24 de abr de 2015

'Supervazio' no Universo que 'suga' luz intriga astrônomos




Astrônomos de uma universidade no Havaí podem ter decifrado um mistério de dez anos e encontrado a maior estrutura conhecida do Universo.
Imagem: ©ESA e Planck Collaboration
A área onde fica o chamado Ponto Frio fica na constelação de Eridano no hemisfério galático sul, como mostra a imagem feita pela Agência Espacial Europeia em colaboração com o telescópio Planck (Imagem: ©ESA e Planck Collaboration)

Em 2004, ao examinar um mapa da Radiação Cósmica de Fundo (CMB, na sigla em inglês), resíduo do Big Bang presente em todo o Universo, astrônomos descobriram uma área diferente, surpreendentemente ampla e fria, batizada de Ponto Frio. A física que estuda a teoria do Big Bang para a origem do Universo prevê pontos quentes e frios de vários tamanhos em um Universo ainda jovem, mas um ponto tão grande e tão frio como o desta descoberta não era esperada pelos cientistas. Mas uma equipe, liderada por István Szapudi, do Instituto de Astronomia da Universidade do Havaí, em Manoa, pode ter a explicação para a existência deste Ponto Frio que, segundo Szapudi, seria "a maior estrutura individual já identificada pela humanidade".

Supervazio
Usando dados do telescópio Pan-STARRS1 (PS1), em Haleakala, Maui, e também do satélite Wide Field Survey (WISE), da Nasa, a equipe de Szapudi descobriu o que chamaram de "supervazio", uma grande região de 1,8 bilhão de anos-luz de largura, na qual a densidade das galáxias é muito menor do que o normal encontrado no Universo conhecido. Os cientistas dizem que essa região é tão grande que é difícil encaixá-la na nossa compreensão convencional sobre dimensões e espaço.  Ela é mais fria do que outras partes do universo, e apesar de não ser um vácuo ou totalmente vazia, parece ter cerca de 20 por cento a menos de matéria do que outras regiões. O "supervazio", localizado a 3 bilhões de anos-luz da Terra, "sugaria" energia da luz que viaja através dela, o que explica o intenso frio da região. Segundo os cientistas, atravessá-la pode levar milhões de anos, mesmo à velocidade da luz. O estudo foi publicado no Notices of the Royal Astronomical Society.
Fonte: BBC BRASIL

A curiosa chuva de diamantes em Urano e Netuno


Alguns planetas do nosso Sistema Solar têm chamado a atenção de várias nações que executam missões espaciais. Urano e Netuno são dois desses planetas.  Mas, ao invés de avanços científicos, as motivações que cercam os interesses por esses planetas estão mais relacionadas às ambições financeiras. Isso acontece porque Urano e Netuno são maravilhas do Sistema Solar por suas propriedades químicas e físicas.  Pesquisadores da Nasa planejam enviar missões a Netuno para explorar a chamada chuva de diamantes, um fenômeno que se forma na atmosfera ultra-densa do planeta em função da pressão exercida sobre os átomos de carbono, que se transformam em nuvens e chuvas de diamantes.

Dá para imaginar uma chuva dessas?

Netuno está localizado a 4 bilhões de quilômetros da Terra, o que dificulta muito uma viagem espacial. Ainda assim, o interesse de explorar as riquezas desse planeta faz com que os homens quebrem a cabeça pensando numa alternativa para chegar até lá. Segundo especialistas, uma viagem espacial para Netuno numa nave convencional demoraria cerca de 30 anos.  Há quem pense que o esforço vale a pena. Em Netuno e em Urano o ar é tão denso que chove diamante.

Alguns estudos também dão conta de que a superfície dos planetas é repleta de diamantes e que existe ainda a possibilidade de haver oceanos de diamante líquido e icebergues de diamantes nos dois planetas. Qualquer pessoa ficaria feliz em explorar essas riquezas, não?  A ideia dos pesquisadores é construir uma vela de 250 mil metros quadrados, que seria inflada pela luz do Sol. Esse equipamento alcançaria uma supervelocidade e chegaria a Netuno em três anos.  Por enquanto, tudo está apenas no campo das ideias, mas quem sabe um dia o homem não seja realmente capaz de explorar a curiosa chuva de diamantes de Urano e Netuno.

Plutão à vista!

Após nove anos de viagem, a sonda New Horizons está chegando a Plutão. Realmente chegando. Veja esta imagem.
Imagem colorida de Plutão e Caronte obtida pela New Horizons em 9 de abril (Crédito: Nasa)
Imagem colorida de Plutão e Caronte obtida pela New Horizons em 9 de abril (Crédito: Nasa)

Divulgada na terça-feira (14) pela Nasa, a fotografia foi obtida no dia 9, enquanto a sonda viaja a uma velocidade inacreditável de cerca de 1 milhão de km por dia até a aproximação máxima, marcada para 14 de julho. No momento, a espaçonave está a cerca de 110 milhões de km de seu alvo — pouco menos que a distância entre o Sol e Vênus. A imagem — a primeira colorida enviada pela sonda — revela Plutão, mais avermelhado, e a maior de suas luas, Caronte, bem menos brilhante. E, com isso, a empolgação começa a escalar, enquanto metade da população do mundo experimenta pela primeira vez a sensação de se aproximar de um mundo nunca antes explorado.

Diferentemente do que está acontecendo no planeta anão Ceres, onde a sonda Dawn entrou em órbita no mês passado, a visita a Plutão será apenas um sobrevoo — a nave passa zunindo por ali, fotografando tudo pelo caminho, e depois segue seu rumo, para fora do Sistema Solar.

AVENTURA DE UMA GERAÇÃO
 
A emoção e o entusiasmo remontam ao que aconteceu quando as sondas Voyager 1 e 2 fizeram um reconhecimento completo dos quatro planetas gigantes — Júpiter, Saturno, Urano e Netuno — entre 1979 e 1989. Durante a entrevista coletiva desta terça, Jim Green, diretor de Ciência Planetária da Nasa, relembrou esse tempo. “Muitos de nós estávamos por aqui na época das Voyagers e foi muito empolgante. Aquela coisa de ciência instantânea a cada nova imagem, embora muitos cientistas se sentissem desconfortáveis com isso.”

É o que a New Horizons deve recapturar agora, com um mundo que fascina muita gente — Plutão. Você ainda se lembra de como foi com as Voyagers? Eu confesso que me lembro vagamente da passagem por Urano (1986, eu tinha sete anos) e só com clareza da visita a Netuno (1989), antes que a Voyager 2 avançasse na direção do grande vazio interestelar. Mas Alan Stern, cientista-chefe da missão New Horizons, destaca uma pesquisa que mostrou que cerca de 50% da população americana não se lembra disso, e possivelmente o mesmo se aplica à população global. “Não há nada como isso no mundo hoje. É sem precedentes em nossa época.”

E você, estava por aqui quando a Voyager visitou os planetas exteriores? Está ansioso pela chegada da New Horizons?

Uma diferença importante entre essa nova aventura e as que a antecederam, no cada vez mais longínquo século 20, é a evolução tecnológica. A New Horizons, lançada em 2006, é uma espaçonave moderna, com câmeras de alta resolução e alta capacidade de memória. As Voyagers eram máquinas dos anos 1970, com meio milésimo do poder computacional da primeira geração do iPhone, hoje já ultrapassado. Então, a coleta de dados de Plutão e suas luas será extraordinária. Em compensação, as leis da física continuam as mesmas, e transmitir bits por distâncias de bilhões de quilômetros faz a gente ter saudade das conexões discadas à internet.

Não acredita? A Nasa provavelmente entrará no Guiness Book com o download mais longo da história. Para baixar todas as informações colhidas durante a passagem por Plutão, serão necessários 16 meses! Após o sobrevoo, em julho, a sonda apontará sua antena para a Terra e seguirá transmitindo os dados gravados até outubro de 2016!  Ainda assim, a Nasa formulou um planejamento bacana para que recebamos diversos aperitivos de alta qualidade durante a chegada e logo após a aproximação máxima. Será uma daquelas experiências que definem uma geração!
Fonte: Salvador Nogueira - Mensageiro Sideral
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