8 de jan de 2016

Qual é a maior estrela do universo?

UY Scuti
Todo mundo sabe que basta olhar para o céu em uma noite clara se você quiser encontrar uma estrela, uma verdadeira infinidade delas, mas apenas uma fracção microscópica é visível a olho nu. Na verdade, a estimativa é que existam 100 bilhões de estrelas em 10.000 bilhões de galáxias no universo visível, com as mais variadas cores e tamanhos, muitas fazendo nosso sol parecer um abajur. Mas qual é o verdadeiro gigante dos céus? Para responder essa pergunta, o professor de astronomia Daniel Brown, da Nottingham Trent University, no Reino Unido, escreveu um artigo para o site “The Conversation” e, segundo ele, precisamos, antes de mais nada, definir o que queremos dizer com gigante: aquela com o maior raio ou a maior massa?


Galácticas gigantes
De acordo com o artigo, a estrela com o maior raio conhecido atualmente é a UY Scuti, uma supergigante vermelha brilhante variável na constelação de Scutum. Situada a cerca de 9.500 anos-luz da Terra e composta de hidrogênio, hélio e outros elementos mais pesados ​​semelhantes à composição química do sol, a estrela tem um raio 1.708 vezes maior que o nosso astro-rei, o que dá cerca de 1,2 mil milhões de km, com uma circunferência de 7,5 bilhões de km. Para colocar isso em perspectiva, um avião comercial levaria 950 anos para voar em torno dela e a luz levaria 6 horas e 55 minutos para fazer o mesmo percurso. Se estivesse no lugar do nosso sol, sua superfície estaria em algum lugar entre as órbitas de Júpiter e Saturno – a Terra, obviamente, seria engolida.

“Dada a sua enorme dimensão e uma possível massa de 20 a 40 vezes maior do que o nosso sol (ou 2-8 × 10³¹kg), UY Scuti tem uma densidade provável de 7 × 10⁻⁶ kg / m³. Em outras palavras, é mais de um bilhão de vezes menos densa do que a água”, explica o professor. Ou seja, se pudéssemos colocar essa estrela na maior piscina do universo, ela teoricamente flutuaria. Mas, se isso ainda não é bom o suficiente, é possível ir além. UY Scuti pode ser grande, mas não é um peso pesado. A rainha dos pesos pesados ​​é a estrela R136a1, localizada na Grande Nuvem de Magalhães, a cerca de 165 mil anos-luz de distância.

Ataque massivo
Esta estrela, uma esfera de hidrogênio, hélio e elementos mais pesados ​​com cerca de metade da quantidade do sol, tem apenas 35 vezes o raio da nossa estrela, mas é 265 vezes mais massiva. Isso fica ainda mais impressionante se for levado em conta que ela já perdeu 55 massas solares durante o seu tempo de vida 1,5 milhão anos. Esta estrela do tipo Wolf-Rayet está longe de ser estável. Ela tem a aparência de uma esfera azul distorcida com nenhuma superfície distinta à medida que libera poderosos ventos estelares. Estes ventos viajam a 2,600 km/s – ou 65 vezes mais rápido que a sonda Juno, o objeto mais rápido já feito pelo homem. Como resultado, ela perde massa a uma taxa de 3,21 × 10¹⁸kg/s – o equivalente a uma Terra a cada 22 dias.

No melhor estilo rockstar, ela brilha muito e morre rápido. A R136a1 irradia nove milhões de vezes mais energia do que o nosso sol, e pareceria 94 mil vezes mais brilhante aos nossos olhos se o substituísse – ela é a estrela mais luminosa já descoberta. Ela tem uma temperatura de superfície de mais de 53.000K e só vai viver por dois milhões de anos. A sua morte será uma espécie de mega supernova espetacular e não deixará para trás nem mesmo um buraco negro”, afirma o astrônomo. Contra esses gigantes, o nosso sol parece um pouco insignificante, mas ele também vai crescer em tamanho à medida que envelhece. Em torno de sete e meio bilhões de anos, ele irá atingir o seu tamanho máximo como uma gigante vermelha, expandindo tanto que a órbita atual da Terra estará no seu interior.
Fonte: HYPESCIENCE.COM

Spitzer e Hubble localizam gémeos de super - sistema estelar ETA CARINAE noutras galáxias

A grande erupção de Eta Carinae na década de 1840 criou a Nebulosa de Homúnculo, fotografada aqui pelo Hubble, e transformou o binário num objeto único na Via Láctea. Os astrónomos ainda não conseguem explicar o que provocou esta erupção. A descoberta de gémeos prováveis de Eta Carinae noutras galáxias vai ajudar os cientistas a melhor compreender esta fase breve na vida de uma estrela massiva. Crédito: NASA, ESA e equipa SM4 ERO do Hubble

Eta Carinae, o sistema estelar mais luminoso e massivo até 10.000 anos-luz de distância, é conhecido pela sua enorme erupção observada em meados do século XIX e que atirou pelo menos 10 vezes a massa do Sol para o espaço. Este véu de gás e poeira em expansão, que ainda envolve Eta Carinae, torna-o o único objeto conhecido do seu género na Via Láctea. Agora, um estudo usando dados de arquivo dos telescópios Spitzer e Hubble da NASA descobriu, pela primeira vez, cinco objetos com propriedades semelhantes noutras galáxias.

"As estrelas mais massivas são sempre raras, mas têm um impacto tremendo na evolução química e física da sua galáxia hospedeira," afirma o autor principal Rubab Khan, investigador pós-doutorado do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado americano de Maryland. Estas estrelas produzem e distribuem grandes quantidades de elementos químicos vitais para a vida e, eventualmente, explodem como supernovas. Localizado a cerca de 7500 anos-luz de distância na direção da constelação de Quilha (Carina, em latim), Eta Carinae é 5 milhões de vezes mais brilhante que o nosso Sol. O sistema binário consiste de duas estrelas de grande massa numa órbita íntima de 5,5 anos. Os astrónomos estimam que a estrela mais massiva do par tenha cerca de 90 vezes a massa do Sol, enquanto a companheira exceda as 30 massas solares.

Sendo um dos "laboratórios" mais próximos para estudar estrelas de grande massa, Eta Carinae tem sido um marco astronómico desde a sua erupção na década de 1840. Para compreender a razão da erupção e como se relaciona com a evolução de estrelas de grande massa, os astrónomos precisam de exemplos adicionais. Avistar estrelas raras durante o rápido rescaldo de uma grande explosão, é um desafio com os níveis de dificuldade de encontrar uma agulha num palheiro, e nada parecido com Eta Carinae tinha sido descoberto antes do estudo de Khan.
A galáxia espiral vizinha M83 é, atualmente, a única a conter dois potenciais gémeos Eta. Esta composição de imagens da câmara WFC3 do Hubble mostram uma galáxia repleta de estrelas recém-formadas. Uma taxa alta de formação estelar aumenta as hipóteses de encontrar estrelas massivas que passaram por uma fase similar à de Eta Carinae. As duas inserções mostram as localizações dos gémeos Eta.  Crédito: NASA, ESA, equipa Hubble Heritage (STScI/AURA) e R. Khan (GSFC e ORAU)

"Nós sabíamos que existiam outros objetos do género," comenta o co-investigador Krzysztof Stanek, professor de astronomia na Universidade Estatal do Ohio em Columbus, EUA. "Era realmente uma questão de saber o que procurar e de ser persistente. Trabalhando com Scott Adams e Christopher Kochanek, também de Ohio, e George Sonneborn do Centro Goddard, Khan desenvolveu uma espécie de impressão digital, ótica e infravermelha, para identificar possíveis objetos do género de Eta Carinae - "gémeos Eta".  A poeira forma-se no gás expelido por uma estrela massiva. Esta poeira escurece a luz ultravioleta e visível, mas absorve e re-irradia esta energia como calor em comprimentos de onda mais longos e infravermelhos. "Com o Spitzer, vemos um aumento constante de brilho a partir de cerca de 3 micrómetros, atingindo o máximo entre os 8 e os 24 micrómetros," explica Khan. "Ao comparar esta emissão com o escurecimento que vemos nas imagens óticas do Hubble, podemos determinar a quantidade de poeira presente e compará-la com a quantidade que vemos em redor de Eta Carinae."

Investigadores descobriram gémeos Eta em quatro galáxias comparando o brilho ótico e infravermelho de cada candidato. As imagens infravermelhas do Spitzer revelaram a presença de poeira quente em redor das estrelas. Ao comparar esta informação com o brilho de cada fonte em comprimentos de onda visíveis e infravermelhos, como medido pelos instrumentos do Hubble, a equipa foi capaz de identificar objetos parecidos com Eta Carinae. Topo: imagens a 3,6 micrómetros de candidatos a gémeos Eta pelo instrumento IRAC do Spitzer. Baixo: imagens a 800 nanómetros das mesmas fontes usando vários instrumentos do Hubble. Crédito: NASA, ESA e R. Khan (GSFC e ORAU)

Um levantamento inicial de sete galáxias entre 2012 e 2014 não descobriu quaisquer gémeos Eta, salientando a sua raridade. No entanto, o estudo identificou uma classe de estrelas menos massivas e menos luminosas de interesse científico, demonstrando que a pesquisa era sensível o suficiente para encontras estrelas parecidas com Eta Carinae, caso estivessem presentes. Num novo levantamento em 2015, a equipa encontrou dois candidatos a gémeos Eta na galáxia M83, localizada a 15 milhões de anos-luz de distância, e um candidato na galáxia NGC 6946, em M101 e M51, situadas entre os 18 e os 26 milhões de anos-luz de distância.

Estes cinco objetos imitam as propriedades óticas e infravermelhas de Eta Carinae, indicando que cada um, muito provavelmente, contém uma estrela de grande massa enterrada em cinco a 10 massas solares de gás e poeira. Estudos posteriores permitirão com que os astrónomos determinem mais precisamente as suas propriedades físicas. Os resultados foram publicados na edição de 20 de dezembro da revista The Astrophysical Journal Letters. O Telescópio Espacial James Webb da NASA, com lançamento previsto para o final de 2018, transportará um instrumento ideal para estudar estas estrelas em profundidade.

O MIRI (Mid-Infrared Instrument) tem 10 vezes a resolução angular dos instrumentos a bordo do Spitzer e é mais sensível aos comprimentos de onda onde os gémeos Eta realmente brilham. "Combinado com o maior espelho primário do Webb, o MIRI permitirá com que os astrónomos estudem em maior profundidade estes raros laboratórios estelares e com que descubram fontes adicionais nesta fase fascinante da evolução estelar," comenta Sonneborn, cientista das operações telescópicas do projeto Webb. Serão necessárias observações do Webb para confirmar que os gémeos Eta pertencem realmente à família de Eta Carinae.
Fonte: Astronomia Online

Gigantescos cometas do Sistema Solar exterior podem representar perigo para a civilização, dizem cientistas

image_3534e-Phoebe
A descoberta de centenas de imensos cometas na parte externa do Sistema Solar nos últimos 20 anos, significa que esses antigos objetos representam uma ameaça real para a nossa civilização, disse um grupo de astrônomos liderados por Bill Napier da Universidade de Buckingham. Cometas massivos, também conhecidos como centauros, têm entre 50 e 100 km de diâmetro, ou até mesmo são maiores. Eles se movem em órbitas instáveis cruzando a órbita dos gigantes gasosos do Sistema Solar – Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Os campos gravitacionais planetários, podem ocasionalmente defletirem esses antigos cometas colocando-os na direção do nosso planeta.

Cálculos da taxa com as quais os centauros entram no Sistema Solar Interno, indicam que um é defletido na direção da órbita da Terra, uma vez a cada 40000 a 100000 anos. Quando estiverem no espaço próximo da Terra, espera-se que eles se desintegrem em poeira e em fragmentos maiores, inundando o Sistema Solar interno com detritos cometários fazendo com que os impactos com a Terra sejam inevitáveis. A desintegração desses cometas gigantes produziriam períodos intermitentes mas prolongados de bombardeios durando cerca de 100000 anos”, disse o professor Napier e seus colegas da Universidade de Buckingham e do Observatório Armagh no Reino Unido.

“Eventos de extinção em massa e divisões de períodos geológicos na Terra, mostram um determinado padrão, do mesmo modo que os níveis de poeira e meteoroides na atmosfera superior. Episódios específicos ambientais ocorridos por volta de 10800 a.C. e 2300 a.C., são também consistentes com esse novo entendimento das populações de cometas. Nos últimos 10000 anos, a Terra experimentos a chegada intermitente de poeira, meteoroides e fragmentos de cometas da desintegração do cometa 2P/Encke, preso dentro da órbita de Júpiter”, dizem os cientistas. O Professor Napier e os coautores também descobriram evidências de campos distantes da ciência para suportar esse modelo.

Por exemplo, a idade das crateras submilimétricas identificadas nas rochas lunares trazidas pelas missões Apollo são quase todas com idade inferior a 30000 anos, indicando um vasto aumento na quantidade de poeira no Sistema Solar Interno desde então. Nosso trabalho sugere que nós precisamos olhar além da nossa vizinhança imediata também, e olhar além da órbita de Júpiter para encontrar os centauros”, disse o Professor Napier, que é o principal autor do artigo publicado na revista Astronomy & Geophysics. Se nós estivermos corretos, então esses distantes cometas poderiam representar uma séria ameaça e esse é o momento de entendermos melhor esses objetos”.

Todo o universo conhecido em uma única imagem

todo universo observavel uma foto

A imagem que você vê acima é uma concepção em escala logarítmica do universo observável, com o nosso sistema solar no centro. Além da Terra e seus planetas vizinhos, é possível ver o Cinturão de Kuiper, a Nuvem de Oort, a estrela Alpha Centauri, o Braço de Perseus da Via Láctea, a galáxia de Andrômeda e outras galáxias próximas, a teia cósmica, a radiação cósmica de micro-ondas e o plasma invisível produzido pelo Big Bang.

Dados incríveis
A ilustração foi criada pelo músico e artista Pablo Carlos Budassi, baseado em mapas logarítmicos do universo reunidos por pesquisadores da Universidade de Princeton, nos EUA, bem como em imagens produzidas pela NASA com base em observações feitas por seus telescópios e sondas espaciais. A equipe de Princeton, liderada pelos astrônomos J Richard Gott e Mario Juric, basearam o seu mapa logarítmico do universo em dados do Sloan Digital Sky Survey, que ao longo dos últimos 15 anos varreu o céu com um telescópio grande angular localizado no estado americano do Novo México para criar as mais detalhadas representações já feitas do universo, incluindo mais de 3 milhões de objetos astronômicos.

Um logaritmo é de grande ajuda
Mapas logarítmicos são uma forma útil de visualizar algo tão inconcebivelmente grande como o universo observável. A escala logarítmica usa o logaritmo de uma grandeza em vez da grandeza propriamente dita. Neste mapa, cada incremento nos eixos aumenta por um fator de 10 (ou ordem de grandeza). Embora valiosos, mapas logarítmicos não são muito agradáveis de se olhar, por isso Budassi decidiu transformar essas informações em algo um pouco mais palatável. Ele teve a ideia de criar a visualização em um círculo gigante enquanto fazia hexaflexágonos para o aniversário de um ano de seu filho.

Hexaflexágonos são polígonos de papel com um número aparentemente grande de superfícies. Quando eu estava desenhando hexaflexágonos de lembrança para o aniversário do meu filho, comecei a desenhar pontos de vista centrais do cosmos e do sistema solar”, conta Budassi. Naquele dia, a ideia de uma visão logarítmica surgiu para o artista. Em seguida, ele usou Photoshop, imagens da NASA e algumas texturas de criação própria para chegar ao belo resultado no início dessa página. Você pode dar uma olhada e baixar os mapas feitos pelos pesquisadores de Princeton aqui, além de baixar a versão original de Budassi aqui.
Fonte: ScienceAlert

Conheça os cinco principais candidatos à matéria escura


Mesmo com o mais poderoso dos telescópios, quando observamos o universo só conseguimos ver uma fração da matéria que sabemos estar lá. Para cada grama de átomos no universo, há pelo menos cinco vezes mais material invisível chamado matéria escura. Até agora, os cientistas não conseguiram detectá-la, apesar das décadas de procura. Sabemos que a matéria escura existe por causa da atração gravitacional de aglomerados de galáxias e outros fenômenos que observamos. A matéria visível em um aglomerado não é o suficiente para mantê-lo unido apenas pela gravidade, o que significa que alguma matéria invisível ou obscura deve estar presente. Mas não temos ideia do que é; ela poderia ser constituída de partículas novas, ainda não descobertas.

“Há quatro forças fundamentais com as quais uma partícula de matéria escura poderia interagir”, explica o doutorando em Fenomenologia das Cordas Johar Ashfaque, da Universidade de Liverpool, em um artigo sobre matéria escura publicado no site The Conversation. “Há a força forte, que une o núcleo atômico; a força fraca, que governa o decaimento de partículas como radioatividade; uma força eletromagnética, que medeia a força entre partículas carregadas; e a força gravitacional, que governa a interação gravitacional. Para observar matéria no espaço, precisamos que ela interaja através da força eletromagnética, pois isso envolve a liberação de luz ou outra radiação eletromagnética que um telescópio pode registar”.

Há muitos candidatos a matéria escura – cada um com sua própria maneira particular de interação. No entanto, algumas teorias são mais propensas a ser bem sucedidas do que outras. Abaixo, estão as cinco apostas de Ashfaque:

5. WIMP

particulas explicar materia escura 1

A partícula massiva de interação fraca, ou “WIMP” (do inglês “weakly interacting massive particle”), é uma partícula hipotética que, segundo o pesquisador, parece promissora. Seria completamente diferente do tipo de matéria que conhecemos e interagiria através da força eletromagnética, o que explicaria por que é invisível no espaço. Cerca de 100 mil WIMPs passariam por cada centímetro quadrado da Terra a cada segundo, interagindo com a matéria ao seu redor apenas através da força fraca e da gravidade. Se os WIMPs existirem, a modelagem matemática mostra que deve haver cerca de cinco vezes mais destes do que a matéria normal, o que coincide com a abundância de matéria escura que observamos no universo. Isto significa que devemos ser capazes de detectá-los através de suas colisões, pois isso faria com que as partículas carregadas na Terra recuassem, produzindo luz que podemos observar em experiências como Xenon100. Os WIMPs foram objeto várias pesquisas extensas, especialmente além do Modelo Padrão da Física, que previram de forma independente que essa partícula deve existir – uma coincidência apelidada de “Milagre WIMP”.

4. Axion

particulas explicar materia escura 2

Axions são partículas de baixa de massa e movimentação pequena que não possuem uma carga e só interagem fracamente com outra matéria, o que torna difícil – mas não impossível – detectá-las. Somente axions de uma massa específica seriam capazes de explicar a natureza da matéria escura invisível – se eles fossem um pouco mais leves ou mais pesados, conseguiríamos vê-los. E se existem axions, eles poderiam decair em um par de partículas de luz (fótons), o que significa que poderíamos detectá-los procurando por estes pares. Experimentos como o Axion Dark Matter Experiment estão atualmente procurando por axions usando esta estratégia.

3. MACHO

particulas explicar materia escura 3

MACHO significa “objeto com halo compacto e grande massa” (do inglês “massive compact halo object”) e foi um dos primeiros candidatos propostos para a matéria escura. Esses objetos, incluindo estrelas de nêutrons e anãs marrons e brancas, são compostas de matéria comum. Então, como eles poderiam ser invisíveis? Emitindo muito pouca ou nenhuma luz. Uma maneira de observá-los é através da monitoração do brilho de estrelas distantes. Como os raios de luz se curvam quando passam perto de um objeto massivo, a luz de uma fonte distante pode ser focada por um objeto mais próximo para produzir um brilho repentino do objeto distante. Este efeito, conhecido como lente gravitacional, depende da quantidade de matéria, tanto normal quanto escura, existente em uma galáxia – podemos usá-lo para calcular a quantidade de matéria escondida. No entanto, Ashfaque ressalta que atualmente sabemos que é improvável que uma quantidade suficiente destes corpos escuros poderia acumular para compensar a grande quantidade de matéria escura que existe.

2. Partícula Kaluza-Klein

particulas explicar materia escura 4

A teoria Kaluza-Klein é construída em torno da existência de uma “quinta dimensão” invisível existente no espaço, além das três dimensões espaciais que conhecemos (altura, largura, profundidade), e do tempo. Esta teoria, uma precursora da teoria das cordas, prevê a existência de uma partícula, que poderia ser uma partícula de matéria escura, que teria a mesma massa que 550 a 650 prótons. Este tipo de partícula pode interagir via eletromagnetismo e gravidade. No entanto, como estaria em uma dimensão que não podemos ver, não conseguiríamos observá-la apenas olhando para o céu. Felizmente, a partícula deve ser fácil de procurar em experimentos, já que deve decair em partículas que podemos medir – neutrinos e fótons. No entanto, aceleradores de partículas poderosos, como o Large Hadron Collider, ainda não a detectaram.

1. Gravitino

particulas explicar materia escura 5

Teorias que combinam a relatividade geral e a “supersimetria” preveem a existência de uma partícula chamada gravitino. A supersimetria, que é uma teoria bem sucedida e explica um monte de observações em física, afirma que todas as partículas bóson – como o fóton (partícula de luz) – têm um “superparceiro”, o fotino, com uma propriedade chamada spin (um tipo de momento angular) que difere por um semi-inteiro do bóson. O gravitino seria o superparceiro do hipotético “gráviton”, que, acredita-se, mediaria a força da gravidade. E, em alguns modelos de supergravidade em que o gravitino é muito leve, ele poderia explicar a matéria escura.
Fontes: The Conversation, Science Alert

Campos magnéticos fortes no núcleo de estrelas de massa intermédiaria


Os campos magnéticos vistos no interior das gigantes vermelhas são remanescentes de uma fase anterior em que os núcleos estelares albergavam convecções turbulentas, criando um "dínamo". Os campos magnéticos só estão presentes em estrelas mais massivas que o Sol porque a convecção no núcleo só ocorre nessas estrelas. Crédito: Universidade de Sydney

Um grupo internacional de astrónomos liderados pela Universidade de Sydney descobriu que campos magnéticos fortes são comuns no interior das estrelas, não tão raros quanto se pensava, o que irá afetar drasticamente a nossa compreensão de como as estelas evoluem. Usando dados da missão Kepler da NASA, a equipa descobriu que as estrelas apenas um pouco mais massivas que o Sol têm campos magnéticos internos até 10 milhões de vezes mais poderosos do que o da Terra, com implicações importantes para a evolução e destino final das estrelas.

"Isto é tremendamente excitante e totalmente inesperado," afirma o astrofísico Dennis Stello, investigador principal do estudo e da Universidade de Sydney. Tendo em que conta que pensávamos, anteriormente, que apenas 5-10% das estrelas tinham campos magnéticos fortes, os modelos atuais de como as estrelas evoluem não têm campos magnéticos como um ingrediente fundamental," afirma o professor Stello. "Tais campos foram simplesmente considerados insignificantes para a nossa compreensão geral da evolução estelar."

"O nosso resultado mostra claramente que esta suposição precisa de ser revisitada." Os resultados foram publicados ontem na Nature. A investigação é baseada num trabalho anterior pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), de que fez parte o professor Stello, e que constatou que as medições de oscilações estelares, ou ondas sonoras, no interior das estrelas podem ser usadas para inferir a presença de fortes campos magnéticos. Esta pesquisa mais recente usou esse resultado para olhar para um grande número de versões evoluídas do nosso Sol observadas pelo Kepler. Descobriu-se que mais de 700 destas gigantes vermelhas mostram a assinatura de campos magnéticos fortes, com algumas das oscilações suprimidas pela força dos campos.

"Dado que a nossa amostra é grande, fomos capazes de aprofundar a análise e concluir que os campos magnéticos fortes são muito comuns em estrelas com 1,5-2 vezes a massa do Sol," explica Stello. "No passado, só podíamos medir o que acontecia à superfície das estrelas e os resultados levavam à interpretação de que os campos magnéticos eram raros. Usando uma nova técnica chamada asterossismologia (ou sismologia estelar), que pode "penetrar pela superfície" de uma estrela, os astrónomos podem agora observar a presença de um campo magnético muito forte perto do núcleo estelar, que contém o motor central da queima nuclear da estrela.

Isto é importante porque os campos magnéticos podem alterar os processos físicos que ocorrem no núcleo, incluindo as taxas de rotação interna, o que afeta a forma como as estrelas envelhecem. A maioria das estrelas como o Sol oscilam continuamente devido a ondas sonoras que saltam para trás e para a frente dentro delas. "O seu interior é essencialmente como um sino a tocar", comenta Stello. "E, como um sino, ou um instrumento musical, o som que produzem pode revelar as suas propriedades físicas."

A equipa mediu minúsculas variações de brilho nas estrelas, variações estas provocadas pelo "badalar do sino" e descobriu que faltavam certas frequências de oscilação em 60% das estrelas porque foram suprimidas pelos fortes campos magnéticos nos núcleos estelares.

Os resultados vão permitir com que os cientistas testem mais diretamente as teorias de como os campos magnéticos se formam e evoluem - um processo conhecido como dínamo - dentro das estrelas. Isto pode, potencialmente, levar a uma melhor compreensão geral dos dínamos, incluindo aquele que controla o ciclo magnético do Sol, com a duração de 22 anos, que se sabe afetar sistemas de comunicação e a cobertura de nuvens na Terra. "Agora é o momento de os teóricos investigarem o porquê destes campos magnéticos serem tão comuns," conclui o professor Stello.
Fonte: Astronomia Online

Lua some no dia 9 e astrônomos aproveitam para pesquisar o céu

Lua vai "sumir" no dia 9 de janeiro, quando se posicionar exatamente entre o Sol e a Terra. (Foto: Domínio público)

De repente, durante a noite, você olha para o céu e não encontra sequer um traço da Lua. Essa noite sem Lua pode até servir como elemento poético em diferentes músicas, mas o fenômeno é real e seu ápice ocorrerá nesse mês, na noite do dia 9 de janeiro. Calma, a Lua não vai sumir de verdade. O início da Lua Nova fará com que ela desapareça temporariamente do nosso olhar. Por volta das 23h30 (horário de Brasília), a Lua se posicionará exatamente entre o Sol e a Terra e não receberá nenhuma incidência significativa de luz solar. Assim, teremos a impressão de que ela vai se apagar do céu. O fenômeno ocorrerá às 23h30 (horário de Brasília). Lua vai "sumir" no dia 9 de janeiro, quando se posicionar exatamente entre o Sol e a TerraArquivo/arcello Casal Jr/Agência Brasil. O “sumiço” da Lua não inspira somente cantores sertanejos. Para o mundo científico, é um momento excelente para pesquisar o universo porque o brilho da Lua não ofusca os instrumentos de observação. De acordo com o presidente da Associação Riograndense de Astronomia (Anra),  professor Antônio Araújo Sobrinho, é claro que a Lua não some. O “sumiço” da Lua é algo comum durante a fase da Lua Nova. Nesse período, explica o cientista, é que devemos mirar os telescópios para o céu com o intuito de observar melhor outros corpos celestes.

"Muita gente acredita que a fase da Lua Cheia é a melhor fase para se usar o equipamento. Pelo contrário, para ver a Lua, sem telescópio é ótimo. Mas os melhores detalhes tanto da Lua quanto de outros planetas ocorre nas fases de Lua Minguante ou Lua Crescente”, explica. Para aproveitar o suprassumo do que os outros astros podem oferecer, é muito melhor uma noite sem a Lua visível. “A luz que reflete durante a Lua Cheia ofusca muito as lentes dos telescópios. E a vantagem da noite sem lua é observar todos os demais astros com mais detalhes”.

O professor Antônio Araújo também dá outra dica aos amantes do universo: o fenômeno da noite sem lua será estratégico para observar o planeta Vênus e os anéis de Saturno. Tudo bem que os dois podem ser vistos a olho nu e a conjunção (sobreposição visual dos dois) que começou nessa quinta-feira (7) já é um grande espetáculo à parte, mas a falta de Lua será uma mão na roda para que "até mesmo telescópios de pequeno porte consigam ver os detalhes desses dois astros", confirma Araújo. Ficou interessado em outros fenômenos astronômicos? Então, confira o nosso Calendário Astronômico de 2016. Com informações da Agência Brasil. 
Fonte:MSN
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...