23 de fev de 2015

A lua está nos abandonando! Saiba por quê

lua está deixando a terra


Lua, não se vá!

Nós e a lua tivemos uma boa caminhada juntos. Pode-se dizer até que viemos do mesmo bairro. Há muito tempo, Theia, um objeto do tamanho de Marte, colidiu com a Terra e a lua foi formada a partir dos restos da colisão. Ou seja, nós crescemos juntos (se essa teoria for de fato a verdadeira para o surgimento do nosso satélite natural). De qualquer forma, contando desde o início, essa relação já dura por 4,5 bilhões de anos. Tivemos bons e maus momentos. Gravitacionalmente ligados, de braços dados, andamos dentro do carro da nossa família solar cruzando a galáxia. Agora vem a tragédia. A lua, a nossa lua, quer passear por horizontes mais brilhantes. Nós costumávamos ser muito mais próximos quando éramos mais jovens, é verdade, e o tempo parecia voar muito mais rápido.

Se pensarmos na época em que a lua e a Terra eram crianças, houve um momento em que um dia durava apenas 2 a 3 horas, e a lua estava muito mais perto de nós. Parecia que fazíamos tudo juntos naquela época. Mas, assim como as relações entre as pessoas, os relacionamentos de pedaços enormes de rocha também mudam. De fato, 620 milhões de anos atrás, um dia passou a ter 21 horas de duração. Agora, os dias se arrastam por 24 horas e estão ficando mais longos, e a lua já está a uma distância média de nós de 384.400 quilômetros. É quase longe demais.

Atualmente, a lua está se afastando de nós por 1 a 2 centímetros por ano. Não há apenas um efeito emocional por ver a nossa amiga de longa data nos deixando: há uma mudança física real acontecendo. Nossos dias estão ficando 1/500 de um segundo mais longos a cada século. Será que a lua encontrou alguém novo? Alguém mais atraente? Será que é por causa de Vênus, o planeta mais quente em todo o sistema solar?


Na verdade, essa é apenas uma progressão natural. É a gravidade e as forças de maré.


E não, isso não é uma metáfora. A Terra e a lua puxam uma a outra com as suas gravidades. Suas formas são distorcidas e a atração desta força das marés cria uma saliência. A Terra tem uma saliência virada para a lua, e a lua tem uma saliência mais significativa em direção à Terra. Essas saliências agem como alças para a gravidade, o que retarda sua rotação. O processo permitiu que a gravidade da Terra parasse a lua milhares de milhões de anos atrás. A lua ainda está trabalhando com a Terra para mudar isso, mas vai demorar um longo tempo antes de nos tornarmos presos à ela.

Nesta desaceleração da rotação, energia é perdida pela Terra. Esta energia é transferida para a lua, que está se acelerando, e quanto mais rápido algo orbita, mais e mais longe fica do objeto que está orbitando. No entanto, nossa relação ainda vai demorar um pouco para se desmanchar. 50 bilhões de anos a partir de agora, 45 bilhões de anos após o sol se cansar de nossas travessuras e se tornar uma gigante vermelha, quando os dias terão 45 horas de duração, a lua vai chegar à conclusão que nada mais está como antes e vai se mudar para seu novo apartamento, pronta para começar sua nova vida. Até lá, nós ainda teremos bons momentos juntos com nossa velha companheira.
Fonte: Phys

Descoberta a origem do campo magnético que cobre o sol

Imagem que mostra como o fluxo magnético é transmitido. Os contornos vermelhos indicam elementos de intra-rede que contribuem para a teia magnética geral, enquanto os contornos verdes mostram cancelações de fluxo. Os contornos azuis representam concentrações do campo magnético. A fronteira das células supergranulares é definida em rosa. Crédito: IAA-CSIC; M. Gosic et al.

O campo magnético que cobre o Sol e determina o seu comportamento - os ciclos de 11 anos que produzem fenómenos como manchas e tempestades solares - também tem outro lado: uma teia magnética que cobre toda a superfície do Sol em repouso e cujo fluxo magnético resultante é maior do que o das áreas ativas. Um estudo liderado pelo Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC) revelou de onde é que o fluxo que alimenta esta teia vem. O contorno da teia magnética solar coincide com os limites dos chamados supergrânulos, estruturas ligadas à existência de gás quente que sobe para a superfície (efeito semelhante às bolhas feitas por água a ferver) e com cerca de 20 mil km de diâmetro.

"Nós descobrimos que dentro destes supergrânulos, no que é conhecido como intra-rede, pequenos elementos magnéticos viajam para os limites exteriores e interagem com a rede," afirma Milan Gosic, investigador responsável pelo estudo. O acompanhamento destes elementos até agora pouco conhecidos foi por si só um avanço considerável, mas o cálculo da sua contribuição para a teia magnética solar veio como uma grande surpresa: estes pequenos elementos podem criar e transferir, no espaço de apenas 14 horas, todo o fluxo magnético detetado na teia. "Tendo em conta que apenas cerca de 40% deste fluxo acaba na teia, nós achamos que a intra-rede pode repor o fluxo da teia em 24 horas," afirma Louis Bellot (IAA-CSIC), membro da equipa de investigação.

O modelo até agora dominante postulava que, por um lado, os campos magnéticos da teia resultavam da deterioração de zonas ativas como as manchas solares e, por outro, de estruturas conhecidas como regiões efémeras, que fornecem uma série de fluxos mas que não são muito comuns. Nesse sentido, o estudo por Gosic et al. provocou uma mudança de paradigma porque mostrou que as regiões efémeras são demasiado escassas para ter um impacto significativo. "Ao longo de 40 horas detetámos apenas duas regiões efémeras, pelo que a sua contribuição à teia não pode ser mais do que 10% do fluxo total. Em contraste, os pequenos elementos na intra-rede são contínuos e claramente dominantes," explica Gosic (IAA-CSIC).

A descoberta foi feita no decurso de sequências temporais extraordinariamente longas de observação (cerca de 40 horas) com o satélite japonês de alta-resolução HINODE - um recorde para este tipo de instrumentos - que tornou possível o acompanhamento da evolução das células supergranulares durante toda a sua vida. Acredita-se que os elementos magnéticos da intra-rede e as suas interações com a teia possam ser responsáveis pelo aquecimento das camadas superiores da atmosfera solar, um dos problemas não resolvidos mais prementes da Física Solar," comenta Luis Bellot (IAA-CSIC). O estudo dos elementos magnéticos com dados do Hinode vão permitir uma utilização científica mais eficiente dos dados da missão SolO (Solar Orbiter) da ESA, para a qual a IAA-CSIC está a desenvolver o instrumento IMAX.
Fonte: Astronomia Online - Portugal

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