23 de jul de 2015

Azulado, cometa Panstarrs pode ser visto de todo o Brasil

Cometa C/2014 Q1 Panstarrs


Depois de maravilhar os habitantes do hemisfério norte, o cometa C/2014 Q1 Panstarrs já pode ser visto no hemisfério sul durante os próximos dias. E Venus e Júpiter ajudam a localiza-lo. Se você olhar no quadrante Oeste-Noroeste (WNE) logo após o pôr do Sol, os primeiros objetos que chamarão a sua atenção serão, sem sombra de dúvidas, os planetas Vênus e Júpiter, além da estrela Regulus, da constelação de Leão, bem pertinho deles. Ultimamente, esses três elementos formam um belo cenário após o ocaso e certamente você já os viu salpicando o firmamento. Entretanto, além desses dois planetas e de Regulus, um quarto objeto também está presente na mesma região.

Trata-se do cometa C/2014 Q1 Panstarrs, que está dando um verdadeiro show no céu do hemisfério Sul. O cometa foi descoberto pelo consórcio Pan-STARRS em 16 de agosto de 2014, com auxílio de um telescópio de 1800 milímetros situado sobre o monte Haleakala, no Hawaii.  Panstarrs é um cometa não periódico, com um período orbital superior a 33400 anos e em 6 de julho atingiu a menor distância do Sol, passando a apenas 44 milhões de km da superfície da estrela. Atualmente, o brilho de Panstarrs está estimado em 6.0 magnitudes, o que faz dele um objeto facilmente visível através de binóculos de boa qualidade. Através de instrumentos, Panstarrs parece uma pequena bolinha difusa, ligeiramente azulada.

Carta de localizacao do  cometa C/2014 Q1 Panstarrs
Como achar e ver

Atualmente, C/2014 Q1 Panstarrs se encontra na constelação do Sextante, na borda da constelação de Leão e pode ser visto logo após o pôr do Sol, à esquerda da formação Vênus-Júpiter-Régulus. À medida que os dias passam o cometa ganha altitude, mas também perde o brilho, por isso recomendamos tentar observar o cometa até no máximo o final de semana.
O ideal para ver o cometa é uma pequena luneta, telescópio ou binóculos, todos de boa qualidade. Instrumentos baratos ou de brinquedo não são recomendados. Panstarrs não pode ser visto a olho nu. A carta celeste mostrada acima pode ajudar na localização dos objetos, mas recomendamos o uso de um software planetário. O mais indicado é o Stellarium, que pode ser baixado gratuitamente.
Bons céus!
Fonte: Apolo11.com - http://www.apolo11.com/

ALMA observa pela primeira vez formação de galáxias no Universo primordial


ALMA observa formação de galáxias no Universo primordial.Crédito:ESO/R. Maiolino

Com o auxílio do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) foram detectadas as nuvens de gás de formação estelar mais distantes observadas até hoje em galáxias normais no Universo primordial. As novas observações permitem aos astrônomos começar a ver como é que as primeiras galáxias se foram construindo e como é que limparam o nevoeiro cósmico durante a era da reionização. Esta é a primeira vez que tais galáxias são observadas com melhor detalhe do que simples manchas tênues. Quando as primeiras galáxias se começaram a formar algumas centenas de milhões de anos depois do Big Bang, o Universo estava cheio de um nevoeiro de hidrogênio gasoso.

Mas à medida que mais e mais fontes brilhantes —  tanto estrelas como quasares alimentados por enormes buracos negros — começaram a brilhar, este nevoeiro foi desaparecendo tornando o Universo transparente à radiação ultravioleta. Os astrônomos chamam a este período a época da reionização, no entanto pouco se sabe acerca destas primeiras galáxias e, até agora, apenas se tinham observado como manchas tênues. Estas novas observações obtidas com o poder do ALMA estão a mudar esta realidade.

Uma equipe de astrônomos liderada por Roberto Maiolino (
Cavendish Laboratory e Kavli Institute for Cosmology, University of Cambridge, Reino Unido) apontou o ALMA a galáxias que se sabia estarem a ser observadas a cerca de apenas 800 milhões de anos depois do Big Bang. Os astrônomos não estavam à procura da radiação emitida pelas estrelas, mas sim do fraco brilho do carbono ionizado emitido pelas nuvens de gás a partir das quais se formam as estrelas. A equipa pretendia estudar a interação entre uma geração de estrelas jovem e os frios nós de gás que se estavam a formar nestas primeiras galáxias.

A equipe também não estava à procura de objetos raros extremamente brilhantes — tais como quasares e galáxias com elevada taxa de formação estelar — que tinham sido observados anteriormente. Em vez disso, o trabalho concentrou-se em galáxias muito mais comuns, galáxias que reionizaram o Universo e se transformaram na maior parte das galáxias que vemos hoje à nossa volta. Vindo de uma das galáxias — chamada BDF2399 — o ALMA captou um sinal fraco mas claro de carbono brilhante. No entanto, este brilho não vinha do centro da galáxia, mas sim de um dos lados.

A co-autora Andrea Ferrara (Scuola Normale Superiore, Pisa, Itália) explica a importância desta nova descoberta: Trata-se da detecção mais distante deste tipo de emissão de uma galáxia “normal”, observada a menos de um bilhão de anos depois do Big Bang, o que nos dá a oportunidade de observar a formação das primeiras galáxias. Estamos a ver pela primeira vez galáxias primordiais não como pequenos pontos, mas como objetos com estrutura interna!”

Os astrônomos pensam que a localização deslocada do centro desta emissão deve-se ao fato das nuvens centrais estarem a ser desfeitas pelo meio inóspito criado pelas estrelas recém formadas — tanto pela sua radiação intensa como pelos efeitos de explosões de supernova — enquanto o carbono está a traçar gás frio recente que está a ser acretado do meio intergalático. Ao combinar as novas observações ALMA com simulações de computador foi possível compreender em detalhe processos chave que estão a ocorrer no seio das primeiras galáxias. Os efeitos da radiação emitida pelas estrelas, o sobreviver de nuvens moleculares, o fato da radiação ionizante se escapar e a estrutura complexa do meio interestelar podem agora ser calculados e comparados às observações.

A BDF2399 é muito possivelmente um exemplo típico das galáxias responsáveis pela reionização. Durante muitos anos tentamos compreender o meio interestelar e a formação das fontes de reionização. Conseguir finalmente testar previsões e hipóteses em dados reais do ALMA é algo extremamente excitante e que nos abre um novo conjunto de questões. Este tipo de observação clarificará muitos dos difíceis problemas que temos tido com a formação das primeiras estrelas e galáxias no Universo,” acrescenta Andrea Ferrara.

Roberto Maiolino conclui: Este estudo teria sido simplesmente impossível sem o ALMA, uma vez que nenhum outro instrumento consegue atingir a sensibilidade e resolução espacial necessárias. Embora esta seja uma das observações mais profundas do ALMA realizada até agora, estamos ainda longe de atingir todas as capacidades deste telescópio. No futuro o ALMA fará imagens da estrutura fina das galáxias primordiais, mostrando em detalhe a formação das primeiras galáxias.
Fonte:ESO

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