22 de abr de 2015

Curiosity encontra indícios de água líquida em Marte

Curiosity encontra indícios de água líquida em Marte

Salmoura de Marte


O robô Curiosity, que está em Marte desde 2012, encontrou indícios de que pode existir água em forma líquida nas camadas de Marte próximas à superfície. Por sua distância do Sol, o planeta vermelho é gelado demais para que a água permaneça na forma líquida na superfície, mas sais no solo podem diminuir seu ponto de congelamento, permitindo a formação de camadas de água bem salgada - como uma salmoura.

Os dados forma colhidos na cratera Gale, onde o robô Curiosity pousou em 2012.[Imagem: NASA]

Os cientistas da NASA acreditam que finas camadas de água se formam quando os sais no solo, chamados de percloratos, absorvem vapor de água da atmosfera. A temperatura dessas camadas líquidas seria de -70°C. Formadas nos 15cm mais superficiais do solo marciano, essas salmouras também estariam expostas a altos níveis de radiação cósmica - algo considerado um obstáculo para a existência de vida microbiana. Mas ainda é possível que organismos existam em algum lugar sob a superfície de Marte, onde as condições são mais favoráveis.

Percloratos
As conclusões sobre a salmoura marciana resultaram da junção dos resultados de vários instrumentos do robô. O Sistema de Monitoramento do Ambiente (REMS, na sigla em inglês) - basicamente, a estação meteorológica do veículo - mediu a umidade relativa e a temperatura do local de pouso do robô na cratera Gale. Os dados do instrumento chamado Albedo Dinâmico de Nêutrons foram extrapolados para se estimar o teor de água do subsolo, reforçando a ideia de que a água do solo estava ligada a percloratos. Finalmente, o instrumento Análise de Amostras de Marte deu aos pesquisadores o conteúdo de vapor de água na atmosfera. Juntando tudo, os cientistas da NASA concluíram que há condições adequadas para que se formem salmouras em noites de inverno no equador de Marte, onde o Curiosity aterrissou. Mas o líquido evaporaria durante o dia de Marte, quando a temperatura aumenta.


Sinais indiretos
Javier Martin-Torres, membro da missão do Curiosity e cientista-chefe do instrumento REMS, reconhece que os dados ainda são indiretos, mas ele afirma serem convincentes. O que nós vemos são condições para a formação de salmouras na superfície. Podemos ver um ciclo de água diário, o que é muito importante. Esse ciclo é mantido pela salmoura. Na Terra, temos uma troca entre a atmosfera e o solo pela chuva. Mas nós não temos isso em Marte," afirmou.
Fonte: Inovação Tecnológica

Missão da MESSENGER aproxima-se do FIM

A sonda MESSENGER (MErcury Surface, Space ENvironment, GEochemistry, and Ranging) viajou durante mais de seis anos e meio antes de entrar em órbita de Mercúrio no dia 18 de março de 2011. Crédito: NASA/JHU APL/Instituto Carnegie de Washington

Depois de descobertas científicas e inovações tecnológicas extraordinárias, uma sonda da NASA lançada em 2004 para estudar Mercúrio vai impactar a superfície do planeta, muito provavelmente no dia 30 de abril, quando ficar sem combustível. A Sonda MESSENGER (MErcury Surface, Space ENvironment, GEochemistry, and Ranging) vai colidir com a superfície do planeta a mais de 3,91 km/s no lado do planeta oposto à Terra. Devido ao local esperado, os engenheiros não serão capazes de ver em tempo real a localização exata do impacto. Na semana passada, os operadores da missão no Laboratório de Física Aplicada (APL) da Universidade Johns Hopkins em Laurel, no estado americano de Maryland, completaram o quarto numa série de manobras de correção orbitais destinadas a retardar o impacto da sonda na superfície de Mercúrio.

A última manobra está agendada para sexta-feira, dia 24 de abril. Após esta última manobra, vamos finalmente declarar a sonda sem combustível, pois esta manobra gastará praticamente todo o nosso gás hélio," afirma Daniel O'Shaughnessy, engenheiro de sistemas da missão. "Nesse momento, a sonda não será mais capaz de combater o empurrão da gravidade do Sol. Apesar de Mercúrio ser um dos vizinhos planetários mais próximos da Terra, pouco se sabia sobre o planeta antes da missão da MESSENGER. "Pela primeira vez na história temos conhecimento real sobre o planeta Mercúrio, que mostra ser um mundo fascinante como parte do nosso Sistema Solar diversificado," afirma John Grunsfeld, administrador associado do Diretorado de Missões Científicas na sede da NASA em Washington.

Embora as operações terminem, estamos a celebrar a MESSENGER como mais do que uma missão bem-sucedida. É o início de uma longa jornada para analisar os dados que, esperamos, revelarão todos os mistérios científicos de Mercúrio. A sonda viajou durante mais de seis anos e meio antes de entrar em órbita de Mercúrio no dia 18 de março de 2011. A missão principal era orbitar o planeta e recolher dados durante um ano terrestre. A boa saúde da sonda, o combustível restante e as novas questões levantadas pelas descobertas iniciais resultaram na aprovação de dois prolongamentos das operações, permitindo com que a missão continuasse durante quase quatro anos e resultando em mais marcos científicos. Uma descoberta chave em 2012 prestou um apoio convincente à hipótese que Mercúrio abriga água gelada abundante e outros materiais voláteis nas suas crateras polares permanentemente à sombra.

Os dados indicaram que o gelo nas regiões polares de Mercúrio, casso estivesse espalhado numa área equivalente a uma grande cidade, teria uma espessura superior a 3 km. Pela primeira vez, os cientistas começaram a ver claramente um capítulo na história de como os planetas interiores, incluindo a Terra, adquiriram água e alguns dos blocos químicos de construção da vida. Uma camada escura que cobre a maioria dos depósitos de água gelada suporta a teoria que compostos orgânicos, assim como a água, foram entregues a partir do Sistema Solar exterior até aos planetas interiores e tal pode ter levado à síntese química pré-biótica e, desta forma, à vida na Terra.

"A água, agora armazenada em depósitos de gelo no chão de crateras de impacto permanentemente à sombra nos polos de Mercúrio, foi provavelmente entregue ao planeta mais interior por impactos de cometas e asteroides ricos em voláteis," comenta Sean Solomon, investigador principal da missão e diretor do Observatório da Terra Lamont-Doherty da Universidade de Columbia em Palisades, Nova Iorque. "Esses mesmos impactos também provavelmente forneceram o material orgânico escuro."

Além das descobertas científicas, a missão proporcionou muitos marcos tecnológicos, incluindo o desenvolvimento de um guarda-sol cerâmico vital, resistente ao calor e altamente refletivo que isolou os instrumentos e os componentes eletrónicos da sonda da radiação solar direta - cruciais para o sucesso da missão dada a proximidade de Mercúrio ao Sol. A tecnologia vai ajudar a informar os projetos futuros para missões planetárias dentro do nosso Sistema Solar. O lado frontal do guarda-sol rotineiramente acusava temperaturas superiores a 300º Celsius, ao passo que a maioria dos componentes à sombra operava perto da temperatura ambiente (20º C)," explica Helene Winters, gestora do projeto da missão no APL. "Esta tecnologia que protegeu os instrumentos da MESSENGER foi a chave para o sucesso da missão durante a operação principal e durante as estendidas."
Fonte: Astronomia Online

Estudo confirma que a Lua tem 4,47 bilhões de anos

A recente datação do nosso satélite foi obtida através da analise de alguns fragmentos que caíram na Terra após uma gigantesca colisão que deu origem à Lua, ocorrida na época da formação do Sistema Solar.
Idade da Lua
 Lua fotografada pelo Observatório Apolo11 em 6 de outubro de 2014. Crédito: Rogério Leite, Apolo11.com.

De acordo com o modelo atual de formação da Lua, nosso satélite se formou a partir daquilo que é considerado o "maior impacto" da história do Sistema Solar. Na ocasião, um protoplaneta - uma espécie de embrião planetário - teria colidido com outro objeto celeste que mais tarde se transformaria na Terra. De acordo com o estudo, publicado recentemente na revista Science, após o choque, diversos meteoritos com mais de um quilômetro colidiram violentamente em um paredão de asteroides. Esse impacto aqueceu os meteoritos muito acima do normal, deixando neles uma cicatriz única e permanente.

Bilhões de anos depois, muitos fragmentos da época da colisão caíram na Terra e até hoje são usados para estudos lunares. Agora, uma equipe internacional de cientistas analisou novamente esses fragmentos, mas empregou uma nova técnica de análise, com especial interesse na assinatura térmica criada durante a colisão dos fragmentos com o paredão de asteroides. Os resultados foram então comparados aqueles obtidos das análises das rochas trazidas à Terra pelas missões Apollo, entre 1969 e 1972 e reforçaram o que já se conhecia até então sobre a idade do nosso satélite.

De acordo com a equipe, formada por cientistas da Nasa, Universidade do Arizona e Instituto Superior de Estudos Teológicos (ISET), a idade da formação da Lua obtida por esse método não difere daquela já obtida por meios diferentes. Ela apenas confirma a idade da Lua, que teria 4,47 bilhões de anos, um número que aumenta a precisão das datações anteriores. Esta pesquisa está nos ajudando a definir nossas escalas de tempo para saber quando as coisas aconteceram no Sistema Solar", disse Bill Bottke, coautor do estudo e ligado ao Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona.

A nova forma de datação é bastante promissora e poderá ser empregada para saber como se formaram outros antigos corpos celestes, como por exemplo, o gigantesco asteroide Vesta, situado no cinturão de asteroides entre as órbitas de Marte e Júpiter.
Fonte: Apolo11.com - http://www.apolo11.com/

Alma revela campo magnético intenso próximo de buraco negro supermassivo


Esta impressão artística mostra o meio circundante de um buraco negro supermassivo típico, como muitos dos que se encontram no coração de muitas galáxias. O buraco negro propriamente dito está rodeado por um brilhante disco de acreção de material muito quente a cair para o buraco negro e mais longe encontra-se o toro de poeiras. Vemos também frequentemente jatos de matéria lançados a altas velocidades a partir dos polos do buraco negro, que podem estender-se até enormes distâncias no espaço. Observações obtidas com o ALMA detectaram um campo magnético muito intenso próximo do buraco negro, na base dos jatos, estando este campo muito provavelmente envolvido na produção dos jactos e sua colimação.
Crédito: ESO/L. Calçada


O ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) revelou um campo magnético extremamente potente, muito para além do que tinha sido anteriormente detetado no núcleo de uma galáxia, muito próximo do horizonte de eventos de um buraco negro supermassivo. Esta nova observação ajuda os astrónomos a compreender melhor a estrutura e formação destes habitantes massivos dos centros das galáxias e os jatos gémeos de plasma que frequentemente ejetam a alta velocidade dos seus polos. Estes resultados foram publicados a 17 de abril de 2015 na revista Science.

Os buracos negros supermassivos, frequentemente com massas de milhares de milhões de vezes a do Sol, situam-se no coração da maior parte das galáxias existentes no Universo. Estes buracos negros podem acretar enormes quantidades de matéria sob a forma de um disco que os rodeia. Enquanto a maioria desta matéria alimenta o buraco negro, uma parte pode escapar momentos antes de ser capturada, sendo lançada no espaço com velocidades próximas da velocidade da luz sob a forma de um jato de plasma. A maneira como isto acontece não é muito bem compreendida, embora se pense que campos magnéticos fortes atuando muito próximo do horizonte de eventos tenham um papel crucial no processo, ajudando a matéria a escapar às “mandíbulas escancaradas da escuridão”.

Apenas se tinham observado até agora campos magnéticos fracos longe dos buracos negros - a vários anos-luz de distância. No entanto, astrónomos da Universidade de Tecnologia Chalmers e do Observatório Espacial Onsala na Suécia, utilizaram o ALMA para detetar sinais diretamente relacionados com um campo magnético intenso localizado muito perto do horizonte de eventos do buraco negro supermassivo da galáxia distante PKS 1830-211. Este campo magnético situa-se precisamente no local onde a matéria é lançada repentinamente para longe do buraco negro sob a forma de um jato.

A equipa mediu a intensidade do campo magnético através da polarização da radiação, à medida que esta se afastava do buraco negro. A polarização é uma propriedade importante da luz muito usada na vida diária, por exemplo nos óculos de sol ou nos óculos 3D no cinema," diz Ivan Marti-Vidal, o autor principal deste trabalho. "Quando produzida naturalmente, a polarização pode ser usada para medir campos magnéticos, uma vez que a radiação muda a sua polarização quando viaja através de um meio magnetizado. Neste caso, a radiação detetada pelo ALMA viajou através da matéria situada muito próximo do buraco negro, um local cheio de plasma altamente magnetizado."

Os astrónomos aplicaram uma nova técnica de análise desenvolvida para os dados ALMA e descobriram que a direção da polarização da radiação vinda do centro da PKS 1830-211 rodou. Estes foram os comprimentos de onda mais curtos de sempre usados neste tipo de estudo, o que permitiu que se investigassem regiões muito próximas do buraco negro central.

"Descobrimos sinais claros da rotação da polarização, que são centenas de vezes maiores do que os maiores alguma vez encontrados no Universo," diz Sebastien Muller, coautor do artigo científico que descreve estes resultados. "A nossa descoberta constitui um enorme passo em frente em termos de frequência observada, graças ao uso do ALMA, e em termos de distância ao buraco negro onde estudámos o campo magnético - da ordem de apenas alguns dias-luz do horizonte de eventos. Estes resultados, assim como estudos futuros, ajudar-nos-ão a perceber o que é que se passa realmente na vizinhança imediata dos buracos negros supermassivos."
Fonte: Astronomia Online

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