4 de mai de 2015

Se depender dos japoneses, elevador espacial deve ficar pronto até 2050

Quem nunca pensou em viajar para fora do planeta e entrar em contato com a vastidão do espaço, hein? Até agora, as opções para sair da Terra são: se tornar um astronauta, ser um cientista ou ainda bancar uma viagem privada com um montante considerável de dinheiro. Porém, esses dias de restrição podem estar contados se depender da empresa japonesa Obayashi. Ela pretende construir um elevador espacial que pode alcançar uma altura de 96 mil quilômetros no espaço até 2050. A ideia é implementar elevadores que podem carregar até 30 pessoas em uma viagem de cerca de sete dias para o topo da construção, uma estação espacial feita especialmente para abrigar e servir de ponto turístico para esses futuros viajantes. Calcula-se que o custo para esse transporte pode chegar a menos de 1% de trajetos similares usando foguetes de propulsão tradicionais.

Pensando na tecnologia do amanhã


Tanto a NASA como a Google – através de seu laboratório Google X – têm planos para elevadores espaciais, mas ambos esbarraram no problema dos materiais necessários para o empreendimento. A companhia oriental também depende do aperfeiçoamento da tecnologia de nanotubos de carbono para levar o projeto à frente, mas a Obayashi já está trabalhando em conjunto com diversas universidades japonesas para avançar nas pesquisas com o material e também em outras áreas.  Por enquanto, não conseguimos fazer cabos longos o bastante.

Só chegamos a nanotubos de 3 centímetros, mas precisamos de muito mais... acho que por volta de 2030 já conseguiremos chegar ao número pretendido”, contou Yoji Ishikawa, pesquisador e gerente de desenvolvimento na Obayashi. Ainda assim, Ishikawa concorda com um estudo de 2012 sobre o assunto, que diz que o elevador espacial é algo possível, mas que pode ser mais facilmente colocado em prática através de um projeto global unificado. “Não acho que uma empresa apenas consiga realizar o projeto, precisaremos de uma organização internacional para fazer algo tão grande”, explica.

Outros benefícios


O novo elevador pode acabar com a necessidade de se lançar foguetes da Terra para o espaço – uma operação extremamente cara e perigosa. É possível acoplar pequenas naves no trilho do elevador para que, então, sejam levadas à estação espacial e façam o seu lançamento diretamente do espaço, uma estratégia bem mais simples, sem a necessidade absurda de combustível gasto para vencer a gravidade do planeta. Além disso, a estrutura do transporte pode ser usada para captar uma grande quantidade de energia solar, podendo amenizar uma parte dos problemas energéticos que enfrentamos hoje em dia. Como projeto turístico, o elevador pode gerar lucro o suficiente para que outras plataformas possam ser construídas e, quem sabe, fazer com que um dos próximos pontos de parada possa ser a Lua. De qualquer maneira, se tiver planos de conhecer a fronteira final, é melhor começar a guardar uma graninha todos os meses para garantir a sua futura passagem no serviço de transporte. Vejo vocês por aí, caubóis espaciais!
Fonte: Tecmundo
ABC

Uma calota polar em Plutão?

A sonda New Horizons segue em desabalada carreira na direção de Plutão, por onde passará em 14 de julho, e os cientistas da Nasa não escondem a empolgação com as descobertas que parecem vir a cada novo conjunto de imagens. Nas últimas, eles encontraram evidências de que talvez o planeta anão tenha uma calota polar.
Concepção artística de Plutão, prestes a ficar velha com a passagem da New Horizons (Crédito: Nasa)
Concepção artística de Plutão e sua lua Caronte, prestes a ficar velha com a passagem da New Horizons (Crédito: Nasa)

O objeto ainda não passa de um punhado de pixels nas capturas feitas pela câmera telescópica de bordo (LORRI, para os íntimos), mas é um punhado de pixels respeitável, graças a uma técnica desenvolvida pelos cientistas para extrair a máxima quantidade de dados de cada imagem. Usando um processo que eles chamam de deconvolução e que combina o processamento de diversas imagens brutas em conjunto para operar sua mágica, o pessoal da New Horizons já enxerga alguns traços na superfície de Plutão.

Foi graças a esse esforço que eles conseguiram notar, em imagens feitas em meados de abril, uma região que parece permanentemente mais clara na região polar de Plutão — é o que os leva a crer que se trate de uma calota. Mas eles ainda não têm ideia de qual seja sua composição. “Esses traços são reais, vistos pela primeira vez, com um pouco mais de qualidade do que as melhores imagens que tínhamos até então”, disse um entusiasmado Alan Stern, cientista-chefe da missão. “Já vemos marcas bem grandes da superfície e informações de albedo [brilho], estruturas com centenas de milhas de largura. E as imagens sempre permanecem brilhantes no polo — estamos interpretando como evidência de uma calota polar.”
Sequência de imagens colhida ao longo de seis dias revela Plutão e sua lua Caronte (Crédito: Nasa)
Sequência de imagens colhida ao longo de seis dias revela Plutão e sua lua Caronte (Crédito: Nasa)


Outro aspecto divertido da imagem é ver como Caronte, a maior das luas de Plutão, influencia gravitacionalmente o planeta anão, puxando-o para lá e para cá conforme gira em torno dele. Uma coisa que os pesquisadores não mencionaram, mas que o Mensageiro Sideral não pode deixar de dizer, é que, pelo menos a essa distância (pouco mais de 100 milhões de quilômetros), Plutão não está parecendo, assim, muuuito esférico. Segundo os cientistas, Plutão é mesmo redondo, e essa impressão de irregularidade nas imagens é gerada pela variação de brilho da superfície em rotação. Certo. Ainda assim, faço questão de comentar isso, porque este é o prazer de uma missão como esta: estamos todos chegando juntos a esse estranho mundo, nunca antes visitado, e vamos aprender mais e mais a cada dia. Especular a cada nova imagem é parte integrante da aventura.

Por falar em novas imagens, outra boa notícia é que o pessoal da New Horizons vai compartilhar as fotos “cruas” (sem processamento) colhidas pela missão na internet — elas serão postadas no máximo 48 horas após seu download. Você pode dar uma olhada no que eles já têm clicando aqui. E pode esperar um frenesi a partir do dia 28 de maio, ponto em que a sonda estará fazendo novas imagens todo dia. Será empolgante!
Fonte: Salvador Nogueira - Mensageiro Sideral

É hora de dar tchau!


Na quinta-feira (30), logo no comecinho da noite, chegou ao fim uma missão espacial muito bem sucedida, a Messenger. Destinada a estudar Mercúrio em detalhes, ela foi lançada em agosto de 2004 e, após seis anos e meio de viagem que incluíram três sobrevoos ao planeta, ela foi colocada em órbita elíptica em março de 2011. Na verdade, a Messenger foi a primeira sonda a orbitar o menor e menos conhecido planeta do Sistema Solar. Antes dela, a Mariner 10 passou por lá em março de 1974, efetuando 3 sobrevoos antes de seu combustível acabar e entrar em órbita do Sol.

Até 2011, o que tínhamos de informações sobre Mercúrio era fruto dos sobrevoos da Mariner 10 e, claro, das observações em Terra. Só que por causa da sincronia dos sobrevoos da Mariner, ela sempre fotografou a mesma face do planeta. Como resultado, menos de 45% da superfície do planeta foi mapeada, ou seja, muita coisa ainda precisava ser feita, mas o pouco que foi mapeado mostrou que, no geral, a aparência de Mercúrio é a mesma da Lua.

Foi preciso esperar três décadas para que a NASA enviasse nova sonda para Mercúrio. Uma missão como essa não é das mais fáceis, tanto por causa da intensa força gravitacional do Sol, que perturba a estabilidade da órbita da sonda, quanto por causa das difíceis condições nessa região do espaço. Os instrumentos da sonda precisam ser blindados termicamente para evitar as grandes variações de temperatura experimentadas todas as vezes que ela mergulha na sombra do planeta. Isso sem falar na intensa radiação solar que pode arruinar toda a eletrônica embarcada.


Mas enfim, a espera terminou em 2004.


A Messenger tinha como missão, além de mapear Mercúrio por completo com uma resolução muito melhor, analisar o tipo de material que compõe o terreno, estudar a interação da radiação solar e determinar o tamanho do núcleo do planeta, entre outros. O plano inicial era que a missão durasse um ano, mas com o Sol chegando ao seu máximo de atividade em 2012, a missão foi estendida mais um ano. Só que nessa extensão, as descobertas feitas pela Messenger foram tão fascinantes que outra extensão foi conseguida, que durou até quando acabou o propelente que faz a sonda manobrar. Sem capacidade de manobra, a órbita da sonda vai decaindo irremediavelmente, até que ela se choque contra a superfície do planeta a mais de 14 mil km/h, abrindo uma cratera de 16 metros de diâmetro.


E quais são essas descobertas?

A mais fantástica foi a de que existe água em Mercúrio! Esse resultado era totalmente inesperado por causa das condições do planeta, cuja superfície pode atingir mais de 400°C! Mas os mapas da Messenger, combinado com os instrumentos de análise geológica, mostraram a presença de gelo em crateras que não são iluminadas pelo Sol nas regiões polares, como ocorre na Lua também. Outra descoberta fascinante foi que Mercúrio guarda em sua superfície amostras de material que formou o Sistema Solar. A Messenger mostrou uma camada de material carbonáceo também sobre os polos, muito provavelmente trazido por cometas vindos da Nuvem de Oort, junto com o gelo. As regiões polares de Mercúrio mostraram-se um depósito de material pré biótico oriundo do bombardeio sofrido pelos planetas interiores, ocorrido nos primórdios do Sistema Solar!

Outras descobertas foram que Mercúrio tem um núcleo líquido, comparativamente até maior que o da Terra, tem campo magnético muito fraco, teve episódios de vulcanismo e possui “atmosfera”. Bom, atmosfera numas. Com a alta temperatura e a baixa gravidade do planeta, não há condições dele reter atmosfera de verdade, densa. O que a Messenger descobriu foram traços de hidrogênio, hélio, oxigênio, sódio, cálcio e potássio, cuja origem é tanto o vento solar, quanto o decaimento radioativo de rochas, formando uma exosfera.

As descobertas da Messenger foram tão surpreendentes que para mantê-la em órbita foi usado hélio quando o gás propelente das manobras acabou – ou seja, a NASA já fez tudo o que pode. Literalmente, a sonda está com tanque vazio e a gravidade é implacável. O último suspiro de hélio foi usado agora, dia 28, para elevar mais um pouco sua órbita final de modo que o momento do impacto coincidisse com o horário em que as antenas da rede Deep Space estivessem em posição favorável para “ouvir” as últimas transmissões. Essa rede de antenas é usada pela NASA para monitorar e se comunicar com todas as suas missões espaciais e tem antenas espalhadas pelo globo – de modo que sempre há pelo menos uma delas rastreando as sondas no espaço.

O impacto da Messenger ocorreu como planejado na quinta, às 18h26 no horário de Brasília, e só vamos saber se de fato aconteceu quando suas transmissões cessarem. Em 2016, a missão BepiColombo, parceria entre as agências espaciais europeias e japonesa, deve ser lançada em direção a Mercúrio. Só lá pelo ano de 2020 é que poderemos ver a cratera deixada pelo mergulho final da Messenger.
Fonte: Cássio Barbosa - Observatório G1

Há pelo menos 11 galáxias errantes circulando pelo universo

galaxias errantes

De vez em quando, os astrônomos observam uma estrela fugitiva, que está rodando sozinha por toda galáxia a uma velocidade vertiginosa. Porém, as estrelas não são as únicas coisas que, ocasionalmente, dão a louca no vazio cósmico: muitas vezes as galáxias saem de casa para nunca mais voltar. Astrônomos do Centro Smithsonian para Astrofísica de Harvard (EUA) já viram 11 galáxias errantes que estão girando pelo espaço intergaláctico a até 6 milhões de quilômetros por hora. Cada um desses montes de estrelas ultrapassou a velocidade de escape, o que significa que estão quebrado os laços gravitacionais que as seguram na sua vizinhança cósmica.

A descoberta dessas exiladas solitárias foi publicada nesta semana na revista “Science”. Os pesquisadores descobriram esses nômades galácticos enquanto garimpavam arquivos de dados astronômicos em busca de elípticas compactas, uma classe relativamente nova de pequenas galáxias que, acredita-se, se formam quando um grupo de estrelas se separa de uma galáxia muito maior. Por causa de sua formação, as galáxias elípticas são normalmente encontradas muito próximas umas das outras, ou bastante perto de uma vizinha maior.
A imagem acima mostra um esquema que ilustra a criação de uma galáxia fugitiva. No primeiro quadro do lado esquerdo, uma galáxia intrusa se aproxima de um conjunto galáctico, onde uma elíptica compacta já está em órbita. Quando a elíptica compacta encontra a intrusa, ela recebe um "pontapé" gravitacional e vai voar para o espaço. Crédito da imagem: NASA, ESA, e a equipe do Hubble Heritage.
A imagem acima mostra um esquema que ilustra a criação de uma galáxia fugitiva. No primeiro quadro do lado esquerdo, uma galáxia intrusa se aproxima de um conjunto galáctico, onde uma elíptica compacta já está em órbita. Quando o elíptica compacta encontra a intrusa, ela recebe um “pontapé” gravitacional e vai voar para o espaço. Crédito da imagem: NASA, ESA, e a equipe do Hubble Heritage.

Os pesquisadores descobriram esses nômades galácticos enquanto garimpavam arquivos de dados astronômicos em busca de elípticas compactas, uma classe relativamente nova de pequenas galáxias que, acredita-se, se formam quando um grupo de estrelas se separa de uma galáxia muito maior. Por causa de sua formação, as galáxias elípticas são normalmente encontradas muito próximas umas das outras, ou bastante perto de uma vizinha maior.

Um monte de novas galáxias

A pesquisa identificou quase 200 elípticas compactas anteriormente desconhecidas. Para surpresa dos pesquisadores, no entanto, 11 delas eram completamente isoladas no espaço intergaláctico. Além disso, as elípticas isoladas estavam se movendo muito mais rápido do que suas irmãs ligadas a aglomerados. Os pesquisadores desenvolveram uma teoria sobre a origem destas galáxias solitárias: “Uma estrela de hipervelocidade pode ser criada se um sistema estelar binário vaga perto do buraco negro no centro da nossa galáxia. Uma estrela é capturada enquanto outra é arremessada para fora a uma velocidade tremenda”.

“De maneira similar, uma elíptica compacta pode ser emparelhada com a grande galáxia que despôs de suas estrelas. Em seguida, uma terceira galáxia entra na dança e lança a compacta elíptica à distância. Como castigo, o intruso fica acrescido da grande galáxia restante”. Quanto mais aprendemos sobre as guerras territoriais cósmicas acontecendo ao nosso redor, mais podemos ficar gratos que o nosso pequeno sistema solar ainda não foi pego no fogo cruzado. É só mais uma daquelas coisas que coloca os nossos minúsculos problemas em perspectiva, afinal, o que é perder o ônibus num dia de chuva comparado com ser acertado por uma galáxia errante?
Fonte: Hypescience.com

Rachaduras nas paredes do Universo

A maior descoberta de 2014 pode ter sido uma ilusão. Mesmo assim, ela serve para lembrar algo especial: que somos mais do que meros observadores do cosmos. Entenda
Depois do céu, tem outro céu. Sem estrelas. Se você voar alto o bastante, uma hora sai da Via Láctea. As estrelas vão ficar lá embaixo, confinadas em braços espirais. Mas ainda vai existir um céu, e ele será pontilhado de galáxias. E depois desse céu, tem outro céu. Sem galáxias.

É o que os telescópios mostram. Para além das galáxias, o que existe é uma sopa de radiação. Um caldo onipresente - que os astrônomos chamam de "radiação cósmica de fundo". "De fundo" porque permeia tudo o que dá para ver além do domínio das galáxias. Para qualquer canto que você apontar um telescópio, essa radiação vai estar lá. Na prática, ela forma as paredes do Universo. E foi nessas paredes que podem ter feito, em março deste ano, uma das descobertas mais bonitas da história. Essas paredes já eram bem conhecidas. Elas são a maior evidência do Big Bang, e, de quebra, a maior amostra de que o senso comum não entende o que realmente foi o Big Bang. Para começar, a explosão que deu origem ao Universo não foi uma explosão. Ela ainda é uma explosão.

O Big Bang continua big-bangando, porque o cosmos continua expandindo. E cada vez mais rápido. Vivemos dentro de uma "explosão controlada". Mais importante: o Big Bang não aconteceu em algum lugar distante nas profundezas do cosmos. Ele aconteceu exatamente aí, onde você está agora. Ele aconteceu em Guarulhos, em Júpiter e na sua testa. Ao mesmo tempo. É que, há 13,8 bilhões de anos, tudo o que existe hoje, aqui, no céu ou na sua cabeça, estava espremido no mesmo ponto. E do lado de fora desse ponto não existia um "lado de fora". Não existia nada. Todo o espaço e tudo o que preenche o espaço estavam contidos lá. Tudo mesmo: da energia que forma os átomos dos seus cílios ao espaço físico que separa São Paulo do Rio - ou a Via Láctea da galáxia de Andrômeda. Tudo bem apertado, numa quantidade de espaço que caberia com folga na ponta de um alfinete.

O Big Bang foi a expansão dessa quantidade de espaço. E ainda é, já que o espaço continua inflando, como uma bexiga descomunal. Essa expansão, por sinal, chegou a ter uma fase especialmente acelerada - um período de trilionésimos de segundo que os astrônomos chamam de "inflação cósmica". Para localizar melhor: o Big Bang, estritamente falando, foi o momento em que o Universo saiu do nada para virar algo do tamanho de uma partícula subatômica. Depois desse pequeno passo, veio o grande salto: a inflação cósmica. Foi aí que o Universo deixou de ser uma partícula e virou algo parecido com isso que a gente vê à noite pela janela (ainda sem estrelas, ou átomos, ou luz, mas ainda assim algo grande). Essa puberdade cósmica passou rápido. Uma fração de trilionésimo de segundo e já era: o ritmo da expansão voltou ao normal. Mas a inflação deixou rastros, resquícios daquele tempo especial, em que o Universo era uma partícula subatômica.

Foi um desses rastros que o time do astrônomo John M. Kovac, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, encontrou no céu do Polo Sul, em março de 2014. Eles perceberam "rachaduras" nas paredes do Universo. Ondas, na verdade, permeando a radiação cósmica de fundo.

E aí que está a beleza da coisa. Por causa do seguinte: a ciência sabe que as forças da natureza se manifestam em forma de ondas. O eletromagnetismo, a que mantém os ímãs presos na geladeira e que faz sua mão doer se você dá um soco na mesa (graças à repulsão eletromagnética entre os átomos da sua mão e os da mesa), é feito de ondas. Ondas eletromagnéticas. Outras duas forças também vêm em ondas, como o mar: a nuclear forte, que mantém os quarks unidos na forma de prótons, e a nuclear fraca, a mais figurante de todas, que age na periferia dos átomos. É o que a física quântica provou ao longo do século 20. Só que ficou um buraco nessa história. Ninguém nunca detectou as ondas que deveriam formar a força mais popular das quatro que existem: a gravidade.

Mas podem ter acabado de encontrar. É que, se existem ondas visíveis nas paredes do Universo, como os pesquisadores do Polo Sul viram, elas podem, sim, ser ondas gravitacionais. E provavelmente geradas pela violência da inflação cósmica - dá para imaginá-las como cicatrizes daquele crescimento fulminante. Para todos os efeitos, seriam fósseis da adolescência tumultuada do cosmos, marcas do tempo em que o Universo era só uma partícula. Tudo isso ainda é hipótese pura - e imagens mais recentes das cicatrizes, feitas em setembro pelo telescópio espacial Planck, sugerem que elas podem ser só poeira estelar. Que a descoberta das ondas gravitacionais pode ter sido só uma ilusão.

Mesmo assim, só a possibilidade de que não, não seja uma ilusão, já serve para lembrar a gente de algo mais profundo: de que somos tão parte do cosmos hoje quanto na época em que estávamos todos juntos, ali, naquela ponta de alfinete. Serve para lembrar que não somos meros observadores do Universo. Somos o próprio Universo, tomando consciência de si mesmo.
Fonte: Super Interessante

O que são estrelas do tipo Wolf-Rayet?

O que são estrelas do tipo  Wolf-Raye?
Estrelas do tipo Wolf-Rayet são estrelas massivas e quentes que perdem as suas massas rapidamente. Saiba tudo sobre elas.

As estrelas do tipo Wolf-Rayet pode são até 20 vezes mais massivas do que o nosso Sol, mas perdem rapidamente a sua massa por meio de ventos solares muito fortes. Ou seja, são estrelas que vivem rápido e morrem jovens. Claro que elas não foram sempre assim. O Wolf-Rayet é um estágio normal na evolução de estrelas massivas, na qual linhas de emissão de hélio e nitrogênio (no caso das Wolf-Rayet do tipo WN) ou de hélio, carbono e oxigênio (nas do tipo WC) são visíveis.

A fase final da vida dessas estrelas é a mais famosa; é quando elas explodem como uma supernova e semeiam o universo com elementos cósmicos. Mais especificamente, as Wolf-Rayets se tornam supernovas do tipo II. Essas supernovas são o colapso gravitacional de estrelas enormes, com pelo menos dez massas solares. A presença de hidrogênio é o que distingue as do tipo II de outras classes de supernova.

Vida rápida

Quando você olha para uma estrela como o sol, o que você está vendo é um equilíbrio delicado da gravidade da estrela puxando coisas para dentro e da fusão nuclear dentro dela empurrando coisas para fora. Quando essas forças são mais ou menos iguais, você tem uma massa estável. É por isso que a Terra está em uma boa vizinhança – nosso sol ainda vai viver bilhões de anos. Estar perto de uma estrela maciça como as Wolf-Rayets é como brincar com fogo, no entanto. Elas crescem rapidamente e morrem muito mais cedo do que o sol. Enquanto o nosso astro-rei ainda está transformando hidrogênio em hélio, Wolf-Rayets já estão queimando elementos como o oxigênio para tentar manter o equilíbrio.

Como esses elementos têm mais átomos por unidade, isso cria mais energia, especificamente, mais calor e radiação. Assim, a estrela começa a soprar ventos de 3,6 a 9 milhões de quilômetros por hora. Ao longo do tempo, esses ventos levam com eles as camadas exteriores da Wolf-Rayet. Isso elimina grande parte da sua massa e, ao mesmo tempo, libera seus elementos para serem usados em outras partes do universo. Eventualmente, a estrela se esgota de elementos para fundir (ela chega a consumir até seu ferro). Quando a fusão para, a pressão no seu interior cessa e não há nada que impeça a gravidade de acabar com ela. Grandes estrelas Wolf-Rayet explodem como uma supernova. As maiores veem sua gravidade deformá-las tanto que nem mesmo a luz pode escapar, criando um buraco negro.

Mistérios gigantes

Em 2004, observações do telescópio espacial Hubble da NASA levaram os cientistas a crer que a maioria das Wolf-Rayets tem uma companheira estelar. Isso poderia nos ajudar a descobrir como essas estrelas ficam tão grandes e brilhantes. Por exemplo, talvez a maior estrela (a que se transforma em uma Wolf-Rayet) se alimenta de sua companheira ao longo do tempo, reunindo massa até que se torne extremamente grande. Com mais combustível, essas grandes estrelas queimam mais rápido.
Fontes: Ciência On-Line

O mapa do universo

mapa 3d universo

Os astrofísicos criaram um mapa 3D do nosso universo. Ele se estende por quase dois bilhões de anos-luz e é o desenho mais completo da nossa vizinhança cósmica até agora. O mapa esférico de superaglomerados de galáxias levará a uma maior compreensão de como a matéria é distribuída e fornecerá informações importantes sobre a matéria escura, um dos maiores mistérios da física. O mapa foi criado pelos professores Mike Hudson, Jonathan Carrick e Stephen Turnbull, do Departamento de Física e Astronomia da Universidade de Waterloo, no Canadá, e Guilhem Lavaux, do Instituto de Astrofísica de Paris e do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França.

“A distribuição de galáxias não é uniforme e não tem nenhum padrão. Ela tem picos e vales muito parecidos com uma cadeia de montanhas. Isto é o que é esperado se a estrutura em larga escala se origina de flutuações quânticas do início do universo”, explica Hudson. As áreas azuis e brancas mais leves no mapa representam maiores concentrações de galáxias. A área vermelha é o superaglomerado chamado de Concentração Shapley, a maior coleção de galáxias no universo próximo. Áreas inexploradas aparecem em cor azul mais forte.


VELOCIDADES PECULIARES
Saber a localização e o movimento da matéria no universo vai ajudar astrofísicos a prever sua expansão e identificar o local e a quantidade de matéria escura existente. Os cientistas observam que as galáxias se movem de forma diferente porque a expansão do universo não é igualitária. Estas diferenças são chamadas de velocidades peculiares. A Via Láctea e sua vizinha Andrômeda, por exemplo, estão se movendo com uma velocidade de 2 milhões de quilômetros por hora. Modelos anteriores de mapas não consideravam totalmente esta movimentação. Hudson e sua equipe estão interessados ​​em descobrir quais estruturas são responsáveis ​​pelas velocidades peculiares. Estes desvios no movimento das galáxias são uma ferramenta valiosa para determinar a distribuição de matéria e matéria escura em escalas maiores.


O SEGREDO DA MATÉRIA ESCURA
A matéria escura é responsável por uma grande parte da massa do universo. É uma forma hipotética de partícula que não reflete ou emite luz e, portanto, não pode ser vista ou medida diretamente. A existência e as propriedades da matéria escura só podem ser inferidas indiretamente através de seus efeitos gravitacionais na matéria visível e na luz. “Uma melhor compreensão da matéria escura é fundamental para entender a formação de galáxias e as estruturas em que vivem, como aglomerados de galáxias, superaglomerados e vazios”, afirma Hudson. O próximo passo da pesquisa será conseguir amostras mais detalhadas de velocidades peculiares para melhorar o mapa, em colaboração com pesquisadores da Austrália.
Fonte: Hypescience.com
 [Phys]

NUSTAR captura possiveis gritos de estrelas zombie

O NuSTAR obteve uma nova imagem de raios-X altamente energéticos (magenta) do centro movimentado da Via Láctea. O círculo mais pequeno mostra o centro da nossa Galáxia, onde a imagem do NuSTAR foi capturada. Crédito: NASA/JPL-Caltech


Perscrutando o coração da Via Láctea, o NuSTAR (Nuclear Spectroscopic Telescope Array) da NASA avistou um brilho misterioso de raios-X altamente energéticos que, de acordo com os cientistas, podem ser os "uivos" de estrelas mortas à medida que se alimentam de companheiras estelares. "Com as imagens do NuSTAR, nós podemos ver um componente completamente novo do centro da nossa Galáxia," afirma Kerstin Perez da Universidade de Columbia em Nova Iorque, autora principal de um novo artigo sobre os achados, publicado na revista Nature. "Nós ainda não podemos explicar definitivamente o sinal de raios-X - é um mistério. Mais trabalho precisa ser feito."

O centro da Via Láctea está repleto de estrelas jovens e velhas, buracos negros mais pequenos e outras variedades de corpos estelares - todos envolvendo o buraco negro supermassivo chamado Sagitário A*.

O NuSTAR, lançado para o espaço em 2012, é o primeiro telescópio capaz de capturar imagens nítidas dessa região frenética em raios-X de alta energia. As novas imagens mostram uma região, em redor do buraco negro supermassivo, com aproximadamente 40 anos-luz em diâmetro. Os astrónomos ficaram surpreendidos pelas imagens, que revelam que uma névoa inesperada de raios-X altamente energéticos domina a atividade estelar habitual. Quase tudo o que pode emitir raios-X está no Centro Galáctico," afirma Perez. "A área está repleta de fontes de raios-X de baixa energia, mas a sua emissão é muito fraca quando a examinamos às energias que o NuSTAR observa. Portanto, o novo sinal destaca-se."

Os astrónomos têm quatro teorias possíveis para explicar o brilho de raios-X desconcertante, três das quais envolvem classes diferentes de corpos estelares. Quando as estrelas morrem, não o fazem tranquilamente. Ao contrário de estrelas como o nosso Sol, as estrelas mortas e colapsadas que pertencem a pares estelares, ou binários, podem sugar matéria das suas companheiras. Este processo de alimentação "zombie" varia consoante a natureza da estrela normal, mas o resultado pode ser uma erupção de raios-X. De acordo com uma das teorias, pode estar em funcionamento um tipo de zombie estelar chamado pulsar. Os pulsares são os remanescentes colapsados de estrelas que explodiram como supernovas. Giram extremamente rápido e enviam feixes intensos de radiação.

 À medida que os pulsares giram, os feixes varrem o céu, por vezes intercetando a Terra como luzes de um farol. Podemos estar a testemunhar os feixes de uma população, até agora escondida, de pulsares no Centro Galáctico," comenta a coautora Fiona Harrison do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) em Pasadena, EUA, e investigadora principal do NuSTAR. "Isto significa que há algo muito especial sobre o meio ambiente no centro da nossa Galáxia."

Outros possíveis culpados incluem cadáveres estelares corpulentos chamados anãs brancas, que são os restos colapsados e "queimados" de estrelas não maciças o suficiente para explodir como supernovas. O nosso Sol é uma dessas estrelas e está destinado a tornar-se numa anã branca daqui a aproximadamente cinco mil milhões de anos. Dado que estas anãs brancas são muito mais densas do que eram na sua juventude, têm uma gravidade mais forte e podem produzir raios-X mais energéticos do que o normal. Outra teoria aponta para pequenos buracos negros que se alimentam lentamente das suas estrelas companheiras, irradiando raios-X à medida que o material cai para os seus poços sem fundo.

Alternativamente, a fonte dos raios-X de alta energia pode até nem ser um corpo estelar, dizem os astrónomos, mas sim uma névoa difusa de partículas carregadas chamadas raios cósmicos. Os raios cósmicos talvez tenham origem no buraco negro supermassivo no centro da Galáxia, à medida que devora material. Quando os raios cósmicos interagem com o gás denso circundante, emitem raios-X. No entanto, nenhuma dessas teorias coincide com o que sabemos de pesquisas anteriores, deixando os astrónomos perplexos. "Este novo resultado lembra-nos que o Centro Galáctico é um lugar estranho," afirma o coautor Chuck Hailey da Universidade de Columbia.

"Do mesmo modo que as pessoas se comportam de forma diferente quando andam na rua em vez de 'enlatados" numa carruagem do metro, os objetos estelares exibem comportamentos estranhos quando amontoados em volumes pequenos perto do buraco negro supermassivo."

A equipa diz que estão planeadas mais observações. Até então, os teóricos vão estar ocupados a explorar os cenários ou a construir novos modelos que expliquem o que pode estar a emitir este intrigante brilho de raios-X altamente energético. "De cada vez que construímos telescópios pequenos como o NusTAR, que melhoram a nossa visão do cosmos numa banda de comprimentos de onda em particular, podemos esperar surpresas como esta," conclui Paul Hertz, diretor da divisão de astrofísica na sede da NASA em Washington.
Fonte: Astronomia Online

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