3 de mar de 2015

Uma galáxia aparentemente velha num Universo jovem

Esta imagem obtida pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA mostra o rico enxame de galáxias Abell 1689. A enorme concentração de massa faz curvar a radiação emitida por objetos mais distantes, podendo aumentar o seu brilho total aparente e tornando-os visíveis. Um tal objeto, A1689-zD1, encontra-se no interior do quadrado, embora continue a ser tão ténue que é quase invisível nesta imagem.  Novas observações obtidas com o ALMA e o VLT do ESO revelaram que este objeto é uma galáxia poeirenta que está a ser observada quando o Universo tinha apenas 700 milhões de anos.  Crédito: NASA; ESA; L. Bradley (Universidade Johns Hopkins); R. Bouwens (University da Califórnia, Santa Cruz); H. Ford (Universidade Johns Hopkins) e G. Illingworth (University da California, Santa Cruz)

Uma das galáxias mais distantes observada até hoje deu aos astrónomos a primeira deteção de poeira num sistema com formação estelar muito longínquo, o que aponta para uma rápida evolução das galáxias depois do Big Bang. Nas novas observações utilizou-se o ALMA para capturar o fraco brilho da poeira fria na galáxia A1689-zD1 e o VLT (Very Large Telescope) do ESO para medir a distância a este objeto. Uma equipa de astrónomos, liderada por Darach Watson, da Universidade de Copenhaga, utilizou o instrumento X-shooter montado no VLT, assim como o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para observar uma das galáxias mais jovens e mais longínquas alguma vez encontradas. A equipa surpreendeu-se ao descobrir um sistema muito mais evoluído do que o esperado, com uma fração de poeira muito semelhante à de uma galáxia madura, como a Via Láctea.

Tal poeira é vital à vida, contribuindo para a formação de planetas, moléculas complexas e estrelas normais. O alvo das observações da equipa chama-se A1689-zD1, uma galáxia observável apenas devido ao facto do seu brilho estar a ser amplificado mais de nove vezes por uma lente gravitacional, sob a forma de um enxame de galáxias, Abell 1689, o qual se situa entre a jovem galáxia e a Terra. Sem este aumento gravitacional, o brilho desta galáxia muito ténue seria demasiado fraco para se poder detetar. Vemos A1689-zD1 quando o Universo tinha apenas cerca de 700 milhões de anos - ou seja, 5% da sua idade atual. É um sistema relativamente modesto - muito menos massivo e luminoso do que muitos outros objetos que foram anteriormente estudados nesta fase do Universo primordial e portanto uma galáxia mais típica dessa altura.

A1689-zD1 está a ser observada tal como era no período da reionização, altura em que as primeiras estrelas trouxeram uma madrugada cósmica, iluminando pela primeira vez um Universo imenso e transparente e acabando com o extenso período de estagnação chamado Idade das Trevas. Esperava-se que a galáxia se parecesse com um sistema recém-formado, mas afinal os observadores ficaram surpreendidos ao descobrir uma rica complexidade química e abundância de poeira interestelar. "Depois de confirmada a distância à galáxia com o auxílio do VLT," disse Darach Watson, "percebemos que este objeto já tinha sido observado anteriormente pelo ALMA. Não esperávamos encontrar grande coisa, mas posso dizer que ficámos todos muito entusiasmados quando percebemos que não só o ALMA já a tinha observado, como se tratava de uma deteção muito clara.
Esta imagem composta inclui dados no infravermelho obtidos com o instrumento WFC3 do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA e dados no visível. Mostra-nos uma vista de pormenor de parte do enxame de galáxias Abell 1689. A enorme concentração de massa faz curvar a radiação emitida por objetos mais distantes, podendo aumentar o seu brilho total aparente e tornando-os visíveis. Um tal objeto, A1689-zD1, aparece na imagem com uma forma alongada e uma cor avermelhada, visível no interior do quadrado. Novas observações obtidas com o ALMA e o VLT do ESO revelaram que A1689-zD1 é uma galáxia poeirenta que está a ser observada quando o Universo tinha apenas 700 milhões de anos. A sua radiação está a ser ampliada mais de nove vezes pelo efeito de lente gravitacional massivo do enxame. Crédito: ESO/J. Richard

Um dos objetivos principais do Observatório ALMA era encontrar galáxias no Universo primordial através das suas emissões de gás frio e poeira - e aqui está!. Esta galáxia é um bebé cósmico - mas que provou ser precoce. Com esta idade esperar-se-ia que apresentasse uma falta de elementos químicos mais pesados - qualquer elemento mais pesado que o hidrogénio ou o hélio define-se em astronomia como metal. Estes elementos são produzidos no interior das estrelas e espalhados por toda a parte quando as estrelas explodem ou morrem de qualquer forma. Este processo tem que se repetir por muitas gerações estelares para produzir uma abundância significativa de elementos pesados, tais como o carbono, oxigénio ou azoto.Surpreendentemente, a galáxia A1689-zD1 parecia emitir imensa radiação no infravermelho longínquo, indicando assim que já tinha produzido muitas das suas estrelas e quantidades significativas de metais, revelando que não só continha poeira, mas também possuía uma razão poeira-gás semelhante à de galáxias muito mais maduras.

"Embora a origem exata da poeira galáctica permaneça obscura," explica Darach Watson, "a nossa descoberta indica que a sua produção ocorre muito rapidamente, num período de apenas 500 milhões de anos desde o início da formação estelar no Universo - um intervalo de tempo muito curto em termos cosmológicos, já que a maioria das estrelas vivem durante milhares de milhões de anos. Os resultados sugerem que A1689-zD1 tem estado a formar estrelas de modo consistente a uma taxa moderada desde uma altura de cerca de 560 milhões de anos depois do Big Bang, ou alternativamente passou por um período extremo muito rápido de formação estelar explosiva antes de iniciar a fase de declínio da formação estelar. Antes deste resultado, havia a preocupação de que tais galáxias longínquas poderiam não ser detetadas, no entanto A1689-zD1 foi detetada usando apenas observações breves do ALMA.

Kirsten Knudsen (Universidade Chalmers de Tecnologia, Suécia), coautora do artigo científico que descreve estes resultados, acrescenta: "Esta extraordinária galáxia poeirenta parece ter tido muita pressa em formar as suas primeiras gerações de estrelas. No futuro, o ALMA será capaz de nos ajudar a encontrar mais galáxias como esta, de modo a que possamos perceber o que é que as leva a querer "crescer" tão depressa."
Fonte:ESO



Confira alguns fatos e curiosidades sobre o Sol, o nosso Astro-Rei


A nossa vida, e de todos os seres vivos do mundo (e quem sabe de outro planeta), depende do Sol. O nosso Astro-Rei fornece a luz e o calor necessários para que as vegetações possam germinar e crescer, o que nos proporciona oxigênio e fonte de alimentos para os humanos e animais. É a luz do Sol também que guia o nosso relógio biológico, que ativa a vitamina D necessária para a nossa saúde, além de tantas outras funções que tornam possíveis a vida das pessoas, dos animais, das plantas e de micro-organismos. Sua importância é tão imensa e essencial que ao longo da história humana o Sol foi adorado como o Deus primordial de vários povos.


Dimensões e intensidade


 O Sol é puro calor e energia em altíssimas escalas. Ele reina absoluto como o maior objeto do nosso sistema. De acordo com dados do Space.com, o astro detém 99,8% da massa do Sistema Solar, sendo essa 332.900 vezes maior que a da Terra. Para ter uma ideia da sua dimensão, se o Sol fosse oco, ele poderia ser preenchido com 960 mil Terras esféricas! Em se tratando do caldeirão ardente que o Sol é, a sua parte externa e visível (a fotosfera) emana um calor entre 5.500 a 6 mil graus Celsius, enquanto as temperaturas no núcleo podem chegar a mais de 15 milhões de graus Celsius, sendo esse valor impulsionado por reações nucleares. Para fins de comparação, seria necessário explodir 100 bilhões de toneladas de dinamite por segundo para coincidir com a energia produzida pelo Sol, de acordo com os cálculos da NASA. Na questão de sua trajetória, o Sol orbita o centro da Via Láctea a uma distância de cerca de 24 a 26 mil anos-luz do centro galáctico, completando uma órbita entre 225 a 250 milhões de anos (um ano galáctico).


Formação


O Sol surgiu há cerca de 4,6 bilhões de anos, sendo uma das mais de 100 bilhões de estrelas existentes na Via Láctea. Segundo o Space.com, muitos cientistas acreditam que o Sol e o resto do sistema solar se formaram a partir de uma nuvem rotativa de gás e poeira gigante conhecida como a nebulosa solar. Assim que a nebulosa entrou em colapso por causa de sua gravidade, passando a girar muito rápido e se tornando achatada como um disco, a maior parte do material foi puxada em direção ao centro para formar o Sol. E assim o Astro-Rei surgiu. Mas por quanto tempo ele pode reinar?

Segundo os cálculos dos astrônomos, o Sol tem combustível nuclear suficiente para permanecer como está atualmente por mais 5 bilhões de anos. Depois desse período, ele vai se expandir para se tornar uma gigante vermelha. Após essa fase, ele vai perder suas camadas exteriores e o núcleo restante entrará em colapso para se tornar, por fim, uma anã branca — que vai desaparecer aos poucos, entrando na fase final de anã negra.


Atmosfera e estruturas


Você sabe como o Sol e a sua atmosfera estão divididos? São várias zonas e camadas que formam a grande estrela de calor do nosso sistema. No interior dele, existe o núcleo, a zona de radiação e a zona de convecção. Já a atmosfera do Sol é formada pela fotosfera, cromosfera, uma região de transição e a coroa solar — também chamada de coroa branca ou coroa de Fraunhoffer. A coroa solar é o envoltório iluminado que vemos quando acontece um eclipse, sendo composta por plasma com aproximadamente 2 milhões de graus Celsius. Essa alta temperatura contribui para a formação dos ventos solares que acontece pela emanação dos gases a partir da coroa.

Sobre o núcleo, ele se estende do centro do Sol para cerca de um quarto do caminho para sua superfície. Em seguida, vem a zona de radiação, que se estende a partir do núcleo para 70% do caminho para a superfície do Sol, compondo 32% do seu volume e 48% da sua massa. A luz do núcleo fica espalhada nesta zona. Já a zona de convecção chega até a superfície, tornando-se 66% do volume do Sol, mas tem apenas um pouco mais de 2% da sua massa. As turbulentas "células de convecção" de gás dominam esta zona, sendo que as principais são as de granulação (com cerca de mil quilômetros de largura) e as de supergranulação, com 30 mil quilômetros de diâmetro.


Camadas


Em se tratando das camadas da atmosfera do Sol, a fotosfera é a mais baixa e emite a luz que vemos, tendo cerca de 500 quilômetros de espessura. As temperaturas na faixa de fotosfera são de 6.125 ºC na parte mais baixa e cerca de 4.125 ºC na parte superior. Seguida da fotosfera vem a cromosfera, que é mais quente, alcançando temperaturas de até 19.725 graus Celsius, sendo aparentemente composta de estruturas pontiagudas conhecidas como espículas, que têm cerca de mil quilômetros de diâmetro e até dez mil quilômetros de altura. Depois da cromosfera, vem a região de transição, uma camada mais fina, que tem cerca de duzentos quilômetros de espessura, onde a temperatura aumenta rapidamente, lançando a maior parte de sua luz como raios ultravioleta.

 E, por fim, no topo está a coroa e a heliosfera, que se expandem continuamente para o espaço ao redor. Na questão do campo magnético, ele é apenas duas vezes mais forte do que o da Terra. No entanto, torna-se altamente concentrado em pequenas áreas, podendo atingir forças até 3 mil vezes maiores do que o habitual. E do que exatamente o Sol é composto? Segundo os astrônomos e cientistas, assim como a maioria das outras estrelas, o Sol é composto principalmente de hidrogênio, seguido por hélio. Quase todo o restante da matéria consiste em sete outros elementos: oxigênio, carbono, neon, nitrogênio, magnésio, ferro e silício.


As manchas e os ciclos solares


O Sol também possui uma característica bastante marcante: as manchas solares. Elas são regiões mais escuras da superfície por possuírem temperaturas mais baixas. Sendo mais frias, sua aparência é percebida, sendo geralmente circulares. Nessas manchas há intensa atividade magnética, o que reduz o transporte de energia do interior mais quente do Sol. Por isso se tornam áreas com temperaturas mais reduzidas. Além das manchas, não podemos deixar de falar dos ciclos solares. Há uma instabilidade no número de manchas solares visíveis no Sol, pois ele não é constante, variando ao longo de um ciclo de 11 anos chamado ciclo solar. Em seu início, o ciclo apresenta poucas manchas visíveis, sendo que muitas vezes nenhuma pode ser vista. Conforme o ciclo solar se segue, o número de manchas se expande, e elas se deslocam em direção ao que é chamado de equador solar, gerando um fenômeno chamado de lei de Spörer. É importante ressaltar que o ciclo solar possui grande influência na meteorologia do espaço e também no clima na Terra.

Outros fatos e curiosidades


O Sol vai engolir a Terra. Quando todo o hidrogênio for queimado, o Sol vai continuar por cerca de 130 milhões de anos queimando hélio. Durante esse tempo, ele poderá se expandir até o ponto de engolir Mercúrio, Vênus e a Terra, quando se tornará uma gigante vermelha como citamos acima.
  • O Sol é uma esfera quase perfeita. Existe apenas uma diferença de dez quilômetros em seu diâmetro polar em comparação com seu diâmetro equatorial. Considerando a vasta extensão do Sol, isso significa que ele é o mais próximo de uma esfera perfeita que tem sido observada na natureza.
  • A luz do Sol leva oito minutos para chegar à Terra. Com uma distância média de 150 milhões de quilômetros e com a velocidade da luz em 300 mil quilômetros por segundo, dividindo um pelo outro nos dá um tempo aproximado de 500 segundos ou oito minutos e 20 segundos.
  • O Sol viaja a 220 quilômetros por segundo. Ele está entre 24 mil e 26 mil anos-luz do centro galáctico e leva de 225 a 250 milhões de anos solares para completar uma órbita no centro da Via Láctea.
  • A distância do Sol à Terra muda ao longo do ano. Como a Terra viaja em uma órbita elíptica em torno do Sol, a distância entre os dois corpos varia de 147 a 152 milhões de quilômetros. A distância entre a Terra e o Sol é chamada de Unidade Astronômica (UA).
  • O Sol está em sua meia-idade. Por cerca dos seus 4,6 bilhões de anos, o Sol já queimou cerca de metade do seu estoque de hidrogênio. Mas ele ainda tem bastante hidrogênio para continuar a queimar por aproximadamente mais 5 bilhões de anos, sendo atualmente um tipo de estrela conhecida como anã amarela.
  • Fonte: Mega Curioso

    Sonda DAWN se aproxima-se de encontro de momento histórico com planeta anão

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    A sonda Dawn da NASA mandou para a Terra novas imagens que foram registradas durante sua aproximação que antecede a histórica entrada na órbita do planeta anão Ceres. A sonda Dawn será a primeira missão a visitar um planeta anão, quando entrar na órbita de Ceres, no dia 6 de Março de 2015.

    Ceres gira nesta animação acelerada de imagens capturadas pela missão Dawn durante a sua aproximação ao planeta anão. As imagens foram obtidas no dia 19 de Fevereiro, a uma distância de quase 46.000 quilómetros. Dawn observou Ceres durante uma rotação completa, que dura cerca de nove horas. As imagens têm uma resolução de 4 km por pixel. Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA

    A Dawn está muito perto de fazer história”, disse Robert Mase, gerente de projeto para a missão Dawn no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena na Califórnia. “Nossa equipe está pronta para encontrar finalmente o que Ceres tem guardado para nós. Imagens recentes mostram numerosas crateras e pontos brilhantes incomuns que os cientistas acreditam dizer como Ceres, o primeiro objeto descoberto no cinturão de asteroide principal do nosso Sistema Solar, formou e se a sua superfície está sendo alterada. À medida que a sonda começa um movimento em espiral para ficar cada vez mais próxima do planeta anão, os pesquisadores irão procurar por sinais que mostrem que essas estranhas feições estão mudando, o que poderia sugerir uma atividade geológica atual. “Estudando Ceres poderemos fazer uma pesquisa histórica no espaço, abrindo uma janela num dos primeiros capítulos da história do Sistema Solar”, disse Jim Green, diretor do Planetary Science Division da NASA na sede da agência em Washington.

     “Os dados retornados da Dawn poderão contribuir de forma significativa para melhorar o nosso entendimento de como o Sistema Solar se formou. A sonda Dawn começou sua aproximação final em direção a Ceres no mês de Dezembro de 2014. A sonda fez algumas imagens ópticas de navegação e fez duas caracterizações de rotação, permitindo que Ceres fosse observado durante o seu período completo de rotação que é de 9 horas. Desde o dia 25 de Janeiro de 2015, a sonda Dawn tem enviado para a Terra as imagens de mais alta resolução já feitas de Ceres, e elas continuarão a ter sua qualidade aumentada à medida que a sonda se aproxima mais e mais de Ceres.

    O astrônomo Siciliano Padre Giuseppe Piazzi registrou Ceres pela primeira vez em 1801. Como a maior parte dos objetos observados na mesma região, eles se tornaram conhecidos como asteroides, ou planetas menores. Ceres foi inicialmente classificado como um planeta e mais tarde como um asteroide. Em reconhecimento pelas suas qualidades semelhantes a de planetas, Ceres foi designado como planeta anão, em 2006, juntamente com Plutão e Eris. Ceres recebe esse nome em homenagem a deusa romana da agricultura. As crateras em Ceres serão nomeadas similarmente com nomes referentes a deuses e deusas da agricultura e da vegetação na mitologia mundial. Outras feições serão nomeadas em homenagens a festivais de agricultura que ocorrem pelo mundo.
    A sonda Dawn da NASA capturou estas imagens do planeta anão Ceres a cerca de 40.000 km de distância no dia 25 de fevereiro de 2015. Parte de Ceres está à sombra devido à posição atual da sonda em relação ao planeta anão e ao Sol. A resolução é de mais ou menos 3,7 km por pixel. Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA

    Lançada em Setembro de 2007, a sonda Dawn explorou o gigantesco asteroide Vesta por 14 meses em 2011 e 2012, capturando imagens detalhadas e dados sobre o corpo. Tanto Vesta como Ceres orbitam o Sol entre Marte e Júpiter, no cinturão principal de asteroides. Esse tour com duas paradas pelo sistema solar foi possível graças ao sistema de propulsão a íons da sonda Dawn, seus três motores de íons são muito mais eficientes do que os motores a propulsão química. “Tanto Vesta como Ceres estavam no caminho para se tornarem planetas, mas o desenvolvimento foi interrompido pela gravidade de Júpiter”, disse Carol Raymond, cientista de projeto no JPL. “Esses dois corpos são como fósseis do início do Sistema Solar, e eles poderão iluminar a origem do nosso sistema com muita informação”.

    Ceres e Vesta possuem importantes diferenças. Ceres é o corpo mais massivo do cinturão de asteroides, com um diâmetro médio de 950 quilômetros. A superfície de Ceres cobre cerca de 38% da área da parte continental do EUA. Vesta tem um diâmetro médio de 525 quilômetros e é o segundo corpo mais massivo no cinturão de asteroides. O asteroide se formou antes do que Ceres e é um corpo muito seco. Ceres, em contraste, tem cerca de 25% de água. “Estudando Vesta e Ceres, nós ganharemos um melhor entendimento da formação do nosso Sistema Solar, especialmente sobre os planetas terrestres e mais importante ainda sobre a Terra”, disse Raymond. “Esses corpos são amostras dos blocos fundamentais que formaram Vênus, Terra e Marte. Acredita-se que corpos como Vesta tenham contribuído de forma decisiva para o núcleo do nosso planeta, enquanto que objetos como Ceres podem ter fornecido a água existente no nosso planeta”.

    “Nós não seríamos capazes de orbitar e explorar esses dois mundos sem o sistema de propulsão a íons”, disse Mase. “A sonda Dawn capitaliza essa tecnologia inovadora de entregar uma grande ciência com um custo pequeno”. Além da missão Dawn, a NASA lançará em 2016 a missão Origins-Spectral Interpretation-Resource Identification-Security-Regolith Explorer, ou OSIRIS-REx. Essa missão irá estudar um grande asteroide com detalhes sem precedentes e trazer para a Terra amostras desse objeto. A NASA também tem uma alta prioridade em rastrear e proteger a Terra dos asteroides. O programa da NASA Near-Earth Object, ou NEO gerencia e financia a pesquisa, o estudo e o monitoramento dos asteroides e cometas que orbitam periodicamente e que chegam muito próximos da Terra. A NASA está buscando realizar a Asteroid Redirect Mission, ou ARM, que irá identificar, redirecionar e enviar astronautas para explorar um asteroide. Entre os principais objetivos da missão, ela poderá demonstrar as técnicas básicas de defesa planetária para a deflexão de um asteroide.

    A missão da sonda Dawn é gerenciada pelo JPL para o Science Mission Directorate da NASA em Washington. A sonda Dawn é um projeto do Discovery Program, gerenciado pelo Marshall Space Flight Center em Huntsville, Alabama. A UCLA é responsável pela missão geral da sonda Dawn. A empresa Orbital ATK Inc., em Dulles, na Virginia, desenhou e construiu a sonda. O German Aerospace Center, Max Planck Institute for Solar system Research, a Italian Space Agency, e o Italian National Astrophysical Institute, são parceiros internacionais na equipe da missão.
    Fonte: NASA

    DESVENDADO MISTÉRIO COM MAIS DE MEIO SÉCULO NA ATMOSFERA DE VÉNUS

    Vénus no ultravioleta. Imagem obtida em 1973 pela sonda Mariner 10.
    Crédito: Mariner 10, NASA

    Pela primeira vez em mais de 50 anos, uma equipe internacional, da qual fazem parte os investigadores do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA1) Pedro Machado e David Luz, desvendou o mistério da nuvem “Y” de Vénus, descrevendo o mecanismo que a suporta e reproduzindo, de forma inédita, a sua evolução temporal. O planeta Vénus está coberto por uma densa camada de nuvens sem quaisquer características distintivas. Porém, quando observado no ultravioleta, apresenta estruturas escuras impressionantes. A origem da maior destas estruturas, que cobre quase todo o disco do planeta e tem a forma de "Y", tem sido um mistério desde a sua descoberta há mais de cinco décadas.

    No início, os astrónomos pensavam que o Y era apenas um aglomerado de nuvens arrastadas pelo vento, mas em 1973, os dados da missão Mariner 10 (NASA) revelaram que a estrutura não só se propaga como um todo, como fá-lo a uma velocidade diferente do meio envolvente. De acordo com Pedro Machado (IA e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa), "este estudo permitiu levantar o véu de um mistério que persiste há muito tempo sobre a atmosfera de Vénus, o que nos deixou muito entusiasmados. Concluímos que a estrutura observada é na realidade uma onda à escala planetária. Contudo, a princípio não sabíamos de que tipo de fenómeno ondulatório se tratava, visto não se enquadrar em nenhum dos casos conhecidos".

    Estas estruturas escuras revelaram a presença de grandes quantidades de um composto ainda desconhecido, que absorve a radiação ultravioleta e obscurece essas regiões. As observações destas estruturas permitiram ainda inferir a característica de "super-rotação" da atmosfera de Vénus - enquanto o planeta demora 243 dias para girar sobre si mesmo, a atmosfera dá uma volta em torno do planeta a cada quatro dias.

    "Uma onda do tamanho da Y deve desempenhar um papel-chave para explicar porque é que a atmosfera roda sessenta vezes mais rápido do que a superfície, de modo que compreender essa estrutura é crucial", afirma Javier Peralta, investigador do Instituto de Astrofísica de Andalucía (IAA-CSIC) e responsável por este estudo, em destaque na revista Science e escolhido como capa da Geophysical Research Letters.

    Os investigadores deduziram uma nova onda atmosférica compatível com a rotação extremamente lenta de Vénus e que explica, com uma simplicidade surpreendente, muitas das características observadas na onda Y. Esta onda não está confinada somente à região equatorial, mas também está limitada às altitudes onde os ventos atingem a sua intensidade máxima, o que explica porque a Y só se observa no topo das nuvens de Vénus.

    O resultado mais surpreendente deste estudo foi verificar que a forma de "Y" é devida à distorção que os ventos produzem nesta onda. "O vento forte que sopra para o oeste em Vénus é aproximadamente constante entre o Equador e as latitudes médias. Contudo, como em latitudes altas o raio do paralelo do lugar é menor, os ventos completam uma volta ao planeta mais rapidamente do que no Equador, de modo que a onda vai sendo distorcida - explica Javier Peralta. Foi emocionante ver como essa nova onda de escala planetária toma a forma de um "Y", à medida que os ventos venusianos a distorcem".
    Fonte: Astronomia Online


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