5 de abr de 2016

Planeta que tem três sóis é descoberto

Impressão artística de HD 1885Ab, que deve ser semelhante a KELT-4Ab. Crédito: NASA/JPL-Caltech

Impressão artística de HD 1885 Ab, que deve ser semelhante a KELT-4Ab. Crédito: NASA/JPL-Caltech

Recentemente, uma equipe de cientistas trabalhando no Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics anunciou a descoberta de um sistema triplo, com um planeta em uma órbita estável. A descoberta foi publicada no The Astronomical Journal. Planetas orbitando sistemas triplos são raros – com este sistema recém-descoberto, são quatro conhecidos. Só que este tem uma característica que o torna mais interessante que os outros: é o mais próximo de nós. Também, a estrela principal é mais brilhante que as outras estrelas, tornando mais fácil estudá-la. O nome do planeta é KELT-4Ab. A estrela gigante é KELT-A, e ela serve de sol para o planeta.

As outras duas estrelas do sistema, KELT-B e KELT-C, estão bem mais distantes e orbitam uma a outra em um período de aproximadamente 30 anos. O par demora cerca de quatro mil anos para orbitar a estrela principal. Um morador de KELT-4Ab, um planeta tão grande quanto nosso Júpiter, veria um sol quatro vezes maior do que o nosso, e duas outras estrelas mais fracas, não mais brilhantes do que a nossa lua. Este sistema oferece uma oportunidade única para os cientistas que estão tentando entender como um gigante gasoso consegue orbitar uma estrela tão de perto. Neste caso, pode ser que tenha alguma coisa a ver com o sistema binário próximo. 
Fonte: HYPESCIENCE.COM

Investigadores identificam anã branca com atmosfera de oxigénio

As anãs brancas são o estágio final da evolução da maioria das estrelas. Crédito: WikiImages

Investigadores da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Brasil, e da Universidade de Kiel, na Alemanha, identificaram, pela primeira vez, uma anã branca com uma atmosfera principalmente composta por oxigénio. O surpreendente, segundo o estudo publicado na revista Science da sexta-feira passada, dia 1 de abril, é que, diferentemente das anãs brancas conhecidas até então, que possuem atmosferas dominadas por hidrogénio e hélio, a nova estrela não possui traços de nenhum dos dois elementos. A pesquisa foi levada a cabo pelo professor da UFRGS Kepler Oliveira, Detlev Koester, professor da Universidade de Kiel, na Alemanha, e pelo bolsista de Gustavo Ourique.

A descoberta foi feita em meados do ano passado, quando os cientistas analisavam os 4,5 milhões de espectros do SDSS (Sloan Digital Sky Survey), procurando novas anãs brancas. O estágio final da evolução de todas as estrelas que nascem com menos de 8 a 11 massas solares – a depender de suas composições iniciais –, as anãs brancas possuem brilho ténue, porte pequeno e uma densidade extremamente alta. Esta é a última etapa da vida da maioria das estrelas. Cerca de 80% das anãs brancas possuem atmosferas dominadas por hidrogénio, e o restante tem o hélio como principal componente. Isto acontece porque, por sedimentação, os elementos mais leves vão para as camadas mais altas.

A atmosfera da nova estrela descoberta, entretanto, é dominada por oxigénio e apresenta traços de néon e magnésio, o que indica que não pode haver hidrogénio, hélio ou carbono na sua composição – todos mais leves que o oxigénio. De acordo com Kepler, a estrela, com uma massa muito inferior à do Sol, desafia os modelos de evolução estelar existentes, que não preveem um objeto como este. Espera-se que a mistura de oxigénio, néon e magnésio seja encontrada num pequeno número de estrelas, através da queima nuclear de carbono. No entanto, as anãs brancas formadas por este processo costumam ser muito mais pesadas.

"Se nem o núcleo deveria ser de oxigénio para massas menores que uma massa solar, muito menos a atmosfera", enfatiza o professor. Uma das possíveis explicações para a formação da anã branca com esta composição é a origem por fusão de duas estrelas – num sistema binário, em que as suas atmosferas interagiram e, no final, perderam massa. A descoberta revela-se um importante objeto de estudo sobre o caminho evolutivo das estrelas e, segundo a análise do investigador da Universidade de Warwick, Boris Gänsicke, pode conter uma ligação com alguns dos tipos de supernovas descobertas ao longo da última década. "Precisamos de calcular modelos que resultem numa estrela de baixa massa e com invólucro de oxigénio, o que nenhum modelo atual prevê", afirma Kepler.
Fonte: Astronomia On-line 

O Sol do passado

Representação de Sol e Terra


Seria muito bom se pudéssemos voltar ao passado, não? Você tem uma dúvida sobre como eram os dinossauros? Era só pegar uma nave e voltar no tempo para ver ao vivo o bicho. Ou sobre a formação da Terra, ou sobre as condições na Terra quando a vida surgiu. Seria perfeito, né? Mas em astronomia até que dá. É meio que forçar a barra, mas funciona. Olha só. Como seriam as condições na Terra, há uns 4 bilhões de anos atrás, momento em que a vida deve ter surgido no nosso planeta? Seria a Terra muito quente, muito ativa? Qual era o comportamento típico do Sol nessa época? A resposta para perguntas como essas podem ser obtidas não olhando para o passado do Sol, mas olhando para outras estrelas como o Sol. Nossa galáxia tem algo como 200 bilhões de estrelas, então não é difícil encontrar estrelas de qualquer tipo em todas as suas fases de evolução, desde estrelas ainda em formação, até cadáveres cósmicos como anãs brancas e estrelas de nêutrons. Com tanta estrela assim, é possível traçar o esquema evolutivo de cada tipo e, claro, estudar a fundo cada etapa. E é assim que uma equipe de astrônomos, liderada por um brasileiro, está visitando o passado recém nascido do Sol.

Uma equipe do Centro Smithsoniano de Astronomia em Harvard, com a presença do meu colega José Dias do Nascimento, da UFRN, está estudando uma estrela idêntica ao Sol em vários aspectos físicos, como composição química e tamanho, por exemplo, a única diferença é a idade. A estrela em questão é Kappa Ceti, uma estrela da constelação da Baleia visível a olho nu, que está a uma distância de 30 anos-luz, apenas. De acordo com uma técnica desenvolvida pela equipe de Harvard, medindo-se a velocidade de rotação de estrelas do tipo solar, é possível determinar sua idade. As estrelas nascem girando mais rápido e conforme o tempo passa vão ficando mais lentas.

De acordo com essa técnica, Kappa Ceti tem entre 400 e 600 milhões de anos de idade, o que representa um Sol recém-nascido! Mais do que isso, representa aproximadamente o momento em que a vida deve ter surgido na Terra. Saber das condições na Terra para se entender como a vida surgiu e se desenvolveu são de extrema importância, mas também saber como era o Sol nessa idade é vital. Sabemos que uma estrela vai esquentando conforme ela envelhece, assim como perde massa. Massa e temperatura são duas das principais grandezas físicas que determinam as características de uma estrela e, principalmente, sua evolução.

Kappa Ceti tem se mostrado uma criança bem nervosa, com alta atividade magnética e a alta incidência de manchas estelares. Com efeito, a estrela deve ter um forte vento estelar, sob a forma de um intenso fluxo de plasma e de partículas energéticas. A equipe de José Dias tem observado explosões estelares que chegam a liberar 100 milhões de vezes mais energia do que a explosão solar mais intensa já registrada! Tudo isso não é bom para um planeta com vida, ou que esteja começando a desenvolver vida. Se Kappa Ceti é assim hoje, assim foi o Sol há uns 4 bilhões de anos atrás: nervoso e desfavorável!

Mas como sobrevivemos para ler essa história hoje?

Campo magnético! Além de água, fonte de energia e elementos químicos apropriados, um planeta precisa também oferecer proteção contra a radiação de sua própria estrela. Isso não é exatamente nenhuma novidade, sabemos que o campo magnético da Terra tem papel fundamental para dar condições de desenvolver e manter a vida por aqui. Estudos mostram que em Marte, que não possui campo magnético apreciável, a probabilidade de haver vida em sua superfície é muito baixa. Uns 15-20 cm abaixo da superfície já seria um local mais seguro para bactérias se desenvolverem.

O que tem de novo neste estudo é que, além de mostrar que o Sol deve ter sido muito mais ativo do que é hoje, havia uma blindagem magnética na Terra desde tempos imemoriais, ainda que o campo magnético há 4 bilhões de anos atrás era bem mais fraco do que é hoje em dia, ele era intenso o suficiente para proteger nossos ancestrais microbianos. Caso contrário, a vida até poderia ter surgido por aqui, mas teria que ter esperado o campo magnético se fortalecer.
Imagem: M. Weiss/CfA

Créditos: Cássio Barbosa - Observatório - G1
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