26 de fev de 2016

Concluído o rastreio ATLASGAL da Via Láctea



Uma nova imagem espetacular da Via Láctea foi divulgada para marcar o término do rastreio ATLASGAL — APEX Telescope Large Area Survey of the Galaxy. O telescópio APEX, instalado no Chile, mapeou pela primeira vez no submilímetro — a região do espectro eletromagnético entre a radiação infravermelha e as ondas de rádio — a área total do plano galático visível a partir do hemisfério sul, com mais detalhes do que obtido em rastreios recentes feitos a partir do espaço. O telescópio pioneiro APEX de 12 metros permite aos astrônomos estudar o Universo frio: gás e poeira com temperaturas de apenas algumas dezenas de graus acima do zero absoluto.

O APEX, o telescópio Atacama Pathfinder EXperiment, situa-se a 5100 metros de altitude no planalto do Chajnantor, na região chilena do Atacama. O rastreio ATLASGAL tirou partido das características únicas neste telescópio para fornecer imagens detalhadas da distribuição de gás denso e frio situado no plano da Via Láctea. As novas imagens incluem a maior parte das regiões de formação estelar existentes na Via Láctea austral. Os novos mapas ATLASGAL cobrem uma área do céu de 140 graus de comprimentos por 3 de largura, quatro vezes maior que os primeiros mapas divulgados deste rastreio. Os novos mapas têm também uma qualidade superior, já que algumas áreas foram novamente observadas para se obter uma qualidade de dados mais uniforme em toda a área mapeada.

O rastreio ATLASGAL é o projeto do APEX com maior sucesso, com cerca de 70 artigos científicos associados já publicados. O seu legado irá expandir-se ainda mais agora que todos os dados foram reduzidos e colocados à disposição de toda a comunidade astronômica. No coração do APEX encontram-se os seus instrumentos muito sensíveis. Um deles, a câmera
LABOCA (LArge BOlometer Camera), foi usado no rastreio ATLASGAL. A LABOCA mede a radiação capturada registrando os minúsculos aumentos de temperatura que esta causa nos seus detectores, podendo assim detectar emissão das faixas escuras de poeira fria que obscurecem a radiação estelar.

Esta nova divulgação dos dados ATLASGAL vem complementar observações obtidas com o satélite
Planck da ESA. A combinação dos dados Planck e APEX permitiu aos astrônomos detectar radiação emitida ao longo de uma maior área do céu e estimar assim a fração de gás denso existente na Galáxia interna. Os dados ATLASGAL foram também utilizados para criar um censo completo de nuvens frias de grande massa, onde novas gerações de estrelas estão se formando.

O ATLASGAL dá importantes pistas sobre onde a próxima geração de estrelas de grande massa e aglomerados se formam. Ao combinar estas observações com os dados Planck, podemos agora obter uma conexão com as estruturas de larga escala de nuvens moleculares gigantes,” diz Timea Csengeri do Instituto Max Planck de Rádio Astronomia (MPIfR), Bonn, Alemanha, que liderou o trabalho de combinação dos dados APEX e Planck.

O telescópio APEX
celebrou recentemente dez anos de pesquisas bem sucedidas do Universo frio. Este telescópio desempenha um papel importante não só como desbravador de terreno mas também como infraestrutura complementar do ALMA, o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, que também se encontra situado no planalto do Chajnantor. O APEX baseia-se numa antena protótipo construída para o projeto ALMA e tem encontrado muitos objetos que o ALMA pode depois estudar com mais detalhe.

Leonardo Testi do ESO, membro da equipe ATLASGAL e Cientista de Projeto europeu do ALMA, conclui: “O ATLASGAL permitiu-nos obter um novo olhar sobre o meio interestelar denso da nossa própria galáxia, a Via Láctea. A divulgação do rastreio completo abre a possibilidade de trabalhar sobre esta incrível base de dados, esperando-se novas descobertas. Muitas equipes de cientistas já estão utilizando os dados ATLASGAL para planejar novas observações com o ALMA.”
Fonte: ESO

Procurando o planeta nove

Esta impressão de artista mostra o distante Planeta Nove. Pensa-se que o planeta seja gasoso, parecido com Úrano e Neptuno. Relâmpagos hipotéticos iluminam o lado noturno. Crédito: Caltech/R. Hurt (IPAC)

Usando observações da sonda Cassini, uma equipe de astrónomos do Observatório de Paris e do Observatório de la Côte d'Azur foi capaz de especificar as posições possíveis de um nono planeta no Sistema Solar. Este trabalho é objeto de uma publicação na revista Astronomy & Astrophysics de dia 22 de fevereiro de 2016. Os objetos da Cintura de Kuiper, corpos pequenos parecidos com Plutão para lá de Neptuno, têm uma distribuição especial que é difícil de explicar por puro acaso. Foi isto que levou Konstantin Batygin e Mike Brown (Caltech, nos EUA) a propor, num artigo publicado no dia 20 de janeiro de 2016 na revista The Astronomical Journal, a existência de um nono planeta com 10 vezes a massa da Terra cujas perturbações sobre os objetos da Cintura de Kuiper levaram à sua atual distribuição.

Por meio de simulações numéricas, determinaram a órbita possível deste planeta. Para ser capaz de reproduzir a distribuição observada dos objetos da Cintura de Kuiper, esta órbita, com um semieixo maior de 700 UA, deve ser muito excêntrica (e=0,6) e inclinada (30º em relação à eclíptica), mas o estudo de Batygin e Brown não propôs restrições sobre a atual posição do planeta. Isto não facilita a tarefa dos observadores que precisam procurar em todas as direções possíveis, em longitude, para tentar descobrir este planeta.

Desde 2003 que A. Fienga (astrónomo do Observatório de la Côte d'Azur), J. Laskar (astrónomo do Observatório de Paris e diretor de investigação do CNRS, Centre national de la recherche scientifique) e a sua equipa estão a desenvolver as efemérides planetárias INPOP, que calculam o movimento dos planetas no Sistema Solar com a maior precisão possível. Em particular, usando dados da sonda Cassini (NASA/ESA/ASI), conhece-se a distância entre a Terra e Saturno com uma incerteza de aproximadamente 100 metros. Os investigadores tiveram a ideia de usar o modelo INPOP para testar a possibilidade de acrescentar um nono planeta ao Sistema Solar, como proposto por Batygin e Brown.

No estudo publicado esta semana, a equipa francesa mostra que, dependendo da posição do planeta a partir do seu periélio, o nono planeta induz perturbações na órbita de Saturno que podem ser detetadas através da análise dos dados de rádio da sonda Cassini, que orbita Saturno desde 2004. Os cientistas foram capazes de calcular o efeito induzido pelo nono planeta e comparar a órbita perturbada com os dados da Cassini. Para ângulos periélicos inferiores a 85º ou superiores a -65º, as perturbações induzidas pelo nono planeta são inconsistentes com as distâncias observadas da Cassini.

O resultado é o mesmo para o sector de -130º a -100º (segunda figura). Este resultado permite excluir metade das direções em longitude, na qual o planeta poderá não ser encontrado (terceira figura). Por outro lado, verifica-se que, para algumas direções, a adição do nono planeta reduz as discrepâncias entre o modelo calculado pelos astrónomos e os dados observados, em comparação com o modelo que não inclui o nono planeta. Isto torna plausível, portanto, a presença do nono planeta para um ângulo periélico entre 108º e 129º, com uma probabilidade máxima para 117º (terceira figura). A existência de um nono planeta só poderá ser confirmada com observações diretas, mas ao restringir as possíveis direções para pesquisa, a equipa francesa faz aqui um contributo importante na sua procura.

Detectando movimento
A órbita sugerida do Planeta Nove coloca-o muito longe do Sol, tão longe que quase não reflete luz suficiente para ser detetado. Por isso, os astrónomos estão a usar truques. Em vez de observarem no visível, estão à procura de outros sinais improváveis que podem ajudar a diminuir a área de pesquisa. Nicolas Cowan da Universidade McGill em Montreal, Canadá, e colegas, calcularam que deverá emitir o seu próprio tipo de sinal detetável - ondas de rádio. O planeta proposto será grande o suficiente para ter retido uma pequena quantidade de calor aquando da sua formação. Usando Úrano e Neptuno como modelos, a equipa calculou que o planeta deverá ter uma temperatura poucas dezenas de graus acima do zero absoluto - o que significa que irradia fracas ondas milimétricas de rádio.

Existem vários telescópios que estudam os céus nestes outros comprimentos de onda, apesar dos astrónomos caçadores de planetas normalmente não os usarem. Ao invés, estes telescópios são usados, por exemplo, para estudar a radiação cósmica de fundo em micro-ondas, o remanescente da primeira luz deixada para trás pelo Big Bang, que está na mesma zona do espectro. Os cosmólogos usam telescópios como o BICEP2 e o Planck para mapear a radiação e aprender mais sobre o Universo. Normalmente não se preocupam com meros planetas. "Os cosmólogos nunca olham para alvos móveis," afirma Cowan. Mas o seu colega cosmólogo Gil Holder, que trabalha num gabinete vizinho, ouviu o mês passado a notícia do Planeta Nove, e perguntou a Cowan se poderia aparecer em telescópios usados para estudar a radiação cósmica de fundo.

"Aparentemente, Neptuno é tão brilhante que é usado como fonte de calibração," comenta Cowan. A observação de um único ponto brilhante nestes comprimentos de onda não é suficiente para detetar um planeta, uma vez que pode ser apenas parte da radiação de fundo. Mas o movimento de um planeta deverá ajudar a destacar-se do fundo. Trabalhando com Nathan Kaib da Universidade de Oklahoma, EUA, a equipa calculou que a velocidade do Planeta Nove através do céu deverá ser diferente das dos milhares de asteroides igualmente brilhantes, tornando-o mais fácil de detetar com apenas alguns meses de observações.

Muitos telescópios usados para estudar a radiação cósmica de fundo em micro-ondas estão situados no polo sul com um campo de visão estreito. Isto é ideal para a cosmologia, mas não tão bom para a caça planetária - podem não estar apontando na direção do Planeta Nove. Os telescópios futuros irão procurar zonas mais amplas do céu, aumentando as hipóteses de avistar o planeta. Mas é possível que as observações atuais "ganhem o jackpot". "É possível que o Planeta Nove já esteja na experiência de alguém," conclui Cowan.
Fonte: Astronomia Online


10 fatos sobre o Planeta Nove, o caçulinha do Sistema Solar


planeta nove

No começo de janeiro de 2016, a notícia da descoberta de um possível novo planeta no sistema solar, o Planeta Nove, deixou a comunidade cientifica em polvorosa. Ainda temos muito a aprender sobre esse novo integrante da nossa família de planetas, mas sabemos que ele é gigante – com massa pelo menos 10 vezes maior que a Terra. Tão grande que seu apelido é “Gorducho” entre os astrônomos que o encontraram. Confira abaixo 10 fatos curiosos sobre o nosso caçula:

10. Ele foi descoberto pelo mesmo cara que rebaixou Plutão
Você pode até não reconhecer o nome Mike Brown de cara, mas com certeza já ouviu falar nele. Em 2005, ele descobriu um objeto espacial chamado Eris, que foi brevemente um candidato à planeta. A descoberta causou uma discussão sobre o que de fato caracteriza um planeta, que resultou no rebaixamento de Plutão da posição de planeta para planeta anão. Ele até escreveu o livro “How I killed Pluto (and why it had it coming)”, ou “Como matei Plutão e porque ele mereceu”, em português. Agora, por ironia do destino, o homem que tirou um planeta do nosso sistema solar acaba de descobrir outro possível substituto.

9. Ele é um gigante de gelo
Ao contrário de Plutão e Eris, o Planeta Nove é provavelmente um planeta completo. Brown afirmou que ele seria “mais planeta que qualquer outra coisa no sistema solar”, já que o que a definição de um planeta é algo que consegue dominar gravitacionalmente seus vizinhos. Plutão deixou de ser planeta porque é dominado pela gravidade de Netuno. Brown e seu colega astrônomo Konstantin Batygin identificaram o novo planeta depois de observar que 13 objetos fora da órbita de Netuno tinham uma movimentação anormal. Isso foi uma forte evidência de que havia um enorme planeta agindo sobre esses objetos. O tamanho do planeta e de sua atmosfera dizem muito sobre a constituição dele. Quanto maior ele é, mais grossa é sua atmosfera. Gigantes de gelo têm atmosferas grossas e com a composição semelhante a dos gigantes gasosos como Júpiter ou Saturno, mas sem ser remotamente tão grande quanto. O Planeta Nove é maior que planetas rochosos como a Terra e Marte, mas muito menor que os gigantes gasosos.

8. Ele está muito, muito distante
Mesmo em níveis espaciais, o Planeta Nove está muito longe do sol. Sua distância é de 90 milhões de quilômetros, 20 vezes a distância entre o sol e Netuno. Só para você ter uma ideia, o a missão não tripulada da NASA, New Horizons, levou nove anos para chegar da Terra até Plutão. Para chegar até o Planeta Nove, levaria mais 54 anos. Isso, claro, tirando vantagem da órbita do planeta, quando ele estiver passando mais próximo da Terra. Se fossemos tentar alcançá-lo quando está mais longe, levaria 350 anos. Claro que essas são ideias que nem sequer aconteceriam, já que o New Horizons não tem combustível suficiente para nenhuma das duas alternativas. Essa distância explica porque ninguém notou o planeta até agora.

7. Ele leva um tempo ridiculamente longo para dar a volta no sol
O tempo exato de sua órbita completa ainda não foi descoberto, mas Brown e Batygin acreditam que seja de no mínimo 10 mil anos. Mas ele pode levar até 20 mil anos, já que tem uma órbita excêntrica.

6. Ele pode ser o “quinto gigante” desaparecido
Em 2011, cientistas começaram a questionar a ausência de um “quinto gigante” no nosso sistema solar, coisa que outros sistemas parecem ter. Uma explicação possível para isso é que o Planeta Nove é esse gigante desaparecido, provavelmente puxado para longe do sol pela enorme força gravitacional de Júpiter quando o sistema solar ainda era jovem.

5. Ele pode ajudar em viagens interestelares
O problema das possíveis viagens no espaço é que tudo é muito longe e além de gastar muito tempo para chegar a algum lugar, o combustível logo acabaria. Pegar uma carona na força da gravidade de corpos celestes, porém, é uma possibilidade. Futuros exploradores espaciais poderiam usar sua enorme força gravitacional para acelerar suas espaçonaves. Esse processo é chamado de gravidade assistida.

4. Teóricos da conspiração acreditam que esse pode ser o fim
Quem curte um apocalipse não perdeu tempo em dizer que esse vai ser o fim do nosso planeta Terra. Quase imediatamente depois do anúncio da descoberta, profetas da internet proclamaram que este é na verdade Nibiru, também conhecido como Planeta X ou planeta da morte. Alguns deles defendem que sua poderosa gravidade poderia provocar tsunamis e terremotos na Terra.

3. Existe uma pequena possibilidade que eles podem estar certos
Algumas das teorias apocalípticas dizem que a gravidade do Planeta Nove pode catapultar asteroides na direção da Terra, resultando em devastação para os seres humanos. Essa hipótese até pode acontecer: os efeitos gravitacionais do Planeta Nove já foram observados, já que ele só foi descoberto por conta de seu poder em outros objetos espaciais. Então é possível que um ou outro desses objetos “pegue uma carona” na força da gravidade do gigante e venha em direção à Terra. Mas isso é pouco provável, pelo menos num futuro próximo.

2. Ele pode nem sequer existir
Até o momento, ele não passa de uma explicação hipotética sobre o comportamento atípico dos objetos que estão além da órbita de Júpiter. Mike Brown diz que é totalmente possível que a aglomeração dos objetos pode ser apenas uma coincidência. O Planeta Nove ainda não foi observado e é possível que ele nem esteja lá.

1. Mas ele provavelmente existe
A probabilidade da uma aglomeração dos objetos espaciais ser apenas uma coincidência é de apenas 0,007%. Até onde sabemos, não há mais nada na região do espaço que justifique essa perturbação da órbita dos objetos da forma que acontece.
Fonte: HYPESCIENCE.COM



Buracos de minhoca poderiam enviar mensagens para o passado ou futuro

Buracos de minhoca futuro

Preparem-se, fãs de “De Volta Para o Futuro”. Como uma forma bizarra de fibra óptica, os longos e finos “buracos de minhoca” podem permitir que você envie mensagens através do tempo usando pulsos de luz. Previstos pela teoria geral da relatividade de Einstein, buracos de minhoca são túneis que ligam dois pontos no espaço-tempo. Se algo pudesse atravessar um, abriria possibilidades intrigantes, tais como a viagem e a comunicação instantânea através do tempo. Mas há um problema: os buracos de minhoca de Einstein são notoriamente instáveis e não ficam abertos tempo suficiente para qualquer coisa para passar. Em 1988, Kip Thorne e seus colegas do Instituto de Tecnologia da Califórnia (EUA) especularam que buracos de minhoca poderiam ser mantidos abertos usando uma forma de energia negativa chamada de “energia Casimir”.

A mecânica quântica nos diz que o vácuo do espaço-tempo está repleto de flutuações quânticas aleatórias, que criam ondas de energia. Agora imagine duas placas metálicas paralelas paradas neste vácuo. Algumas ondas de energia são demasiado grandes para caber entre as placas, de modo que a quantidade de energia entre elas será menor do que em torno delas. Em outras palavras, o espaço-tempo entre as placas tem energia negativa. Tentativas teóricas para usar essas placas para manter buracos de minhoca abertos até agora se mostraram insustentáveis. Recentemente, porém, Lucas Butcher, da Universidade de Cambridge (Inglaterra), pode ter encontrado uma solução. E se o próprio buraco de minhoca pudesse tomar o lugar das placas?”, questiona.

Em outras palavras, sob certas circunstâncias, a forma de tubo do próprio buraco de minhoca poderia gerar a energia Casimir. Seus cálculos mostram que, se a garganta do buraco de minhoca for, em ordens de magnitude, maior do que a largura de sua entrada, de fato, criaria energia Casimir em seu centro. Infelizmente, essa energia não é suficiente para manter o buraco de minhoca estável. Ele vai entrar em colapso”, conta o pesquisador. “Mas a existência de energia negativa permite que o buraco de minhoca entre em colapso muito lentamente”. Além disso, cálculos aproximados mostram que o centro do buraco de minhoca pode permanecer aberto por tempo suficiente para permitir que um pulso de luz passe.

Um buraco de minhoca é um atalho do tempo-espaço, por isso o envio de um pulso de luz através de um poderia permitir a comunicação mais rápida do que a luz. E, como as duas bocas de um buraco podem existir em diferentes pontos no tempo, em teoria, uma mensagem poderia ser enviada através do tempo. Butcher adverte que ainda é necessário muito mais trabalho para confirmar que outras partes do buraco de minhoca, além do centro, permaneceriam abertas tempo suficiente para a luz viajar todo o caminho. Ele também admite que precisa descobrir se um pulso grande o suficiente para transmitir informações significativas poderia passar pela garganta que estaria lentamente em colapso. E, claro, estamos muito longe traduzir as equações teóricas em um objeto físico.
Fonte: HYPESCIENCE.COM
[New Scientist]

Estudo crê que buracos negros jogam matéria nos vazios cósmicos

Imagem gerada pela simulação illustris. Ela mostra a distribuição da matéria escura, com uma largura e uma altura de 350 milhões de anos-luz
Imagem gerada pela simulação illustris. Ela mostra a distribuição da matéria escura, com uma largura e uma altura de 350 milhões de anos-luz

O nosso universo não é feito só de matéria visível (aquela que compõe as galáxias, estrelas, eu e você), mas é na realidade dominado por matéria invisível, como a matéria e a energia escuras. Olhando para a radiação cósmica de micro-ondas, observatórios modernos como o Cosmic Background Explorer (COBE) e o Wilkinson Microwave Anisotropy Probe (WMAP) têm gradualmente refinado nossa compreensão da composição do universo. As medições mais recentes sugerem que ele é composto de 4,9% de matéria “normal” (a visível), 26,8% de matéria escura e 68,3% de energia escura.  Agora, um grupo de astrônomos da Áustria, Alemanha e Estados Unidos estão afirmando que os buracos negros podem conter tanto quanto 20% da massa do cosmos e que as galáxias representam apenas 1/500 do volume do universo.

Onde está a massa do universo
Complementando estas missões, observatórios terrestres mapearam as posições de galáxias e, indiretamente, a matéria escura dentro delas, mostrando que ela está localizada em filamentos que compõem a “teia cósmica.  A equipe de pesquisadores, liderada pelo Dr. Markus Haider, do Instituto de Astrofísica de Partículas na Universidade de Innsbruck, na Áustria, decidiu investigar esses filamentos com mais detalhes usando dados do projeto Illustris, uma grande simulação de computador da evolução e da formação de galáxias. O Illustris imita um pedaço do universo em forma de cubo, medindo cerca de 350 milhões de anos-luz de cada lado, e mostra sua evolução desde quando tinha apenas 12 milhões de anos, uma pequena fração da idade atual do universo.

A simulação mostra como a gravidade e o fluxo de matéria mudaram a estrutura do cosmos até os dias atuais, incluindo a matéria normal e escura. Quando os cientistas analisaram os dados, eles descobriram que cerca de 50% da massa total do universo está nos locais onde galáxias residem, comprimida em um volume de 0,2% do universo visível. Mais de 44% dessa massa fica nos filamentos cósmicos envolvendo essas galáxias, e apenas 6% está localizada nos espaços vazios, que constituem 80% do volume do universo.

A matéria desaparecida
Os cientistas também descobriram que uma fração surpreendente da matéria normal – 20% – pode ter sido transportada aos vazios cósmicos pelos buracos negros supermassivos encontrados nos centros das galáxias. Um pouco da matéria que cai em direção aos buracos negros é convertida em energia. Esta energia é liberada ao gás circundante e leva a grandes jatos de matéria que se estendem por centenas de milhares de anos-luz, alcançando muito além da extensão de suas galáxias hospedeiras. Além de preencher os vazios com mais matéria do que se pensava, isso pode ajudar a explicar o problema da “matéria desaparecida” – os astrônomos não veem a quantidade de matéria normal prevista por seus modelos no universo. Esta simulação, uma das mais sofisticadas já executada, sugere que os buracos negros no centro de cada galáxia estão ajudando a enviar a matéria para os lugares mais solitários do universo. O que queremos fazer agora é refinar o nosso modelo e confirmar estes resultados iniciais”, diz o Dr. Haider. No entanto, será difícil observar a matéria nesses vazios, pois é provável que ela seja muito tênue e fria para emitir os raios-X que a tornariam detectável por satélites.
Fonte: HYPESCIENCE.COM
 [Phys]

Buracos negros gémeos do ligo podem ter nascido de uma única estrela

No dia 14 de setembro de 2015, o LIGO detetou ondas gravitacionais da fusão de dois buracos negros, vistos aqui nesta impressão de artista. O Telescópio Espacial Fermi detetou uma explosão de raios-gama 0,4 segundos mais tarde. Uma nova investigação sugere que a explosão ocorreu porque os dois buracos negros foram o resultado de uma única estrela massiva. Crédito: Swinburne Astronomy Productions

No dia 14 de setembro de 2015, o LIGO (Laser Interferometer Gravitational-wave Observatory) detetou ondas gravitacionais da fusão de dois buracos negros com 29 e 36 vezes a massa do Sol. Espera-se que tal evento seja escuro, mas o Telescópio Espacial Fermi detetou uma explosão de raios-gama apenas uma fração de segundo depois do sinal do LIGO. Uma nova pesquisa sugere que os dois buracos negros podem ser o resultado de uma única estrela massiva cuja morte gerou a explosão de raios-gama. É o equivalente cósmico de uma mãe grávida de gémeos," afirma o astrofísico Avi Loeb do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica.

Normalmente, quando uma estrela gigante chega ao fim da vida, o seu núcleo colapsa num único buraco negro. Mas se a estrela girar muito depressa, o seu núcleo pode ser esticado para uma forma parecida com um haltere e fragmentar-se em dois bocados, cada um formando o seu próprio buraco negro. Uma estrela muito massiva, conforme é aqui necessário, forma-se muitas vezes da fusão de duas estrelas mais pequenas. E uma vez que as estrelas teriam que ter um período de translação (uma em torno da outra) cada vez mais pequeno à medida que espiralavam em conjunto, seria de esperar que a estrela resultante girasse também muito rapidamente.

Depois da formação do par de buracos negros, o invólucro exterior da estrela dirigiu-se rapidamente na sua direção. A fim de poder alimentar tanto o evento de onda gravitacional como a explosão de raios-gama, os buracos negros gémeos devem ter nascido muito próximos um do outro, com uma separação inicial na ordem do tamanho da Terra, e fundiram-se em poucos minutos. O buraco negro singular e recém-formado, daí resultante, alimentou-se de seguida da matéria em queda, consumindo o equivalente a uma massa solar cada segundo e sustentando jatos de matéria que foram expelidos para fora e que produziram a explosão.

O Fermi detetou a explosão apenas 0,4 segundos depois do LIGO ter detetado as ondas gravitacionais, e a partir da mesma área geral do céu. No entanto, o satélite europeu de raios-gama INTEGRAL não confirmou o sinal. Mesmo que a deteção do Fermi seja falso alarme, os eventos futuros do LIGO devem ser monitorizados para acompanhar radiação, independentemente se forem originários da fusão de buracos negros," explica Loeb.

Se forem detetadas mais explosões raios-gama a partir de eventos de ondas gravitacionais, estas poderão proporcionar um novo método promissor de medir distâncias cósmicas e a expansão do Universo. Ao avistar o brilho de uma explosão de raios-gama e medir o seu desvio para o vermelho e comparando-o, de seguida, com a medição independente da distância pelo LIGO, os astrónomos podem restringir com precisão os parâmetros cosmológicos. "Os buracos negros astrofísicos são muito mais simples do que outros indicadores de distância, como as supernovas, uma vez que são totalmente definidos apenas pela sua massa e rotação," comenta Loeb.

"Este é um artigo científico com uma agenda, estimular trabalhos vigorosos de acompanhamento, no período crucial após a descoberta inicial do LIGO, onde o desafio é compreender todas as suas implicações. Se a história nos serve de guia, a abordagem múltipla defendida por Loeb, usando tanto ondas gravitacionais como radiação eletromagnética, promete mais uma vez uma visão profunda sobre a natureza física da notável fonte do LIGO," afirma Volker Bromm da Universidade do Texas em Austin, comentando de forma independente.   A pesquisa foi aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal Letters e está disponível online.
Fonte: Astronomia Online

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