28 de jul de 2016

Kepler encontrou dois bons candidatos de planetas que podem conter vida


sonda dois planetas


Uma equipe internacional de cientistas usando o telescópio Kepler, da NASA, acaba de anunciar a descoberta de mais de 100 exoplanetas. Entre os novos mundos, um sistema com quatro planetas a cerca de 181 anos-luz de distância possui dois que os cientistas dizem que têm uma boa chance de suportar a vida. K2-72 é uma estrela anã vermelha orbitada por quatro planetas, na direção da constelação de Aquário. Os pesquisadores sugerem que todos esses quatro mundos podem ser rochosos. Enquanto eles orbitam sua estrela hospedeira muito de perto, a frieza relativa da K2-72 significa dois deles podem ser habitáveis.

Eles passam mais próximos de K2-72 do que Mercúrio do nosso sol, mas a anã vermelha é relativamente fraca, de forma que sua zona habitável não chega tão longe. Devido a isso, dois dos planetas caem dentro do limite favorável à vida, com níveis de irradiação da estrela comparáveis aos encontrados na Terra, oferecendo condições que sustentam a existência de água líquida em sua superfície. Todos os planetas em torno da K2-72 possuem um diâmetro entre 20 a 50% maior que o da Terra.  A descoberta dos mundos em volta da K2-72 é apenas uma entre um grupo grande de novos exoplanetas identificados por uma equipe de pesquisadores liderada pela Universidade do Arizona, nos EUA.

Os cientistas usaram o Kepler para encontrar 197 candidatos a planetas, dos quais 104 foram confirmados. O que é mais notável sobre as últimas descobertas é que essas identificações foram resultado de um acidente. Em 2012, o observatório espacial começou a funcionar mal, o que impediu o telescópio de se estabilizar em direção a uma determinada parcela do céu em sua missão original. Felizmente, os engenheiros da NASA fizeram uma correção engenhosa para o problema, calculando que os fótons do sol seriam capazes de ajudar a estabilizar o telescópio para a sua nova missão K2, observando uma parte mais ampla do céu dentro do plano da eclíptica, dando-lhe uma maior margem de manobra para detectar estrelas, incluindo as mais fracas do tipo anã vermelha, como a K2-72.

A nova missão, além de aumentar significativamente o número de estrelas que podemos estudar, também nos permite descobrir mais sobre o tipo mais comum de estrelas na Via Láctea, o que nos dará uma maior compreensão dos tipos de sistemas exoplanetários mais frequentemente encontrados em toda a galáxia. Kepler mostrou fortes sinais de que há uma abundância de exoplanetas, especialmente planetas bem pequenos em torno destas estrelas mais frias”, disse o astrônomo Ian Crossfield, da Universidade do Arizona, ao jornal Los Angeles Times. “Isso é muito emocionante porque estas estrelas anãs vermelhas superam drasticamente estrelas como o nosso sol”.

Os pesquisadores agora estão ansiosos para estudar mais estes mundos, o que pode criar alguns candidatos muito interessantes para observações de acompanhamento feitas pelo telescópio espacial James Webb, que pode dar informações valiosas, por exemplo, sobre as atmosferas desses planetas potencialmente habitáveis.
Fonte: ScienceAlert

Anã branca fustiga anã vermelha com raio misterioso


Os astrónomos utilizaram o Very Large Telescope do ESO, para além doutros telescópios tanto no solo como no espaço, e descobriram um novo tipo de estrela binária bastante exótica. No sistema AR Scorpii, uma anã branca em rotação rápida acelera electrões até quase à velocidade da luz. Estas partículas de alta energia libertam quantidades de radiação que fustigam a estrela companheira, uma anã vermelha, fazendo com que todo o sistema pulse drasticamente a cada 1,97 minutos e liberte radiação que vai desde o ultravioleta às ondas rádio. Este trabalho será publicado na revista Nature a 28 de julho de 2016. Em maio de 2015, um grupo de astrónomos amadores da Alemanha, Bélgica e Reino Unido, encontrou um sistema estelar que se comportava de um modo nunca antes observado.

Observações de seguimento, lideradas pela Universidade de Warwick e fazendo uso de vários telescópios, colocados tanto no solo como no espaço, revelaram a verdadeira natureza deste sistema anteriormente mal identificado. O sistema estelar AR Scorpii, ou AR Sco, situa-se na constelação do Escorpião a 380 anos-luz de distância da Terra. É composto por uma anã branca em rotação rápida, do tamanho da Terra mas com cerca de 200 000 vezes mais massa, e por uma anã vermelha fria com um terço da massa do Sol, que se orbitam mutuamente com um período de 3,6 horas, executando uma dança cósmica tão regular como um relógio.

Este
sistema binário de estrelas exibe um comportamento assaz violento. Altamente magnetizada e rodando muito depressa, a anã branca acelera electrões até quase à velocidade da luz. À medida que estas partículas de alta energia se deslocam no espaço, é libertada radiação num raio semelhante a um farol, que fustiga a anã vermelha fria, fazendo com que todo o sistema brilhe e desvaneça a cada 1,97 minutos. Estes pulsos poderosos incluem radiação nas frequências rádio, algo que nunca tinha sido antes detectado num sistema com uma anã branca.

O investigador principal Tom Marsh, do Grupo de Astrofísica da Universidade de Warwick, comenta: “O AR Scorpii foi descoberto há mais de 40 anos, mas não suspeitámos da sua verdadeira natureza até o começarmos a observar em 2015. Percebemos que estávamos a ver algo extraordinário poucos minutos depois de começarmos as observações. As propriedades observadas do AR Sco são únicas e misteriosas. A radiação emitida ao longo de uma grande gama de frequências indica emissão de electrões acelerados em campos magnéticos, o que pode ser explicado pela anã branca em rotação. A fonte de electrões propriamente dita permanece, no entanto, um mistério — não é claro se estará associada à própria anã branca ou à sua companheira mais fria.

O AR Scorpii foi inicialmente observado no início da década de 1970 e as suas flutuações de brilho regulares a cada 3,6 horas levaram a que fosse erradamente classificado uma
estrela variável isolada.  A verdadeira natureza da variação em luminosidade do AR Scorpii foi revelada graças aos esforços conjuntos de astrónomos profissionais e amadores. Uma pulsação semelhante tinha sido já observada anteriormente, mas vinda de estrelas de neutrões — alguns dos objetos celestes mais densos conhecidos no Universo — e não de anãs brancas.

Boris Gänsicke, co-autor do novo estudo e também da Universidade de Warwick, conclui: “Conhecemos estrelas de neutrões a pulsar há quase 50 anos e algumas teorias previam que as anãs brancas poderiam também apresentar um comportamento semelhante. É muito excitante termos descoberto um tal sistema e é também um exemplo fantástico de colaboração entre astrónomos amadores e profissionais.”
Fonte: ESO

Espaço...a última fronteira


Abell S1063, um enxame de galáxias que foi observado pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA como parte do programa "Frontier Fields". A enorme massa do enxame age como uma lupa cósmica e amplia galáxias ainda mais distantes.  Crédito: ESA/NASA

Há 50 anos atrás, o Capitão Kirk e a tripulação da nave espacial Enterprise iniciaram a sua viagem para o espaço – a última fronteira. Agora, ao mesmo tempo que o filme Star Trek chega aos cinemas, o telescópio espacial Hubble da NASA/ESA encontra-se também a explorar novas fronteiras, observando galáxias distantes no conjunto de galáxias Abell S1063 como parte do programa "Frontier Fields".

Espaço… a última fronteira. Estas são as histórias do Telescópio Espacial Hubble. A sua missão contínua é a de explorar novos e estranhos mundos e ousadamente olhar para onde nenhum outro telescópio olhou antes. O mais recente alvo da missão do Hubble é o distante conjunto de galáxias Abell S1063, potencialmente o lar de milhares de milhões de novos e estranhos mundos. Esta visão do conjunto de galáxias, o qual pode ser observado no centro da imagem, mostra como era há quatro mil milhões de anos atrás. Mas Abell S1063 permite-nos explorar um tempo ainda mais cedo do que este, onde nenhum outro telescópio procurou antes.

A grande massa do conjunto distorce e amplifica a luz de outras galáxias que se encontram por trás devido a um efeito designado por lente gravitacional. Isto permite ao Hubble ver galáxias que de outra forma seria muito difícil observar e torna possível procurar, e estudar, a primeira geração de galáxias do Universo. "Fascinante", como diria um famoso Vulcan.
Os primeiros resultados dos dados sobre Abell S1063 prometem algumas notáveis novas descobertas. Neste momento, já se encontrou uma galáxia que é observada como era apenas há mil milhões de anos após o Big Bang.

Os astrónomos identificaram também dezasseis galáxias no fundo, cuja luz foi distorcida pelo conjunto, causando múltiplas imagens delas aparecerem no céu. Isto ajudará os astrónomos a melhorar os seus modelos de distribuição tanto da matéria comum como da matéria negra no conjunto de galáxias, uma vez que é a gravidade destas que causa os efeitos de distorção. Estes modelos são a chave para a compreensão da misteriosa natureza da matéria negra.

Abell S1063 não se encontra sozinho na habilidade de distorcer a luz das galáxias de fundo, e também não é a única destas enormes lentes cósmicas a ser estudada pelo Hubble. Três outros conjuntos de galáxias já foram observados como parte do programa "Frontier Fields", e mais duas serão ainda observadas nos próximos anos, dando aos astrónomos uma imagem notável de como funcionam e o que jaz tanto dentro como para lá delas. Dados recolhidos anteriormente de conjuntos de galáxias foram estudados por equipas por todo o mundo, permitindo-lhes fazer importantes descobertas, entre elas, galáxias que existiram apenas centenas de milhares de anos depois do Big Bang e a primeira aparição prevista de uma supernova lente gravitacional.

Tal extensa colaboração internacional teria tornado Gene Roddenberry, o pai de Star Trek, orgulhoso. No mundo fictício criado por Roddenberry, uma equipa diversificada trabalhou junta para explorar pacificamente o Universo. Este sonho é parcialmente conseguido pelo programa Hubble no qual a Agência Espacial Europeia (ESA), apoiada por 22 estados-membro, e a NASA colaboram para operar um dos instrumentos científicos mais sofisticado do mundo. Já para não mencionar as dezenas de outras equipas científicas internacionais que cruzam o estado, país ou fronteira continental para alcançar os seus objetivos científicos.
Fonte: Astronomia Online

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