16 de out de 2015

Descoberta estrela magnética tipo delta Scuti



ilustração de uma estrela magnética delta Scuti
Ilustração de uma estrela magnética delta Scuti © Sylvain Cnudde LESIA / Observatoire de Paris
 
Coralie Neiner do Laboratory for Space Studies and Astrophysics Instrumentation, LESIA (CNRS/Observatoire de Paris/UPMC/Université Paris Diderot) e Patricia Lampens (Royual OIbservatory of Belgium), descobriram  a primeira estrela magnética do tipo delta Scuti, através de observações espectropolarimétricas, realizadas com o telescópio CFHT. As estrelas do tipo delta Scuti, são estrelas pulsantes, sendo que algumas delas mostram assinaturas atribuídas para um segundo tipo de pulsação. A descoberta mostra que isso é na verdade a assinatura de um campo magnético. Essa descoberta tem importantes implicações para o entendimento do interior das estrelas.

Dois tipos de estrelas pulsantes existem entre as estrelas com massa entre 1.5 e 2.5 vezes a massa do Sol: as estrelas do tipo delta Scuti e as estrelas do tipo gamma Dor. A teoria nos diz que as estrelas com temperatura entre 6900 e 7400 graus Kelvin podem ter ambos os tipos de pulsação. Essas são então chamadas de estrelas híbridas. Contudo, o satélite Kepler da NASA tem detectado um grande número de estrelas híbridas com temperaturas maiores ou menores do que esse limite pensado anteriormente. A existência dessas estrelas híbridas com temperaturas maiores é algo muito controverso, já que desafia o nosso entendimento sobre as estrelas pulsantes do tipo delta Scuti e gamma Dor.
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Diagrama da medição do campo magnético © Neiner et al. 2015, MNRAS Letters, sous presse.

Coralie Neiner e Patricia Lampens, portanto procuraram qual o fenômeno físico poderia imitar a assinatura das pulsações das estrelas do tipo gamma Dor nas estrelas do tipo delta Scuti, fazendo com que elas só aparecessem como híbridas quando elas realmente não eram. Uma explicação para isso poderia ser a presença de um campo magnético que produziria manchas na superfície das estrelas: Quando as estrelas rotacionavam, a passagem da mancha em frente do observador imitaria a assinatura de pulsação de uma estrela do tipo gamma Dor. Contudo, nenhum campo magnético havia até então sido observado numa estrela do tipo delta Scuti.

Através de observações de espectropolarimetria realizadas no CFHT, elas observaram a presença de um campo magnético numa estrela híbrida identificada pelo Kepler, a HD188774. Elas descobriram que essa estrela é na verdade uma estrela magnética delta Scuti, e que a assinatura do seu campo magnético se confunde com a assinatura de pulsação de uma estrela do tipo gamma Dor. A HD188774 então não é uma estrela verdadeiramente híbrida, mas sim a primeira estrela magnética do tipo delta Scuti conhecida. É muito provável que muitas outras estrelas pensadas como híbridas entre as estrelas observadas pelo Kepler, sejam na verdade estrelas magnéticas delta Scuti, o que resolveria a controvérsia entre as predições teóricas e as observações realizadas com o Kepler. A descoberta traz uma nova luz para a interpretação das observações do Kepler, especialmente na estrutura interna dessas estrelas.


Os cientistas não conseguem explicar o que está acontecendo com esta estrela

estrela estranha padrao de liz

Cientistas descobriram um estranho padrão de luz em torno de uma estrela distante, que simplesmente não conseguem explicar. O mistério é tão grande que até “tecnologia alienígena avançada” já foi considerada como uma possibilidade. “Aliens devem sempre ser a última hipótese a se considerar, mas parecia ser algo que se esperaria que uma civilização alienígena construísse”, disse Jason Wright, astrônomo da Universidade Estadual de Pensilvânia, nos EUA, ao jornal The Atlantic.

KIC 8462852
A estrela, chamada KIC 8462852, está localizada a cerca de 1.500 anos-luz de distância de nós, entre as constelações do Cisne e Lira. Ela é mais brilhante, mais quente e mais massiva do que o nosso sol. Descoberta pela primeira vez pelo telescópio espacial Kepler, da NASA, em 2009, vários cientistas cidadãos vasculhando os dados a apontaram “bizarra” e “interessante”. Assim, os astrônomos começaram a estudá-la. O que ela tem de especial? Normalmente, as variações de brilho das estrelas são muito ligeiras – menos de 1% de escurecimento a cada poucos dias, semanas ou meses, dependendo do tamanho da órbita do planeta que a circunda. Mas a KIC 8462852 possui variações de brilho altamente irregulares. Não há nenhuma órbita periódica identificável, apenas bloqueios de luz estranhos e sem padrão discernível ocorrendo.

Escurecimento muito grande
Estes efeitos de escurecimento são significativos. Em um ponto, a quantidade de luz da estrela caiu em 15%. Em outro, 22%. Mesmo um planeta do tamanho de Júpiter só bloquearia cerca de 1% deste tipo de luz da estrela, e ele é basicamente tão grande quanto um planeta pode ser. O escurecimento não pode ser devido a outra estrela, também, ou os cientistas a teriam visto. A falta de um padrão é mais uma evidência de que não é uma estrela. O que quer que esteja bloqueando a luz de KIC 8462852 é grande, no entanto, com até a metade da largura da própria estrela.

Descartando teorias
A explicação mais óbvia para os eventos de escurecimento irregulares é que KIC 8462852 tem uma massa de lixo espacial – rochas e poeira de diferentes formas e tamanhos – a circulando em formação apertada. O único problema é que isso só ocorre quando uma estrela é jovem, e a evidência aponta para a KIC 8462852 ser madura. “Nós nunca tínhamos visto nada como esta estrela”, disse uma das pesquisadoras, Tabetha Boyajian, da Universidade de Yale nos EUA. Poderia ser um erro? Não. Os cientistas já descartaram a possibilidade de que a informação esteja errada. “Achamos que poderiam ser dados falsos ou um movimento defeituoso na nave espacial, mas tudo estava ok”, disse Boyajian.

Pensando fora da caixa
A melhor explicação que temos até agora, então, é que, em algum ponto, outra estrela passou pelo sistema KIC 8462852 e perturbou sua gravidade, puxando uma massa de cometas em direção a ele. Há outra estrela perto o suficiente de KIC 8462852 para tornar isso uma possibilidade. Mas seria uma extraordinária coincidência, de acordo com os pesquisadores. Sem contar que nem todos estão convencidos de que uma massa de cometas bloquearia 22% da luz da estrela. Wright afirma que precisamos considerar outras opções mais ousadas, como uma civilização alienígena avançada no processo de construção de algo enorme próximo a KIC 8462852.

Esfera de Dyson
Lembra da Esfera de Dyson? A gigantesca esfera feita de painéis solares que circunda completamente uma estrela, presente em muitas ficções científicas, é uma das hipóteses de tecnologia avançada alienígena que poderia explicar os eventos irregulares. No entanto, Wright crê que devemos abordar essa suposição com ceticismo. O que isso significa? Significa que podemos ficar um pouco animados, não porque aliens são uma séria possibilidade, mas porque temos um mistério em nossas mãos, e disso deve sair algo novo para ciência. Em breve, mais pesquisadores devem se envolver no estudo da KIC 8462852 para resolver esse enigma.

Atração gravitacional da Terra faz rachaduras se abrirem na Lua

falhas na lua

A edição deste mês da revista “Geology” traz um artigo impressionante: segundo pesquisadores, a atração gravitacional da Terra está mexendo com a lua, abrindo rachaduras na crosta lunar. Assim como a atração gravitacional da lua faz com que os mares e lagos subam e desçam com as marés na Terra, a Terra exerce forças de maré na lua. Os cientistas já sabem disso há algum tempo, mas agora eles descobriram que essa atração, na verdade, abre falhas no satélite natural. Sabemos que a estreita relação entre a Terra e a lua remonta às suas origens, mas foi uma surpresa descobrir que a Terra ainda está ajudando a moldar a lua”, afirmou em entrevista ao portal Space.com o principal autor do estudo, Thomas Watters, cientista planetário do Museu Nacional Aéreo e do Espaço da Smithsonian Institution, em Washington, DC. Os pesquisadores analisaram dados do Orbitador de Reconhecimento Lunar (LRO, do inglês Lunar Reconnaissance Orbiter) da Nasa, que foi lançado em 2009. Em 2010, a nave espacial ajudou os cientistas a descobrir que a lua está diminuindo: imagens de alta resolução revelaram 14 escarpas em forma de lóbulo falhadas, ou falésias, que provavelmente foram formadas à medida que o interior quente da lua esfriava e se contraía, forçando a crosta sólida a ceder.

FORMAÇÕES RECENTES
Depois de mais de seis anos em órbita e registrando imagens de quase três quartos da superfície da lua, o LRO detectou mais de 3.200 dessas escarpas. Estas falésias são a característica tectônica mais comum na lua, e tipicamente têm dezenas de metros de altura e menos de 10 quilômetros de comprimento. Pesquisas anteriores haviam sugerido que elas tinham menos de 50 milhões de anos de idade e que provavelmente ainda estariam ativas hoje. Se a única influência na formação das falhas escarpadas lunares fosse o resfriamento do interior do satélite, os penhascos estariam distribuídos de forma aleatória, porque as forças de contração seriam iguais em todas as direções, disseram os pesquisadores. “Foi uma grande surpresa descobrir que as falhas escarpadas não têm orientações aleatórias”, disse Watters. Em vez disso, segundo a equipe, há um padrão que sugere que algo mais está influenciando sua formação, algo que também está atuando em uma escala global. Esse algo é a atração gravitacional da Terra.

MARÉ TERESTRE
As forças de maré da Terra não agem igualmente por toda a superfície da lua; elas atuam mais fortemente sobre as partes que estão mais próximas ou mais distantes da Terra. O resultado é que muitas escarpas são alinhadas do norte ao sul em latitudes baixas e médias, perto do equador da lua, e de leste a oeste em altas latitudes, próximas aos pólos lunares. De acordo com Watters, os efeitos das forças de maré da Terra são provavelmente cerca de 50 a 100 vezes menores do que as de contração da lua. Um modelo que incorpora os efeitos das forças de maré e contracionais na superfície da lua é muito parecido com as falhas escarpadas observadas na superfície lunar.

“Com o LRO, conseguimos estudar a lua globalmente em detalhes que ainda não são possíveis em qualquer outro corpo no sistema solar além da Terra. Isso nos permite trazer à tona processos sutis, mas importantes, que de outra forma permaneceriam escondidos”, apontou John Keller, cientista do projeto LRO no Goddard Space Flight Center da Nasa em Greenbelt, nos Estados Unidos, em um comunicado à imprensa. Se estas falhas lunares ainda estão ativas, terremotos lunares de pouca profundidade podem ocorrer ao longo delas. Esses tremores devem acontecer com mais frequência quando os efeitos das marés da Terra são maiores na lua – quando ela está mais distante da Terra em sua órbita. Watters espera que um dia uma rede de sismógrafos na superfície da lua possa detectar esses tremores.
Fontes: Hypescience.com
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