23 de abr de 2015

Telescópio Espacial Hubble - Aniversário de 25 anos, com imagens de tirar o fôlego!

Hubble Aniversário 25 anos - imagens
O Hubble mudou a forma que o ser-humano via o espaço, e o resultado de seu grande trabalho é impressionante!

O Telescópio Espacial Hubble (HST na sigla em inglês) foi batizado em homenagem a Edwin Powell Hubble, astrônomo norte-americano responsável por constatar que o Universo estava se expandindo.  Lançado no dia 24 de abril de 1990, o telescópio Hubble, que tem um tamanho de 13,2m por 4.2m, com um espelho de 2.4 metros, opera a uma altitude de aproximadamente 570 km, e desde 1990, tem nos dado a oportunidade única de observar o Universo de uma forma sem precedentes, através de um olhar muito mais próximo, revolucionando a Astronomia moderna.
E como em abril de 2015 esse grande telescópio completa 25 anos de operações, nada melhor do que celebrarmos seu aniversário observando algumas das mais belas imagens feitas por ele durante todos esses anos.  Confira 25 imagens sensacionais, feitas pelo Telescópio Espacial Hubble ao longo de seus 25 anos, sendo uma para cada ano útil de observações:
1990: Supernova de 1987
Um anel elíptico de gás incandescente de aproximadamente 1,3 anos-luz envolve o centro da grande supernova de 1987, como mostra esta imagem do telescópio espacial Hubble. A Camera de Objetos Fracos da Agência Espacial Europeia observou a supernova em 23 e 24 agosto de 1990, com nitidez e clareza sem precedentes.

1991: NGC 4621
Um gigante disco de gás frio e poeira com 300 anos-luz de diâmetro, suspeito de ser um buraco negro supermassivo no centro da galáxia NGC 4261.

1992: Nebulosa de Orion
O Telescópio Espacial Hubble descobriu discos prolongados de poeira em torno de 15 estrelas recém-formadas na nebulosa de Orion, uma região de nascimento de estrelas que encontra-se a cerca de 1.500 anos-luz de distância. Esses discos são um pré-requisito para a formação de sistemas solares como o nosso.

1993: Nebulosa do Véu
Esta imagem de uma pequena parte do remanescente de supernova na constelação de Cygnus foi feita pela câmera Wide Field Planetary do Telescópio Espacial Hubble, em 24 de abril de 1991.

1994: Galáxia espiral M100
Esta imagem do núcleo da galáxia espiral M100 mostra a melhora na ótica do Telescópio Espacial Hubble após reparos feitos durante a missão de manutenção do Hubble STS-61. A nova câmera pode resolver estruturas fracas tão pequenas quanto 30 anos-luz, de uma galáxia que encontra-se dezenas de milhões de anos-luz de distância.

1995: Nebulosa da Águia, M16
Essa famosa imagem do telescópio Hubble mostra os "troncos elefantes" da Nebulosa da Águia (M16). Estas colunas de poeira fria e gás contém bolsões de gás interestelar nas extremidades das características semelhantes a dedos, a partir do qual emergem estrelas recém-nascidas.

1996: Hubble Deep Field
Em 1996, o telescópio Hubble conseguiu a imagem mais detalhada e profunda do Universo. Representando uma visão estreita que se estende até o horizonte visível do Universo, a imagem do Hubble Deep Field contém pelo menos 1.500 galáxias em vários estágios de evolução.

1997: M84 (assinatura de Buraco Negro)
Esta imagem feita pelo instrumento STIS do Telescópio Hubble mostra a assinatura de um buraco negro supermassivo no centro da galáxia M84. Os astrônomos mapearam os movimentos de rotação de gás e estrelas em torno do buraco negro, alinhando a fenda espectroscópica do STIS através do núcleo em uma única exposição.

1998: NGC 4314
O Telescópio Espacial Hubble obteve essa visão incrível do núcleo da galáxia NGC 4314, em Dezembro de 1995. Os agrupamentos de estrelas recém nascidas compõem o roxo-azulado do anel.

1999: Marte
O local de pouso da sonda Pathfinder fica perto do centro dessa imagem de Marte, feita pelo Telescópio Hubble. Dunas escuras de areia em torno da calota polar se fundem em uma região grande e escura chamado Acidalia, que consiste em grãos de areia de rocha vulcânica pulverizada. Abaixo e à esquerda de Acidalia, encontramos os imensos sistemas de canyons marcianos, região chamada de Valles Marineris.

2000: A Nebulosa do Esquimó (NGC 2392)
Após a bem sucedida missão de manutenção em dezembro de 1999, o Telescópio Espacial Hubble registrou essa belíssima nebulosa planetária (o que sobrou da morte de uma estrela parecida com o Sol). A Nebulosa do Esquimó (NGC 2392), como vista em telescópios terrestres, parece um rosto envolto por um capuz de pele, como usado pelos esquimós.

2001: Galáxia Torta (ESO 510-G13)
O Telescópio Espacial Hubble da NASA capturou uma imagem de uma galáxia incomum, revelando detalhes notáveis ​​de seu disco de poeira entortado, mostrando como as galáxias podem gerar formas por conta de uma colisão. A estranha galáxia torcida ESO 510-G13 encontra-se na constelação de Hydra, a uma distância de cerca de 150 milhões de anos-luz da Terra.

2002: Galáxia Girino
UGC 10214, a galáxia "Girino", possui uma forma radicalmente diferente de outras galáxias espirais, com uma cauda azul extremamente para fora de seu disco compacto visto no canto superior esquerdo. A Galáxia Girino fica a cerca de 420 milhões de anos-luz de distância, na constelação de Draco.

2003: V838 Monocerotis
V838 Monocerotis (V838 Mon) já foi apenas uma estrela em uma constelação até janeiro de 2002, quando de repente tornou-se 600.000 vezes mais luminosa do que o nosso Sol, tornando-se a estrela mais brilhante da Via Láctea por algum tempo. O Telescópio Espacial Hubble da NASA capturou o fenômeno chamado de "eco de luz", que consiste em luz a partir de uma explosão estelar que ecoa para fora da poeira em formato circular.

2004: Nebulosa da Hélice (NGC 7293)
A vastidão da Nebulosa Planetária da Hélice exigiu dois telescópios para capturar essa belíssima e famosa imagem: o Telescópio Espacial Hubble da NASA e a Câmara Mosaic II no telescópio de 4 metros do Observatório de Cerro Tololo no Chile. Uma nebulosa planetária como esta consiste em um envelope gasoso ejetado pela explosão de uma estrela.

2005: Galáxia do Rodamoinho (M51)
A galáxia espiral M51 (Whirlpool Galaxy em inglês), exibe seus longos braços que consistem de estrelas e gás com poeira. A pequena galáxia amarelada a direita (NGC 5195), parece dar um puxão em um dos braços do redemoinho, mas na verdade ela está bem atrás da galáxia maior.

2006: Nebulosa de Orion
520 imagens do Hubble, tomadas em cinco cores, foram combinadas para fazer esta imagem da Nebulosa de Orion, que encontra-se a 1.500 anos-luz de distância, sendo a região de formação estelar mais próxima da Terra. O brilho no canto superior esquerdo emana de M43, uma pequena região moldada pela luz ultravioleta de uma jovem estrela maciça.

2007: NGC 602
O aglomerado de estrelas NGC 602 situa-se no coração de uma região de formação de estrelas. Radiação de alta energia exala das estrelas quentes e jovens, esculpindo a borda interna das parcelas exteriores da nebulosa.

2008: Interação de Galáxias Arp 148
A interação de galáxias Arp 148 representa a grande forma após uma colisão de duas galáxias, resultando em uma galáxia em forma de anel e um companheiro de cauda longa. Arp 148, apelidada de Objeto de Mayall, encontra-se na constelação da Ursa Maior, a cerca de 500 milhões de anos-luz de distância.

2009: Saturno e o trânsito quádruplo de luas
O Telescópio Espacial Hubble tirou uma foto de quatro luas de Saturno passando na frente do Senhor dos Anéis, no dia 24 de fevereiro de 2009. A lua cor de laranja Titã lança uma grande sombra sobre a calota polar norte de Saturno. Abaixo de Titã, perto do plano do anel mais à esquerda temos a lua Mimas, lançando uma sombra menor das nuvens equatoriais de Saturno. Mais para a esquerda, fora do disco, vemos a lua brilhante Dione e a lua Enceladus mais fraca.

2010: Nebulosa Carina (Pilares e Jatos)
O Telescópio Espacial Hubble capturou essa visão de um berçário estelar chamado de Nebulosa Carina, que fica a 7.500 anos-luz da Terra. A imagem foi feita nos dias 1 e 2 de fevereiro de 2010.

2011: Interação de Galáxias Arp 273
O Hubble detectou a interação de galáxias conhecida como Arp 273. A galáxia espiral maior, UGC 1810, possui um disco que apresenta distorção em forma de rosa, pela força da maré gravitacional da galáxia companheira UGC 1813.

2012: Nebulosa Planetária NGC 5189
O site do Telescópio Espacial Hubble da NASA observou a nebulosa planetária NGC 5189, que tem cores e formas tão exuberantes quanto um enfeite de natal. As nebulosas planetárias representam o estágio final da vida de uma estrela de tamanho médio como o Sol. A estrela consome o seu último combustível do núcleo, e expele uma grande parte de sua massa para o espaço.

2013: Nebulosa Cabeça de Cavalo
A icônica Nebulosa Cabeça de Cavalo ganhou status e fama desde a sua descoberta a mais de um século atrás. Ela foi fotografado em 2013 para comemorar o 23º aniversário do Telescópio Espacial Hubble, lançado a bordo do ônibus espacial Discovery. A Nebulosa Cabeça de Cavalo faz parte de um complexo muito maior na Nuvem Molecular de Orion, a cerca de 1.500 anos-luz de distância.

2014: Espaço Profundo Abell 2744
O Telescópio Espacial Hubble fez a imagem mais profunda de um aglomerado de galáxias nessa imagem de longa exposição do maciço aglomerado de galáxias Abell 2744. Algumas das mais jovens e menos luminosas galáxias do Universo podem ser vistas nessa belíssima imagem.


Telescópio espacial Hubble, 25 anos revolucionando a astronomia

O primeiro telescópio espacial Hubble, que revolucionou a astronomia e a nossa visão do Universo com imagens espetaculares de galáxias distantes geradas por ele, celebra esta semana seu 25º aniversário no espaço. "O Hubble mudou a forma como a humanidade olha para o universo e vê seu lugar nele", diz a astrônoma Jennifer Wiseman, cientista do telescópio no centro Goddard da Nasa, em Greenbelt, Maryland (nordeste dos Estados Unidos).  Este telescópio mostrou-nos que o cosmos tem mudado ao longo do tempo; que as estrelas produzem todos os elementos necessários para a vida e para a formação de planetas", continuou em entrevista à AFP na sala de controle do Hubble. Desde que foi lançado em 24 de abril de 1990 pelo ônibus espacial Discovery, o Hubble orbita a Terra a 570 km de altitude.

O telescópio teve seus contratempos na primeira infância, mas já estava em pleno funcionamento três anos após sua implantação. A concavidade de seu espelho principal tinha uma falha que provocou o envio de uma nave espacial para instalar um mecanismo de correção em uma operação muito delicada, realizada em 1993. Foi depois disso que o Hubble, uma máquina do tempo real dedicada a explorar as profundezas do espaço, começou a transmitir impactantes imagens de supernovas, explosões cataclísmicas que marcam a morte de uma estrela e outros corpos celestes. Uma de suas mais famosas fotos mostra colunas gigantescas de gás e poeira interestelares a 6.500 anos-luz da Terra, na Nebulosa da Águia, que ganhou o nome de "Pilares da Criação". O telescópio de 11 toneladas tem o nome de um dos pioneiros da astronomia, Edwin Powell Hubble (1889-1953), e é uma colaboração entre a Nasa e a Agência Espacial Europeia (ESA).

Descobertas do Hubble

O Hubble revelou além disso buracos negros no coração de galáxias cuja existência até então a ciência conseguia apenas supor. Ele também fez um milhão de imagens de corpos celestes, alguns dos quais nos confins do cosmos, o que permitiu aos astrônomos calcular com mais precisão a idade do Universo: cerca de 13,8 bilhões de anos. Graças a todas essas imagens, de uma nitidez muito maior do que as obtidas pelos mais poderosos telescópios terrestres, os astrofísicos foram capazes de confirmar, em 1998, que a expansão do universo está se acelerando. Esta descoberta valeu o Prêmio Nobel de Física em 2011 a dois norte-americanos. Esta aceleração é resultado de uma misteriosa força chamada energia obscura, que constituiria cerca de 70% do Universo.

O restante do cosmos é composto por 5% de matéria visível e 27% de matéria escura invisível, cuja presença se manifesta por seus efeitos gravitacionais sobre corpos celestes. Outras descobertas do Hubble incluem a detecção da primeira molécula orgânica na atmosfera de um planeta orbitando uma estrela distante em nossa galáxia, a Via Láctea. Além disso, o telescópio permitiu concluir que a formação de planetas é relativamente comum. Mais recentemente, o venerável telescópio permitiu o avanço do conhecimento do sobre o sistema solar. A Nasa anunciou há pouco tempo que o Hubble detectou um grande oceano subterrâneo de água salgada em Ganimedes, a maior lua de Júpiter - descoberta que fornece pistas para a busca de vida extraterrestre na nossa vizinhança.

Verdadeira estrela da astronomia, "o Hubble tem desempenhado um papel muito importante para incutir nos habitantes do nosso planeta um sentimento de admiração ao universo em que vivemos", nas palavras da astrônoma Wiseman. Ela também disse estar convencida de que o Hubble ainda tem muitos anos ainda pela frente. Deve coexistir com seu sucessor, o telescópio espacial infravermelho James Webb, que será lançado em 2018 e será cem vezes mais poderoso. Segundo o astrônomo Matt Greenhouse, da Nasa, "o Webb poderá revolucionar a astronomia mais uma vez".
Por Jean-Louis Santini - GreenbeltEstados Unidos
Fonte: Mega Curioso

Pesquisadores observam buracos negros supermassivos prestes a se fundir

buracos negros binarios

Conforme duas galáxias entram nos estágios finais de fusão, cientistas têm teorizado que seus buracos negros supermassivos formariam um “binário” – dois buracos negros em uma órbita tão próxima que são gravitacionalmente ligados um ao outro. Em um novo estudo, astrônomos da Universidade de Maryland (EUA) apresentaram evidências diretas de um quasar pulsante, o que pode comprovar a existência desses buracos negros binários.  Acreditamos que observamos dois buracos negros supermassivos em maior proximidade do que nunca.

Estes buracos negros podem estar tão próximos que estão emitindo ondas gravitacionais, que foram previstas pela teoria da relatividade geral de Einstein”, explica Suvi Gezari, também da Universidade de Maryland, coautora do trabalho publicado na revista “Astrophysical Journal Letters”.

A descoberta pode lançar luz sobre a frequência com que os buracos negros se aproximam o suficiente para formar um binário gravitacionalmente ligado e, eventualmente, se fundir. Os buracos negros tipicamente devoram matéria, que acelera e se aquece, emitindo energia eletromagnética e criando alguns dos pontos mais luminosos no céu, chamados quasares. Quando dois buracos negros orbitam como um binário, absorvem matéria ciclicamente, o que leva os teóricos a preverem que o quasar binário responderia clareando e escurecendo periodicamente.

A metodologia

Os pesquisadores realizaram uma busca sistemática pelos chamados quasares variáveis usando o Telescópio de Pesquisa Panorâmica e Sistema de Resposta Rápida (Pan-STARRS1) de Vistoria de Profundidade Média. Este telescópio fica baseado no Havaí, em Haleakala, e fotografa o mesmo pedaço de céu uma vez a cada três dias, recolhendo centenas de dados para cada objeto ao longo de quatro anos. Nestes dados, a equipe de astrônomos encontrou o quasar PSO J334.2028+01.4075, que tem um grande buraco negro de quase 10 bilhões de massas solares e emite um sinal óptico periódico que se repete a cada 542 dias. O sinal do quasar era incomum porque as curvas de luz da maioria dos quasares são arrítmicos. Para verificar a sua descoberta, a equipe de pesquisa executou rigorosos cálculos e simulações e examinou dados adicionais, incluindo dados fotométricos de outros telescópios e sistemas de monitoramento.

“A descoberta de um candidato a sistema compacto binário de buracos negros supermassivos como o PSO J334.2028+01.4075, que parece a uma separação orbital tão pequena, acrescenta ao nosso conhecimento limitado das etapas finais da fusão entre os buracos negros supermassivos”, aponta a estudante de mestrado em astronomia da Universidade de Maryland, Tingting Liu, principal autora do artigo. Os pesquisadores planejam continuar a procurar novos quasares variáveis. A partir de 2023, sua pesquisa poderia ser auxiliada pelo telescópio Synoptic Large Telescope Survey. Espera-se que este aparelho possa fazer o levantamento de uma área muito maior, possibilitando identificar a localização de milhares destes buracos negros supermassivos que estão se fundindo no céu noturno.
Fonte: Hypescience.com

Primeiro espectro de exoplaneta obtido na luz visível

Nova técnica aponta para futuro promissor
Esta concepção artística mostra o exoplaneta do tipo Júpiter quente 51 Pegasi b, também chamado Beleforonte, o qual orbita uma estrela que se encontra a cerca de 50 anos-luz de distância da Terra na constelação setentrional do Pégaso. Este objeto foi o primeiro exoplaneta a ser descoberto em torno de uma estrela normal em 1995. Vinte anos mais tarde é também o primeiro exoplaneta a ser detectado diretamente no visível.Crédito:ESO/M. Kornmesser/Nick Risinger
 
Com o auxílio do instrumento HARPS, o principal “caçador” de exoplanetas instalado no Observatório de La Silla no Chile, astrônomos detectaram pela primeira vez de forma direta o espectro visível refletido por um exoplaneta. Estas observações revelaram também novas propriedades deste objeto famoso, o primeiro exoplaneta a ser descoberto em torno de uma estrela normal: 51 Pegasi b. O resultado promete um futuro brilhante para a técnica utilizada, particularmente com o advento da nova geração de instrumentos, tais como o ESPRESSO, para o VLT, e futuros telescópios como o E-ELT.

O exoplaneta 51 Pegasi b situa-se a cerca de 50 anos-luz da Terra na constelação do Pégaso. Foi descoberto em 1995 e será lembrado para sempre como o primeiro exoplaneta confirmado descoberto em órbita de uma estrela normal, como o Sol. É também considerado o arquétipo dos exoplanetas do tipo Júpiter quente - uma classe de planetas que se sabe agora serem bastante comuns, e que são semelhantes a Júpiter em termos de massa e de tamanho, mas com órbitas muito mais próximas das suas estrelas progenitoras.

Desde esta descoberta crucial, foi já confirmada a existência de mais de 1900 exoplanetas em 1200 sistemas planetários, no entanto, no ano em que a sua descoberta faz 20 anos, 51 Pegasi b volta à cena para fazer avançar uma vez mais o estudo dos exoplanetas.  A equipe que fez esta nova detecção foi liderada por Jorge Martins do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) e da Universidade do Porto, que atualmente faz o seu doutoramento no ESO, no Chile. A equipe utilizou o instrumento HARPS montado no telescópio de 3,6 metros do ESO no Observatório de La Silla, no Chile.

Atualmente, o método mais utilizado para estudar a atmosfera de um exoplaneta consiste em observar o espectro da estrela hospedeira quando este é filtrado pela atmosfera do planeta durante um trânsito - uma técnica chamada espectroscopia de transmissão. Uma aproximação alternativa será observar o sistema quando a estrela passa em frente do planeta, o que dará essencialmente informação sobre a temperatura do exoplaneta. A nova técnica não depende de um trânsito planetário, por isso pode potencialmente ser usada para estudar muito mais exoplanetas, e permite que o espectro planetário seja detectado diretamente no visível, o que significa que características diferentes do planeta, que não são acessíveis através de outras técnicas, possam ser inferidas.

O espectro da estrela hospedeira é usado como modelo para procurar uma assinatura semelhante, que se espera que seja refletida pelo planeta que a orbita. Trata-se de uma tarefa extremamente difícil já que os planetas são muitíssimo tênues quando comparados com as suas estrelas progenitoras resplandecentes. O sinal emitido pelo planeta é também muito facilmente diluído por outros pequenos efeitos e fontes de ruído. Perante tal adversidade, o sucesso da técnica utilizada quando aplicada aos dados do HARPS relativos ao 51 Pegasi b, valida o conceito de forma muito valiosa.

Jorge Martins explica: Este tipo de técnica de detecção tem uma grande importância científica, já que nos permite medir a massa real do planeta e a sua inclinação orbital, o que é essencial para compreendermos completamente o sistema. Permite-nos também estimar a refletividade do planeta, ou albedo, o que pode ser depois usado para inferir a composição tanto da superfície do planeta como da sua atmosfera”.

Descobriu-se que 51 Pegasi b tem uma massa de cerca de metade da de Júpiter e uma órbita com uma inclinação de cerca de nove graus na direção da Terra. O planeta parece também ser maior que Júpiter em termos de diâmetro e extremamente refletivo. Estas são propriedades típicas de um planeta do tipo Júpiter quente, que se encontra muito próximo da sua estrela progenitora e por isso exposto a intensa radiação estelar.

O HARPS foi essencial para o trabalho efetuado pela equipe, mas o fato do resultado ter sido obtido com o telescópio de 3,6 metros do ESO, que tem um limite de aplicação da técnica, constitui uma boa notícia para os astrônomos. O equipamento que existe atualmente será ultrapassado por instrumentos muito mais avançados instalados em telescópios maiores, tais como o Very Large Telescope do ESO e o futuro European Extremely Large Telescope.

Esperamos com impaciência a primeira luz do espectrógrafo ESPRESSO que será montado no VLT, com o qual faremos estudos mais detalhados sobre este e outros sistemas planetários”, conclui Nuno Santos, do IA e Universidade do Porto, co-autor do novo artigo científico que descreve estes resultados.
Fonte: ESO

Terra já engoliu um planeta e isso foi crucial para a vida existir por aqui

Divulgação NASA
Um dos aspectos mais desconhecidos pelo ser humano sobre a Terra é o interior do planeta. Diversos materiais raríssimos estão no manto de lava que fica abaixo da crosta e, mais ainda, nas proximidades do núcleo. Lá por, exemplo, é criada a energia responsável pelo campo magnético de nosso planeta. E tudo isso pode ser fruto do choque entre a Terra e um outro planeta há bilhões de anos. Publicada na conceituada revista Nature, uma pesquisa dá conta de que não foram apenas meteoros que trouxeram materiais orgânicos para a Terra. O estudo propõe que um planeta que teria o tamanho de Mercúrio pode ter se chocado com a Terra, fazendo com que materiais raríssimos fossem adicionados à composição do nosso planeta.
Esse choque teria sido primordial para a criação do campo magnético que hoje sustenta a gravidade. Recentemente especialistas já haviam divulgado que a existência da Lua e a relação posterior do satélite com a Terra podem ser frutos de um choque entre planetas — o que indica que esses choques poderiam ser mais comuns do que se imagina. Agora, cientistas procuram descobrir se esse suposto choque, responsável pela chegada de novos elementos químicos, também foi responsável por criar a atmosfera terrestre e, principalmente, manter o oxigênio no planeta, fator crucial para o desenvolvimento da vida por aqui.
Fonte:
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