14 de set de 2015

Novas imagens de Plutão pela New Horizons: É complicado

Esta perspetiva sintética de Plutão, baseada nas mais recentes imagens de alta-resolução enviadas pela sonda New Horizons, mostra o que veríamos a aproximadamente 1800 km da área equatorial de Plutão, na direção nordeste da região escura e craterada chamada Cthulhu Regio e da extensão de planícies geladas, brilhantes e lisas informalmente denominada Sputnik Planum. Esta extensão de terreno mede 1800 km de largura. As imagens foram obtidas no dia 14 de julho quando a sonda passava a 80.000 quilómetros de Plutão. Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/SwRI


Novas imagens de Plutão pela sonda New Horizons da NASA revelam uma variedade confusa de características superficiais e impressionam os cientistas devido à sua escala e complexidade. Plutão mostra uma diversidade de formas de revelo e complexidade de processos que rivaliza com qualquer outro objeto do Sistema Solar," afirma Alan Stern, investigador principal da New Horizons, do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado americano do Colorado. "Se um artista tivesse pintado este Plutão antes do nosso voo rasante, eu provavelmente teria achado que era demais - mas isto é o que está realmente lá."

A New Horizons começou o seu longo download de novas imagens e outros dados no fim-de-semana passado. As imagens já enviadas ao longo dos últimos dias mais que duplicaram a área de superfície de Plutão vista a resoluções até 400 metros por pixel. Elas revelam novas características tão diversas quanto possíveis dunas, fluxos de nitrogénio gelado que aparentemente escorrem de regiões montanhosas até planícies, e até mesmo redes de vales que podem ter sido esculpidos por material que corria à superfície de Plutão. Mostram também grandes regiões que exibem montanhas caóticas, reminiscentes de terrenos perturbados na lua de Júpiter, Europa.

A superfície de Plutão é tão complexa como a de Marte," afirma Jeff Moore, líder da equipa GGI (Geology, Geophysics and Imaging) da New Horizons no Centro de Pesquisa Ames da NASA em Moffett Field, Califórnia, EUA. "As montanhas misturadas de forma aleatória podem ser enormes blocos de gelo duro que flutuam dentro de um depósito de nitrogénio gelado, vasto, mais denso e suave na região informalmente chamada Sputnik Planum. Novas imagens também mostram o terreno mais craterado - e, portanto, o mais antigo - já visto pela New Horizons em Plutão mesmo ao lado de planícies geladas jovens e livres de crateras. Pode até haver um campo de dunas escuras sopradas por vento, entre outras possibilidades.

"As dunas em Plutão - se é isso que são – devem ser completamente selvagens, porque a atmosfera de Plutão é hoje tão fina," afirma William B. McKinnon, vice-líder da GGI e da Universidade de Washington em St. Louis. "Ou Plutão teve uma atmosfera mais espessa no passado, ou está em funcionamento algum outro processo que ainda não descobrimos. Dá muito que pensar. As descobertas feitas graças às novas imagens não estão limitadas à superfície de Plutão. Serão divulgadas novas imagens das luas de Plutão, Caronte, Nix e Hidra, revelando que cada lua é única e que a maior lua - Caronte - teve um passado torturante.

As imagens enviadas nos últimos dias também revelaram que a neblina atmosférica global de Plutão tem muitas mais camadas do que os cientistas pensavam, e que a neblina cria um efeito tipo-crepúsculo que ilumina suavemente o terreno noturno perto do pôr-do-Sol, tornando-o visível às câmaras a bordo da New Horizons. "Esta visão crepuscular é um presente maravilhoso dado por  Plutão," afirma John Spence, vice-líder da GGI e do SwRI. "Agora podemos estudar geologia em terrenos que nunca esperávamos ver. A sonda New Horizons está agora a mais de 5 mil milhões de quilómetros da Terra e mais de 69 milhões de quilómetros para lá de Plutão. A nave espacial está saudável e todos os sistemas estão a funcionar normalmente.

Mosaico de imagens de alta-resolução de Plutão, enviadas pela sonda New Horizons entre os dias 5 e 7 de setembro. A imagem é dominada pela planície gelada Sputnik Planum, a região lisa e brilhante no centro. A imagem também mostra uma tremenda variedade de outras paisagens em redor de Sputnik. As características visíveis mais pequenas medem 0,8 km em tamanho, e o mosaico cobre uma região com 1600 km de largura. As imagens foram capturadas quando a New Horizons passou por Plutão no dia 14 de julho, a uma distância de 80.000 km. Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/SwRI
No centro desta imagem que cobre 470 km da superfície de Plutão, é visível uma grande região de terreno quebrado e misturado na fronteira noroeste da vasta planície gelada informalmente denominada Sputnik Planum, para a direita. As características visíveis mais pequenas medem 0,8 km em tamanho. As imagens foram capturadas quando a New Horizons passou por Plutão no dia 14 de julho, a uma distância de 80.000 km. Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/SwRI
Esta imagem cobre 350 km da superfície de Plutão e ilustra a incrível diversidade de refletividades superficiais e terrenos geológicos do planeta anão. A imagem inclui terreno antigo, escuro e altamente craterado; terreno jovem, brilhante e liso; montanhas; e um campo enigmático de cristas alinhadas e escuras que se parecem com dunas; a sua origem ainda está em debate. As características visíveis mais pequenas medem 0,8 km em tamanho. A imagem foi capturada quando a New Horizons passou por Plutão no dia 14 de julho, a uma distância de 80.000 km. Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/SwRI
Esta imagem da maior lua de Plutão, Caronte, foi capturada 10 horas antes da maior aproximação da New Horizons a Plutão, a uma distância de 470.000 km, e é uma versão de muito mais alta qualidade da imagem de Caronte divulgada no dia 15 de julho. Caronte, que mede 1200 km em diâmetro, apresenta uma história geológicas surpreendentemente complexa, incluindo fracturas tectónicas; planícies fraturadas e relativamente lisas no canto inferior direito; várias montanhas enigmáticas cercadas por características de terreno afundado no lado direito; e regiões altamente crateradas nas secções central e superior esquerda do disco. Existem também padrões complexos de refletividade na superfície de Caronte, incluindo raios brilhantes e escuros de crateras, e a bem visível região polar norte escura no topo da imagem. As características visíveis mais pequenas medem 4,6 km em tamanho. Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/SwRI
Esta imagem de Plutão obtida pela sonda New Horizons, processada de duas maneiras diferentes, mostra como a neblina atmosférica do planeta anão produz um crepúsculo que ilumina levemente a superfície antes do nascer-do-Sol e depois do pôr-do-Sol, permitindo com que as câmaras da sonda observem detalhes nas regiões noturnas que, caso contrário, seriam invisíveis. A versão do lado direito tem um brilho exagerado para realçar detalhes da topografia iluminada pela neblina para lá do terminador de Plutão, que é a linha que separa o dia da noite. A imagem foi obtida quando a New Horizons passou por Plutão no dia 14 de julho, a uma distância de 80.000 quilómetros. Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/SwRI

Duas versões diferentes de uma imagem das camadas atmosféricas de Plutão, obtida pela New Horizons quando olhou de volta para o lado noturno de Plutão quase 16 horas depois da maior aproximação, a uma distância de 770.000 quilómetros e com um ângulo de fase de 166 graus. O norte de Plutão está no topo e o Sol ilumina Plutão a partir de cima e à direita. Estas imagens são de muito melhor qualidade em relação às comprimidas digitalmente e enviadas pouco tempo depois do "flyby" de dia 14 de julho, e permitem ver muitos mais detalhes. A versão da esquerda tem apenas algum processamento, enquanto a versão da direita foi especialmente processada para revelar um grande número de camadas atmosféricas. Na versão da esquerda são visíveis, através da neblina, alguns detalhes da superfície perto do fino crescente iluminado, para cima e para a direita do disco de Plutão, e algumas listras paralelas e subtis na neblina podem ser raios crepusculares - sombras provocadas pela topografia,como montanhas em Plutão, parecidos aos raios às vezes vistos no céu após o Sol se pôr atrás das montanhas da Terra. Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/SwRI
Fonte: Astronomia Online

Messier 63 - Um girasol galáctico

A galactic sunflower

O arranjo dos braços espirais na galáxia Messier 63, observados aqui numa nova imagem feita pelo Telescópio Espacial Hubble, lembra o padrão encontrado no centro de um girassol. Assim, o apelido desse objeto cósmico é, Galáxia do Girassol, e não é uma coincidência. Descoberta por Pierre Mechain, em 1779, a galáxia, posteriormente, se tornou o sexagésimo terceiro objeto no famoso catálogo do astrônomo francês Charles Messier, publicado em 1781. Os dois astrônomos registraram a Galáxia do Girassol, brilhando na pequena constelação do céu do norte de Canes Venatici (os Cães de Caça). Nós agora sabemos que essa galáxia está localizada a cerca de 27 milhões de anos-luz de distância da Terra, e pertence ao grupo de galáxias M51, um grupo de galáxias, que foi nomeado, graças a presença de seu membro mais brilhante, a Messier 51, outra galáxia com forma espiral, chamada de Galáxia do Redemoinho. Os braços galácticos, seja no girassol, seja no redemoinho, são somente alguns exemplos da preferência da natureza para espirais aparente. Para galáxias como a Messier 63, os braços brilham de forma intensa devido à presença de estrelas gigantes, brancas e azuis recentemente formadas, prontamente vistas nessa imagem do Hubble.

Foi por pouco: Estrela alienígena não nos acertou por menos de um ano-luz

Concepção artística da estrela de Scholz e sua companheira anã marrom (em primeiro plano) durante o seu voo pelo sistema solar 70 mil anos atrás. O Sol aparece à esquerda, ao fundo.
Concepção artística da estrela de Scholz e sua companheira anã marrom (em primeiro plano) durante o seu voo pelo sistema solar 70 mil anos atrás. O Sol aparece à esquerda, ao fundo.

Astrônomos dizem que uma estrela anã vermelha e sua companheira anã marrom passaram a menos de um ano-luz de nosso próprio sol 70 mil anos atrás. Ela teria se movido em meio aos cometas nos limites exteriores da Nuvem de Oort, que rodeia o nosso sistema solar. E se você está respirando aliviado pensando que 70 mil anos é tempo demais, pense duas vezes: estima-se que nesse período os humanos modernos já estivessem se espalhando pela Ásia.

A estrela é conhecida como WISE J072003.20-084651.2, ou, para os íntimos, estrela de Scholz. Hoje, está localizada a 20 anos-luz de distância de nós nos, na constelação de Monoceros. Mas, em um estudo publicado na revista “Astrophysical Journal Letters”, pesquisadores dizem que ela passou por nós a uma distância de 8 trilhões de quilômetros – ou 52 mil unidades astronômicas, ou 0,8 anos-luz – do nosso sol. Até então, não se sabia que alguma estrela tinha chegado tão perto.

Ainda assim, é pouco provável que nossos ancestrais asiáticos tenham notado a presença da visitante. Isso porque seu brilho é tão fraco que não poderia ser vista a olho nu da Terra, mesmo durante um encontro tão próximo – ela só foi descoberta em 2013. Ainda assim, a equipe de pesquisadores, liderada por Eric Mamajek, da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, diz que há uma chance de que os nossos antepassados ​​na África possam ter visto um flash de luz induzida magneticamente.

Mamajek e seus colegas ficaram interessados ​​na trajetória da estrela depois de descobrir que ela parecia estar se movendo diretamente para longe de nós – ou em nossa direção – em alta velocidade. Eles calcularam seu movimento relativo usando observações do Grande Telescópio Sul Africano e dos telescópios Magellan, no Chile. “Com certeza, as medições de velocidade radial foram consistentes com ela estar fugindo das proximidades do Sol”, disse o cientista em um comunicado à imprensa. “Também percebemos que ela deve ter feito um voo rasante no passado”.

E a equipe trouxe notícias ainda melhores. No ano passado, um grupo diferente de astrônomos informou que uma estrela diferente, chamada HIP 85605, poderia fazer uma passagem perigosa pela Nuvem de Oort de 240 mil a 470 mil anos a partir de agora. Mamajek e seus colegas, no entanto, dizem que a HIP 85605 não vai de forma alguma chegar tão perto de nós. Calcular a trajetória de uma estrela envolve alguma incerteza, uma vez que a gravidade de outros objetos próximos podem ter introduzido distorções. No entanto, o estudo concluiu que há uma chance de 98% que a estrela de Scholz tenha passado pela nuvem de Oort, mas não através de sua região interna.
Fonte: NBC News, I Fucking Love Science

Estado raro da matéria é recriado e pode dar pistas sobre a origem do universo

estado novo matéria recriado

Pesquisadores da Universidade do Kansas, nos EUA, juntamente com uma equipe internacional de cientistas que trabalha no Grande Colisor de Hádrons, produziram plasma de quarks-glúons – um estado da matéria que os cientistas supõem que tenha existido no nascimento do universo -, com menos partículas do que se pensava possível. O material foi descoberto – na verdade, ele já havia sido reproduzido em laboratório antes, mas não com tão poucas partículas – pela colisão de prótons com núcleos de chumbo em alta energia dentro do detector Solenóide de Múon Compacto do Colisor. Os físicos têm apelidado o plasma resultante de “o menor líquido”.

RESULTADO INESPERADO
“Antes destes resultados experimentais, pensava-se que o meio criado pela colisão de um próton com chumbo seria demasiado pequeno para criar um plasma de quark-glúon”, diz Wang Quan, pesquisador de pós-doutorado que trabalha com a equipe do CERN, a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear.  Na verdade, essas colisões estavam sendo estudadas como uma referência para colisões de dois núcleos de chumbo, para explorar os aspectos não-quark-glúons-plasmáticos das colisões”, revela Wang. “A análise apresentada neste artigo indica, contrariamente às expectativas, que um plasma de quarks-glúons pode ser criado em colisões muito assimétricas entre prótons e chumbo”.

A descoberta inesperada lança nova luz sobre a física de alta energia. “Este é o primeiro trabalho que mostra claramente que várias partículas são correlacionadas entre si em colisões entre prótons e chumbo, semelhante ao que é observado em colisões chumbo-chumbo, onde o plasma de quarks-glúons é produzido”, relaciona Yen-Jie Lee, professor assistente de física no Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT), nos EUA. “Esta é provavelmente a primeira evidência de que a menor gota de plasma de quarks- glúons é produzida nesse tipo de colisão”.

A MATÉRIA E A ORIGEM DO UNIVERSO
Wang Quan descreve o plasma quark-glúon como um estado muito quente e denso de matéria de quarks e glúons não ligados, ou seja, não contidos dentro de núcleos individuais. “Acredita-se que este estado corresponde ao estado do universo logo após o Big Bang”, afirma. “A interação entre partons – quarks e glúons – dentro do plasma de quarks-glúons é forte, o que distingue o plasma quark-glúon de um estado gasoso onde se espera pouca interação entre as partículas constituintes. Enquanto a física de partículas de alta energia muitas vezes centra-se na detecção de partículas subatômicas, como o recentemente descoberto bóson de Higgs, a nova pesquisa de plasma de quarks-glúons examina o comportamento de um volume de tais partículas.

Wang diz que tais experiências podem ajudar os cientistas a entender melhor as condições cósmicas no instante após o Big Bang.  Embora acreditemos que o estado do universo um microssegundo após o Big Bang consistiu de um plasma quark-glúon, ainda há muito que nós não entendemos completamente sobre as propriedades deste estado da matéria”, pondera. “Uma das maiores surpresas das medições anteriores no Colisor Relativístico de Íons Pesados ​​no Brookhaven National Laboratory (EUA) foi o comportamento fluido do plasma de quarks e glúons. Ser capaz de formar um plasma quark-glúon em colisões de prótons e chumbo nos ajuda a definir melhor as condições necessárias para a sua existência”.
Fonte: Phys.org

A galáxia EGS8p7 é quase tão antiga quanto o universo

galaxia mais velha - quase da idade do universo

Uma equipe de pesquisadores que passou anos em busca dos primeiros objetos no universo agora relata a detecção do que pode ser a galáxia mais distante já encontrada. Adi Zitrin, Acadêmico em Astronomia do Pós-Doutorado Hubble, da Nasa, e Richard Ellis, professor de astrofísica da University College, em Londres, descreveram evidências de uma galáxia chamada EGS8p7 que tem mais de 13,2 bilhões de anos de idade – o universo tem cerca de 13,8 bilhões de anos. No início deste ano, EGS8p7 tinha sido identificada como um candidato para uma investigação mais aprofundada com base em dados coletados pelo Telescópio Espacial Hubble e o Telescópio Espacial Spitzer.

Usando o espectrômetro multi-objeto para a exploração de infravermelhos (MOSFIRE, da sigla em inglês) no Observatório W. M. Keck, no Havaí, os pesquisadores realizaram uma análise espectrográfica da galáxia para determinar o seu desvio para o vermelho (ou redshift, em inglês). O desvio para o vermelho é resultado do efeito Doppler, o mesmo fenômeno que faz com que a sirene de um caminhão de bombeiros abaixe de tom quando o caminhão passa. Com objetos celestes, no entanto, é a luz que está sendo “esticada” ao invés do som; em vez de uma queda no tom audível, há uma mudança da cor real de comprimentos de onda para tons mais avermelhados.

A linha Lyman-alfa
Este fenômeno é tradicionalmente usado para medir a distância de galáxias, mas é difícil determinar quando se olha para os mais distantes – e, portanto, mais antigos – objetos do universo. mediatamente após o Big Bang, o universo era uma sopa de partículas carregadas – eléctrons e prótons – e luz (fótons). Como esses fótons foram espalhados por elétrons livres, o início do universo não podia transmitir luz. Cerca de 380 mil anos depois do Big Bang, o universo tinha esfriado o suficiente para que os elétrons e prótons livres se combinassem em átomos de hidrogênio neutro que enchiam o universo, permitindo que a luz viajasse através do cosmos. Então, quando o universo tinha apenas meio bilhão a um bilhão de anos de idade, as primeiras galáxias ativaram e reionizaram o gás neutro. O universo continua sendo ionizado hoje.

Antes da reionização, no entanto, as nuvens de átomos de hidrogênio neutro teriam absorvido certa radiação emitida pelas jovens e recém-formadas galáxias – incluindo a chamada linha Lyman-alfa, a assinatura espectral de hidrogênio gasoso aquecido por emissão ultravioleta de novas estrelas, e um indicador de formação de estrelas comumente usado. Por causa desta absorção, não deveria, em teoria, ter sido possível observar uma linha Lyman-alfa de EGS8p7. “Se você olhar para as galáxias no início do universo, há uma grande quantidade de hidrogênio neutro que não é transparente para essa emissão”, diz Zitrin em entrevista ao site Science20. “Espera-se que a maior parte da radiação que vem desta galáxia seria absorvida pelo hidrogênio no espaço intermédio. No entanto, ainda vemos Lyman-alfa desta galáxia”.

Descoberta surpreendente
Esta característica foi detectada usando o espectrômetro MOSFIRE, que capta as assinaturas químicas de tudo, de estrelas até galáxias distantes, em comprimentos de onda próximos do infravermelho (0.97 a 2.45 mícrons, ou milionésimos de metro). “O aspecto surpreendente sobre a presente descoberta é que detectamos esta linha Lyman-alfa em uma galáxia aparentemente fraca em um redshift de 8,68, o que corresponde a um momento em que o universo deveria estar cheio de nuvens de absorção de hidrogênio”, aponta Ellis. Antes da sua descoberta, a galáxia mais distante já detectada tinha um redshift de 7.73. Uma possível razão para o objeto poder ser visível apesar das nuvens de absorção de hidrogênio é que a reionização do hidrogênio não ocorreu de maneira uniforme.

“Evidências de várias observações indicam que o processo de reionização provavelmente é irregular”, explica Zitrin. “Alguns objetos são tão brilhantes que formam uma bolha de hidrogênio ionizado. Mas o processo não é coerente em todas as direções”.  A galáxia que temos observado, EGS8p7, que é extraordinariamente luminosa, pode ser alimentada por uma população de estrelas excepcionalmente quentes e pode ter propriedades especiais que lhe permitiram criar uma grande bolha de hidrogênio ionizado muito mais cedo do que é possível para galáxias mais típicas nestas épocas”, sugere Sirio Belli, um estudante de graduação do Instituto de Tecnologia da Califórnia que trabalhou no projeto.

Zitin conta que, atualmente, ele e sua equipe estão calculando mais atentamente as chances exatas de encontrar esta galáxia e ver esta emissão que vem dela, para entender se precisam rever o cronograma da reionização, que é uma das principais questões-chave a serem respondidas em nossa compreensão da evolução do universo.
Fonte: Hypescience.com

Astrónomos descobrem enxame galáctico com "CORAÇÃO PALPITANTE"

Esta imagem, usando dados do Spitzer e do Hubble, mostram o enxame galáctico SpARCS1049.  Crédito: NASA/STScI/ESA/JPL-Caltech/McGill
Uma equipe internacional de astrónomos descobriu um enxame gigantesco de galáxias com um núcleo repleto de estrelas novas - uma descoberta incrivelmente rara. A descoberta, realizada com a ajuda do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, é a primeira a mostrar que as galáxias gigantes no centro de enxames colossais podem crescer significativamente ao alimentarem-se de gás "roubado" de outras galáxias. Os enxames galácticos são vastas famílias de galáxias ligadas pela gravidade. A nossa Galáxia, a Via Láctea, reside dentro de um pequeno grupo de galáxias conhecido como Grupo Local, ele próprio membro do massivo superenxame Laniakea.

As galáxias nos centros dos enxames são geralmente constituídas por fósseis estelares - estrelas velhas, vermelhas ou mortas. No entanto, os astrónomos descobriram agora uma galáxia gigante no centro de um enxame chamado SpARCS1049+56 que parece contrariar a tendência, ao invés formando estrelas novas a um ritmo incrível. Achamos que esta galáxia gigante no centro deste enxame está fabricando furiosamente estrelas novas depois da fusão com uma galáxia menor," explicou Tracy Webb da Universidade McGill, em Montreal, no Canadá, autora principal de um novo artigo aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal.

A galáxia foi inicialmente descoberta com o Telescópio Espacial Spitzer da NASA e o Telescópio do Canadá-França-Hawaii, localizado em Mauna Kea, Hawaii, e confirmada usando o Observatório W. M. Keck, também em Mauna Kea. Observações posteriores, usando o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, permitiram com que os astrónomos explorassem a atividade da galáxia. O enxame SpARCS1049+56 está tão longe que a sua luz demora 9,8 mil milhões de anos a chegar à Terra. Abriga pelo menos 27 galáxias e tem uma massa total equivalente a 400 biliões de sóis. É um enxame verdadeiramente único num aspeto - o seu coração vibrante de estrelas novas. A galáxia mais brilhante do enxame é a mesma que está a fabricar estrelas novas - a um ritmo de 800 estrelas por ano. A Via Láctea, no máximo, forma duas estrelas por ano!

Esta imagem, usando dados do Spitzer e do Hubble, mostra a região central do enxame galáctico SpARCS1049. A galáxia mais brtilhante do enxame, no centro, está atualmente a sofrer uma fusão molhada que produz quantidades enormes de estrelas novas. É também visível a cauda de maré - indicativa da fusão.  Crédito: NASA/STScI/ESA/JPL-Caltech/McGill

"Os dados do Spitzer mostram uma enorme quantidade de formação estelar no coração deste enxame," algo raramente visto e certamente inédito num enxame tão distante," comenta o coautor Adam Muzzin da Universidade de Cambridge, Reino Unido. O Spitzer capta radiação infravermelha, por isso pode detetar o brilho quente de regiões escondidas e poeirentas de formação estelar. Os estudos de seguimento com o Hubble, no visível, ajudaram a identificar a causa da formação de novas estrelas. Parece que uma galáxia mais pequena fundiu-se recentemente com o monstro no centro do aglomerado, emprestando o seu gás e desencadeando um episódio furioso de nascimento estelar.

"Apoiámo-nos nas nossas outras observações e usámos o Hubble para explorar a galáxia em profundidade - e não ficámos desapontados," comenta Muzzin. "O Hubble descobriu uma fusão desenfreada no centro deste enxame. Nós detetámos características parecidas com 'contas num colar'. As "contas num colar" (heic1414) são sinais indicativos de algo conhecido como uma fusão molhada. As fusões molhadas ocorrem quando galáxias ricas em gás colidem - este gás é convertido rapidamente em estrelas novas. A nova descoberta é um dos primeiros casos conhecidos de uma fusão molhada no núcleo de um enxame galáctico.

O Hubble já tinha anteriormente observado outro enxame galáctico próximo contendo uma fusão molhada, mas não formava estrelas a este ritmo tão frenético. Outros enxames de galáxias crescem em massa através de fusões secas (fusões que envolvem duas galáxias pobres em gás - as duas misturam as suas estrelas, em vez de provocar o nascimento de estrelas novas), ou graças ao desvio de gás para os seus centros. Por exemplo, o mega enxame galáctico conhecido como o Enxame da Fénix cresce em tamanho absorvendo o gás que flui para o seu centro.

Os astrónomos agora têm como objetivo explorar quão comum é este tipo de mecanismo nos enxames galácticos. Será que existem outros "comedores sujos" semelhantes a SpARCS1049+56, que também devoram galáxias ricas em gás? SpARCS1049+56 pode ser um "outlier" - ou pode representar um tempo no Universo jovem em que a alimentação desenfreada era a norma.
 Fonte: Astronomia online

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