30 de mai de 2016

Alma revela "PEGADAS" de formação planetaria num disco de gás

Imagem ALMA do disco de poeira em torno de HL Tauri.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)

Uma nova análise de dados obtidos pelo ALMA fornece evidências ainda mais firmes de "planetas bebé" em torno da estrela HL Tauri. Os investigadores descobriram duas lacunas no disco de gás. As localizações destas divisões no gás coincidem com as encontradas na poeira numa imagem de alta-resolução obtida em 2014 pelo ALMA. Esta descoberta suporta a ideia de que os planetas se formam em escalas de tempo muito mais curtas do que se pensava e pede uma reconsideração de cenários alternativos de formação planetária. Em novembro de 2014, o ALMA divulgou uma imagem surpreendente de HL Tauri e do seu disco de poeira. Essa imagem, a melhor já captada para este tipo de objeto, mostra claramente várias lacunas no disco de poeira em torno da estrela.

Os astrónomos ainda não chegaram a uma resposta definitiva sobre o que origina as falhas no disco de poeira. Dado que estes discos são os locais de formação planetária, alguns sugerem que os planetas infantis são a chave; os intervalos escuros são esculpidos por planetas no disco que atraem ou varrem a poeira ao longo das suas órbitas. Mas outros duvidam da explicação planetária porque HL Tauri é muito jovem, com uma idade estimada em apenas um milhão de anos, e os estudos clássicos indicam que é preciso várias dezenas de milhões de anos para os planetas se formarem a partir de poeira. Esses investigadores propõem outros mecanismos possíveis para a formação das lacunas: mudanças no tamanho da poeira através de coalescência ou destruição; ou a formação de poeira devido ao congelamento de moléculas de gás.

As distribuições do gás HCO+ (azul) e poeira (vermelho) no disco em redor de HL Tauri. As elipses mostram as localizações das lacunas.  Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), Yen et al.

São necessários mais dados para determinar qual das teorias está correta. Nós sabemos que os discos em redor de estrelas jovens, além de poeira, contêm gás. De facto, em geral, a quantidade de gás é 100 vezes superior à quantidade de poeira. A equipe de investigação liderada pelo Dr. Hsi-Wei Yen do Instituto de Astronomia e Astrofísica da Academia Sinica em Taiwan e pelo professor Shigehisa Takakuwa da Universidade Kagoshima, Japão, focou-se na distribuição do gás no disco para melhor compreender a verdadeira natureza do disco. Caso as lacunas na poeira sejam provocadas pela variação das propriedades de poeira, tal não afeta diretamente o gás. Se, por outro lado, as lacunas na poeira são provocadas pela gravidade de formação planetária, então seria de esperar que a gravidade criasse também lacunas no gás.

Mesmo com a sensibilidade sem precedentes do ALMA, não foi fácil revelar a distribuição do gás no disco. A equipa extraiu as emissões das moléculas do gás HCO+ nos dados públicos da campanha LBC (Long Baseline Campaign) 2014 do ALMA e resumiu as emissões em anéis em torno da estrela para aumentar a sensibilidade eficaz. Esta nova técnica de análise de dados forneceu a imagem mais nítida de sempre da distribuição de gás em torno de uma estrela jovem. A imagem da distribuição de HCO+ revela pelo menos duas lacunas no disco, com um raio de 28 e 69 unidades astronómicas. "Para nossa surpresa, estes intervalos no gás sobrepõem-se aos intervalos no gás," afirma Yen, autor principal do artigo publicado na revista Astrophysical Journal Letters. "Isto suporta a ideia de que as lacunas são as 'pegadas' de planetas em formação."


Impressão de artista de HL Tauri. A estrela está rodeada pelo disco (vermelho) e por um invólucro volumoso. A estrela liberta um jato bipolar colimado.  Crédito: ASIAA

O facto de que as lacunas no gás e na poeira coincidem, significa que a quantidade de material aí presente provavelmente diminui. Isto desfavorece algumas das teorias que tentam explicar as lacunas só com mudanças nas partículas de poeira. Uma diminuição na quantidade de material nos intervalos suporta a teoria de formação planetária, apesar da jovem idade de HL Tauri. "Os nossos resultados indicam que os planetas se formam muito mais cedo do que pensávamos," acrescenta Yen. A equipa também descobriu que a densidade do gás é alta o suficiente para abrigar um planeta jovem na divisão interior. Ao compararem a estrutura da lacuna interior com os modelos teóricos, a equipa estima que o planeta tenha uma massa de 0,8 vezes a de Júpiter.

Por outro lado, a origem da lacuna exterior é ainda incerta. A equipa sugeriu a existência de um possível planeta com 2,1 vezes a massa de Júpiter, mas a pesquisa presente não consegue eliminar a possibilidade de que a lacuna é produzida pelo arrasto entre as partículas de poeira e o gás. Para resolver esta questão, são necessários mais dados. A nossa investigação demonstra claramente que a aplicação de novas técnicas de análise em dados existentes pode revelar factos importantes, aumentando ainda mais o já elevado potencial científico do ALMA," comenta Takakuwa. "Ao aplicarmos o mesmo método para conjuntos de dados de outras estrelas jovens, esperamos construir um modelo sistemático de formação planetária."
Fonte: Astronomia Online




Um belo exemplo de ornamentação estelar

Nesta imagem obtida com o Very Large Telescope do ESO (VLT), a radiação emitida por estrelas azuis resplandecentes energiza o gás que restou da sua recente formação. O resultado é esta colorida nebulosa de emissão, chamada LHA 120-N55, na qual as estrelas se encontram “adornadas” por um manto de gás brilhante. Os astrónomos estudam este tipo de fenómenos para aprender mais sobre as condições existentes nos locais onde novas estrelas se desenvolvem. A LHA 120-N55, ou N55 como é normalmente conhecida, é uma nuvem de gás brilhante situada na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite da Via Láctea localizada a cerca de 163 000 anos-luz de distância.

A N55 situa-se no interior de uma enorme concha, ou superbolha, chamada LMC 4. As superbolhas, muitas vezes com centenas de anos-luz de dimensão, formam-se quando ventos fortes lançados por estrelas recém formadas e ondas de choque de explosões de supernovas trabalham em uníssono, soprando para longe a maioria do gás e poeira que originalmente os rodeava e criando assim enormes cavidades em forma de bolha. O material que se tornou a N55 conseguiu, no entanto, sobreviver como um pequeno envelope de restos de gás e poeira. É agora uma nebulosa isolada no interior da superbolha. Houve também um grupo de estrelas brilhantes azuis e brancas — chamado LH 72 — que se conseguiu formar centenas de milhões de anos após os eventos que originalmente “sopraram” esta bolha.

As estrelas do LH 72 têm apenas alguns milhões de anos de idade, não tendo por isso contribuído para esvaziar o espaço em torno da N55. Estas estrelas representam sim, o segundo episódio de formação estelar na região. O recente aumento da população de estrelas explica igualmente os cores evocativas que rodeiam as estrelas da imagem. A intensa radiação emitida pelas potentes estrelas azuis-esbranquiçadas está a retirar os electrões dos átomos de hidrogénio próximo que se encontra na N55, fazendo com que o gás brilhe no óptico com um característico tom rosado. Os astrónomos reconhecem esta assinatura do gás de hidrogénio brilhante em todas as galáxias como um sinal de formação estelar recente.

Embora as coisas pareçam por agora calmas na região de formação estelar da N55, esperam-se enormes mudanças. Daqui a milhões de anos, algumas das estrelas mais massivas e brilhantes da associação estelar LH 72 irão explodir sob a forma de supernovas, espalhando assim o conteúdo da N55. 
 De facto, irá ser soprada uma bolha no interior da superbolha e o ciclo de finais e inícios estrelados continuará nesta vizinhança próxima da nossa Galáxia.

Esta nova imagem foi adquirida com o auxílio do instrumento
FORS2 (FOcal Reducer and low dispersion Spectrograph) montado no VLT do ESO. A imagem foi obtida no âmbito do programa Jóias Cósmicas do ESO, uma iniciativa que visa obter imagens de objetos interessantes, intrigantes ou visualmente atrativos, utilizando os telescópios do ESO, para efeitos de educação e divulgação científica. O programa utiliza tempo de telescópio que não pode ser usado em observações científicas. Todos os dados obtidos podem ter igualmente interesse científico e são por isso postos à disposição dos astrónomos através do arquivo científico do ESO.
Fonte: ESO

Telescópios da Nasa encontram pistas de como os buracos negros gigantes se formaram tão depressa

Esta ilustração representa a melhor evidência, até à data, que o colapso direto de uma nuvem de gás produziu buracos negros supermassivos no Universo primordial. Os investigadores combinaram dados do Chandra, do Hubble e do Spitzer para fazer esta descoberta. Crédito: NASA/CXC/STScI

Usando dados dos Grandes Observatórios da NASA, os astrónomos descobriram as melhores evidências, até à data, das sementes cósmicas no Universo primordial que cresceram para buracos negros supermassivos. Os investigadores combinaram dados do Observatório de raios-X Chandra, do Telescópio Espacial Hubble e do Telescópio Espacial Spitzer para identificar estas possíveis sementes de buracos negros. Eles discutem as suas descobertas num artigo que será publicado numa próxima edição da revista Monthly Notices da Sociedade Astronómica Real.

"A nossa descoberta, se confirmada, explica como é que estes buracos negros monstruosos nasceram," afirma Fabio Pacucci da SNS (Scuola Normale Superiore) em Pisa, Itália, que liderou o estudo. "Nós encontrámos evidências de que as sementes de buracos negros podem formar-se diretamente a partir do colapso de uma nuvem de gás gigante, saltando quaisquer passos intermédios."

Os cientistas acreditam que um buraco negro supermassivo habita no centro de quase todas as grandes galáxias, incluindo a nossa própria Via Láctea. Eles descobriram que alguns destes buracos negros supermassivos, que contêm milhões ou até milhares de milhões de vezes a massa do Sol, formaram-se menos de mil milhões de anos após o início do Universo, o Big Bang. Uma teoria sugere que as sementes de buracos negros foram construídas puxando gás dos seus arredores e por fusões de buracos negros mais pequenos, um processo que deveria levar muito mais tempo do que aquele determinado para os buracos negros que se formam rapidamente.

Estas novas descobertas sugerem, ao invés, que alguns dos primeiros buracos negros formaram-se aquando do colapso de uma nuvem de gás, ignorando quaisquer outras fases intermédias, tais como a formação e posterior destruição de uma estrela maciça. Há muita controvérsia no que toca ao percurso que estes buracos negros tomam," afirma a coautora Andrea Ferrara, também da SNS. "O nosso trabalho sugere que estamos a caminhar para uma descoberta, onde os buracos negros começam grandes e crescem a um ritmo normal, em vez de começarem pequenos e crescerem a um ritmo muito rápido.

Os investigadores usaram modelos de computador de sementes de buracos negros combinados com um novo método para selecionar candidatos para estes objetos a partir de imagens de longa exposição do Chandra, Hubble e Spitzer. A equipa encontrou dois candidatos fortes para as sementes de buracos negros. Ambos combinam com o perfil teórico dos dados infravermelhos, inclusive são objetos muito vermelhos e também emitem raios-X detetados com o Chandra. As estimativas da sua distância sugerem que podem ter sido formados quando o Universo tinha menos de mil milhões de anos.

"As sementes de buracos negros são extremamente difíceis de encontrar e a confirmação da sua deteção é muito complexa," afirma Andrea Grazian, coautora do Instituto Nacional de Astrofísica na Itália. "No entanto, pensamos que a nossa investigação descobriu os dois melhores candidatos até à data. A equipe planeia obter mais observações em raios-X e no infravermelho para verificar se estes objetos têm mais das propriedades esperadas para as sementes dos buracos negros. Os próximos observatórios, como o Telescópio Espacial James Webb e o E-ELT (European Extremely Large Telescope), vão ajudar nos estudos futuros através da deteção da luz de buracos negros mais distantes e pequenos.

Os cientistas estão atualmente a construir a estrutura teórica necessária para interpretar os próximos dados, com o objetivo de encontrar os primeiros buracos negros do Universo. "Como cientistas, não podemos dizer neste momento que o nosso modelo é 'o tal'", comenta Pacucci. "O que achamos é que o nosso modelo é capaz de reproduzir as observações sem a necessidade de suposições injustificadas."
Fonte: Astronomia Online

20 de mai de 2016

Novo retrato de Marte pelo Hubble

Fotografia de Marte, obtida pelo Telescópio Espacial Hubble, quando o planeta estava a 80,4 milhões de quilómetros da Terra no dia 12 de maio de 2016. Crédito: NASA, ESA, Equipa do Hubble (STScI/AURA), J. Bell (ASU), e M. Wolff (Space Science Institute)

Calotes polares brilhantes e geladas, e nuvens por cima de uma paisagem da cor da ferrugem, mas vívida, revelam Marte como um planeta sazonal e dinâmico nesta imagem captada pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA no dia 12 de maio de 2016, quando Marte estava a 80,4 milhões de quilómetros da Terra. A imagem do Hubble revela detalhes tão pequenos quanto 32 a 48 km de comprimento. A grande região escura na secção direita extrema é Syrtis Major Planitia, uma das primeiras características identificadas à superfície do planeta por observatórios do século XVII. Christiaan Huygens usou esta característica para medir a rotação de Marte (um dia marciano corresponde a aproximadamente 24 horas e 37 minutos). Hoje sabemos que Syrtis Major é um antigo e inativo vulcão escudo. Na imagem, as nuvens ao final da tarde cercam o seu pico.

Uma grande característica oval a sul de Syrtis Major é a brilhante bacia Hellas Planitia. Com mais ou menos 1770 km de diâmetro e 8 de profundidade, foi formada há cerca de 3,5 mil milhões de anos atrás pelo impacto de um asteroide. A área laranja no centro da imagem é Arabia Terra, uma vasta região de terras altas no norte de Marte que cobre aproximadamente 4500 km. A paisagem está densamente craterada e fortemente erodida, indicando que poderá estar entre os terrenos mais antigos do planeta. Gargantas de rios secos (demasiado pequenas para serem vistas aqui) serpenteiam pela região e desaguam nas grandes planícies norte.
A nova imagem de Marte, com a indicação das grandes características à face do planeta. Crédito: NASA, ESA, Equipa do Hubble (STScI/AURA), J. Bell (ASU), e M. Wolff (Space Science Institute)

A sul de Arabia Terra, correndo de este para oeste ao longo do equador, encontram-se as características escuras e longas conhecidas como Sinus Sabaeus (a este) e Sinus Meridiani (a oeste). Estas regiões mais escuras estão cobertas por rocha escura e depósitos de areia fina "moída" por fluxos de lava antigos e outras características vulcânicas. Estes grãos de areia são mais grosseiros e menos refletivos do que a poeira fina que dá às regiões mais brilhantes de Marte a sua aparência avermelhada. Os primeiros observadores de Marte mapearam estas regiões. Por cima da região polar sul encontra-se um manto enorme de nuvens. A calote polar norte recuou para um tamanho comparativamente pequeno porque nesse hemisfério o verão está a chegar ao fim. O Hubble fotografou uma nuvem lateral e fina da tarde que se prolongava por pelo menos 1600 km a latitudes médias a norte. As primeiras nuvens e névoas da manhã estendem-se ao longo do limbo ocidental. Este hemisfério de Marte contém os locais de aterragem de várias missões robóticas da NASA, incluindo a Viking 1 (1976), a Mars Pathfinder (1997) e o ainda operacional rover Opportunity. Os locais de pouso dos rovers Spirit e Curiosity estão localizados no outro lado do planeta.

Esta observação foi feita apenas alguns dias antes de Marte alcançar a oposição de dia 22 de maio, quando o Sol e Marte estarão exatamente nos lados opostos da Terra, e quando Marte estiver a uma distância de 75,3 milhões de quilómetros. Marte é especialmente fotogénico durante a oposição porque pode ser visto totalmente iluminado pelo Sol a partir da Terra. As aproximações bienais entre Marte e a Terra não são todas iguais. A órbita de Marte em torno do Sol é marcadamente elíptica; as aproximações à Terra podem variar entre os 56,3 e os 101,3 milhões de quilómetros.

Ocorrem porque a cada dois anos a órbita da Terra "alcança" a órbita de Marte, alinhando o Sol, a Terra e Marte numa linha reta, de modo que Marte e o Sol estão em lados "opostos" da Terra. Este fenómeno é o resultado da diferença de períodos orbitais entre a órbita da Terra e a órbita de Marte. Enquanto a Terra demora os normais 365 dias a completar uma volta em torno do Sol, Marte leva 687 dias terrestres a fazer uma volta em torno da nossa estrela. Como resultado, a Terra completa quase duas órbitas completas no tempo que Marte leva a fazer apenas uma, resultando na ocorrência de oposições de Marte mais ou menos a cada 26 meses.
Fonte:Astronomia Online

Descoberta estrela com "motor interno" diferente do Sol

Estrela tem

O posicionamento polar das manchas indica que o campo magnético da estrela é gerado por dinâmicas internas totalmente diferentes daquelas que operam no Sol. [Imagem: R. M. Roettenbacher - 10.1038/nature17444]


MANCHAS ESTELARES
Pela primeira vez, manchas solares - ou manchas estelares - foram fotografadas diretamente em uma estrela que não o Sol.  Enquanto manchas solares por imagiologia foram uma das primeiras coisas que Galileu fez quando começou a usar o telescópio recém-inventado, demorou mais de 400 anos para que fazermos um telescópio poderoso o suficiente que pudesse fotografar pontos em estrelas além do Sol," disse John Monnier, astrônomo da Universidade de Michigan, nos EUA.  E os resultados foram surpreendentes: a estrela parece ter um "motor interno" diferente do Sol, o que se manifesta em um campo magnético muito diverso. Como o único modelo de estrela que os astrônomos tinham até hoje era o próprio Sol, os dados não batem com as atuais teorias de como os campos magnéticos das estrelas influenciam sua evolução. E mais dados exigem melhores teorias.

MOTOR DA ESTRELA
A grande diferença descoberta quando os astrônomos observaram a estrela Zeta Andrômeda é que suas manchas solares não estão ao redor do equador, como acontece no Sol, mas nos polos da estrela. O posicionamento diferente das manchas indica que o campo magnético da estrela é gerado por dinâmicas internas totalmente diferentes - quais são e como funcionam essas forças dinâmicas é algo que agora precisará ser desvendado. O modelo atual propõe que estrelas sejam essencialmente bolas de gás brilhantes que, através de processos de fusão atômica, liberam energia na forma de luz e calor. No interior da estrela há partículas carregadas que giram e dançam, dando origem a um campo magnético cujas linhas chegam à superfície, onde ele aparece na forma de manchas solares - as manchas solares são áreas frias causadas pelos fortes campos magnéticos, que retardam o fluxo de calor.

As novas imagens mostram manchas estelares no norte da região polar da estrela Zeta Andrômeda e vários pontos adicionais que se espalham pelas latitudes mais baixas. É a primeira vez que essas manchas estelares polares foram observadas diretamente. Pela primeira vez, sem erros, nossas imagens mostram manchas estelares polares na Zeta Andrômeda", disse Rachael Roettenbacher, principal autora do estudo. "Agora podemos ver que as manchas não se restringem em se formarem em bandas simétricas em torno do equador, como ocorre com as manchas solares. Vemos as manchas estelares em ambos os hemisférios e em todas as diferentes latitudes. Isto não pode ser explicado por extrapolação das teorias sobre o campo magnético do Sol."

IDADES DAS ESTRELAS
As manchas estelares de latitudes mais baixas estão espalhadas por uma região extensa e relativamente fria, onde os astrônomos dizem ter encontrado indícios de que os campos magnéticos podem suprimir o fluxo de calor através de uma grande parte da superfície da estrela, em vez de apenas em alguns pontos. Como a temperatura das estrelas é essencial para estimar a idade de cada astro, estas regiões extensas e "frias" precisam ser levadas em conta porque podem estar invalidando as medições de temperatura e, por decorrência, a idade das estrelas. Além disso, a diferença no modo de geração das manchas solares - o que os astrônomos chamam de motor interno da estrela - pode ser um indicador por si só da idade das estrelas, atuando de forma diferenciada em estrelas jovens e estrelas velhas.

O Sol, por exemplo, atualmente gira uma vez a cada 24 dias, e o número de manchas solares aumenta ou diminui juntamente com seu ciclo de atividade magnética de 11 anos - mais manchas solares sinalizam mais atividade magnética. Mas os astrônomos acreditam que o Sol girava muito mais rápido quando era mais jovem. Observar os pontos de estrelas jovens e velhas nos ajuda a compreender a física fundamental por trás da geração do campo magnético e como isso muda com o tempo," disse Alicia Aarnio, coautora do estudo. "A atividade magnética solar pode afetar muito a nossa vida hoje, de modo que este trabalho é importante para desenvolver a imagem do comportamento do campo magnético do Sol no início, atualmente e no futuro. Isso não tem apenas implicações sobre o início da vida, mas também sobre a sua continuação como a conhecemos."
Fonte: Inovação tecnológica

Ocultações estelares pela atmosfera de Plutão; Primeiros dados cientifícos de objeto PÓS-PLUTÃO

Esta ilustração mostra como o espectrómetro Alice da New Horizons "observou" a passagem de duas estrelas por trás de Plutão e da sua atmosfera. A luz de cada estrela diminuiu enquanto passava por camadas cada vez mais profundas da atmosfera, absorvida por vários gases e neblinas. Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI


Cientistas da equipe da New Horizons da NASA dizem que a sonda conseguiu observar as primeiras ocultações de estrelas ultravioletas pela atmosfera de Plutão, uma meta importante da missão. Estes dados, armazenados na memória digital da New Horizons desde o encontro do último verão e só recentemente transmitidos para a Terra, confirmam várias grandes descobertas sobre a atmosfera de Plutão.

Aproximadamente quatro horas depois da maior aproximação da New Horizons por Plutão, no dia 14 de julho de 2015 - quando estava aproximadamente 320.000 km para lá do planeta anão - o espectrómetro ultravioleta Alice a bordo da sonda "assistiu" à passagem de duas estrelas ultravioletas brilhantes por trás de Plutão e da sua atmosfera. A luz de cada estrela diminuiu enquanto passava pelas camadas cada vez mais profundas da atmosfera de Plutão, absorvida por vários gases e neblinas.

Tal como a ocultação solar que o espectrómetro Alice observou meras horas antes - quando usou a luz solar para fazer observações parecidas - estas ocultações estelares forneceram informações acerca da composição e estrutura da atmosfera de Plutão. Ambas as ocultações estelares revelaram impressões digitais espectrais do azoto (também chamado nitrogénio), hidrocarbonetos como metano e acetileno, e até mesmo neblina, como a ocultação solar pouco tempo antes.

Os resultados da ocultação solar e das duas ocultações estelares também são consistentes em termos de pressão vertical e estrutura de temperatura da atmosfera superior de Plutão. Isto significa que os perfis verticais da atmosfera superior de azoto, metano e os hidrocarbonetos observados são semelhantes ao longo de muitas localizações em Plutão. Estes resultados confirmam os achados da ocultação solar do instrumento Alice, que a temperatura da atmosfera superior é 25% mais fria e, portanto, mais compacta do que os cientistas previram antes do encontro da New Horizons. Isto também confirma, ainda que indiretamente, o resultado da análise e modelagem da observação solar de que a velocidade de fuga do azoto é cerca de 1000 vezes menor do que o esperado antes do "flyby".

New Horizons recolhe primeiros dados científicos de objeto pós-Plutão

Aproximando-se de uma possível missão prolongada enquanto acelera pelo espaço profundo, a sonda New Horizons já observou duas vezes o objeto 1994 JR1, um objeto da Cintura de Kuiper com 145 km de diâmetro que orbita a mais de 5 mil milhões de quilómetros do Sol. Os membros da equipa científica usaram estas observações para revelar novos factos acerca deste remanescente distante do início do Sistema Solar.

Captadas com o instrumento LORRI (Long Range Reconnaissance Imager) da sonda nos dias 7 e 8 de abril, a uma distância de 111 milhões de quilómetros, as imagens quebram o próprio recorde da sonda para as imagens mais próximas de sempre deste KBO, em novembro de 2015, quando a New Horizons detetou JR1 a 280 milhões de quilómetros de distância.

Simon Porter, membro da equipa científica da New Horizons e do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado americano do Colorado, disse que as observações contêm vários achados valiosos. "A combinação das observações de novembro de 2015 com as de abril de 2016 permitiu-nos identificar a localização de JR1 até 1000 km, muito melhor do que qualquer outro KBO pequeno," acrescentando que a órbita mais precisa também permite com que a equipa dissipe uma teoria, sugerida há vários anos atrás, de que JR1 era um quási-satélite de Plutão.

Do ponto de vista das observações de abril de 2016, a equipa também determinou o período de rotação do objeto, observando as mudanças na luz refletida da superfície de JR1 para determinar que completa uma rotação a cada 5,4 horas. "É relativamente rápido para um KBO," afirma John Spencer, membro da equipa científica, também do SwRI. "Faz tudo parte da emoção de explorar novos lugares e de ver coisas nunca antes vistas."

Spencer acrescentou que estas observações são um grande treino para possíveis olhares, de perto, de aproximadamente outros 20 KBO ainda mais antigos que podem surgir durante os próximos anos, caso a NASA aprove a extensão da missão. A New Horizons passou pelo sistema de Plutão no dia 14 de julho de 2015, fazendo as primeiras observações, de perto, do planeta anão e das suas cinco luas. A nave dirige-se para mais uma passagem ultra-rasante por outro objeto da Cintura de Kuiper, 2014 MU69, a realizar-se no dia 1 de janeiro de 2019.
Fonte: Astronomia Online


17 de mai de 2016

Estrela tem quatro mini-Netunos em ressonãncia orbital

A ressonância orbital 8:6:4:3 dos quatro mini-Neptunos do sistema Kepler-223.  Crédito: W. Rebel, Wikimedia Commons


Um sistema com quatro planetas, observado há vários anos atrás pelo telescópio Kepler, é verdadeiramente raro: os planetas, todos mini-Netunos situados perto da estrela, orbitam numa ressonância única bloqueada há milhares de milhões de anos. Por cada três órbitas do planeta mais exterior, o segundo orbita quatro vezes, o terceiro seis vezes e o mais interior oito vezes. Estas ressonâncias orbitais não são incomuns - o nosso próprio planeta anão, Plutão, orbita o Sol duas vezes durante o mesmo período que Netuno leva a completar três órbitas - mas uma ressonância entre quatro planetas é.

Astrónomos da Universidade de Chicago e da Universidade da Califórnia, Berkeley, que relatam a descoberta na edição online de 11 de maio da revista Nature, estão particularmente interessados neste sistema estelar porque pensa-se que os quatro planetas gigantes do nosso Sistema Solar - Júpiter, Saturno, Úrano e Netuno - já tiveram órbitas ressonantes que foram perturbadas algures durante a sua história de 4,5 mil milhões de anos.

De acordo com o coautor Howard Isaacson, astrónomo de Berkeley, o sistema Kepler-223 pode ajudar-nos a entender como o nosso Sistema Solar e outros sistemas estelares descobertos nas últimas décadas se formaram. Em particular, pode ajudar a resolver se os planetas ficam no mesmo lugar em que se formam ou se se movem para mais perto ou mais longe da estrela ao longo do tempo. "Basicamente, este sistema é tão peculiar no modo em que está bloqueado em ressonâncias que sugere fortemente que a migração é o método pelo qual os planetas se formam - isto é, migrando para o interior depois de se formarem mais longe," afirma.

A missão Kepler da NASA revelou muitos cenários alternativos para a forma como os planetas se formam e migram num sistema planetário diferente do nosso. Antes de descobrirmos exoplanetas, pensávamos que cada sistema se formava como o nosso," explica Isaacson. "Graças ao Kepler, temos agora Júpiteres quentes, muitos planetas que estão mais perto da sua estrela que Mercúrio ou com um tamanho entre a Terra e Netuno. Sem a descoberta de exoplanetas, não saberíamos que a Terra é uma espécie de 'outlier'."
Como parte da equipa de Pesquisa de Planetas da Califórnia, Isaacson obteve um espectro de Kepler-223 em 2012 usando o espectrómetro HIRES (High-Resolution Echelle Spectrometer) acoplado ao telescópio Keck-1 de 10 metros situado no topo de Mauna Kea, Hawaii. O espectro revelou uma estrela muito semelhante em tamanho e massa com o Sol, mas mais antiga - com mais de 6 mil milhões de anos.

"Nós precisamos de saber o tamanho exato da estrela para fazer a análise dinâmica e de estabilidade, que envolve estimativas da massa dos planetas," comenta. "O telescópio Keck é absolutamente fundamental a esse respeito. Sean Mills, estudante graduado da Universidade de Chicago, e seus colaboradores, usaram em seguida dados de brilho do telescópio Kepler para analisar como os quatro planetas bloqueiam a luz estelar e mudam as órbitas uns dos outros, inferindo assim os tamanhos e massas dos planetas. A equipa realizou simulações numéricas de migração planetária que poderia ter gerado a arquitetura atual do sistema.

"Exatamente como e onde se formam planetas é uma questão importante na ciência planetária," comenta Mills. "O nosso trabalho testa essencialmente um modelo de formação planetária para um tipo de planeta que não temos no nosso Sistema Solar." A ressonância pode ter sido criada em apenas 100.000 anos, à medida que cada planeta migrava para suficientemente perto dos outros para ser capturado. Os astrónomos suspeitam da existência de circunstâncias especiais que permitiram com que a ressonância persistisse por 6 milhões de anos. Estas ressonâncias são extremamente frágeis," afirma o coautor Daniel Fabricky da Universidade de Chicago. "Se corpos estavam voando em redor e batendo uns nos outros, então teriam desalojado os planetas dessa ressonância."

Os cientistas suspeitam que os planetas gigantes do nosso Sistema Solar podem ter saído de ressonâncias parecidas com a de Kepler-223, possivelmente depois de interagir com inúmeros asteroides e planetas pequenos ou planetesimais. Outros processos, incluindo forças de maré que flexionam os planetas, também podem provocar a separação de ressonâncias. "Muitos dos sistemas multiplanetários podem começar com uma cadeia de ressonâncias como esta, apesar de frágeis, o que significa que estas 'correntes' normalmente se partem em longas escalas de tempo parecidas com aquelas inferidas para o Sistema Solar," conclui Fabrycky.
Fonte: Astronomia Online

12 de mai de 2016

NASA encontra 1.284 novos planetas

É o maior número de corpos descobertos até o momento pela Missão Kepler
Representação das descobertas da sonda Kepler (Foto: NASA)

A NASA anunciou nesta terça-feira (10) que a Missão Kepler, cujo objetivo é procurar por planetas parecidos com a Terra fora do Sistema Solar, encontrou mais 1,284 planetas, o maior número até o momento. Ao longo dos últimos quatro anos, a sonda tem monitorado 150 mil estrelas em um pedaço do céu, analisando as variações no brilho de cada uma delas que pode indicar a passagem de um planeta. "Esse anúncio dobra o número de planetas confirmados pela Kepler", disse Ellen Stofan, cientista da NASA. "Isso nos dá esperança de que, em algum lugar por ai, em torno de uma estrela parecida com a nossa, consigamos encontrar uma outra Terra. A partir dos dados coletados pela sonda Kepler foram identificados 4,302 possíveis planetas.

Após serem analisados pelos cientistas da Missão, foi constatado que, entre os objetos encontrados, somente 1,284 têm 99% chances de ganharem o status de planeta. Outros 1,327 podem ser planetas, mas precisam ser mais estudados; 707 deles provavelmente são fenômenos astrofísicos. Os 984 restante são corpos previamente encontrados por meio de outras técnicas. Antes da Missão Kepler não sabíamos se exoplanetas eram mais raros ou comuns na galáxia. Graças a ela e à comunidade acadêmica, agora sabemos que pode haver mais planetas do que estrelas", afirmou Paul Hertz, da Divisão de Astrofísica da NASA. "O conhecimento informa que missões futuras serão necessárias para descobrirmos se estamos ou não sozinhos no universo."

Os resultados foram publicados no The Astrophysical Journal. No estudo, Timothy Morton, pesquisador da Universidade Princeton, nos Estados Unidos, explica que utilizou uma análise estatística para entender quais objetos tinham mais chances de serem planetas. "Candidatos a planetas são como migalhas de pão. Se você derruba algumas no chão, pode pegar uma por uma. Mas, se você derrubar todas, precisará de uma vassoura. A análise estatística é a nossa vassoura", compara Morton.

De acordo com as estimativas dos cientistas, 550 dos novos planetas encontrados são rochosos como a Terra — nove deles se encontram nas zonas habitáveis de seus sóis. "Esse trabalho nos ajudará a ir mais a fundo e compreender quais estrelas possuem planetas habitáveis do tamanho da Terra — um número necessário para desenvolver missões futuras para encontrar ambientes habitáveis e mundos vivos", afirma a cientista Natalie Batalha, que participou da pesquisa.
Fonte: GALILEU

10 de mai de 2016

Saturno e Marte nas franjas da Via Láctea

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Planetas, estrelas, nebulosas e uma galáxia, essa imagem impressionante, feita pelo grande astrofotógrafo brasileiro Carlos Fairbairn, tem tudo isso. Perto de nós, estão dois planetas, Marte, à direita, e Saturno, na parte central da imagem, vistos como dois pontos laranjas brilhantes na metade superior da imagem. Na parte central à direita estão asa coloridas nuvens da estrela Rho Ophiuchus, mostrando a brilhante estrela Antares, de cor alaranjada, alinhada com Marte. Essas nuvens interestelares contêm tanto nebulosas vermelhas de emissão como nebulosas azuis de reflexão. Na parte superior direita da imagem está a nebulosa de reflexão conhecida como a Cabeça de Cavalo Azul. Na parte inferior esquerda estão muitas nebulosas escuras de absorção que se estendem desde a região central da nossa Via Láctea. A imagem final foi obtida, a partir da composição de múltiplas exposições registradas no mês passado no Brasil. Embora seja necessário um telescópio para observar as nebulosidades, Saturno e Marte, podem ser observados a olho nu, durante esse mês de Maio, logo depois do pôr-do-Sol olhando para o lado leste do céu.

Cientistas descobrem buraco negro monstruoso formado por 3 galáxias em colisão

Imagem processada por David Coverta, a partir das imagens do Hubble, das galáxias Antenas, em colisão na constelação do corvo (Corvus).

Imagem processada por David Coverta, a partir das imagens do Hubble, das galáxias Antenas, em colisão na constelação do corvo (Corvus)

Esta é a história da descoberta casual de um gigantesco buraco negro formado pela colisão de três galáxias. O objeto se encontra na galáxia IRAS 20100-4156, tem uma massa estimada em 3 bilhões de vezes a massa do sol, e fica a cerca de 1,8 bilhões de anos-luz da Terra. Para comparação, o buraco negro no centro da nossa galáxia tem cerca de 4 milhões de massas solares.  A astrofísica Lisa Harvey-Smith estava usando o radiotelescópio novo do CSIRO, em uma medição de rotina das emissões de maser (“Microwave Amplification by Stimulated Emission of Radiation”, amplificação de microondas pela emissão de radiação estimulada, um tipo de radiação) da galáxia IRAS 20100-4156, quando percebeu que o gás emissor estava viajado a velocidades muito altas.

Muito altas, neste caso, é cerca de 600 km por segundo, pelo menos o dobro do que os cientistas esperavam. Uma velocidade tão alta é indício certo de um buraco negro supermassivo no centro da galáxia. No caso deste, é o resultado da colisão de três galáxias. Este movimento muito rápido do gás indica o quão massivo é o buraco negro. Mas o que é realmente animador sobre isso é que se trata de uma medição direta da massa do buraco negro, por coisas que estão girando em torno dele”, conta Lisa.

Além de enormes buracos negros, as colisões de galáxias também disparam a formação de estrelas em taxas centenas de vezes mais rápidas que o normal, o que torna estes eventos bastante brilhantes e permite que os astrônomos os observem até mesmo a grandes distâncias. Nós queremos saber se as colisões de galáxias e a formação de buracos negros supermassivos realmente disparam as taxas de formação de estrelas que vemos nas galáxias, e como este tipo de evento tem se modificado ao longo do tempo”, conta a astrofísica Harvey-Smith. O novo telescópio usado é o Australian Square Kilometre Array Pathfinder, ou ASKAP, em Murchinson. O artigo descrevendo a descoberta pode ser acessado gratuitamente no site arXiv.org. Além disso, foi aceito para publicação no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. 
Fonte: Hypescience.com

Hídra, a lua gelada de Plutão

Novos dados de composição obtidos pela sonda New Horizons revelam uma distinta assinatura da água gelada à superfície da lua mais exterior de Plutão, Hidra. Caronte, a maior lua de Plutão, mede 1210 km de diâmetro, enquanto Hidra tem aproximadamente 50. Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI


A sonda New Horizons da NASA enviou os primeiros dados de composição de quatro dos satélites de Plutão. Os novos dados mostram que a superfície de Hidra, a lua mais exterior de Plutão, é dominada por água gelada quase pura - confirmando indícios que os cientistas descobriram em imagens da New Horizons que mostravam a superfície altamente refletiva de Hidra. Os novos dados de composição, recentemente recebidos na Terra, foram recolhidos pelo instrumento LEISA (Ralph/Linear Etalon Imaging Spectral Array) no dia 14 de julho de 2015, a uma distância de 240.000 quilómetros.

Os novos dados - espectro infravermelho - mostram a assinatura inconfundível de água gelada cristalina: uma absorção ampla entre os 1,50 e os 1,60 micrómetros e uma característica espectral mais estreita de gelo a 1,65 micrómetros. O espectro de Hidra é parecido com o da maior lua de Plutão, Caronte, que é também dominada por água gelada cristalina. Mas as bandas de absorção do gelo de Hidra são ainda mais profundas do que as de Caronte, sugerindo que os grãos de gelo à superfície de Hidra ou são maiores ou refletem ainda mais luz em determinados ângulos do que os grãos em Caronte.

Pensa-se que Hidra tenha sido formada num disco de detritos gelados, produzido quando os mantos ricos em água foram removidos dos dois corpos que colidiram para formar o binário Plutão-Caronte há cerca de 4 mil milhões de anos atrás. As profundas bandas da água e a alta reflectância implicam relativamente pouca contaminação por material mais escuro que se acumulou à superfície de Caronte com o passar do tempo.

Os cientistas da missão estão a investigar porque é que o gelo de Hidra parece ser mais limpo do que o de Caronte. "Talvez impactos de micrometeoritos 'refresquem' continuamente a superfície de Hidra," afirma Simon Porter, membro da equipa científica da New Horizons e do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado americano do Colorado. "Este processo pode ser ineficaz na muito maior lua Caronte, cuja gravidade retém todos os detritos criados por esses impactos."
Fonte: Astronomia Online

6 de mai de 2016

Imagens de sonda chinesa mostram suposta base alienígena na Lua


Será que esta é a razão pela qual ninguém foi à Lua nos últimos quarenta anos?
Os fãs de teorias da conspiração acreditam que há uma base alienígena na Lua - e não apenas isso, mas que os governos da Terra estão em contato com ela. Fotos da sonda lunar chinesa Chang’e-2 parecem mostrar construções misteriosas - e há mais por vir de acordo com o site Mysterious Earth. Observadores mais realistas podem, no entanto, acreditar na explicação de que as imagens chinesas mostram rochas perfeitamente normais. O Mysterious Earth afirma que diversos “especialistas”, como o fã de OVNIs Michael Sallia, sugerem que há cidades alienígenas bastante movimentadas na Lua.

Salia diz: “Eu recebi algumas fotos de uma fonte afirmando que a China irá divulgar imagens em alta definição feitas pela sonda lunar Chang’e-2, que mostram claramente edifícios e estruturas na superfície da Lua. Os fãs chineses de OVNIs estão colocando mais lenha na fogueira - eles acreditam que alienígenas atacaram a sonda lunar chinesa conhecida como ‘Coelho de Jade’ em 2012, e a destruíram para esconder a existência de uma cidade alienígena. Nigel Watson, autor do manual The Haynes UFO Investigations, com foco na investigação de OVNIs, diz que milhares de entusiastas de ONVIs chineses acreditam que o 'Coelho de Jade’ "foi destruído por alienígenas ou pelos Estados Unidos. Isso teria sido feito para prevenir que o veículo explorador descobrisse as bases e outras tecnologias secretas presentes na superfície lunar.”

“Na China, desde a década de 80, há um grande interesse neste tópico, e o lançamento do 'Coelho de Jade’ inspirou uma renovação do entusiasmo por todos os temas relacionados ao espaço. No momento a China tem 60 pesquisadores de OVNIs espalhados pelo país, prontos para investigar qualquer encontro alienígena que possa ocorrer.  No Mundo Ocidental a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) patrocinou o Projeto Blue Book para coletar relatórios de OVNIs e desmenti-los como fenômenos relacionados à identificação equivocada de estrelas, meteoros ou aeronaves. Na China todas as informações sobre OVNIs ficavam escondidas, então quando eles tiveram a oportunidade, ficaram animados para estudar o assunto cientificamente e descobrir o máximo possível.”
Fonte: Yahoo noticias


PLANETA NOVE: um mundo que não devia existir

Esta impressão de artista mostra o distante Planeta Nove. Pensa-se que o planeta seja gasoso, parecido com Úrano e Neptuno. Relâmpagos hipotéticos iluminam o lado noturno. Crédito: Caltech/R. Hurt (IPAC)
No início deste ano os cientistas divulgaram evidências teóricas para um nono planeta no Sistema Solar, um planeta com a massa de Neptuno numa órbita altamente elíptica com 10 vezes a distância entre Plutão e o Sol. Desde então, os teóricos têm estudado como é que este Planeta Nove pode ter assentado numa órbita tão distante. Uma nova investigação por astrónomos do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (CfA) examinou uma série de cenários e descobriu que a maioria destes têm baixa probabilidade. Portanto, a presença do Planeta Nove continua a ser um pouco misteriosa.

"As evidências apontam para a existência do Planeta Nove, mas não conseguimos explicar, com certeza, como é que foi formado," afirma Gongjie Li, astrónoma do CfA e autora principal de um artigo aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal Letters. O Planeta Nove orbita o nosso Sol a uma distância muito excêntrica entre 400-1500 unidades astronómicas (uma Unidade Astronómica, ou UA, é a distância média entre a Terra e o Sol, cerca de 150 milhões de quilómetros). Isto coloca-o muito além de todos os planetas do nosso Sistema Solar. A questão torna-se: será que se formou aí, ou será que se formou noutro lugar e mais tarde vagueou para a sua órbita invulgar?

Li e o coautor Fred Adams (Universidade de Michigan) realizaram milhões de simulações de computador a fim de considerar três possibilidades. A primeira e mais provável envolve a passagem de uma estrela que puxa o Planeta Nove para fora. Este tipo de interação não só desloca o planeta para uma órbita mais larga, mas também torna essa órbita mais elíptica. E dado que o Sol se formou num enxame com vários milhares de vizinhos, estes encontros estelares eram mais comuns no início da história do nosso Sistema Solar. No entanto, é mais provável que a passagem de uma estrela expulsasse completamente o Planeta Nove do Sistema Solar. Li e Adams calcularam uma probabilidade de 10%, na melhor das hipóteses, para que o Planeta Nove "pousasse" na sua órbita atual. Além disso, o planeta também teria de formar-se a grandes distâncias.

O astrónomo Scott Kenyon, também do CfA, acredita que pode ter a solução para esta dificuldade. Em dois artigos submetidos à revista The Astrophysical Journal, Kenyon e o coautor Benjamin Bromley (Universidade do Utah) usaram simulações para construir cenários plausíveis para a formação do Planeta Nove numa órbita tão larga. "A solução mais simples é o Sistema Solar formar um gigante gasoso extra," afirma Kenyon. Eles propõem que o Planeta Nove se formou muito mais perto do Sol e, mais tarde, interagiu com os outros gigantes gasosos, principalmente Júpiter e Saturno. Uma série de "chutos" gravitacionais pode, em seguida, ter impulsionado o planeta para uma órbita maior e mais elíptica ao longo do tempo.

"Pense numa criança num baloiço. Se dermos vários empurrões no momento certo, o baloiço sobe cada vez mais," explica Kenyon. "Aí, o desafio torna-se não empurrar o planeta demais, para que não saia do Sistema Solar. Isto pode ser evitado por interações com o disco gasoso do Sistema Solar, sugere. Kenyon e Bromley também examinaram a possibilidade do Planeta Nove se ter formado, para começar, a grandes distâncias. Eles acham que uma combinação ideal de massa e vida útil do disco inicial poderia, potencialmente, criar o Planeta Nove no tempo que demoraria para ser empurrado pela passagem da estrela que Li estudou. A vantagem destes cenários é que são testáveis observacionalmente," salienta Kenyon. "Um gigante gasoso empurrado vai parecer-se com um frio Neptuno, enquanto um planeta formado nesse local vai ser parecido com um Plutão gigante e sem gás."

O trabalho de Li também ajuda a restringir a data de formação ou migração do Planeta Nove. O Sol nasceu num enxame onde os encontros com outras estrelas eram mais frequentes. A órbita larga do Planeta Nove iria deixá-lo vulnerável a expulsão durante tais encontros. Portanto, o Planeta Nove é provavelmente um retardatário que alcançou a sua órbita atual depois do Sol ter saído do enxame onde nasceu. Finalmente, Li e Adams estudaram outras duas possibilidades mais selvagens: que o Planeta Nove é um exoplaneta que foi capturado a partir de um sistema estelar de passagem, ou um planeta que flutuava livremente e que foi capturado quando passou demasiado perto do nosso Sistema Solar. No entanto, eles concluem que as probabilidades destes cenários são inferiores a 2%.
Fonte: Astronomia Online

2 de mai de 2016

Cruzando Marte

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Onde o rover Curiosity está indo em Marte? Seu objetivo geográfico é chegar aos taludes do Monte Sharp, cujo pico pode ser visto em segundo plano na bela imagem acima. O objetivo científico, contudo, continua sendo melhor entender quando e onde as condições em Marte foram amigáveis para a vida, em particular para a vida microbiana. Para cumprir esse objetivo, o Curiosity foi direcionado para cruzar um terreno bem acidentado no chamado Platô Nautkluft, visível em primeiro plano na imagem. O rover Curiosity está cruzando esse terreno para poder então chegar em locais mais suaves com as rochas contendo hematita e sulfatos, locais que poderiam dar ao rover novas pistas sobre por quanto tempo essa parte de Marte foi úmida, e assim, mais favorável para a vida, antes de secar. Porém existe uma preocupação atual  sobre as rodas de alumínio do Curiosity, que já mostra sinais dos tempos. Embora tenha cumprido com louvor os seus dois anos iniciais de missão, a missão do rover Curiosity foi estendida para continuar a descobrir mais informações valiosas sobre o passado extraordinário do planeta Marte. No vídeo abaixo, você pode conhecer o Scarecrow, o irmão gêmeo do Curiosiry que fica na Terra, para que os engenheiros e cientistas possam estudar e entender tudo o que está acontecendo com o rover em Marte.
Fonte: http://apod.nasa.gov/apod/ap160502.html

Cientistas descobrem 3 planetas semelhantes à Terra

Atualmente é o melhor local para procurar vida fora do Sistema Solar
Astrônomos utilizaram o telescópio TRAPPIST instalado no Observatório La Silla do ESO para descobrir três planetas em órbita de uma estrela anã muito fria situada a apenas 40 anos-luz da Terra. Estes mundos têm tamanhos e temperaturas semelhantes às de Vênus e da Terra e são os melhores alvos descobertos até hoje para procurar vida fora do Sistema Solar. Estes são os primeiros planetas descobertos em torno de uma estrela extremamente fraca e pequena. Os novos resultados serão publicados na revista Nature a 2 de maio de 2016. Uma equipe de astrônomos liderada por Michaël Gillon do Institut d´Astrophysique et Géophysique da Universidade de Liège, na Bélgica, utilizou o telescópio TRAPPIST para observar a estrela 2MASS J23062928-0502285, agora conhecida por TRAPPIST-1.

A equipe constatou que esta estrela fria e tênue diminuía ligeiramente de brilho a intervalos regulares, indicando que vários objetos estavam passando entre a estrela e a Terra. Uma análise detalhada mostrou a existência de três planetas com tamanhos semelhantes ao da Terra. TRAPPIST-1 é uma estrela anã muito fria — é muito mais fria e vermelha que o Sol e pouco maior que Júpiter. Tais estrelas são bastante comuns na Via Láctea e vivem durante muito tempo, mas esta é a primeira vez que se descobriram planetas em torno de uma delas. Apesar de se encontrar bastante próxima da Terra, esta estrela é muito fraca e avermelhada para poder ser observada a olho nu ou mesmo através de um telescópio amador grande. Situa-se na constelação de Aquário.

Emmanuël Jehin, co-autor do novo estudo, está muito entusiasmado:Esta é realmente uma mudança de paradigma relativamente à população de planetas e ao caminho a ser seguido no sentido de encontrar vida no Universo. Até agora, a existência de tais “mundos vermelhos” em órbita de estrelas anãs muito frias era puramente teórica, mas nós descobrimos não apenas um único planeta isolado em torno de uma estrela vermelha fraca, mas um sistema completo de três planetas!”

Michaël Gillon, autor principal do artigo que descreve estes resultados, explica o significado da nova descoberta: “Porque é que estamos tentando detectar planetas do tipo da Terra em torno das estrelas pequenas e frias da vizinhança solar? A razão é simples: os sistemas em torno destas estrelas minúsculas são os únicos locais onde conseguimos detectar vida num exoplaneta do tipo terrestre com a atual tecnologia. Por isso, se quisermos encontrar vida em outros lugares do Universo, é aqui que devemos começar a procurar.”

Os astrônomos irão procurar sinais de vida ao estudar o efeito que a atmosfera de um planeta em trânsito tem na luz que chega à Terra. Para planetas do tamanho da Terra em órbita da maioria das estrelas, este efeito desaparece no enorme brilho da estrela. Apenas no caso de estrelas vermelhas fracas e muito frias — como TRAPPIST-1 — é que este efeito é suficientemente grande para poder ser detectado. Observações posteriores feitas com telescópios maiores, incluindo com o instrumento
HAWK-1 montado no Very Large Telescope de 8 metros do ESO, no Chile, mostraram que os planetas que orbitam a estrela TRAPPIST-1 têm tamanhos muito semelhantes ao da Terra. Dois dos planetas têm períodos orbitais de cerca de 1,5 dias e 2,4 dias respectivamente, e o terceiro planeta tem um período menos bem determinado que pode ir de 4,5 a 7,3 dias.

“Com períodos orbitais curtos, os planetas encontram-se entre 20 a 100 vezes mais próximos da sua estrela do que a Terra se encontra do Sol. A estrutura deste sistema planetário é muito mais semelhante em escala ao sistema das luas de Júpiter do que ao Sistema Solar, explica Michaël Gillon.

Embora orbitem muito próximos da sua estrela anã hospedeira, os dois planetas internos recebem apenas quatro e duas vezes, respectivamente, a quantidade de radiação que a Terra recebe do Sol, uma vez que a sua estrela é muito menos luminosa que o nosso Sol. Este fato coloca-os mais próximo da estrela do que a
zona de habitabilidade para este sistema, embora seja no entanto possível que possuam regiões habitáveis nas suas superfícies. A órbita do terceiro planeta, o mais externo, não é ainda bem conhecida, mas provavelmente receberá menos radiação do que a Terra, embora talvez ainda a suficiente para se encontrar na zona de habitabilidade do sistema.

“Graças a vários grandes telescópios atualmente em construção, incluindo o E-ELT do ESO e o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA, com lançamento previsto para 2018, logo poderemos estudar a composição atmosférica destes planetas e ver primeiro se possuem água e depois se apresentam traços de atividade biológica. Trata-se de um enorme passo em frente na procura de vida no Universo,” conclui Julien de Wit, do Massachusetts Institute of Technology (MIT) nos EUA, um dos co-autores do trabalho.

Este trabalho abre novas janelas na procura de exoplanetas, já que cerca de 15% das estrelas próximo do Sol são estrelas anãs muito frias, e serve igualmente para destacar o fato de que a procura de exoplanetas entrou agora no reino dos “primos” da Terra potencialmente habitáveis. O rastreio TRAPPIST é um protótipo de um projeto muito mais ambicioso chamado
SPECULOOS, que será instalado no Observatório Paranal do ESO.
Fonte: ESO




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