Planeta 9 vai ganhando cara

Planeta 9 vai ganhando cara


Lembra de quando eu falei que Mike Brown, o cara que matou Plutão, tinha anunciado que deveria haver um novo planeta velho no Sistema Solar? Eu mencionei o trabalho dele e seu colega Konstantyn Batygin nesse post algum tempo atrás. De acordo com ambos, deveria haver um planeta para muito além da órbita de Plutão, com aproximadamente 10 vezes a massa da Terra; ele seria um mini Netuno, ou uma super Terra. rown e Batygin não descobriram o tal planeta, na verdade, observando o alinhamento das órbitas de diversos objetos do cinturão de Kuyper (ou KBOs na sigla em inglês) a conclusão foi de que tal organização só poderia ser conseguida com a presença de um objeto dessa natureza. Com esse tamanho todo, não haveria dúvidas de que seria um novo planeta que vem atuando há bilhões de anos no Sistema Solar. A sua menor distância ao Sol estaria entre 150 e 200 vezes a distância Sol-Terra, e por isso sua influência nos planetas mais internos do sistema seria desprezível, de modo que ele nunca poderia ser detectado como aconteceu com Netuno, que perturba a órbita de Urano de tal forma que foi possível encontrar sua posição no céu. Além disso, a essa distância toda, que no ponto de maior afastamento poderia chegar a 700 vezes da distância Sol-Terra, ele brilharia muito pouco para ser encontrado por qualquer telescópio.

Baseada no estudo das órbitas alinhadas dos KBOs, a dupla Brown-Batygin mostrou qual deveria ser a órbita do tal planeta 9, mas impossível dizer em qual ponto dela ele deveria estar em um determinado dia. Inclusive, esta semana foi anunciada a descoberta de mais um KBO com órbita alinhada com os outros objetos mais antigos, segundo a dupla dinâmica, mais um indício da existência do corpo celeste. Até agora nada de concreto, apenas a órbita total foi possível de se calcular, basta pegar seu telescópio de 8 metros de diâmetro e botar para observar meses a fio...

Mas o tal planeta começa a ter cara e corpo. Dois astrônomos da Universidade de Berna, na Suíça, publicaram um artigo em que propõem duas características importantes do astro. Baseados em modelos evolutivos de planetas em sistema planetários desde a sua formação no disco protoplanetário, Esther Linder e Cristopher Mordasini chegaram a uma conclusão interessante: o planeta 9 não deve ser ter mais do que 4 raios terrestres e 10 vezes a massa da Terra. O planeta deve ter nascido muito maior que isso, mas ao longo dos bilhões de anos de vida no Sistema Solar foi perdendo massa e encolheu. Dessa forma, o planeta deve ser uma imensa pedra de gelo envolvida por uma atmosfera de hidrogênio e hélio.

Outro resultado interessante é que sua temperatura não deve ser superior a -226 graus Celsius. Nos cafundós do Sistema Solar não dava para esperar muito mais que isso. Aliás, ele deveria até mesmo ser mais frio, mas a circulação dos gases da atmosfera do planeta gera algum calor que, apesar de ser muito pouco, é muito mais que do que o calor absorvido diretamente da luz solar que o atinge, que é quase nada. Em números: o calor gerado internamente pelo planeta é mil vezes maior que o calor absorvido do Sol.

Eu sempre me perguntei por que Brown decidiu fazer a busca do planeta 9 usando câmeras no óptico, ou seja, na luz visível. Esse é o jeito tradicional, claro, mas tão distante assim, a luz refletida pelo planeta é muito pouca. Na minha opinião, fazer uma busca no infravermelho seria mais fácil, pois nesse comprimento de onda ele seria mais brilhante e, portanto, mais fácil de ser detectado. No comprimento de onda onde a emissão infravermelho do planeta é mais intensa, não há instrumentos em operação hoje, mas já houve alguns que, do espaço sideral mapearam o céu todo.

O resultado?

Nada, se tivessem achado alguma coisa, o planeta 9 estaria confirmado já há uns 5 anos. Acontece que esses satélites não tinham capacidade para encontrar nenhum corpo celeste, como um planeta gasoso, que tivesse menos de 20 vezes a massa da Terra. Ou seja, esse deve ser o limite de massa para esse possível planeta.

Bom, no infravermelho não tem instrumento e no visível é difícil, o que fazer?

Enquanto a nova geração de telescópios gigantes, com 20-30 metros de diâmetro não entram em operação, Mik Brown tem usado o telescópio japonês Subaru, que além de ter 8 metros de diâmetro, um dos maiores da atualidade, tem uma câmera que permite observar um grande campo de céu de uma só vez, economizando o trabalho. É o jeito.
Créditos: Cássio Barbosa - Observatório - G1

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