19 de ago de 2015

Saiba quantos anos você tem e quando seria seu aniversário em outro planeta


Como você sabe, cada dia aqui na Terra têm duração de — aproximadamente — 24 horas, que corresponde ao tempo que ela leva para completar uma rotação sobre o seu próprio eixo. Como você também sabe, os anos terrestres têm duração de cerca de 365 dias, que é o período que o nosso planeta demora para realizar uma órbita completa ao redor do Sol.


Anos extraterrestres
No entanto, esse intervalo não é o mesmo em todos os planetas do Sistema Solar, conforme você pode conferir em várias matérias aqui do Mega Curioso nas quais falamos a respeito de vários dos nossos vizinhos. Assim, nas nossas matérias revelamos, por exemplo, que cada ano em Júpiter equivale a 12 anos terrestres, que em Urano eles correspondem a 84 anos do nosso planeta e que em Netuno, cada ano equivale a 164,8 anos dos nossos. Agora, com todos esses dados em mente, vai dizer que você não ficou imaginando quantos anos teria se, em vez de ser terráqueo, você fosse saturniano, venusiano ou marciano.

Pois, no lugar de descobrir quanto tempo cada planeta demora até completar uma órbita ao redor Sol e, então, calcular qual seria a sua idade (ou quando será o seu próximo aniversário), existe um site que faz todo o trabalho para você — e em português!  As instruções estão no nosso idioma e, para descobrir qual seria a sua idade em outros planetas, basta informar o mês, dia e ano do seu nascimento (nessa ordem) e clicar sobre o botão “Calcular”. Clique aqui e confira. O site foi desenvolvido pelo pessoal da Universidade de Évora, em Portugal, que se inspirou em uma iniciativa do museu Exploratorium de San Francisco, na Califórnia, que mantém uma página semelhante. E aí, o que você achou de descobrir quantos anos teria se você vivesse em outro planeta?
Fonte: Mega Curioso

Estrelas irmãs


Esta rica tapeçaria de estrelas coloridas foi capturada pela câmera Wide Field Imager (WFI), montada no telescópio MPG/ESO no Observatório de La Silla do ESO. A imagem mostra o aglomerado estelar aberto IC 4651, um grupo de estrelas que se situa na constelação do Altar.Crédito:ESO

Os aglomerados estelares abertos como o que se vê nesta imagem não são apenas perfeitos para tirar bonitas fotografias. A maioria das estrelas forma-se no seu interior e estes aglomerados podem ser usados pelos astrônomos como laboratórios para estudar como é que as estrelas evoluem e morrem. Esta imagem, que foi obtida pelo instrumento Wide Field Imager (WFI) no Observatório de La Silla, mostra o aglomerado IC 4651 e as estrelas que nasceram no seu interior apresentam atualmente uma grande variedade de características. O salpicado de estrelas que podemos ver nesta nova imagem do ESO é o aglomerado estelar aberto IC 4651, situado na Via Láctea na constelação do Altar, a cerca de 3000 anos-luz de distância.

O aglomerado tem cerca de 1,7 bilhões de anos — o que corresponde à meia-idade em termos de aglomerados. IC 4651 foi descoberto por Solon Bailey, pioneiro no estabelecimento de observatórios em locais altos e secos nos Andes. Este objeto foi catalogado em 1896 pelo astrônomo dinamarquês-irlandês John Louis Emil Dreyer. Conhecem-se na Via Láctea mais de mil destes aglomerados abertos, no entanto pensa-se que existam muitos mais. Muitos destes objetos foram já estudados com grande detalhe. Observações de aglomerados estelares como este fizeram avançar o nosso conhecimento sobre a formação e evolução da Via Láctea e das estrelas individuais no seu interior,  e permitem também aos astrônomos testarem modelos de evolução estelar.

As estrelas de IC 4651 formaram-se todas ao mesmo tempo a partir da mesma nuvem de gás.
Estas estrelas irmãs estão ligadas apenas de forma leve pela atração entre si e pelo gás entre elas. À medida que as estrelas do aglomerado interagem com outros aglomerados e com nuvens de gás na galáxia, e à medida que o gás entre as estrelas é utilizado para formar mais estrelas ou é lançado para fora do aglomerado, a estrutura do aglomerado começa a modificar-se. Eventualmente, a massa restante no aglomerado torna-se suficientemente pequena para que as estrelas possam escapar.

Observações recentes de IC 4651 mostraram que o aglomerado contém uma massa de 630 vezes a massa solar e pensa-se que inicialmente teria pelo menos 8300 estrelas, num total de 5300 vezes a massa do Sol.  Como este aglomerado é relativamente velho, uma parte desta massa perdida é devida às estrelas mais massivas do aglomerado já terem atingido o final das suas vidas e terem explodido sob a forma de supernovas. No entanto, a maioria das estrelas que se perderam não morreram, mas apenas se deslocaram. Elas teriam sido arrancadas do aglomerado ao passar por uma nuvem gigante de gás ou após um encontro próximo com um aglomerado vizinho, ou simplesmente afastaram-se.

Uma fração destas estrelas perdidas pode estar ainda gravitacionalmente ligada ao aglomerado,estando à volta dele mas a uma grande distância. As outras estrelas perdidas teriam migrado para longe do aglomerado e juntado-se a outros, ou teriam se instalado em outro local qualquer da Via Láctea. Provavelmente, o Sol já fez parte de um aglomerado como IC 4651 até que, tanto a nossa estrela como as suas irmãs, se separaram e gradualmente se espalharam pela Via Láctea.

Esta imagem foi obtida com o
Wide Field Imager. Esta câmera encontra-se montada permanentemente no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros no Observatório de La Silla. Este instrumento consiste em vários detectores CCD num total de 67 milhões de pixels e pode observar uma área do céu tão grande como a Lua Cheia. Permite fazer observações desde o visível até ao infravermelho próximo, com mais de 40 filtros disponíveis. Para esta imagem apenas foram utilizados três destes filtros.
Fonte: ESO

Metano e água encobrem exoplaneta parecido com Júpiter

Impressão de artista do exoplaneta 51 Eridani b, no infravermelho, que mostra as camadas quentes nas profundezas da atmosfera que brilha através das nuvens. Devido à sua tenra idade, este primo jovem do nosso Júpiter é ainda quente e contém informação acerca da sua formação que ocorreu há 20 milhões de anos. Crédito: Danielle Futselaar & Franck Marchis, Instituto SETI

Indo para além da descoberta e fotografando um jovem Júpiter, astrónomos usando o GPI (Gemini Planet Imager) do Observatório Gemini examinaram um mundo recém-descoberto em detalhes sem precedentes. Descobriram um exoplaneta com cerca de duas vezes a massa de Júpiter, o mais parecido com um planeta do Sistema Solar já observado diretamente em torno de outra estrela. O planeta, conhecido como 51 Eridani b, orbita a sua estrela hospedeira a cerca de 13 vezes a distância Terra-Sol (equivalente a estar entre Saturno e Úrano no nosso Sistema Solar). O sistema está localizado a cerca de 100 anos-luz de distância.

Os dados do Gemini também fornecem aos cientistas a mais forte deteção espectroscópica de metano na atmosfera de um planeta fora do nosso Sistema Solar, acrescentando às suas semelhanças com os planetas gigantes do nosso Sistema Solar. "Muitos dos exoplanetas já observados diretamente têm atmosferas que parecem estrelas muito frias," afirma Bruce Macintosh, da Universidade de Stanford, que liderou a construção do GPI e agora lidera a caça de planetas. "Este parece ser um planeta."

A pesquisa foi publicada na edição de 13 de agosto de 2015 da revista Science. Este excelente resultado é uma demonstração clara das incríveis capacidades espectroscópicas e de imagem do GPI," afirma Chris Davis, da Divisão de Astronomia do NSF (National Science Foundation), que supervisiona o financiamento do Observatório Gemini. "As pesquisas exoplanetárias agora possíveis com o Gemini vão, sem dúvida, levar a uma bastante melhor compreensão do número de gigantes gasosos em órbita de estrelas vizinhas, das características das suas atmosferas e, finalmente, do modo como os planetas gigantes como Júpiter e Saturno são formados."


Imagem da descoberta de 51 Eridani b com o GPI, obtida no infravermelho próximo no dia 18 de dezembro de 2014. A estrela central foi quase totalmente removida por uma máscara de hardware e software a fim de permitir a deteção do exoplaneta, que é um milhão de vezes mais ténue.  Crédito: J. Rameau (UdeM) e C. Marois (NRC Herzberg)

A descoberta faz parte do esforço mais amplo da equipa em encontrar e caracterizar novos planetas chamado GPIES (GPI Exoplanet Survey). O levantamento espera explorar mais de 600 estrelas que podem hospedar sistemas planetários; até agora observaram quase uma centena de estrelas. "Este é exatamente o tipo de sistema que imaginámos descobrir quando projetámos o GPI," afirma James Graham, professor da Universidade de Berkeley e cientista do projeto GPI. O GPI é capaz de dissecar a luz de exoplanetas em detalhes sem precedentes para que possamos agora caracterizar outros mundos como nunca," comenta Christian Marois do NRC (National Research Council) do Canadá. Marois, um dos quase 90 investigadores da equipa, foi pioneiro em muitas das estratégias de observação e técnicas de redução de dados que desempenharam um papel fundamental na deteção e análise do novo planeta. A luz do planeta é muito ténue - um milhão de vezes mais fraca que a luz da estrela - mas o GPI consegue vê-lo claramente.

"O planeta é tão ténue e está localizado tão perto da sua estrela, que é também o primeiro exoplaneta observado diretamente a ser totalmente compatível com os modelos de formação planetária de sistemas parecidos com o Sistema Solar," explica Marois. As observações do Gemini também foram acompanhadas pelo Observatório W. M. Keck em Mauna Kea, Hawaii, a fim de verificar a descoberta. Fredrik Rantakyro, cientista do instrumento GPI, acrescenta: "Desde que era criança, sonhava com planetas em torno de outras estrelas e com as vidas que possivelmente poderiam existir lá. Como astrónomo, é normal trabalhar com telescópios topo de gama mas não é normal o coração bater mais depressa.

É exatamente o que aconteceu com este sonho tornado realidade de descobrir um irmão de Júpiter!  51 Eridani é jovem - tem apenas 20 milhões de anos - e é exatamente isso que tornou possível a deteção do planeta. Quando os planetas coalescem, o material que cai para o planeta liberta energia e aquece-o. Ao longo dos próximos cem milhões de anos irradiam essa energia, principalmente no infravermelho, e arrefecem gradualmente. Além de ser provavelmente o planeta de menor massa já observado diretamente, a sua atmosfera é também muito fria - 430º C. Também possui o mais forte sinal espectroscópico para a presença de metano atmosférico, semelhante ao ambiente de metano pesado que domina as atmosferas dos planetas gigantes do nosso Sistema Solar.

O espectro do planeta também revelou água. O estudo GPIES está atualmente a menos de 20% dos seus 600 alvos previstos para observações durante a campanha de 3 anos. Os alvos foram escolhidos devido à sua juventude e relativa curta distância ao Sistema Solar (até 300 anos-luz). Os resultados deste levantamento serão marcantes, pois estuda um regime de massa e separação exoplanetária nunca antes devidamente investigado. Espera-se que forneça o primeiro censo detalhado e a primeira demografia dos exoplanetas gigantes gasosos, que encontre sistemas multiplanetários e que realize uma caracterização espectral detalhada de muitos novos exoplanetas.
Fonte: Astronomia Online

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