30 de jun de 2016

Júpiter espera a chegada de Juno

Imagens VLT de Júpiter apresentadas alguns dias antes da chegada da sonda Juno
Em preparação para a chegada iminente da sonda Juno da NASA, os astrónomos usaram o Very Large Telescope do ESO para obter imagens de Júpiter no infravermelho, no âmbito de uma campanha para criar mapas de alta resolução do planeta gigante. Estas observações ajudarão a definir o trabalho a realizar pela sonda Juno nos próximos meses, dando aos astrónomos uma melhor compreensão do gigante gasoso antes do encontro com Juno. Uma equipa liderada por Leigh Fletcher da Universidade de Leicester, no Reino Unido, apresentou novas imagens de Júpiter no Encontro Nacional de Astronomia da Sociedade Astronómica Real do Reino Unido, em Nottingham. Obtidas com o instrumento VISIR montado no Very Large Telescope do ESO, as novas imagens fazem parte de um esforço para aumentar o conhecimento sobre a atmosfera de Júpiter antes da chegada da sonda Juno da NASA em Julho deste ano.

A campanha envolveu diversos telescópios situados no Hawai e no Chile, para além de contribuições de astrónomos amadores de todo o mundo. Os mapas não dão apenas instantâneos do planeta, mas revelam igualmente como é que a atmosfera de Júpiter se tem movimentado e variado nos meses que precedem a chegada de Juno. A sonda Juno foi lançada em 2011 e viajou já cerca de 3000 milhões de quilómetros para chegar ao sistema joviano. A sonda observa livre das limitações que afectam os telescópios na Terra, por isso pode parecer-nos estranho que esta campanha terrestre tenha sido considerada importante.

Leigh Fletcher explica o significado deste trabalho no âmbito da preparação da chegada de Juno: “Estes mapas ajudar-nos-ão a preparar o cenário para o que a sonda Juno observará nos próximos meses. Observações a diferentes comprimentos de onda ao longo do espectro infravermelho permitem-nos construir uma imagem tridimensional de como a energia e o material são transportados para cima através da atmosfera. Obter imagens nítidas através da atmosfera terrestre em constante mutação é um dos maiores desafios que os telescópios colocados no solo enfrentam. Estas observações da atmosfera turbulenta de Júpiter, agitada com nuvens de gás mais frio, foram possíveis graças a uma técnica conhecida por “imagens da sorte”. Foram obtidas sequências de exposições muito curtas de Júpiter com o VISIR, produzindo-se milhares de imagens individuais. As imagens que estão menos afectadas pela turbulência atmosférica, as chamadas imagens da sorte, são selecionadas, sendo as restantes descartadas.

As imagens selecionadas são seguidamente alinhadas e combinadas de modo a produzirem imagens finais de grande qualidade, como a que aqui apresentamos. Glenn Orton, líder da campanha terrestre de apoio à missão Juno, explica porque é que as observações preparatórias feitas a partir da Terra são tão valiosas: “Os esforços combinados de uma equipa internacional de astrónomos amadores e profissionais deu-nos uma base de dados bastante rica que cobre os últimos 8 meses. Juntamente com os novos resultados de Juno, a base de dados do VISIR, em particular, permitirá aos investigadores caracterizar a estrutura térmica global de Júpiter, a sua cobertura de nuvens e a distribuição de espécies gasosas. Por isso, apesar da moderna missão Juno, destinada a revelar-nos Júpiter, ir certamente obter resultados novos e amplamente esperados, podemos dizer que o seu caminho foi pavimentado por esforços realizados a partir do solo, aqui na Terra.
Fonte: ESO

Astrônomos vão passar um ano estudando a estrela com a suposta “megaestrutura alienígena”

estrela

Uma equipe de astrônomos conseguiu com sucesso um financiamento coletivo para investigar durante um ano de observações a hipótese de que uma “megaestrutura alienígena” orbite uma estrela misteriosa chamada KIC 8462852.  A equipe levantou mais de 100 mil dólares em menos de um mês para o estudo, e eles esperam que esta quantia vá comprar-lhes tempo suficiente para concluir de uma vez por todas o que está fazendo com que a luz de KIC 8462852 escureça de forma que os cientistas nunca viram antes.  Caso você tenha perdido a controvérsia em torno de KIC 8462852 – uma estrela de tipo F que se encontra 1.480 anos-luz de distância – aqui está um rápido resumo: a história começou em 2015, quando a astrônoma da Universidade de Yale, nos EUA, Tabetha Boyajian, liderou uma equipe de cientistas chamados de “os caçadores de planetas” para examinar os dados coletados pelo telescópio espacial Kepler.

KIC 8462852 era apenas uma estrela entre as centenas que o Kepler marcou como anormal depois de estudar o céu noturno usando o método de trânsito. Astrônomos usam esse método para identificar candidatos a exoplanetas assistindo a luz de uma estrela até que ela pisque ou escureça, conforme um planeta cruza na frente dela. Durante a sua análise, entretanto, as coisas ficaram estranhas. Normalmente, quando Kepler espia um possível exoplaneta usando o método de trânsito, a luz da estrela suspeita escurece apenas por cerca de 1%. Essa estrela esmaecia por notáveis 22%, e ficou assim por até 80 dias em um dado momento.

Hipóteses - Apesar da falta de provas, muitas hipóteses abundam sobre a estrutura, incluindo um enxame maciço de cometas, o que foi rapidamente desmascarado. Uma das ideias mais intrigantes é que ela poderia ser uma esfera Dyson – uma estrutura hipotética descrita em várias histórias de ficção científica que funciona como um painel solar gigante, usado por uma civilização avançada para coletar a energia da sua estrela hospedeira. Enquanto não há obviamente nenhuma prova de que tal tecnologia exista, é muito legal de se pensar que essa possa ser a resposta. Aliens devem ser sempre a última hipótese a se considerar, mas isso parece algo que seria de se esperar que uma civilização alienígena construísse”, pondera Jason Wright, astrônomo da Universidade de Penn State, nos EUA.

12 meses - Desde essa descoberta, ninguém foi capaz de chegar a uma explicação que não pudesse ser adequadamente desmascarada. Mas agora, graças à campanha bem sucedida de financiamento coletivo, Boyajian e sua equipe esperam descobrir tudo a respeito do mistério.  Nossos fundos solicitados iniciais irão cobrir todas as despesas para um ano de monitoramento da estrela. Isto incluirá um total de 2 horas por noite dedicadas a observá-la”, anunciou a equipe. “As observações serão distribuídas para uma cobertura temporal durante toda a noite, e cada apontamento irá circular um conjunto de filtros para nos dar o brilho (da estrela) em uma gama de cores.

Para fazer isso, os pesquisadores irão utilizar o Las Cumbres Observatory Global Network Telescope (LCOGT), uma série de telescópios de propriedade privada que pode monitorar um único objeto por um longo período de tempo, assim como o Kepler faz a um maior nível de detalhe. Os responsáveis pelo LCOGT já haviam fornecido 200 horas para o projeto (quem não quer ser parte da possível descoberta de vida alienígena?), mas esta quantidade de tempo seria apenas o suficiente para dar a equipe até o final do verão nos EUA. Com os recursos captados no financiamento coletivo, a equipe agora tem a capacidade de continuar a sua missão por mais 12 meses.

Resultados - É importante lembrar que este tipo de estudo leva muito tempo e ninguém pode dizer – especialmente tão cedo – se eles vão realmente encontrar algo remotamente conclusivo. Mas há também a chance de que eles encontrem, o que é super emocionante, porque nunca vimos nada como esta estrela antes. Os caçadores de planetas não são o único grupo a examinar a misteriosa estrela. Em um relatório emitido em novembro de 2015, pesquisadores do Research for Extraterrestrial Intelligence Institute (SETI) concluíram que sinais de vida inteligente – sob a forma de ondas de rádio – não haviam sido detectados na região da estrela. Ainda assim, muitos estão mantendo a esperança de que algum tipo de estrutura esteja presente lá, mas isso só o tempo dirá (nós esperamos).
Fonte: Hypescience.com



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