26 de fev de 2015

Novo mistério da Eta Carinae

 As duas estrelas Eta Carinae (pontos escuros): a menor parece estar perdendo massa

As duas estrelas Eta Carinae (pontos escuros): a menor parece estar perdendo massa

Observações recentes sugerem que algo de estranho parece estar ocorrendo com o astro de menor porte do sistema Eta Carinae, composto de duas estrelas gigantes, uma com 90 massas solares e outra com 30. Situado a 7.500 anos-luz da Terra, na constelação austral de Carina, à direita do Cruzeiro do Sul, o sistema é um dos mais misterioros da Via Láctea. A cada cinco anos e meio, a Eta Carinae deixa de brilhar por aproximadamente 3 meses em certas faixas do espectro eletromagnético, em especial nos raios X. O último apagão ocorreu no segundo semestre do ano passado e foi analisado em detalhes por equipes internacionais de astrônomos. Um estudo apresentado em janeiro, em Seattle, na 225ª reunião da Sociedade Astronômica Americana sugere que talvez a estrela secundária, a menor, pode estar perdendo massa e ser a responsável por uma alteração verificada no sistema.

“Os dados indicam que a intensidade das emissões produzidas por átomos de hélio duplamente ionizados (He II) não se alterou nos últimos cinco anos e meio, mas as emissões em raios X aumentaram sistematicamente nos últimos 16 anos”, diz o astrofísico brasileiro Mairan Teodoro, um dos autores do trabalho, pesquisador da Western Michigan University. Em princípio, o aumento na emissão de raios X poderia ser explicado por uma variação em  algum parâmetro de qualquer uma das duas estrelas. No entanto Teodoro e seus colegas têm evidências de que a alteração estaria associada a modificações  em curso na estrela secundária. Os pesquisadores acreditam que o aumento de raios X pode ser causado por uma intensificação na taxa de perda de massa da Eta Carinae menor.  Mas a hipótese ainda precisam ser confirmada.
Fonte: Pesquisa Fapesp

A nebulosa Rosette em hidrogênio e oxigênio

ngc2244_rottal_1280

A Nebulosa da Roseta não é a única nuvem cósmica de gás e poeira que lembra a imagem de flores no céu, mas certamente é a mais famosa. Localizada na borda da grande nuvem molecular de Monoceros, a cerca de 5000 anos-luz de distância da Terra, as pétalas dessa rosa são na verdade um berçário estelar que é simetricamente esculpido pelos ventos e pela radiação emitida por um aglomerado de estrelas centrais quentes e jovens. As estrelas no aglomerado energético, catalogado como NGC 2244 tem somente poucos milhões de anos de vida, enquanto que a cavidade central na Nebulosa da Rosetta, catalogada como NGC 2237 tem cerca de 50 anos-luz de diâmetro. A nebulosa pode ser observada com um pequeno telescópio apontado na direção da constelação do Unicórnio (Monoceros).

Cientistas descobrem buraco negro 12 bilhões de vezes maior que o Sol

Impressão artística do quasar com um buraco negro supermassivo no universo distante
Impressão artística do quasar com um buraco negro supermassivo no universo distante

Cientistas descobriram o quasar mais brilhante do início do universo, alimentado pelo buraco negro mais maciço conhecido da época. A equipe internacional liderada por astrônomos da Universidade de Pequim, na China e da Universidade do Arizona, nos EUA, nomeou o quasar SDSS J0100 + 2802. A descoberta é um passo importante na compreensão de como os quasares, os objetos mais poderosos do universo, têm evoluído desde o início do mundo, apenas 900 milhões de anos após o Big Bang.


O mistério do buraco gigante


A descoberta desse quasar desafia teorias científicas atuais de que os buracos negros e suas galáxias hospedeiras cresceram em sintonia em relação ao longo das eras. O buraco negro recém-descoberto tem 12 bilhões de massas solares e uma luminosidade de 420 trilhões de sóis. Ele está a uma distância de 12,8 bilhões de anos-luz da Terra. “O buraco negro contém o equivalente a cerca de 12 bilhões de sóis, mais do que o dobro da massa dos buracos negros encontrados previamente da mesma idade”, disse o pesquisador Bram Venemans, do Instituto Max Planck de Astronomia, na Alemanha. Em comparação, o buraco negro escondido no centro da nossa galáxia, a Via Láctea, tem cerca de 4 a 5 milhões de vezes a massa do sol.

Os cientistas não conseguem explicar como esse buraco negro cresceu tão rapidamente. Teoricamente, ele não poderia ter se alimentado de gás circundante tão rápido e o tanto que seria necessário para atingir o seu enorme tamanho sob as leis da física tal como as entendemos. Como pode um quasar tão luminoso, e um buraco negro tão grande, se formarem tão cedo na história do universo, em uma época logo após as primeiras estrelas e galáxias terem acabado de aparecer?”, questiona Xiaohui Fan, professor da Universidade do Arizona. “Este quasar ultraluminoso e o seu buraco negro supermassivo fornecem um laboratório exclusivo para o estudo da formação da massa em torno dos maiores buracos negros no início do universo”.


O quasar superbrilhante


Brilhando o equivalente a 420 trilhões de sóis, o novo quasar é sete vezes mais brilhante que o quasar mais distante conhecido (que está a 13 bilhões de anos de distância). “Este quasar foi descoberto pelo telescópio Lijiang de 2,4 metros em Yunnan, na China, tornando-se o único quasar já descoberto por um telescópio de 2 metros em tal distância, e nós estamos muito orgulhosos disso”, disse Feige Wang, estudante de doutorado da Universidade de Pequim. “A natureza ultraluminosa deste quasar nos permitirá fazer medições sem precedentes das condições de temperatura, estado de ionização e de metal do meio intergaláctico na época da reionização”.

Para desvendar ainda mais a natureza deste quasar notável, e para lançar luz sobre os processos físicos que levaram à formação dos primeiros buracos negros supermassivos, a equipe de pesquisa irá fazer novas investigações sobre o objeto espacial usando mais telescópios internacionais, incluindo o Telescópio Espacial Hubble e o Telescópio de Raios-X Chandra.
Fonte: Hypescience.com
[Phys, Reuters]
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...