31 de jul de 2015

Há um planeta rochoso apenas a 21 anos-luz de distância

Concepção artística do HD
Concepção artística do HD 219134b
Usando o telescópio espacial Spitzer da NASA, astrônomos confirmaram a descoberta do planeta rochoso mais próximo do nosso sistema solar. Apelidado de HD 219134b, este exoplaneta, que orbita muito perto da sua estrela para sustentar a vida, está a meros 21 anos-luz de distância. Enquanto o planeta em si não pode ser visto diretamente, mesmo por telescópios, a estrela a qual orbita é visível a olho nu em céus escuros na constelação de Cassiopéia, próximo a Estrela do Norte.

Localização do HD 219134b
Localização do HD 219134b

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HD 219134b é o exoplaneta mais próximo da Terra a ser detectado transitando, ou passando em frente, sua estrela. Portanto, é perfeito para uma extensa pesquisa. A maioria dos planetas conhecidos estão a centenas de anos-luz de distância. Este é praticamente um vizinho”, disse o astrônomo e coautor do estudo Lars A. Buchhave, do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica em Cambridge, Massachusetts, nos EUA. Para referência, o planeta mais próximo conhecido é GJ674b, a 14,8 anos-luz de distância, mas a sua composição é desconhecida.

É rocha!
HD 219134b foi avistado pela primeira vez pelo instrumento HARPS-North, do Telescópio Nacional Galileu nas Ilhas Canárias, através de um método chamado de técnica da velocidade radial, em que a massa de um planeta e sua órbita podem ser medidas através da força do “puxão gravitacional” que exerce sobre sua estrela hospedeira. Foi determinado que o planeta tinha uma massa 4,5 vezes maior que a da Terra, e uma órbita rápida de três dias em torno de sua estrela. O Spitzer acompanhou a descoberta. Medições de infravermelho do telescópio revelaram o tamanho do planeta, cerca de 1,6 vezes o da Terra. Combinando o tamanho e a massa, os cientistas concluíram que HD 219134b tem uma densidade de seis gramas por centímetro cúbico, confirmando que é um planeta rochoso.

Concepção artística do planeta passando em frente à sua estrela
Concepção artística do planeta passando em frente à sua estrela

Agora que os astrônomos sabem que HD 219134b transita sua estrela, vão fazer de tudo para observá-lo a partir do solo e do espaço. O objetivo é conseguir informações químicas sobre o novo mundo, a partir da luz da estrela escurecendo quando o planeta passa à sua frente. Se o planeta tiver uma atmosfera, produtos químicos que podem imprimir padrões no brilho da estrela devem ser observados. Outras observações com o HARPS-North também revelaram mais três planetas no mesmo sistema estelar, mais longe do que HD 219134b. Dois são relativamente pequenos e não estão muito distantes da estrela-mãe. A principal autora do estudo, Ati Motalebi, do Observatório de Genebra, na Suíça, disse que acredita que o planeta é o alvo ideal para o Telescópio Espacial James Webb, da NASA, que entrará em atividade em 2018. “Webb e os outros grandes observatórios terrestres futuros poderão apontar para ele e examiná-lo em detalhes”, disse ela.
Fonte: Hypescience.com
 [NASA]

ALMA observa pela primeira vez formação de galáxias no Universo primordial


Esta imagem mostra uma combinação de dados do ALMA e do Very Large Telescope. O objeto central é uma galáxia muito distante chamada BDF 3299, que está sendo observada quando o Universo tinha menos de 800 milhões de anos de idade. A nuvem brilhante vermelha logo à esquerda e abaixo da galáxia é a detecção feita pelo ALMA de uma vasta nuvem de material que se encontra a “construir” a galáxia muito jovem.Crédito:ESO/R. Maiolino

Com o auxílio do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) foram detectadas as nuvens de gás de formação estelar mais distantes observadas até hoje em galáxias normais no Universo primordial. As novas observações permitem aos astrônomos começar a ver como é que as primeiras galáxias se foram construindo e como é que limparam o nevoeiro cósmico durante a era da reionização. Esta é a primeira vez que tais galáxias são observadas com melhor detalhe do que simples manchas tênues.  Quando as primeiras galáxias se começaram a formar algumas centenas de milhões de anos depois do Big Bang, o Universo estava cheio de um nevoeiro de hidrogênio gasoso.

Mas à medida que mais e mais fontes brilhantes —  tanto estrelas como quasares alimentados por enormes buracos negros — começaram a brilhar, este nevoeiro foi desaparecendo tornando o Universo transparente à radiação ultravioleta.  Os astrônomos chamam a este período a época da reionização, no entanto pouco se sabe acerca destas primeiras galáxias e, até agora, apenas se tinham observado como manchas tênues. Estas novas observações obtidas com o poder do ALMA estão a mudar esta realidade. Uma equipe de astrônomos liderada por Roberto Maiolino (Cavendish Laboratory e Kavli Institute for Cosmology, University of Cambridge, Reino Unido) apontou o ALMA a galáxias que se sabia estarem a ser observadas a cerca de apenas 800 milhões de anos depois do Big Bang.

Os astrônomos não estavam à procura da radiação emitida pelas estrelas, mas sim do fraco brilho do carbono ionizado emitido pelas nuvens de gás a partir das quais se formam as estrelas. A equipa pretendia estudar a interação entre uma geração de estrelas jovem e os frios nós de gás que se estavam a formar nestas primeiras galáxias. A equipe também não estava à procura de objetos raros extremamente brilhantes — tais como quasares e galáxias com elevada taxa de formação estelar — que tinham sido observados anteriormente. Em vez disso, o trabalho concentrou-se em galáxias muito mais comuns, galáxias que reionizaram o Universo e se transformaram na maior parte das galáxias que vemos hoje à nossa volta.

Vindo de uma das galáxias — chamada BDF2399 — o ALMA captou um sinal fraco mas claro de carbono brilhante. No entanto, este brilho não vinha do centro da galáxia, mas sim de um dos lados. A co-autora Andrea Ferrara (Scuola Normale Superiore, Pisa, Itália) explica a importância desta nova descoberta:Trata-se da detecção mais distante deste tipo de emissão de uma galáxia “normal”, observada a menos de um bilhão de anos depois do Big Bang, o que nos dá a oportunidade de observar a formação das primeiras galáxias. Estamos a ver pela primeira vez galáxias primordiais não como pequenos pontos, mas como objetos com estrutura interna!”
Os astrônomos pensam que a localização deslocada do centro desta emissão deve-se ao fato das nuvens centrais estarem a ser desfeitas pelo meio inóspito criado pelas estrelas recém formadas — tanto pela sua radiação intensa como pelos efeitos de explosões de supernova — enquanto o carbono está a traçar gás frio recente que está a ser acretado do meio intergalático. Ao combinar as novas observações ALMA com simulações de computador foi possível compreender em detalhe processos chave que estão a ocorrer no seio das primeiras galáxias. Os efeitos da radiação emitida pelas estrelas, o sobreviver de nuvens moleculares, o fato da radiação ionizante se escapar e a estrutura complexa do meio interestelar podem agora ser calculados e comparados às observações. A BDF2399 é muito possivelmente um exemplo típico das galáxias responsáveis pela reionização.

Durante muitos anos tentamos compreender o meio interestelar e a formação das fontes de reionização. Conseguir finalmente testar previsões e hipóteses em dados reais do ALMA é algo extremamente excitante e que nos abre um novo conjunto de questões. Este tipo de observação clarificará muitos dos difíceis problemas que temos tido com a formação das primeiras estrelas e galáxias no Universo,” acrescenta Andrea Ferrara.  Roberto Maiolino conclui:
Este estudo teria sido simplesmente impossível sem o ALMA, uma vez que nenhum outro instrumento consegue atingir a sensibilidade e resolução espacial necessárias.

Embora esta seja uma das observações mais profundas do ALMA realizada até agora, estamos ainda longe de atingir todas as capacidades deste telescópio. No futuro o ALMA fará imagens da estrutura fina das galáxias primordiais, mostrando em detalhe a formação das primeiras galáxias.
Fonte: ESO

Astrónomos descobre poderosa aurora pra lá do sistema solar

Impressão de artista de uma aurora por cima da região polar de uma anã castanha.  Crédito: Chuck Carter e Gregg Hallinan, Caltech

Astrónomos descobriram a primeira aurora jamais vista num objeto para lá do nosso Sistema Solar. A aurora - semelhante às auroras boreais da Terra - é 10.000 vezes mais poderosa do que qualquer outra já vista. Encontraram a aurora não num planeta, mas numa estrela de baixa massa no limite entre estrelas e anãs castanhas. Os cientistas dizem que a descoberta revela uma grande diferença entre a atividade magnética de estrelas mais massivas e de anãs castanhas e planetas. Toda a atividade magnética que vemos neste objeto pode ser explicada por auroras poderosas," afirma Gregg Hallinan, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech).

"Isto indica que a atividade auroral substitui a atividade coronal tipo-Sol em anãs castanhas e objetos mais pequenos," acrescenta. Os astrónomos observaram o objeto, chamado LSR J1835+3259, usando o VLA (Very Large Array) Karl G. Jansky no rádio, juntamente com o Telescópio Hale de 5 metros em Palomar e com o Telescópio Keck de 10 metros no Hawaii em comprimentos de onda visíveis. A combinação das observações óticas e rádio mostraram que o objeto, a 18 anos-luz da Terra, tem características diferentes de todas as já vistas em estrelas mais maciças.

As anãs castanhas, por vezes chamadas "estrelas falhadas", são objetos mais massivos que planetas, mas demasiado pequenos para despoletar as reações termonucleares nos seus núcleos. Os astrónomos dizem que as suas observações de LSR J1835+3259 indicam que as estrelas mais frias e as anãs castanhas têm atmosferas exteriores que suportam atividade auroral, em vez do tipo de atividade magnética visto em estrelas mais massivas e quentes. A descoberta também tem implicações para o estudo de exoplanetas. A aurora que os cientistas observaram em LSR J1835+3259 parece ser alimentada por um processo pouco conhecido mas semelhante àquele observado nos maiores planetas do Sistema Solar.

Este processo é diferente do que provoca as auroras da Terra - o campo magnético que interage com o vento solar. "O que vemos neste objeto parece ser o mesmo fenómeno que vemos, por exemplo, em Júpiter, mas milhares de vezes mais poderoso," comenta Hallinan. "Isto sugere que poderá ser possível detetar este tipo de atividade em exoplanetas, muitos dos quais são significativamente mais massivos que Júpiter," acrescenta. Hallinan trabalhou com uma equipa internacional de investigadores dos EUA, Reino Unido, Irlanda, Alemanha, Rússia e Bulgária. Os cientistas publicaram as suas descobertas na edição de 30 de julho da revista Nature.
Fonte: Astronomia Online

Rara lua azul ocorre hoje

lua azul

Eventos astronômicos raros são sempre muito legais, mas, antes que você me chegue ao fim desse texto me amaldiçoando mentalmente, quero deixar claro que a lua azul de hoje será espetacular pela sua singularidade, mas não será azul. 31 de julho é um dia especial porque, hoje, teremos a segunda lua cheia do mês. Essa será a primeira ocorrência do tipo nas Américas desde agosto de 2012. Cada mês tem apenas uma lua cheia, mas como o ciclo lunar e o ano civil não estão perfeitamente sincronizados, cerca de três em três anos, acabamos com duas luas cheias no mesmo mês.


Mas e o “azul”?
Isso por si só é bem legal por ser raro, mas, infelizmente, o satélite da Terra provavelmente não parecerá azul. Digo infelizmente porque isso seria incrível, mas felizmente porque uma lua azul poderia significar uma catástrofe. Normalmente, a lua só assume uma tonalidade azulada por causa de fumaça ou partículas de poeira na atmosfera, como durante uma erupção vulcânica cataclísmica. Um exemplo disso aconteceu em 1883, quando o vulcão indonésio Krakatoa expeliu tanta cinza para a atmosfera que a lua tomou uma coloração diferente por anos (!). Após a explosão enorme, que os cientistas acreditam ter rivalizado com uma bomba nuclear de 100 megatons, os detritos vulcânicos causaram um pôr-do-sol vermelho vibrante e uma lua azulada que durou bastante tempo.


De novo, só em 2018
O tom azul escuro de um céu noturno é outra coisa que pode afetar a coloração com que percebemos a lua. Mas como essas são coisas que não acontecem todos os dias, o termo “lua azul” foi cunhado para significar algo raro. A lua azul mais recente que tivemos foi em Edimburgo, na Escócia, em setembro de 1950. O astrônomo Robert Wilson, do Observatório Real, concluiu que a lua adquiriu esse tom porque a luz do satélite viajou por nuvens carregadas de partículas de fumaça e cinzas da queima de fogos florestais em Alberta, no Canadá. Essas partículas atravessaram o Oceano Atlântico e pairaram sobre a Escócia durante o evento lunar, criando um espetáculo raro. Uma lua “azul” não será vista novamente até janeiro de 2018, então aproveite para dar uma admirada no céu hoje!
Fonte: CNN
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