4 de mar de 2016

Neve de metano nos picos de Plutão

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Imagem de Plutão, cuja inserção mostra o sudeste da região Cthulhu Regio.  Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI

Uma das características mais identificáveis de Plutão, a Cthulhu se espalha por quase metade do equador do planeta anão, começando do oeste da grande planície de gelo de nitrogênio, conhecida como Sputnik Planum. Medindo aproximadamente 3000 quilômetros de comprimento por 750  quilômetros de largura, a Cthulhu é um pouco maior do que o estado norte-americano do Alasca. A Cthulhu é caracterizada  por ter uma superfície escura, que os cientistas acreditam seja devido à cobertura de tolinas escuras – moléculas complexas que se formam quando o metano é exposto à luz do Sol. A geologia da Cthulhu exibe uma grande variedade de paisagens, desde montanhas, passando por regiões suaves, até regiões repletas de crateras e fraturas.

A cor avermelhada realçada nessa imagem revela uma cadeia de montanhas localizada na região sudeste da Cthulhu que tem cerca de 420 quilômetros de comprimento. A cadeia está situada entre crateras, com vales estreitos separando os picos. Os taludes superiores dos picos mais altos são cobertos com um material brilhante que contrasta com a coloração vermelha escura das planícies ao redor. Os cientistas acreditam que o material brilhante poderia ser predominantemente formado por metano que foi condensado como gelo nos picos a partir da atmosfera de Plutão.

John Stansberry, membro da equipe de ciências da New horizons e que trabalha no Space Telescope Science Institute, em Baltimore, Maryland, disse que esse material que só cobre os taludes superiores dos picos sugere que seja gelo de metano que pode agir como a água na atmosfera da Terra, se condensando à medida que se congela nas grandes altitudes. Dados obtidos com o instrumento Ralph/Multispectral Visible Imaging Camera (MVIC) da sonda New horizons, mostrado no detalhe da imagem, indica a localização do gelo brilhante nos picos das montanhas que se correlacionam quase que exatamente com a distribuição de gelo de metano na imagem roxa.

A resolução da imagem de cor realçada é de cerca de 680 metros por pixel. A imagem mede aproximadamente 450 quilômetros de comprimento por 225 quilômetros de largura. Essa imagem foi obtida pela sonda New Horizons, no dia 14 de Julho de 2015, quando ela passava a 33900 quilômetros acima da superfície de Plutão, cerca de 45 minutos antes da sua aproximação máxima com o planeta anão.

Tudo que você precisa saber sobre a passagem do asteroide 2013 TX68 pela Terra

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Um pequeno asteroide da família dos Apollos com um diâmetro estimado em 30 metros que passou pela Terra a uma distância confortável de 2 milhões de quilômetros em 13 de Outubro de 2013, irá novamente passar pelo nosso planeta agora no m6es de Março de 2016. Agora conhecido como 2013 TX68, o objeto foi descoberto pelo Catalina Sky Survey no dia 6 de Outubro de 2013. Inicialmente, as previsões eram que ele passasse pela Terra no seu ponto de máxima aproximação, em 5 de Março de 2016, porém observações adicionais feitas do asteroide, fizeram com que fosse possível refinar seus parâmetros orbitais e a data de maior aproximação com a Terra será 8 de Março de 2016. As observações, na verdade, imagens de arquivo fornecidas pelo Pan-STARRS Asteroid Survey, um programa financiado pela NASA, permitiu que os cientistas do Center for Near-Earth Object Studies, o CNEOS da NASA, no Laboratório de Propulsão a Jato da agência, em Pasadena, na Califórnia, pudesse refinar as previsões anteriores de distância, e confirmar que o asteroide não causa nenhum tipo de ameaça para a Terra.

O ASTEROIDE NÃO IRÁ COLIDIR COM A TERRA!!!

De acordo com Paul Chodas, gerente do CNEOS, já se sabia que o asteroide 2013 TX68 passaria com segurança, sem se chocar com a Terra no início de Março, mas os dados adicionais permitem que se possa agora ter uma melhor ideia da sua trajetória. Os dados indicam que o pequeno asteroide passará mais distante da Terra do que se imaginava anteriormente. Marco Micheli do NEO Coordination Centre da ESA, NEOCC/SpaceDys, em Frascati, na Itália, foi o astrônomo que identificou o objeto nas imagens de arquivo, mediu sua posição, e forneceu essas observações para o Minor Planet Center em Cambridge, Massachussetts.

A nova previsão feita pelo CNEO é que o 2013 TX68 irá passar a aproximadamente a 5 milhões de quilômetros de distância da Terra, ou algo em torno de 13 vezes a distância da Terra a Lua, às 9:06 da manhã, hora de Brasília, do dia 8 de Março de 2016. Existe a possibilidade de que ele possa passar um pouco mais próximo, mas não tão próximo como os 24000 km que muitos sites e canais estão afirmando. As novas observações também servirão para melhor restringir a trajetória do 2013 TX68 nos próximos anos. O CNEOS já determinou que o 2013 TX68 não irá, repito, NÃO IRÁ, se chocar com a Terra no decorrer do próximo século.

Choras completa dizendo que não é preciso ter nenhum tipo de medo com relação a esse asteroide e nem preocupação. O único problema é se você quiser observá-lo com um telescópio, como ele estará muito distante e é muito pequeno ele irá brilhar no céu com um magnitude de +20, ou seja, algo complicado até para os grandes telescópios. Os cálculos das órbitas dos asteroides mudam constantemente, e são sempre atualizados, com base nas observações que são relatadas para o Minor Planet Center. Esses cálculos então resultam nas distâncias nominais mínima e máxima que o asteroide passará da Terra, e as vezes existe uma grande incerteza nessas distâncias devido à falta de observações. Quanto mais observação, mais precisa é a determinação dos parâmetros orbitais do asteroide.
Fonte: SPACE TODAY

Equipe do HUBBLE quebra recorde de distância cósmica

A galáxia remota GN-z11. Crédito: NASA, ESA e P. Oesch (Universidade de Yale)


Puxando o Telescópio Espacial Hubble da NASA aos seus limites, uma equipe internacional de astrónomos quebrou o recorde de distância cósmica ao medir a galáxia mais longínqua já vista no Universo. Esta galáxia surpreendentemente brilhante, chamada GN-z11, é vista como era há 13,4 mil milhões de anos atrás, apenas 400 milhões de anos após o Big Bang. GN-z11 está localizada na direção da constelação de Ursa Maior. "Demos um grande passo para trás no tempo, para lá do que esperávamos ser capazes de ver com o Hubble. Observamos GN-z11 numa altura em que o Universo tinha apenas 3% da sua idade atual," explicou Pascal Oesch, investigador principal que pertence à Universidade de Yale. A equipa inclui cientistas dessa universidade, do STScI (Space Telescope Science Institute) e da Universidade da Califórnia.

Os astrónomos estão aproximando-se das primeiras galáxias formadas no Universo. As novas observações do Hubble levam os astrónomos para um reino que se pensava ser apenas acessível com o futuro telescópio espacial James Webb da NASA. Esta medição fornece fortes evidências de que algumas galáxias invulgares e inesperadamente brilhantes, encontradas anteriormente em imagens do Hubble, estão na realidade a estas distâncias extraordinárias. Antes, a equipa tinha estimado a distância até GN-z11 determinando a sua cor através de imagens com o Hubble e com o Spitzer. Agora, pela primeira vez para uma galáxia a uma distância tão extrema, a equipa usou o instrumento WFC3 (Wide Field Camera 3) para medir com precisão a distância até GN-z11, espectroscopicamente, dividindo a luz nas suas cores componentes.

Os astrónomos medem grandes distâncias através da determinação do "desvio para o vermelho" de uma galáxia. Este fenómeno é o resultado da expansão do Universo; cada objeto distante no Universo parece estar afastando-se de nós porque a sua luz é esticada para comprimentos de onda mais longos à medida que viaja através do espaço em expansão para alcançar os nossos telescópios. Quanto maior o desvio para o vermelho, mais longe está a galáxia. As nossas observações espectroscópicas revelam que a galáxia está ainda mais distante do que inicialmente tínhamos pensado, mesmo no limite de distância que o Hubble pode observar," afirma Gabriel Brammer do STScI, segundo autor do estudo.
O Hubble confirma, espectroscopicamente, a galáxia mais distante até à data.  Crédito: NASA, ESA e A. Feild (STScI)

Antes dos astrónomos determinarem a distância de GN-z11, a galáxia mais distante cuja distância tinha sido determinada espectroscopicamente tinha um desvio para o vermelho de 8,68 (13,2 mil milhões de anos no passado). Agora, a equipa confirmou que GN-z11 tem um desvio para o vermelho de 11,1, quase 200 milhões de anos mais perto do Big Bang. "Este é um feito extraordinário para o Hubble. Conseguiu bater todos os recordes de distância anteriores, detidos durante anos por telescópios terrestres muito maiores," afirma Pieter van Dokkum, investigador da Universidade de Yale. "Este novo recorde provavelmente vai ficar até ao lançamento do Telescópio Espacial James Webb."

A combinação das imagens do Hubble e do Spitzer revela que GN-z11 é 25 vezes mais pequena que a Via Láctea e tem apenas 1% da massa da nossa Galáxia em estrelas. No entanto, a recém-nascida GN-z11 está a crescer rapidamente, formando estrelas a um ritmo cerca de 20 vezes maior do que a nossa Galáxia atualmente. Isto torna a galáxia remota brilhante o suficiente para que os astrónomos a encontrassem e realizassem observações com o Hubble e com o Spitzer. Os resultados revelam novas pistas surpreendentes sobre a natureza do Universo primitivo. "É incrível que uma galáxia tão massiva exista apenas 200 a 300 milhões de anos após a formação das primeiras estrelas.

É preciso um crescimento muito rápido, uma produção estelar a uma velocidade enorme, para formar uma galáxia com mil milhões de massas solares tão cedo," explicou Garth Illingworth, investigador da Universidade da Califórnia em Santa Cruz. Estes resultados fornecem uma visualização tentadora das observações que o Telescópio Espacial James Webb irá executar depois de ser lançado para o espaço em 2018. "O Hubble e o Spitzer já estão a chegar ao território do Webb," comenta Oesch.

"Esta nova descoberta mostra que o telescópio Webb vai certamente encontrar muitas dessas galáxias jovens que remontam à formação das primeiras galáxias," acrescenta Illingworth. Esta descoberta também tem consequências importantes para o WFIRST (Wide-Field Infrared Survey Telescope) da NASA, que terá a capacidade de encontrar milhares de galáxias brilhantes e muito distantes. Os resultados da equipa foram aceites para publicação numa edição futura da revista The Astrophysical Journal.
Fonte: Astronomia Online

O reino das gigantes enterradas


Nesta nova imagem enorme vemos nuvens de gás vermelhas iluminadas por estrelas massivas raras que começaram a brilhar há pouco tempo e por isso ainda se encontram profundamente enterradas em espessas nuvens de poeira. Estas estrelas muito jovens e extremamente quentes são apenas personagens passageiras no palco cósmico, e a sua origem permanece um mistério. A enorme nebulosa onde estas gigantes se formaram, juntamente com o meio rico e fascinante que as envolve, foi capturada em grande detalhe pelo Telescópio de Rastreio do VLT do ESO (VST) no Observatório do Paranal, no Chile.  RCW 106 é uma extensa nuvem de gás e poeira situada a cerca de 12 000 anos-luz de distância na constelação da Régua. O nome da região foi assim definido por se tratar da entrada nº 106 num catálogo de regiões H II da Via Láctea austral.

As regiões H II como RCW 106 são constituídas por nuvens de hidrogênio gasoso que está sendo ionizado pela intensa radiação estelar de estrelas jovens muito quentes, fazendo com que as nuvens brilhem e apresentem formas estranhas e maravilhosas. RCW 106 propriamente dita é uma nuvem vermelha situada acima do centro nesta nova imagem, embora uma grande parte desta enorme região H II se encontre escondida pela poeira e seja muito mais extensa do que a parte que é observada no visível. Podemos ainda observar nesta imagem de grande angular do VST muitos outros objetos sem qualquer relação com a região H II.

Por exemplo, os filamentos que se vêem à direita da imagem são restos de uma supernova antiga e os filamentos brilhantes vermelhos em baixo e à esquerda rodeiam uma estrela incomum muito quente. Também podemos observar um pouco por toda a paisagem cósmica áreas de poeira escura obscurante. Os astrônomos já estudam a RCW 106 há algum tempo, embora não sejam as nuvens vermelhas que lhes chamem a atenção, mas sim a misteriosa origem das estrelas poderosas e massivas que estão enterradas no seu interior. Embora sejam muito brilhantes, estas estrelas não podem ser observadas em imagens no visível, como é o caso desta imagem, pois a poeira à sua volta é muito espessa, mas tornam a sua presença conhecida em imagens da região obtidas em comprimentos de onda maiores.

No caso de estrelas menos massivas como o Sol, compreendemos bem o processo que lhes dá origem  — à medida que nuvens de gás se atraem mutuamente pela força da gravidade, a temperatura e densidade aumentam originando assim a
fusão nuclear. No entanto, para estrelas mais massivas enterradas em regiões como RCW 106, esta explicação é não totalmente adequada. Estas estrelas — conhecidas pelos astrônomos como estrelas de tipo O — podem ter massas de muitas dezenas de vezes a massa do Sol e não é claro como é que conseguem juntar e manter gás suficiente para se formarem.  As estrelas do tipo O formam-se muito provavelmente das zonas mais densas das nebulosas como RCW 106 e são notoriamente difíceis de estudar. Além do obscurecimento provocado pela poeira, outra dificuldade deve-se ao fato das suas vidas serem muito breves.

Estas estrelas queimam o seu combustível nuclear em meras dezenas de milhões de anos, enquanto as estrelas mais leves têm vidas que duram muitas dezenas de bilhões de anos. A dificuldade em formar estrelas com esta massa e a brevidade das suas vidas, faz com que estes objetos sejam muito raros — apenas uma em cada três milhões de estrelas na nossa vizinhança cósmica é uma estrela do tipo O. Nenhuma delas se encontra suficientemente próximo de nós para que a possamos estudar com todo o detalhe e por isso a formação destas gigantes estelares passageiras permanece um mistério, embora a sua enorme influência seja inconfundível em regiões H II brilhantes como esta.
Fonte: ESO
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