7 de out de 2015

Qual a estrela mais distante que conseguimos ver a olho nu?


Determinar qual é a estrela mais distante que conseguimos ver no céu sem a ajuda de equipamentos pode parecer uma tarefa simples. No entanto, existem tantas variáveis, como condição do céu noturno, cálculos de distância imprecisos ou se estamos falando de estrelas únicas, que acabamos encontrando muitas respostas para essa mesma pergunta. Para se ter uma ideia, o UOL consultou três astrônomos para tentar responder a questão e cada um deles citou uma estrela diferente. O que sabemos é que, sob condições ideais, o olho humano pode ver objetos de magnitude aparente 6 (medida do brilho da estrela a partir da Terra). Quanto menor o número, mais brilhante é o objeto. O Sol, por exemplo, tem magnitude -26.

Se levarmos em conta as reais possibilidades de observação em um céu poluído, como o de qualquer grande cidade, a estrela mais distante que conseguimos ver é a Deneb, na constelação do Cisne

Alexandre Cherman, astrônomo do Planetário do Rio
Deneb é uma estrela de magnitude aparente 1,25 e está na lista das 20 mais brilhantes do céu terrestre. Segundo as estimativas, ela fica a mais de 2.000 anos-luz de distância da Terra, ou seja, a luz que ela emite demora mais de 2.000 anos para chegar até aqui. Com raio cerca de cem vezes maior que o do Sol, é cerca de cem mil vezes mais brilhante que ele.

Céu limpo
Agora, se imaginarmos um céu com condições ideais de observação, sem poluição e iluminação artificial, como em um deserto, por exemplo, é possível observar uma estrela ainda mais distante, a V762 Cas, de magnitude aparente de 5.8. No entanto, a distância real da estrela é muito controversa. Frequentemente, dizem que ela está a 16,3 mil anos-luz da Terra, mas outras bases de dados mostram algo em torno de dois a três mil anos-luz. A disparidade acontece porque a medição é feita utilizando complexos cálculos matemáticos --que envolvem a órbita da Terra ou a comparação com o brilho de outros astros conhecidos-- e diferenças muito sutis de dados resultam em distâncias muito diferentes, explica Rogério Riffel, chefe do departamento de astronomia da UFRS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

Duas estrelas em uma
Existem ainda outra possibilidade: o sistema binário, quando dois corpos celestes (como as estrelas) orbitam em torno de um centro de massa comum e estão ligados gravitacionalmente. Estima-se que um terço dos sistemas estelares da Via Láctea é binário. Se tal sistema for levado em conta, teremos mais uma estrela na lista das mais distantes que podem ser observadas a olho nu. Trata-se da Eta Carinae, composta de duas estrelas com massa 150 vezes maior que o Sol e situada a 7,5 mil anos-luz da Terra. Sua magnitude aparente é de aproximadamente 4,4.

"É uma estrela do tipo hipergigante, portanto, muito luminosa", diz Roberto Costa, professor do departamento de astronomia da USP. Vale lembrar que o brilho de uma estrela não é medido apenas a partir de sua distância em relação à Terra, mas também seu tamanho e temperatura. Por exemplo, Sírius é considerada a estrela mais brilhante do céu (noturno) e está distante 8,7 anos-luz do Sol. No entanto, ela está mais distante da Alpha Centauri, considerada a estrela mais próxima do Sol (4,2 anos-luz).

O objeto mais distante
Já o objeto mais distante que podemos observar a olho nu é a Galáxia de Andrômeda, situada a 2,5 milhões de anos-luz da Terra. Como se trata de uma galáxia grande e luminosa como a nossa, é possível observá-la a olho nu", explica Costa. As galáxias podem ser comparadas a grandes cidades cheias de estrelas. A de Andrômeda é um maciço de magnitude 3,4, por isso pode ser vista sem a necessidade de telescópios.
Fonte: UOL

Descobertas ondas misteriosas ao longo de disco de formação planetária

Encontradas estruturas únicas em torno de estrela próxima
Com o auxílio de imagens do Very Large Telescope do ESO e do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, astrônomos descobriram estruturas nunca antes observadas em um disco de poeira que rodeia uma estrela próxima. As estruturas do tipo de ondas que se deslocam rapidamente no disco da estrela AU Microscopii não se parecem com nada que tenha sido observado, ou mesmo previsto, até hoje. A origem e natureza destas estruturas é um novo mistério que os astrônomos precisam desvendar. Os resultados deste trabalho serão publicados em 8 de outubro de 2015 na revista Nature. A estrela próxima AU Microscopii, ou AU Mic, é jovem e encontra-se rodeada por um grande disco de poeira. Estudos de discos de detritos como este fornecem pistas valiosas sobre como é que os planetas se formam a partir deles.

Os astrônomos têm estudado o disco de AU Mic no intuito de procurarem sinais de estruturas mais condensadas ou deformadas, já que tais estruturas podem indicar a localização de possíveis planetas. Em 2014 foram utilizadas as capacidades de imagem de alto contraste do instrumento
SPHERE do ESO, recém instalado no Very Large Telescope, tendo-se descoberto algo muito incomum. “As nossas observações mostraram algo inesperado,” explica Anthony Boccaletti do Observatório de Paris, França, autor principal do artigo científico que descreve estes resultados. “As imagens do SPHERE mostram um conjunto de estruturas inexplicáveis no disco, em forma de arcos ou ondas, diferentes de tudo o que foi observado até hoje.”

Cinco arcos em forma de onda a diferentes distâncias da estrela aparecem nas novas imagens, fazendo lembrar pequenas ondas propagando-se numa poça d'água. Após ter descoberto estas estruturas nos dados do SPHERE, a equipe verificou imagens anteriores do disco obtidas com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA em 2010 e 2011 para ver se também aí apareceriam tais estruturas. A equipe não só conseguiu identificar estas estruturas nas imagens mais antigas do Hubble, como também descobriu que estas variam com o tempo. Aparentemente estas ondas estão se deslocando — e muito rapidamente! Processamos as imagens dos dados Hubble e obtivemos informação suficiente para seguir o movimento destas estranhas estruturas durante um período de 4 anos,” explica o membro da equipe Christian Thalmann (ETH Zürich, Suíça).Descobrimos assim que os arcos se afastam da estrela a velocidades que vão até cerca de 40 000 km/hora!

As estruturas parecem estar a mover-se mais depressa mais longe da estrela do que mais próximo dela. Pelo menos três delas estão se deslocando tão depressa que poderão escapar da atração gravitacional da estrela. Tais velocidades tão elevadas excluem a possibilidade de que estas sejam estruturas convencionais no disco causadas por objetos — tais como planetas — que perturbam o material do disco à medida que orbitam a estrela. Outro fenômeno qualquer deve estar envolvido  para que as ondas sejam aceleradas e se desloquem tão depressa, o que significa que estas estruturas são um sinal de algo verdadeiramente incomum. Tudo nesta descoberta é bastante surpreendente!” comenta a co-autora Carol Grady da Eureka Scientific, EUA. “E uma vez que nunca foi observado nada do gênero, e nem sequer previsto pela teoria, podemos apenas tecer conjecturas sobre o que estamos vendo e como é que poderá ter se formado.

A equipe não pode dizer com toda a certeza o que teria causado estas ondas misteriosas em torno da estrela. No entanto, já considerou uma série de fenômenos que foram rejeitados como explicação possível, incluindo a colisão de dois objetos raros e massivos do tipo de asteroides que libertariam enormes quantidades de poeira, e ondas em espiral com origem em instabilidades na gravidade do sistema.

No entanto, consideraram também outras ideias que parecem mais promissoras.

Uma explicação possível para estas estranhas estruturas tem a ver com as erupções da estrela. AU Mic é uma estrela com uma alta atividade de erupções — lançando frequentemente enormes quantidades de energia da sua superfície ou perto dela, explica o co-autor Glenn Schneider do Steward Observatory, EUA.Uma destas erupções poderia ter dado origem a algum fenômeno num dos planetas - se houver planetas — como um violento arrancar de matéria que poderia agora estar a propagar-se ao longo do disco, impulsionada pela força da erupção.

É muito satisfatório que o SPHERE se tenha revelado extremamente capaz de estudar discos como este no seu primeiro ano de operações, acrescenta Jean-Luc Beuzit,  co-autor do novo estudo e que liderou também o desenvolvimento do SPHERE . A equipe planeja continuar a observar o sistema AU Mic com o SPHERE e outras infraestruturas, incluindo o ALMA, no intuito de tentar compreender o que se está se passando. Mas por agora, estas curiosas estruturas permanecem um mistério por resolver.
Fonte: ESO

ROSETTA espia o lado escuro do cometa 67P/CHURYUMOV-GERASIMENKO

Imagem das regiões polares sul do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko obtida pela câmara OSIRIS (Optical, Spectroscopic, and Infrared Remote Imaging System) da Rosetta no dia 29 de setembro de 2014, quando o hemisfério ainda se encontrava no longo e frio inverno. Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA

Desde a sua chegada ao Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, a Rosetta tem estudado a superfície e o ambiente deste corpo em forma de "patinho de borracha". Mas, durante muito tempo, uma parte do núcleo - as regiões frias e escuras no polo sul - permaneceram inacessíveis a quase todos os instrumentos do orbitador. Devido a uma combinação da forma em lóbulo duplo e da inclinação do seu eixo de rotação, o cometa da Rosetta tem um padrão sazonal muito peculiar ao longo da sua órbita de 6,5 anos. As estações estão distribuídas de forma muito desigual entre os dois hemisférios, cada das quais abrange partes de ambos os lóbulos e do "pescoço" do cometa.

Durante a maior parte da órbita do cometa - 5 anos e meio - é verão no hemisfério norte e o hemisfério sul atravessa um inverno longo, escuro e frio. No entanto, poucos meses antes do periélio - o ponto orbital mais próximo do Sol - a situação muda, e o hemisfério sul passa para um breve, mas muito quente, verão. Quando a Rosetta chegou ao 67P/C-G em agosto de 2014, o hemisfério norte do cometa ainda passava pelo seu longo verão e as regiões no hemisfério sul recebiam muito pouca luz solar. Além disso, uma grande parte deste hemisfério, perto do polo sul do cometa, esteve em escuridão total durante quase cinco anos.

Sem iluminação direta do Sol, estas regiões não podiam ser fotografadas com a câmara OSIRIS da Rosetta. Em adição, as suas baixas temperaturas - que variam entre os 25 e 50 graus acima do zero absoluto - também não permitiam observações com o instrumento VIRTIS (Visible, InfraRed and Thermal Imaging Spectrometer). Durante os primeiros meses após a chegada da Rosetta ao cometa, apenas um instrumento pôde observar o frio polo sul do cometa 67P/C-G: o MIRO (Microwave Instrument for the Rosetta Orbiter). Num artigo aceite para publicação na revista Astronomy and Astrophysics, os cientistas apresentam dados recolhidos destas regiões pelo MIRO entre agosto e outubro de 2014.

"Observámos o 'lado escuro' do cometa com o MIRO em muitas ocasiões depois da chegada da Rosetta ao 67P/C-G, e estes dados únicos dizem-nos algo muito intrigante sobre o material logo abaixo da superfície," explica Mathieu Choukroun do JPL da NASA, autor principal do estudo. Ao observar as regiões polares sul do cometa, Choukroun e colegas encontraram diferenças significativas entre os dados recolhidos com os canais milimétricos e sub-milimétricos do MIRO. Estas diferenças podem apontar para a presença de grandes quantidades de gelo dentro das primeiras poucas dezenas de centímetros por baixo da superfície.
Mapas da temperatura à subsuperfície do hemisfério sul do Cometa 67P/C-G. Os mapas são baseados em observações obtidas pelo instrumento MIRO nos comprimentos de onda milimétricos (esquerda) e submilimétricos (direita), entre setembro e outubro de 2014. Os dados do MIRO estão projetado sobre um modelo digital do cometa. A barra à direita indica a temperatura em Kelvin. Crédito: ESA/Rosetta/NASA/JPL-Caltech

"Surpreendentemente, as propriedades térmicas e elétricas em redor do polo sul do cometa são muito diferentes das encontradas nas outras partes do núcleo. Parece que ou o material à superfície ou o material até algumas dezenas de centímetros de profundidade é extremamente transparente aos comprimentos de onda de 0,5 e 1,6 mm do MIRO, material este que pode ser constituído principalmente de água gelada ou gelo de dióxido de carbono," acrescenta. A diferença entre a composição à superfície e subsuperfície nesta parte do núcleo e a composição noutras partes talvez tenha como origem o ciclo particular de estações do cometa. Uma das possíveis explicações é que a água e outros gases que foram libertados durante o periélio anterior do cometa, quando o hemisfério sul era a parte mais iluminada do núcleo, condensaram novamente e precipitaram-se à superfície depois da mudança da estação e do hemisfério sul ter mergulhado novamente num longo e frio inverno.

Estes são, no entanto, resultados preliminares, porque a análise depende da forma detalhada do núcleo e, à altura em que as medições foram feitas, a forma da escura região polar sul não era conhecida com grande precisão. Nós planeamos revisitar os dados do MIRO usando uma versão atualizada do modelo digital, para verificar estes primeiros resultados e aperfeiçoar a interpretação das medições," acrescenta Choukroun. Além disso, os cientistas da Rosetta vão testar estes e outros cenários possíveis usando dados recolhidos nos meses seguintes, meses estes que antecedem e sucedem a passagem pelo periélio (que teve lugar no dia 13 de agosto).

Em maio de 2015 as estações mudaram e teve início o breve, mas quente, verão do sul, que vai durar até ao início de 2016. À medida que as regiões polares sul, anteriormente à sombra, começaram a receber mais luz solar, tornou-se possível a observação com outros instrumentos da Rosetta e a combinação de todos estes dados pode, eventualmente, revelar a origem da sua composição curiosa. Nos últimos meses, a Rosetta voou sobre as regiões polares sul em várias ocasiões, começando a recolher dados desta parte do cometa depois do início do verão," explica Matt Taylor, cientista do projeto Rosetta da ESA."No início do verão no hemisfério sul tivemos uma escassez de observações nestas regiões pois a trajetória da Rosetta focou-se no hemisfério norte devido à comunicação permanente com o módulo de aterragem, Philae. No entanto, mais perto do periélio fomos capazes de começar as nossas observações do hemisfério sul."

"A Rosetta está atualmente numa excursão até 1500 km do núcleo para estudar o ambiente do cometa em geral, mas em breve vai aproximar-se do cometa, centrando-se em órbitas completas para comparar os hemisférios norte e sul, bem como algumas passagens mais lentas no sul para maximizar as nossas observações. Em adição, à medida que a atividade começa a diminuir no final deste ano, esperamos que a sonda se aproxime ainda mais do núcleo e obtenha observações da superfície em alta resolução."

Mark Hofstadter, investigador principal do MIRO no JPL da NASA, descreve o resultado como "um grande exemplo de como o processo científico se desenrola à medida que a Rosetta estuda, de perto, a evolução deste cometa. Em primeiro lugar, observámos estas regiões escuras com o MIRO, o único instrumento capaz de o fazer nessa altura, e tentámos interpretar estes dados únicos. Por volta do periélio, assim que estas regiões ficaram mais quentes e brilhantes, conseguimos observá-las com outros instrumentos," acrescenta. Esperamos, através da combinação de todos estes instrumentos, ser capazes de confirmar se o polo sul tem uma composição diferente e se muda ou não sazonalmente. 
Fonte: Astronomia Online                  
 


Mini Era do gelo: baixa atividade pode ser começo de apagão solar

Imagem do Sol

Após diversos dias escondido por trás das nuvens, o Sol voltou a brilhar na cidade de São Paulo e permitiu que fosse registrado. O resultado foi um disco quase liso, revelando um período de baixa atividade magnética sem perspectiva de fortalecimento. A cena foi registrada na manhã de 7 de outubro de 2015, a partir do Observatório Solar Apolo11, localizado em Vila Mariana, São Paulo. O registro foi feito através de telescópio capaz de observar o Sol no comprimento de onda H-alpha, que revela os detalhes da cromosfera, o topo da atmosfera solar. 

Embora o Sol esteja praticamente no ápice do ciclo solar 24, quando a atividade magnética deveria estar bastante elevada, a imagem registrada revela exatamente o contrário, com poucas feições ativas observadas no disco da estrela, sem grandes filamentos ou proeminências salientes dignas de nota, repetindo os últimos meses. Isso não significa que nos próximos dias não possam surgir grandes manchas solares capazes de fortes ejeções de massa coronal, mas o fato é que a quantidade média de manchas está muito abaixo daquela observada nos ciclos anteriores, o que leva muitos pesquisadores a especularem sobre um possível "apagão" que pode durar anos.


Mini Era do Gelo?
Como se sabe, a cada 11 anos aproximadamente, o Sol passa por momentos alternados de alta e baixa atividade eletromagnética, conhecidos por mínimos e máximos solares. Esse período é chamado de ciclo solar ou de Schwabe e desde que as observações começaram a ser feitas já foram contados 24 ciclos até o ano de 2015. Entre 1645 e 1715, o Sol passou por um estranho período, com atividade quase nula. Durante 70 anos, as manchas solares se tornaram extremamente raras e o ciclo de 11 anos parecia ter se rompido. Coincidência ou não, esse período de enfraquecimento coincidiu com uma série de invernos implacáveis que atingiram o hemisfério Norte. Esse período no comportamento do Sol ficou conhecido como Mínimo de Maunder e até hoje os cientistas não sabem ao certo como ele foi disparado e nem se realmente influenciou o clima na Terra.  O Sol só voltou ao normal no século seguinte, quando o ciclo 11 anos foi reestabelecido e as temperaturas no hemisfério norte voltaram aos valores tradicionais.

 E Agora?
Excluindo alguns momentos pontuais de extrema demonstração de força, a atividade solar recente apresenta constante declínio, com 75% a menos de grupos solares em relação ao observado em 2001, no pico do ciclo anterior. Recentemente, a observação da fotosfera solar não revelou manchas significativas, repetindo outras ocasiões recentes, cada vez mais frequente. Essa quase ausência de manchas até poderia ser considerada normal, já que no começo do século 20 o Sol também apresentou esse comportamento. A diferença é que atualmente estamos deixando o ápice do ciclo 24 e os estudos mostram que pelos próximos seis anos a atividade eletromagnética deverá ser cada vez menor.     
Fonte: APOLO11.COM       


Uma microlente gravitacional misteriosa

A Microlensing Mystery

Este campo estrelado mostra o enxame globular NGC 6553, que se situa a aproximadamente 19 000 anos-luz de distância na constelação do Sagitário. Neste campo, as astrónomos descobriram um misterioso evento de microlente gravitacional. A microlente é uma forma de lente gravitacional, na qual a radiação emitida por uma fonte de fundo se curva devido ao campo gravitacional de um objeto que se encontra em primeiro plano, dando origem a uma imagem amplificada do objeto de fundo. O objeto pertencente ao NGC 6553 que causa a microlente gravitacional faz curvar a radiação emitida por umaestrela gigante vermelha que se encontra no campo de fundo (marcada com uma seta).

Se este objeto se situar realmente no enxame — algo que os cientistas pensam ter apenas 50% de probabilidade de ser verdade — então poderia ser um buraco negro com uma massa duas vezes a do Sol, o que o tornaria o primeiro objeto deste tipo a ser descoberto num enxame globular. Seria também o buraco negro de massa estelar mais velho descoberto até hoje. No entanto, são necessárias mais observações para determinar a verdadeira natureza deste objeto. Esta curiosidade cosmológica foi detectada pelo telescópio VISTA do ESO instalado no Observatório do Paranal no Chile, no âmbito do rastreio VVV (Variáveis VISTA na Via Láctea) — um rastreio no infravermelho próximo que mapeia as regiões centrais da Via Láctea.

Polo norte lunar

A Lunar Pox

A paisagem esburacada capturada nessa imagem da missão SMART-1 da ESA é a superfície da nossa Lua. Algumas das muitas crateras espalhadas através da superfície lunares são claramente visíveis, registra os muitos impactos que a atingiram. No centro dessa imagem está o polo norte lunar, registrado em detalhe durante a missão da ESA. A imagem mostra as crateras características da Lua, presentes em todas as formas e tamanhos. A maior cratera nessa imagem é a Rozhdestvenskiy, espremida entre a Hermite a nordeste e à Plaskett a sudoeste. A sonda SMART-1 orbitou a Lua de 2004 a 2006 coletando cerca de 32000 imagens de pequenas áreas. Para criar uma imagem cobrindo uma grande região como essa, com cerca de 60 graus de largura, e mostrando picos e crateras no contexto, centenas dessas imagens individuais foram coladas num mesmo mosaico – uma tarefa não muito fácil.

O maior desafio ao criar esse mosaico foram as diferentes condições de iluminação. Apesar de ser chamado de lado escuro da Lua, ambos os lados da Lua experimentam a noite e o dia da mesma maneira. O lado distante, oculto, escuro tem dias de duas semanas como o lado visível da Lua e é escuro somente no senso de que ele era desconhecido dos humanos antes da chegada das sondas espaciais. No polo norte da Lua, mostrado nessa imagem, como é o caso que acontece em todas as áreas da Lua, o Sol ilumina de diferentes direções.

Á medida que o Sol se move no céu da Lua, novas áreas são iluminadas e as sombras se espalham e se movem. Isso significa que muitas das imagens usadas para o mosaico são iluminadas de diferentes direções. Isso é por que, numa inspeção detalhada, quadrados apagados podem ser encontrados no mosaico onde duas imagens de diferente iluminação se encontram. O efeito geral foi muito bom, e a imagem resultante nos deu uma boa  perspectiva sobre o nosso satélite natural. Os astrônomos podem usar imagens como essas para identificar os picos no polo norte que são quase sempre iluminadas e áreas profundas dentro de crateras maiores que podem nunca ver a luz do dia. Essas áreas de sombra constante são de interesse particular pois congelado dentro delas podem existir gelo de água e pistas sobre a história do Sistema Solar.
Fonte: ESA

Caronte, a grande lua de Plutão, revela uma história colorida mas violenta

Caronte em cores reforçadas. A sonda New Horizons capturou esta imagem a cores e em alta-resolução de Caronte antes da maior aproximação do dia 14 de julho de 2015. O mosaico combina imagens azuis, vermelhas e infravermelhas obtidas pelo instrumento Ralph/MVIC (Multispectral Visual Imaging Camera); as cores foram processadas para melhor realçar as propriedades da superfície em Caronte. A paleta de cores não é tão diversa como a de Plutão; o tom mais avermelhado é o da região polar norte, informalmente conhecida como Mordor Macula. Caronte mede 1214 km de diâmetro; a imagem resolve detalhes tão pequenos quanto 2,9 km. Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI

A sonda New Horizons da NASA transmitiu a melhor imagem a cores e de alta resolução, até agora, da maior lua de Plutão, Caronte - e estas fotografias mostram uma história surpreendentemente complexa e violenta. Com metade do diâmetro de Plutão, Caronte é o maior satélite do Sistema Solar em tamanho relativo, quando comparado com o seu planeta. Muitos cientistas da New Horizons esperavam que Caronte fosse monótono, um mundo assolado por crateras; em vez disso, estão a descobrir uma paisagem coberta por montanhas, desfiladeiros, deslizamentos de terra, variações de cor à superfície e muito mais.

Nós pensávamos que a probabilidade de ver essas características tão interessantes neste satélite de um mundo tão distante no nosso Sistema Solar era baixa," afirma Ross Beyer, da equipa GGI (Geology, Geophysics and Imaging) do Instituto SETI e do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Mountain View, no estado americano da Califórnia, "mas eu não poderia estar mais satisfeito com o que vemos. As imagens de alta resolução do hemisfério de Caronte voltado para Plutão, obtidas pela New Horizons enquanto a sonda passava pelo sistema de Plutão no dia 14 de julho e transmitidas para a Terra no dia 21 de setembro, revelam detalhes de uma cintura de fraturas e desfiladeiros mesmo para norte do equador da lua.
As imagens de alta resolução de Caronte foram obtidas pelo LORRI (Long Range Reconnaissance Imager) a bordo da sonda New Horizons, pouco antes da maior aproximação de dia 14 de julho de 2015, e sobrepostas com cores reforçadas do instrumento Ralph/MVIC (Multispectral Visual Imaging Camera). As terras altas crateradas no topo estão partidas para uma série de desfiladeiros, e substituídas em baixo por planícies da informalmente conhecida Vulcan Planum. A cena cobre o diâmetro de Caronte, 1214 km, e resolve detalhes tão pequenos quanto 0,8 km. Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI


 Este grande sistema de desfiladeiros estende-se por mais de 1600 km em toda a face de Caronte e provavelmente até para o outro lado do satélite. Quatro vezes maior que o Grande Canyon nos EUA, e em locais duas vezes mais profundo, estas fendas e desfiladeiros indicam uma perturbação geológica titânica no passado de Caronte. Parece que toda a crosta de Caronte foi rasgada," comenta John Spencer, vice-líder da equipa GGI no SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado americano da Califórnia. "No que diz respeito ao seu tamanho em relação a Caronte, esta característica geológica é muito parecida com o vasto sistema de desfiladeiros Valles Marineris em Marte."

A equipa também descobriu que as planícies ao sul dos desfiladeiros de Caronte - informalmente conhecidas como Vulcan Planum - têm menos crateras grandes do que as regiões para norte, indicando que são visivelmente mais jovens. A suavidade das planícies, bem como as suas ranhuras e sulcos leves, são sinais claros de material que retornou à superfície a larga-escala. Uma possibilidade para a superfície lisa é um tipo de atividade vulcânica fria, chamada criovulcanismo. "A equipe está discutindo a possibilidade que um oceano interno de água pode ter congelado há muito tempo atrás, e que a resultante mudança de volume pode ter levado Caronte a rasgar-se, permitindo com que estas lavas à base de água alcançassem a superfície nessa época," explica Paul Schenk, membro da equipa da New Horizons e do Instituto Lunar e Planetário de Houston, EUA.
Esta composição de cores reforçadas de Plutão (em baixo, à direita) e Caronte (em cima, à esquerda) foi obtida pela sonda New Horizons quando passava pelo sistema plutoniano no dia 14 de julho de 2015. A imagem realça as diferenças entre Plutão e Caronte. As cores e o brilho, tanto de Plutão como de Caronte, foram processados de modo idêntico para permitir uma comparação direta das suas características à superfície, e para realçar a semelhança entre a região polar e avermelhada de Caronte e o terreno equatorial de Plutão. Plutão e Caronte são vistos aproximadamente com os seus tamanhos relativos corretos, mas a sua separação não está à escala. A fotografia combina imagens azuis, vermelhas e infravermelhas obtidas pelo instrumento Ralph/MVIC da sonda. Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI

Imagens com ainda mais resolução e dados de composição de Caronte estão ainda por chegar à medida que a New Horizons transmite os dados armazenados na sua memória digital durante o próximo ano - e enquanto isso acontece, "eu prevejo que a história de Caronte se torne ainda mais espetacular!", exclama Hal Weaver, cientista do projeto da missão e do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, em Laurel, no estado americano de Maryland. A sonda New Horizons está atualmente a 5 mil milhões de quilómetros da Terra e todos os sistemas estão de boa saúde e operando normalmente.
Fonte: Astrnomia Online



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