Buraco negro vermelho de “fúria” é observado por astrônomos

Impressão artística do buraco negro
Violentas luzes vermelhas, com duração de apenas frações de segundo, foram observadas durante uma das mais brilhantes explosões de buracos negros nos últimos anos. Em junho de 2015, um buraco negro chamado V404 Cygni sofreu um dramático brilho por cerca de duas semanas, uma vez que devorou ​​o material que havia retirado de uma estrela companheira em órbita. O V404 Cygni, que está cerca de 7.800 anos-luz da Terra, foi o primeiro buraco negro definitivo a ser identificado em nossa galáxia e pode ficar extremamente brilhante quando está devorando materiais ativamente. Em um novo estudo, publicado na revista Monthly Notices da Royal Astronomical Society, uma equipe internacional de astrônomos liderada pela Universidade de Southampton, na Inglaterra, relatou que o buraco negro emitiu deslumbrantes flashes em vermelho com duração de apenas frações de segundo, conforme despejava material que não conseguia engolir.

Os astrônomos associaram a cor vermelha com jatos velozes de matéria que foram ejetados perto do buraco negro. Estas observações fornecem novas ideias sobre a formação de tais jatos e fenômenos de buracos negros extremos. Principal autor do estudo, Dr. Poshak Gandhi, professor associado na Universidade de Astronomia de Southampton, comenta: “A velocidade muito alta nos diz que a região onde essa luz vermelha está sendo emitida deve ser muito compacta. Reunindo pistas sobre a cor, a velocidade e o poder desses flashes, podemos concluir que esta luz está sendo emitida a partir da base do buraco negro. A origem destes jatos ainda é desconhecida, apesar de fortes campos magnéticos serem suspeitos de desempenhar um papel nisso”.

Fúria vermelha
“Além disso, esses flashes vermelhos são mais fortes no auge da agitação de alimentação do buraco negro. Especula-se que quando o buraco negro estava sendo rapidamente forçado a se alimentar por sua estrela companheira de órbita, reagiu violentamente expelindo parte do material como um jato que se movia rapidamente. A duração desses episódios intermitentes poderia estar relacionada com o ligar e desligar do jato, visto pela primeira vez em detalhe”.

Devido à natureza imprevisível e à raridade dessas “explosões” brilhantes de buracos negros, os astrônomos têm muito pouco tempo para reagir. Por exemplo, a última erupção do V404 Cygni havia sido em 1989. Ele esteve excepcionalmente brilhante em junho de 2015 e constituiu uma excelente oportunidade para esse trabalho. Na verdade, esta foi uma das mais brilhantes explosões de buracos negros nos últimos anos. Mas a maioria das explosões são muito opacas, tornando-as difíceis de estudar.

Cada flash era cegamente intenso, equivalente à potência de cerca de 1.000 sóis. E alguns dos flashes eram mais curtos do que 1/40º de segundo – cerca de dez vezes mais rápido do que a duração de um piscar típico de um olho. Tais observações exigem novas tecnologias, de modo que os astrônomos usaram a câmera de imagem rápida UltraCam montada no telescópio Herschel William, em La Palma, nas Ilhas Canárias.

Trabalho conjunto
O professor Vik Dhillon, da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, e cocriador da UltraCam, disse: “A UltraCam é a única que pode operar a uma velocidade muito alta, capturando ‘filmes’ com alta taxa de quadros por segundo de alvos astronômicos, em três cores simultaneamente. Isto nos permitiu determinar a cor vermelha desses flashes de luz do V404 Cygni”. O evento de 2015 fez os astrônomos coordenarem esforços mundiais para observar explosões futuras. Suas curtas durações e emissões fortes em todo o espectro eletromagnético requerem uma estreita comunicação, compartilhamento de dados e esforços de colaboração entre cientistas. Estas observações podem ser um verdadeiro desafio, especialmente quando se tenta observações simultâneas de telescópios terrestres e satélites espaciais”, conclui Gandhi.

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