção de matéria do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko

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A sonda Rosetta da Agência Espacial Europeia tem testemunhado um grande crescimento na atividade do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, à medida que o cometa se aproxima do seu periélio, ou seja, o ponto na sua órbita, mais próximo do Sol. No dia 29 de Julho de 2015, enquanto a sonda estava a uma distância de 186 km  do cometa, ela observou o mais dramático jato de matéria já expelido pelo cometa até o momento. Resultado científicos coletados durante a ejeção de matéria, vieram de alguns instrumentos localizados na sonda Rosetta, incluindo o Double Focusing Mass Spectrometer (DFMS). O DFMS é parte do instrumento ROSINA da Rosetta, o Rosetta Orbiter Spectrometer for Ion and Neutral Analysis. Quando a ejeção de matéria ocorreu, o espectrômetro registrou mudanças sérias na composição dos gases provenientes do cometa, quando comparada com as medidas feitas dois dias antes.

 Como resultado da ejeção de matéria, a quantidade de dióxido de carbono aumentou de um fator de dois, de quatro para o metano, e de sete para o sulfeto de hidrogênio, enquanto a quantidade de água se manteve constante. A primeira olhada rápida, nas nossas medidas depois da ejeção de matéria é fascinante”, disse Kathrin Altwegg, principal pesquisador para o instrumento ROSINA da Universidade de Bern, na Suíça. “Nós também observamos pistas de material orgânico pesado depois da ejeção de matéria que pode estar relacionado com a poeira ejetada. Mas enquanto estamos pensando que nós estamos detectando material que pode ter sido arrancado da superfície do cometa, é muito cedo também para dizer ao certo se é esse o caso”.

Uma sequência de imagens feita pela câmera OSIRIS da Rosetta mostra o repentino jato emergindo da parte lateral do pescoço do cometa. O jato, o mais brilhante visto até o momento, foi registrado na imagem feita às 10:24 do dia 29 de Julho de 2015, hora de Brasília, mas não em uma imagem feita 18 minutos antes. O jato então se apagou de forma significante, em uma imagem feita 18 minutos depois. A equipe da câmera OSIRIS estima que o jato de material viajou a uma velocidade de 10 metros por segundo, no mínimo.

Nessa quinta-feira, dia 13 de Agosto de 2015, o cometa e a sonda Rosetta passarão a cerca de 186 milhões de quilômetros do Sol – o mais próximo do Sol que a dupla chegará em sua órbita de 6.5 anos. Em meses recentes, o aumento da energia solar tem aquecido os gelos do cometa – transformando-os em gás – que é expelido para o espaço, levando poeira junto. O período ao redor do periélio é cientificamente muito importante, à medida que a intensidade da luz do Sol aumenta e partes dos cometas que passaram anos nas sombras estão agora sendo inundadas pela luz do Sol. A atividade geral do cometa é esperada que alcance o pico nas semanas depois do periélio.

Os cometas são cápsulas do tempo contendo o material primitivo deixado para trás na época quando o Sol e os planetas se formaram. O módulo de pouso Philae, da Rosetta, obteve as primeiras imagens feitas da superfície de um cometa e fornecerá análises da possível composição primordial do cometa. A Rosetta é a primeira sonda a testemunhar de tão próximo como um cometa muda à medida que é sujeito a um aumento da intensidade da radiação do Sol. As observações estão ajudando os cientistas a aprenderem mais sobre a origem e evolução do nosso Sistema Solar, e o papel que os cometas podem ter tido na semeação da Terra, com água e até mesmo com a vida.

A Rosetta, é uma missão da Agência Espacial Europeia com contribuições dos estados membros e da NASA. O Laboratório de Propulsão a Jato, em Pasadena, na Califórnia, uma divisão do Instituto de Tecnologia da Califórnia, gerencia a contribuição norte-americana da missão Rosetta para o Science Mission Directorate da NASA e abriga seu principal pesquisador, Samuel Gulkis. O Southwest Research Institute, em San Antonio e Boulder, desenvolveu os instrumentos IES e ALICE da Rosetta e abriga seus principais pesquisadores, James Burch (IES) e Alan Stern (Alice).
Fonte: NASA

Há um ano que a ROSETTA orbita o cometa 67P/C-G

Momentos chave do primeiro ano da Rosetta em órbita do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS PS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA; ESA/Rosetta/NavCam; sonda: ESA/ATG medialab


A missão Rosetta da ESA celebrou ontem um ano em redor do Cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko e a sua maior aproximação ao Sol ocorrerá para a semana. Foi uma viagem longa mas emocionante para a Rosetta desde o seu lançamento em 2004. Passou pela Terra, por Marte e por dois asteroides antes de alcançar o seu destino final no dia 6 de agosto de 2014. Nos meses seguintes, a missão tornou-se a primeira a orbitar um cometa e a primeira a pousar suavemente um módulo - o Philae - à superfície. As equipas da missão tiveram que superar muitos desafios, tiveram que aprender a voar num ambiente imprevisível e por vezes inóspito. A sonda enviou um tesouro de dados científicos deste cometa intrigante, abrangendo o seu interior, a sua superfície dramática e a nuvem circundante de poeira, gás e plasma.

"Esta missão é sobre descobertas científicas e todos os dias temos algo novo para admirar e tentar compreender," afirma Nicolas Altobelli, cientista do projeto Rosetta. "Um ano de observações perto do cometa forneceu-nos uma riqueza de informações e estamos ansiosos por mais um ano de exploração. Os destaques, até agora, incluem a descoberta de que o vapor de água do cometa tem um "sabor" diferente dos oceanos da Terra, alimentando o debate sobre o possível papel dos cometas e asteroides que forneceram água ao nosso planeta ao longo da sua história.

A primeira deteção de azoto (ou nitrogénio) molecular num cometa forneceu pistas importantes sobre o ambiente de temperatura durante o "nascimento" do cometa. O azoto molecular era comum durante a formação do Sistema Solar, mas necessitava temperaturas muito baixas para ficar preso no gelo, de modo que as medições da Rosetta suportam a teoria que os cometas são originários da fria e distante Cintura de Kuiper. Os dados recolhidos pela Rosetta e pelo Philae durante a descida à superfície permitiram aos cientistas deduzir que o núcleo do cometa não é magnetizado, pelo menos em grandes escalas. Apesar de se pensar que os campos magnéticos desempenharam uma função importante no movimento de pequenos grãos magnetizados de poeira no Sistema Solar jovem, as medições da Rosetta e do Philae mostram que não continuaram a desempenhar um papel significativo quando as partículas formaram blocos maiores com vários metros de diâmetro.

Estes são apenas alguns dos inúmeros exemplos de descobertas científicas da Rosetta e a maioria vem de dados obtidos durante o início das atividades cometárias. Agora, o cometa e a sonda estão a uma semana do periélio, o ponto da sua órbita de 6,5 anos em que está mais próximo do Sol. No dia 13 de agosto, estarão a 186 milhões de quilómetros do Sol, cerca de um-terço da distância do encontro de há um ano atrás. O período de tempo em redor do periélio é cientificamente muito importante, pois o calor do Sol e a resultante saída de gás e poeira atingem o máximo, fornecendo pistas importantes sobre este momento chave no ciclo de vida total do cometa," comenta Nicolas.

"Por exemplo, as mudanças à superfície podem revelar material fresco que ainda não foi alterado pela radiação solar ou pelos raios cósmicos, dando-nos uma janela sobre as camadas subsuperficiais do cometa - esta será a primeira vez na exploração de cometas que as mudanças à superfície podem ser monitorizadas em relação ao aumento de atividade. A Rosetta tem estudado o aumento de atividade ao longo dos últimos meses, à medida que os seus gelos aquecem, tornam-se em gás e são expelidos para o espaço, arrastando poeira cometária. Juntos, o gás e a poeira criam uma atmosfera difusa, ou cabeleira, em redor do núcleo e uma longa cauda que estende-se por mais de 120.000 km para o espaço, cauda esta que só pode ser vista de longe.

A Rosetta tem um lugar de destaque no estudo de onde e como esta atividade surge à superfície do cometa. No início de 2015, a sonda passou a apenas 6 km para levar a cabo algumas medições, mas à medida que o nível de gás e poeira aumentava, a Rosetta foi forçada a estudar o cometa a partir de distâncias mais seguras, e opera atualmente entre os 250 e os 300 km. À medida que o periélio se aproxima, as operações perto do cometa provaram ser especialmente difíceis: o aumento do nível de poeira cometária confunde os navegadores estelares da Rosetta e, sem estes a funcionarem corretamente, a Rosetta não consegue orientar-se devidamente no espaço," afirma Sylvain Lodiot, gestor das operações da Rosetta.

"Todas as equipas envolvidas, incluindo o controlo de voo, dinâmica de voo e operações científicas, tiveram que aprender a adaptar-se a estas condições em tempo real. Tivemos que repensar totalmente o modo como operamos a sonda e tivemos que planear as atividades científicas em escalas de apenas alguns dias ou semanas. Tem sido um grande desafio, mas certamente torna a missão ainda mais emocionante."

Um aspeto importante do estudo a longo prazo da Rosetta será a observação da diminuição da atividade cometária nos meses que se seguem ao periélio. A esperança é que a Rosetta acabará por ser capaz de se aproximar, novamente, do núcleo e ver como a superfície mudou durante o encontro próximo com o Sol. Um ano depois da chegada, a Rosetta acumulou uma série de êxitos impressionantes," desde a aterragem do Philae, até às muitas descobertas científicas e consequentes publicações," acrescenta Patrick Martin, gestor da missão Rosetta. A colheita científica deve continuar até ao próximo ano, enquanto observamos o comportamento pós-periélio do cometa, antes do grande final da Rosetta, marcado para setembro de 2016, quando planeamos fazer pousar a sonda no cometa."
Fonte: Astronomia Online


Cientistas não confirmam planeta rochoso em Alpha Centauro

Alpha Centauro BB
Em 2012, uma equipe de astrônomos europeus anunciou a existência de um novo planeta a apenas 4.3 anos-luz da Terra, mas até agora não foram encontradas evidências concretas da sua existência. Afinal, o que está acontecendo em Alpha Centauro?
Vista a olho nu, a estrela Alpha da constelação do Centauro é apenas um ponto brilhante no céu, mas observada através de telescópio, mesmo de pequeno porte, é possível observar mais uma estrela próxima. Juntas, formam um sistema estelar binário onde Alpha Centauro A e Alpha Centauro B orbitam uma ao redor da outra a cada 80 anos. No entanto, se observarmos através de telescópios poderosos veremos que esse sistema possui ainda mais uma estrela - Alpha Centauro C - que leva cerca de 1 milhão de anos para orbitar as outras duas.

Em 2012, após cinco anos de pesquisa, uma equipe de cientistas ligados a diversas instituições europeias, em especial ao Observatório de Genebra, anunciou a possibilidade de que um planeta poderia estar orbitando a estrela Alpha Centauro B. A afirmação estava baseada nas medições de velocidade radial da estrela, uma técnica usada pelos astrofísicos que analisa a forma como a força gravitacional de um planeta faz oscilar a estrela a ele qual orbita. Em outras palavras, estudando o "puxão" que o planeta dá em sua estrela.

Naquela ocasião, os astrônomos fizeram 495 observações e concluíram que as oscilações observadas em Alpha Centauro B estavam sendo provocadas por um planeta rochoso, batizado de Alpha Centauro Bb.  O problema é que as medições feitas na ocasião não eram conclusivas e diversos institutos passaram a observar a luz emitida por Alpha Centauro B, na esperança de que a passagem do suposto planeta na frente do disco estelar fizesse diminuir a quantidade de fótons captados pelos instrumentos, o que confirmaria a presença de um objeto em sua orbita.

Durante 2013 e 2014, a equipe do cientista Brice-Oliver Demory, da Universidade de Cambridge, observou sistematicamente a estrela Alpha Centauro B e o resultado não foi nada animador. Segundo Demory, os dados coletados em 2013 mostraram possíveis sinais de um trânsito planetário, mas pareceu durar mais tempo do que o esperado. Além disso, a validade estatística do sinal desapareceu quando combinado com os dados de 2014. Para Demory, isso não significa que Bb não esteja lá, mas que possa ser impossível de vê-lo da Terra.

"Isso nos deixa com um quebra-cabeça a ser resolvido, pois não temos certeza sobre o que causou o possível trânsito registrado em 2013", explicou Demory, que também descartou a hipótese de interferência óptica provocada por Alpha Centauro A.  No entender dos pesquisadores, a única explicação que resta é que há de fato um planeta no sistema, provavelmente similar à Terra e com um ano não superior a 20,4 dias, mas que ainda não foi possível de ser observado ou detectado de forma inequívoca, uma espécie de planeta-x, mas de outro Sistema Solar.
Fonte: APOLO11.COM - http://www.apolo11.com/

Mapeando a morte lenta do Universo

Rastreio GAMA divulga primeiros dados na Assembleia Geral da UAI
Esta imagem composta mostra como é que uma galáxia típica aparece a diferentes comprimentos de onda no rastreio GAMA. Este enorme projeto mediu a produção de energia de mais de 200.000 galáxias, representando a estimativa mais completa de produção de energia no Universo próximo. Os resultados confirmam que a energia produzida nesta região do Universo de hoje é apenas cerca de metade da produzida há dois mil milhões de anos atrás e mostram que este desvanecimento ocorre em todos os comprimentos de onda que vão desde o ultravioleta ao infravermelho longínquo. Crédito: ICRAR/GAMA e ESO

Uma equipe internacional de astrônomos estudou mais de 200 000 galáxias e mediu a energia gerada numa enorme região do espaço com a maior precisão até hoje. Este estudo representa a estimativa mais completa de produção de energia no Universo próximo. A equipe confirmou que a energia produzida nesta região do Universo de hoje é apenas cerca de metade da produzida há dois bilhões de anos atrás e descobriu que este enfraquecimento ocorre em todos os comprimentos de onda que vão desde o ultravioleta ao infravermelho longínquo. O Universo está morrendo lentamente.

O estudo envolve muitos dos telescópios mais poderosos do mundo, incluindo o VISTA e o VST — os telescópios de rastreio do ESO, instalados no Observatório do Paranal, no Chile. Observações de suporte foram obtidas por dois telescópios espaciais operados pela NASA (GALEX e WISE) e por um outro pertencente à Agência Espacial Europeia (Herschel). Este trabalho realizou-se no âmbito do projeto Galaxy And Mass Assembly (GAMA), o maior rastreio já realizado em múltiplos comprimentos de onda.

Usamos tantos telescópios terrestres e espaciais quanto nos foi possível para medir a produção de energia de cerca de 200 000 galáxias ao longo do maior intervalo de comprimentos de onda possível,” disse Simon Driver (
ICRAR, The University of Western Australia), que lidera a enorme equipe GAMA. Os dados do rastreio, apresentados aos astrônomos de todo o mundo hoje, incluem medições de produção de energia de cada galáxia em 21 comprimentos de onda, que cobrem a região que vai desde o ultravioleta ao infravermelho longínquo. Esta base de dados ajudará os cientistas a compreender melhor como é que os diferentes tipos de galáxias se formam e evoluem.

Toda a energia do Universo foi criada durante o Big Bang, sendo que uma parte foi criada como massa. As estrelas brilham ao converter massa em energia, tal como descrito na famosa equação de Einstein E=mc2.
O estudo GAMA pretendeu mapear e modelizar toda a energia gerada no interior de um enorme volume de espaço, hoje e em diferentes épocas do passado.

Enquanto a maior parte da energia espalhada pelo Universo surgiu no seguimento do Big Bang, energia adicional está sendo constantemente criada pelas estrelas à medida que estas fusionam elementos como o hidrogênio e o hélio,” disse Simon Driver. “Esta nova energia, ou é absorvida pela poeira à medida que viaja pela sua galáxia hospedeira, ou escapa para o espaço intergalático e viaja até atingir alguma coisa, como por exemplo outra estrela, um planeta ou, muito ocasionalmente, um espelho de telescópio.”

O fato do Universo estar em declínio lento é algo conhecido desde o final da década de 1990, mas este trabalho mostra que este processo está acontecendo em todos os comprimentos de onda desde o ultravioleta ao infravermelho, representando assim a estimativa mais completa de produção de energia no Universo próximo. O Universo irá declinar a partir de agora, aproximando-se lentamente da velhice. Basicamente podemos dizer que o Universo se sentou no sofá, cobriu os joelhos com uma manta e está prestes a adormecer, caindo no sono eterno,” conclui Simon Driver.

A equipe de pesquisadores espera poder expandir este trabalho mapeando a produção de energia ao longa de toda a história do Universo, utilizando para isso uma quantidade de novas instalações, incluindo o maior rádio telescópio do mundo, o
Square Kilometre Array, o qual será construído na Austrália e na África do Sul durante a próxima década. A equipe apresentará este trabalho na XXIX Assembleia Geral da União Astronômica Internacional em Honolulu, Hawai, na segunda-feira, dia 10 de agosto de 2015.
Fonte: ESO


6 de ago de 2015

O fantasma de uma estrela moribunda


A nebulosa planetária ESO 378-1Crédito:ESO

Embora esta bolha extraordinária, que brilha como o fantasma de uma estrela na vastidão negra do espaço, pareça sobrenatural e misteriosa, trata-se simplesmente de um objeto astronômico familiar: uma nebulosa planetária, isto é os restos de uma estrela moribunda. Esta é a melhor imagem feita até hoje de ESO 378-1, um objeto pouco conhecido, e foi obtida com o Very Large Telescope do ESO no norte do Chile. Conhecida por Nebulosa da Coruja do Sul, esta orbe reluzente é uma nebulosa planetária com um diâmetro de quase quatro anos-luz. Este nome informal tem a ver com a sua "prima visual" que se encontra no hemisfério norte, a Nebulosa da Coruja. A ESO 378-1, também catalogada como PN K 1-22 e PN G283.6+25.3, situa-se na constelação da Hidra.

Tal como todas as
nebulosas planetárias, a ESO 378-1 trata-se de um fenômeno relativamente curto, com uma duração de apenas algumas dezenas de milhares de anos — isto comparado com a vida típica de uma estrela que é de vários bilhões de anos. As nebulosas planetárias formam-se a partir de gás que é ejetado por estrelas moribundas e que se expande. Embora sejam objetos brilhantes e intrigantes nas fases iniciais da sua formação, estas bolhas desvanecem à medida que o seu gás constituinte se afasta e a estrela central se vai tornando cada vez mais tênue. Para que uma nebulosa planetária se forme, a estrela que lhe dá origem tem que ter uma massa inferior a 8 vezes a massa do Sol. Estrelas com mais massa do que este valor terminarão as suas vidas de forma dramática em explosões de supernovas.

À medida que estas estrelas menos massivas vão envelhecendo começam a perder as suas camadas de gás mais exteriores sob a forma de
ventos estelares. Após a dissipação da maioria destas camadas exteriores, o núcleo estelar quente que resta começa a emitir radiação ultravioleta que, por sua vez, ioniza o gás circundante. Esta ionização faz com que a concha de gás em expansão comece a brilhar em cores vivas. Depois do desvanecimento da nebulosa planetária, o resto estelar que sobra irá ainda queimar o que lhe resta de combustível durante cerca de um bilhão de anos, transformando-se depois numa minúscula — mas quente e muito densa — anã branca que irá arrefecendo lentamente ao longo de bilhões de anos. O Sol dará origem a uma nebulosa planetária daqui a vários bilhões de anos, transformando-se posteriormente numa anã branca.

As nebulosas planetárias desempenham um papel crucial no enriquecimento químico e evolução do Universo. Estes objetos devolvem o material das estrelas, onde novos elementos tais como o carbono e o nitrogênio, assim como outros elementos pesados, foram criados, ao meio interestelar. É deste material que se formam novas estrelas, planetas e eventualmente vida. Daí a famosa frase do astrônomo Carl Sagan: Somos feitos de poeira de estrelas.”

Esta imagem foi obtida no âmbito do programa
Jóias Cósmicas do ESO, uma iniciativa que visa obter imagens de objetos interessantes, intrigantes ou visualmente atrativos, utilizando os telescópios do ESO, para efeitos de educação e divulgação científica. O programa utiliza tempo de telescópio que não pode ser usado em observações científicas. Todos os dados obtidos podem ter igualmente interesse científico e são por isso postos à disposição dos astrônomos através do arquivo científico do ESO.
Fonte: ESO


Descoberta a maior coisa do universo

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Uma equipe de astrônomos descobriu o que parece ser a maior “coisa” no universo observável: um anel de nove explosões de raios gama, com cinco bilhões de anos-luz de diâmetro. Explosões de raios gama (ERGs) são os eventos mais luminosos do universo, liberando tanta energia em poucos segundos quanto o sol durante sua vida útil de 10 bilhões de anos. Os cientistas creem que as ERGs são o resultado de estrelas massivas colapsando em buracos negros.


Explosões enormes
As ERGs que formam o anel recém-descoberto foram encontradas utilizando uma variedade de observatórios espaciais e terrestres. Elas parecem estar a distâncias muito similares de nós – cerca de 7 bilhões de anos-luz – em um círculo de 36° em todo no céu, ou mais de 70 vezes o diâmetro da lua cheia. Isto implica que o anel tem mais de 5 bilhões de anos-luz de diâmetro. De acordo com o principal autor do estudo, Lajos Balazs do Observatório Kokoly em Budapeste, na Hungria, há uma probabilidade de 1 em 20.000 das ERGs estarem nesta distribuição por acaso.

Maior que isso, maior que aquilo
Os modelos astronômicos atuais indicam que a estrutura do cosmos é uniforme em escalas maiores. Este princípio é apoiado por observações do início do universo e sua assinatura de micro-ondas. No entanto, a nova descoberta desafia esse princípio, que define um limite teórico de 1,2 bilhões de O anel poderia ser na verdade a projeção de uma esfera, na qual as ERGs ocorreram todas dentro de um período de 250 milhões de anos, um tempo curto se comparado com a idade do universo. Uma projeção de anel esferoidal iria espelhar as cordas de aglomerados de galáxias que cercam espaços vazios no universo. Esses vazios e formações da corda são preditos por muitos modelos do cosmos, mas, novamente, o anel recém-descoberto é pelo menos dez vezes maior do que os vazios conhecidos.

Rever tudo?
“Se estivermos certos, esta estrutura contradiz os modelos atuais do universo. Foi uma surpresa encontrar algo tão grande, e nós ainda não entendemos muito bem como ele veio a existir”, afirma Balazs. O próximo passo da pesquisa é descobrir mais sobre o anel, e verificar se os processos conhecidos para a formação de galáxias e estruturas de grande escala poderiam ter levado a sua criação, ou se os astrônomos precisam revisar radicalmente suas teorias da evolução do cosmos.
Fonte: Hypecience.com
[ScienceDaily]


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