25 de mar de 2015

Novas pistas encontradas sobre o início do sistema solar

Interpretação artística, mostra uma jovem estrela parecida com o Sol cercada por seu disco de formação planetária de gás e poeira. (Imagem: NASA / JPL-Caltech)
Interpretação artística, mostra uma jovem estrela parecida com o Sol cercada por seu disco de formação planetária de gás e poeira. (Imagem: NASA / JPL-Caltech)

 Um grupo de pesquisa do UA Lunar and Planetary Laboratory, encontrou evidências em meteoritos que fazem alusão a descoberta de uma região até então desconhecida dentro do disco de poeira e gás conhecido como o disco protoplanetário – que deu origem aos planetas em nosso sistema solar. Liderados por Kelly Miller, uma estudante de doutorado no laboratório de Dante Lauretta, o investigador principal da missão OSIRIS-REx da NASA, a equipe encontrou provas minerais dentro de meteoritos que se formaram em um ambiente que foi reforçado em oxigênio e enxofre, datado de um tempo antes de as partículas se aglomerarem para formar corpos maiores como asteroides e planetas.

Miller apresentou os dados na 46ª Conferência Ciência Planetária e Lunar, que foi realizada entre os dias 16-20 março em The Woodlands, Texas. Os resultados estão em preparação para publicação em uma revista, mas não foram revistos ainda. Os elementos que mais tarde passaram a constituir os principais ingredientes da vida na Terra – como carbono, oxigênio, nitrogênio e hidrogênio – originaram gases voláteis como no disco protoplanetário quando o sistema solar tinha menos de 10 milhões de anos, disse Miller. “Se queremos entender como esses elementos contribuíram para a vida, temos que entender onde eles estavam no momento em que o sistema solar se formou”, disse ela.

Pistas do nascimento do sistema solar em meteoritos


Miller e sua equipe estudaram meteoritos chamado chondrites, que pensa-se serem sobras mais primitivas do nascimento e da infância do sistema solar há 4,6 bilhões de anos atrás. Eles deram o nome baseado em seu principal componente – chondrules, que se formou a partir de gotículas fundidas que flutuam pelo espaço. “Nós achamos que os chondrites representam os blocos de construção mais antigos de planetas rochosos como a Terra, Marte ou Vênus”, disse Miller. Especificamente, Miller e seus colegas de trabalho estudaram seções tão finas quanto um fio de cabelo humano cortadas de R chondrites, um tipo raro de meteorito chamado assim devido ao local que caiu seu primeiro exemplar: Rumuruti no Quênia. Acredita-se que R chondrites se formaram em algum lugar entre a Terra e Júpiter.

Em um espécime, encontrado na Antártida, eles descobriram um novo tipo de bloco de construção chamado chondrules sulfeto. As amostras foram obtidas a partir da coleção de americana de meteoritos da Antártica – um esforço cooperativo entre a NASA, a National Science Foundation (NSF) e da Smithsonian Institution. “Geralmente, chondrules são constituídos por minerais ricos em silício, mas os chondrules que encontramos neste meteorito são completamente diferentes pois eles são compostos de sulfetos minerais”, explicou ela.

 “Isto sugere que eles se formaram em uma região que era rica em enxofre, e fornece evidências de um tipo de ambiente até então desconhecido do início do sistema solar.” “Nossa descoberta dos chondrules de sulfeto vai nos ajudar a colocar um número quantificável de quanto sulfeto foi reforçado na região do disco protoplanetário”, acrescentou Miller. A obtenção de uma melhor compreensão da distribuição de gases no início do sistema solar foi identificada pela Planetary Science Decadal Survey, como um objetivo prioritário para o estudo de organismos primitivos. Publicado pelo Conselho Nacional de Pesquisa para a NASA e outras agências governamentais, tais como a National Science Foundation, o documento identifica questões-chave em ciência planetária e traça planos para explorações espaciais e terrestres dos próximos 10 anos.

 “O que é interessante sobre esta amostra é que ela não tem sido aquecida a altas temperaturas e, assim, alterado em sua composição”, disse Miller. “Sabemos que é um fragmento de um asteroide maior, e alguns dos asteroides que foram levados a temperaturas mais elevadas, perderam a assinatura dos blocos de construção originais do asteroide, mas a nossa peça mantém os blocos de construção originais.”

“Esses chondrules de sulfeto nos ajudam a fixar quando e onde que o realce de enxofre ocorreu e nos ajudar a entender melhor o processo”, acrescentou. Para saber mais sobre os estágios iniciais do sistema solar, incluindo a origem dos blocos de construção da vida e da água, a missão UA-led OSIRIS-REx está se preparando para lançar uma sonda robótica para o asteroide Bennu em 2016 e trazer uma amostra de pelo menos 60 gramas de material novo de volta à Terra para estudo. A missão irá fornecer uma ampla quantidade de material de amostra e, mais importante ainda, a partir de um contexto conhecido. “Ao contrário dos meteoritos que vieram até nós por acaso e nós estamos sem o contexto de onde o material foi formado, com OSIRIS-REx saberemos exatamente de onde aquele pedaço veio, e nós vamos conhecer a história de Bennu – onde ele estava no passado “, disse Miller.

Sofia da NASSA encontra elo perdido entre supernovas e formação planetária

Os dados do SOFIA revelam poeira quente (branco) que sobrevive dentro de um remanescente de supernova. A nuvem de Sagitário A Este é aqui vista em raios-X (azul). A emissão de rádio (vermelho) mostra onde de choque em expansão que colidem com as nuvens interestelares nos arredores (verde). Crédito: NASA/CXO/Herschel/VLA/Lau et al

Usando o observatório SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy) da NASA, uma equipa científica internacional descobriu que as supernovas são capazes de produzir uma quantidade substancial de material a partir do qual planetas como a Terra se podem formar. Estes resultados foram publicados na edição de 19 de março da revista Science. As nossas observações revelam, em particular, que uma nuvem produzida por uma explosão de supernova há 10.000 anos atrás contém poeira suficiente para fabricar 7000 Terras," afirma Ryan Lau da Universidade de Cornell em Ithaca,

Nova Iorque, EUA. A equipa de pesquisa, liderada por Lau, usou o telescópio aéreo SOFIA e a sua câmara FORCAST (Faint Object InfraRed CAmera for the SOFIA Telescope), para obter imagens infravermelhas de uma nuvem interestelar conhecida como Remanescente de Supernova de Sagitário A Este. A equipa usou os dados do SOFIA para estimar a massa total de poeira na nuvem a partir da intensidade da sua emissão. A investigação exigiu medições em comprimentos de onda infravermelhos e longos a fim de atravessar as nuvens interestelares intervenientes e detetar a radiação emitida pela poeira da supernova.



Poeira do remanescente de supernova detetada pelo SOFIA (amarelo) sobrevive longe do gás mais quente em raios-X (púrpura). A elipse vermelha contorna a onda de choque da supernova. A inserção mostra uma imagem ampliada da poeira (laranja) e a emissão gasosa (azul). Crédito: NASA/CXO/Lau et al

Os astrónomos já tinham evidências de que ondas de choque de uma supernova (para fora) podiam produzir quantidades significativas de poeira. Até agora, uma questão-chave era saber se as partículas de poeira conseguiam sobreviver a uma subsequente onda de choque (para dentro) gerada quando a primeira colide com o gás e a poeira interestelar dos arredores. A poeira sobreviveu o segundo 'ataque' de ondas de choque da explosão de supernova e está agora a seguir para o meio interestelar onde pode tornar-se parte da 'semente' de novas estrelas e planetas," explica Lau. Estes resultados também revelam a possibilidade de que a grande quantidade de poeira observada em galáxias distantes e jovens pode ter sido criada por explosões de supernova de estrelas maciças e antigas, pois nenhum outro mecanismo conhecido pode ter produzido assim tanta poeira.

"Esta descoberta é um marco especial para o SOFIA, pois demonstra como as observações da nossa própria Via Láctea podem suportar diretamente o nosso conhecimento da evolução de galáxias a milhares de milhões de anos-luz de distância," afirma Pamela Marcum, cientista do projeto SOFIA no Centro de Pesquisa Ames em Moffett Field, no estado americano da Califórnia. O SOFIA é um avião Boeing 747 altamente modificado que transporta um telescópio com um diâmetro efetivo de 100 polegadas (2,5 metros) até altitudes entre 12 e 14 km. O SOFIA é um projeto conjunto da NASA e do Centro Aeroespacial Alemão.
Fonte: Astronomia Online

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