14 de out de 2015

Halos de onda de rádio gigantes ao redor das galáxias espirais são mais comuns do que se pensava

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Usando um dos maiores rádio observatórios do mundo, o Very Large Array do National Radio Astronomy, um grupo de astrônomos descobriram que os halos ao redor dos discos das galáxias espirais são muito mais comuns do que se pensava anteriormente. A equipe, dirigida pela Dra. Judith Irwin, da Universidade de Queens, em Kingston, ON, Canadá, observou 35 galáxias espirais próximas de lado, de 11 a 137 milhões de anos-luz de distância da Terra. As galáxias espirais, como a nossa própria Via Láctea ou a famosa Galáxia de Andrômeda, possuem uma vasta maioria de suas estrelas, gás, e poeira num disco plano em rotação com braços espirais. A maior parte da luz e das ondas de rádio observadas com telescópios veem de objetos localizados nesse disco.

“Nós sabíamos antes que alguns halos existiam, mas, usando o poder total do VLA atualizado e o poder total de algumas técnicas de processamento de imagens, nós descobrimos que esses halos são muito mais comuns entre as galáxias espirais do que nós pensávamos antes”, explicou a Dra. Irwin. “Estudando esses halos com rádio telescópios pode nos dar uma informação valiosa sobre o fenômeno como um todo, incluindo a taxa de formação de estrelas dentro do disco, os ventos das estrelas em explosão, e a natureza e a origem dos campos magnéticos das galáxias”, disse a Dra. Theresa Wiegert, membro da equipe da Universidade de Queens.

Para ver como esses extensos halos em ondas de rádio típicos, são, os astrônomos escalaram suas imagens de 30 das galáxias para o mesmo diâmetro e as combinaram numa imagem única. O resultado é uma imagem espetacular, mostrando que os raios cósmicos e os campos magnéticos não somente permeiam o disco da galáxia, mas que se estende muito acima e abaixo do disco”, disse a Dra. Irwin. “A imagem combinada confirma a previsão desses halos feita em 1961”.
As descobertas foram publicadas na revista especializada Astronomical Journal.
Fonte: SPACE TODAY

Hubble captura mudanças na grande mancha vermelha de Júpiter

Jupiter at a glance

Os cientistas usando o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA produziram novos mapas de Júpiter, que mostram as contínuas mudanças que ocorrem com a famosa Grande Mancha Vermelha. As imagens também revelam uma rara estrutura em forma de onda na atmosfera do planeta que não tinha sido vista por décadas. A nova imagem é a primeira de uma série de retratos anuais dos planetas externos do Sistema Solar, que nos darão um novo olhar desses mundos remotos, e ajudarão os cientistas a estudarem como eles mudam com o passar do tempo. Nessa nova imagem de Júpiter, uma grande quantidade de feições foi capturada incluindo ventos, nuvens e tempestades. Os cientistas por trás dessas novas imagens, as obtiveram usando a Wide Field Camera 3 do Hubble, num período de observação de mais de 10 horas e produziram assim dois mapas completos do planeta, a partir das suas observações. Esses mapas fizeram com que fosse possível determinar a velocidade dos ventos em Júpiter, com a finalidade de identificar diferentes fenômenos na sua atmosfera além de traquear as suas feições mais famosas. As novas imagens confirmam que a grande tempestade que tem existido na superfície de nuvens de Júpiter por no mínimo 300 anos, continua a encolher, mas mesmo que desapareça, ela irá morrer lutando.

 A tempestade, conhecida como Grande Mancha Vermelha, é vista aqui fazendo seus movimentos em espiral no centro da imagem do planeta. Ela tem diminuído de tamanho de maneira muito rápida de ano em ano. Mas agora, a taxa de encolhimento parece ter reduzido novamente, mesmo apesar da mancha ser cerca de 240 quilômetros menor do que era em 2014. O tamanho da mancha não é a única mudança que tem sido registrada pelo Hubble. No centro da mancha, que é menos intenso em cor do que já foi um dia, um filamento incomum, pode ser visto, se estendendo por quase todo o comprimento do vórtice. Essa estrutura filamentar rotaciona e gira durante o período de 10 horas de imagens da Grande Mancha Vermelha, distorcida por ventos que sopram a cerca de 540 quilômetros por hora.

Existe outra feição de interesse, nessa nova imagem do nosso vizinho gigante. Logo ao norte do equador de Júpiter, os pesquisadores encontraram uma rara estrutura ondulada, de um tipo que foi registrada no planeta somente uma vez antes, décadas atrás por meio da sonda Voyager 2, que foi lançada em 1977. Nas imagens da Voyager 2, a onda era quase que invisível, e os astrônomos começaram a pensar que a sua aparição foi um acaso, como nada como ela foi vista desde então, pelo menos até agora. A onda atual foi encontrada numa região cheia de ciclones e anticiclones. Ondas similares, chamadas de ondas baroclínicas – algumas vezes aparecem na atmosfera da Terra onde os ciclones estão se formando. A onda pode ter se originado numa camada clara abaixo das nuvens, e somente ter se tornado visível quando ela se propagou para o nível das nuvens, de acordo com os pesquisadores.

As observações de Júpiter fazem parte do programa Outer Planeta Atmospheres LEgay (OPAL), que permitirá ao Hubble se dedicar tempo em cada ano para observar os planetas externos. Além de Júpiter, Netuno e Urano já foram observados como parte do programa e os mapas desses planetas serão colocados num arquivo público. Saturno, será adicionado mais tarde à série. A coleção de mapas que serão gerados com o tempo ajudará os cientistas, não somente a entenderem as atmosferas dos planetas gigantes no Sistema Solar, mas também as atmosferas do nosso próprio planeta, e dos planetas que estão sendo descobertos ao redor de outras estrelas.

Um saco cósmico cheio de carvão

Parte da Nebulosa do Saco de Carvão vista de perto
Esta imagem obtida pelo instrumento Wide Field Imager montado no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros mostra parte da enorme nuvem de gás e poeira chamada Nebulosa do Saco de Carvão. A poeira nesta nebulosa absorve e dispersa a radiação emitida por estrelas de fundo.Crédito:ESO

Manchas escuras bloqueiam quase completamente um rico campo estelar nesta nova imagem obtida pelo instrumento Wide Field Camera, instalado no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros no Observatório de La Silla, no Chile. As áreas escuras são pequenas partes de uma enorme nebulosa escura chamada Saco de Carvão, um dos objetos mais proeminentes do seu tipo, visível a olho nu. Daqui a milhões de anos, pedaços deste Saco de Carvão irão se acender, assim como o combustível fóssil de seu nome, com o brilho de muitas estrelas jovens. A Nebulosa do Saco de Carvão situa-se a cerca de 600 anos-luz de distância na constelação do Cruzeiro do Sul. Este enorme objeto empoeirado forma uma silhueta conspícua sobre a faixa estrelada brilhante da Via Láctea e é por isso que esta nebulosa é conhecida dos povos do hemisfério sul desde que a humanidade caminha sobre a Terra.

O explorador espanhol Vicente Yáñez Pinzón foi o primeiro a assinalar aos europeus a presença da Nebulosa do Saco de Carvão em 1499. A Saco de Carvão em seguida foi apelidado de Nuvem de Magalhães Preta, devido à sua aparência escura quando comparada com o brilho intenso das duas
Nuvens de Magalhães, que são na realidade galáxias satélite da Via Láctea. Estas duas galáxias brilhantes são claramente visíveis no céu austral, tendo chamado a atenção dos europeus durante as explorações de Fernão de Magalhães no século XVI. No entanto, a Saco de Carvão não é uma galáxia. Como outras nebulosas escuras, trata-se de uma nuvem interestelar de poeira tão espessa que não permite que a maioria da radiação emitida pelas estrelas de fundo chegue até aos observadores.

Um número significativo de partículas de poeira nas nebulosas escuras estão cobertas de gelo de água, nitrogênio, monóxido de carbono e outras moléculas orgânicas simples. Estes grãos impedem que a radiação visível passe através da nuvem cósmica. Para se ter uma ideia de quão escura é a Saco de Carvão, nos anos 1970 o astrônomo finlandês Kalevi Mattila publicou um estudo que estimava que a Nebulosa do Saco de Carvão possuía apenas cerca de 10% do brilho da Via Láctea à sua volta. Uma pequena parte da radiação estelar de fundo consegue no entanto passar através da nebulosa, como mostra esta nova imagem do ESO e outras observações obtidas por telescópios modernos.

Esta pequena quantidade de radiação que passa através da nebulosa não sai do outro lado sem ter sido modificada. A radiação que vemos nesta imagem parece mais vermelha do que seria normalmente. Este efeito deve-se ao fato da poeira nas nebulosas escuras absorver e dispersar mais a radiação azul das estrelas do que a radiação vermelha, “pintando” as estrelas de vários tons mais avermelhados do que seriam de outro modo. Daqui a milhões de anos os dias negros da Saco de Carvão chegarão ao fim. Nuvens interestelares espessas como a Saco de Carvão contêm muito gás e poeira — o combustível de novas estrelas. À medida que o material disperso na nebulosa coalesce sob o efeito da gravidade, as estrelas formam-se e começam a brilhar, fazendo com que os “pedaços” de carvão “incendeiem”, quase como se tivessem sido tocados por uma chama.
Fonte: ESO

Galáxia Espiral M96 pelo Hubble

Crédito: ESA/Hubble & NASA e Equipa LEGUS; Reconhecimento: R. Gendler

Faixas de poeira parecem girar em torno do núcleo de M96 neste colorido retrato detalhado do centro de um lindo Universo-ilha. Claro, M96 é uma galáxia espiral, e contando desde os braços ténues até à região central mais brilhante, cobre cerca de 100 mil anos-luz, o dobro do tamanho da nossa Via Láctea. M96, também conhecida como NGC 3368, está localizada a mais ou menos 35 milhões de anos-luz e é um membro dominante do grupo de galáxias Leo I. A imagem foi obtida pelo Telescópio Espacial Hubble. A razão para a assimetria de M96 não é clara - pode ter surgido de interações gravitacionais com outras galáxias do mesmo grupo, mas a ausência de um brilho difuso intra-grupo parece indicar poucas interações recentes. No pano de fundo podem ver-se outras galáxias mais distantes.
Fonte: NASA

New Horizons encontra céus azuis e água gelada em Plutão

Plutão em foto divulgada pela Nasa

O céu azul de Plutão: a camada de neblina de Plutão mostra o seu tom azul nesta imagem obtida pela câmara MVIC (Multispectral Visible Imaging Camera) do Ralph. Pensa-se que a neblina a alta altitude seja semelhante em natureza com a observada na lua de Saturno, Titã. A fonte de ambas as neblinas envolve reações químicas do nitrogénio e metano, iniciadas pela luz solar, levando a partículas relativamente pequenas e parecidas com fuligem (chamadas tolinas) que crescem à medida que assentam à superfície. A imagem foi gerada por software que combina informação de imagens azuis, vermelhas e no infravermelho próximo, a fim de replicar tanto quanto possível a cor que o olho humano veria. Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI

As primeiras imagens a cores das neblinas atmosféricas de Plutão, enviadas pela sonda New Horizons da NASA a semana passada, revelam que são azuis. Quem teria esperado um céu azul na Cintura de Kuiper? É lindo," afirma Alan Stern, investigador principal da New Horizons no SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado americano do Colorado. As partículas da neblina, propriamente ditas, são provavelmente cinzentas ou vermelhas, mas o modo como dispersam a luz captou a atenção da equipe científica da New Horizons. "Aquele impressionante tom azul diz-nos mais sobre o tamanho e composição das partículas da neblina," afirma Carly Howett, investigadora da equipe científica, também do SwRI.

"Um céu azul muitas vezes resulta da dispersão da luz solar por partículas muito pequenas. Na Terra, essas partículas são moléculas muito pequenas de nitrogénio. Em Plutão, parecem ser partículas maiores - mas ainda relativamente pequenas - parecidas com fuligem que chamamos de tolinas.  Os cientistas pensam que as tolinas se formam bem alto na atmosfera, onde a luz ultravioleta do Sol quebra e ioniza as moléculas de nitrogénio e metano e permite com que reajam uma com a outra para formar iões mais complexos carregados positivamente e negativamente. Quando são recombinados, formam macromoléculas muito complexas, um processo encontrado pela primeira vez na atmosfera superior da lua de Saturno, Titã.

As moléculas mais complexas continuam a combinar-se e a crescer até que se tornam partículas pequenas; os gases voláteis condensam e revestem as suas superfícies com geada antes que tenham tempo para cair através da atmosfera até à superfície, onde são acrescentadas à coloração vermelha de Plutão. Num importante segundo achado, a New Horizons detetou inúmeras regiões pequenas e expostas de água gelada em Plutão. A descoberta foi feita a partir de dados recolhidos pelo espectrómetro do instrumento Ralph a bordo da New Horizons. Grandes áreas de Plutão não apresentam água gelada exposta," afirma Jason Cook, membro da equipa científica, também do SwRI, "porque aparentemente é mascarada por outros gelos mais voláteis em quase todo o planeta.

Compreender por que a água aparece exatamente onde aparece, e não em outros lugares, é um desafio que estamos a estudar. Um aspeto curioso da deteção é que as áreas que mostram as mais óbvias assinaturas espectrais de água gelada correspondem a áreas que têm um tom vermelho vivo nas imagens coloridas divulgadas recentemente. "Fiquei surpreso ao ver que esta água gelada é tão vermelha," afirma Sylvia Protopapa, membro da equipa científica e da Universidade de Maryland, em College Park, EUA. "Nós ainda não entendemos a relação entre a água gelada e os corantes avermelhados das tolinas à superfície de Plutão. A New Horizons está atualmente a 5 mil milhões de quilómetros da Terra e todos os sistemas estão de boa saúde e a operar normalmente.   
Fonte: Astronomia Online     


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